4º Domingo da Páscoa

D. M. de O. Vocações:

17 de Abril de 2005

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ressuscitou o Bom Pastor, J. Santos, NRMS 57

 

Antífona de entrada: A bondade do Senhor encheu a terra, a palavra do Senhor criou os céus. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Por feliz iniciativa do Venerável Paulo VI, foi instituído neste 4º Domingo da Páscoa – Domingo do Bom Pastor – o Dia Mundial de Oração pelas Vocações.

Toda a Vocação é um dom do Espírito Santo, que não podemos alcançar pelos nossos humildes esforços, mas pela oração perseverante.

Unamos, pois, a nossa oração à do santo Padre, implorando muitos e santos operários para a Messe do Senhor.

 

E para que a nossa prece vá mais directamente ao Coração do Senhor, reconheçamos humildemente que somos pecadores, e peçamos perdão.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, conduzi–nos à posse das alegrias celestes, para que o pequenino rebanho dos vossos fiéis chegue um dia à glória do reino onde já Se encontra o seu poderoso Pastor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: S. Pedro, como Chefe visível da Igreja nascente, dirige-se corajosamente aos judeus reunidos junto do Cenáculo, na manhã do pentecostes, e proclama a divindade de Jesus e a Sua Ressurreição.

São muitos os que se convertem, e o Senhor espera de nós também a conversão, como fruto deste anúncio.

 

 

Actos dos Apóstolos 2, 14a.36–41

No dia de Pentecostes, 14aPedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: 36«Saiba com absoluta certeza toda a casa de Israel que Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificastes». 37Ouvindo isto, sentiram todos o coração trespassado e perguntaram a Pedro e aos outros Apóstolos: «Que havemos de fazer, irmãos?» 38Pedro respondeu-lhes: «Convertei-vos e peça cada um de vós o Baptismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados. Recebereis então o dom do Espírito Santo, 39porque a promessa desse dom é para vós, para os vossos filhos e para quantos, de longe, ouvirem o apelo do Senhor nosso Deus». 40E com muitas outras palavras os persuadia e exortava, dizendo: «Salvai–vos desta geração perversa». 41Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o Baptismo, e naquele dia juntaram–se aos discípulos cerca de três mil pessoas.

 

36 «Deus fez Senhor e Messias esse Jesus». É evidente que Jesus não é feito Senhor, isto é, Deus e Messias, só após a prova a que foi sujeito (a Sua Paixão e Morte), mediante a Sua Ressurreição e glorificação. No plano divino, era a Ressurreição de Jesus que devia manifestar plenamente a sua condição e poder divinos e fazê-Lo entrar no gozo perfeito da glória que Lhe competia como Pessoa divina e Messias (cf. Lc 24, 26). O verbo grego «epóiêsen» (fez) parece ser a tradução do verbo hebraico «xamó»: «colocou-O como».

38 «O Baptismo em nome de Jesus Cristo». É chamado assim, «em nome de Jesus», para o distinguir de outros baptismos correntes na época, como o de João e o dos prosélitos. Chama-se «de Jesus», não só por ter sido instituído por Jesus, mas também porque nos faz pertencer a Cristo, incorporando-nos n’Ele (cf. Rom 6, 3; Gal 3, 27). Esta expressão nada nos diz da fórmula ritual usada na administração do Sacramento, que seria a trinitária, como que consta de Mt 28, 19.

«Recebereis o dom do Espírito Santo». Não se designam aqui os chamados «sete dons do Espírito Santo», mas sim o dom (que é) o Espírito Santo (trata-se de um «genitivo epexegético, ou de aposição», como lhe chamam os gramáticos). Não é fácil de saber se o texto se refere à recepção do Espirito Santo mediante o Baptismo ou mediante a imposição das mãos no Sacramento da Confirmação (cf. Act 8, 17; 19, 6).

39 «Quantos de longe». É uma referência aos gentios (cf. Act 22, 21; Ef 2, 13).

 

Salmo Responsorial    Sl 22 (23), 1–3a.3b–4.5.6

 

Monição: Jesus Cristo é o verdadeiro e único Pastor do Povo de Deus da Nova Aliança – a Igreja.

Manifestemos a nossa confiança na Sua bondade, cantando: O SENHOR É MEU PASTOR: NADA ME FALTARÁ.

 

Refrão:        O Senhor é meu pastor: nada me faltará.

 

Ou:               Aleluia.

