Solenidade do Pentecostes

 

Missa do Dia

8 de Junho de 2014

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Amor de Deus foi derramado, M. Carvalho, NRMS 82-83

Sab 1, 7

Antífona de entrada: O Espírito do Senhor encheu a terra inteira; Ele, que abrange o universo, conhece toda a palavra. Aleluia.

 

Ou:

Rom 5, 5; 8, 11

O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que habita em nós. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Cinquenta dias depois da Páscoa e dez depois da Ascensão do Senhor, o Espírito Santo desceu, sob a figura de línguas de fogo sobre Nossa Senhora e os Apóstolos reunidos em oração.

Cumpriam fielmente a recomendação de Jesus: que não se retirassem de Jerusalém para evangelizar o mundo, sem terem recebido o Prometido do Pai.

Celebramos com paramentos vermelhos – a cor do fogo – evocando o Amor de Deus que vem incendiar os corações.

Pedimos humildemente ao Senhor que nos faça participantes da graça especial deste dia.

 

Acto penitencial

 

Peçamos perdão ao Senhor pelas muitas vezes que temos sufocado o fogo do Amor de Deus dentro de nós, deixando-nos dominar pelo egoísmo, pela sensualidade e pela preguiça.

Prometamos, com a Sua ajuda, lutar generosamente por emendar a nossa vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor, andamos, por vezes distraídos pela vida,

    sem procurar ouvir tudo aquilo que nos dizeis.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo, actuamos movidos pelos sentimentos,

    em vez de procurarmos saber a Vossa vontade.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor, nem sempre temos sido em nossa vida

    semeadores de paz e da verdadeira alegria da fé.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

 

Oração colecta: Deus do universo, que no mistério do Pentecostes santificais a Igreja dispersa entre todos os povos e nações, derramai sobre a terra os dons do Espírito Santo, de modo que também hoje se renovem nos corações dos fiéis os prodígios realizados nos primórdios da pregação do Evangelho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: S. Lucas narra-nos, nos Actos dos Apóstolos, a vinda do Espírito Santo sobre Nossa Senhora, os Apóstolos e os discípulos do Senhor que tinham permanecido no Cenáculo a preparar-se para este acontecimento.

A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade tornou possível que Pedro comunicasse a mensagem de salvação aos homens separados pelas diferenças de raça, nação e língua, fazendo deles uma só comunidade de amor.

 

Actos dos Apóstolos 2, 1-11

1Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. 3Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. 4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. 5Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. 6Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. 7Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? 8Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? 9Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, 11tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».

 

1 «Pentecostes» significa, em grego, quinquagésimo (dia depois da Páscoa). Os judeus chamam-lhe Festa das Semanas (em hebraico, xevuôth, 7 semanas depois da Páscoa). Era uma festa em que se ofereciam a Deus as primícias das colheitas, num gesto de acção de graças. Mais tarde, os rabinos também lhe deram o sentido da comemoração da promulgação da Lei no Sinai.

3 «Línguas de fogo que se iam dividindo». O fogo toma esta forma talvez para significar o dom das línguas. Esta nova divisão das línguas tem a finalidade de unir os homens numa mesma fé e não de os separar com aquela divisão das línguas de que se fala no Génesis (11, 1-9).

4 «Começaram a falar outras línguas». Jesus tinha anunciado este prodígio, até então desconhecido (cf. Mc 16, 17). Trata-se de um fenómeno sobrenatural, não dum simples fenómeno de exaltação nervosa. No entanto, não há total acordo entre os exegetas para explicar o milagre das línguas do Pentecostes. A explicação mais habitual é que os Apóstolos falaram então verdadeiros idiomas novos (cf. Mc 16, 17), mas em Actos não se fala de línguas novas (kainais), como em Marcos, mas de línguas diferentes (cf. v. 4: hetérais). Alguns dizem que o milagre estava nos ouvintes, que ouviam na própria língua das terras donde provinham (v. 8) aquilo que os Apóstolos diziam em aramaico. Outros, especialmente nos nossos dias, põem este milagre em relação com o dom das línguas, ou glossolalia, carisma de que se fala em 1 Cor 14, 2-33: seria então um tipo de oração extática, especialmente de louvor, em que se articulavam sons ininteligíveis (algo parecido com aquele fenómeno místico a que Santa Teresa de Jesus chama «embriaguez espiritual, júbilo místico»). Sendo assim, o que aconteceu de particular no dia do Pentecostes, foi que não era preciso um intérprete (como em 1 Cor 14, 27-28) para que os ouvintes entendessem o que diziam os Apóstolos: os ouvintes de boa fé receberam o dom de interpretar o que os Apóstolos diziam, ao passo que os mal dispostos diziam que eles estavam ébrios (v. 13). De qualquer modo, em Actos nunca se diz que a pregação de Pedro (cf. vv. 14-36) foi em línguas; o discurso aparece como posterior a este fenómeno referido no v. 4; em línguas poderia ser algum tipo de oração de louvor, a «proclamar as maravilhas do Senhor» (v. 11).

