aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

PAPA ENCONTRA-SE

COM CLERO DE ROMA

 

“Mesmo agora que sou Papa sinto-me ainda um sacerdote”. Eis uma das passagens-chave do diálogo que o Papa Francisco teve, na manhã do dia 16 de Setembro, com os sacerdotes da Diocese de Roma, reunidos na Basílica de São João de Latrão.

 

“O que é o cansaço para um Sacerdote, para um Bispo e mesmo para o Bispo de Roma?” O Papa Francisco desenvolveu a sua intervenção no encontro com o clero romano detendo-se nesta pergunta. E disse em confidência que a inspiração lhe veio após ler a carta enviada por um sacerdote idoso, que precisamente lhe falava sobre este cansaço, um “cansaço no coração”. “Existe – disse o Papa – um cansaço do trabalho e este cansaço todos o conhecemos. Chegamos à noite, cansados de trabalhar e passamos diante do Tabernáculo para saudar o Senhor. Devemos sempre passar pelo Tabernáculo – advertiu o Papa:

“Quando um padre está em contacto com o seu povo, cansa-se. Quando um padre não está em contacto com o seu povo, cansa-se, mas mal, e para dormir deve tomar um comprimido, não? Pelo contrário, aquele que está em contacto com o povo, porque de facto o povo tem tantas exigências, tantas exigências! – mas são as exigências de Deus, não? – esse cansa-se realmente e não tem necessidade de tomar comprimidos”.

Existe, porém, um “cansaço final” – continuou o Papa Francisco – que se vê antes do “crepúsculo da vida”, onde “existe a luz escura e o escuro um pouco luminoso”. É “um cansaço que vem no momento em que deveria haver o triunfo”, mas pelo contrário “vem este cansaço”. Isto acontece – disse o Papa – quando “o sacerdote se interroga sobre a sua existência, olha para trás, pelo caminho percorrido e pensa nas renúncias, nos filhos que não teve e se pergunta se se enganou, se a sua vida “falhou”. É exactamente o “cansaço do coração” do qual o sacerdote escrevia na carta. E assim o Papa citou o cansaço de muitas figuras bíblicas, de Elias a Moisés, de Jeremias até João Baptista. Este último – afirmou – na “escuridão da prisão” vive a “escuridão da sua alma” e manda os seus discípulos para perguntarem a Jesus se Ele é realmente aquele que estão à espera. O que pode fazer então um sacerdote que vive a experiência de João Baptista? Rezar, “até adormecer diante do Tabernáculo, mas estar ali”. E depois “procurar a proximidade com os outros padres, e sobretudo com os bispos”:

 

A seguir, iniciou-se o diálogo do Papa Francisco com os sacerdotes, aos quais pediu para se sentirem livres para perguntar seja o que for. Respondendo à primeira pergunta, o Papa Francisco disse que no serviço pastoral, não se deve “confundir a criatividade com fazer alguma coisa nova”. A criatividade – disse – “é procurar o caminho para que o Evangelho seja anunciado”, e isto “não é fácil”. Criatividade “não é somente mudar as coisas”. É uma outra coisa, vem do Espírito e faz-se com a oração, e faz-se falando com os fiéis, com as pessoas.

A Igreja, continuou o Papa, e “também o Código de Direito canónico dão-nos tantas, tantas possibilidades, tanta liberdade para procurarmos estas coisas”. É necessário – destacou – procurar os momentos de acolhimento, quando os fiéis devem ir à paróquia por um motivo ou outro. E criticou severamente aqueles que, numa paróquia, estão mais preocupados em pedir dinheiro por um certificado do que pelo Sacramento e assim “afastam as pessoas”. É necessário, pelo contrário, “o acolhimento cordial”: “para que aquele que vem à igreja se sinta como em sua casa. Se sinta bem. Que não se sinta explorado. Mas se, pelo contrário, a pessoa vê que existe um interesse económico, então afasta-se”, observou o Papa.

E a quem lhe perguntava como ele se define agora, visto que, como Arcebispo de Buenos Aires, gostava definir-se simplesmente como “sacerdote”, o Papa respondeu:

“Mas, eu sinto-me padre, é verdade. Eu sinto-me padre, sacerdote, é verdade, bispo... Sinto-me assim, não? E agradeço ao Senhor por isto (aplausos). Teria medo de me sentir um pouco mais importante, não? Isto sim, tenho medo disto, porque o diabo é esperto, eh!, é esperto e faz-te sentir que agora tu tens poder, que tu podes fazer isto, que tu podes fazer aquilo... mas sempre girando, girando em volta, como um leão – assim diz São Pedro, não? Mas graças a Deus, isto não perdi ainda, não? E se vocês virem que eu perdi isto, por favor, digam-me, digam-me, e se não puderem dizer-me privadamente, digam publicamente, mas digam: ‘Olha, converte-te!’, porque está claro, não?” (aplausos).

