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O ESPLENDOR DA SANTIDADE

 

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

Passava-se isto em S. Paulo. Entre a multidão que enchia um enorme anfiteatro para ouvir e dialogar com S. Josemaria Escrivá, um dos presentes aproveitou a sua oportunidade para desabafar: - «Padre, como se explica que o Brasil, que é o país mais católico do mundo (referia-se à quantidade de fiéis), não tenha ainda nenhum santo?» Porque em 1972 ainda não fora sequer beatificado nenhum brasileiro. - «Não te preocupes, meu filho», respondeu imediatamente o Fundador do Opus Dei. «Aqui em S. Paulo há muitos santos!»

Sem querer, só vemos santos nos fiéis que tenham sido canonizados. Uma ingenuidade, evidentemente, mas de tal maneira instilada na mentalidade comum, juntamente com a necessidade de fenómenos extraordinários, que perdemos de vista a autêntica santidade: a plena união com Cristo pelo cumprimento generoso da vontade de Deus a respeito de cada um. Ou pela «perfeição na caridade», se quisermos. Enfim, pela graça de Deus correspondida «com todo o coração, com todas as forças, com todo o entendimento, com toda a alma».

Entre milhares ou milhões de santos, porém, a Igreja só canoniza alguns – muitíssimos, ainda assim – que nos servem de exemplo e estímulo a percorrermos com idêntico empenho o caminho da perfeição cristã. Além dos mártires, tantos fiéis fidelíssimos (a partir de certa altura, pelo menos) à sua vocação baptismal!…

E a muitos deles podemos com razão chamar «grandes santos»: aqueles que, além de se santificarem, «arrastaram» atrás de si milhares de almas pelo caminho da santidade. É o caso, evidente, de João Paulo II. Também João XXIII, ao promover o último Concílio, foi instrumento divino para que o Espírito Santo derramasse na Igreja uma nova luz para os novos tempos.

Como dizia alguém, jocosamente, parafraseando as três clássicas «vias» da perfeição, purgativa, iluminativa e unitiva: há na santificação três etapas desde que a pessoa se dispõe a tomar a sério o que há de mais sério na vida. Primeira, «parece que é (santo), mas não é»; depois, «não parece que é… nem é»; por fim, «não parece, mas é». E, só em certos casos, «parece que é, e é mesmo!». Ao que outro acrescentou: - «Então, é fácil passar logo à segunda etapa!...» Mas sem razão: talvez seja a fase mais difícil: verificar diariamente a nossa fraqueza, e persistir na luta! Porque «o justo cai sete vezes», é verdade, mas «outras tantas se levanta», diz a Sagrada Escritura (Prov 24, 16). E essa luta já é verdadeira santidade. Ou melhor, nessa luta – a que não escapam os mais perfeitos – é que consiste a santidade. Já dizia S. Bernardo que a perfeição cristã neste mundo é o contínuo esforço por ela: «Jugis conatus perfectionis, perfectio reputatur».

Podemos ter a certeza de que, tanto João Paulo II como João XXIII, assim se santificaram. E esse é o exemplo que mais nos interessa.

 

 

 

 

 

 


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