3º Domingo da Quaresma

23 de Março de 2014

 

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios para o Baptismo dos adultos, neste domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Escutai, Senhor, e respondei-me, F. da Silva, NRMS 94

Salmo 24, 15-16

Antífona de entrada: Os meus olhos estão voltados para o Senhor, porque Ele livra os meus pés da armadilha. Olhai para mim, Senhor, e tende compaixão porque estou só e desamparado.

 

ou

Ez 36, 23-26

Quando Eu manifestar em vós a minha santidade, hei-de reunir-vos de todos os povos, derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de toda a iniquidade. Eu vos darei um espírito novo, diz o Senhor.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Embora com muitas alegrias, a nossa vida faz lembrar uma longa travessia pelo deserto, durante a qual somos constantemente atormentados pela sede.

Ela manifesta-se por uma inquietação constante que nos faz andar à procura. Nunca estamos contentes com o que temos e somos.

Atormenta-nos a sede dos bens materiais, agravada pela publicidade desta sociedade de consumo. Procuramos a paz, a compreensão, a amizade sincera e sonhamos com a glória da afirmação pessoal, de aplausos dos outros. Se nos descuidamos um momento, damos connosco mesmos a correr atrás de prazeres sensíveis que embrutecem.

Afinal, qual é a verdadeira esperança que nos faz correr na vida? Quando e onde poderemos saciar esta sede de tantas coisas que nos atormenta constantemente?

 

Acto penitencial

 

O Senhor repete-nos com insistência que só Ele poderá saciar a sede que nos devora, mas nós sentimos dificuldade em confiar n’Ele, e continuamos a procura de enganos. Cada pecado em que nos deixamos apanhar é a história de mais um engano.

Peçamos-Lhe nos ajude a reconhecer os nossos erros e faltas de confiança, e nos dê coragem para a emenda de vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Para a nossa falta de fortaleza em aceitar

    que só no Amor de Deus seremos felizes,

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Para as cedências à paixões desordenadas,

    por pensamentos, palavras, obras e omissões,

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Para a falta de arrependimento e propósito,

    no Sacramento da Reconciliação e Penitência

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus, Pai de misericórdia e fonte de toda a bondade, que nos fizestes encontrar no jejum, na oração e no amor fraterno os remédios do pecado, olhai benigno para a confissão da nossa humildade, de modo que, abatidos pela consciência da culpa, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Na longa peregrinação pelo deserto, depois da libertação do Egipto, o Povo de Deus sentiu-se atormentado pela sede e começou a murmurar contra Deus, em vez de confiar n’Ele.

Com divina magnanimidade o Senhor respondeu-lhe fazendo brotar torrentes de água do rochedo.

 

Êxodo 17, 3-7

 

3Naqueles dias, o povo israelita, atormentado pela sede, começou a altercar com Moisés, dizendo: «Porque nos tiraste do Egipto? Para nos deixares morrer à sede, a nós, aos nossos filhos e aos nossos rebanhos?» 4Então Moisés clamou ao Senhor, dizendo: «Que hei-de fazer a este povo? Pouco falta para me apedrejarem». 5O Senhor respondeu a Moisés: «Passa para a frente do povo e leva contigo alguns anciãos de Israel. Toma na mão a vara com que fustigaste o Rio e põe-te a caminho. 6Eu estarei diante de ti, sobre o rochedo, no monte Horeb. Baterás no rochedo e dele sairá água; então o povo poderá beber». Moisés assim fez à vista dos anciãos de Israel. 7E chamou àquele lugar Massa e Meriba, por causa da altercação dos filhos de Israel e por terem tentado o Senhor, ao dizerem: «O Senhor está ou não no meio de nós?»

 

O relato é situado em Refidim (v. 1), um oásis na península do Sinai a cerca de uma dúzia de quilómetros do monte que se considera ser o da grande teofania do Sinai, o Djébel Músa.

O episódio que constituiu uma prova e fonte de litígio, enquadra-se bem na vida no deserto do Sinai, onde abunda a fome e a sede e escasseiam os oásis; a narrativa é apresentada a dar lugar ao nome de dois sítios: «Meribá», que, segundo uma etimologia popular, designa a disputa ou litígio (do povo com Moisés) e «Massá», nome correspondente a prova ou tentação. Este pecado de falta de fé do povo na Providência divina é muitas vezes posto em relevo na Sagrada Escritura: Dt 6, 16; 9, 22-24; 33, 8; Salm 95, 8-9. Também aparece sublinhada a falta de fé do próprio chefe, Moisés, cuja dúvida o levou a bater duas vezes na rocha (cf. Nm 20, 1-13; Dt 32, 51; Salm 106, 32).

