4º Domingo da Páscoa

DIa MUndial De oração pelas vocações

11 de Maio de 2014

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ressuscitou o Bom Pastor, J. Santos, NRMS 57

 

Antífona de entrada: A bondade do Senhor encheu a terra, a palavra do Senhor criou os céus. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Neste quarto Domingo do Tempo Pascal, a Igreja convida os seus filhos a unirem a sua oração e a convergir as suas principais intenções na questão vocacional. A vocação predomina, na actualidade, a vida e as aspirações de muitos dos nossos irmãos, sobretudo aqueles que, pela sua jovem idade, têm de tomar decisões que irão determinar toda a sua vida. Todavia, a compreensão que se faz da vocação fica, muitas das vezes, cativa às opções académicas e profissionais, levando ao esquecimento da noção vocacional como acontecimento existencial. Cada cristão é chamado a várias vocações durante a sua vida, tais como a vocação a ser filho de Deus pelo baptismo, a vocação de total consagração pelo celibato, a vocação à fidelidade matrimonial. Ainda assim, cada vocação necessita de ser confirmada continuamente.

Assumir a vocação que Deus nos concede não é estagnar no que alcançámos, mas lutar e converter o coração para, todos os dias, conquistarmos as alegrias e as graças que Deus nos concede nos chamamentos concretos que faz aos seus filhos. Neste Domingo Mundial de Oração pelas Vocações sejamos dóceis na sinceridade da nossa resposta e comprometidos na intercessão pelas vocações que surgem e surgirão na Igreja.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, conduzi-nos à posse das alegrias celestes, para que o pequenino rebanho dos vossos fiéis chegue um dia à glória do reino onde já Se encontra o seu poderoso Pastor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Diante da pregação do Apóstolo S. Pedro, o povo que o escutava ergueu a seguinte pergunta: “Que havemos de fazer, irmãos?”. A simplicidade desta questão acompanha os homens de cada tempo a partir do momento em que tomam consciência da pedra rejeitada, que é Cristo, o Messias e Senhor. Só o Espírito Santo poderá ser o auxílio para que a alma se deixe iluminar e descobrir este verdadeiro tesouro anunciado pelos apóstolos.

 

Actos 2, 14a.36-41

No dia de Pentecostes, 14aPedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: 36«Saiba com absoluta certeza toda a casa de Israel que Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes». 37Ouvindo isto, sentiram todos o coração trespassado e perguntaram a Pedro e aos outros Apóstolos: «Que havemos de fazer, irmãos?» 38Pedro respondeu-lhes: «Convertei-vos e peça cada um de vós o Baptismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados. Recebereis então o dom do Espírito Santo, 39porque a promessa desse dom é para vós, para os vossos filhos e para quantos, de longe, ouvirem o apelo do Senhor nosso Deus». 40E com muitas outras palavras os persuadia e exortava, dizendo: «Salvai-vos desta geração perversa». 41Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o Baptismo, e naquele dia juntaram-se aos discípulos cerca de três mil pessoas.

 

Temos hoje a continuação da leitura do discurso de S. Pedro no dia do Pentecostes. E continuaremos em todos os domingos pascais a ter trechos dos Actos dos Apóstolos como 1ª leitura.

36 «Deus fez Senhor e Messias esse Jesus». É evidente que Jesus não é feito Senhor, isto é, Deus e Messias, só após a prova a que foi sujeito (a Sua Paixão e Morte), mediante a Sua Ressurreição e glorificação. No plano divino, era a Ressurreição de Jesus que devia manifestar plenamente a sua condição e poder divinos e fazê-Lo entrar no gozo perfeito da glória que Lhe competia como Pessoa divina e Messias (cf. Lc 24, 26). O verbo grego «epóiêsen» (fez) parece ser a tradução do verbo hebraico «xamó»: «colocou-O como».

38 «O Baptismo em nome de Jesus Cristo». É chamado assim, «em nome de Jesus», para o distinguir de outros baptismos correntes na época, como o de João e o dos prosélitos. Chama-se «de Jesus», não só por ter sido instituído por Jesus, mas também porque nos faz pertencer a Cristo, incorporando-nos n’Ele (cf. Rom 6, 3; Gal 3, 27). Esta expressão nada nos diz da fórmula ritual usada na administração do Sacramento, que seria a trinitária, como que consta de Mt 28, 19, exigida para a validade.

