5º Domingo da Quaresma

6 de Abril de 2014

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios do Baptismo dos adultos, neste Domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Defendei-me, Senhor, J. Santos, NRMS 105

Salmo 42, 1-2

Antífona de entrada: Fazei-me justiça, meu Deus, defendei a minha causa contra a gente sem piedade, livrai-me do homem desleal e perverso. Vós sois o meu refúgio.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje o 5º Domingo da Quaresma. Estamos já próximos da Páscoa. Aproveitemos estes dias para renovar os nossos desejos de conversão, aproximando-nos com verdadeiro arrependimento do Sacramento da Misericórdia de Deus, confessando humildemente os nossos pecados.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, concedei-nos a graça de viver com alegria o mesmo espírito de caridade que levou o vosso Filho a entregar-Se à morte pela salvação dos homens. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Ezequiel anuncia a restauração do povo de Israel, esmagado pelas duras provas do cativeiro. É um anúncio profético da acção do Espírito Santo nas nossas almas, infundindo em nós um novo espírito e uma nova vida.

 

Ezequiel 37, 12-14

 

12Assim fala o Senhor Deus: «Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. 13Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. 14Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra e reconhecereis que Eu, o Senhor, o disse e o executei».

 

A leitura é extraída da 3ª parte de Ezequiel (cap. 33 – 48), destinada a confortar os exilados em Babilónia com palavras de esperança no futuro.

12 «Vos farei ressuscitar». Não se trata aqui da ressurreição final, mas da do povo de Deus, que, esmagado pelas duras provas do cativeiro, se ergue de novo e é reconduzido à Terra de Israel, segundo a célebre visão dos ossos relatada nos primeiros versículos deste mesmo capítulo.

14 «Infundirei em vós o meu espírito» (cf. Ez 36, 27). É um misterioso anúncio profético da acção do Espírito Santo nas almas com a obra salvadora de Cristo: «dar-vos-ei um coração novo e porei em vós um espírito novo; arrancarei o coração de pedra das vossas carnes e dar-vos-ei um coração de carne» (Ez 36, 26). S. Paulo, como faz na 2ª Leitura de hoje, há-de desenvolver a ideia da acção do Espírito Santo nas almas dos cristãos (Rom 8).

 

Salmo Responsorial    Sl 129 (130),1-2.3-4ab.4c-6.7-8 (R. 7)

 

Monição: O salmo que vamos meditar é um cântico de humildade e confiança no Senhor, Pai de infinita misericórdia.

 

Refrão:        No Senhor está a misericórdia e abundante redenção.

 

Ou:               No Senhor está a misericórdia,

                no Senhor está a plenitude da redenção.

 

Do profundo abismo chamo por Vós, Senhor,

Senhor, escutai a minha voz.

Estejam os vossos ouvidos atentos

à voz da minha súplica.

 

Se tiverdes em conta as nossas faltas,

Senhor, quem poderá salvar-se?

Mas em Vós está o perdão,

para Vos servirmos com reverência.

 

Eu confio no Senhor,

a minha alma espera na sua palavra.

A minha alma espera pelo Senhor

mais do que as sentinelas pela aurora.

 

Porque no Senhor está a misericórdia

e com Ele abundante redenção.

Ele há-de libertar Israel

de todas as suas faltas.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na carta aos Romanos, lembra-nos que só há duas maneiras de viver sobre a terra: ou vivemos segundo o Espírito ou vivemos segundo a carne, ao sabor das nossas más tendências. Como é que nós queremos viver?

 

Romanos 8, 8-11

 

Irmãos: 8Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. 9Vós não estais sob o domínio da carne, mas do Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, não Lhe pertence. 10Se Cristo está em vós, embora o vosso corpo seja mortal por causa do pecado, o espírito permanece vivo por causa da justiça. 11E, se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós.