 

Salmo Responsorial    Sl 94 (95), 1-2.6-7.8-9 (R. cf. 8)

 

Monição: As provações de cada dia são como a sede corporal e podem ser encaradas como apelos a que renovemos a nossa confiança no Senhor. O salmo 94 convida-nos a fazê-lo.

 

Refrão:        Se hoje ouvirdes a voz do Senhor,

                     não fecheis os vossos corações.

 

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,

aclamemos a Deus, nosso salvador.

Vamos à sua presença e dêmos graças,

ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

 

Vinde, prostremo-nos em terra,

adoremos o Senhor que nos criou.

Pois Ele é o nosso Deus

e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

 

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:

«Não endureçais os vossos corações,

como em Meriba, como no dia de Massa no deserto,

onde vossos pais Me tentaram e provocaram,

apesar de terem visto as minhas obras.

 

Segunda Leitura

 

Monição: No texto da Carta aos fiéis de Roma, S. Paulo repete-nos, embora por outras palavras, os ensinamentos da primeira leitura: Deus acompanha cada um de nós – membro do Seu Povo –nos caminhos da vida. Apesar das nossas infidelidades e pecados, insiste em oferecer-nos a salvação, com gratuita e incondicional generosidade.

 

Romanos 5, 1-2.5-8

 

Irmãos: 1Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, 2pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. 5Ora, a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. 6Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. 7Dificilmente alguém morre por um justo; por um homem bom, talvez alguém tivesse a coragem de morrer. 8Deus prova assim o seu amor para connosco: Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores.

 

Dentro do tema central da epístola, a obra da nossa justificação realizada por Cristo, S. Paulo aponta aqui os efeitos desta sua obra salvadora: a «paz» (v. 1), o «acesso à graça», um orgulho santo, e a esperança (v. 2), uma «esperança que não engana», porque tem como fundamento o «amor de Deus». «Esta graça em que permanecemos» é a graça santificante, a graça da justificação, que nos torna santos, justos, amigos de Deus e em paz com Ele.

5 «A esperança não engana», não nos deixa confundidos, um tema desenvolvido a fundo na encíclica Spe salvi. A teologia católica insiste numa qualidade da virtude teologal da esperança: a certeza, que procede da virtude da fé e que se baseia na fidelidade de Deus às suas promessas, na sua misericórdia e omnipotência. Esta firmeza da esperança não obsta a uma certa desconfiança de si próprio, pelo mau uso que se possa vir a fazer da liberdade: daqui a recomendação de S. Paulo: «trabalhai com temor e tremor na vossa salvação» (Filp 2, 12). «O amor de Deus foi derramado em nossos corações»; aqui está a garantia de que a nossa esperança não é ilusória, mas firme. Este amor não é apenas algo que se situa fora de nós próprios, uma mera atitude de benevolência divina extrínseca, mas é um dom que se encontra derramado em nossos corações «pelo Espírito Santo que nos foi dado». Fala-se neste texto dum dom e dum doador; daqui que a Teologia explicite que esse dom é a virtude infusa da caridade, inseparável da graça santificante (cf. DzS 800-821), isto é, um «hábito» permanente, bem expresso pelo particípio perfeito passivo do original grego («que permanece derramado»); o doador é o Espírito Santo que, por sua vez, também «nos foi dado»; Ele é a graça incriada: por isso se pode falar da inabitação da Santíssima Trindade na alma do justo.

6-8 Este amor de Deus não é uma teoria, pois ele se revela na morte de Jesus pelos pecadores.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 4, 42.15

 

Monição: No diálogo com a samaritana, junto ao poço de Sicar, Jesus acaba por lhe revelar que só Ele pode tornar-nos felizes.

Agradeçamos-lhe esta verdade que nos torna felizes e manifestemos a nossa alegria, aclamando o Evangelho.

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

Senhor, Vós sois o Salvador do mundo:

dai-nos a água viva, para não termos sede.

