3º Domingo da Páscoa

10 de Abril de 2005

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Aclamai o Senhor, terra inteira, J. Santos, NRMS 98

Salmo 65, 1–2

Antífona de entrada: Aclamai a Deus, terra inteira, cantai a glória do seu nome, celebrai os seus louvores. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Na Missa actualizamos o sacrifício do Calvário. Jesus Cristo deu a vida por nós. Venceu a morte, ressuscitando glorioso na manhã do Domingo de Páscoa.

Vivendo unidos ao Senhor na Terra, continuaremos, após a morte, a viver junto d’Ele no Céu para sempre.

 

Oração colecta: Exulte sempre o vosso povo, Senhor, com a renovada juventude da alma, de modo que, alegrando–se agora por se ver restituído à glória da adopção divina, aguarde o dia da ressurreição na esperança da felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Pedro com os onze apóstolos fala ao povo de Jesus que veio ao mundo para nos salvar, morrendo por nós pregado na Cruz mas ressuscitando gloriosamente ao terceiro dia.

 

Actos dos Apóstolos, 2, 14.22–33

No dia de Pentecostes, 14Pedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: 22«Homens de Israel, ouvi estas palavras: Jesus de Nazaré, foi um homem acreditado por Deus junto de vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus realizou no meio de vós, por seu intermédio, como sabeis. 23Depois de entregue, segundo o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós deste-Lhe a morte, cravando-O na cruz pela mão de gente perversa. 24Mas Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte, porque não era possível que Ele ficasse sob o seu domínio. 25Diz David a seu respeito: 'O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei. 26Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta e até o meu corpo descansa tranquilo. 27Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção. 28Destes-me a conhecer os caminhos da vida, a alegria plena em vossa presença'». 29Irmãos, seja-me permitido falar-vos com toda a liberdade: o patriarca David morreu e foi sepultado e o seu túmulo encontra-se ainda hoje entre nós. 30Mas, como era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que um descendente do seu sangue havia de sentar-se no seu trono, 31viu e proclamou antecipadamente a ressurreição de Cristo, dizendo que Ele não O abandonou na mansão dos mortos, nem a sua carne conheceu a corrupção. 32Foi este Jesus que Deus ressuscitou e disso todos nós somos testemunhas. 33Tendo sido exaltado pelo poder de Deus, recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo, que Ele derramou, como vedes e ouvis».

 

14 «Pedro». Aparece aqui, como noutras vezes, na sua função de Chefe dos Apóstolos, falando em nome de todos e à frente de todos (cf. Act 2, 37-38; 5, 2-3.29; 1, 15).

22 «Jesus de Nazaré» Pedro, para anunciar Jesus como o Messias, parte da Sua humanidade, no aspecto mais humilde, um homem de Nazaré terra desprezada (Jo 1 48). Nos vv. seguintes estabelece a sua perfeita identidade com o Cristo da fé, o Senhor ressuscitado.

23 «Segundo o desígnio imutável e previsão de Deus». A morte na cruz, o grande «escândalo para os Judeus», não era mais do que o cumprimento do desígnio salvador de Deus, anunciado pelos Profetas.

24 «Deus ressuscitou-O. O grande sinal de que aquele homem de Nazaré já antes credenciado com «milagres, prodígios e sinais» (v. 22), era o Messias, Deus vindo à terra, é sem dúvida a Ressurreição Esta apresenta-se como anunciada no Salmo 15 (16).

27 «Nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção». Citação do Salmo 15 (16), segundo a tradução dos LXX, que alguns chegam a considerar inspirada. O texto hebraico massorético não é tão expressiva («conhecer a cova», isto é, a morte); Pedro e depois Paulo (cf. Act 13, 35) dão-nos o sentido mais profundo cristológico do Salmo, ao explicitar que designa a ressurreição do Messias, sentido este que, em geral, os  exegetas classificam de sentido plenário (intentado só por Deus), ou sentido típico (o salmista como tipo do Messias).

 

Salmo Responsorial    Sl 15 (16), 1–2a.5.7–8.9–10.11

 

Monição: Há muitos caminhos por onde podemos seguir. Peçamos ao Senhor que nos ajude a seguir sempre pelo Caminho da Salvação.