 

Temos, neste breve extracto de Rom 8, dois modos antitéticos de ser e de viver: segundo a carne e segundo o Espírito. Viver segundo a carne é o mesmo que levar uma vida de pecado, por isso, os que se encontram nesta situação «não podem agradar a Deus».

9-11 Depois de ter falado em geral, S. Paulo dirige-se directamente aos fiéis baptizados: o facto de o Espírito Santo habitar neles subtrai-os ao «domínio da carne». Este habitar do Espírito Santo no fiel é um ponto fulcral da fé pregada por Paulo (cf. 1 Cor 3, 16-17; 6, 19; cf. Jo 14, 23), o que é afirmado por três vezes neste pequeno trecho: vv. 9.11a.11b. Aparece como garantia da vitória sobre a carne (v. 9) e sobre a morte (v. 11). Note-se como o Espírito Santo é chamado tanto Espírito de Deus (o Pai) – nos vv. 9 e 11a –, como Espírito de Cristo (o Filho) – nos vv. 10 e 11b –; com efeito, o Espírito Santo «procede do Pai e do Filho» e nos é «enviado» pelo Pai e pelo Filho.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 11, 25a.26

 

Monição: Aclamemos o Senhor: Ele é a Ressurreição e a Vida.

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

Eu sou a ressurreição e a vida, diz o Senhor.

Quem acredita em Mim nunca morrerá.

 

 

Evangelho

 

Forma longa: São João 11, 1-45;         forma breve: São João 11, 3-7.17.20-27.33b-45

 

1Naquele tempo, [estava doente certo homem, Lázaro de Betânia, aldeia de Marta e de Maria, sua irmã. 2Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com perfume e Lhe tinha enxugado os pés com os cabelos. Era seu irmão Lázaro que estava doente.] 3As irmãs mandaram então dizer a Jesus: «Senhor, o teu amigo está doente». 4Ouvindo isto, Jesus disse: «Essa doença não é mortal, mas é para a glória de Deus, para que por ela seja glorificado o Filho do homem». 5Jesus era amigo de Marta, de sua irmã e de Lázaro. 6Entretanto, depois de ouvir dizer que ele estava doente, ficou ainda dois dias no local onde Se encontrava. 7Depois disse aos discípulos: «Vamos de novo para a Judeia». [8Os discípulos disseram-Lhe: «Mestre, ainda há pouco os judeus procuravam apedrejar-Te e voltas para lá?» 9Jesus respondeu: «Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. 10Mas se andar de noite, tropeça, porque não tem luz consigo». 11Dito isto, acrescentou: «O nosso amigo Lázaro dorme, mas Eu vou despertá-lo». 12Disseram então os discípulos: «Senhor, se dorme, estará salvo». 13Jesus referia-se à morte de Lázaro, mas eles entenderam que falava do sono natural. 14Disse-lhes então Jesus abertamente: «Lázaro morreu; por vossa causa, 15alegro-Me de não ter estado lá, para que acrediteis. Mas vamos ter com ele». 16Tomé, chamado Dídimo, disse aos companheiros: «Vamos nós também, para morrermos com Ele».] 17Ao chegar, Jesus encontrou o amigo sepultado havia quatro dias. [18Betânia distava de Jerusalém cerca de três quilómetros. 19Muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria, para lhes apresentar condolências pela morte do irmão.] 20Quando ouviu dizer que Jesus estava a chegar, Marta saiu ao seu encontro, enquanto Maria ficou sentada em casa. 21Marta disse a Jesus: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. 22Mas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Deus To concederá». 23Disse-lhe Jesus: «Teu irmão ressuscitará». 24Marta respondeu: «Eu sei que há-de ressuscitar na ressurreição, no último dia». 25Disse-lhe Jesus: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; 26e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá. Acreditas nisto?» 27Disse-Lhe Marta: «Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo». [28Dito isto, retirou-se e foi chamar Maria, a quem disse em segredo: «O Mestre está ali e manda-te chamar». 29Logo que ouviu isto, Maria levantou-se e foi ter com Jesus. 30Jesus ainda não tinha chegado à aldeia, mas estava no lugar em que Marta viera ao seu encontro. 31Então os judeus que estavam com Maria em casa para lhe apresentar condolências, ao verem-na levantar-se e sair rapidamente, seguiram-na, pensando que se dirigia ao túmulo para chorar. 32Quando chegou aonde estava Jesus, Maria, logo que O viu, caiu-Lhe aos pés e disse-Lhe: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido».] 33Jesus, [ao vê-la chorar, e vendo chorar também os judeus que vinham com ela,] comoveu-Se profundamente e perturbou-Se. 34Depois perguntou: «Onde o pusestes?» Responderam-Lhe: «Vem ver, Senhor». 35E Jesus chorou. 36Diziam então os judeus: «Vede como era seu amigo». 37Mas alguns deles observaram: «Então Ele, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito que este homem não morresse?» 38Entretanto, Jesus, intimamente comovido, chegou ao túmulo. Era uma gruta, com uma pedra posta à entrada. 39Disse Jesus: «Tirai a pedra». Respondeu Marta, irmã do morto: «Já cheira mal, Senhor, pois morreu há quatro dias». 40Disse Jesus: «Eu não te disse que, se acreditasses, verias a glória de Deus?» 41Tiraram então a pedra. Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse: «Pai, dou-Te graças por Me teres ouvido. 42Eu bem sei que sempre Me ouves, mas falei assim por causa da multidão que nos cerca, para acreditarem que Tu Me enviaste». 43Dito isto, bradou com voz forte: «Lázaro, sai para fora». 44O morto saiu, de mãos e pés enfaixados com ligaduras e o rosto envolvido num sudário. Disse-lhes Jesus: «Desligai-o e deixai-o ir». 45Então muitos judeus, que tinham ido visitar Maria, ao verem o que Jesus fizera, acreditaram n’Ele.