O Papa falou também do tema das periferias existenciais, retomando as suas palavras sobre os “conventos vazios” e a generosidade para com os mais necessitados. E por último, reflectiu sobre o tema da família, e em particular, sobre a delicada questão da nulidade dos matrimónios e sobre as segundas uniões, “um problema – recordou o Papa – que não pode ser reduzido à questão de receber a comunhão ou não, porque se trata de um problema sério e a Igreja neste momento deve fazer alguma coisa para resolver os problemas das nulidades matrimoniais”, um tema sobre o qual falará com o grupo dos 8 Cardeais que se reunirão nos primeiros dias de Outubro, no Vaticano, e será tratado também no próximo Sínodo dos Bispos

 

 

RENÚNCIA DO CARDEAL

D. MANUEL MONTEIRO DE CASTRO

 

O Papa Francisco aceitou no passado dia 21 de Setembro a renúncia do Cardeal português D. Manuel Monteiro de Castro, de 75 anos, ao cargo de Penitenciário-Mor, a presidência de um dos três tribunais da Cúria Romana, que ocupava desde Janeiro de 2012.

 

Em declarações à Agência ECCLESIA, o Cardeal português explica que apresentou a sua renúncia ao Papa Francisco no dia 23 de Março, quando cumpriu os 75 anos, de acordo com as determinações do Direito Canónico, e que  vai continuar em Roma “por mais quatro anos”, dado ter outras funções na Cúria Romana.

D. Manuel Monteiro de Castro é membro da Congregação para os Bispos, da Congregação para as Causas dos Santos e do Conselho Pontifício da Pastoral para os Imigrantes e itinerantes.

“Continuarei em Roma, até à idade de 80 anos, se o Senhor me der saúde, como membro do Colégio Cardinalício com direito a voto”, acrescenta.

D. Manuel Monteiro de Castro estava na Cúria Romana desde Julho de 2009, quando assumiu o cargo de secretário da Congregação para os Bispos, e foi criado cardeal por Bento XVI em Fevereiro de 2012, tendo participado no Conclave do último mês de Março, no qual foi eleito Francisco.

Ordenado padre em 1961 e bispo em 1985, teve uma carreira diplomática ao serviço da Santa Sé, que o fez passar pelo Panamá, Guatemala, Vietname, Austrália, México, Bélgica, Trindade e Tobago, África do Sul e finalmente Espanha, onde permaneceu entre 2000 e 2009; foi também observador permanente do Vaticano na Organização Mundial do Turismo.

O novo Penitenciário-Mor é o cardeal Mauro Piacenza, italiano, de 69 anos, que desde 2010 exercia o cargo de Prefeito da Congregação para o Clero.

 

 

IGREJA POBRE ENTRE OS POBRES

E DIÁLOGO COM CULTURA MODERNA

 

O Papa Francisco afirma numa entrevista divulgada no passado dia 1 de Outubro que pretende uma Igreja Católica pobre entre os pobres e em diálogo com a cultura moderna.

 

“Temos de devolver esperança aos jovens, ajudar os idosos, abrir o futuro, difundir o amor. Pobres entre os pobres: temos de incluir os excluídos e pregar a paz”, disse ao fundador do jornal «La Reppublica», Eugenio Scalfari.

Francisco considera que o desemprego dos jovens e a solidão dos idosos são os “males mais graves” do mundo actual e que a Igreja não pode ficar indiferente aos que foram esmagados pelo presente, advertindo para as consequências do “liberalismo selvagem”.

Scalfari, que se assume como ateu, revela que foi o próprio Papa que lhe telefonou e marcou o encontro, que decorreu na Casa de Santa Marta, no Vaticano, na sequência de uma troca de cartas entre os dois sobre o papel da Igreja no mundo e o diálogo entre crentes e não crentes.

Francisco coloca-se na linha de João XXIII, que vai proclamar como santo em Abril de 2014, e de Paulo VI, os Papas que presidiram ao Concílio Vaticano II (1962-1965), a última grande reunião mundial de bispos católicos.