«Recebereis o dom do Espírito Santo». Não se designam aqui os chamados «sete dons do Espírito Santo», mas sim o dom (que é) o Espírito Santo (trata-se de um «genitivo epexegético, ou de aposição», como lhe chamam os gramáticos). Não é fácil de saber se o texto se refere à recepção do Espírito Santo mediante o Baptismo, ou mediante a imposição das mãos no Sacramento da Confirmação (cf. Act 8, 17; 19, 6).

39 «Quantos de longe». É uma referência aos gentios (cf. Act 22, 21; Ef 2, 13).

 

Salmo Responsorial            Sl 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6

 

Monição: A pregação apostólica não se limita a falar do escândalo da Cruz, mas a Cruz revela a profundidade de todo o Amor de Deus, que cuida do Homem com total solicitude. O Salmo reflecte e concretiza aquilo que o Evangelho falará: que o Senhor é o Bom Pastor!

 

Refrão:    O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

 

Ou:          Aleluia.

 

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva-me a descansar em verdes prados,

conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários;

com óleo me perfumais a cabeça

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão-de acompanhar-me

todos os dias da minha vida,

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Diante do escárnio da Paixão do Senhor, levanta-se a questão da forma como suportar o sofrimento. Qual o limite para o sofrimento? A vida de Jesus, sobretudo todo o mistério Pascal, iluminam a vida do cristão, não só no seu agir, mas na compreensão do alcance salvífico da morte do Bom Pastor e a forma como guarda as nossas almas.

 

1 São Pedro 2, 20b-25

Caríssimos: 20bSe vós, fazendo o bem, suportais o sofrimento com paciência, isto é uma graça aos olhos de Deus. 21Para isto é que fostes chamados, porque Cristo sofreu também por vós, deixando-vos o exemplo, para que sigais os seus passos. 22Ele não cometeu pecado algum e na sua boca não se encontrou mentira. 23Insultado, não pagava com injúrias; maltratado, não respondia com ameaças; mas entregava-Se Àquele que julga com justiça. 24Ele suportou os nossos pecados no seu Corpo, no madeiro da cruz, a fim de que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça: pelas suas chagas fomos curados. 25Vós éreis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes para o pastor e guarda das vossas almas.

 

Os vv. 21b-25 formam um hino a Cristo, muito belo, com uma alusão final ao cumprimento da profecia do Servo de Yahwéh (4º canto: Is 52, 13 – 53, 12) e ao Bom Pastor (cf. Jo 10, 11-16; 21, 15-19); também se pode ver uma alusão a Ez 34, 11-16, onde é o próprio Deus que vem apascentar as suas ovelhas dispersas (alusão em que se pode ver um deraxe cristológico, isto é, a aplicação a Jesus do que no A. T. se diz de Yahwéh).

Os conselhos que aqui temos são dirigidos particularmente aos escravos (cf. v. 18). Não sendo possível então acabar com uma ordem social injusta, como era a escravatura, Pedro não desiste de ajudar os escravos a santificarem-se na condição a que estão sujeitos, imitando a Cristo – seguindo os seus passos – sofredor e obediente até à morte: sendo inocente «sofreu por vós» (v. 21), suportou os nossos pecados… pelas suas chagas fomos curados» (v. 24). Portanto, se os que são escravos forem tratados de modo injusto, que se deixem de lamentações inúteis, mas suportem tudo como Jesus, que «Se entregava Àquele que julga com justiça», que «não pagava com injúrias» e «não respondia com ameaças» (v. 23). Esta exortação mantém actualidade para nós, hoje, já que é frequente ter de «suportar sofrimentos por fazer o bem» (v. 30). E «isto é uma graça aos olhos de Deus» (v. 20b).