 

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva–me a descansar em verdes prados,

conduz–me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,

não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:

o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

 

Para mim preparais a mesa

à vista dos meus adversários;

com óleo me perfumais a cabeça

e o meu cálice transborda.

 

A bondade e a graça hão–de acompanhar–me

todos os dias da minha vida,

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Pedro anima-nos, na sua Primeira Carta, a acolher generosamente os sofrimentos que deus nos envia, pois, com eles, somos corredentores em Jesus Cristo.

 

1 São Pedro 2, 20b–25

Caríssimos: 20bSe vós, fazendo o bem, suportais o sofrimento com paciência, isto é uma graça aos olhos de Deus. 21Para isto é que fostes chamados, porque Cristo sofreu também por vós, deixando-vos o exemplo, para que sigais os seus passos. 22Ele não cometeu pecado algum e na sua boca não se encontrou mentira. 23Insultado, não pagava com injúrias; maltratado, não respondia com ameaças; mas entregava–Se Àquele que julga com justiça. 24Ele suportou os nossos pecados no seu Corpo, no madeiro da cruz, a fim de que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça: pelas suas chagas fomos curados. 25Vós éreis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes para o pastor e guarda das vossas almas.

 

Os vv. 21b-25 formam um hino a Cristo, muito belo, com uma alusão final ao cumprimento da profecia do Servo de Yahwéh (4º canto: Is 52, 13 – 53, 12) e ao Bom Pastor (cf. Jo 10, 11-16; 21, 15-19); também se pode ver uma alusão a Ez 34, 11-16, onde é o próprio Deus que vem apascentar as suas ovelhas dispersas (alusão em que se pode ver um deraxe cristológico: a aplicação a Jesus do que no A. T. se diz de Yahwéh).

Os conselhos que aqui temos são dirigidos particularmente aos escravos (cf. v. 18). Não sendo possível então acabar com uma ordem social injusta, como era a escravatura, Pedro não desiste de ajudar os escravos a santificarem-se na condição a  que estão sujeitos, imitando a Cristo – seguindo os seus passos – sofredor e obediente até à morte: sendo inocente «sofreu por vós» (v. 21), suportou os nossos pecados… pelas suas chagas fomos curados» (v. 24). Portanto, se os que são escravos forem tratados de modo injusto, que se deixem de lamentações inúteis, mas suportem tudo como Jesus, que «Se entregava Àquele que julga com justiça», que «não pagava com injúrias» e «não respondia com ameaças» (v. 23). Esta exortação mantém actualidade para nós, hoje, já que é frequente ter de «suportar sofrimentos por fazer o bem» (v. 30). E «isto é uma graça aos olhos de Deus» (v. 20b).

 

Aclamação ao Evangelho       Jo 10, 14

 

Monição: Aclamemos o Bom Pastor, cantando aleluia.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Eu sou o bom pastor, diz o Senhor:

conheço as minhas ovelhas e elas conhecem–Me.

 

 

 

Evangelho

 

São João 10, 1–10

Naquele tempo, disse Jesus: 1«Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas entra por outro lado, é ladrão e salteador. 2Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3O porteiro abre–lhe a porta e as ovelhas conhecem a sua voz. Ele chama cada uma delas pelo seu nome e leva–as para fora. 4Depois de ter feito sair todas as que lhe pertencem, caminha à sua frente e as ovelhas seguem–no, porque conhecem a sua voz. 5Se for um estranho, não o seguem, mas fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos». 6Jesus apresentou–lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que queria dizer. 7Jesus continuou: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas. 8Aqueles que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os escutaram. 9Eu sou a porta. Quem entrar por Mim será salvo: é como a ovelha que entra e sai do aprisco e encontra pastagem. 10O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que as minhas ovelhas tenham vida e a tenham em abundância».

 

No capítulo 10 de S. João podem ver-se duas parábolas, as únicas do IV Evangelho: a parábola do pastor e o ladrão (1-6) e a do pastor e o mercenário (11-13), ambas explicadas por Jesus. Neste ano, temos a primeira.

1-5 Para uma recta compreensão da parábola devem-se ter presentes os costumes pastoris da Palestina. Durante o dia, os rebanhos dispersavam-se pelas poucas pastagens daquelas zonas pobres. À noite, especialmente a partir da Primavera, eram recolhidos em recintos descobertos, rodeados de uma sebe ou pequeno muro. Nesta cerca, que faz de «aprisco», era frequente reunirem-se vários rebanhos, que ficam a ser vigiados de noite por algum guarda pago, um «mercenário», ao passo que os pastores se albergavam em cabanas armadas nas proximidades. De manhã, cada pastor vinha à porta do recinto chamar as suas próprias ovelhas que já lhe conhecem o grito habitual e que vão atrás dele para as pastagens. Quem não entrar pela porta, mas saltar o muro é «ladrão e salteador», e «não vem senão para roubar, matar e destruir» (v. 10) e não para apascentar o rebanho.

