5º Domingo da Páscoa

24 de Abril de 2005

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Cantemos, Cantemos, M. Faria, NRMS 68

Salmo 97, 1–2

Antífona de entrada: Cantai ao Senhor um cântico novo, porque o Senhor fez maravilhas: aos olhos das nações revelou a sua justiça. Aleluia.

 

Diz–se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A maior aspiração do homem do nosso tempo é construir um mundo novo, em que a justiça e a exploração do homem pelo homem não possam ter lugar. Este anseio insere-se no plano de libertação evangélica, que visa a destruição do pecado de todas as suas consequências. Sendo assim, o cristão não pode ficar indiferente perante a tarefa da construção de uma humanidade nova, pois a sua colaboração é indispensável. Sinal do amor de Deus, no meio dos homens, depositário dessa força criadora que é o amor fraterno, o cristão tem de ser o cooperador de Deus na construção do mundo. Se o cristão ficar ao lado das correntes da história, a onda vivificante acabará por se transformar em água estagnada.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos filhos adoptivos, atendei com paternal bondade as nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A fim de não ficarem totalmente absorvidos pelos problemas internos da Igreja, comunidade em contínuo crescimento, os Apóstolos, invocado Espírito Santo, tomam a resolução de instituir sete colaboradores, escolhidos na mesma comunidade, os quais, sem descurar o trabalho da evangelização, ficarão contudo, especialmente encarregados da caridade e dos serviços materiais.

 

Actos dos Apóstolos 6, 1–7

Naqueles dias, 1aumentando o número dos discípulos, os helenistas começaram a murmurar contra os hebreus, porque no serviço diário não se fazia caso das suas viúvas. 2Então os Doze convocaram a assembleia dos discípulos e disseram: «Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus, para servirmos às mesas. 3Escolhei entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para lhes confiarmos esse cargo. 4Quanto a nós, vamos dedicar-nos totalmente à oração e ao ministério da palavra». 5A proposta agradou a toda a assembleia; e escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. 6Apresentaram-nos aos Apóstolos e estes oraram e impuseram as mãos sobre eles. 7A palavra de Deus ia-se divulgando cada vez mais; o número dos discípulos aumentava consideravelmente em Jerusalém e submetia-se à fé também grande número de sacerdotes.

 

1 «aumentando o número dos discípulos». A cada passo S. Lucas insiste no aumento dos cristãos. Outras insistências: Act 2, 41; 5, 14; 6, 7; 9, 31; 11, 21.24; 12, 24; 14, 1; etc.).

«Os helenistas» são cristãos convertidos de entre os judeus emigrantes, que na diáspora falavam a língua grega e se encontravam na situação de retornados. Pelos nomes gregos que têm, os primeiros 7 diáconos pertenceriam na generalidade a este grupo.

2-4 «Vamos dedicar-nos totalmente à oração…». Como a missão dos Apóstolos era ingente, impunha-se que estes não se dispersassem por actividades que outros podiam desempenhar. Foi a circunstância providencial para a primeira ordenação dos diáconos, que não eram meros agentes sociais, pois tinham também uma função sagrada, como a distribuição da Eucaristia, a pregação do Evangelho e a administração do Baptismo (cf. Act 8, 5.7.16); constituíam um verdadeiro grau da hierarquia, distinto do presbiterado (cf. 1 Tim 3, 8). A oração, a que se dedicavam intensamente os Apóstolos, não era apenas a oração oficial das reuniões comunitárias, mas a oração pessoal, a sós com Deus, segundo se deduz de Act 10, 9. Na oração intensa residia o segredo da sua eficácia apostólica e da transformação do mundo que operaram, um segredo cheio de actualidade.

 

Salmo Responsorial    Sl 32 (33), 1–2.4–5.18–19 (R. 22)

 

Monição: O salmo 32 canta a misericórdia do Senhor, porque toda a Terra está cheia da sua bondade.

 

Refrão:        Esperamos, Senhor, na vossa misericórdia.

 

Ou:               Venha sobre nós a vossa bondade,

                     porque em Vós esperamos, Senhor.

 

Justos, aclamai o Senhor,

os corações rectos devem louvá–l'O.