Segundo o actual Papa, é preciso retomar a decisão de “olhar para o futuro com espírito moderno e abrir-se à cultura moderna”.

Francisco admite que ao longo da história houve responsáveis da Igreja que foram “narcisistas” e mal aconselhados pelos seus “cortesãos”, falando mesmo da corte como uma “lepra do papado”.

Em relação ao diálogo com quem não tem fé, o Papa diz que o objectivo da Igreja não é o proselitismo – “um absurdo solene, que não tem sentido” –, mas conhecer, ouvir e entender o que a rodeia.

“O mundo é percorrido por caminhos que aproximam e afastam, mas o importante é que levem ao Bem”, precisa.

Nesse sentido, Francisco afirmou que cada pessoa tem a sua “ideia de Bem e de Mal” e deve “escolher seguir o Bem e combater o Mal”, o que “bastaria para melhorar o mundo”.

“Eu creio em Deus, não um Deus católico – não existe um Deus católico, existe Deus”, declara ainda.

A entrevista apresenta o ideal de uma Igreja “missionária e pobre”, como foi desejada por São Francisco de Assis, há 800 anos, que permanece “mais do que válido”.

 

 

CONSELHO DE CARDEAIS

 

Concluíram-se, no passado dia 3 de Outubro, no Vaticano, as reuniões do Conselho de Cardeais, o grupo de oito purpurados que tem a tarefa de coadjuvar o Papa no governo da Igreja e no projecto de revisão da Constituição apostólica Pastor Bonus sobre a Cúria Romana.

 

Os trabalhos tiveram início na manhã do dia 1 na Biblioteca privada do apartamento papal, prosseguindo depois na Casa de Santa Marta. Na manhã do dia 2 o Papa não participou nos trabalhos por causa da audiência geral na Praça de São Pedro.

O director da Sala de Imprensa da Santa Sé, P. Federico Lombardi, promoveu uma conferência de imprensa com os jornalistas sobre o andamento dos trabalhos. O P. Lombardi destacou a introdução feita pelo Papa Francisco, seguida de uma reflexão entre os membros do Conselho sobre a eclesiologia a partir do Vaticano II.

O porta-voz vaticano precisou que o trabalho dos oito cardeais não é de tipo organizativo, mas coloca-se numa visão teológica e espiritual da Igreja, segundo as disposições do Concílio, cuja aplicação se pretende:

“Os membros do Conselho prepararam-se, houve também por parte deles essa reflexão de carácter teológico, espiritual, no sentido de refrescar, reavivar a perspectiva da Igreja, inspirada no Concílio, sobre a sua missão, sobre a relação entre a Igreja universal e as Igrejas locais, sobre o tema da comunhão, da participação, da colegialidade na condução da Igreja, sobre o tema da Igreja dos pobres, dos leigos na Igreja, sobre o carácter do serviço de todas as instituições eclesiais e a responsabilidade de todos os membros da Igreja pelo bem comum”.

Na parte da tarde do dia 1, na Casa Santa Marta, foi tratado o próximo Sínodo dos Bispos. O P. Lombardi recordou que o Papa Francisco já antecipou o tema do Sínodo, um tema antropológico, a pessoa humana e a família à luz do Evangelho. Por isso esteve presente na sessão de trabalho também o novo Secretário-geral do Sínodo, o arcebispo Lorenzo Baldisseri.

 

O Quirógrafo

Eis o Quirógrafo com o qual é instituído um Conselho de Cardeais para ajudar o Santo Padre no governo da Igreja universal e para estudar um projecto de revisão da Constituição Apostólica Pastor Bonus sobre a Cúria Romana:

«Entre as sugestões feitas no curso das Congregações Gerais dos Cardeais precedentes ao Conclave, estava incluída a conveniência de instituir um pequeno grupo de Membros do Episcopado, provenientes das diferentes partes do mundo, que o Santo Padre pudesse consultar, individualmente ou de forma colectiva, em questões específicas. Uma vez eleito para a Sé Romana, tive a oportunidade de reflectir com frequência sobre o assunto, crendo que uma tal iniciativa seria de grande ajuda para levar a cabo o ministério pastoral do Sucessor de Pedro, que os irmãos Cardeais me tinham confiado.