 

Neste domingo dito de Lázaro, temos o 7º e último dos sinais do IV Evangelho, que deixam ver Jesus como o Messias, não um messias sem mais, mas aquele que é a própria Vida, capaz de dar a vida aos mortos. É assim que o ponto culminante de toda esta secção (Jo 9) é a solene declaração de Jesus: «Eu sou a ressurreição e a vida» (v. 25). Mas toda a grandeza da sua pessoa divina aparece aqui tão profundamente humana, com uma sensibilidade tal que, perante a morte do amigo e a dor e desconsolo das irmãs do defunto, Ele se comove e perturba (v. 33.38), chegando mesmo a chorar (v. 35); Ele é o divino amigo, tão humanamente amigo! (vv. 3.5.11.36).

1 «Betânia» (ver Mt 26, 6; Mc 14, 3) era uma povoação situada na vertente oriental do Monte das Oliveiras, a uns 3 Km de Jerusalém (v. 18), distinta de outra Betânia, na Pereia (1, 28). Corresponde à actual El-Azariyeh, um nome derivado de Lázaro.

2 Porque esta unção do Senhor só é contada no capítulo 12, no Ocidente veio a pensar-se que esta Maria de Betânia seria a pecadora que em Lc 7, 37 tinha ungido o Senhor, o que não parece provável. Nenhuma das duas mulheres se deverá confundir com Maria Madalena (19, 25; 20, 1.18; Lc 8, 2). Foram confundidas no Ocidente inclusive no Missal Romano, até à reforma de Paulo VI.

25-26 São dois versículos paralelos, mas com distinto matiz: Jesus é a «Ressurreição», porque leva os crentes à ressurreição final (v. 25: «viverá») prefigurada na de Lázaro (que ainda não é a ressurreição gloriosa); e é a «Vida», porque dá aos crentes a vida espiritual (sobrenatural), uma vida que não morre (v. 26). Entendido assim o texto, teríamos aqui a síntese da escatologia já presente (tão típica de S. João) e da escatologia do fim dos tempos, compenetrando-se de forma harmoniosa e coerente.