9-11 Temos aqui uma vasta referência às diversas procedências dos judeus da diáspora: uns teriam mesmo vindo em peregrinação, outros seriam emigrantes que se tinham fixado na Palestina. De qualquer modo, esta enumeração bastante exaustiva e ordenada (a partir do Oriente para Ocidente) pretende pôr em evidência a universalidade da Igreja, que é católica logo ao nascer, destinada a todos os homens de todas as procedências, manifestando-se esta catolicidade na capacidade que todos têm para captar e aderir à pregação apostólica. Por outro lado, também a unidade da Igreja se deixa ver na única mensagem e no único Baptismo que todos recebem; como se lê na 2.ª leitura de hoje, (v. 13) «a todos nos foi dado beber um único Espírito».

 

Salmo Responsorial    Sl 103 (104), lab.24c.29bc-30.31.34

 

Monição: O salmista convida-nos a louvar a Deus por estabelecer a ordem da criação e pela fecundidade da terra e dos corações dos homens. Cantemos, pois:

 

Refrão:        Enviai, Senhor, o vosso Espírito

                     e renovai a face da terra.

 

Ou:               Mandai, Senhor o vosso Espírito,

                     e renovai a terra.

 

Ou:               Aleluia.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

Senhor, meu Deus, como sois grande!

Como são grandes, Senhor, as vossas obras!

A terra está cheia das vossas criaturas.

 

Se lhes tirais o alento, morrem

e voltam ao pó donde vieram.

Se mandais o vosso espírito, retomam a vida

e renovais a face da terra.

 

Glória a Deus para sempre!

Rejubile o Senhor nas suas obras.

Grato Lhe seja o meu canto

e eu terei alegria no Senhor.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo ensina-nos que o Espírito é a fonte de onde brota a vida da comunidade cristã. É Ele que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros; por isso, esses dons não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos.

 

1 Coríntios 12, 3b-7.12-13

Irmãos: 3bNinguém pode dizer «Jesus é o Senhor», a não ser pela acção do Espírito Santo. 4De facto, há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. 5Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. 6Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. 7Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. 12Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo. 13Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito.

 

O contexto em que fala S. Paulo aos Coríntios é o de certa confusão que reinava na comunidade acerca dos carismas, em especial os de linguagem. Para começar, avança com um critério de discernimento, a saber, que quem fala o faça de acordo com a verdadeira fé, a confissão de fé na divindade de Jesus: «Jesus é Senhor» (sem artigo em grego, indicando que Jesus é Deus); com efeito, «Senhor» equivale a Yahwéh na tradução grega dos LXX para o nome divino. Por outro lado, deve-se ter em conta que o acto de fé não se pode fazer só pelas próprias forças, é fruto da graça do Espírito Santo (v. 3), que, pelos seus dons, especialmente o do entendimento e o da sabedoria, aperfeiçoam essa mesma fé.

