8º Domingo Comum

2 de Março de 2014

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus vive na sua morada santa, Az. Oliveira, NRMS 112

Salmo 17, 19-20

Antífona de entrada: O Senhor veio em meu auxílio, livrou-me da angústia e pôs-me em liberdade. Levou-me para lugar seguro, salvou-me pelo seu amor.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Deus convida-nos a confiarmos na sua presença, no seu cuidado para connosco, no seu amor.

Revestiu-nos de uma beleza incomparável. Oferece-nos um desígnio de grandeza, dignidade e beleza. Jamais se esquece de nós.

Em cada Eucaristia revela toda a proximidade, e todo o amor. Ele mesmo se entrega a nós.

Experimentando este amor possamos viver na alegria. Construindo o presente na paz, expressão da sua amorosa e atenciosa presença, somos convidados a caminhar na segurança que Deus nos oferece.

De cada um de nós se espera que exprima aos outros a mesma atenção, mesmo acolhimento, a mesma disponibilidade de serviço. Quando sentimos a presença e o amor do irmão somos mais fortes.

 

Oração colecta: Fazei, Senhor, que os acontecimentos do mundo decorram para nós segundo os vossos desígnios de paz e a Igreja Vos possa servir na tranquilidade e na alegria. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: “Eu não te esquecerei”. Quão grande é o amor de Deus por cada um de nós!

 

Isaías 49, 14-15

14Sião dizia: «O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-Se de mim». 15Poderá a mulher esquecer a criança que amamenta e não ter compaixão do filho das suas entranhas? Mas ainda que ela se esquecesse, Eu não te esquecerei.

 

Ao anunciar a restauração de Jerusalém destruída (vv. 14-26), o profeta começa por levantar o ânimo do povo abatido e humilhado, apelando para o amor de Deus que é um amor cheio de afecto, ternura e compaixão. É uma das mais belas e expressivas passagens de toda a Sagrada Escritura.

14 «Sião». Era a cidadela da capital, Jerusalém, que aqui, como noutras ocasiões, representa todo o povo. Sião, que significa «lugar seco» era a fortaleza conquistada por David aos Jebuseus, na colina oriental de Jerusalém (Ofel), que se começou a chamar cidade de David, e para onde ele transladou a arca. Quando Salomão construiu o templo, a Norte de Sião, e para lá levou a arca da aliança, também se começa a dar a esse local o nome de Sião. Também o nome de Sião passou a designar toda. a cidade ou todos os seus habitantes (filha de Sião) e por vezes, como aqui, todo o Povo de Israel. Daqui se segue que a Igreja, «o novo Israel de Deus», passa a ser designada também como Sião, tanto na sua fase peregrina (Heb 12, 22), como celeste (Apoc 14, 1). Ora, como a sede da primitiva Igreja de Jerusalém foi o Cenáculo, passou a considerar-se como Monte Sião a colina ocidental onde este se situa. Hoje a Arqueologia desfez esta confusão topográfica e demonstrou cabalmente que a primitiva Sião, cidade de David, é a colina oriental (Ofel), a sul da esplanada do templo.

 

Salmo Responsorial    Sl 61 (62),  2-3.6-7.8-9ab (R. 6a)

 

Monição: Que maravilhoso é o nosso Deus. N’Ele eu descanso, me refugio, me encontro seguro e salvo.

 

Refrão:        Só em Deus descansa, ó minha alma.

 

Só em Deus descansa a minha alma,

d’Ele me vem a salvação.

Ele é meu refúgio e salvação,

minha fortaleza: jamais serei abalado.

 

Minha alma, só em Deus descansa:

d’Ele vem a minha esperança.

Ele é meu refúgio e salvação,

minha fortaleza: jamais serei abalado.

 

Em Deus está a minha salvação e a minha glória,

o meu abrigo, o meu refúgio está em Deus.

Povo de Deus, em todo o tempo ponde n’Ele

a vossa confiança,

desafogai em sua presença os vossos corações.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A confiança no poderoso amor de Deus leva-nos a não temermos quando somos acusados injustamente, preteridos, marginalizados ou abandonados.

 

1 Coríntios 4, 1-5

1Todos nos devem considerar como servos de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. 2Ora o que se requer nos administradores é que sejam fiéis. 3Quanto a mim, pouco me importa ser julgado por vós ou por um tribunal humano; nem sequer me julgo a mim próprio. 4De nada me acusa a consciência, mas não é por isso que estou justificado: quem me julga é o Senhor. 5Portanto, não façais qualquer juízo antes do tempo, até que venha o Senhor, que há-de iluminar o que está oculto nas trevas e manifestar os desígnios dos corações. E então cada um receberá da parte de Deus o louvor que merece.