39 «O quarto dia»: todos estão de acordo quanto ao significado simbólico da ressurreição de Lázaro, o que não quer dizer que esta seja um mero símbolo; se assim fosse, deveria ser ao terceiro dia, como a de Jesus, e não ao quarto dia.

44 Deixai-o andar. A tradução litúrgica «deixai-o ir» (para sua casa), embora gramaticalmente correcta, parece imprópria, pois pode fazer supor desinteresse de Jesus pela pessoa do seu amigo Lázaro…

49-53 Temos aqui mais um paradoxo: o último pontífice da Antiga Aliança, sem saber, profetiza a investidura de Jesus como o Sumo Sacerdote da Nova Aliança, selada com o seu próprio sangue. José Caifás (cf. Jo 18, 13-14.28) exerceu a sua função entre os anos 18 a 36 da era cristã.

 

Sugestões para a homilia

 

1.Jesus venceu a morte.

2.Um Deus que perdoa.

3.Vivamos uma vida nova.

 

1. Jesus venceu a morte: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e acredita em Mim nunca morrerá” ( Jo 11,25-26; Aclam. Ao Evangelho)

Podemos imaginar a admiração que um anúncio como este causou nos ouvintes, que pouco depois puderam constatar a verdade das palavras de Jesus quando, com a Sua ordem, Lázaro, que estava sepultado havia quatro dias, saiu vivo do sepulcro. Uma confirmação ainda mais espectacular dessa extraordinária afirmação, Jesus dá-la-á mais tarde quando, com a própria ressurreição no Domingo de Páscoa, alcançar a vitória definitiva sobre o mal e sobre a morte.

Quem acredita em Cristo e na Sua ressurreição, sabe que a morte de quem morre na Sua amizade e na Sua graça já não é morte mas apenas um adormecer em Cristo, até à ressurreição final, como nos dizia o Profeta Ezequiel na 1ª leitura: “Assim fala o Senhor Deus: Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo…Infundirei em vós o meu Espírito e revivereis” (Ez 37,14).

 

2. Um Deus que perdoa: “Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós”(Rom 8,9).

A proximidade da Páscoa lembra-nos um dos deveres característicos deste tempo litúrgico: o dever de confessar-nos, aproximando-nos com verdadeiro arrependimento do Sacramento da Penitência, acusando os nossos pecados com humildade e propósito de emenda. Este é um dos preceitos mais graves da Igreja: trata-se do Sacramento do perdão e da misericórdia de Deus; um Deus que perdoa é a maravilha das maravilhas. Recuperamos a vida divina recebida no nosso Baptismo, se é que a perdemos pelo pecado mortal, e recebemos energias novas e aumento da graça e amizade com Deus.

 

3. Vivamos uma vida nova.

Repitamos com Marta, irmã de Lázaro, o seu acto de fé: “Sim, Senhor, eu acredito que Tu és o Messias, o Filho de Deus que devia vir a este mundo” (Jo 11,27). Todos nós queremos hoje renovar a nossa fé em Jesus Cristo e aumentar a nossa amizade com Ele. Através da Sua morte e ressurreição é-nos comunicada a vida plena no Espírito santo. É esta vida divina que transforma a nossa existência em dom de amor a Deus e amor ao próximo.

Não podemos viver segundo a carne, ao sabor das más inclinações. Deixemo-nos conduzir pelo Espírito Santo que habita em nós, vivendo e actuando sempre “com aquela caridade que levou o Filho de Deus a dar a vida por nós” (Colecta). Amen.

 

Fala o Santo Padre

 

«A Ressurreição não é o regresso à vida precedente, mas a abertura de uma realidade nova,

uma «nova terra», finalmente reunida com o Céu de Deus.»

 

Amados irmãos e irmãs!