Louvai o Senhor com a cítara,

cantai–Lhe salmos ao som da harpa.

 

A palavra do Senhor é recta,

da fidelidade nascem as suas obras.

Ele ama a justiça e a rectidão:

a terra está cheia da bondade do Senhor.

 

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,

para os que esperam na sua bondade,

para libertar da morte as suas almas

e os alimentar no tempo da fome.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Pedra rejeitada pelos homens, que fizeram passar pela paixão e morte, Jesus Cristo tornou-se pela sua ressurreição, pedra viva, sobre a qual foi construída a Igreja, novo povo de Deus. Nele, todo o cristão torna-se pedra viva desse edifício espiritual.

 

1 São Pedro 2, 4–9

Caríssimos: 4Aproximai-vos do Senhor, que é a pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus. 5E vós mesmos, como pedras vivas, entrai na construção deste templo espiritual, para constituirdes um sacerdócio santo, destinado a oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo. 6Por isso se lê na Escritura: «Vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa; e quem nela puser a sua confiança não será confundido». 7Honra, portanto, a vós que acreditais. Para os incrédulos, porém, «a pedra que os construtores rejeitaram tornou–se pedra angular», 8«pedra de tropeço e pedra de escândalo». Tropeçaram por não acreditarem na palavra, à qual foram destinados. 9Vós, porém, sois «geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus, para anunciar os louvores» d'Aquele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável.

 

Temos aqui um texto de excepcional riqueza eclesiológica, em que os privilégios do antigo Povo de Deus são transpostos para o novo Povo de Deus, a Igreja, por um método hermenêutico de actualização (deraxe) de textos do A. T., nomeadamente de Is 8, 14; Ex 19, 5-6; Os 1, 6.9; 2, 3.25. Esses privilégios são basicamente a eleição, a consagração e a missão de «anunciar os louvores d’Aquele que vos chamou…». Este texto é o ponto de partida para um dos ensinamentos nucleares do Vaticano II, sobre o sacerdócio comum dos fiéis e a dignidade e a missão dos leigos: todas as realidades mundanas diárias transformadas em oferta – «sacrifícios espirituais» (v. 5) – a Deus (LG 34).

4 «Cristo, a Pedra viva…». O termo grego, lithos, designa uma pedra trabalhada, preparada: Jesus é a pedra escolhida por Deus, mas rejeitada pelos homens, o alicerce e a pedra angular sobre a qual repousa todo o edifício da Igreja (Mt 16, 18; 21, 42-46; cf. Salm 117(118), 22; Is 8, 14; Act 4, 11).

5 «Vós mesmos, como pedras vivas, entrai…». Aqui temos uma das muitas imagens com que é representada a Igreja, «edifício de Deus» (cf. 1 Cor 3, 9.11), um edifício que cresce sempre, edificado por Deus, tendo Cristo como pedra angular e os Apóstolos como alicerce (cf. Ef 2, 19-22).

9 «Sacerdócio real…». Ex 19, 6 diz «reino de sacerdotes», que os LXX traduziram por «sacerdócio real» (basileion hieráteuma); por sua vez, Apoc 1, 5 diz «reis e sacerdotes»; 1 Pe 2, 9 segue a Septuaginta.

 

Aclamação ao Evangelho         Jo 14, 6

 

Monição: Pela sua vida e pelas suas palavras, Jesus revelou-nos, perfeita e seguramente, o Pai, de tal modo que, desde o momento em que o Filho de Deus se fez Filho do Homem, Deus deixou de ser e inacessível e inatingível. Em Jesus, sacramento de encontro com Deus, o homem entrou, definitivamente, em comunhão de pensamento e de vida com o Pai. Esta comunhão com Deus é possível, mesmo neste tempo que decorre entre a partida de Jesus e a sua vinda final. Com efeito na Igreja de Jesus foi-nos preparada uma morada, na qual temos acesso permanente ao Pai, «num único espírito» (Ef 2, 18).

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor;

ninguém vai ao Pai senão por mim.