7-10 O sentido da parábola é claro e fica explicado pelo Senhor. Parte de que o Povo de Deus é o rebanho de Yahwéh (Ez 34). Aqueles que, sem mandato divino, vieram antes de Jesus são «ladrões e salteadores» (v. 8), que cuidam só dos interesses próprios, inimigos e rivais de Jesus, causando destruição no rebanho (v. 10), ao passo que Jesus, e só Ele, que veio para dar a vida em abundância (v. 10), é o autêntico Pastor. Jesus apresenta-se como a «Porta» do redil, a porta por onde as ovelhas têm de passar para chegar à salvação e ter a vida eterna, «a vida em abundância». No v. 7, de acordo com os vv. 1-2, como a porta que dá acesso ao aprisco, a sua Igreja: assim Jesus indica que só são legítimos pastores, os que passam por Cristo, recebendo d’Ele o mandato; os demais pastores só trazem  ruína ao rebanho.

 

Sugestões para a homilia

 

Jesus Cristo, único Bom Pastor

Os Pastores do rebanho

Jesus Cristo, único Bom Pastor

Com palavras eloquentes e desassombradas, S. Pedro, revestido da força do espírito santo, anuncia aos Hebreus reunidos junto do Cenáculo, na manhã do Pentecostes, Jesus Cristo como o Messias prometido, o único Salvador do mundo.

 

Jesus Cristo, único Salvador. Pela Sua Paixão, Morte e Ressurreição, restitui-nos a vida da Graça – a participação na vida da Santíssima Trindade, guia-nos com a Sua Palavra nos caminhos da Salvação, alimenta-nos com os Sacramentos e fala intimamente connosco na oração.

Desejando continuar no mundo a Sua acção salvadora, escolheu homens a quem, desde os Apóstolos até à consumação dos séculos, administra o sacramento da Ordem, pedindo-lhes a sua visibilidade – a sua voz, mãos, olhar, coração – para continuar a acção salvadora.

Deste modo, Jesus Cristo continua a ser o único Bom Pastora da Igreja, multiplicando a Sua Presença e acção por meio dos sacerdotes.

 

Um problema urgente. De novo ressoam dentro de nós as palavras do Divino Mestre: «A messe, de facto, é vasta, mas os operários são poucos. Rogai – pedi com insistência – ao Senhor da messe que envie operários para a Sua messe». (Mt 9, 38).

A messe, como sabemos, é o mundo dos homens. Reclama generosidade da nossa parte para os cuidados dela. Significativamente, o Senhor não fala de terreno de cultivo, mas de campos de trigo loiro ondulando ao vento. O terreno pode esperar algum adiamento; e cultivar-se à vez. A messe exige trabalho urgente, para que o grão de trigo não se perca, porque está ameaçado por dois riscos principais: cair ao chão, quando se adia a colheita; e ser comido pelas aves do céu.

O Senhor fala-nos em dar a este problema uma resposta urgente, para o déficit de operários seja rapidamente superado.

Aponta como resposta a oração de petição perseverante (rogate), para que o Senhor da messe envie operários: os chame e lhes dê a graça da generosidade na resposta.

Mas, na espiritualidade cristã, a oração é inseparável da acção, isto é, de fazermos humanamente tudo o que está ao nosso alcance para lhe dar uma solução. O contrário seria tentar a Deus.

Olhando à nossa volta, deparamos com uma descristianização – paganização – galopante. As pessoas andam como ovelhas sem pastor. Há uma tal agitação de ideias erradas, que as pessoas não sabem para onde se hão-de voltar. Além disso, a ignorância religiosa é clamorosa, na maior parte dos casos.

A agravar esta situação, está o problema de que, quanto menos cuidado está o rebanho, menos as pessoas se queixam. A fome leva à apatia do rebanho. 

 

Deus nunca falta! A nossa oração e acção não faria sentido sem a certeza – confiança plena – que nos dá a fé de que Jesus Cristo nunca abandonará a Sua Igreja: «Eis que estarei convosco todos os dias até ao fim do mundo.» (Mt 28, 20). E acrescenta: «ciente da actividade constante do Espírito Santo na Igreja, intimamente crê que nunca faltarão completamente à Igreja os ministros sagrados [...].» (JOÃO PAULO II, Ex. Apost. Pastores dabo vobis, n.º 1).