4-5 Pertence à essência da vida da Igreja haver sempre, diversidade de dons espirituais (carismas), ministérios e operações. Estas três designações referem-se fundamentalmente aos mesmos dons de Deus em favor da edificação da Igreja, mas cada um destes três nomes foca um aspecto: a sua gratuidade, a sua utilidade e a sua manifestação do poder actuante de Deus. S Paulo apropria cada um destes aspectos a cada uma das três Pessoas divinas. Toda esta diversidade e variedade de dons procede da unidade divina e concorre para que a unidade a Igreja – um só Corpo (v. 13) – seja mais rica. O Concílio Vaticano II – L. G. 12 – recorda normas práticas acerca destes carismas, ou dons que Deus concede aos fiéis para a «renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja, para o bem comum» (v. 7). E diz que os dons extraordinários não se devem pedir temerariamente, nem deles se devem esperar, com presunção, os frutos das obras apostólicas; e o juízo acerca da sua autenticidade e recto uso, pertence àqueles que presidem na Igreja, a quem compete de modo especial não extinguir o Espírito, mas julgar e conservar o que é bom (cf. 1 Tes 5, 12.19-21). Não se pode opor o carismático ao jerárquico; a vida da Igreja, que se expande pelos carismas, tem que se manter na esfera da verdade, garantida pela Hierarquia, a fim de que seja verdadeira vida, e não mera excrescência doentia e anormal, porventura um princípio de auto-destruição.

12 «Assim como o corpo...». A comparação não é original, mas da literatura profana. S. Paulo adapta-a maravilhosamente à Igreja, concebida como um corpo onde não pode haver rivalidades e divisão: «um só corpo». Aqui está latente a doutrina do Corpo Místico explanada em Colossenses e Efésios, mas ainda não se considera de facto a Igreja universal, o Corpo de Cristo, apenas se considera que os cristãos de Corinto são um organismo – um corpo – dependente de Cristo e com a mesma vida de Cristo (v. 27).

13 «E a todos nos foi dado beber um único Espírito». Os exegetas em geral, tendo em conta que no v. anterior já se tinha falado do Baptismo, pensam haver aqui uma referência ao Sacramento da Confirmação, pois então estes Sacramentos se costumavam receber juntos (cf. Act 19, 5-6), como ainda hoje no Oriente e entre nós nos adultos.

 

Sequência

 

Vinde, ó santo Espírito,

vinde, Amor ardente,

acendei na terra

vossa luz fulgente.

 

Vinde, Pai dos pobres:

na dor e aflições,

vinde encher de gozo

nossos corações.

 

Benfeitor supremo

em todo o momento,

habitando em nós

sois o nosso alento.

 

Descanso na luta

e na paz encanto,

no calor sois brisa,

conforto no pranto.

 

Luz de santidade,

que no Céu ardeis,

abrasai as almas

dos vossos fiéis.

 

Sem a vossa força

e favor clemente,

nada há no homem

que seja inocente.

 

Lavai nossas manchas,

a aridez regai,

sarai os enfermos

e a todos salvai.

 

Abrandai durezas

para os caminhantes,

animai os tristes,

guiai os errantes.

 

Vossos sete dons

concedei à alma

do que em Vós confia:

 

Virtude na vida,

amparo na morte,

no Céu alegria.

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: O Evangelho apresenta-nos a comunidade cristã, reunida à volta de Jesus ressuscitado. Esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, nova, a partir do dom do Espírito. É o Espírito que permite aos crentes superar o medo e as limitações e dar testemunho no mundo desse amor que Jesus viveu até às últimas consequências.

Aclamemos (cantando) o Evangelho que proclama para nós estas verdades confortantes.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e

acendei neles o fogo do vosso amor.

 

 

Evangelho

 

São João 20, 19-23

19Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». 20Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. 21Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». 22Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: 23àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».

 

Este texto foi escolhido por nele se falar também de uma comunicação do Espírito Santo, esta no dia de Páscoa, e que permite à Igreja o exercício de uma das principais concretizações da sua missão salvífica: o perdão dos pecados por meio do Sacramento da Reconciliação. (Ver atrás os comentários feitos para o 2.º Domingo da Páscoa). Aqui limitamo-nos a citar um belo texto da Declaração Ecuménica das Igrejas Cristãs (Upsala 1968), baseada num conhecido texto patrístico: «Sem o Espírito Santo, Deus fica longe; Cristo pertence ao passado; o Evangelho é letra morta; a Igreja, mais uma organização; a autoridade, um domínio; a missão, uma propaganda; o culto, uma evocação; o agir cristão, uma moral de escravos. Mas, com o Espírito Santo, o cosmos eleva-se e geme na infância do Reino; Cristo ressuscita e é alento de vida; a Igreja é comunhão trinitária; e a autoridade, serviço libertador; a missão é Pentecostes; e o culto, memorial e antecipação; o agir humano torna-se realidade divina».