 

 

 

Evangelho

 

São João 14, 1–12

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1«Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. 2Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vo-lo teria dito. 3Vou preparar-vos um lugar e virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. 4Para onde Eu vou, conheceis o caminho». 5Disse-Lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?» 6Respondeu-lhe Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. 7Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». 8Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta». 9Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: 'Mostra-nos o Pai'? 10Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras. 11Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras. 12Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará ainda maiores que estas, porque Eu vou para o Pai».

 

2-3 Nestes versículos, que admitem diversas traduções, Jesus esclarece os seus discípulos de que a sua partida é para lhes abrir caminho para a casa do Pai, o Céu, a meta final para todos os fiéis, por isso diz que ali há «muitas moradas», isto é, lugar para todos (cf. Lc 16, 9; Jo 13, 36; 12, 26.32; 17, 24). A casa de Deus era o templo (2, 16-17) que se tornou o símbolo da comunhão com Deus na bem-aventurança eterna; neste sentido esta é a única vez que a expressão «moradas» aparece em todo o N. T., além da alusão em Heb 6, 19-20 (ver Henoc etiópico, 39, 4; 41, 2).

6-9 Jesus é o «caminho» não apenas pelos seus ensinamentos e exemplos, mas porque Ele mesmo se identifica com a «verdade» (é o Verbo, a expressão adequada do Pai – Jo 1, 1.14.18) e a «vida» (Jo 1, 4.14.16; 3, 16; 6, 47; 10, 9-10; 11, 25-26): Ele está no Pai e o Pai está n’Ele (vv. 10-11; 10, 38; 17, 21), fazendo Um com Ele (10, 30; 17, 11.21-22), por isso afirma que «quem Me vê, vê o Pai» (v. 9). Aqui radica o facto de Jesus ser não apenas caminho, mas o único caminho para o Pai, talvez por isso o cristianismo era designado inicialmente como o caminho (Act 9.2; 18, 25; 24, 22). Neste versículo a revelação de Jesus aos seus atinge o clímax e é uma das mais expressivas sínteses de todo o Evangelho.

12 A garantia das «obras maiores» dos discípulos (entendam-se as obras relativas à expansão da obra salvadora de Jesus) é a ida de Jesus para o Pai, que põe em acto o poder da sua mediação e o envio do Espírito Santo.

 

Sugestões para a homilia

 

1. «Escolheram sete homens cheios do Espírito Santo» (Act 6, 3)

2. «Vós sois geração eleita, sacerdócio real» (1 Ped 2, 9)

3. «Vou preparar-vos um lugar» (Jo 14, 2)

 

Alguns dizem que este é o domingo dos ministérios porque as leituras dão a entender que na Igreja, a comunidade do Senhor Ressuscitado, cada um tem uma função, todos devemos ter alguma responsabilidade.

1. «Escolheram sete homens cheios do Espírito Santo» (Act 6, 3)

A primeira leitura, tirada dos Actos dos Apóstolos, apresenta-nos um primeiro conflito na comunidade ideal, a igreja-mãe de Jerusalém. Como os bens eram postos em comum, a comunidade devia encarregar-se dos mais pobres e fracos, dos que não podiam trabalhar ou não tinham quem os assistisse. Dentro destes estavam as viúvas. Os judeo-cristãos de origem helenista, ou seja, os de língua grega, queixavam-se de que suas viúvas não eram bem atendidas na hora da partilha. Era necessário resolver o problema. Por isso, como ouvimos, a comunidade, presidida pelos Apóstolos e animada pelo Espírito Santo, encontrou uma solução muito sábia: encarregar este ofício a sete pessoas, para que os Apóstolos ficassem livres dessa preocupação e pudessem dedicar-se plenamente à sua tarefa, àquilo que é essencial: o anúncio da «boa notícia de salvação». Na verdade, «é através da Palavra de Deus que a fé nasce nos corações».

2. «Vós sois geração eleita, sacerdócio real» (1 Ped 2, 9)

Na segunda leitura, tirada novamente da primeira Carta de Pedro, o autor apresenta-nos a clássica imagem da Igreja como templo de Deus: um templo não construído com pedras inertes e pesadas, mas com pedras vivas que somos todos nós, os crentes, os baptizados, nós que temos como alicerce e pedra angular o próprio Jesus, sobre Quem foi construída a Igreja, o novo Povo de Deus.