Faltam só duas semanas para a Páscoa, e todas as Leituras bíblicas deste domingo falam da ressurreição. Não ainda da ressurreição de Jesus, que irromperá como uma novidade absoluta, mas da nossa, aquela pela qual aspiramos e que precisamente Cristo nos doou, ressurgindo dos mortos. Com efeito, a morte representa para nós como que um muro que nos impede de ver além; contudo o nosso coração propende para além deste muro, e mesmo se não podemos conhecer o que ele esconde, contudo pensamo-lo, imaginamo-lo, expressando com símbolos o nosso desejo de eternidade.

Ao povo judaico, no exílio longe da terra de Israel, o profeta Ezequiel anuncia que Deus abrirá os sepulcros dos deportados e fá-los-á voltar à sua terra, para nela repousar em paz (cf. Ez 37, 12-14). Esta aspiração ancestral do homem por ser sepultado juntamente com os seus pais é desejo de uma «pátria» que o acolha no final das canseiras terrenas. Esta concepção ainda não inclui a ideia de uma ressurreição pessoal da morte, que só aparece nos finais do Antigo Testamento, e até na época de Jesus não era aceite por todos os Judeus. De resto, também entre os cristãos, a fé na ressurreição e na vida eterna não raramente é acompanhada por tantas dúvidas, confusões, porque se trata sempre de uma realidade que ultrapassa os limites da nossa razão, e exige um acto de fé. No Evangelho de hoje — a ressurreição de Lázaro — nós ouvimos a voz da fé pronunciada por Marta, a irmã de Lázaro. A Jesus que diz: «O teu irmão ressuscitará», ela responde: «Sei que ressuscitará na ressurreição do último dia» (Jo 11, 23-24). Mas Jesus responde: «Eu sou a ressurreição e a vida: quem crê em Mim, mesmo se morrer, viverá» (Jo 11, 25-26). Eis a verdadeira novidade, que prorrompe e supera qualquer barreira! Cristo abate o muro da morte, n’Ele habita toda a plenitude de Deus, que é vida, vida eterna. Por isso a morte não teve poder sobre Ele; e a ressurreição de Lázaro é sinal do seu domínio pleno sobre a morte física, que diante de Deus é como um sono (cf. Jo 11, 11).

Mas há outra morte, que custou a Cristo a luta mais dura, inclusive o preço da cruz: é a morte espiritual, o pecado, que ameaça arruinar a existência de cada homem. Para vencer esta morte Cristo morreu, e a sua Ressurreição não é o regresso à vida precedente, mas a abertura de uma realidade nova, uma «nova terra», finalmente reunida com o Céu de Deus. Por isso são Paulo escreve: «Se o Espírito de Deus, que ressuscitou Jesus dos mortos, habita em vós, aquele que ressuscitou Cristo dos mortos dará a vida também aos vossos corpos mortais por meio do seu Espírito que habita em vós» (Rm 8, 11). Queridos irmãos, dirijamo-nos à Virgem Maria, que já participa desta Ressurreição, para que nos ajude a dizer com fé: «Sim, ó Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus» (Jo 11, 27), a descobrir verdadeiramente que Ele é a nossa salvação.

 

Papa Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro, 10 de Abril de 2011

 

Oração Universal

 

Irmãos caríssimos:

Com a confiança na bondade do Senhor,

peçamos a graça da conversão

para todos nós, pecadores,

dizendo:

 

Ouvi-nos,Senhor,

 

1. Pelo Santo Padre, Bispos e Sacerdotes:

para que anunciem corajosamente o Reino de Cristo,

e façam brilhar diante dos homens a luz da sua fé,

oremos ao Senhor.

 

2. Pelos governantes das nações:

para que, trabalhando pela felicidade terrena dos homens,

promovam sempre a verdade, a justiça e a paz,

oremos ao Senhor.

 

3. Pelos emigrantes e pelos presos,

e pelos que vivem longe dos seus lares,

para que encontrem consolação nas suas penas,

oremos ao Senhor.