 

Aclamação ao Evangelho   Jo 10, 14

 

Monição: As leituras que temos escutado fazem-nos perceber como o mistério da iniquidade continuamente ameaça o homem. A redenção operada por Cristo não é algo que surge do nada ou que tenha sido operado sem esforço ou mérito. Ao invés, Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, ao assumir esta mesma humanidade, assume também a sua fraqueza e expõe-se à tentação. A vitória de Cristo sobre a tentação é expressão da esperança que a humanidade tem na luta pela santidade.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Eu sou o bom pastor, diz o Senhor:

conheço as minhas ovelhas e elas conhecem-Me.

 

 

Evangelho

 

São João 10, 1-10

Naquele tempo, disse Jesus: 1«Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas entra por outro lado, é ladrão e salteador. 2Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3O porteiro abre-lhe a porta e as ovelhas conhecem a sua voz. Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva-as para fora. 4Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem, caminha à sua frente e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz. 5Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos». 6Jesus apresentou-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que queria dizer. 7Jesus continuou: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas. 8Aqueles que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os escutaram. 9Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo: é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem. 10O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância».

 

No capítulo 10 de S. João podem ver-se duas parábolas, as únicas do IV Evangelho: a parábola do pastor e o ladrão (1-6) e a do pastor e o mercenário (11-13), ambas explicadas por Jesus. Neste ano, temos a primeira.

1-5 Para uma recta compreensão da parábola devem-se ter presentes os costumes pastoris da Palestina. Durante o dia, os rebanhos dispersavam-se pelas poucas pastagens daquelas zonas pobres. À noite, especialmente a partir da Primavera, eram recolhidos em recintos descobertos, rodeados de uma sebe ou pequeno muro. Nesta cerca, que faz de «aprisco», era frequente reunirem-se vários rebanhos, que ficavam a ser vigiados de noite por algum guarda pago, um «mercenário», ao passo que os pastores se albergavam em cabanas armadas nas proximidades. De manhã, cada pastor vinha à porta do recinto chamar as suas próprias ovelhas, que já lhe conheciam o grito habitual e que vão atrás dele para as pastagens. Quem não entrar pela porta, mas saltar o muro, é «ladrão e salteador», e «não vem senão para roubar, matar e destruir» (v. 10); não vem para apascentar o rebanho.

7-10 O sentido da parábola é claro e fica explicado pelo Senhor. Parte do dado de que o Povo de Deus é o rebanho de Yahwéh (Ez 34). Aqueles que, sem mandato divino, vieram antes de Jesus são «ladrões e salteadores» (v. 8), que cuidam só dos interesses próprios, inimigos e rivais de Jesus, causando destruição no rebanho (v. 10), ao passo que Jesus, e só Ele, que veio para dar a vida em abundância (v. 10), é o autêntico Pastor. Jesus apresenta-se como a «Porta» do redil, a porta por onde as ovelhas têm de passar para chegar à salvação e ter a vida eterna, «a vida em abundância» (v. 10). No v. 7, de acordo com os vv. 1-2, Jesus aparece como a porta que dá acesso ao aprisco, a sua Igreja; assim Jesus indica que só são legítimos pastores, os que passam por Cristo, recebendo d’Ele o mandato; os demais pastores só trazem ruína ao rebanho.

 

Sugestões para a homilia

1.    SAIBA COM ABSOLUTA CERTEZA

Diante do acontecimento da Páscoa do Senhor, sobretudo no que respeita à Ressurreição de Cristo, houve, desde os primeiros tempos, as vozes próprias de quem mantem a incredulidade do poder e da acção de Deus no tempo e na história. Muitos quiseram negar e, sobretudo, ocultar o que realmente tinha acontecido. Sabemos, inclusive, que até no círculo dos apóstolos houve quem não acreditasse neste mistério redentor. Por isso, a expressão utilizada pelo apóstolo São Pedro, “Saiba com absoluta certeza toda a casa de Israel”, é a expressão máxima do tom firme e convicto com que o príncipe dos apóstolos revela algo que não pode ser negado, algo que é histórico e físico, algo que na sua sobrenaturalidade ilumina o mistério do Homem, e algo que completa a Antropologia, ou seja, a compreensão que o homem pode fazer de si mesmo à luz da fé e da razão.