 

Em face das divisões que havia em Corinto por causa de os cristãos dali pretenderem arvorar os pregadores do Evangelho em protagonistas e representantes de facções diversas, São Paulo procura dar a verdadeira imagem do que é o ministério cristão (1 Cor 3 – 4); tanto Paulo como Apolo são meros servidores (diáconoi – cf. 1 Cor 3, 5) dos fiéis e colaboradores de Deus (synergoi 3, 9), e de modo algum chefes políticos ou representantes de tendências ou simpatias populares.

1-2 Os Apóstolos (e assim todos os detentores de funções jerárquicas) devem ser considerados como aquilo que realmente são: «servos de Cristo» (hypêrétai, um termo grego que designa um empregado subalterno) e «administradores dos mistérios de Deus» (em grego, oikonómoi, gerentes). O administrador não é o seu dono, por isso, a norma de toda a sua conduta tem que ser a fidelidade: fidelidade ao Senhor e à Igreja, procurandoi dar a resposta adequada aos direitos que cada um dos fiéis tem dentro do Povo de Deus (cf. Lc 12, 42-44). A missão da Hierarquia é uma missão de serviço humilde; com estas palavras, São Paulo desautoriza todas as espécies de clericalismo. Os mistérios de Deus, são todos os meios sobrenaturais de salvação, em particular a Pregação e os Sacramentos.

3-4 São Paulo dá o exemplo de não se conduzir ao sabor dos juízos humanos. O discípulo de Cristo, e muito particularmente um seu ministro, não pode ter medo de críticas, de rótulos de qualquer sinal, de criar antipatias, de remar contra a maré, aliás, pôr-se-ia no caminho da infidelidade.

 

Aclamação ao Evangelho        Hebr 4, 12

 

Monição: Viver na segurança de Deus faz-nos adquirir a sabedoria da paz, da alegria e da liberdade. Jamais construiremos a vida na aparente segurança do dinheiro, do poder e da força.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 87

 

A palavra de Deus é viva e eficaz,

conhece os pensamentos e intenções do coração.   

 

 

Evangelho

 

São Mateus 6, 24-34

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 24«Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há-de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. 25Por isso vos digo: «Não vos preocupeis, quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou de beber, nem, quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestuário? 26Olhai para as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; o vosso Pai celeste as sustenta. Não valeis vós muito mais do que elas? 27Quem de entre vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à sua estatura? 28E porque vos inquietais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam; 29mas Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. 30Se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao forno, não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? 31Não vos inquieteis, dizendo: ‘Que havemos de comer? Que havemos de beber? Que havemos de vestir?’ 32Os pagãos é que se preocupam com todas estas coisas. Bem sabe o vosso Pai celeste que precisais de tudo isso. 33Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo. 34Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã tratará das suas inquietações. A cada dia basta o seu cuidado».

 

Tínhamos começado a ler nos domingos comuns, que se seguiram ao Tempo do Natal, o sermão da montanha, que agora retomamos; neste ano não houve lugar para o 6º e 7º Domingo do Tempo Comum, por isso já estamos a meio do capítulo 6 de S. Mateus,

24 «Ninguém pode servir a dois senhores». O trabalho dum escravo era tão absorvente que não lhe restava tempo para atender a outro senhor que não fosse o seu. Esta realidade bem conhecida por todos é o ponto de partida para Jesus estabelecer um princípio de vida moral: sendo Deus o fim último do homem, nada nem ninguém se pode ocupar o seu lugar. O fim último do homem é Deus, a Quem há que servir e amar sobre todas as coisas, não ficando lugar para quaisquer espécies de ídolos. E aqui temos uma aplicação concreta: «Não podeis servir a Deus e ao dinheiro», em aramaico, «mammona» uma palavra que o 1º Evangelho, dirigido a judeus-cristãos, conserva sem a traduzir para grego; trata-se duma alusão às riquezas, o dinheiro, que aqui aparece como que personificado. «Os bens da terra não são maus; pervertem-se, quando o homem os toma como ídolos e se prostra diante deles; mas tornam-se nobres, quando os converte em instrumentos para alcançar o bem, numa missão de justiça e de caridade. Não podemos correr atrás dos bens económicos como quem procura um tesouro; o nosso tesouro (...) é Cristo e n’EIe se há-de concentrar todo o nosso amor, porque onde está o nosso tesouro, aí está também o nosso coração (cf. Mt 6,21)» (S. Josemaria, Cristo que passa, n.° 35).

25-34 «Não vos inquieteis». Jesus não diz que não nos ocupemos das coisas que se referem ao alimento e ao vestuário, mas que não nos preocupemos com desassossego e perturbação dessas coisas. É como se dissesse: «Não vos preocupeis excessivamente com os bens materiais, ainda que necessários à vida; não estais sobre a terra para aqui viverdes imersos em pensamentos de coisas materiais, sois filhos de Deus, bem superiores às flores do campo e às aves do céu. Deus pensará em vós, mais do que pensa nas outras criaturas e vos dará o necessário» (Bíblia de Vacari).