 

Refrão:        Mostrai–me, Senhor, o caminho da vida.

 

Ou:               Aleluia.

 

Defendei–me, Senhor; Vós sois o meu refúgio.

Digo ao Senhor: Vós sois o meu Deus.

Senhor, porção da minha herança e do meu cálice,

está nas vossas mãos o meu destino.

 

Bendigo o Senhor por me ter aconselhado,

até de noite me inspira interiormente.

O Senhor está sempre na minha presença,

com Ele a meu lado não vacilarei.

 

Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta

e até o meu corpo descansa tranquilo.

Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos,

nem deixareis o vosso fiel conhecer a corrupção.

 

Dar–me–eis a conhecer os caminhos da vida,

alegria plena em vossa presença,

delícias eternas à vossa direita.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Não nos apeguemos ao que nada vale e é passageiro mas mantenhamos sempre a esperança em Deus, nosso Pai.

 

1 São Pedro 1, 17–21

Caríssimos: 17Se invocais como Pai Aquele que, sem acepção de pessoas, julga cada um segundo as suas obras, vivei com temor, durante o tempo de exílio neste mundo. 18Lembrai–vos que não foi por coisas corruptíveis, como prata e oiro, que fostes resgatados da vã maneira de viver, herdada dos vossos pais, 19mas pelo sangue precioso de Cristo, Cordeiro sem defeito e sem mancha, 20predestinado antes da criação do mundo e manifestado nos últimos tempos por vossa causa. 21Por Ele acreditais em Deus, que O ressuscitou dos mortos e Lhe deu a glória, para que a vossa fé e a vossa esperança estejam em Deus.

 

Esta leitura adapta-se maravilhosamente ao tempo pascal, falando-nos da nossa libertação através do Sangue do novo Cordeiro Pascal e da Ressurreição de Jesus. Há mesmo exegetas que vêem nesta carta um fundo de homilia pascal ou baptismal. O trecho de hoje é tirado de uma secção inicial da Carta (1, 13 – 2, 10), uma série de exortações que têm como pano de fundo a libertação dos hebreus a caminho da terra prometida, símbolo do Baptismo e da vida cristã, o que faz pensar que formariam parte duma catequese ou homilia pascal-baptismal. Vejamos: «de ânimo preparado para servir» (v. 13; cf. Lc 12, 35) é dito no original com uma imagem (cingida a cintura da vossa mente) que evoca a forma de celebrar a Páscoa (cf. Ex 12, 11, símbolo do Baptismo (cf. 1 Cor 10, 1-2.6); «sede santos» (v. 14-16) é uma exigência da aliança (cf. Lv 11, 44; 19, 2; 20, 7) e do Baptismo (cf. Rom 6, 4.11.19; 12, 2; Gal 3, 27); o santo temor de Deus (cf. 2 Cor 2, 11; Rom 2, 11) «no tempo da peregrinação» (cf. 1, 1.17; 2, 11; 4, 2, é a alusão à peregrinação pelo deserto no Êxodo) está na sequência de invocar a Deus como Pai (referência ao Pai-nosso, Mt 6, 9, recitado no rito do Baptismo e certamente matéria da instrução preparatória); o resgate pelo sangue de Cristo é mais do que uma referência ao custo da nossa redenção (1 Cor 6, 20; 7, 23; cf. Ef 1, 7; Hebr 9, 14; Apoc 1, 5), pois alude a Jesus como cordeiro pascal (Ex 12, 3-14; cf. Jo 1, 29.36; 19, 36; 1 Cor 5, 7; Act 8, 32-35); o amor fraterno (v. 22-25) é proposto como consequência de se ter purificado (cf. Ex 19, 10-11) e ter nascido de novo e por meio da palavra de Deus (cf. Tg 1, 18; 1 Jo 3, 9; Is 40, 8); esta mesma palavra é o «leite puro» (cf. Ex 3, 8; 1 Cor 3, 2) que os baptizados têm de desejar avidamente (2, 1-2; cf. Salm 34, 9); assim todos entram activamente na construção do edifício que é o novo Povo de Deus, figurado no antigo (2, 4-10).