A Paixão de Cristo, atribuída às autoridades Judaicas, nem sempre foi bem aceite. A acrescentar a esta negação de responsabilidade, houve e há a tentativa de olhar todo o mistério de Cristo do ponto de vista simbólico e metafórico, anulando a realidade dos factos, nomeadamente o facto e respectivo significado teológicos. Por isso, a pregação apostólica é tão determinante em esclarecer que o mistério da Ressurreição de Cristo é algo físico e histórico, embora não se cinja a estes critérios a fim de elevar o discípulo a saborear a Salvação por Ele operada.

Mergulhar nas águas do Baptismo para morrer o homem velho e emergir o Homem Novo é o grande caminho proposto pela pregação apostólica. Só com a acção do Espírito Santo, dom prometido para cada um de nós, é possível olhar a Fé como algo dinâmico, em que os intelectualismos ou os pietismos se silenciam para que se opere a conversão de vida, do coração e de costumes.

Neste dia em que recordamos, de modo particular, as vocações, é necessário, antes de mais, esclarecer que o primeiro dinamismo da vocação passa pela conversão, uma mudança de vida que leve a optar unicamente por Cristo, mesmo que a vocação seja ao matrimónio. Só Cristo, o Senhor e Mestre, poderá ser o vértice sobre o qual assenta a resposta vocacional.

2.    PELAS SUAS CHAGAS FOMOS CURADOS

Na pregação de São Pedro é muito constante a referência ao mistério Pascal. Na verdade, o Mistério Pascal, não anulando os outros mistérios da vida do Senhor, é o corolário da Misericórdia e da Redenção de Deus. Pela voz de quem foi testemunha próxima de tamanhos factos, é possível ler os acontecimentos da existência terrena do Senhor com a verdade e a essência da leitura crente e operativa dos mistérios da vida de Cristo. Jamais se pode negar a verdade e a realidade do sofrimento imposto a quem é Vida e a injustiça a quem é o Justo. Mas o obscuro drama humano da Paixão e Morte do Senhor é também mensagem e dom de Luz para a humanidade. Ou seja, ainda antes do mistério da Ressurreição já o Senhor antecipava com luz aquilo que parecia ser trevas. As chagas da dor e do sofrimento, que repulsam o olhar humano, são o atractivo para o olhar cristão. O Sangue que jorra das Chagas, bem como o Sangue e água do Lado de Cristo, são a fonte e o manancial das águas refrescantes que nos fala o Salmo. Dessas mesmas feridas, feridas por Amor, brota a água e o sangue que nos lava e redime da culpa e do pecado. São estes os sinais do Amor e também são estes os sinais da Salvação. Por sua vez, após a ressurreição, também serão estes os sinais do Ressuscitado, e por estas mesmas chagas Tomé acreditou, porque também por elas foi salvo.

O Pastor que nos fala São Pedro, é um pastor ferido, porque é um pastor que luta pela vida das ovelhas. Não luta com violência, mas aceita com obediência a vontade de Deus e os desígnios dos homens, permitindo, este Senhor e Rei, que o madeiro fosse o lugar da vitória. As chagas e o madeiro recordam que, afinal, o rebanho está guardado porque a vitória foi atingida pelo Amor e pela compaixão do Pastor.

3.    QUEM ENTRAR POR MIM SERÁ SALVO

Motivada pelo relativismo, generalizou-se, nos tempos que correm, uma mentalidade completamente obtusa que nega a unicidade e universalidade salvífica de Cristo e da Igreja. Para alguns, Cristo deixou de ser o Salvador para passar a ser um dos salvadores. Todavia, quem lê e reza regularmente os textos evangélicos e os demais textos da Sagrada Escritura, repara como a Salvação radica em Cristo e Ele é o centro da Redenção. Para além de Cristo poderão haver alguns mestres, mas estes pertencerão sempre à lista de todos aqueles que, a seu modo, procuram tirar proveito do rebanho. Ao invés, o verdadeiro e único Pastor não tira proveito algum das suas ovelhas, mas torna-se Ele mesmo possibilidade na qual o rebanho pode tirar proveito.