 

Sugestões para a homilia

 

• A vinda do Espírito Santo

A vida em comunhão na Igreja

O Espírito Santo vem

A linguagem do Amor é entendida por todos

• O Espírito Santo actua na Igreja

Fonte da verdadeira Paz

Fonte da verdadeira alegria

Fonte de toda a acção da Igreja

 

1. A vinda do Espírito Santo

 

a) A vida em comunhão na Igreja. «Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar

Com Maria e os Apóstolos e discípulos, encontravam-se todos reunidos em oração. Cantavam salmos, meditavam sobre textos da Sagrada Escritura e recordavam os ensinamentos de Jesus.

Esta mesma unidade e comunhão está simbolizada na única língua de fogo que desce do Céu e se divide sobre a cabeça de cada um dos presentes.

Foi precisamente quando a Igreja se encontrava reunida que o Espírito Santo veio como dom do Pai a cada um deles.

Um ruído semelhante a uma rajada de vento fez-se ouvir, atraindo para junto do Cenáculo uma multidão.

Também em Lourdes e na Loca do Cabeço, em Fátima, as aparições foram precedidas de um fenómeno semelhante.

Jesus não lhes dissera quanto tempo iriam esperar em oração, como não avisara José e Maria do tempo em que teriam de ficar no Egipto. Pedia-lhes um abandono incondicional à Sua vontade e eles responderam com generosidade. O acontecimento do Pentecostes colheu-os de surpresa.

 

b) O Espírito Santo vem. «Subitamente, fez se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam

Apareceu no ar, dentro da sala, «um espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles

O efeito foi imediato. «Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem

O Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade e apropriamos-Lhe o Amor.

• Uma Pessoa. Não uma simples ideia. É Alguém que conhece, ama, ouve, dialoga connosco, nos faz companhia, ajudando-nos a vencer a solidão, e a quem podemos pedir um conselho.

• Pessoa Divina. É Deus, como o Pai e o Filho: bondade e sabedoria infinitas, omnipotente e misericordioso. É o Amor mútuo entre o Pai e o Filho. Procede de ambos. Enquanto o amor em nós é um sentimento que pode morrer, em Deus é uma Pessoa Divina.

• Deus é Amor. Mas apropriamos este Atributo divino à Terceira Pessoa. Talvez por isso, faz a Sua manifestação como língua de fogo.

O fogo aquece, funde diversos corpos num só, queima o que é inútil ou nocivo, ilumina. Isto ajuda-nos a compreender a missão do Espírito Santo na Igreja. É a Sua Alma e ajuda a formar em nós a imagem viva de Jesus. A alma mantém os elementos do corpo unidos. Quando ela falta, o corpo entra em decomposição.

 

c) A linguagem do Amor é entendida por todos. «Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua

Se nos deixarmos transformar por Ele, a face da terra será mudada. Só o amor verdadeiro faz obras que perduram (S. João Bosco, Santo Cura d’Ars, João Paulo II).

Para isso, como nos ensina Jesus, o Espírito Santo é o Conselheiro, o defensor, o Amigo, a Sabedoria que coloca na nossa boca a defesa quando comparecermos perante os tribunais para darmos testemunho da fé.

Deus quer mudar o mundo por meio de cada um de nós. Pertence-nos trabalhar uma pequena parcela que Ele nos confia.

Manifestamos o Seu Amor pela nossa vida e obras. Por isso, cantamos, implorando a Sua vinda: Mandai, Senhor, o Vosso Espírito!

Na vida da Igreja, esta força do Amor chama a atenção de todos os povos, como na manhã do Pentecostes. São uma demonstração disto mesmo o servo de Deus João Paulo II, a Beata Teresa de Calcutá, S. João Bosco, o Santo Cura d’Ars, e muitos outros.

