aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

CANONIZADO O JESUÍTA

BEATO PEDRO FABRO

 

O Papa Francisco decidiu estender a toda a Igreja Católica o culto litúrgico em honra ao Beato Pedro Fabro, inscrevendo-o no Catálogo dos Santos, o que se conhece por «canonização equipolente», processo instituído por Bento XIV no séc. XVIII.

 

O Papa Francisco recebeu em audiência privada no passado dia 17 de Dezembro o Prefeito da Congregação da Causa dos Santos, Cardeal Angelo Amato. No decorrer do encontro, o Sumo Pontífice, após ouvir o Relatório, estendeu à Igreja universal o culto litúrgico em honra do Beato Pedro Fabro, sacerdote professo da Companhia de Jesus, nascido em Le Villaret (Alta Saboia, França) em 13 de abril de 1506 e falecido em Roma a 1 de agosto de 1546, inscrevendo-o no Catálogo dos Santos.

Francisco revelara na sua entrevista às revistas dos jesuítas, publicada em Setembro, que admira Pedro Fabro por causa da sua capacidade de “diálogo com todos, mesmo os mais afastados e os adversários; a piedade simples, talvez uma certa ingenuidade, a disponibilidade imediata, o seu atento discernimento interior, o facto de ser um homem de grandes e fortes decisões e ao mesmo tempo capaz de ser assim doce, doce”.

A Rádio Vaticano perguntou ao diretor da revista jesuíta La Civiltà Cattolica, Pe. Antonio Spadaro, qual o significado que tem para os jesuítas a canonização do primeiro companheiro de Santo Inácio de Loyola.

“Tem um grande significado, porque todos conhecem São Francisco Xavier, o segundo companheiro de Santo Inácio de Loyola; mas Pedro Fabro foi o primeiro, tendo sido o companheiro de quarto de Santo Inácio na Universidade de Paris, onde estudavam; foi o primeiro a aproximar-se dele, o primeiro a fazer os Exercícios espirituais... Diria que sem Pedro Fabro a Companhia de Jesus não existiria. Portanto, é um momento muito particular e verdadeiramente importante para nós”.

“Talvez ao longo do tempo, especialmente durante a segunda metade do Séc. XVI, a sua fama tenha sido de certo modo vítima de uma espécie de desconfiança em relação à dimensão mística, que mesmo na Companhia de Jesus fez brecha em favor de uma atitude mais ascética do que mística. Ao invés, Pedro Fabro é uma figura mística, podemos dizer até mesmo difícil de compreender plenamente: é um pouco complexa. Todavia, a devoção jamais se perdeu ao longo do tempo. Na realidade, o próprio Santo Inácio, mais do que celebrar sufrágios por ele, celebrou missas de alegria, de triunfo, e até mesmo São Francisco Xavier, assim que Pedro Fabro morreu, acrescentou o nome dele na Ladainha de todos os Santos..."

 

 

PAPA PEDE PROFISSIONALISMO

À CÚRIA ROMANA

 

O Papa Francisco pediu profissionalismo e serviço aos colaboradores da Cúria Romana, referindo que na ausência destas características a missão da Igreja reduz-se a "informações estereotipadas" e a estrutura a uma "alfândega burocrática" e "inquisidora".

 

"Quando não há profissionalismo, lentamente vai-se escorregando para o nível da mediocridade. A resolução dos casos reduz-se a informações estereotipadas e comunicações sem fermento de vida, incapazes de gerar horizontes grandes", referiu Francisco no passado dia 21 de Dezembro aos que trabalham nos órgãos administrativos da Santa Sé.

Desta equipa fazem parte a Secretaria de Estado, as Congregações, os Conselhos Pontifícios, os Tribunais, as Comissões Pontifícias, os diferentes Ofícios desde a Comunicação à Biblioteca.

O Papa pediu ainda aos funcionários "objeção de consciência" para evitar "murmurações" que, afirmou, "lesam a qualidade das pessoas, do trabalho e do ambiente".

No primeiro Natal enquanto bispo de Roma, Francisco quis agradecer o serviço de cada dia na Cúria Romana, no "cuidado, diligência e criatividade".