O coração do Homem busca, de forma inata, o coração de Deus. Por isso, Jesus afirma que as ovelhas conhecem a Sua voz. Mas será apenas a sonoridade da sua voz? Também é, embora há que esclarecer que a voz do Senhor pronuncia palavras de eternidade, porque Ele é a Eternidade que entrou no tempo. Só assim se percebe Santo Agostinho quando diz: “Fizeste-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em Vós”.

O Pastor entra em nós pela Palavra para que nós entremos n’Ele na medida em que Ele é Caminho e Porta. Um caminho que é Porta! E uma Porta que, ao passar, continua sendo Caminho, Verdade e Vida. Uma Porta que se abre para nós na contingência do mundo e que abre para nós o infinito de Deus.

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO

PARA O 51º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

11 DE MAIO DE 2014 - IV DOMINGO DE PÁSCOA

Vocações, testemunho da verdade

Amados irmãos e irmãs!

1. Narra o Evangelho que «Jesus percorria as cidades e as aldeias (...). Contemplando a multidão, encheu-Se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe”» (Mt 9, 35-38). Estas palavras causam-nos surpresa, porque todos sabemos que, primeiro, é preciso lavrar, semear e cultivar, para depois, no tempo devido, se poder ceifar uma messe grande. Jesus, ao invés, afirma que «a messe é grande». Quem trabalhou para que houvesse tal resultado? A resposta é uma só: Deus. Evidentemente, o campo de que fala Jesus é a humanidade, somos nós. E a acção eficaz, que é causa de «muito fruto», deve-se à graça de Deus, à comunhão com Ele (cf. Jo 15, 5). Assim a oração, que Jesus pede à Igreja, relaciona-se com o pedido de aumentar o número daqueles que estão ao serviço do seu Reino. São Paulo, que foi um destes «colaboradores de Deus», trabalhou incansavelmente pela causa do Evangelho e da Igreja. Com a consciência de quem experimentou, pessoalmente, como a vontade salvífica de Deus é imperscrutável e como a iniciativa da graça está na origem de toda a vocação, o Apóstolo recorda aos cristãos de Corinto: «Vós sois o seu [de Deus] terreno de cultivo» (1 Cor 3, 9). Por isso, do íntimo do nosso coração, brota, primeiro, a admiração por uma messe grande que só Deus pode conceder; depois, a gratidão por um amor que sempre nos precede; e, por fim, a adoração pela obra realizada por Ele, que requer a nossa livre adesão para agir com Ele e por Ele.

2. Muitas vezes rezámos estas palavras do Salmista: «O Senhor é Deus; foi Ele quem nos criou e nós pertencemos-Lhe, somos o seu povo e as ovelhas do seu rebanho» (Sal 100/99, 3); ou então: «O Senhor escolheu para Si Jacob, e Israel, para seu domínio preferido» (Sal 135/134, 4). Nós somos «domínio» de Deus, não no sentido duma posse que torna escravos, mas dum vínculo forte que nos une a Deus e entre nós, segundo um pacto de aliança que permanece para sempre, «porque o seu amor é eterno!» (Sal 136/135, 1). Por exemplo, na narração da vocação do profeta Jeremias, Deus recorda que Ele vigia continuamente sobre a sua Palavra para que se cumpra em nós. A imagem adoptada é a do ramo da amendoeira, que é a primeira de todas as árvores a florescer, anunciando o renascimento da vida na Primavera (cf. Jr 1, 11-12). Tudo provém d’Ele e é dádiva sua: o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro, mas – tranquiliza-nos o Apóstolo - «vós sois de Cristo e Cristo é de Deus» (1 Cor 3, 23). Aqui temos explicada a modalidade de pertença a Deus: através da relação única e pessoal com Jesus, que o Baptismo nos conferiu desde o início do nosso renascimento para a vida nova. Por conseguinte, é Cristo que nos interpela continuamente com a sua Palavra, pedindo para termos confiança n’Ele, amando-O «com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças» (Mc 12, 33). Embora na pluralidade das estradas, toda a vocação exige sempre um êxodo de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho. Quer na vida conjugal, quer nas formas de consagração religiosa, quer ainda na vida sacerdotal, é necessário superar os modos de pensar e de agir que não estão conformes com a vontade de Deus. É «um êxodo que nos leva por um caminho de adoração ao Senhor e de serviço a Ele nos irmãos e nas irmãs» (Discurso à União Internacional das Superioras Gerais, 8 de Maio de 2013). Por isso, todos somos chamados a adorar Cristo no íntimo dos nossos corações (cf. 1 Ped 3, 15), para nos deixarmos alcançar pelo impulso da graça contido na semente da Palavra, que deve crescer em nós e transformar-se em serviço concreto ao próximo. Não devemos ter medo: Deus acompanha, com paixão e perícia, a obra saída das suas mãos, em cada estação da vida. Ele nunca nos abandona! Tem a peito a realização do seu projecto sobre nós, mas pretende consegui-lo contando com a nossa adesão e a nossa colaboração.