«Por este motivo, no passado dia 13 de Abril anunciei a constituição do mencionado grupo, indicando, ao mesmo tempo, os nomes daqueles que tinham sido chamados para dele fazerem parte. Agora, depois de madura reflexão, considero oportuno que o referido grupo, por meio deste Quirógrafo, seja constituído como um "Conselho de Cardeais", com a tarefa de ajudar-me no governo da Igreja universal e de estudar um projecto de revisão da Constituição Apostólica Pastor Bonus sobre a Cúria Romana. Esse Conselho será composto pelas mesmas pessoas indicadas precedentemente, e que poderão ser interpeladas, tanto individualmente como em forma de Conselho, em assuntos que de quando em quando me parecerem dignos de atenção. Este Conselho, para cujo número de componentes me reservo de configurá-lo no modo que se mostrar mais adequado, será uma ulterior expressão da comunhão episcopal e do auxílio ao munus petrinum que o Episcopado espalhado pelo mundo pode oferecer.

«Dado em Roma, junto de São Pedro, aos 28 de Setembro de 2013, o primeiro de Pontificado.

Francisco»

 

Entrevista do Cardeal Rodríguez Maradiaga

O cardeal hondurenho Oscar Rodriguez Maradiaga, coordenador do Conselho de Cardeais instituído pelo Papa Francisco para o ajudar na reforma da Constituição Apostólica Pastor Bonus sobre a Cúria Romana, concedeu uma entrevista ao jornal dos bispos italianos Avvenire.

“O nosso trabalho não será emendar, nem retocar a Pastor Bonus. Será preciso um trabalho mais profundo e mais tempo. Não terminaremos em 2014, porque uma vez que o projecto esteja pronto, queremos ouvir o parecer de quem tem experiência na Cúria” – isto foi o que afirmou o Cardeal Maradiaga. Depois dos primeiros 3 dias de encontros do Conselho dos Cardeais no Vaticano, o Cardeal explicou que “a primeira coisa que o Papa pediu foi para reflectirmos e propormos sugestões sobre o Sínodo dos Bispos, que deverá trabalhar com mais continuidade e de modo mais interactivo, utilizando a Internet, por exemplo.

A respeito da criação de um eventual moderator curiae, o Cardeal latino-americano explicou que se trata “de uma ideia surgida nas reuniões pré-Conclave para ajudar a Secretaria de Estado a desempenhar as suas tarefas. Ainda é cedo para definir o perfil do moderador” – explicou ainda o Cardeal.

Em relação à possibilidade de fusão dos Dicastérios, o Cardeal Maradiaga respondeu que “no pré-Conclave este assunto foi falado, mas ainda não se pode dizer muito”. Quanto ao IOR – Instituto para as Obras de Religião –, o Cardeal Maradiaga considera que “há quem pense que seria melhor transformá-lo num banco ético. Mas temos de esperar o resultado das comissões, principalmente aquele que será apresentado pela comissão específica sobre o IOR”.

 

 

JORNADA DE ASSIS

 

No passado dia 4 de Outubro, uma imensa multidão participou na Missa celebrada pelo Papa Francisco, em Assis, junto das basílicas do Santo. Na homilia, o Papa evocou o exemplo concreto de São Francisco, com a sua “maneira radical de imitar a Cristo”. “O amor pelos pobres e a imitação de Cristo são dois elementos indivisivelmente unidos, duas faces da mesma medalha” – insistiu o Papa.

 

“Qual é hoje o testemunho que ele nos dá?” – interrogou-se o Papa, observando que “a primeira coisa, a realidade fundamental de que São Francisco nos dá testemunho é esta: ser cristão é uma relação vital com a Pessoa de Jesus, é revestir-se d’Ele, é assimilação a Ele”. E isso “começa do olhar de Jesus na cruz”.

“Deixar-se olhar por Ele no momento em que dá a vida por nós e nos atrai para Ele. Francisco fez esta experiência, de um modo particular na pequena igreja de São Damião, rezando diante do crucifixo.”

“Voltamo-nos para ti, Francisco, e te pedimos: ensina-nos a permanecer diante do Crucifixo, a deixarmo-nos olhar por Ele, a deixamo-nos perdoar, recriar pelo seu amor”.

Um segundo aspecto do testemunho de São Francisco recordado pelo Papa na sua homilia foi o seguinte: “quem segue a Cristo, recebe a verdadeira paz, a paz que só Ele, e não o mundo, nos pode dar”.