 

 

Evangelho

 

Forma longa: São João 4, 5-42;                          forma breve: São João 4, 5-15.19b-26.39a40-42

 

5Naquele tempo, chegou Jesus a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, junto da propriedade que Jacob tinha dado a seu filho José, 6onde estava a fonte de Jacob. Jesus, cansado da caminhada, sentou-Se à beira do poço. Era por volta do meio-dia. 7Veio uma mulher da Samaria para tirar água. Disse-lhe Jesus: «Dá-Me de beber». 8Os discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos. 9Respondeu-Lhe a samaritana: «Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber, sendo eu samaritana?» De facto, os judeus não se dão com os samaritanos. 10Disse-lhe Jesus: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: ‘Dá-Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva». 11Respondeu-Lhe a mulher: «Senhor, Tu nem sequer tens um balde, e o poço é fundo: donde Te vem a água viva? 12Serás Tu maior do que o nosso pai Jacob, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu, com os seus filhos e os seus rebanhos?» 13Disse-Lhe Jesus: «Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede. 14Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der tornar-se-á nele uma nascente que jorra para a vida eterna». 15«Senhor, – suplicou a mulher – dá-me dessa água, para que eu não sinta mais sede e não tenha de vir aqui buscá-la». [16Disse-lhe Jesus: «Vai chamar o teu marido e volta aqui». 17Respondeu-lhe a mulher: «Não tenho marido». Jesus replicou: «Disseste bem que não tens marido, 18pois tiveste cinco e aquele que tens agora não é teu marido. Neste ponto falaste verdade». 19Disse-lhe a mulher: «Senhor,] vejo que és profeta. 20Os nossos antepassados adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar». 21Disse-lhe Jesus: «Mulher, podes acreditar em Mim: Vai chegar a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. 23Mas vai chegar a hora – e já chegou – em que os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são esses os adoradores que o Pai deseja. 24Deus é espírito e os seus adoradores devem adorá-l’O em espírito e verdade». 25Disse-Lhe a mulher: «Eu sei que há-de vir o Messias, isto é, Aquele que chamam Cristo. Quando vier, há-de anunciar-nos todas as coisas». 26Respondeu-lhe Jesus: «Sou Eu, que estou a falar contigo». [27Nisto, chegaram os discípulos e ficaram admirados por Ele estar a falar com aquela mulher, mas nenhum deles Lhe perguntou: «Que pretendes?» ou então: «Porque falas com ela?» 28A mulher deixou a bilha, correu à cidade e falou a todos: 29«Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não será Ele o Messias?» 30Eles saíram da cidade e vieram ter com Jesus. 31Entretanto, os discípulos insistiam com Ele, dizendo: «Mestre, come». 32Mas Ele respondeu-lhes: «Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis». 33Os discípulos perguntavam uns aos outros: «Porventura alguém Lhe trouxe de comer?» 34Disse-lhes Jesus: «O meu alimento é fazer a vontade d’Aquele que Me enviou e realizar a sua obra. 35Não dizeis vós que dentro de quatro meses chegará o tempo da colheita? Pois bem, Eu digo-vos: Erguei os olhos e vede os campos, que já estão loiros para a ceifa. 36Já o ceifeiro recebe o salário e recolhe o fruto para a vida eterna e, deste modo, se alegra o semeador juntamente com o ceifeiro. 37Nisto se verifica o ditado: ‘Um é o que semeia e outro o que ceifa’. 38Eu mandei-vos ceifar o que não trabalhastes. Outros trabalharam e vós aproveitais-vos do seu trabalho».] 39Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus, por causa da palavra da mulher, [que testemunhava: «Ele disse-me tudo o que eu fiz». 40Por isso] os samaritanos, quando vieram ao encontro de Jesus, pediram-Lhe que ficasse com eles. E ficou lá dois dias. 41Ao ouvi-l’O, muitos acreditaram 42e diziam à mulher: «Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo».

 

A leitura contém uma das mais encantadoras cenas de todo o Evangelho. Um belíssimo diálogo pedagógico inicial conduz a uma proposta misteriosa de Jesus (v.10), que suscita o vivo interesse da mulher, a qual passa da incompreensão (vv. 11-12) ao acolhimento da auto-revelação de Jesus e a tornar-se por fim numa apóstola de Cristo. O diálogo atinge o clímax, o ponto culminante, no v. 26: «(o Messias) sou Eu, que estou a falar contigo!»

5-6 «Sicar», que muitos querem identificar com a Siquém dos tempos dos Patriarcas, destruída em grande parte por João Hircano em 128 a. C., costuma identificar-se com a actual Askar, no sopé do monte Ebal, perto da antiga Siquém e da actual Nablus, a maior cidade dos palestinos (cf. Gn 33, 19; 48, 22; Jos 24, 32. O «poço», com 32 metros, conserva-se na cripta duma igreja feita pelos cruzados sobre as ruínas de templos sucessivamente destruídos, primeiro pelos samaritanos, depois pelos maometanos por duas vezes; em 1863 uma comunidade grega ortodoxa reconstruiu essa cripta, onde o peregrino continua a poder beber água tirada com um balde preso a uma corda.