Unindo-se a Cristo pela sua fé o cristão torna-se, por seu lado, pedra viva desse edifício espiritual. Embora de modo essencialmente diverso do dos ministros consagrados, ficar a participar do sacerdócio único de Cristo. Pode assim apresentar a Deus a oferta espiritual de toda a sua existência, o seu amor, a sua entrega aos irmãos, o seu trabalho e o seu compromisso temporal; pode assim anunciar as maravilhas do amor de Deus.

3. «Vou preparar-vos um lugar» (Jo 14, 2)

Lemos hoje também um lindo texto do evangelho de São João. É uma parte dos chamados «discursos de despedida» de Jesus, pronunciados durante a ceia que celebrou com os Seus discípulos momentos antes da Paixão. Este discurso prolonga-se através dos capítulos 14 a 17 e são como que o testamento do Senhor. Jesus diz aos seus discípulos que vai partir e isto não deve perturbá-los porque ele parte para depois poder levá-los e tê-los sempre consigo, para preparar-lhes um lugar na casa do Pai, uma casa onde todos têm lugar, sobretudo os filhos pródigos que desejam regressar, os fiéis que souberam carregar o peso do trabalho e da vida.

 

Para chegarmos à casa paterna precisamos de um caminho, de uma lâmpada para quando chegar a noite; precisamos de força e alimento para enfrentarmos as jornadas que ainda faltam percorrer.

A meta desta viagem que faremos com Jesus não é somente a casa, mas o abraço mesmo do Pai que nos espera, que nos mostra o Seu rosto terno, amigo, benigno.

Outro discípulo pergunta por esse Pai que não vemos, que talvez tenhamos esquecido ou desprezado, do qual fizemos uma imagem falsa ou assustadora, como a de um juiz severo, de um guardião ciumento ou de um legislador inflexível. Jesus mostra-nos o verdadeiro rosto de Deus, que ninguém podia contemplar sem morrer, que se ocultava atrás da nuvem ou do véu intransponível do santuário. O rosto de Deus é o rosto de Cristo, a voz de Deus é a sua voz, o seu coração é o amoroso, humilde e manso coração de Cristo, aberto pela lança para que todos possam entrar; coração de onde jorram o sangue e a água dos sacramentos da Igreja que nos alimentam, nos curam e nos salvam.

Neste quinto Domingo da Páscoa, Cristo pede-nos que tenhamos confiança n’Ele, que contemplemos a Sua misericórdia para com os pobres, os pecadores, os enfermos e os famintos, e que vejamos nisso as próprias obras de Deus a nosso favor; obras que também nós deveremos fazer em favor do próximo, para que todos possam chegar à casa paterna, para que todos possam desfrutar do lugar que Jesus nos preparou no Seu Reino.

 

A Virgem Maria, que fiel e docilmente desempenhou a sua função na comunidade primitiva, nos ensine a redescobrir o nosso lugar na Igreja e nos ajude a sermos anunciadores e edificadores do Reino de Deus já na vida presente.

 

Fala o Santo Padre

 

«Cristo é o único caminho de salvação, a vida verdadeira que dá sentido às nossas existências.»

 

1. A liturgia deste quinto domingo do tempo pascal apresenta-nos Cristo como «caminho, verdade e vida» (cf. Jo 14, 6). Ele é o único caminho de salvação, a verdade plena que nos torna livres, a vida verdadeira que dá sentido às nossas existências.

O seu Rosto resplandecente de glória revela-nos em plenitude a verdade de Deus e a verdade do homem. Para o seu Rosto todos podem dirigir o olhar em qualquer momento, para nele encontrar compreensão, serenidade e perdão. [...]

2. Dentro de uma semana começa o mês de Maio, consagrado a Maria. A piedade popular fez deste mês, desde há séculos, uma maravilhosa ocasião para multiplicar iniciativas de piedade mariana.

Vivamos intensamente, caríssimos Irmãos e Irmãs, estes dias dedicados à Mãe celeste do Senhor. Recitemos, se for possível, todos os dias, o santo Rosário, tanto sozinhos como em comunidade. O Rosário é uma oração simples, mas profunda e muito eficaz, também para implorar graças em favor das famílias, das comunidades e de todo o mundo. [...]