 

4. Por todos os fiéis defuntos,

em especial pelos que foram da nossa paróquia,

para que alcancem de Deus  misericórdia,

oremos ao Senhor

 

5. Por todos os que andam afastados de Deus,

para que o Senhor os converta,

e os atraia ao seu amor e ao seu perdão,

oremos ao Senhor.

 

6.  Por todos nós aqui presentes,

para que o Senhor nos fortaleça na fé,

e nos faça crescer na caridade,

oremos ao Senhor.

 

Deus todo-poderoso e eterno,

atendei, cheio de bondade , aqueles que Vos suplicam.

Nós Vos pedimos, por intercessão da Virgem Imaculada,

a conversão de todos os pecadores.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Dai-nos a vossa misericórdia, M. Simões, NRMS 17

 

Oração sobre as oblatas: Ouvi-nos, Senhor Deus omnipotente, e, pela virtude deste sacrifício, purificai os vossos servos que iluminastes com os ensinamentos da fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

A ressurreição de Lázaro

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Como verdadeiro homem, Ele chorou pelo seu amigo Lázaro; como Deus eterno, ressuscitou-o do túmulo; compadecido da humanidade, fez-nos passar da morte à vida, mediante os sacramentos pascais.

Por Ele Vos adoram no Céu os coros dos Anjos e se alegram eternamente na vossa presença. Com eles também nós proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: A. Cartageno, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

Este tempo quaresmal há-de levar-nos a aproximar-nos de Jesus com mais fé e com a alma mais purificada.

 

Cântico da Comunhão: Bendiz minha alma, M. Carneiro, NRMS 105

Jo 11, 26

Antífona da comunhão: Aquele que vive e crê em Mim não morrerá para sempre, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Senhor, fica connosco, M. Carneiro, NRMS 94

 

Oração depois da comunhão: Deus omnipotente, concedei-nos a graça de sermos sempre contados entre os membros de Cristo, nós que comungámos o seu Corpo e Sangue. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A nossa existência cristã, configurada pela Palavra de Deus e pelos Sacramentos, comporta uma relação pessoal com Cristo e um caminhar unidos a Ele, através de uma vida de fé e de amor. Com a graça do Senhor e as nossas boas obras ajudemos todos os homens a entrar por caminhos da fé e do amor a Cristo, de modo que venham um dia a ser felizes no Reino da eterna glória.

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, F. da Silva, NRMS 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

5ª SEMANA

 

2ª Feira, 7-IV:O perdão de Deus e a conversão.

Dan 13, 41-62 / Jo 8, 1-11

Ninguém te condenou? Ela respondeu: Ninguém, Senhor. Também eu não te condeno: Vai e, doravante, não tornes a pecar.

Susana foi acusada injustamente de um pecado de adultério, e salva de morte certa, pela intervenção do profeta Daniel (Leit.). O mesmo aconteceu à mulher adúltera, que foi salva por Jesus (Ev.).

Jesus, como Filho de Deus, tem o poder de perdoar os pecados, e exerce esse poder: «os teus pecados são-te perdoados», e confia esse poder aos sacerdotes. «A penitência leva o pecador a tudo suportar de bom grado: no coração, a contrição; na boca, a confissão; nas obras, toda a humildade e frutuosa satisfação» (CIC; 1450).

 

3ª Feira, 8-IV: 'Olhar' que cura.

Num 21, 4-9 / Jo 8, 21-30

Faz uma serpente de fogo e prende-a num poste. Todo aquele que, depois de mordido, olhar para ela, terá a vida salva.

Esta serpente é a imagem da Cruz de Cristo no Calvário. «Já no Antigo Testamento, Deus ordenou ou permitiu a instituição de imagens, que conduziriam simbolicamente à salvação pelo Verbo encarnado: por exemplo, a serpente de bronze» (CIC, 2130).