“Qual é a paz que Francisco acolheu e viveu e que nos transmite? É a paz de Cristo, que passou através do maior amor, o da Cruz. É a paz que Jesus Ressuscitado deu aos discípulos”.

O Papa fez notar que “a paz franciscana não é um sentimento piegas”. “A paz de São Francisco é a de Cristo, e encontra-a quem toma sobre si o seu jugo, isto é, o seu mandamento: Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”.

Finalmente, terceiro aspecto do testemunho de Francisco de Assis recordado pelo Papa na homilia da missa: “o amor por toda a criação, pela sua harmonia”:

“O Santo de Assis dá testemunho do respeito por tudo o que Deus criou e que o homem é chamado a guardar e proteger, mas sobretudo dá testemunho de respeito e amor por todo o ser humano”.

E foi neste contexto, quase a concluir a sua homilia, que o Papa Francisco lançou um solene apelo à paz e ao respeito pela criação:

“Daqui, desta Cidade da Paz, repito com a força e a mansidão do amor: respeitemos a criação, não sejamos instrumentos de destruição!

“Respeitemos todo o ser humano: cessem os conflitos armados que ensanguentam a terra, calem-se as armas, e que, por toda a parte, o ódio dê lugar ao amor, a ofensa ao perdão e a discórdia à união.

“Ouçamos o grito dos que choram, sofrem e morrem por causa da violência, do terrorismo ou da guerra na Terra Santa, tão amada por São Francisco, na Síria, em todo o Médio Oriente, no mundo”.

 

 

PRÓXIMO SÍNODO DOS BISPOS

SOBRE DESAFIOS À FAMÍLIA

 

O Papa Francisco decidiu convocar uma assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos para debater “os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”, anunciou o Vaticano no passado dia 8 de Outubro.

 

Esta terceira reunião extraordinária do organismo consultivo vai decorrer entre 5 e 19 de Outubro de 2014.

A decisão foi anunciada após a reunião do Conselho da Secretaria-geral do Sínodo dos Bispos, presidida pelo arcebispo Lorenzo Baldisseri, que contou com a participação do Papa.

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse que esta decisão mostra a intenção do Papa em promover uma “participação responsável do episcopado das várias partes do mundo”.

O Sínodo dos Bispos, organismo criado por Paulo VI em 1965, pode ser definido, em termos gerais, como uma assembleia consultiva de representantes dos episcopados católicos de todo o mundo, a que se juntam peritos e outros convidados, com a tarefa de ajudar o Papa no governo da Igreja.

A última assembleia ordinária do Sínodo teve como tema “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã” e decorreu em Outubro de 2012.

Até hoje houve 13 assembleias gerais ordinárias e duas extraordinárias: destas, a primeira em Outubro de 1969, para debater a cooperação entre a Santa Sé e as Conferências Episcopais, e a segunda em 1985, pelo 20.º aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II.

Posteriormente, o Papa Francisco nomeou como Relator geral o Cardeal Peter Erdö, arcebispo de Budapeste (Hungria), que apresentará os relatórios inicial e conclusivo dos trabalhos, bem como os textos das propostas ao Papa; e como Secretário especial o arcebispo italiano Bruno Forte.

 

 

JORNADA MARIANA

DO ANO DA FÉ

 

O Papa Francisco despediu-se no passado domingo 13 de Outubro da imagem de Nossa Senhora de Fátima, venerada na Capelinha das Aparições, com um “acto de entrega” em que recordou a atenção pelos mais pobres e marginalizados.

 

“Ensina-nos o teu próprio amor de predilecção pelos mais pequenos e os pobres, pelos excluídos e os que sofrem, pelos pecadores e os de coração perdido”, disse, no final da missa conclusiva da Jornada Mariana do Ano da Fé, na Praça de São Pedro.

A oração encerrou dois dias de celebrações junto da imagem venerada de Fátima, que se deslocou ao Vaticano a pedido de Bento XVI, Papa emérito, e de Francisco, tendo sido recebida por ambos, após a sua chegada, no sábado dia 12.

O Papa Francisco rezou à “bem-aventurada Maria, Virgem de Fátima, com renovada gratidão”, unindo a sua voz “à de todas as gerações”.

“Celebramos em ti as grandes obras de Deus, que nunca se cansa de inclinar-se com misericórdia sobre a humanidade, atingida pelo mal e ferida pelo pecado, para a curar e salvar”, declarou, perante dezenas de milhares de peregrinos que participaram na celebração do domingo.