Portanto, «a primeira resposta que a Igreja dá consiste num acto de confiança total no Espírito Santo. Estamos profundamente convictos de que este abandono confiante não nos há-de decepcionar, se entretanto permanecermos fiéis à graça recebida.» (P. D. V. n.º 1).

Mas não basta confiar e cruzar os braços. «Por este motivo, a confiança total na incondicionada fidelidade de Deus à Sua promessa está ligada na Igreja à grave responsabilidade de colaborar com a acção de Deus que chama, de contribuir para criar e manter condições as condições nas quais a boa semente, semeada pelo Senhor, possa criar raízes e dar frutos abundantes.»(P. D. V. n.º 1). A Igreja nunca pode deixar de pedir ao Senhor da messe que mande operários para a Sua messe (cf. Mt 9, 38), de dirigir uma clara e corajosa proposta vocacional às novas gerações, de as ajudar a discernir a verdade do chamamento de Deus e corresponder-Lhe com generosidade, e de reservar cuidado particular à formação dos candidatos ao presbiterado.» (P. D. V. n.º 2).

Os Pastores do rebanho

Jesus Cristo é a porta do rebanho de deus. Ninguém pode ter acesso a ele sem entrar por esta «porta», ou seja, sem receber dele o Sacramento da Ordem e a missão apostólica.

 

O sacerdote é insubstituível. A primeira tentação, diante deste panorama desolador, é a de se sentir incapaz de lhe dar uma resposta, de fechar os olhos e esperar que resolva o problema quem vier atrás; ou então esperar um acontecimento miraculoso que resolva este problema, sem imaginarmos como nem quando.

Os leigos precisam de assumir o seu papel na Igreja, de participantes da tríplice missão de Cristo: sacerdotal, profética e real.

Mas isto não resolverá o problema. Pensar deste modo pode ser uma forma de alienação. A nossa razão e a experiência pastoral diz-nos que quanto mais os leigos trabalham, mais deve trabalhar o sacerdote. Quando querem levar os amigos a reconciliar-se com Deus, quem os há-de acolher e perdoar-lhes os pecados? Quem há-de celebrar a Santíssima Eucaristia?

«Sem sacerdotes, de facto, a Igreja não poderia viver aquela fundamental obediência que está no próprio coração da sua consciência e da sua missão na história – a obediência à ordem de Jesus: «Ide, pois, ensinai todas as nações» (Mt 28, 19) e «Fazei isto em Minha memória» (Lc 22, 19; cf 1 Cor 11, 24), ou seja, a ordem de anunciar o Evangelho e de renovar todos os dias o sacrifício do Seu Corpo entregue e do Seu Sangue derramado pela vida do mundo.» (P. D. V. n.º 1). 

O Senhor quis constituir de tal modo a Sua Igreja que nós somos «insubstituíveis». A nossa eficácia, porém, não depende só da quantidade, mas também da qualidade: muitos e santos sacerdotes. 

 

Algumas sugestões. Faz parte dos planos da acção de Deus no mundo actuar de mãos dadas com os homem. Foi assim no milagre de Caná da Galileia e na multiplicação dos pães. Na ordem natural, Deus actua de mãos dadas com um casal para chamar novos seres humanos à vida e educá-los para o Reino dos Céus. O Senhor pede-nos oração – como a de Maria em Caná – e acção, entrega, generosidade – como o jovem que entregou os cinco pães e dois peixes; e os Apóstolos que ajudaram a distribuir este alimento.

Os jovens apresentam sinais negativos e positivos, em referência à vocação.

a) Sinais negativos. – O primeiro é o «fascínio da sociedade de consumo», a atracção para «o bem estar».

– Uma visão errada da sexualidade humana, encarada, não como doação generosa, mas como prazer sensível.

– Domina-os também uma falsa noção de liberdade, separando-a da racionalidade e de qualquer norma moral. (cf. P. D. V. n.º 8).

 

b) Sinais positivos. – Constatamos uma atenuação de alguns fenómenos radicais «tais como a contestação radical, os impulsos anárquicos, as reivindicações utópicas, as formas indiscriminadas de socialização, a violência.» (P. D. V. n.º 9).

