Solenidade do Pentecostes

Missa da Vigília

7 de Junho de 2014

 

Esta Missa diz-se na tarde do sábado, antes ou depois das Vésperas I do Pentecostes.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Espírito de Deus enche o universo, M. Simões, NRMS 58

Rom 5, 5; 8, 11

Antífona de entrada: O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que habita em nós. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos a Vigília do Pentecostes. A vigília fala-nos de preparação final para um grande acontecimento, de uma espera em vigília, quer dizer, despertos, acordados.

Preparamo-nos para celebrar a solenidade do Pentecostes em que o Espírito Santo desceu sobre Maria Santíssima e os Apóstolos reunidos há dez dias no Cenáculo, e a inauguração da Igreja: nascida do lado aberto de Jesus Cristo no Calvário, é solenemente apresentada aos homens junto do Cenáculo.

 

Acto penitencial

 

Antes de celebrarmos este mistério da nossa Salvação, peçamos ao Espírito Santo que nos ajude a ver as manchas de pecado que há em nós, fomente em nossos corações um profundo arrependimento e um desejo sincero e eficaz de o evitarmos no futuro.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor, recorremos à Vossa misericórdia infinita

    para que nos perdoeis a nossa teimosa insensatez

    com que procuramos a felicidade caindo em pecado.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo, perdoai a nossa falta de coerência na vida

    que nos leva a tentar ser cristãos dentro da igreja

    e pagãos na família, no trabalho e na vida social.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

  

 

•   Senhor, não Vos afasteis de nossa mediocridade

    por causa da indiferença para connosco no dia a dia

    que nos leva a esquecermo-nos de Vós durante vida.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que na festa de Pentecostes completais os cinquenta dias do mistério pascal, fazei que, pela acção do vosso Espírito, os povos dispersos se reunam de novo e todas as línguas proclamem numa só fé a glória do vosso nome. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Ou:

 

Brilhe sobre nós, Deus omnipotente, o esplendor da vossa glória, e a luz da vossa luz confirme, com os dons do Espírito Santo, o coração daqueles que por vossa graça renasceram. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A visão dos ossos de Ezequiel ajuda-nos a vencer todos os pessimismos, perante dos males que encontramos hoje no mundo. O poder do Senhor não diminuiu e Ele pode, se lho pedirmos com toda a confiança, pela acção do espírito Santo, renovar a face da terra.

 

Ezequiel 37, 1-14

Naqueles dias, 1a mão do Senhor pairou sobre mim e o Senhor levou-me pelo seu espírito e colocou-me no meio de um vale que estava coberto de ossos. 2Fez-me andar à volta deles em todos os sentidos: os ossos eram em grande número, na superfície do vale, e estavam completamente ressequidos. 3Disse-me o Senhor: «Filho do homem, poderão reviver estes ossos?» Eu respondi: «Senhor Deus, Vós o sabeis». 4Disse-me então: «Profetiza acerca destes ossos e diz-lhes: Ossos ressequidos, escutai a palavra do Senhor. 5Eis o que diz o Senhor Deus a estes ossos: Vou introduzir em vós o espírito e revivereis. Hei-de cobrir-vos de nervos, encher-vos de carne e revestir-vos de pele. 6Infundirei em vós o espírito e revivereis. Então sabereis que Eu sou o Senhor».7Eu profetizei, segundo a ordem recebida. Quando eu estava a profetizar, ouvi um rumor e vi um movimento entre os ossos que se aproximavam uns dos outros. 8Vi que se tinham coberto de nervos, que a carne crescera e a pele os revestia; mas não havia espírito neles. 9Disse-me o Senhor: «Profetiza ao espírito, profetiza, filho do homem, e diz ao espírito: Eis o que diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e sopra sobre estes mortos, para que tornem a viver». 10Eu profetizei, como o Senhor me ordenara, e o espírito entrou naqueles mortos; eles voltaram à vida e puseram-se de pé: era um exército muito numeroso. 11Então o Senhor disse-me: «Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eles afirmaram: ‘Os nossos ossos estão ressequidos, desvaneceu-se a nossa esperança, estamos perdidos’. 12Por isso, profetiza e diz-lhes: Assim fala o Senhor Deus: Abrirei os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. 13Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando Eu abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, meu povo. 14Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, digo e faço».

 

A leitura é tirada da última parte da obra de Ezequiel, que, a partir do cap. 33, reúne oráculos de esperança e de renovação do povo (36, 16 – 39, 29) e de restauração templo e do culto (40 – 48).