17 «Pai... que... julga». Pode-se ver aqui uma alusão à recitação do Pai Nosso. Deus, que é o melhor dos pais, também é um Juiz imparcial; o sentido correcto da nossa filiação divina traz consigo o santo temor de Deus, o temor de desagrada um Pai que nos julga, que calibra perfeitamente o valor de todos os nossos actos.

«Exílio neste mundo». Cf. 1 Pe 1, 1; 2, 11; 4, 2; Hebr 11, 13. Nestes textos inspirados fica patente a nossa condição não apenas de peregrinos da Pátria celeste, mas também a ideia de pena que envolve a nossa situação de «degredados filhos de Eva» neste «desterro» (cf. Salve Rainha).

18-19 «Libertados... com o Sangue precioso de Cristo». A obra salvadora de Jesus não consistiu numa mera libertação, como, por exemplo, a libertação do Egipto, pois foi um verdadeiro resgate, pagando Jesus o preço dessa libertação com o Seu Sangue, daí que esta obra libertadora se chama mais propriamente Redenção (cf. Ef 1, 7; Apoc 1, 5).

«Cordeiro sem defeito e sem mancha». Cf. Ex 12, 5; 1 Cor 5, 7; Jo 1, 29.36; 19, 36. Cf. também: Is 53, 7; Act 8, 32-35. Os primeiros textos falam de Jesus, Cordeiro imolado na nova Páscoa; os segundos, de Jesus manso «Cordeiro de Deus».

 

Aclamação ao Evangelho       Lc 24, 32

 

Monição: Ao reconhecerem o Senhor, os discípulos de Emaús levam a todos a feliz notícia da Ressurreição. Procedamos nós também assim para que o mundo acredite em Cristo Salvador.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

Senhor Jesus, abri–nos as Escrituras,

falai–nos e inflamai o nosso coração.

 

 

 

Evangelho

 

São Lucas 24, 13–35

13Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. 14Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. 15Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. 16Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. 17Ele perguntou-lhes: «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?» Pararam, com ar muito triste, 18e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias». 19E Ele perguntou: «Que foi?» Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; 20e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. 21Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. 22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, 23não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. 24Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: 25«Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! 26Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?» 27Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. 28Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de seguir para diante. 29Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. 30E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. 31Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. 32Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» 33Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, 34que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». 35E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.

 

Temos aqui uma das mais belas páginas do Evangelho: um relato cheio de vivacidade, de finura e de psicologia, em que acompanhamos o erguer daquelas almas desde a mais amarga frustração até às alturas da fé e da descoberta de Jesus ressuscitado. A crítica bíblica procura distinguir neste relato os elementos de tradição e os elementos redaccionais; podem identificar-se muitos elementos de tradição neste relato, mas não dispomos de meios para classificar como meramente redaccionais  todos os restantes, pois não são do nosso conhecimento todas as fontes de que Lucas dispôs; a própria crítica admite «fontes especiais» para a redacção de Lucas. Um facto indiscutível é que Lucas é um teólogo e um catequista, não é um jornalista e não se limita a contar a seco umas aparições, mas não temos elementos suficientes para definir em que medida reelaborou as suas fontes.

13 «Emaús»: uma povoação a 60 estádios (duas léguas), uns 11 quilómetros e meio de Jerusalém. Há duas leituras variantes nos manuscritos gregos do Evangelho de Lucas: a imensa maioria deles regista 60 estádios. Alguns poucos têm 160 (o que equivale a uns 30 Km). Também não existe completo acordo sobre a sua localização, sendo indicados vários locais na tradição cristã; El-Qubeibe é o de maior aceitação, a  uns 12 Km a Noroeste da Cidade Santa.

16 «Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem». Não é que não vissem a Jesus, ou que Jesus se quisesse ocultar, mas eles é que estavam obcecados pelo seu extremo desalento. E fica-nos a lição: para que se possa reconhecer a Jesus ressuscitado é indispensável o olhar da fé.

18 «Cléofas» parece ser diferente do marido de Maria, mãe de Tiago e José (Jo 19, 25); embora alguns o identifiquem, a grafia é diferente: Kleopâs.