 

 

PAPA FRANCISCO ALMOÇOU

COM PAPA EMÉRITO

 

O Papa Francisco e o Papa Emérito Bento XVI almoçaram juntos no dia 27 de Dezembro passado, na casa de Santa Marta, no Vaticano.

 

O convite para almoçar foi feito pelo Papa Francisco ao seu predecessor quando o visitou para o cumprimentar por ocasião das festas do Natal na tarde de 23 de Dezembro.

No almoço de hoje participaram também os respetivos secretários, além do secretário para as Relações com os Estados, o arcebispo Dominique Mamberti, e do monsenhor Bryan Wells, assessor para os assuntos gerais da Secretaria de Estado.

O Papa emérito regressou ao Vaticano a 2 de maio, após ter renunciado ao pontificado, para residir num edifício que acolhia um mosteiro de clausura.

Joseph Ratzinger continua a estar acompanhado pelas quatro leigas consagradas que o serviram durante o pontificado e pelo seu secretário particular, Mons. Georg Gänswein, actual prefeito da Casa Pontifícia.

 

 

NECESSIDADE DE MAIOR CUIDADO

NA FORMAÇÃO DOS RELIGIOSOS

 

O Papa Francisco apelou a um maior cuidado na formação de novos religiosos e elogiou o esforço de Bento XVI no combate aos casos de abusos sexuais, revelou a revista jesuíta La Civiltà Cattolica, publicada na Itália, no passado dia 3 de Janeiro.

 

“Se um jovem foi convidado a sair de um instituto religioso por causa de problemas de formação e motivos sérios, mas depois é aceite num seminário, isso é um grande problema”, alertou, citado na edição especial que recorda o encontro entre o Papa e a União dos Superiores Gerais dos institutos religiosos da Igreja Católica.

A audiência a cerca de 120 responsáveis decorreu a 29 de Novembro passado, no final da 82ª assembleia geral da União dos Superiores Gerais (USG), no Vaticano.

Francisco considera que o caminho seguido por Bento XVI face aos casos de abusos deve “servir de exemplo para ter a coragem de assumir a formação pessoal como um desafio sério, tendo sempre em mente o Povo de Deus”.

“Não devemos formar administradores, gestores, mas pais, irmãos, companheiros de caminho”, observou.

O encontro durou três horas, com perguntas e respostas, e o Papa anunciou então que vai dedicar o ano de 2015 à Vida Consagrada.

“A Igreja deve ser atraente. Acordai o mundo! Sêde testemunhas de um modo diferente de fazer, de agir, de viver”, disse o Papa.

Francisco pediu que a vida religiosa não seja vista como um “refúgio e consolação perante um mundo exterior difícil e complexo”.

 

 

VIAGEM DO PAPA

À TERRA SANTA

 

O Papa revelou no passado dia 5 de Janeiro que vai realizar a sua primeira visita à Terra Santa no próximo mês de Maio, para assinalar o 50.º aniversário do histórico encontro entre Paulo VI e o patriarca ortodoxo Atenágoras.

 

“No clima de alegria típico deste tempo natalício, desejo anunciar que de 24 a 26 de Maio próximo, se Deus quiser, farei uma peregrinação à Terra Santa. O seu objetivo principal é comemorar o histórico encontro entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras, que aconteceu precisamente a 5 de janeiro, como hoje, há 50 anos”, disse, após a recitação da oração do Angelus, desde a janela do apartamento pontifício sobre a Praça de São Pedro, no Vaticano.

O encontro entre Paulo VI e o patriarca ecuménico de Constantinopla marcou uma nova etapa nas relações entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa, promovendo uma maior aproximação, mais de nove séculos depois do Grande Cisma do Oriente (1054).

Francisco vai passar pela capital da Jordânia, Amã, por Belém, na Palestina, e Jerusalém.

O Papa revelou que se vai encontrar com “todos os representantes das Igrejas cristãs de Jerusalém” na Basílica do Santo Sepulcro, juntamente com o patriarca Bartolomeu, de Constantinopla.

Esta será a segunda viagem fora da Itália de Francisco, após a visita ao Brasil em julho de 2013, e a quarta visita de um Papa à Terra Santa, após Paulo VI (1964), João Paulo II (2000) e Bento XVI (2009). 