“Acolhe com benevolência de mãe o acto de entrega que hoje fazemos com confiança, diante desta tua imagem, que nos é tão querida”, acrescentou.

A oração invocou a intercessão da Virgem Maria para que “reavive e alimente a fé”, “ilumine a esperança” e “suscite a caridade”, guiando os cristãos “no caminho da santidade”.

“Reúne a todos sob a tua protecção, e entrega todos ao teu dilecto filho, Nosso Senhor Jesus”, concluiu o Papa.

 

 

PAPA DESPEDE-SE DO

CARDEAL TARCÍSIO BERTONE

 

O Papa Francisco despediu-se no passado dia 15 de Outubro do Secretário de Estado cessante do Vaticano, Cardeal Tarcísio Bertone, destacando a sua lealdade e dedicação à Igreja.

 

“A atitude de fidelidade incondicional e de absoluta lealdade a Pedro é característica distintiva do seu mandato como Secretário de Estado, tanto em relação a Bento XVI como em relação a mim, nestes meses”, disse o Papa, numa carta escrita por ocasião da cerimónia de despedida.

Francisco mostrou-se “profundamente grato” pelo serviço do Cardeal Bertone, que desde Setembro de 2006 assumira o cargo de Secretário de Estado, o mais directo colaborador do Papa no governo da Igreja.

A cerimónia, perante colaboradores e funcionários da Secretaria de Estado do Vaticano, deixou mais agradecimentos pela “coragem e paciência” com que o Cardeal italiano viveu “as contrariedades” que teve de enfrentar, e que “foram muitas”, afirmou o Papa.

Durante o tempo em que assumiu o cargo, o antigo Secretário de Estado foi alvo de críticas por causa da sua falta de experiência diplomática e viu rebentar o caso “vatileaks”, com a divulgação de documentos reservados de Bento XVI. Este, contudo, manteve a confiança no seu braço direito e rejeitou o pedido de renúncia ao cargo que o Cardeal Tarcísio Bertone apresentou ao completar os 75 anos de idade, como determina o Direito Canónico.

A tomada de posse do novo Secretário de Estado do Vaticano, Mons. Pietro Parolin, que estava marcada para a mesma altura, foi adiada por “algumas semanas” devido a uma pequena intervenção cirúrgica a que teve de submeter-se o arcebispo italiano, revelou o Papa. Mons. Pietro Parolin era Núncio na Venezuela.

 

 

“CRISTÃOS IDEOLÓGICOS”,

DOENÇA GRAVE NA IGREJA

 

Quando um cristão passa a ser discípulo da ideologia é porque perdeu a fé. Esta a principal conclusão que se pode retirar da meditação matinal do Papa Francisco na Missa em Santa Marta no passado dia 17 de Outubro.

 

O Santo Padre baseou a sua meditação na leitura do Evangelho desse dia, em que Jesus reprova a atitude dos doutores da lei dizendo-lhes que eles tinham ficado com a chave do conhecimento. Assim disse o Papa: “chave no bolso e porta fechada”. Com base neste episódio, o Papa reflectiu sobre a atitude dos cristãos que muitas vezes têm este formato: partindo de ideologias e moralismos, os cristãos, por vezes, têm a chave na mão e deixam a porta fechada. Ou seja, podem permitir o acesso e proceder a uma abertura, mas ficam numa visão fechada da vida e, por conseguinte, da fé. Com este tipo de atitude favorece-se a ideologia, disse o Papa Francisco, e “quando um cristão passa a ser discípulo da ideologia é porque perdeu a fé” e “a fé transforma-se em ideologia”.

“A fé transforma-se em ideologia e a ideologia assusta, a ideologia manda embora as pessoas, afasta, afasta as pessoas e afasta a Igreja da gente. Mas é uma doença grave esta dos cristãos ideológicos. É uma doença, mas não é nova. Já o Apóstolo João, na sua Primeira Carta, falava disto: os cristãos que perdem a fé e preferem as ideologias. A sua atitude é: tornarem-se rígidos, moralistas, mas sem bondade. A pergunta pode ser esta: Mas por que é que um cristão pode passar a ser assim? O que é que sucede no coração daquele cristão, daquele padre, daquele bispo, daquele Papa, para ficar assim? Simplesmente uma coisa: aquele cristão não reza. E se não há oração, tu sempre fechas a porta”.