22-24 «É verdade que algumas mulheres… Alguns dos nossos»: aqui se resume o que foi relatado antes com mais pormenor (Lc 23, 56b – 24, 9) e correspondente à tradição sinóptica e joanina. Certamente que os nossos são Pedro e João (cf. v. 12 e Jo 20, 1-10). «Mas a Ele não O viram»: se não se trata de um pormenor meramente redaccional, temos que admitir que ainda não lhes constava da aparição de Jesus a Pedro referida adiante, no v. 34; (cf. 1 Cor 15, 5).

28-30 «Jesus fez menção de seguir para diante». Lucas volta a aludir ao «caminho de Jesus» (no v. 15 já tinha usado o mesmo verbo grego que significa caminhar). R. J. Dillon (From eye-witnesses to ministers of the word) pensa que este pormenor lucano insinua que a presença de Jesus no meio dos seus através da Eucaristia (a fracção do pão do v. 30) constitui o momento cume do seu caminhar  pelo caminho da salvação. Enternece o leitor ver como Jesus ressuscitado se torna o companheiro de caminho (recorde-se como Lucas gosta de focar a vida cristã como um caminho e um seguimento de Jesus): depois de se fazer encontrado, agora faz-se rogado. Isto sucede-nos muitas vezes na vida cristã: Ele vem ao nosso encontro sem O procurarmos e, outras vezes, quer dar-nos o ensejo de O convidarmos a ficar connosco e de praticarmos a caridade com os outros, que são Ele (cf. Mt 25, 40). Mas aqui o convite feito a Jesus não é um simples acto de caridade e de cortesia; com efeito, parece que a narrativa nos leva a pensar que quem faz este pedido é toda a comunidade cristã, que se reúne para celebrar a Eucaristia e anseia estabelecer uma comunhão íntima com Jesus ressuscitado (ibid.). Todos estão de acordo em ver a estreita relação da refeição descrita com a multiplicação dos pães e a instituição da Eucaristia.

31 «Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no, mas Ele desapareceu da sua presença»: É na Eucaristia que se abrem os olhos para a fé, para captar o que é invisível, mas real. Impressiona muito o relato ao unir o aparecimento com o desaparecimento, sem se dizer para onde é que Jesus se retirou. Desta maneira fica sugerida uma nova presença, a de Jesus glorioso e ressuscitado: uma ausência que é presença. Comenta João Paulo II: «É significativo que os dois discípulos de Emaús, devidamente preparados pelas palavras do Senhor, O tenham reconhecido, quando estavam à mesa, através do gesto simples da «fracção do pão». Uma vez iluminadas as inteligências e rescaldados os corações, os sinais «falam». A Eucaristia desenrola-se inteiramente no contexto dinâmico de sinais que encerram uma densa e luminosa mensagem; é através deles que o mistério, de certo modo, se desvenda aos olhos do crente. Como sublinhei na encíclica Ecclesia de Eucharistia, é importante que nenhuma dimensão deste Sacramento fique transcurada. Com efeito, subsiste sempre no homem a tentação de reduzir às suas próprias dimensões a Eucaristia, quando na realidade é ele que se deve abrir às dimensões do Mistério. «A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções» (Carta Mane nobiscum Domine, 14).

32 «Não ardia cá dentro o nosso coração?». Quando lemos a Escritura guiados por Jesus, presente na Igreja, inflama-se o nosso coração e sentimo-nos urgidos a mostrar aos que nos rodeiam, com as nossas vidas, pela palavra e pelo exemplo, que Cristo vive, que a Ressurreição é uma realidade. O episódio constitui um apelo a fazermos o mesmo papel do Ressuscitado junto dos desiludidos da vida e sem esperança e a comunicar-lhes a nossa experiência de fé. No relato põe-se em evidência a união do pão e da palavra na vida da Igreja.

33 «Partiram imediatamente». «Os dois discípulos de Emaús, depois de terem reconhecido o Senhor, «partiram imediatamente» para comunicar o que tinham visto e ouvido. Quando se faz uma verdadeira experiência do Ressuscitado, alimentando-se do seu Corpo e do seu Sangue, não se pode reservar para si mesmo a alegria sentida. O encontro com Cristo, continuamente aprofundado na intimidade eucarística, suscita na Igreja e em cada cristão a urgência de testemunhar e evangelizar» (João Paulo II, Mane nobiscum Domine, 24).