– Os jovens «são portadores dos ideais que abrem caminho na história: a sede de liberdade, o reconhecimento do valor incomensurável da pessoa, a necessidade de autenticidade e da transparência, um novo conceito e estilo de reciprocidade nas relações entre homem e mulher, a procura sincera e apaixonada de um mundo mais justo, solidário e unida, a abertura e o diálogo com todos, o empenho a favor da paz.» (P. D. V. n.º 9).

– As «numerosas e variadas formas de voluntariado».(P. D. V. n.º 9).

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II

PARA O 42º DIA MUNDIAL DE ORAÇÕES

PELAS VOCAÇÕES

«Chamados a fazermo-nos ao largo»

 

Veneráveis Irmãos no Episcopado,

caríssimos Irmãos e Irmãs!

1. «Duc in altum»! No início da Carta apostólica Novo millennio ineunte referi-me às palavras com que Jesus exorta os primeiros discípulos a lançar as redes para uma pesca que se revelará milagrosa. Disse ele a Pedro: «Duc in altum – Faz-te ao largo» (Lc 5, 4); «Pedro e os primeiros companheiros confiaram na palavra de Cristo e lançaram as redes» (Novo millennio ineunte, 1).

É este episódio evangélico familiar que serve de cenário para o próximo Dia de Oração pelas Vocações, que tem como tema: «Chamados a fazermo-nos ao largo». Trata-se de uma ocasião privilegiada para reflectir sobre o chamamento a seguir Jesus e, em particular, a segui-l’O no caminho do sacerdócio e da vida consagrada.

2. «Duc in altum!» A ordem de Cristo é particularmente actual para o nosso tempo, no qual se difunde uma certa mentalidade que favorece a falta de compromisso pessoal face às dificuldades. A primeira condição para «se fazer ao largo» é cultivar um profundo espírito de oração, alimentado pela escuta diária da Palavra de Deus. A autenticidade da vida cristã mede-se pela profundidade da oração, arte esta que se aprende humildemente «dos próprios lábios do Mestre divino, como que implorando, como os primeiros discípulos: ‘Senhor, ensina-nos a orar!’ (Lc 11, 1). Na oração, fomenta-se aquele diálogo com Cristo que faz de nós seus amigos íntimos: ‘Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós’ (Jo 15, 4)» (Novo millennio ineunte, 32).

A união com Cristo através da oração torna-nos capazes de nos apercebermos da sua presença, mesmo nos momentos de aparente fracasso, quando todos os esforços parecem inúteis, tal como aconteceu com os próprios Apóstolos, os quais, depois de se terem afadigado durante toda a noite, exclamaram: "Mestre, não pescámos nada" (Lc 5, 5). É precisamente em tais momentos que se deve abrir o coração às ondas da graça, permitindo que a palavra do Redentor possa agir em nós com todo o seu poder: «Duc in altum!» (cf. Novo millennio ineunte, 38).

3. Quem abre o seu coração a Cristo não só compreende o mistério da sua própria existência, mas também o da sua própria vocação e amadurece excelentes frutos de graça. Destes, o primeiro é crescimento na santidade através de um caminho espiritual que, iniciando-se com a graça do Baptismo, prossegue até chegar à sua plena consecução: a caridade perfeita (cf. ivi, 30). Vivendo o Evangelho «sem glosas», o cristão torna-se cada vez mais capaz de amar ao jeito de Cristo, acolhendo a sua exortação: «Sede perfeitos, como o vosso Pai do céu é perfeito» (Mt 5, 48). Empenha-se em perseverar na unidade com os irmãos dentro da comunhão eclesial e põe-se ao serviço da nova evangelização para proclamar e testemunhar a verdade maravilhosa do amor salvífico de Deus.

4. Queridos adolescentes e jovens, é a vós que, de modo particular, renovo o convite de Cristo a «fazer-se ao largo». Vós encontrais-vos perante o imperativo de fazer opções decisivas em ordem ao vosso futuro. Conservo no coração a recordação das numerosas ocasiões em que em anos passados me encontrei com os jovens, entretanto já adultos e, até mesmo, pais de alguns de vós, ou sacerdotes ou religiosos e religiosas ou vossos educadores na fé. Vi-os alegres, como os jovens o devem ser, mas também pensativos, porque tomados pelo desejo de dar pleno «sentido» à sua existência. Compreendi cada vez melhor quão forte é no coração das novas gerações a atracção pelos valores do Espírito, como é sincero o seu desejo de santidade. Os jovens precisam de Cristo, mas sabem também que Cristo quis precisar deles.