A chave que abre a porta da fé é a oração – concluiu o Papa – e quando não há oração o cristão fica soberbo, orgulhoso e seguro de si mesmo. Não é humilde. E pode cair no erro dos doutores da lei que, como diz o Santo Padre, não faziam oração, mas rezavam muitas orações para serem vistos. Ao contrário, Jesus disse-nos que para fazer oração – continuou o Papa – devemos fechar-nos no nosso quarto e rezar ao Senhor de coração a coração. O Santo Padre, em conclusão, pediu ao Senhor para que nos dê a graça de nunca deixarmos de rezar, para não perder a fé e conservarmo-nos humildes.

 

 

PATROCINADORES DOS

MUSEUS DO VATICANO

 

O Papa Francisco recebeu, no passado dia 19 de Outubro, um grupo de mecenas e benfeitores (“Patrons of the Arts”) dos Museus do Vaticano e recordou que a Igreja sempre fez apelo às artes para dar expressão à beleza da própria fé.

 

No agradecimento, o Papa argentino reconheceu que graças ao contributo dos mecenas “tem sido possível restaurar numerosas obras de arte das colecções do Vaticano, assegurando assim, em geral, a realização da função religiosa, artística e cultural dos Museus da Sé Apostólica”.

A origem dos “Patrons of the Arts” – inicialmente designados “Amigos dos Museus do Vaticano” –, que “adoptam” obras de arte que carecem de restauro, suportando os custos correspondentes, está ligada a uma exposição itinerante promovida em 1982 pela Santa Sé em diversas cidades dos Estados Unidos, uma mostra intitulada “As Colecções do Vaticano: o Papado e a Arte”.

O nascimento da fundação de patrocinadores dos Museus do Vaticano – sublinhou o Papa – “foi inspirada por um louvável sentido de responsabilidade pela herança de arte sacra que a Igreja possui, mas também pelo desejo de dar continuidade aos ideais espirituais e religiosos que levaram à criação das colecções pontifícias”.

Em todas as épocas, a Igreja tem feito apelo às artes para “dar expressão à beleza da própria fé e para proclamar a mensagem evangélica da magnificência da criação de Deus pela dignidade do homem criado à sua imagem e semelhança, e do poder da morte e ressurreição de Cristo para levar redenção e renascimento a um mundo assinalado pela tragédia do pecado e da morte”.

 

 

PAPA APELA A

DIÁLOGO CATÓLICO-LUTERANO

 

O Papa Francisco recebeu no passado dia 21 de Outubro representantes da Federação Luterana Mundial, aos quais disse que católicos e luteranos devem “pedir perdão” uns aos outros e empenhar-se no diálogo ecuménico.

 

“Católicos e luteranos podem pedir perdão pelo mal que causaram uns aos outros e pelas suas ofensas, cometidas à vista de Deus. Juntos, podemos regozijar-nos com o desejo de unidade que o Senhor despertou nos nossos corações e nos faz olhar com esperança para o futuro”, declarou.

A intervenção do Papa evocou o programa celebrativo comum que tem em vista assinalar os 500 anos da reforma protestante, em 2017.

“Acredito que é importante para todos confrontar em diálogo a realidade histórica da reforma, as suas consequências e as respostas que lhe foram dadas”, acrescentou.

Francisco apelou a um caminho de “diálogo e comunhão”, face a todas as dificuldades e divergências, destacando a importância do “ecumenismo espiritual”.

“Este constitui, em certo sentido, a alma do nosso caminho para a plena comunhão e permite-nos saborear antecipadamente, desse já, alguns frutos, ainda que imperfeitos”, sublinhou.

O Papa assinalou ainda o 50.º aniversário do diálogo teológico católico-luterano, cujo documento principal, até hoje, é a Declaração conjunta sobre a Doutrina da Justificação (31 de Outubro de 1999).

Francisco pediu que se enfrentem as “questões fundamentais” e as divergências que surgem “no campo antropológico e ético”.

“É certo que não faltam as dificuldades e não faltarão, vão exigir ainda paciência, diálogo, compreensão recíproca, mas não tenhamos medo”, referiu.

Luteranos (75 milhões), calvinistas/presbiterianos (80 milhões) e anglicanos (77 milhões) são as principais comunidades das chamadas “Igrejas tradicionais” provenientes da reforma, a que se juntam 60 milhões que se encontram ligadas ao metodismo.

A Comissão Católico-Luterana para a Unidade propôs um programa comum para assinalar os 500 anos da reforma, com o tema “Do conflito à comunhão”.