Onde existe amor verdadeiro, aí encontramos a acção do Espírito Santo: na doação mútua dos esposos, na dedicação dos pais, no ardor dos missionários e no silêncio dos conventos de pessoas contemplativas; na doação de pessoas anónimas aos doentes, aos sem abrigo e a tantas outras carências.

 

2. O Espírito Santo actua na Igreja

 

O texto do Evangelho reconduz-nos ao dia de Páscoa pela tarde. Os Apóstolos e discípulos do Senhor ainda não tinham dominado o medo que lhes causara a paixão de Jesus, embora começassem a circular notícias de que o mestre tinha ressuscitado.

É neste contexto que Jesus aparece no meio deles, sem que fosse necessário abrir qualquer porta ou janela para Ele entrar.

 

a) Fonte da verdadeira Paz. «Veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse lhes: “A paz esteja convosco”.»

Não temos outro caminho para a paz a não ser colocar Jesus Cristo no cimo de todas as realidades humanas, guiados pelo Espírito Santo.

A paz tem de começar no coração de cada um de nós, pela reconciliação com Deus e pela vida em graça.

A paz nasce do Amor de Deus. O Seu nome novo é justiça (Beato João XXIII).

Se acreditarmos que Ele está presente em cada pessoa, teremos mais facilidade em amar todas as pessoas.

Ser cristão não consiste apenas em dar o nome a um grupo. É passar a fazer parte duma família. Esta precisa de se reunir: para intensificar a comunhão entre si e de todos com Deus; para edificação mútua; para superar as dificuldades do caminho; para crescer.

 

b) Fonte da verdadeira alegria. «Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor

O Inimigo trocou os sinais do caminho, de modo que os homens se equivocam quando procuram a verdadeira alegria longe de Deus.

A verdadeira alegria está, antes de mais, no encontro com o Senhor, pela oração confiante.

Continuamos a encontrá-la nos caminhos da conversão pessoal. Os Apóstolos estavam, com certeza, do abandono a que tinham votado o Mestre, na hora da Paixão.

Para nos facilitar esta conversão contínua, Jesus institui na visita que lhes faz, o Sacramento da Reconciliação e Penitência.

Neste recomeçar contínuo, dóceis ao Espírito Santo, encontramos a alegria que vem de Deus, mesmo quando há tropeços pelo caminho. É para nos ajudar a levantarmo-nos com prontidão que Jesus nos dá o espírito Santo com os sete dons.

 

c) Fonte de toda a acção da Igreja. «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos

O Espírito Santo é a fonte de toda a acção d Igreja. É Ele que nos fala, porque é O Autor da Sagrada Escritura.

Na Santa Missa, o sacerdote consagra pela força do Espírito recebido com a imposição das mãos na ordenação.

É Ele quem desperta no coração toda a acção caritativa na Igreja: as levas de missionários, obras sócio-caritativas atendendo onde há necessidade de obras de misericórdia: para os que têm fome de pão ou de carinho; para os nus, expoliados da sua dignidade de pessoas (trabalhadores, pessoas que não sabem ou não se podem defender); enxugam lágrimas aos que choram.

Onde encontramos amor verdadeiro, solidariedade para o bem – entre os esposos, os irmãos, os companheiros de trabalho – aí se manifesta a acção da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade.

Foi por obra do Espírito Santo que Maria concebeu Jesus no seu seio virginal. Que Ele nos ensine a fidelidade e docilidade a este nosso Consolador.

 

Fala o Santo Padre

 

«O sopro do Espírito Santo enche o universo,

gera a fé, leva à verdade e predispõe a unidade entre os povos.»