 

 

LIMITADA A CONCESSÃO

DO TÍTULO DE MONSENHOR

 

Segundo comunica a Rádio Vaticano em 7 de Janeiro passado, o Papa Francisco limitou a concessão do título honorífico de Monsenhor a sacerdotes que tenham completado 65 anos de idade.

 

A propósito dos “títulos eclesiásticos” e da designação de “Monsenhor”, a Secretaria de Estado da Santa Sé enviou uma circular às Nunciaturas Apostólicas para que informem os episcopados que, de agora em diante, nas dioceses, o único “título eclesiástico” honorífico que será concedido (e a que corresponde o título de “Monsenhor”) é o de “Capelão de Sua Santidade” e será atribuído apenas a sacerdotes que tenham completado 65 anos de idade.

A norma não tem efeitos retroactivos. Quem recebeu anteriormente este título, conserva-o.

Como fizeram justamente notar alguns comentadores, já Paulo VI, em 1968, tinha reduzido a três os títulos eclesiásticos honoríficos. A decisão do Papa Francisco coloca-se na mesma linha, como ulterior simplificação.

 

 

PAPA MANIFESTA APOIO

A PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

 

O Papa Francisco concedeu no passado dia 11 de Janeiro uma audiência à deputada italiana Ileana Argentin, que sofre de amiotrofia espinhal, uma doença degenerativa, à qual manifestou o seu apoio na luta pelos direitos das pessoas com deficiência e suas famílias.

 

Ileana Argentin é conhecida pelo seu empenho, a sua responsabilidade e a sua competência no campo da deficiência, tanto em Roma como no Parlamento italiano.

A deputada tinha enviado uma carta o Papa, pedindo para lhe “apresentar diversas problemáticas ligadas à deficiência”, e o Papa respondeu convidando-a para um encontro pessoal, que decorreu no Palácio Apostólico do Vaticano, durante cerca de meia hora.

“O tema principal foi o apoio particularmente necessário para os pais com pessoas gravemente deficientes, que vivem com grande preocupação o cenário do que poderá acontecer aos filhos após a sua morte, bem como a dificuldade de tomar conta dos seus irmãos e irmãs”, diz a nota da Santa Sé.

“O Papa manifestou grande atenção e interesse por tudo quando lhe foi dito pela deputada Argentin e assegurou, com expressões de grande cordialidade, a sua participação e o seu encorajamento a todas as pessoas e iniciativas que se empenham na solução dos problemas ligados à deficiência, com um compromisso e consciência cada vez maior”, conclui a nota de imprensa.

 

 

COLABORAÇÃO COM

IGREJAS ORTODOXAS

 

O Papa Francisco recebeu no passado dia 11 de Janeiro os membros do comité católico para a colaboração com as Igrejas ortodoxas, que celebra este ano o 50.º aniversário de instituição.

 

O Papa recordou que o comité foi criado por Paulo VI ainda antes do final do Concílio Vaticano II, sublinhando o “caminho de reconciliação e renovada fraternidade entre as Igrejas”.

Esse percurso, acrescentou, foi “admiravelmente assinalado pelo primeiro encontro, histórico, entre o Papa Paulo VI e o patriarca ecuménico Atenágoras”, em Janeiro de 1964, data que o Papa vai assinalar com uma viagem à Terra Santa, em Maio próximo.

Perante os membros do comité ecuménico, o Papa destacou a importância de “experiências de amizade e partilha” nascidas do “conhecimento recíproco entre representantes das diversas Igrejas, em particular os jovens que iniciaram o ministério sagrado”.

Este organismo atribui bolsas de estudo a clérigos e leigos ortodoxos que desejam “completar os seus estudos teológicos em instituições académicas da Igreja Católica e apoia outros projectos de colaboração ecuménica”, assinalou o Papa.

Francisco agradeceu aos benfeitores que apoiam o comité e dirigiu-se aos estudantes presentes.

“A vossa permanência entre nós é importante para o diálogo entre as Igrejas de hoje e, sobretudo, de amanhã”, observou.

 

 

NOVOS CARDEAIS

 

Com data do domingo 12 Janeiro passado, o Papa Francisco enviou a seguinte carta aos 19 futuros cardeais que vai criar no próximo dia 22 de Fevereiro, para pedir-lhes que recebam esta designação com “um coração simples e humilde”.