 

Sugestões para a homilia

 

Jesus Cristo morreu por nós

Com Cristo viveremos para sempre

Jesus Cristo morreu por nós

Todos os dias nos confrontamos com a realidade da morte.

São pessoas que perdem a vida em acidentes nas estradas, nos mares, nos rios, nas obras sem terem tempo para nos dizerem adeus.

São pessoas que perdem a vida nas guerras, provocadas pelo ódio entre aqueles que se deviam amar como nos ama o Senhor.

São pessoas de todas as idades e de todas as condições sociais que, repentinamente ou após longo tempo de doença, partem, deixando mergulhados na saudade aqueles que com elas conviviam.

Mas afinal porquê a morte?!…

Quando nasce uma criança não sabemos se vai ser analfabeta ou instruída, ignorante ou sábia, rica ou pobre, boa ou má mas sabemos que um dia há-de morrer.

Só no Senhor encontramos a resposta para as nossas dúvidas.

Cristo morreu por nós pregado na cruz mas ressuscitou glorioso, como nos referem as duas leituras desta Missa.

Manifestou-se, após a ressurreição, aos Seus amigos para os confirmar na Fé.

Com Cristo viveremos para sempre

Como é encantadora a aparição do Senhor aos discípulos de Emaús!...

Eles estavam tristes, amargurados, desanimados. Tinham colocado toda a esperança no Senhor. Cristo foi, porém, cruelmente pregado na Cruz. Era o fim de tudo. Agora teriam de recomeçar a vida de uma forma diferente.

E foi isso que disseram àquele que se aproximou deles para lhes fazer companhia. Esse desconhecido escutou as suas mágoas, recordando-lhes que a morte de Jesus não foi o fim. Ressuscitou glorioso na manhã do Domingo de Páscoa. Esse Jesus era Ele mesmo ali presente com eles sem O reconhecerem.

Ao ouvirmos esta passagem do Evangelho ficamos perplexos. Como foi possível caminhar com Jesus sem O reconhecer?! Eles que O tinham visto a ensinar, a curar os doentes, a dar a vida aos mortos!…

E nós, quantas vezes também não vemos o Senhor! Não O vemos na criança abandonada, não O vemos no jovem desiludido, não O vemos no doente que sofre, não O vemos no velhinho desprezado, não O vemos naquele que está ao nosso lado nem tão pouco O vemos presente na Eucaristia!

Temos de abrir os olhos como os discípulos de Emaús para reconhecer o Senhor e para O levarmos a todos aqueles que O buscam sem O encontrar.

E o Senhor que ressuscitou também nos há-de ressuscitar. Com Ele viveremos felizes para sempre.

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus manifesta-se como Mestre que sabe iluminar a mente para que se compreenda o desígnio de Deus.»

1. «O próprio Jesus aproximou-se e começou a caminhar com eles» (Lc 24, 15). Como acabámos de escutar na página evangélica do dia de hoje, Jesus faz-se viandante, aproximando-se de dois discípulos que se dirigiam para a aldeia de Emaús. Explica-lhes o sentido das Escrituras e em seguida, tendo chegado ao destino, parte o pão com eles, exactamente como tinha feito em companhia dos Apóstolos na noite antes da sua morte na cruz. Nesse momento, os olhos dos discípulos abriram-se e eles reconheceram-no (cf. v. 31). [...]

3. «Começando por Moisés e continuando por todos os Profetas, Jesus explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura» (Lc 24, 27). Nestas palavras do Evangelho de hoje, Jesus manifesta-se como companheiro no caminho da vida do homem e como Mestre paciente, que sabe modelar o coração e iluminar a mente para que compreenda o desígnio de Deus. Depois do seu encontro com Ele, os discípulos de Emaús, superando o desânimo e a confusão, regressaram à comunidade cristã nascente para lhe anunciar a alegre notícia: viram o Senhor ressuscitado. [...]

6. «Mostrai-nos, Senhor, o caminho da vida» (Antífona do Salmo responsorial). Façamos nossa esta invocação do Salmo responsorial, que acabámos de entoar. Temos necessidade de que o Redentor ressuscitado nos indique o caminho, nos acompanhe pela senda e nos oriente para a plena comunhão com o Pai celestial.