3. Também hoje Jesus vive e caminha nas nossas realidades da vida ordinária, para Se aproximar de todos, a começar pelos últimos, e nos curar das nossas enfermidades e doenças. Dirijo-me agora àqueles que estão dispostos justamente a pôr-se à escuta da voz de Cristo, que ressoa na Igreja, para compreenderem qual possa ser a sua vocação. Convido-vos a ouvir e seguir Jesus, a deixar-vos transformar interiormente pelas suas palavras que «são espírito e são vida» (Jo 6, 63). Maria, Mãe de Jesus e nossa, repete também a nós: «Fazei o que Ele vos disser!» (Jo 2, 5). Far-vos-á bem participar, confiadamente, num caminho comunitário que saiba despertar em vós e ao vosso redor as melhores energias. A vocação é um fruto que amadurece no terreno bem cultivado do amor uns aos outros que se faz serviço recíproco, no contexto duma vida eclesial autêntica. Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno. Porventura não disse Jesus que «por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35)?

4. Amados irmãos e irmãs, viver esta «medida alta da vida cristã ordinária» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte31) significa, por vezes, ir contra a corrente e implica encontrar também obstáculos, fora e dentro de nós. O próprio Jesus nos adverte: muitas vezes a boa semente da Palavra de Deus é roubada pelo Maligno, bloqueada pelas tribulações, sufocada por preocupações e seduções mundanas (cf. Mt 13, 19-22). Todas estas dificuldades poder-nos-iam desanimar, fazendo-nos optar por caminhos aparentemente mais cómodos. Mas a verdadeira alegria dos chamados consiste em crer e experimentar que o Senhor é fiel e, com Ele, podemos caminhar, ser discípulos e testemunhas do amor de Deus, abrir o coração a grandes ideais, a coisas grandes. «Nós, cristãos, não somos escolhidos pelo Senhor para coisas pequenas; ide sempre mais além, rumo às coisas grandes. Jogai a vida por grandes ideais!» (Homilia na Missa para os crismandos, 28 de Abril de 2013). A vós, Bispos, sacerdotes, religiosos, comunidades e famílias cristãs, peço que orienteis a pastoral vocacional nesta direcção, acompanhando os jovens por percursos de santidade que, sendo pessoais, «exigem uma verdadeira e própria pedagogia da santidade, capaz de se adaptar ao ritmo dos indivíduos; deverá integrar as riquezas da proposta lançada a todos com as formas tradicionais de ajuda pessoal e de grupo e as formas mais recentes oferecidas pelas associações e movimentos reconhecidos pela Igreja» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte31).

Disponhamos, pois, o nosso coração para que seja «boa terra» a fim de ouvir, acolher e viver a Palavra e, assim, dar fruto. Quanto mais soubermos unir-nos a Jesus pela oração, a Sagrada Escritura, a Eucaristia, os Sacramentos celebrados e vividos na Igreja, pela fraternidade vivida, tanto mais há-de crescer em nós a alegria de colaborar com Deus no serviço do Reino de misericórdia e verdade, de justiça e paz. E a colheita será grande, proporcional à graça que tivermos sabido, com docilidade, acolher em nós. Com estes votos e pedindo-vos que rezeis por mim, de coração concedo a todos a minha Bênção Apostólica.

Papa Francisco, Vaticano, 15 de Janeiro de 2014

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Neste domingo mundial das vocações,

oremos a Jesus Cristo, o Bom Pastor,

pedindo-Lhe que nos faça ouvir a sua voz, dizendo (ou: cantando), com alegria:

R. Cristo, ouvi-nos. Cristo, atendei-nos.

Ou: Cristo ressuscitado, ouvi-nos.