 

Querido Irmão!

 

No dia em que se torna pública a tua designação para fazer parte do Colégio Cardinalício, desejo transmitir-te a minha cordial saudação, juntamente com a certeza da minha proximidade e da minha oração. Desejo que, enquanto agregado à Igreja de Roma, revestido das virtudes e dos sentimentos do Senhor Jesus (cf. Rom 13, 14), tu possas ajudar-me com eficácia fraternal no meu serviço à Igreja universal.

O Cardinalato não significa uma promoção, nem uma honra, nem uma decoração; é simplesmente um serviço que exige ampliar o olhar e alargar o coração. E, embora pareça um paradoxo, isto de poder olhar mais longe e amar mais universalmente, com maior intensidade, só se pode adquirir seguindo o mesmo caminho do Senhor: a via do abaixamento e da humildade, assumindo a forma do servo (cf. Flp 2, 5-8). Por isso peço-te, por favor, que recebas esta designação com um coração simples e humilde. E, embora o faças com júbilo e alegria, faz com que este sentimento permaneça distante de qualquer expressão de mundanidade, de qualquer festejo alheio ao espírito evangélico de austeridade, sobriedade e pobreza.

Portanto, ver-nos-emos no próximo dia 20 de Fevereiro, quando daremos início aos dois dias de reflexão sobre a família. Ficoo à tua disposição e, por favor, peço-te que rezes e faças rezar por mim.

Jesus te abençoe e a Virgem Santa te proteja.

Fraternalmente,

                                                     Francisco

 

 

A carta foi assinada nesse domingo em que o Papa anunciou, após a recitação do Angelus, a lista de 16 novos cardeais eleitores, vindos de 12 países, e de outros três com mais de 80 anos.

Dos novos cardeais, quatro são da Cúria Romana: o Secretário de Estado, os Prefeitos da Congregação para a Doutrina da Fé e da Congregação para o Clero e o Secretário Geral do Sínodo dos Bispos. Os outros doze são os arcebispos de Westminster (Inglaterra), Manágua (Nicarágua), Quebec (Canadá), Abidjan (Costa do Marfim), Rio de Janeiro (Brasil), Perúgia (Itália), Buenos Aires (Argentina), Seul (Coreia do Sul), Santiago do Chile (Chile), Ouagadougou (Burkina Fasso), Cotabato (Filipinas) e o bispo de Les Cayes (Haiti). Entre os três novos cardeais de mais de 80 anos, está Mons. Loris Capovilla, que foi secretário pessoal do Papa João XXIII.

Paulo VI fixou em 120 o número de cardeais eleitores do Papa e estabeleceu como idade limite para a possibilidade de votar os 80 anos, disposições que foram confirmadas por João Paulo II e Bento XVI, embora, pontualmente, excederam o número estabelecido.

O Colégio Cardinalício vai passar a ter, no dia 22 de Fevereiro, 218 cardeais vindos de 68 países, entre eles Portugal, representado por D. José Saraiva Martins, prefeito emérito da Congregação para as Causas dos Santos (com mais de 80 anos), D. Manuel Monteiro de Castro e D. José Policarpo, patriarca emérito de Lisboa. Com as novas nomeações, o número de cardeais eleitores passará a 122, mas dez deles completarão 80 anos em 2014.

 

 

NOVA COMISSÃO DE VIGILÂNCIA

DO BANCO DO VATICANO

 

O Papa renovou a composição da comissão de cardeais com funções de vigilância sobre o Instituto para as Obras de Religião (IOR), conhecido como o “Banco do Vaticano”, anunciou no passado dia 15 de Janeiro a Sala de imprensa da Santa Sé.

 

O organismo, com cinco elementos, tinha um elenco mandatado por cinco anos pelo Papa Bento XVI, em Fevereiro de 2013, pouco antes do final do seu pontificado, dos quais apenas permanece em funções o cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso.

A “Comissão Cardinalícia de Vigilância do Instituto para as Obras de Religião” passa a incluir, no próximo quinquénio, Mons. Christoph Schönborn, arcebispo de Viena (Áustria), Mons. Thomas Christopher Collins, arcebispo de Toronto (Canadá), Mons. Santos Abril y Castelló, arcipreste da basílica papal de Santa Maria Maior, Mpons. Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano.