12 «Vos farei ressuscitar». Não se trata aqui da ressurreição final, mas do ressurgimento moral do povo de Deus, que, esmagado pelas duras provas do cativeiro, se ergue de novo e é reconduzido à terra de Israel, segundo a célebre visão dos ossos relatada nos primeiros versículos deste mesmo capítulo.

14 «Infundirei em vós o meu espírito» (cf. Ez 36, 27). Vê-se aqui um anúncio profético da acção do Espírito Santo nas almas com a obra salvadora de Cristo: «dar-vos-ei um coração novo e porei em vós um espírito novo; arrancarei o coração de pedra das vossas carnes e dar-vos-ei um coração de carne» (Ez 36, 26). S. Paulo, como faz na 2.ª leitura de hoje, há-de insistir nesta ideia da acção do Espírito Santo nas almas dos cristãos (Rom 8).

 

Salmo Responsorial    Sl 103 (104),1-2a.24.35c.27-28.29bc-30

 

Monição: O salmo 104 canta a grandeza de Deus e as maravilhas que operou em nosso favor. De entre todas, sobressai nesta solenidade do Pentecostes o envio da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade para nos ajudar no caminho da santidade.

 

Refrão:        Enviai, Senhor, o vosso Espírito

                     e renovai a face da terra.

 

Ou:               Mandai, Senhor, o vosso Espírito

                     e renovai a terra.

 

Ou:               Aleluia.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

Senhor, meu Deus, como sois grande!

Revestido de esplendor e majestade,

envolvido em luz como num manto.

 

Como são grandes, Senhor, as vossas obras!

Tudo fizestes com sabedoria:

a terra está cheia das vossas criaturas!

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

 

Todos de Vós esperam

que lhes deis de comer a seu tempo.

Dais-lhes o alimento e eles o recolhem,

abris a mão e enchem-se de bens.

 

Se lhes tirais o alento, morrem

e voltam ao pó donde vieram.

Se mandais o vosso espírito, retomam a vida

e renovais a face da terra.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O Espírito Santo, presente em nossos corações como num templo. Fomenta em nós o desejo da ressurreição e a esperança na vida futura.

Ele ora ai Pai em nós, com gemidos inefáveis, pedindo aquilo que nós não sabemos pedir.        

 

Romanos 8, 22-27

Irmãos: 22Nós sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. 23E não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo. 24É em esperança que estamos salvos, pois ver o que se espera não é esperança: quem espera o que já vê? 25Mas esperar o que não vemos é esperá-lo com perseverança. 26Também o Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. 27E Aquele que vê no íntimo dos corações conhece as aspirações do Espírito, sabe que Ele intercede pelos santos, em conformidade com Deus.

 

Neste texto deixa-se ver como «Paulo entende que a libertação do cosmos é consequência da libertação do homem. Embora não vejamos ainda com clareza os seus efeitos, aguardamos que se cumpram, assistidos pelo Espírito que vem em ajuda da nossa fraqueza» (Bíblia de Navarra, t. 5, p. 927).

22 «Toda a criatura geme». S. Paulo usa uma belíssima prosopopeia, propondo-nos a criação irracional a suspirar também pela restauração da ordem do mundo transtornado pelo pecado. Na medida em que os filhos de Deus santificam o mundo, todas as actividades terrenas, também estas participam da glória dos filhos de Deus. De qualquer modo, o texto é de difícil interpretação, sobre a qual não há acordo entre os estudiosos.

23 «Possuímos as primícias do Espírito», isto é, já possuímos o Espírito Santo, «mas sem que tenhamos ainda tudo o que esta posse desde já nos garante» (Pirot-Clamer). Embora já sejamos filhos adoptivos de Deus (vv. 14-15), vivemos «esperando a adopção filial» em plenitude, o que acontecerá só quando se vier a verificar «a libertação do nosso corpo», isto é, de tudo o que em nós é carnal, sujeito à corrupção e à morte (cf. 2 Cor 5, 1-5).

26 «Gemidos inefáveis». As íntimas moções da graça, as inspirações do Espírito Santo na alma, não se podem definir, nem sequer descrever.

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Ao aclamar o Evangelho da Salvação, unimos a nossa súplica à de Maria Santíssima e os Apóstolos, na longa vigília de dez dias no Cenáculo.

Ansiamos pela vinda do Espírito Santo, porque Ele vem formar em nós Cristo vivo.

 

Aleluia

 

Cântico: S. Marques, NRMS 73-74

 

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e

acendei neles o fogo do vosso amor.