6 «Jesus, cansado da caminhada, sentou-Se à beira do poço». João, que pretende demonstrar a divindade de Jesus no seu Evangelho (cf. Jo 20, 31), não descuida deixar ver bem clara a humanidade do Senhor. Eis o belíssimo comentário de Santo Agostinho: «Não é em vão que se fatiga o poder de Deus. Não é em vão que se fatiga Aquele cuja ausência nos causa fadiga e cuja presença nos conforta. (...) Jesus fatigou-Se com o caminho por nosso amor. Encontramos ali Jesus que é força e encontramo-Lo fatigado. Jesus é forte e é fraco. (...) A força de Cristo deu-nos a vida e a fraqueza de Cristo deu-nos a nova vida. A força de Cristo fez que existisse o que não existia; a fraqueza de Cristo fez que não perecesse o que existia. Cristo criou-nos pela sua força e salvou-nos pela sua fraqueza» (In Ioh. Tractus XV, 6).

9 «Sendo eu samaritana». Os samaritanos eram um povo misto, resultado do cruzamento dos judeus não desterrados por Sargão II na destruição do reino do Norte em 721, com os colonos assírios que para ali foram mandados. As rivalidades, que vinham dos inícios da monarquia, com a divisão em dois reinos (cf. 1 Re 12; 17, 24-34), acirraram-se com a reforma de Esdras e Neemias no regresso do exílio, até que se consumou o cisma religioso. Eles consideravam-se autênticos israelitas e seguiam os cinco livros de Moisés (o Pentateuco Samaritano). Mas os judeus consideravam-nos semi-pagãos e cismáticos, pois sobre o monte Garizim tinham chegado a construir um templo, rival do de Jerusalém. O ódio e desprezo dos judeus pelos samaritanos era tão grande que, quando querem insultar a Jesus chamam-no «samaritano» (Jo 8, 48), o que equivalia a chamar-Lhe um renegado, talvez pelos contactos de Jesus com as gentes da Samaria, quando um judeu praticante devia abster-se de todo o contacto com os samaritanos.

10-15 «Se conhecesses…»: conhecer, na linguagem bíblica, não se reduz a estar informado, mas implica uma vivência, como se Jesus dissesse: «Se tu tivesses a experiência da vida que Deus tem para te dar...». «Água viva»: dá-se aqui um mal-entendido, pois a samaritana pensa em água corrente, por oposição à água estagnada do poço, quando Jesus lhe fala assim, recorrendo a um símbolo bíblico tradicional (cf. Is 12, 3; 44, 3; Jr 2, 13; 17, 13; Salm 36, 10; ver Apoc 21, 6; 22, 17) para falar dum dom divino que no IV Evangelho se exprime em diversas categorias sobrenaturais paralelas e que se iluminam mutuamente: vida eterna, salvação, o próprio Jesus, o Espírito Santo, como se explicita em 7, 38-39. A imagem da água viva tem mais força se temos em conta o que diz o Targum acerca dum poço de Jacob que transbordou jorrando água durante 20 anos. 

17 «Tiveste cinco maridos»: O contexto deixa ver que a mulher tinha levado uma vida escandalosa (ver v. 29); embora alguns queiram ver que temos aqui um símbolo do antigo politeísmo dos samaritanos (2 Re 17, 29-41) que adoraram 5 ídolos (na realidade o texto fala de 7) e agora tinham um culto ilegítimo; mas esta hipotética alusão não anularia o valor do acontecimento relatado.

19-24 Ao ver que Jesus penetra nos segredos da sua vida irregular, reconhece que está diante dum profeta, por isso lhe põe a grande questão que opunha os samaritanos aos judeus, a saber, o lugar do culto (cf. Dt 12, 5), que eles celebravam no monte Garizim, mesmo depois de destruído o seu templo cismático por João Hircano. Jesus declara que com Ele tinha chegado a hora em que já não tem sentido essa questão acerca do «lugar», pois o culto antigo ficava ultrapassado e abolido, sendo Ele próprio o novo templo (cf. Jo 2, 19.21). Começava um novo culto «em espírito e verdade»; mas isto não significa um culto mais interior e menos ritualista, como pregaram os profetas, nem que se devam suprimir todos os ritos externos. Trata-se de que Deus é espírito (cf. v. 24), isto é, que infunde uma nova vida, a sua vida divina; por isso o culto tem de corresponder a essa novidade de vida (Rom 6, 19), digamos, um culto que nos envolva na própria vida trinitária: adorar o Pai no Espírito Santo (sob o seu impulso) e na Verdade (através de Jesus que é a Verdade: 1, 14; 14, 6).