 

João Paulo II, Angelus de Domingo, 28 de Abril de 2002

 

Oração Universal

 

Oremos a Deus Pai de misericórdia,

por Seu Filho e nosso Senhor

implorando a Sua graça e misericórdia.

Digamos:

R. Senhor, nós temos confiança em Vós.

 

1.  Para que a Igreja continue a ser para o mundo

o Caminho, a Verdade e a Vida que foi Jesus para o Seu povo,

oremos ao Senhor.

 

2.  Para que saibamos orientar as pessoas,

especialmente os jovens, que buscam um caminho na vida,

oremos ao Senhor.

 

3.  Para que sejamos, com o nosso exemplo de solidariedade

para com os pobres e necessitados,

luz orientadora dos que buscam a verdade,

oremos ao Senhor.

 

4.  Para que sejamos animadores e transmissores de vida

entre aqueles que andam nas sombras da morte,

oremos ao Senhor.

 

5.  Para que criativa e solidariamente,

construamos o templo de pedras vivas que é a comunidade,

oremos ao Senhor.

 

6.  Para que as nossas palavras sejam sempre confirmadas

com o testemunho vivo da nossa própria vida,

oremos ao Senhor.

 

(outras intenções)

 

Senhor, olhai-nos com amor de Pai e vinde socorrer o vosso Povo,

para que todos os que crêem em Cristo, vivam como Ele viveu, sigam o vosso Caminho,

proclamem a vossa Verdade e assim alcancem a plenitude da vida junto de Vós.

Por Nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Que bom, Senhor, estar ao pé de Ti, M. Carneiro, NRMS 36

 

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que, pela admirável permuta de dons neste sacrifício, nos fazeis participar na comunhão convosco, único e sumo bem, concedei–nos que, conhecendo a vossa verdade, dêmos testemunho dela na prática das boas obras. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602–714] ou 470–473

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Comungando o Pão Vivo, tornar-nos-emos herdeiros, com Cristo, da herança que nos está prometida, pois quem d’Ele comer viverá eternamente.

 

Cântico da Comunhão: Fomos resgatados pelo Sangue, Az. Oliveira, NRMS 109

Jo 15, 1.5

Antífona da comunhão: Eu sou a videira e vós sois os ramos, diz o Senhor. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, dá fruto abundante. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor com tudo, M . Simões, NRMS 2 (I)

 

Oração depois da comunhão: Protegei, Senhor, o vosso povo que saciastes nestes divinos mistérios e fazei–nos passar da antiga condição do pecado à vida nova da graça. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Em Ano da Eucaristia, contemplemos novamente a Virgem Maria, ela que foi «o primeiro sacrário da história» (Ecclesia de Eucharistia, 55). Se «Igreja e Eucaristia são um binómio inseparável, o mesmo diga-se do binómio Maria e Eucaristia» (Ecclesia de Eucharistia, 57). Que Maria nos indique e nos ofereça Cristo, o nosso Caminho, Verdade e Vida (cf. Jo 14, 6).

 

Cântico final: Queremos ser construtores, Az. Oliveira, NRMS 35

 

 

Homilias Feriais

 

5ª SEMANA

 

2ª feira, 25-IV: S. Marcos: Escutar e pôr em prática o Evangelho.

1 Pd. 5, 5b-14 / Mc. 16, 15-20

Jesus apareceu aos onze Apóstolos e disse-lhes: Ide a todo o mundo e proclamai a Boa Nova.

S. Marcos acompanhou S. Paulo na sua primeira viagem apostólica e esteve junto dele (cf. Leit.). O seu Evangelho é uma reprodução fiel da pregação de S. Pedro.

«Senhor, que confiastes ao Evangelista S. Marcos a missão de proclamar o Evangelho...» (Oração Colecta). Escutemos com amor a palavra do Senhor: «A atitude da escuta está no começo da vida espiritual. Crer em Cristo é escutar a sua palavra e pô-la em prática. É docilidade à voz do Espírito, o Mestre interior, que nos guia à verdade plena, não só à verdade que se deve conhecer mas também à que se deve praticar» (AE, 21).

 

3ª feira, 26-IV: Consequências da dimensão sacrificial da Eucaristia.