Mostrai-nos o caminho da vida! Somente Vós, Senhor, podeis indicar-nos o verdadeiro caminho da vida, o único que nos conduz para a meta, como aconteceu com todos os Santos que resplandecem na glória do Céu.

 

João Paulo II, Vaticano, 14 de Abril de 2002

 

Oração Universal

 

A Deus eterno e omnipotente elevemos as nossas preces

confiando-Lhe as intenções pelas quais queremos rezar.

 

1.  Pelo Santo Padre João Paulo II:

para que os seus apelos em favor da Paz e da união dos cristãos

sejam escutados pelos homens de todos países do mundo,

por intercessão de Maria,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelos povos que sofrem os horrores da guerra:

para que através da justiça, do diálogo, do amor

alcancem o dom da Paz,

por intercessão de Maria,

oremos, irmãos.

 

3.  Pelas famílias onde os esposos, os pais e os filhos não se entendem:

para que através da oração e do perdão mútuo

alcancem de novo a felicidade,

por intercessão de Maria,

oremos, irmãos.

 

4.  Pelas nossas próprias intenções:

para que vivamos em Paz connosco, com os outros e com Deus,

por intercessão de Maria,

oremos, irmãos.

 

5.  Pelos doente e por todos os que sofrem

no corpo ou na alma:

para que, na Cruz de Cristo, encontrem a serenidade e a paz

por intercessão de Maria,

oremos, irmãos.

 

6.  Pelos nossos familiares e amigos falecidos:

para que, purificados das suas faltas,

vivam no céu com Deus, com os anjos e santos em amor e paz,

por intercessão de Maria,

oremos, irmãos.

 

Nós Vos agradecemos, Senhor, as graças

que pela Vossa infinita misericórdia

e intercessão da Santíssima Virgem nos concedeis.

Por Nosso Senhor ...

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cantai ao Senhor nosso Deus, M. Simões, NRMS 38

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons da vossa Igreja em festa. Vós que lhe destes tão grande felicidade, fazei–a tomar parte na alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602–714] ou 470–473

 

Santo: F. dos Santos, NTC 201

 

Santo: A. Cartageno, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Há dois mil anos Jesus fez companhia aos discípulos de Emaús. Neste momento não só nos faz companhia mas também se une a nós sacramentalmente. Agradeçamos confiando-Lhe a vida e oferecendo-Lhe o nosso coração.

 

Cântico da Comunhão: Os discípulos conheceram, C. Silva, Cânticos de Entrada e de Comunhão I, pág. 135

Lc 24, 35

Antífona da comunhão: Os discípulos reconheceram o Senhor Jesus ao partir o pão. Aleluia.

 

Cântico de acção de graças: Cantarei ao Senhor pelo bem, F. da Silva, NRMS 98

 

Oração depois da comunhão: Olhai com bondade, Senhor, para o vosso povo e fazei chegar à gloriosa ressurreição da carne aqueles que renovastes com os sacramentos de vida eterna. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Acabamos de participar na Eucaristia. O Senhor animou-nos com a Sua Palavra e vai connosco para nos ajudar a dar testemunho d'Ele sempre e em toda a parte.

 

Cântico final: Rainha dos Céus alegrai-Vos, F. da Silva, NRMS 17

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª feira, 11-IV: As comunhões espirituais.

Act. 6, 8-15 / Jo. 6, 22-29

Trabalhai, não pela comida que desaparece, mas pelo alimento que fica até à vida eterna e que o Filho do homem vos dará.

Estas palavras de Jesus suscitam em nós o desejo de receber este alimento que conduz à vida eterna (cf. Ev.).

Temos possibilidade de levar à prática este desejo de comungar através de muitas comunhões espirituais ao longo do dia, no meio do trabalho e das deslocações, no meio de qualquer ocupação. «A comunhão espiritual consiste num desejo ardente de receber Jesus Sacramentado e nesse abraço amoroso como se já o tivéssemos recebido... Pode fazer-se sem que ninguém nos veja, sem ser necessário estar em jejum e pode fazer-se em qualquer momento, porque consiste num acto de amor» (S. Afonso M. Ligório).