O Papa Francisco criou em junho de 2013 uma Comissão de inquérito para o IOR, com o objetivo de “conhecer melhor a posição jurídica e as atividades do Instituto, para permitir uma melhor harmonização do mesmo com a missão da Igreja universal e da Sé Apostólica, no contexto mais geral das reformas que for oportuno realizar por parte das instituições que coadjuvam a Sé Apostólica”.

O cardeal Tauran integra também essa comissão, com o cardeal Raffaele Farina (presidente), Mons. Juan Ignacio Arrieta (coordenador), mons.Peter Bryan Wells (secretário) e a leiga norte-americana Mary Ann Glendon.

 

 

NECESSIDADE DE ÉTICA

NA RÁDIO E TELEVISÃO

 

O Papa Francisco afirmou no passado dia 18 de Janeiro que os profissionais dos media têm de conseguir atingir um “elevado nível ético na comunicação” para que evitem a “desinformação, a difamação e a calúnia”.

 

“Mantenham o nível ético”, referiu o Papa a cerca de oito mil colaboradores da rádio e da televisão públicas de Itália (RAI), recebidos por Francisco no contexto do 90º aniversário do início das transmissões radiofónicas e da celebração dos 60 anos de início das transmissões televisivas.

Para o Papa, a “qualidade ética da comunicação resulta, em última análise, de consciências atentas, não superficiais, sempre respeitadoras da pessoa, seja das que são objeto da informação, como dos destinatários da mensagem”.

Francisco valorizou a “colaboração” que existe entre o Vaticano e a RAI, que tem levado as mensagens e as imagens do Papa à sociedade italiana, assim como eventos eclesiais no país, através de parcerias com a Rádio Vaticano e o Centro Televisivo Vaticano.

“A RAI ofereceu e ainda oferece aos ouvintes e telespectadores a possibilidade de seguir os eventos ordinários e extraordinários da Santa Sé, como o Concílio Vaticano II, o Jubileu do ano 2000, as diversas celebrações e as visitas pastorais na Itália e no mundo”, lembrou o Papa na audiência que decorreu na Aula Paulo VI, no Vaticano.

 

 

PRÓXIMAS VIAGENS

DO PAPA FRANCISCO

 

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, afirmou no passado dia 22 de Janeiro que o Papa está a estudar uma viagem à Coreia do Sul, por ocasião do encontro da Juventude Asiática, que vai decorrer entre 10 e 17 de Agosto deste ano, na diocese de Daejeon.

 

O padre Federico Lombardi respondia aos jornalistas que o questionaram sobre as próximas viagens pontifícias, em particular à Ásia.

João Paulo II visitou a Coreia do Sul em 1984 e a Igreja Católica neste país espera pela canonização de Paulo Yun Ji-chung e dos seus 123 companheiros, mortos durante uma perseguição contra os cristãos em finais do século XVIII.

O director da Sala de imprensa da Santa Sé confirmou que está em aberto a possibilidade de uma viagem do Papa Francisco às Filipinas e a Sri Lanka (antiga Ceilão), mas descartou que a mesma se realize ainda este ano.

O Papa Francisco visitou o Brasil em Julho de 2013, na sua primeira viagem internacional, e vai realizar a sua primeira visita à Terra Santa de 24 a 26 de Maio, com passagens por Amã (Jordânia), Belém (Palestina) e Jerusalém.

 

 

COMUNICAÇÃO AO SERVIÇO

DE CULTURA DO ENCONTRO

 

No passado dia 24 de Janeiro, memória de S. Francisco de Sales, foi publicada a Mensagem do Papa Francisco para o próximo Dia Mundial da Comunicações Sociais, a celebrar no Domingo da Ascensão, 1 de junho de 2014, sob o tema “Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro”.

 

Num mundo globalizado, “os mass media podem ajudar a sentir-nos mais próximos uns dos outros”, “a conhecer-nos melhor entre nós, a ser mais unidos”. “A cultura do encontro requer que estejamos dispostos não só a dar, mas também a receber de outros”.

“Particularmente a internet pode oferecer maiores possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos; e isto é uma coisa boa, é um dom de Deus. No entanto, existem aspectos problemáticos: a velocidade da informação supera a nossa capacidade de reflexão e discernimento, e não permite uma expressão equilibrada e correcta de si mesmo. A variedade das opiniões expressas pode ser sentida como riqueza, mas é possível também fechar-se numa esfera de informações que correspondem apenas às nossas expectativas e às nossas ideias, ou mesmo a determinados interesses políticos e económicos. O ambiente de comunicação pode ajudar-nos a crescer ou, pelo contrário, desorientar-nos”.

“Estes limites são reais, mas não justificam uma rejeição dos mass-media; antes, recordam-nos que, em última análise, a comunicação é uma conquista mais humana que tecnológica”. “Devemos, por exemplo, recuperar um certo sentido de pausa e calma. Isto requer tempo e capacidade de fazer silêncio para escutar. Temos necessidade também de ser pacientes, se quisermos compreender aqueles que são diferentes de nós”.

“Então, como pode a comunicação estar ao serviço de uma autêntica cultura do encontro?” “Como se manifesta a «proximidade» no uso dos meios de comunicação e no novo ambiente criado pelas tecnologias digitais?” “Na realidade, quem comunica faz-se próximo. E o bom samaritano não só se faz próximo, mas cuida do homem que encontra quase morto ao lado da estrada”.

“Quando a comunicação tem como fim predominante induzir ao consumo ou à manipulação das pessoas, encontramo-nos perante uma agressão violenta como a que sofreu o homem espancado pelos assaltantes e abandonado na estrada, como lemos na parábola”.

“Não basta circular pelas «estradas» digitais, isto é, simplesmente estar conectados”. “O próprio mundo dos mass-media não pode alhear-se da solicitude pela humanidade, chamado como é a exprimir ternura. A rede digital pode ser um lugar rico de humanidade: não uma rede de fios, mas de pessoas humanas. A neutralidade dos mass-media é só aparente”: “o testemunho cristão pode, graças à rede, alcançar as periferias existenciais”, chegar «até aos confins do mundo» (Act 1, 8). “É preciso saber-se inserir no diálogo com os homens e mulheres de hoje, para compreender os seus anseios, dúvidas, esperanças, e oferecer-lhes o Evangelho, isto é, Jesus Cristo, Deus feito homem, que morreu e ressuscitou para nos libertar do pecado e da morte”.

 

 

PADRE SATURINO GOMES,

NOVO AUDITOR DA ROTA ROMANA

 

A justiça da Igreja Católica deve ter uma abordagem humana, centrada em cada pessoa, evitando a perspectiva “legalista e abstracta” – afirmou o Papa Francisco no passado dia 24 de Janeiro, durante a audiência anual aos membros da Rota Romana, na qual já esteve presente o recém-nomeado português, padre Saturino da Costa Gomes.

 

O padre Saturino Gomes é professor de Direito Canónico na Universidade Católica Portuguesa, juiz do Tribunal Patriarcal de Lisboa, membro da delegação da Santa Sé na Comissão Paritária para a aplicação da Concordata e membro da Comissão da Liberdade Religiosa.

Nascido em 1952 na Madeira, foi ordenado em 1983, na Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (dehonianos).

Doutorado em Direito Canónico pela Universidade Pontifícia Lateranense (Roma), foi director da Faculdade de Teologia da UCP entre 1996 e 2002.

Foi também o primeiro director do Centro de Estudos de Direito Canónico, erigido em 2004 em Instituto Superior de Direito Canónico da UCP, do qual foi director até Julho de 2011.

«Estando em Roma para um trabalho de pesquisa, fui surpreendido por esta nomeação pontifícia. Considero-me pequeno perante tal responsabilidade, mas é um serviço que irei prestar à Igreja, dando o melhor, mas sabendo que terei de aprender muito», afirmou à agência Lusa.

A Rota Romana é um tribunal de recurso que julga processos de apelação ao Papa e causas provenientes dos tribunais de primeira instância da Santa Sé.

A Rota Romana tem ainda a seu cargo o julgamento de causas reservadas ao Papa, relativas a chefes de Estado, cardeais, bispos, dioceses e outras pessoas jurídicas.

 

 

PRÓXIMO DOCUMENTO PAPAL

SOBRE ECOLOGIA

 

No passado dia 24 de Janeiro, o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, fez uma declaração acerca de um texto do Papa Francisco sobre ecologia.