Act. 14, 19-28 / Jo. 14, 27-31

E acrescentavam: Através de muitas tribulações é que temos de entrar no Reino de Deus.

Para entrarmos no reino de Deus temos que sofrer muitas tribulações (cf. Leit.). Toda a vida de Cristo é um holocausto incessante ao Pai: «A Eucaristia é sacramento do sacrifício pascal de Cristo. Desde a Encarnação no seio da Virgem até ao último respiro na Cruz, a vida de Cristo é um holocausto incessante, um constante entregar-se aos desígnios do Pai» (AE, 24).

Esta dimensão sacrificial da Eucaristia é um exemplo de como devemos aceitar as contrariedades e tribulações; de viver com sentido sobrenatural os sofrimentos morais...

 

4ª feira, 27-IV: Os frutos da união com Cristo.

Act. 15, 1-6 / Jo. 15, 1-8

Permanecei em mim e eu permanecerei em vós.

Jesus revela-nos mais uma realidade misteriosa: «Jesus fala duma comunhão ainda mais íntima entre Ele e os que o seguem: ‘permanecei em mim como eu em vós’ (Ev. do dia)» (CIC, 787).

É sobretudo através do sacramento da Eucaristia que Jesus encontra o modo de permanecer ‘dentro’ de nós: «Receber a Eucaristia é entrar em comunhão profunda com Jesus: ‘Permanecei em mim... ‘ (Ev. do dia)» (MN, 19). O fruto desta união é precisamente a santidade de vida, fecundada pela união com Cristo» (cf. CIC, 2074).

 

5ª feira, 28-IV: A permanência no amor de Deus.

Act. 15, 7-21 / Jo. 15, 9-11

Assim como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei no meu amor.

Jesus convida-nos a permanecer no seu amor. Para o conseguirmos podemos seguir este conselho: imitar o seu amor: «Amando os seus até ao fim, manifesta o amor do Pai, que Ele próprio recebe. E os discípulos, amando-se uns aos outros, imitam o amor de Jesus, amor que eles recebem também em si» (CIC, 1823).

Além disso, também devemos guardar os seus mandamentos: «Fruto do Espírito e plenitude da Lei, a caridade guarda os mandamentos de Deus e do seu Cristo. ‘Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos...’ (Ev. do dia)» (CIC, 1824).

 

6ª feira, 29-IV: S. Catarina de Sena: Uma luz para a Europa.

1 Jo. 1, 5 - 2, 2 /Mt. 11, 25-30

É esta a mensagem que ouvimos a Jesus Cristo e que vos anunciamos: Deus é luz e nele não há trevas nenhumas.

S. Catarina de Sena (século XIV), Doutora da Igreja, teve uma grande influência na unidade da Igreja e na paz e na concórdia entre os países e cidades europeias. Foi uma luz que iluminou a Europa do seu tempo.

A Europa precisa da luz de Deus (cf. Ev.): «Nas vicissitudes da história de ontem e de hoje, (o Evangelho) é luz que ilumina e orienta o teu caminho; é força que sustenta as provações..., é convite a todos, crentes e não crentes, para traçarem caminhos sempre novos que desemboquem na ‘Europa do espírito’, a fim de fazer dela uma verdadeira ‘casa comum’ onde haja alegria de viver» (INE, 121).

 

Sábado, 30-IV: As perseguições actuais.

Act. 16, 1-10 / Jo. 15, 18-21

O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram a mim, também vos hão de perseguir a vós.

Toda a vida de Cristo decorrerá sob o signo da perseguição. E o mesmo nos acontecerá a nós (cf. Ev.).

As perseguições de hoje são de tipo diferente, mas igualmente dolorosas. Vivemos num ambiente em que tantas vezes se atropelam os valores cristãos; em que se despreza a lei de Deus e os ensinamentos do Papa... Procuremos associar todos estes sofrimentos ao sacrifício de Cristo: «Pela participação no sacrifício de Cristo, fonte e centro de toda a vida cristã, (os fiéis) oferecem a Deus a vítima divina e a si mesmos juntamente com ela» (Conc. Vaticano II, cit. em IVE, 13).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Nuno Westwood

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial