aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

RÚSSIA

 

ENCONTRO COM

PATRIARCA ORTODOXO

 

O cardeal Kurt Koch, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, espera que a sua viagem à Rússia, que terminou no passado dia 19 de Dezembro, contribua para uma “cooperação mais ampla” com os ortodoxos.

 

“É muito cedo para dizer algo de concreto, mas espero que a minha visita contribua para aprofundar a relação entre a Igreja Ortodoxa russa e a Igreja Católica. Espero que o encontro com o patriarca Cirilo favoreça o aprofundamento das questões comuns às duas Igrejas”, assinalou o cardeal Kurt Koch.

O encontro com o patriarca de Moscovo e de toda a Rússia realizou-se no último dia, na Catedral Cristo Salvador.

O cardeal Kurt Koch e o metropolita Hilário, responsável pelo departamento para as relações exteriores do Patriarcado de Moscovo, tinham-se reunido no dia anterior.

No final do encontro foi divulgado que os dois líderes religiosos abordaram assuntos relacionados com a cooperação entre o Patriarcado de Moscovo e a Igreja católica romana, “em particular no contexto da Comissão mista católico-ortodoxa teológica, e no contexto cultural e da troca de estudantes”, revela a Rádio Vaticano.

Neste encontro participaram também o núncio apostólico na Rússia, Mons. Ivan Jurkovic, e o arcebispo da Arquidiocese da Mãe de Deus, Mons. Paulo Pezzi.

A viagem do cardeal Kurt Koch começou em São Petersburgo, com encontros com a comunidade católica.

 

 

FRANÇA

 

ENCONTRO EUROPEU DE TAIZÉ

 

As ruas de Estrasburgo, em França, acolheram com o espírito de Natal as 14 mil pessoas que desde o dia 28 de Dezembro começaram a chegar para participar no Encontro Europeu de Taizé, que até ao dia 1 de Janeiro quer ser uma etapa na Peregrinação da Confiança na Terra, animada pela Comunidade Ecuménica de Taizé.

 

Entre orações comunitárias nas paróquias de acolhimento, momentos de reflexão individual, partilha em grupos com diferentes idiomas, passeio e workshops, os participantes são convidados a entrar em 2014 com ingredientes de unidade.

Nas orações conjuntas os 14 mil jovens são divididos em quatro espaços pela cidade francesa.

O Papa Francisco enviou uma mensagem à Comunidade Ecuménica de Taizé que promove o 36.º encontro europeu.

“O Papa conta convosco para que, através da vossa fé e do vosso testemunho, o espírito de paz e de reconciliação do Evangelho irradie entre os vossos contemporâneos”, escreve Francisco.

A organização dá conta da participação de “mais de 4500 polacos, 2600 ucranianos, 1400 italianos, 1200 croatas, 1000 bielorrussos, 300 portugueses” que “com os da região francesa da Alsácia e os da região alemã do Ortenau” integram uma nova etapa da peregrinação anualmente organizada numa cidade europeia.

Durante as manhãs do encontro os jovens reúnem-se em “mais de 200 paróquias de acolhimento”, na França e na Alemanha, para momentos de oração e partilha.

Para as tardes o programa propõe vinte temas para reflexão como: “Crise, desemprego, precariedade… precisamos de inventar um novo modelo económico?”; “Justiça e Direitos do Homem: reflexões pessoais sobre o desafio de ser cristão”; “O diálogo ecuménico: para coexistirmos tranquilamente ou para nos deixarmos transformar pelo encontro com outros?”; “A Europa, terra de migrações: como podemos viver melhor juntos?”.

 

 

PAQUISTÃO

 

CRISTÃ CONDENADA

A PENA DE MORTE

 

A cristã paquistanesa Asia Bibi, condenada à morte por ter alegadamente blasfemado contra o Islão, escreveu ao Papa Francisco para lhe agradecer pelas suas orações e dar conta das dificuldades que enfrenta.

 

“Santo Padre, queira aceitar os meus melhores votos para o Ano novo. Sei que o senhor reza por mim com todo o coração e isso dá-me a confiança de que um dia a minha liberdade será possível”, refere, numa carta divulgada pelo jornal católico italiano Avvenire.

A sentença contra Asia Bibi, mãe de cinco filhos, foi divulgada em Outubro de 2010 por um tribunal de Nankana, a cerca de 75 quilómetros de Lahore, capital cultural do país.

O caso remonta a Junho de 2009, quando mulheres muçulmanas que trabalhavam com Asia Bibi foram ver um responsável religioso e acusaram a cristã de proferir blasfémias contra o profeta Maomé.