Ou: Rei da glória, ouvi a nossa oração.

 

1.    Para que o Redentor livre de todo o mal a santa Igreja,

lhe dê pastores segundo o seu coração

e lhe conceda as vocações de que ela precisa, oremos, irmãos.

 

2.    Para que o Redentor sustente a fidelidade dos esposos,

ensine os jovens a lutar pela castidade

e dê às jovens o amor pela virgindade,

oremos, irmãos.

 

3.    Para que o Redentor Se lembre dos mais pobres,

dos pecadores, dos aflitos, dos doentes

e das ovelhas que não O escutam nem conhecem,

oremos, irmãos.

 

4.    Para que o Redentor, que foi morto, mas ressuscitou,

torne felizes para sempre no seu reino

os fiéis que O procuraram e serviram,

oremos, irmãos.

 

5.    Para que o Redentor, que a todos chama pelo seu nome,

faça de nós e de todos os cristãos desta comunidade,

uma família onde cada um se sinta amado,

oremos, irmãos.

 

 

Senhor Jesus Cristo, Bom Pastor,

que nos alegrais com a solenidade da vossa Ressurreição,

ouvi as preces do vosso povo

e concedei àqueles que Vos imploram,

os bens que santamente desejam.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Senhor, quebrastes os laços da morte, M. Simões, NRMS 65

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, que em todo o tempo possamos alegrar-nos com estes mistérios pascais, de modo que o acto sempre renovado da nossa redenção seja para nós causa de alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal: p. 469[602-714] ou 470-473

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento ao CT

 

Monição da Comunhão

 

O Salmo que escutámos durante a liturgia da palavra é um verdadeiro caminho até à comunhão eucarística. O Corpo do Senhor é, na vida dos crentes, alimento, conforto, defesa, presença real e actuante. O Senhor, mais uma vez, nos prepara a mesa. Recebamos este penhor eterno para que o coração deseje verdadeiramente habitar na Casa do Senhor para todo o sempre.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, nada somos sem Ti, F. da Silva, NRMS 84

Antífona da comunhão: Ressuscitou o Bom Pastor, que deu a vida pelas suas ovelhas e Se entregou à morte pelo seu rebanho. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Quanta alegria é para mim, H. Faria, NRMS 18

 

Oração depois da comunhão: Deus, nosso Bom Pastor, olhai benignamente para o vosso rebanho e conduzi às pastagens eternas as ovelhas que remistes com o precioso Sangue do vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Ao sairmos da Igreja, após esta Eucaristia, corremos os riscos de sempre: o nosso coração facilmente se deixa roubar e se entrega a falsos salteadores. Todavia, na medida em que nos mantemos atentos à voz do Pastor, mais facilmente teremos a capacidade de sermos levados às águas refrescantes. Procuremos nesta semana uma redobrada atenção à voz do Senhor através da oração e a vontade firme de O saborear constantemente.

 

Cântico final: Aleluia! Glória a Deus, F. da Silva, NRMS 92

 

 

Homilia FeriaL

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira, 12-V: O ofício do Bom Pastor.

Act 11, 1-18 / Jo 10, 11-18

Disse Jesus: Eu sou o bom Pastor. O bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.

Jesus é o bom Pastor que, por amor ao Pai, dá a vida pelas ovelhas: «O sacrifício de Jesus pelos pecados do mundo inteiro é a expressão da sua comunhão amorosa com o Pai: 'O Pai ama-me, porque eu dou a minha vida' (Ev.)» (CIC, 606).

Procura igualmente o que é melhor para nós, ainda que isso nos custe ou contrarie. Foi o que fez com Simão Pedro: «Ergue-te, Pedro, mata e come» (Leit.). Repitamos as palavras com que nos ensinou a rezar: «seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu».

 

 

 

 

Celebração, Homilia: Ricardo Cardoso

Nota Exegética:         Geraldo Morujão

Homilia Ferial:            Nuno Romão

Sugestão Musical:      Duarte Nuno Rocha

 


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