 

3ª feira, 12-IV: O pão que nos diviniza.

Act. 7, 51 – 8, 1 / Jo. 6, 30-35

Não foi Moisés que vos deu o pão que vem do céu; meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão que vem do céu.

O pão dado por Moisés não garantia a vida eterna. Só o pão dado pelo Pai o pode fazer (cf. Ev.).

Com este pão da vida acontece o contrário do que com os alimentos correntes: «Eu sou o pão dos fortes, acredita e comer-me-ás. Mas não me transformarás na tua própria substância, como acontece com o manjar de que se alimenta o teu corpo, mas, pelo contrário, tu transformar-te-ás em mim» (dizia o Senhor a S. Agostinho). Que maravilha: Jesus dá-nos a sua vida, diviniza-nos, transforma-nos nele!

 

4ª feira, 13-IV: A oblação de Cristo e a nossa oferta.

Act. 8, 1-8 / Jo. 6, 35-40

...porque desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.

«Desde o primeiro instante da sua Encarnação, o Filho faz o seu plano divino de salvação, no desempenho da sua missão redentora... O sacrifício de Jesus pelos pecados do mundo inteiro é a expressão da comunhão amorosa como Pai: ‘o Pai ama-me porque eu dou a minha vida’» (CIC, 606).

«Participar na Eucaristia, obedecer ao Evangelho que escutamos, comer o corpo e beber o sangue do Senhor, significa fazer da nossa vida um sacrifício agradável a Deus » (AE, 24). A nossa participação na celebração há-de ter como consequência a oferta da nossa existência, como fez Cristo.

 

5ª feira, 14-IV: O alimento da morte e o remédio da vida.

Act. 8, 26-40 / Jo. 6, 44-51

Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente.

O homem comeu um alimento de morte (com o pecado original) e agora deve tomar um remédio que sirva de antídoto, como acontece com aqueles que tomam um veneno devem tomar um contra veneno (cf. S. Gregório Nisa). E este remédio da nossa vida é o corpo de Cristo (cf. Ev.).

Na sagrada Comunhão, Jesus ensina-nos a contemplar o presente com um olhar de eternidade; mostra-nos o que é verdadeiramente cada acontecimento; dá uma perspectiva transcendente às obras que levamos a cabo...

 

6ª feira, 15-IV: Frutos da Comunhão.

Act. 9, 1-20 / Jo. 6, 52-59

Quem come a minha carne e bebe o meu Sangue permanece em mim e eu nele.

A Comunhão aumenta a nossa união com Cristo. «Receber a Eucaristia na Comunhão traz consigo, como fruto principal, a união íntima com Cristo Jesus. De facto, o Senhor diz: ‘Quem come a minha carne... permanece em mim e eu nele’ (Ev. do dia)» (CIC, 1391).

Mas a Comunhão também tem como efeito a unidade do Corpo Místico. Jesus revela a Saulo a unidade do Corpo Místico: «Saulo, Saulo, por que me persegues?» (Leit.). «Os que recebem a Eucaristia ficam mais estreitamente unidos a Cristo. Por isso mesmo, Cristo une todos os fiéis num só corpo: a Igreja» (CIC, 1396).

 

Sábado, 16-IV: A unidade da Palavra e do Pão.

Act. 9, 31-42 / Jo. 60-69

Respondeu-lhe Simão Pedro: Para quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna.

Na Missa existe uma «unidade das ‘duas mesas’ – a da Palavra e a do Pão» (MN, 12).

Esta continuidade transparece em duas passagens do Evangelho: a primeira é a do discurso eucarístico de Jesus. Ao anunciar que vai dar de comer a sua carne, muitos se afastam. E Pedro diz que Jesus tem palavras de vida eterna (cf. Ev.). A segunda é dos discípulos de Emaús: Cristo explica, começando por Moisés e depois pelos Profetas, que as Escrituras conduzem ao mistério da sua Pessoa. Estas palavras fazem arder os corações dos discípulos e eles pedem-Lhe: ‘Fica connosco, Senhor’ (cf. MN, 12).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:          Aurélio Araújo Ribeiro

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha


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