 

 

PEREGRINAÇÃO DAS FAMÍLIAS

NO ANO DA FÉ

 

O Papa Francisco disse no passado domingo 27 de Outubro que a vida familiar deve ser marcada pela alegria e pela harmonia.

 

“Sem o amor de Deus também o seio familiar perde a harmonia, prevalecem os individualismos e apaga-se a alegria”; por isso, apenas Deus “sabe criar harmonia no meio das diferenças” – afirmou o Papa na homilia da Missa de encerramento da Peregrinação Internacional das Famílias no Ano da Fé, que reuniu mais de cem mil pessoas na Praça de São Pedro, nos dias 26 e 27 de Outubro.

A verdadeira alegria de uma família não é fruto de algo que “tem origem apenas em coisas superficiais”, mas sim de uma alegria que “vem da harmonia profunda entre as pessoas, uma harmonia que todos experimentam no coração e que nos faz sentir a todos a beleza de estar juntos, de nos termos uns aos outros no caminho da vida”, explicou o Papa.

Ao longo da homilia, e como já é habitual, Francisco usou sempre um tom informal e colocou algumas questões aos presentes na Praça de São Pedro, perguntando por exemplo às famílias se rezam em conjunto.

“Vocês podem rezar juntos o Pai Nosso, em torno da mesa, e rezar o terço em conjunto como uma família, é algo muito bonito, dá muita força” – disse o Papa.

 

 

PUBLICAÇÃO DAS HOMILIAS

DO PAPA FRANCISCO

 

A Libreria Editrice Vaticana vai publicar o livro com as “Homilias da manhã” do Papa Francisco, na capela da Casa de Santa Marta, entre 22 de Março a 6 Julho de 2013.

 

“A obra constitui um convite à reflexão, oferecendo ao leitor uma multiplicidade de ensinamentos, de conselhos e de orientações ascéticas”, lê-se no comunicado da Livraria Editora Vaticana.

O teólogo Inos Biffi, responsável pela introdução da publicação, destaca a originalidade do estilo de Francisco, com uma linguagem “fácil, vivaz e rica de metáforas”.

As homilias são “um precioso directório de vida espiritual” que resultam de “uma convivência lúcida com os problemas, as reacções e os sentimentos das comunidades e das pessoas em geral”, acrescenta o teólogo.

Às palavras proferidas todas as manhãs na capela da Casa de Santa Marta, juntam-se três homilias na residência do Sumaré, no Rio de Janeiro, durante a Jornada Mundial da Juventude

“As homilias tratam de inúmeros temas que dizem respeito à vida cristã, como o perdão, a salvação oferecida por Cristo, a rejeição do carreirismo e a hipocrisia ao mistério de Cristo”, adianta a Rádio Vaticana.

O livro “Homilias da manhã” faz parte de uma colecção “As palavras do Papa Francisco”, que compreende outras quatro obras.

 

 

ANUNCIADO CONSISTÓRIO

PARA CRIAÇÃO DE NOVOS CARDEAIS

 

Por ocasião da reunião do Conselho dos Cardeais, de 1 a 3 de Outubro, e na sucessiva reunião do Conselho do Sínodo, entre 7 e 8 de Outubro, o Papa Francisco comunicou aos participantes a sua intenção de convocar um Consistório para a criação de novos Cardeais, por ocasião da festa da Cátedra de São Pedro, a 22 de Fevereiro de 2014.

 

Ao dar estas informações aos jornalistas no passado dia 31 de Outubro, o P. Federico Lombardi, Director da Sala de Imprensa da Santa Sé, sublinhou as actividades do Papa Francisco para Fevereiro de 2014: “O Papa Francisco – disse o porta-voz vaticano – decidiu informar com tempo a sua decisão de convocar o Consistório para Fevereiro, por forma a facilitar também a programação das outras reuniões nas quais devem participar os cardeais de diversas partes do mundo”.

Para os dias 17 e 18 de Fevereiro está em agenda a terceira reunião do Conselho de Cardeais, enquanto, depois do Consistório, de 24 a 25, se realizará a reunião do Conselho do Sínodo.

No próximo Consistório, no dia 22 de Fevereiro de 2014, o número de Cardeais eleitores deverá ser de 106 depois de três dos actuais Cardeais terem atingido os 80 anos, sendo por isso provável que o Papa nomeie 14 novos Cardeais.

 


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