 

 

Evangelho

 

São João 7, 37-39

37No último dia, o mais solene da festa, Jesus estava de pé e exclamou: «Se alguém tem sede, venha a Mim e beba: 38do coração daquele que acredita em Mim correrão rios de água viva». 39Referia-se ao Espírito que haviam de receber os que acreditassem n’Ele. O Espírito ainda não viera, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado.

 

Em cada um dos oito dias da festa dos Tabernáculos, em solene procissão, o sumo sacerdote trazia, numa jarra de oiro, água da fonte de Siloé, para aspergir o altar do Templo, a fim de recordar a prodigiosa água do Êxodo e pedir chuva abundante (cf. Ex 17, 1-7). Pertenciam ao rito o canto de Is 12, 3 e a leitura de Ez 47. Não podia haver melhor enquadramento para as palavras de Jesus à multidão, que então se aglomerava: «se alguém tem sede, venha a Mim!». As palavras de Jesus parecem aludir a Ez 36, 25ss, onde se anuncia para os tempos messiânicos que o povo será purificado com uma água pura, recebendo um Espírito novo, que lhe transformará o coração de pedra em coração de carne. Essa água é o Espírito Santo, que brotando simbolicamente do peito do Senhor aberto pela lança (cf. Jo 19, 34), se derrama no Pentecostes (Act 2, 1-36) e se recebe nos Sacramentos da iniciação cristã. Nas palavras de Jesus também se pode ver uma evocação do convite da sabedoria divina em Sir, 24, 19 e Prov 9, 4-5.

Notar que gramaticalmente são possíveis duas pontuações diferentes dos vv. 37-38: a da Nova Vulgata (a que corresponde a tradução litúrgica), a saber, «Se alguém tem sede, venha a Mim; e quem crê em Mim que sacie a sua sede! Como diz a Escritura…», e a que corresponde à da Vulgata, «Se alguém tem sede, venha ter comigo e beba. Aquele que crê em Mim, como diz a Escritura, correrão das suas entranhas rios de água viva». Segundo a primeira interpretação, trata-se do seio do Messias: do peito de Cristo, atravessado pela lança, vem-nos o Espírito Santo, como fruto maravilhoso da árvore da Cruz. Na segunda interpretação, trata-se do seio do crente, a alma do homem santificado por Cristo.

 

Sugestões para a homilia

 

    • As águas envenenadas de Babel

Os desejos de grandeza pessoal

Cristo, nossa esperança

Todos numa só família

    • A água da salvação

As nossas sedes

A água que nos dá Jesus Cristo

O cristão, fonte de água viva

 

 

1. As águas envenenadas de Babel

 

O livro do Génesis conta-nos como um grupo de pessoas decidiu substituir-se a Deus, procurando a exaltação pessoal.

Como, porém, a vaidade e o orgulho nada constroem que possa aguentar-se, todo o projecto caiu em ruínas, e as pessoas deixaram de se entender. Todas estavam voltadas para si próprias.

 

a) Os desejos de grandeza pessoal. «Vamos edificar uma cidade e uma torre cujo cimo atinja os céus, para nos tornarmos famosos e não nos dispersarmos por toda a superfície da terra

Duas forças se combatem entre si na terra: a do ódio e a do amor. O egoísmo leva rapidamente ao desamor das pessoas e ao ódio. A pessoa egoísta ama-se a si mesma e a mais ninguém e, por isso, procura só a grandeza pessoal, servindo-se até das coisas de Deus para a alcançar.

A torre de Babel é o símbolo do orgulho do homem que tenta substituir-se a Deus e construir a sua felicidade de costas voltadas para Ele. Aconteceu o mesmo com Adão; e Jesus repete-nos esta verdade na Parábola do filho pródigo. Ele deseja construir uma vida feliz longe do pai, e acaba por cair numa armadilha que o deixa completamente escravizado.

O Senhor aponta-nos como o melhor remédio a humildade pessoal.

 

b) Cristo, nossa esperança. «Vamos descer até lá, para lhes confundir a linguagem, de modo que não se entendam a falar uns com os outros

O Génesis usa uma linguagem ao modo humano. Deus não precisava de descer até junto das obras para ver o que se estava a passar ali.

A confusão apodera-se deles, dividem-se e partem um para cada lado. O pecado pode dar a impressão de que une as pessoas para um determinado objectivo, mas acaba por dividi-las e voltá-las umas contra as outras. Todos os dias recebemos a confirmação disto pelas notícias que nos chegam de crimes.

Depois de uma primeira ilusão, vem a desilusão que oprime as pessoas e as desorienta.

Muitos matrimónios são construídos, durante o namoro, sobre a mentira e o egoísmo. Cada um dos dois explora o outro o mais que pode, com o que chamam amor mas é refinado egoísmo

Não admira que depois venha a falhar. Se Deus é excluído logo desde o princípio, como querem que a torre que se propõem levantar cresça com solidez?