Caríssimos jovens, amigos e amigas! Confiai-vos a Ele, escutai os seus ensinamentos, fixai o vosso olhar no seu rosto, perseverai na escuta da sua Palavra. Deixai que seja Ele a orientar cada uma das vossa buscas e das vossas aspirações, cada um dos vossos ideais e dos desejos do vosso coração.

5. Dirijo-me agora a vós, queridos pais e educadores cristãos, a vós, queridos sacerdotes, consagrados e catequistas. Deus confiou-vos a peculiar missão de conduzir a juventude no caminho da santidade. Sede para eles exemplo de uma generosa fidelidade a Cristo. Encorajai-os a não hesitar em «fazerem-se ao largo», respondendo sem delongas ao convite do Senhor. Ele chama, alguns à vida familiar, outros à vida consagrada ou ao ministério sacerdotal. Ajudai-os a saber discernir o seu caminho e a passarem a ser amigos verdadeiros de Cristo e seus autênticos discípulos. Quando os adultos, que têm fé, sabem, com as suas palavras e o seu exemplo, tornar visível o rosto de Cristo, os jovens prontificam-se mais facilmente a acolher a sua mensagem exigente, marcada pelo mistério da Cruz.

Mas depois não vos esqueçais que, também hoje, precisamos de sacerdotes santos, de almas totalmente consagradas ao serviço de Deus! Por isso, gostaria de vos repetir mais uma vez: «É urgente e necessário estruturar uma pastoral vocacional, ampla e detalhada, que envolva as paróquias, os centros de educação, as famílias, suscitando uma reflexão mais atenta aos valores essenciais da vida, cuja síntese decisiva reside na resposta que cada um é convidado a dar ao chamamento de Deus, especialmente quando este pede a total doação de si mesmo e das suas próprias forças à causa do Reino» (Novo millennio ineunte, 46).

A vós, jovens, repito a palavra de Jesus: «Duc in altum!». Ao propor novamente este seu apelo, penso ao mesmo tempo nas palavras que Maria, sua Mãe, dirigiu aos empregados, em Caná da Galileia: «Fazei tudo o que Ele vos disser» (Jo 2, 5). Queridos jovens, Cristo pede-vos a vós que aceiteis «fazer-vos ao largo» e a Virgem Maria anima-vos a não hesitardes em segui-l’O.

6. Suba de cada canto da terra ao Pai celeste, sustentada pela intercessão materna de Nossa Senhora, a ardente prece para obter «operários para a sua seara» (Mt 9, 38). Que Ele se digne conceder sacerdotes fervorosos e santos a cada porção do seu rebanho. Apoiando-nos em tal certeza, dirijamo-nos a Cristo, Sumo Sacerdote, dizendo-Lhe com renovada confiança:

Jesus, Filho de Deus, em quem habita toda a plenitude da divindade,

Vós chamais todos os baptizados a «fazerem-se ao largo»,

percorrendo o caminho da santidade.

Despertai no coração dos jovens o desejo de serem no mundo de hoje

testemunhas da força do Vosso amor.

Enchei-os do Vosso Espírito de fortaleza e de prudência

para que sejam capazes descobrir a verdade plena sobre si

e sobre a sua própria vocação.

Ó nosso Salvador, enviado pelo Pai

para nos revelar o seu amor misericordioso,

concedei à vossa Igreja o dom de jovens prontos a fazerem-se ao largo

para serem entre os irmãos uma manifestação da Vossa presença salvífica e renovadora.

Virgem Santa, Mãe do Redentor, guia segura no caminho para Deus e para o próximo,

Vós que guardastes as suas palavras no íntimo do coração,

protegei com a Vossa intercessão materna as famílias e as comunidades eclesiais,

para que estas saibam ajudar os adolescentes e os jovens

a responder com generosidade ao chamamento do Senhor.

Amen.

João Paulo II, Castelo Gandolfo, 11 Agosto 2004

 

Oração Universal

 

Obedecendo à recomendação do Divino Mestre

que nos manda pedir com perseverança as Vocações,

peçamos ao Senhor da messe que, urgentemente,

mande muitos e santos operários para a Sua Igreja.

Digamos: Por Maria, Mãe da igreja, ouvi-nos, Senhor!

 

1.  Para que as famílias – «igrejas domésticas»

sejam o primeiro seminário em que desabrochem

vocações Sacerdotais, Religiosas e Missionárias,

oremos, irmãos.

Por Maria, Mãe da igreja, ouvi-nos, Senhor!

 

2.  Para que os jovens descubram a beleza do sacerdócio

e se disponibilizem a seguir este caminho

com verdadeiro espírito de amor a Jesus Cristo,

oremos, irmãos.