A “lei da blasfémia” em vigor no Paquistão refere que ofensas contra o Alcorão são puníveis com prisão perpétua e actos que enxovalhem o profeta Maomé são puníveis com prisão perpétua ou com a morte.

Asia Bibi passou o Natal na prisão de Multan, onde espera por uma sentença definitiva, após ter recorrido da decisão do tribunal.

“Gostaria de ter estado em São Pedro para passar o Natal e rezar junto a si, mas tenho confiança no projecto que Deus tem para mim e espero poder realizá-lo no próximo ano”, escreve ao Papa.

A cristã paquistanesa mostra-se “muito agradecida” a todos os que estão a rezar por si e lutam pela sua libertação.

“Se ainda estou viva, é graças às forças que as suas orações me dão”, confessa.

Asia Bibi refere que a sua cela não tem “aquecimento nem uma porta adequada” para a proteger do frio e que “as medidas de segurança também não são adequadas”, lamentando ainda a distância de Lahore, onde vive a sua família.

O Papa emérito Bento XVI lançou um apelo público à libertação desta cristã a 17 de Outubro de 2010, na Praça de São Pedro.

“Peço que lhe seja restituída a plena liberdade, o mais rapidamente possível, e rezo pelos que se encontram em situações análogas, para que a sua dignidade humana e direitos fundamentais sejam plenamente respeitados”, disse.

 

 

TURQUIA

 

SÍNODO PAN-ORTODOXO

 

O patriarca ortodoxo de Constantinopla, Bartolomeu, convocou os primazes das várias Igrejas ortodoxas para um encontro em Março, a fim de preparar o sínodo pan-ortodoxo, agendado para 2015.

 

Bartolomeu tem intensificado o ritmo para a convocação do Grande Sínodo, que tem como objetivo responder aos problemas que se acumularam ao longo de séculos e que continuam presentes nas relações entre as Igrejas Ortodoxas.

As diferentes igrejas da Comunhão ortodoxa não se encontram em sínodo desde 1583.

A primeira iniciativa para a convocação de um sínodo pan-ortodoxo foi do patriarca Joaquim III, em 1901; em 1961, foi convocada uma conferência a pedido do patriarca Atenágoras, a fim de preparar esse sínodo, que ainda não se realizou.

As relações entre Igrejas ortodoxas estão actualmente marcadas pela polémica entre a sede de Constantinopla (atual Istambul, Turquia) e a de Moscovo, a respeito da questão do primado: Bartolomeu é considerado como primeiro entre iguais e foi apresentado por um artigo publicado no site do seu patriarcado como primus sine paribus (primeiro sem iguais).

O Patriarcado de Moscovo, por sua vez, emitiu um comunicado com a sua posição teológica sobre o tema, no qual pretende limitar esse primado de Bartolomeu, considerando que o mesmo só existe em temas para os quais este tiver sido “mandatado para tal pelas Igrejas ortodoxas locais”.

 

 

BRASIL

 

ENCONTRO INTERNACIONAL

DAS COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE

 

O Papa Francisco enviou uma mensagem ao encontro das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) que se realizou de 7 a 11 de Janeiro passado, no Brasil, pedindo que estas assumam cada vez mais o seu “importantíssimo papel na missão evangelizadora da Igreja”.

 

“Confiando os trabalhos e os participantes do 13.º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base à protecção de Nossa Senhora Aparecida, convido a todos a vivê-lo como um encontro de fé e de missão, de discípulos missionários que caminham com Jesus, anunciando e testemunhando com os pobres a profecia dos «novos céus e da nova terra»”, refere Francisco.

O encontro, que reuniu cerca de quatro mil pessoas de todo o Brasil e de outros países, numa cidade  do Ceará, abordou o tema “Justiça e Profecia ao serviço da vida” e teve como lema “CEBs: romeiros do Reino no campo e na cidade”.

Francisco cita o Documento de Aparecida (2007), fruto da V Conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe, em que participou como arcebispo de Buenos Aires, para afirmar que as CEBs são um instrumento que permite “chegar a um conhecimento maior da Palavra de Deus, ao compromisso social em nome do Evangelho, ao surgimento de novos serviços leigos e à educação da fé dos adultos”.

O Papa recorda ainda que na sua primeira exortação apostólica, Evangelii gaudium (A alegria do Evangelho), escreveu que as Comunidades de Base “trazem um novo ardor evangelizador e uma capacidade de diálogo com o mundo que renovam a Igreja”, mas, para isso é preciso que elas “não percam o contacto com a realidade muito rica da paróquia local e que se integrem de bom grado na pastoral orgânica da Igreja particular”.