Quando a Igreja nos ensina a Lei de Deus que devemos respeitar, não está a fazer violência às pessoas, mas a ensinar-lhes o único caminho em que poderão construir uma verdadeira unidade.

 

c) Todos numa só família. «Por isso lhe chamam Babel, porque lá o Senhor confundiu a linguagem de todo o mundo [...]»

Em Babel acontece a divisão, porque os homens não se entendem para realizar um projecto comum. A obra que se propõem construir não avança, porque cada um está voltado para si mesmo, para os seus interesses mesquinhos.

No Cenáculo acontece precisamente o contrário: o Espírito Santo é infundido nos Apóstolos, todos formam um só coração e uma só alma, e todas as pessoas das mais diversas procedências entendem perfeitamente o que Pedro lhes anuncia.

Deus quer fazer de todas as pessoas uma só família. Mas esta união nunca virá pela politica, mas pelo Amor de Deus que a Igreja procura difundir.

Só o Amor de Deus une e faz com que as pessoas se empenhem numa comunhão de vida.

Para fazer de todas as pessoas uma só família é indispensável o espírito Santo, porque Ele é o Amor infundido nos nossos corações.

 

2. A água da salvação

 

Todos os anos os judeus realizavam uma procissão da fonte de Siloé para o Templo de Jerusalém. Traziam uma bilha de água e, ao chegar ao Templo, faziam uma libação, pedindo ao Senhor abundância de chuva. A Terra Santa era e é um país carecido de água.

Jesus aproveita este enquadramento para falar à multidão sobre a verdadeira água de que todos necessitam.

 

a) As nossas sedes. «No dia mais solene da festa, Jesus estava de pé e exclamou: “Se alguém tem sede, venha a Mim e beba”.»

A desidratação é uma ameaça grave à vida das pessoas, quando não é combatida a tempo. É verdade que Jesus não se refere aqui à sede natural, física, mas a carência de água é o ponto de partida para o Mestre falar da verdadeira água. O mesmo tinha feito já no encontro com a samaritana, junto ao poço de Jacob.

Todos vivemos atormentados pela sede: de amor, de compreensão, de alegria, de justiça, de verdade.

É um problema que temos de resolver com urgência, porque a sede – também a sede moral – não se pode enganar, e rapidamente põe em risco a nossa vida espiritual, como a sede física põe em perigo a nossa vida corporal.

Esta insegurança e mal estar em que vivemos significa que as pessoas estão sedentas de Deus. É preciso que abramos os corações ao Espírito Santo, aproximando a nossa vida de Jesus Cristo. Não há outra alternativa para o mundo.

Assistimos a uma confrontação do erro, da mentira e da imoralidade contra os valores cristãos. Muitas pessoas procuram matar a sede em águas envenenadas. Temos por missão ajudar as pessoas a encontrar a verdadeira fonte onde podem matar a sede.

 

b) A água que nos dá Jesus Cristo. «(Jesus) Referia-Se ao Espírito que haviam de receber os que acreditassem n’Ele

Cristo veio ao mundo para nos dar a verdadeira água que jorra para a vida eterna. Dá-no-la no Baptismo e renova-a no Sacramento da Confissão, quando a perdemos pelo pecado.

Abramos as portas do coração de par em par ao Espírito Santo. Recebemo-l’O no Baptismo, mas muitos deixam extingui-l’O vivendo em pecado e abandonando a Oração e os Sacramentos.

A maior preocupação dos pais há-de ser prepará-los bem para que vivam em graça, como verdadeiros filhos de Deus. Depois têm lugar todas as outras preocupações: um bom emprego, um bom curso, um bom casamento (se for essa a vocação dos filhos).

Aceitar esta água que o Salvador nos oferece exige de nós a comunhão com Ele, na doutrina e nos Mandamentos.

Quando nos fala da videira e dos sarmentos, mostra que temos necessidade de estarmos plenamente unidos a Ele, para que a seiva divina circule em nossas veias.

 

c) O cristão, fonte de água viva. «Do coração daquele que acredita em Mim correrão rios de água viva». Desta união com Cristo, como a dos ramos com o tronco da videira, dimana a nossa eficácia apostólica. O cristão é como um cálice que só pode transbordar para o exterior se tiver algo dentro.

Temos uma missão no mundo: recebemos para levar aos outros a verdade do Evangelho, depois de termos procurado vivê-lo.