 

“A propósito do que afirmou o Presidente francês Hollande após a audiência com o Santo Padre, posso confirmar que o Papa começou a trabalhar o projeto de um texto sobre temas da ecologia. A perspectiva é de uma Encíclica. Mas atualmente trata-se de um projeto, em estado ainda inicial, de forma que é prematuro fazer previsões sobre tempos de uma possível publicação. Em todo o caso, é importante observar que o Papa Francisco pretende dar um particular destaque ao tema da «ecologia do homem»”.

Após a audiência privada com o Papa Francisco, que durou 35 minutos, o Presidente francês François Hollande participou de uma conferência de imprensa, onde revelou o teor dos colóquios com o Pontífice. Em relação ao Tratado sobre o Meio-ambiente, Hollande comentou que o Papa Francisco sentenciou: “Deus perdoa sempre, o homem às vezes, a natureza nunca, se não é cuidada”. “Trabalhemos – acrescentou – para que a Conferência sobre o Clima de 2015 tenha um bom êxito”.

Em novembro passado, o senador argentino Pino Solanas, após ser recebido pelo Santo Padre na Casa Santa Marta, declarou que “tivemos um diálogo muito amplo e profundo sobre os danos ambientais que estão a produzir-se no nosso país e no mundo. O Papa Francisco revelou-me que está a trabalhar numa grande Encíclica sobre o ambiente”.

 

 

PAPEL DA MULHER

 

Papel da mulher no trabalho é «importante», mas na família é «imprescindível», diz o Papa Francisco.

 

O Papa Francisco frisou hoje que as mulheres têm uma missão indispensável na família, que se sobrepõe em importância às funções que desempenham na atividade profissional e dentro da Igreja.

«Se no mundo do trabalho e na esfera pública é importante o contributo mais incisivo do caráter feminino, tal contributo permanece imprescindível no âmbito da família», vincou Francisco no Vaticano, no passado dia 25 de Janeiro, ao receber as participantes no Congresso nacional promovido  pelo Centro Italiano Feminino.

Para os cristãos, prosseguiu o Papa, a família «não é simplesmente um espaço privado, mas aquela "Igreja doméstica", cuja saúde e prosperidade é condição para a saúde e prosperidade da Igreja e da própria sociedade».

Francisco deseja «vivamente» que os «novos espaços e responsabilidades» que nas «últimas décadas» se abriram ao sexo feminino possam «expandir-se à presença e à atividade das mulheres tanto no âmbito eclesial quanto no civil e das profissões», mas esta tendência não pode «fazer esquecer» o seu papel «insubstituível» na família.

«Os dons de delicadeza, especial sensibilidade e ternura, de que o espírito feminino é rico, representam não só uma força genuína para a vida das famílias, para a irradiação de um clima de serenidade e de harmonia, mas uma realidade sem a qual a vocação humana seria irrealizável», assinalou.

Por isso, sem «os dons da mulher, a vocação humana não pode ser realizada», acrescentou Francisco, que lembrou o papel desempenhado pela Virgem Maria na Igreja, que criou o que «não podem criar os padres, os bispos e os papas», bem como na família.

A presença das mulheres no âmbito doméstico é essencial «para a transmissão às gerações futuras de sólidos princípios morais e para a própria transmissão da fé», sublinhou o Papa.

«Como é possível crescer na presença eficaz em muitos âmbitos da esfera pública, no mundo do trabalho e nos espaços onde são tomadas as decisões mais importantes, e ao mesmo tempo manter uma presença e uma atenção preferencial e especial na e para a família?», perguntou Francisco.

A resposta passa pela reflexão racional e pela relação com Deus: «Aqui é o campo do discernimento que, além das reflexões sobre a realidade da mulher na sociedade, pressupõe a oração assídua e perseverante», com a «presença materna» de Maria.

Na exortação apostólica "A alegria do Evangelho", Francisco salientou que «o génio feminino é necessário em todas as expressões da vida social», pelo que deve ser garantida a presença das mulheres também no âmbito do trabalho e nos vários lugares onde se tomam as decisões importantes, tanto na Igreja como nas estruturas sociais».

 

Rui Jorge Martins

Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura

 


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