Prezados irmãos e irmãs

A solenidade do Pentecostes, que celebramos no dia de hoje, encerra o tempo litúrgico da Páscoa. Com efeito, o Mistério pascal — a paixão, morte e ressurreição de Cristo, e a sua ascensão ao Céu — encontra o seu cumprimento na poderosa efusão do Espírito Santo sobre os Apóstolos congregados com Maria, Mãe do Senhor, e com os demais discípulos. Foi o «baptismo» da Igreja, baptismo no Espírito Santo (cf. Act 1, 5). Como narram os Actos dos Apóstolos, na manhã da festividade do Pentecostes, um fragor como que de vento investiu o Cenáculo e sobre cada um dos discípulos desceram como que línguas de fogo (cf. Act 2, 2-3). São Gregório Magno comenta: «Hoje, o Espírito Santo desceu com um som repentino sobre os discípulos e transformou as mentes de seres carnais no interior do seu amor, e enquanto apareceram externamente línguas de fogo, no interior os corações tornaram-se flamejantes porque, acolhendo Deus na visão do fogo, arderam suavemente por amor» (Hom. in Evang. XXX, 1: CCL 141, 256). A voz de Deus diviniza a linguagem humana dos Apóstolos, que se tornam capazes de proclamar de modo «polifónico» o único Verbo divino. O sopro do Espírito Santo enche o universo, gera a fé, leva à verdade e predispõe a unidade entre os povos. «Ouvindo aquele ruído, reuniram-se muitas pessoas e admiravam-se que cada um as pudesse ouvir falar na sua própria língua», sobre as «maravilhas de Deus» (Act 2, 6.11).

O beato Antonio Rosmini explica que «no dia do Pentecostes dos cristãos, Deus promulgou... a sua lei de caridade, escrevendo-a por meio do Espírito Santo não nas tábuas de pedra, mas no coração dos Apóstolos, e através dos Apóstolos, comunicando-a depois a toda a Igreja» (Catecismo disposto segundo a ordem das ideias..., n. 737, Turim 1863). O Espírito Santo, «que é Senhor e dá a vida» — como recitamos no Credo — está unido ao Pai por meio do Filho e completa a revelação da Santíssima Trindade. Provém de Deus como sopro da sua boca e tem o poder de santificar, abolir as divisões e dissolver a confusão devida ao pecado. Incorpóreo e imaterial, ele distribui as dádivas divinas e sustém os seres vivos, a fim de que ajam em conformidade com o bem. Como Luz inteligível, confere significado à oração, dá vigor à missão evangelizadora, faz arder os corações de quantos ouvem a alegre mensagem e inspira a arte cristã e a melodia litúrgica.

Caros amigos, o Espírito Santo, que cria em nós a fé no momento do nosso Baptismo, permite-nos viver como filhos de Deus, conscientes e consencientes, segundo a imagem do Filho unigénito. Também o poder de perdoar os pecados é um dom do Espírito Santo; com efeito, aparecendo aos Apóstolos na noite de Páscoa, Jesus soprou sobre eles e disse: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados» (Jo 20, 22-23). À Virgem Maria, templo do Espírito Santo, confiemos a Igreja, a fim de que viva sempre de Jesus Cristo, da sua Palavra e dos seus mandamentos, e sob a acção perene do Espírito Paráclito anuncie a todos que «Jesus é o Senhor!» (1 Cor 12, 3).

Papa Bento XVI, Regina Caeli na Praça de São Pedro, 12 de Junho de 2011

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

O Espírito Santo, presente em nossos corações,

Ensina-nos o que realmente havemos de pedir.

Atentos e dóceis às Suas divinas inspirações,

apresentemos, por Jesus Cristo, ao pai do Céu

as necessidades da Igreja e de todos as pessoas.

Oremos (cantando):

 

    Renovai, Senhor, a face da terra!

 

1. Para que o Santo Padre, timoneiro da Barca de Pedro,

    guie com firmeza o Povo de Deus para a salvação,

    oremos, irmãos.

 

    Renovai, Senhor, a face da terra!

 

1.     Para que os Bispos, Presbíteros e seus cooperadores

    façam brilhar a doutrina de Cristo diante dos homens,

    oremos, irmãos.

 

    Renovai, Senhor, a face da terra!

 

3. Para que os pais, na sua missão de educar os filhos,

    se deixem guiar pelas inspirações do Espírito Santo,

    oremos, irmãos.

 

    Renovai, Senhor, a face da terra!

 

4. Para que os jovens que se preparam para a Confirmação

    se apaixonem para sempre da Pessoa de Jesus Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Renovai, Senhor, a face da terra!

 

5. Para que as crianças que preparam a Primeira Comunhão

    encontrem nela a alegria e consolação do Espírito Santo,

    oremos, irmãos.

 

    Renovai, Senhor, a face da terra!