35-38 É fácil de descobrir o sentido da alegoria do semeador e dos ceifeiros: nos campos de trigo há um espaço de tempo entre a sementeira e a ceifa, mas no campo de Deus o fruto pode ser imediato, como aconteceu ali; no entanto, o habitual será que se confirme o ditado (v. 37; ver Miq 6, 15; Act 8, 4-25). Os discípulos aparecem como os ceifeiros enviados a colher o que «outros» – os profetas e Jesus principalmente – semearam.

42 «Salvador do mundo»: cf. 3, 17; 12, 47; 1 Jo 4, 14; Is 19, 20; 43, 3; Lc 1, 47; 1 Tm 4, 10; Filp 3, 20; Mt 1, 21; Act 5, 31; 13, 23.

 

Sugestões para a homilia

 

• As provações da vida presente

As sedes que nos atormentam

A falta de confiança em Deus

A magnanimidade do Senhor para connosco

• Jesus, fonte da água viva

A verdadeira água que procuramos

Necessidade da conversão pessoal

Arautos da Boa Nova

 

Na sua caminhada pelo deserto, depois de ter sido libertado pelo Senhor da escravidão do Egipto, o Povo de Deus enfrenta sérias dificuldades de sobrevivência, por causa da falta de água.

Estão num ambiente desolado, num deserto, perto do Monte Sinai em que Deus Se revelara a Moisés e lhes entregara as duas Tábuas da Lei.

Em vez de confiarem n’Ele, começam a manifestar descontentamento e a revoltar-se.

È muito fácil confiar em Deus quando tudo corre ao nosso gosto, mas nem sempre pode acontecer assim.

 

1. As provações da vida presente

 

a) As sedes que nos atormentam. «Naqueles dias, o povo israelita, atormentado pela sede»

A água é essencial para a vida. A falta deste elemento natural provoca no nosso organismo um mal-estar progressivo que pode levar à morte.

Pode-se enganar a fome durante algum tempo, mas não a sede. É possível resistir algum tempo sem comer, mas sem a bebida, não, porque cerca de 70% do nosso corpo é água e estamos numa desidratação constante.

A sede é uma figura dos nossos muitos desejos. Movimentamo-nos constantemente para os satisfazer. Uns são mais importantes do que outros.

Todos devem estar centralizados num só: o desejo de amar a Deus sobre todas as coisas. A pessoa dos nossos desejos tem um Nome que está acima de todos os nomes: Jesus Cristo.

A mensagem da Palavra de Deus deste Domingo faz-nos regressar ao tema da esperança cristã. Quais são os desejos que nos inquietam?

Corremos o perigo de nos preocuparmos só com as necessidades imediatas ou de orientar toda a nossa vida para os prazeres sensíveis, para a glória pessoal ou para o dinheiro que nos facilita uma vida instalada.

(S. Josemaria Escrivá preocupava-se muito, quando esteve na paróquia de Perdiguera, porque o filho da família que o hospedara nunca frequentava a catequese. Saía de manhã com o gado para os pastos e regressava à noite. Por isso, começou a sair com ele alguns dias, para lhe ensinar a catequese. Falou-lhe do Céu, mas ele no tinha qualquer ideia. Perguntou-lhe que faria, se tivesse muito dinheiro. Aqui o rapaz pareceu entender, sorriu-se e respondeu: “Se eu tivesse muito dinheiro havia de tomar cada sopa de vinho!...” Era toda a felicidade com que sonhava).

 

b) A falta de confiança em Deus. «começou a altercar com Moisés, dizendo: «”Porque nos tiraste do Egipto? Para nos deixares morrer à sede, a nós, aos nossos filhos e aos nossos rebanhos?”»

O Povo de Deus sabe vagamente para onde vai, porque o Senhor tinha prometido que lhes daria uma terra onde manava o leite e o mel, mas faltava-lhe a confiança n’Ele e no Seu servo Moisés.

Chegaram ao ponto de desconfiar das intenções do seu guia e murmuraram contra ele. «Por que nos tiraste do Egipto? Para nos deixares morrer à sede, a nós, aos nossos filhos e aos nossos rebanhos

Nós procedemos, à vezes, de modo semelhante. Por mais provas de amor que o Senhor nos tenha dado na vida, queixamo-nos d’Ele à mais pequena contrariedade. Procedemos como crianças caprichosas.

Quando sentimos uma necessidade queremos que Deus a satisfaça imediatamente: a recuperação da saúde, a libertação de um aperto económico, etc.

(Quem anda com óculos escuros, acaba por ver até as flores de cor escura, por mais belas que sejam). Nós olhamos para a vida que o Senhor nos concede com óculos escuros.

Outras vezes, as desconfianças são mais profundas: queremos escolher o nosso caminho. O Senhor indica-nos o caminho dos Mandamentos e nós queremos outro.