 

 

BÓSNIA

 

INVESTIGAÇÃO SOBRE

APARIÇÕES EM MEDJUGORJE

 

O director da Sala de imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, disse aos jornalistas que a Comissão internacional de investigação sobre as aparições marianas em Medjugorje, Bósnia-Herzegovina, se reuniu pela última vez no dia 17 de Janeiro passado.

 

Esta Comissão, presidida pelo cardeal Camillo Ruini, foi constituída pela Congregação para a Doutrina da Fé em Março de 2010.

O resultado dos estudos levados a cabo nestes anos será agora submetido às instâncias competentes da referida Congregação.

Em causa estão relatos de aparições da Virgem Maria a seis crianças de uma aldeia da Bósnia-Herzegovina, em 1981.

Quatro anos depois, o cardeal Joseph Ratzinger, na altura Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, proibiu peregrinações oficiais de dioceses ou paróquias ao local, embora os católicos possam ali deslocar-se por sua iniciativa, inclusive na companhia de padres, se assim o desejarem.

Medjugorje continua a ser um local de peregrinação para centenas de milhares de católicos de todo o mundo.

 

 

SÍRIA

 

CIMEIRA DE PAZ

 

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, convidou a Santa Sé para a cimeira internacional de paz para a Síria, uma iniciativa da Rússia, Estados Unidos da América e Nações Unidas que iniciou no passado dia 22 de Janeiro.

 

A delegação do Vaticano era composta pelo arcebispo Silvano Tomasi, representante da Santa Sé junto das instituições da ONU com sede em Genebra, e mons. Alberto Ortega Martín, da Secretaria de Estado, especialista em questões do Médio Oriente.

As conversações entre Governo e oposição sírias foram acompanhadas por mais de 30 países, incluindo os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, representantes da Liga Árabe e da União Europeia, entre outros.

No primeiro discurso anual aos membros do corpo diplomático acreditados na Santa Sé, a 13 de Janeiro, o Papa Francisco alertara para as “imagens de destruição e de morte” que chegam de vários pontos do globo, em particular da Síria.

O Papa recordou a realização da conferência ‘Genebra 2’, que visa tentar garantir uma solução política para a guerra civil na Síria, que segundo as Nações Unidas terá provocado mais de 120 mil mortos e 8 milhões de deslocados desde Março de 2011, altura em que se iniciaram os confrontos entre vários grupos da oposição e o Governo de Bashar al-Assad.

Francisco deixou votos de que esta iniciativa “marque o início do desejado caminho de pacificação” e promova “o pleno respeito do direito humanitário”.

 

 

SUDÃO DO SUL

 

GUERRA CIVIL

POR MOTIVO TRIBAL

 

Os missionários combonianos presentes no Sudão do Sul estão a pedir à comunidade internacional ajuda financeira para atender às necessidades das populações locais, atingidas por uma guerra civil que já provocou 10 mil mortos e 700 mil deslocados.

O superior provincial da congregação, padre Daniele Moschetti, apela à “solidariedade” das pessoas para com “o povo do Sudão do Sul” e pede-lhes ainda que “rezem” por estas comunidades e “por todos” os missionários que estão ao serviço do país.

O Sudão do Sul ganhou a sua independência há pouco mais de três anos, mas isso não significou mais paz e estabilidade para as populações, que agora estão envolvidas numa luta fratricida entre as tropas leais ao actual presidente Salva Kiir e as forças rebeldes do antigo vice-presidente do país, Riek Machar.

Segundo o padre José Vieira, responsável pela província dos combonianos em Portugal, ambas as partes têm estado “a violar o acordo” assinado na última semana por representantes de Kiir e Machar em Adis Abeba, na Etiópia.

Neste momento, a principal preocupação dos missionários combonianos é acudir aos milhares de refugiados que olham para a Igreja Católica como uma das poucas oportunidade de refúgio e proteção.

O novo provincial dos Missionários Combonianos, padre José Vieira, trabalhou durante 7 anos no Sudão do Sul, um país que considera “viável” e “com futuro” lamentando por isso que esteja ser destruído por uma guerra civil.

O conflito que se arrasta desde 15 de dezembro é “lamentável” porque afecta “um país que, se for explorado com uma atenção e preocupação pelo bem comum, tem futuro”.

“O confronto político tornou-se também um confronto tribal o que levou o conflito a espalhar-se a todo o país. Num mês de guerra, há cerca de 10 mil mortos, cerca de 413 mil deslocados e mais de 73 mil refugiados nos países vizinhos como o Quénia, o Uganda e a Etiópia”, lamenta o padre José Vieira.

 


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