 

6. Para que todos nós nos deixemos guiar com docilidade

    pelos sete dons do Espírito Santo que nos transformam,

    oremos, irmãos.

 

Renovai, Senhor, a face da terra!

 

Senhor, que nos confiastes à acção do Espírito Santo,

Para que nos transforme em imagens vivas de Cristo,

ajudai-nos a sermos dóceis às Suas inspirações,

para, amando-vos nesta caminha da vida terrena,

cantarmos as Vossas glórias eternamente no Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O Sacrifício da Missa é acção das Três Pessoas da Santíssima Trindade e de toda a Igreja. O Pai deu-nos o Filho feito Homem que Se actualiza e renova a Sua imolação por nós sobre o altar.

É pela virtude do Espírito Santo que o sacerdote, como instrumento de Cristo a Quem empesta a sua visibilidade, que o pão e o vinho são transubstanciados no Corpo e Sangue do Senhor.

Com profundo recolhimento, deixemo-nos conduzir pelo Senhor ao coração deste grande mistério da nossa fé.

 

Cântico do ofertório: O Espírito de Deus repousou sobre mim, Az. Oliveira, 58

 

Oração sobre as oblatas: Concedei-nos, Senhor nosso Deus, que o Espírito Santo, segundo a promessa do vosso Filho, nos revele plenamente o mistério deste sacrifício e nos faça conhecer toda a verdade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

PREFÁCIO

 

O mistério do Pentecostes

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte.

Hoje manifestastes a plenitude do mistério pascal e sobre os filhos de adopção, unidos em comunhão admirável ao vosso Filho Unigénito, derramastes o Espírito Santo, que no princípio da Igreja nascente revelou o conhecimento de Deus a todos os povos da terra e uniu a diversidade das línguas na profissão duma só fé.

Por isso, na plenitude da alegria pascal, exultam os homens por toda a terra e com os Anjos e os Santos proclamam a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: Santo I, H. Faria, NRMS 103-104

 

Saudação da Paz

 

A paz é um dom que Deus concede aos que de todo o coração se querem a Ele converter.

A conversão opera-se todas as vezes que nos voltamos, não só para Deus, mas também para os nossos irmãos.

Acolhamos o dom da paz que o Senhor nos oferece, trocando entre nós os sinais da reconciliação.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor preparou para nós a mesa com o alimento divino, para que sejamos capazes de levar à vida o que Ele acaba de nos pedir pela proclamação da Palavra.

O que vivemos aqui no templo exige de nós um esforço generoso para receber com a pureza devida o Corpo e o Sangue do Senhor e também para O proclamarmos na vida de cada dia.

 

Cântico da Comunhão: Se alguém tem sede, venha a mim, M. Carneiro, 82-83

Actos 2, 4. 11

Antífona da comunhão: Todos ficaram cheios do Espírito Santo e proclamavam as maravilhas de Deus. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor, louvai, J. Santos, NRMS 37

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, que concedeis com abundância à vossa Igreja os dons sagrados, conservai nela a graça que lhe destes, para que floresça sempre em nós o dom do Espírito Santo, e o alimento espiritual que recebemos nos faça progredir no caminho da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Na despedida do povo, o diácono ou o próprio sacerdote diz:

 

Ide em paz e o Senhor vos acompanhe. Aleluia. Aleluia.

 

O povo responde:

 

Graças a Deus. Aleluia. Aleluia.

 

Terminado o Tempo Pascal, convém levar o círio pascal para o baptistério e conservá-lo aí com a devida reverência, para que, na celebração do Baptismo, se acenda na sua chama a vela dos baptizados.

 

Nos lugares em que há o costume de afluírem em grande número os fiéis para assistirem à Missa na segunda ou também na terça-feira depois do Pentecostes, pode dizer-se a Missa do Domingo de Pentecostes ou a Missa votiva do Espírito Santo (p.1260).

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O Espírito Santo, com os Seus sete Dons, ajudar-nos-á a viver como filhos de Deus no dia a dia, alegres e cheios de verdadeira esperança.

É deste testemunho que os nossos irmãos que vamos encontrar durante a semana estão à espera. Procuremos não os defraudar.

 

Cântico final: Somos testemunhas, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


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