 

c) A magnanimidade do Senhor para connosco. «”Baterás no rochedo e dele sairá água; então o povo poderá beber”»

As provações da vida que o Senhor permite são uma ocasião para crescermos na confiança n’Ele. Já recebemos muitas provas do Amor que Ele dedica a cada um de nós.

Toda a natureza está organizada para serviço da pessoa humana: a chuva e o sol; as quatro estações do ano; as culturas; e até o ar que respiramos. Deus cuida de cada uma de nós.

(Que seria da criança ainda de berço, se a mãe no cuidasse dela? Há muitos benefícios que recebemos de Deus e de que nem nos chegamos a aperceber).

Na cena do Livro do Êxodo aparece um vislumbre da magnanimidade de Deus. O povo murmura e desconfia das boas intenções de Moisés; e o Senhor responde a esta ofensa, no com castigos, mas fazendo brotar miraculosamente a água com abundância do rochedo, para que as pessoas e os animais se possam dessedentar.

Deus nunca nos abandona. Está sempre atento às nossas necessidades e faz que tudo resulte para nosso bem.

 

2. Jesus, fonte da água viva

 

Com divina sabedoria, Jesus espera a mulher junto do poço onde ela virá recolher água. Ele espera-nos quando menos o contamos.

Está cansado e tinha direito a que O deixassem em paz. Mas quer ensinar-nos que todas as ocasiões são boas para ajudar as outras pessoas.

Começa por pedir, num acto de humildade. Se tivesse começado por oferecer os Seus préstimos, a mulher, por orgulho, teria recusado.

Num primeiro momento, ela responde com agressividade, porque, de facto, desde há muito que os judeus e samaritanos nem sequer se falavam. (Às vezes as pessoas são agressivas porque estão doentes interiormente e fazem sofrer as que vivem com elas).

Depois, passa à ironia, porque Jesus nem sequer tem uma corda nem um balde para tirar a água do poço que mediria cerca de trinta metros.

Com divina paciência, Jesus vai abrindo os olhos a esta mulher perdida.

 

a) A verdadeira água que procuramos. «Disse lhe Jesus: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: ‘Dá-Me de beber’, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva”»

A verdadeira água a que Ele Se refere é a participação na vida de Deus, pela graça santificante. Enquanto as pessoas andam de pecado em pecado, de prazer em prazer, sentem-se de cada vez mais infelizes.

Só quando se deixam cair nos braços de Deus é que encontram a verdadeira felicidade. Recuperamos a graça santificante pela conversão pessoal, concretizada numa confissão bem feita, com sinceridade, arrependimento e propósito firme de emenda.

Disse-o santo Agostinho, porque o experimentou: “Fizestes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração anda inquieto até que repousa em Vós!”

Experimentaram-no todos os convertidos: Eva Lavallière, Santa Teresa Benedita da Cruz, o beato Mateus Talbot, que era prisioneiro do álcool.

Podemos testemunhar nós também como no trocaríamos a nossa felicidade por nada deste mundo quando, de verdade, nos encontramos com o Senhor.

 

b) Necessidade da conversão pessoal. Disse Lhe Jesus: “Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede. Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede: a água que Eu lhe der tornar se á nele uma nascente que jorra para a vida eternal”.»

Converte-se é encontrar-se consigo próprio, para depois se encontrar com Deus. A mulher foge a esta verdade, até que Jesus lhe faz uma proposta que a obriga a falar verdade: “Vai chamar o teu marido!”

E quando ela confessa que não tem marido, Jesus aproveita a ocasião para lhe mostrar a vida em que andava metida. O facto de Jesus “adivinhar” a sua vida foi a última prova de que estava diante do Messias há muito esperado.

A conversão é isto mesmo: encontrar-se com Jesus, reconhecer que estamos mal e fazer esforço para nos reconciliarmos com Deus. A conversão passa pelo arrependimento dos nossos pecados e pela emenda de vida.

Com divino carinho, quando ela confessa, envergonhada, que no tem marido, Jesus diz-lhe: “Respondeste bem, porque este com quem vives no é teu marido!”

Ela faz então p primeiro acto de fé e sente-se feliz, por ter encontrado o caminho da salvação.

Sem reconhecer a situação em que estamos e acabar com ela por uma verdadeira confissão e emenda de vida no há possibilidade de recuperar a graça baptismal perdida pelo pecado.

 

c) Arautos da Boa Nova. «Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus, por causa da palavra da mulher

 A samaritana não se deu por satisfeita por ter encontrado a felicidade. Correu à cidade e chamou as pessoas da sua terra.