Da nossa fé em Jesus Cristo há-de brotar, necessariamente um grande zelo apostólico. A preocupação pelos outros é a prova real da autenticidade do nosso Amor a Deus.

A fonte de todo o zelo é o Espírito Santo, o Amor. Somente pode falar de Deus quem procura amá-l’O, convivendo como Espírito Santo. Uma coisa é ouvir descrever o sabor de uma fruta e outra é prová-la.

Seremos fonte desta água vida, do zelo que procede do Espírito Santo na medida em que procurarmos a intimidade com Ele na oração.

A Celebração dominical da Eucaristia é uma escola de trato com o Espírito Santo: Ele fala-nos pela Palavra de Deus e é pelo Seu poder que o sacerdote consagra o pão e o vinho que serão nosso alimento na Eucaristia.

 

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

O Senhor convida-nos a construir, ajudados por Ele,

uma eterna morada no Céu no qual nos deseja acolher.

Confiados na Sua bondade e misericórdia infinitas,

peçamos-Lhe ajuda para realizar este projecto de Amor.

Oremos (cantando) com toda a confiança:

 

    Enviai-nos, Senhor, o Espírito Santo!

 

1. Para que todas as pessoas e famílias do mundo inteiro

    se unam numa só família que tem a Deus como Pai,

    oremos, irmãos.

 

    Enviai-nos, Senhor, o Espírito Santo!

 

2. Para que os governantes dos povos da toda a terra

    construam, no Amor, uma sociedade mais justa,

    oremos, irmãos.

 

    Enviai-nos, Senhor, o Espírito Santo!

 

3. Para que as famílias da nossa comunidade paroquial

    cultivem, na vida, a docilidade ao Espírito Santo,

    oremos, irmãos.

 

    Enviai-nos, Senhor, o Espírito Santo!

 

4. Para que o santo Padre, com todo o colégio episcopal

    nos ensinem os caminhos da docilidade ao Espírito,

    oremos, irmãos.

 

    Enviai-nos, Senhor, o Espírito Santo!

 

5. Para que  os sequiosos da água viva da graça divina

    procurem a paz na, na oração e nos sacramentos,

    oremos, irmãos.

 

    Enviai-nos, Senhor, o Espírito Santo!

 

6. Para que as almas dos nossos familiares e amigos

    pela misericórdia do Senhor descansem em paz,

    oremos, irmãos.

 

    Enviai-nos, Senhor, o Espírito Santo!

 

Senhor que nos confiais generosamente, nesta vida,

a construção de um mundo novo com lugar para todos:

tornai-nos dóceis e generosos às Vossas inspirações,

para que, realizando este plano de Amor na terra,

possamos viver convosco felizes para sempre no Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.  

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O Senhor matou a nossa sede de Verdade com a Sua Palavra anunciada com abundância.

Deseja agora saciar a nossa fome de Amor, dando-Se-nos como Alimento divino na Eucaristia.

 

Cântico do ofertório: Tomai, Senhor, e recebei, J. Santos, NRMS 70

 

Oração sobre as oblatas: Derramai, Senhor, a bênção do Espírito Santo sobre os dons que apresentamos ao vosso altar, a fim de que a Igreja, pela participação neste sacramento, se inflame de tal modo no vosso amor que manifeste a todo o mundo o mistério da salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de Pentecostes, como na Missa seguinte: p. 390 [606-718]

 

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

Somos mensageiros da paz, quando levamos aos outros o perdão generoso e aceitamos ser perdoados.

Signifiquemos, por um gesto, esta nossa disposição interior.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Quem beber da água que Eu lhe der, nunca mais terá sede, diz Jesus. Na Sagrada Comunhão, Ele oferece-Se a cada um de nós como alimento para a vida eterna.

Se estamos devidamente preparados, aproximemo-nos com toda a fé, reverência e Amor, deste banquete sagrado.

 

Cântico da Comunhão: Voltai-vos para o Senhor, S. Marques, NRMS 58

Jo 7,37

Antífona da comunhão: No último dia da festa, Jesus exclamava em alta voz: Se alguém tem sede, venha a Mim e beba. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Bendito sejas, sei que Tu pensas em mim, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Este sacramento que recebemos, Senhor, nos comunique o fervor do Espírito Santo que admiravelmente derramastes sobre os Apóstolos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Tudo quanto recebemos nesta Celebração da Eucaristia devemos levá-lo aos outros, tornando-os participantes deste alimento da nossa vida sobrenatural.

Não esqueçamos que tudo quanto recebemos é para o fazermos chegar aos nossos irmãos.

 

Cântico final: Vamos proclamar pelo mundo inteiro, F. da Silva, 82-83

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha


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