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BONS TEMPOS
Hugo de Azevedo
O Santo Padre mereceu, logo no primeiro ano do seu pontificado, o galardão do melhor comunicador. Praticamente, não há dia que o mundo não receba dele palavras de ânimo, exortação, aviso, esperança, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, através de todos os meios de comunicação. E uma das suas exortações mais frequentes, sobretudo aos jovens, é que também não se calem, que não nos calemos.
Os tempos são bons para anunciar por toda a parte a Alegria do Evangelho. O mundo está desbocado; pois sejamos nós os mais desbocados do mundo! Temos muito mais que dizer do que ninguém. Na cacofonia de todas as informações possíveis – certas, confusas ou erradas – e das opiniões mais diversas – sábias, levianas ou idiotas – e das confissões mais íntimas – belas, insípidas ou perversas –, como não levantar a voz para semear as verdades preciosas do Evangelho, oferecer critérios saudáveis de conduta e manifestar os grandes amores que nos enchem a alma?
No meio de tanta vozearia, ninguém nos ouve? É falso: há milhares de corações atentos aos mais ténues sinais de luz, e que distinguem perfeitamente o que é moda do que é de sempre; o que é só voz do que é palavra, o que é só vento do que tem fundamento. Como dizia o Papa Francisco na sua mensagem da paz, há em todos os homens um enorme anseio de fraternidade; e quem o pode satisfazer senão quem lhes dá a conhecer o Pai, no seu Filho, Jesus, e o Amor que nos une a todos em Cristo?
Basta que falemos como o que somos, com o «descaramento» (a «santa desvergonha» de que falava S. Josemaria no «Caminho») dos primeiros cristãos: aceitem os outros ou não aceitem, não podemos calar-nos. O resultado é com Deus; a nossa missão é semear a sua Palavra, caia ela no chão, na pedra, no meio de erva má, ou em limpo terreno.
Sim, vivemos em bons tempos para evangelizar. Não percamos tempo demais em replicar a tantos erros e acusações que se difundem. Rezemos. Temos obrigação, é verdade, de dar «a razão da nossa esperança», na expressão de S. Pedro, mas - ainda talvez antes - levemos os outros a reflectirem sobre a deles, se é que alguma julgam ter mais certa e mais feliz do que a nossa.
Evangelizar não é discutir; é ser; é sermos cristãos nas palavras e nas obras. Lutando por isso, melhor dito, pois só no Céu seremos perfeitos… E os tempos são bons para a palavra, sem dúvida: com tantas portas de comunicação abertas, podemos fazer chegar mais longe, e mais depressa do que os nossos primeiros irmãos, aos nossos coetâneos, o anúncio de Cristo ressuscitado.