Também eles corresponderam a este momento de graça, porque no só acreditaram em Jesus Salvador como do mundo, mas pediram-Lhe que ficasse algum tempo com eles, para os instruir. E, de facto, Jesus ficou com eles alguns dias.

Nós somos muito mais felizes, porque Ele mora na nossa terra, no Sacrário da nossa Igreja; convida-nos para nos encontrarmos com Ele todos os Domingos, não só para nos instruir, mas para nos dar a água viva da sagrada Comunhão, que é Ele próprio.

(Realizou uma semana de pregação numa freguesia que no tinha habitualmente o Santíssimo sacramento no Sacrário. Acorreram em grande número. Quando chegou o último dia, foi consumida a hóstia e o sacerdote apagou a lâmpada, aquela gente rompeu num choro convulso. Tinham descoberto a riqueza que era ter Jesus Cristos com eles.)

Agradeçamos a presença amiga de Jesus Cristo, dialogando connosco, e peçamos-Lhe a graça de nos convertermos verdadeiramente cada dia e chamarmos as outras pessoas para junto d’Ele.

 

Fala o Santo Padre

 

«Quem renasce da água e do Espírito Santo,

entra numa relação real com Deus, uma relação filial.»

 

Prezados irmãos e irmãs

Este 3º Domingo de Quaresma é caracterizado pelo célebre diálogo de Jesus com a mulher samaritana, narrado pelo evangelista João. A mulher ia todos os dias tirar água de um antigo poço, que remontava ao patriarca Jacob, e naquele dia encontrou ali Jesus, sentado, «cansado da viagem» (Jo 4, 6). Santo Agostinho comenta: «Não é sem motivo que Jesus se cansa... A força de Cristo criou-te, a debilidade de Cristo voltou a criar-te... Com a sua força criou-nos, com a sua debilidade veio à nossa procura» (In Ioh. Ev., 15, 2). A fadiga de Jesus, sinal da sua verdadeira humanidade, pode ser vista como um prelúdio da paixão, com a qual Ele completou a obra da nossa redenção. Sobretudo, no encontro com a Samaritana no poço, sobressai o tema da «sede» de Cristo, que culmina com o seu brado na cruz: «Tenho sede» (Jo 19, 28). Esta sede, como o cansaço, tem uma base física. Mas Jesus, como diz ainda Agostinho, «tinha sede da fé daquela mulher» (In Ioh. Ev. 15, 11), assim como da fé de todos nós. Deus Pai enviou-o para saciar a nossa sede de vida eterna, concedendo-nos o seu amor, mas para nos oferecer esta dádiva, Jesus pede-nos a nossa fé. A omnipotência do Amor respeita sempre a liberdade do homem; bate à porta do seu coração e aguarda com paciência a sua resposta.

No encontro com a Samaritana ressalta-se em primeiro plano o símbolo da água, que alude claramente ao sacramento do Baptismo, nascente de vida nova para a fé na Graça de Deus. Com efeito, este Evangelho — como recordei na Catequese de Quarta-Feira de Cinzas — faz parte do antigo itinerário de preparação dos catecúmenos para a iniciação cristã, que ocorria na grande Vigília da noite de Páscoa. «Aquele que beber da água que eu lhe der — diz Jesus — jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der tornar-se-á nele a fonte de água, que há-de jorrar para a vida eterna» (Jo 4, 14). Esta água representa o Espírito Santo, o «dom» por excelência que Jesus veio trazer da parte de Deus Pai. Quem renasce da água e do Espírito Santo, ou seja, no Baptismo, entra numa relação real com Deus, uma relação filial, e pode adorá-lo «em espírito e verdade» (Jo4, 23.24), como revela de novo Jesus à mulher samaritana. Graças ao encontro com Jesus Cristo e ao dom do Espírito Santo, a fé do homem alcança o seu cumprimento, como resposta à plenitude da revelação de Deus.

Cada um de nós pode identificar-se com a mulher samaritana: Jesus espera-nos, especialmente neste tempo de Quaresma, para falar ao nosso, ao meu coração. Permaneçamos um momento em silêncio, no nosso quarto, ou numa igreja, ou num lugar afastado. Ouçamos a sua voz que nos diz: «Se conhecesses o dom de Deus...». A Virgem Maria nos ajude a não faltar a este encontro, do qual depende a nossa verdadeira felicidade.

 

Papa Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro, 27 de Março de 2011

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

depois de nos ter iluminado com a luz da Sua Palavra,

o Senhor põe-Se à nossa disposição para nos atender

em tudo aquilo que lhe quisermos pedir com humildade.

Aproveitemos esta divina liberalidade para lhe pedirmos

(cantando):

 

    Dai-nos, Senhor, a água viva da Graça!