Jesus afirma: «Quando elevardes o Filho do Homem, então sabereis que 'Eu sou'». Quem 'olhar' para Cristo no alto, na Cruz, com arrependimento, terá a vida eterna. Podemos fazê-lo meditando nos mistérios dolorosos do Santo Rosário, fazendo a Via Sacra, olhando para um crucifixo, etc.

 

4ª Feira, 9-IV: A libertação da escravidão.

Dan 3, 14-20. 91-92 / Jo 8, 31-42

Bendito seja o Deus de Sidrach. Mandou o seu Anjo, para livrar os seus servidores, que tiveram confiança n'Ele.

Embora sendo escravos do rei da Babilónia, os três jovens foram salvos e libertados pela sua confiança em Deus, que é a Verdade (Leit.).

Jesus recorda-nos igualmente que é a «verdade que vos libertará» (Ev.), e que Ele levou a cabo pela sua Paixão. «Pela sua Cruz gloriosa, Cristo obteve a salvação de todos os homens. Resgatou-os do pecado, que os retinha na situação de escravatura. 'Foi para a liberdade que Cristo nos libertou» (CIC, 1741). Procuremos chegar ao conhecimento da Verdade, que está contida nos ensinamentos de Jesus (Ev.).

 

5ª Feira, 10-IV: Fidelidade a Aliança.

Gen 17, 3-9 / Jo 8, 51-59

Vou estabelecer uma Aliança contigo e, depois de ti, com a tua descendência de geração em geração.

«A esperança cristã retoma e realiza a esperança do povo eleito, que tem a sua origem na esperança de Abraão, o qual, em Isaac, foi cumulado de promessas de Deus e purificado pela provação do sacrifício (Leit)» (CIC, 1819).

A Aliança estabelecida com Abraão foi renovada, de uma vez para sempre, por Cristo na Cruz. A Eucaristia é um memorial da Páscoa de Cristo e também um sacrifício que se manifesta nas palavras da instituição (CIC, 1365). Sejamos fiéis à nova Aliança, cumprindo o que prometemos a Deus, pedindo a sua ajuda em cada Missa.

 

6ª Feira, 11-IV: Venceremos com a oração e o sinal da Cruz.

Jer 20, 10-13 / Jo 10, 31-42

Mas o Senhor está comigo como herói poderoso e os meus perseguidores cairão vencidos.

Este herói poderoso é Cristo, que veio à terra para vencer o demónio. O Pai consagrou-o e enviou-o ao mundo: «O Pai está em mim e eu no Pai» (Ev.).

O demónio continua a dispor de algum poder sobre o mundo. Por isso, a nossa vida é um combate, mas temos a oração e a Cruz como recursos para vencê-lo: «Foi pela oração que Jesus venceu o tentador desde o princípio e no último combate da sua agonia» (CIC, 2849); «O Sinal da Cruz manifesta a marca de Cristo impressa naquele que vai passar a pertencer-lhe, e significa a graça da redenção, que Cristo nos adquiriu pela Cruz» (CIC, 1235).

 

Sábado, 12-IV: Meios para obter a unidade dos cristãos.

Ez 37, 21-28 / Jo 11, 45-56

Vou reuni-los de toda a parte. Farei deles um só povo.

Segundo esta profecia, Deus promete reunir os filhos de Israel, dispersos por toda a parte. E Caifás afirma que a unidade dos filhos de Israel será fruto da morte de Cristo (Ev.). Mas é também dom do Espírito Santo que, no dia de Pentecostes, reuniu uma enorme multidão, de diferentes línguas. «A descendência de Abraão será o Cristo, no qual a efusão do Espírito Santo fará a 'unidade dos filhos de Deus dispersos'» (CIC; 706).

A oração do Pai-nosso ajuda à unidade: «Rezar o Pai-nosso é orar com e por todos os homens que ainda não O conhecem, para que sejam reunidos na unidade» (Ev.)» (CIC, 2739).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Alfredo A. Melo

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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