Por Maria, Mãe da igreja, ouvi-nos, Senhor!

 

3. Para que os pais vejam na vocação dos filhos

uma bênção para o seu caminho de matrimónio

e colaborem generosamente no chamamento de Deus,

oremos, irmãos.

Por Maria, Mãe da igreja, ouvi-nos, Senhor!

 

4.  Para que os sacerdotes, religiosos e missionários

dêem testemunho de uma vivência alegre e confiante

da vocação a que foram chamados pelo Senhor,

oremos, irmãos.

Por Maria, Mãe da igreja, ouvi-nos, Senhor!

 

5.  Para que os sacerdotes encontrem naqueles fiéis

a quem servem com o sacerdócio ministerial

a compreensão, o carinho e a corresponsabilidade,

oremos, irmãos.

Por Maria, Mãe da igreja, ouvi-nos, Senhor!

 

6.  Para que todos os sacerdotes, religiosos e missionários

que se purificam antes de entrarem na glória eterna,

contemplem, quanto antes, a felicidade dos santos,

oremos, irmãos.

Por Maria, Mãe da igreja, ouvi-nos, Senhor!

 

Jesus Cristo, único Salvador do mundo,

constituído pelo Pai como Eterno Sacerdote,

e Vos dignais escolher homens frágeis,

para serem o Vosso rosto visível na terra:

Dai-nos muitos e santos sacerdotes

que sejam Pastores abnegados do Rebanho.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

Que é Deus convosco, na unidade do espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Senhor, quebrastes os laços da morte, M. Simões, NRMS 65

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, que em todo o tempo possamos alegrar–nos com estes mistérios pascais, de modo que o acto sempre renovado da nossa redenção seja para nós causa de alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal: p. 469[602–714] ou 470–473

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento ao CT

 

Saudação da Paz

 

Reconciliemo-nos com os irmãos, antes de nos aproximarmos do Corpo e Sangue do Senhor. Assim nos está recomendado pelo Divino Mestre.

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Sem sacerdócio ministerial, não haveria Santa Missa, perdão dos pecados e administração de outros Sacramentos.

Na Comunhão que vamos fazer, agradeçamos o dom dos Sacerdotes, revestidos de toda a fragilidade humana, e peçamos muitos e santos pastores que nos ajudem.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, nada somos sem Ti, F. da Silva, NRMS 84

 

Antífona da comunhão: Ressuscitou o Bom Pastor, que deu a vida pelas suas ovelhas e Se entregou à morte pelo seu rebanho. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Quanta alegria é para mim, H. Faria, NRMS 18  

 

Oração depois da comunhão: Deus, nosso Bom Pastor, olhai benignamente para o vosso rebanho e conduzi às pastagens eternas as ovelhas que remistes com o precioso Sangue do vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Não esqueçamos a recomendação de Jesus, na petição de muitos operários para a Sua Messe.

Levemos para a vida e partilhemos a luz recebida aqui.

 

Cântico final: Aleluia! Glória a Deus, F. da Silva, NRMS 92

 

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

2ª feira, 18-IV: O ofício do Bom Pastor: Jesus, Pedro...

Act. 11, 1-18 / Jo. 10, 11-18

Disse Jesus: Eu sou o bom Pastor. O bom Pastor dá a vida pelas ovelhas.

Jesus é o bom Pastor que, por amor ao Pai, dá a vida pelas ovelhas: «o sacrifício de Cristo pelos pecados do mundo inteiro é a expressão da sua comunhão amorosa com o Pai: ‘o Pai ama-me, porque eu dou minha vida’(Ev. do dia)» (CIC, 606).

E Jesus confia a Pedro que prossiga a sua missão (cf. discurso de Pedro na Leitura): «Jesus confiou a Pedro uma autoridade específica... Jesus o ‘bom Pastor’. Confirmou este cargo depois da sua Ressurreição: ‘Apascenta as minhas ovelhas’... Jesus confiou esta autoridade à Igreja pelo ministério dos Apóstolos e, particularmente pelo de Pedro, o único a quem confiou expressamente as chaves do Reino» (CIC, 553).

 

3ª feira, 19-IV: Missão e força espiritual da Eucaristia.

Act. 11, 19-26 / Jo. 10, 22-30

A mão do Senhor estava com eles e foi grande o número dos que abraçaram a fé e se converteram ao Senhor.

Depois de Jerusalém passaram a Antioquia, onde os discípulos passaram a chamar-se cristãos (cf. Leit.).