 

1. Para que o Santo Padre, os Bispos e os Sacerdotes

    anunciem com alegria a salvação em Jesus Cristo,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a água viva da Graça!

 

2. Para que, nesta Quaresma, muitas pessoas se convertam,

    à semelhança da mulher samaritana e do filho pródigo,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a água viva da Graça!

 

3. Para que os sacerdotes, seguindo o exemplo de Jesus,

    estejam disponíveis para atender de confissão os fieis,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a água viva da Graça!

 

4. Para que todos os fieis, à imitação da mulher samaritana,

    tenham a preocupação de trazer as pessoas ao encontro de Jesus,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a água viva da Graça!

 

5. Para que todos os jovens encontrem em Jesus Cristo

    o sentido da vida e a felicidade que tanto procuram,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a água viva da Graça!

 

6. Para que as pessoas mais carenciadas materialmente

    possam contar com a nossa disponibilidade para as ajudar,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a água viva da Graça!

 

7. Para que as almas dos fieis defuntos que se purificam

    encontrem nos nosso sufrágios a ajuda de que precisam,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a água viva da Graça!

 

Senhor, que nos procurais e esperais em cada momento,

para nos reconduzirdes ao caminhos da Salvação eterna:

ajudai-nos a aproveitar a Vossa passagem na nossa vida

para verdadeiramente nos convertermos ao Vosso Amor.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

No encontro com a samaritana, Jesus fala-lhe da água viva que jorra para a vida eterna.

Depois de nos ter anunciado os caminhos da Boa Nova da Salvação, Ele vai agora renovar o Sacrifício do Calvário, para depois Se oferecer como nosso alimento.

 

Cântico do ofertório: Quem beber da água, Az. Oliveira, NRMS 61

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, por este sacrifício, que, ao pedirmos o perdão dos nossos pecados, perdoemos também aos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio

 

A samaritana

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor.

Quando Ele pediu à samaritana água para beber, já lhe tinha concedido o dom da fé e da sua fé teve uma sede tão viva que acendeu nela o fogo do amor divino.

Por isso, com os Anjos e os Santos do Céu, proclamamos na terra a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento ao CT

 

Saudação da Paz

 

Quando Jesus chegou ao cenáculo, junto dos Apóstolos, depois de ter ressuscitado, dirigiu-Se-lhes dando-lhes a paz.

A Igreja convida-nos, neste momento, a repetir o mesmo gesto, com o espírito de Jesus.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Jesus promete com solenidade à samaritana: “Quem beber da água que Eu lhe der, nunca mais terá sede!”

Chegou o momento em que esta água divina – a Santíssima Eucaristia, o próprio Jesus – nos é oferecida.

Procuremos recebê-l’O com as necessárias disposições, pedindo-Lhe humildemente que guarde a nossa alma para a vida eterna.

 

Cântico da Comunhão: Senhor quanta alegria, C. Silva, NRMS 55

Jo 4, 13-14

Antífona da comunhão: Quem beber da água que Eu lhe der, diz o Senhor, terá em seu coração a fonte da vida eterna.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear, F. da Silva, NRMS 17

 

Oração depois da comunhão: Recebemos o penhor da glória eterna e, vivendo ainda na terra, fomos saciados com o pão do Céu. Nós Vos pedimos, Senhor, a graça de manifestarmos na vida o que celebramos neste sacramento. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Agradecidos por este encontro com Jesus, procuremos agora, durante a semana, trazer muitas pessoas que vivem a morrer de sede de Deus ao encontro de Jesus, convidando-as para uma mudança de vida, concretizada numa confissão bem feita.

 

Cântico final: Vós me salvastes, Senhor, M. Simões, NRMS 16

 

 

Homilia FeriaL

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 24-III: Os frutos da obediência.

2 Re 5, 1-15 / Lc 4, 24-30

Vai banhar-te e ficarás purificado. Então, ele (Naamã) desceu e mergulhou sete vezes no Jordão, e ficou purificado.

As Leituras de hoje referem o milagre da cura de Naamã: possível porque ele decidiu obedecer ao mandato de Eliseu. Todos nós fomos também curados pela obediência de Cristo.

«Nós pedimos ao Pai (no Pai nosso) que una a nossa vontade à do seu Filho, para que se cumpra a vontade d'Ele, o seu plano de salvação para a vida do mundo. Somos radicalmente impotentes para tal mas, unidos a Jesus e com o poder do seu Espírito Santo, podemos entregar-lhe a nossa vontade e decidir escolher o que o seu Filho escolheu: fazer o que é do agrado do Pai» (CIC, 2825).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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