A missão confiada aos Apóstolos continua até ao fim dos séculos. Contamos com a força espiritual da Eucaristia: «É do perpetuar-se na Eucaristia o sacrifício da Cruz e a comunhão do Corpo e Sangue de Cristo que Igreja recebe a força espiritual necessária para cumprir a sua missão. Assim, a Eucaristia coloca-se como fonte e também ápice de toda a evangelização, porque o fim é a comunhão dos homens com Cristo e, nele, com o Pai e com o Espírito Santo» (IVE, 22).

 

4ª feira, 20-IV: O decoro da celebração Eucarística.

Act. 12, 24- 13, 5 / Jo. 12, 44-50

Uma vez que estavam a celebrar o culto do Senhor e a jejuar, disse-lhes o Espírito Santo...

Esta celebração do culto divino está integrada na Liturgia: «No Novo Testamento, a palavra ‘Liturgia’ é empregada para designar não somente a celebração do culto divino (cf. Leit. do dia) mas também o anúncio do Evangelho e caridade em acto» (CIC, 1070).

Recorde-se todo o empenho de Jesus em preparar cuidadosamente a Ceia pascal: «Quando alguém lê o relato da instituição da Eucaristia nos Evangelhos sinópticos, fica admirado ao ver a simplicidade e simultaneamente a dignidade com que Jesus, na noite da Última Ceia, institui este grande sacramento. Há um episódio que, de certo modo, lhe serve de prelúdio: é a unção de Betânia» (IVE, 47).

 

5ª feira, 21-IV: Urgência da evangelização.

Act. 13, 13-25 / Jo. 13, 16-20

Quem receber aquele que eu enviar é a mim que recebe; e quem me receber recebe aquele que me enviou.

Jesus é enviado pelo Pai e escolhe depois os Apóstolos: «A partir de então, eles são os seus ‘enviados’ (é o que significa a palavra grega apostoloi). Neles, Jesus continua a sua própria missão (cf. Ev. do dia)» (CIC, 858). Assim fizeram Paulo e os seus companheiros, ao falar ao povo na sinagoga, resumindo a história da salvação (cf. Leit.).

O encontro com Cristo na Eucaristia há de suscitar em cada cristão a urgência de testemunhar e evangelizar: «A despedida no final de cada Missa constitui um mandato, que impele o Cristão para o dever da propagação do Evangelho e da animação cristã da sociedade» (MN, 24).

 

6ª feira, 22-IV: O antídoto para não morrermos.

Act. 13, 26- 33 / Jo. 14, 1-6

Em casa de meu Pai há muitas habitações. Se assim não fosse, eu vos teria dito, pois vou preparar-vos um lugar.

«Na Eucaristia recebemos a garantia também da ressurreição do corpo no fim do mundo: ‘Quem come e minha carne... tem a vida eterna e eu ressuscitá-lo-ei no último dia’ (Jo. 6, 54). Por isso, S. Inácio de Antioquia justamente definia o Pão eucarístico como ‘remédio da imortalidade, antídoto para não morrer’» (IVE, 18).

Mas esta dimensão escatológica da Eucaristia não há de fazer esquecer o tempo presente: «De facto, se a visão cristã leva a olhar o ‘novo céu’ e a ‘nova terra’, isso não enfraquece, antes estimula o nosso sentido de responsabilidade pela terra presente» (IVE, 20).

 

Sábado, 23-IV: ‘Ver’ o Senhor na Eucaristia.

Act. 13, 44-52 / Jo. 14, 7-14

Há tanto tempo que estou convosco e não me conheces, Filipe? Quem me viu, viu o Pai.

A vida de Cristo é uma contínua revelação do Pai, através das suas palavras e actos, silêncios e sofrimentos, maneira de ser e falar (cf. CIC, 516).

Na Eucaristia temos oportunidade de ‘ver’ o Senhor: «A celebração da Eucaristia deveria levar-nos a exclamar como os Apóstolos, depois de terem encontrado o Ressuscitado: ‘Vimos o Senhor’ (Jo. 20, 25)» (AE, 26). Procuremos igualmente ‘vê-lo’ no mundo em que vivemos: «A presença, o calor e a luz de Deus connosco, devem permanecer em nós e transparecer em toda a nossa vida. Entrar em comunhão com Cristo ajuda-nos a ‘ver’ os sinais da divina presença no mundo e a ‘manifestá-los’ a quantos viermos a encontrar» (AE, 26).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Fernando Silva

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha


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