27 «Acrescentar um só côvado…». O côvado equivalia a 45 cm. Não é a inquietação e a falta de serenidade que leva a aumentar os bens materiais, como também não faz aumentar a duração da vida (antes pelo contrário!), ou melhor (dito com uma certa ironia), a própria estatura, como temos na tradução litúrgica.

32 «Os pagãos…». É próprio deles a inquietação com que se movem na vida. É próprio dos filhos de Deus a serenidade e a confiança no Pai do Céu.

33 «Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça». Esta justiça é a justiça indispensável para entrar no Reino de Deus, isto é, o cumprimento da sua vontade.

«Tudo o mais vos serão dadas por acréscimo», segundo comenta Santo Agostinho: «não corno um bem no qual devais fixar a vossa atenção, mas como um meio pelo qual possais chegar ao sumo e verdadeiro bem» (Sobre o Sermão da Montanha, 2, 24).

34 «Não vos inquieteis com o dia de amanhã». Trata-se duma sentença comum à sabedoria humana, que aparece também nas literaturas romana, grega, judaica e até egípcia. Mas, na boca de Jesus, tem um sentido novo: não se trata já da resignação e indiferença estóica, ou duma técnica epicurista para saborear em cheio o prazer do momento que passa, mas sim duma atitude de fé viva na Providência divina e de confiança filial no Pai celeste, que conduz à paz e serenidade de espírito. As palavras de Jesus não significam de modo nenhum qualquer apelo à inactividade dum falso piedosismo quietista.

 

Sugestões para a homilia

 

“ Eu não te esquecerei”.

“ Olhai”.

“ Quem me julga é o Senhor”

 

 

 

Homilia

 

“ Eu não te esquecerei”.

 

A palavra de Deus é um convite a vivermos a experiência da segurança do amor de Deus. O seu amor é tão grande, tão belo e tão surpreendente que necessitamos da fé para o saborear, compreender e o levar ao concreto da vida.

Quantas vezes somos tentados a pensar que Deus não está atento à nossa vida. E sobretudo quando temos de passar experiências mais dolorosas nos custa sair da nossa lógica limitada, misturada de medos.

Parecemos muitas vezes tentados à segurança das nossas pobres perspectivas, mais que ao dinamismo de grandes horizontes e propostas que Deus nos oferece.

Perante todas as fragilidades, dificuldades e obstáculos somos convidados a ver Aquele Deus que não nos esquece, que se preocupa com cada um, que “não dorme”. Aquele Deus que nos oferece um amor sem medida e um projecto de largas perspectivas e grandes horizontes.

Mesmo que em “jardim de Getsémani” temos de confiar, permanecer no abandono, avançar para a entrega. Este maravilhoso Deus vem sempre ao nosso encontro e dá a vida por nós.

 

 

“ Olhai”.

 

Há sinais e muitos. Há luz para que eu veja. Preciso de olhar e ver com  ternura encantadora como Deus cuida de tudo com sabedoria, beleza, amor. As aves, as flores e os animais vivem a segurança do Deus que cuida, que reveste de beleza, e majestade. Na realidade a obra da criação é dócil ao dinamismo do Deus da vida e da beleza e exprime-se na gratidão das cores e no seu ambiente de festa.

O ser humano, sobretudo os filhos de Deus, são convidados a expressarem na sua vida uma total confiança no amor Providente de Deus. De quanta beleza Ele nos revestiu e nos vai revestir! Quão atento está à nossa vida, às nossas alegrias e nossas tristezas. Nenhum cabelo cai sem que Ele o saiba. Cada lágrima chorada não Lhe passa despercebida. O nosso sofrimento não Lhe é indiferente. A injustiça não O encontra desatento

Mas este Deus tão bom sente profunda alegria e contentamento nos nossos gestos de amor, na nossa confiança, na nossa doação e serviço.

Como Ele trata tão bem a criação e cada um de nós. Como gosta que sejamos semelhante a Ele, tratando bem a natureza e sobretudo os irmãos, seus filhos. E cada sorriso, cada mão estendida, cada coração aberto, cada perdão oferecido, cada pão repartido, cada palavra que anima… são para este Deus pedaços do Céu.

Ele cuida de nós e nos reveste de beleza e santidade. É maravilhoso o que fez, faz e fará E ainda não se manifestou o que havemos de ser porque quando se manifestar seremos semelhantes ao mesmo Deus.

 

 

“ Quem me julga é o Senhor”

 

Viver na perspectiva da plena confiança do amor de Deus leva a que os nossos medos e os nossos egoísmos não nos tiranizem.

Quando não vivemos na perspectiva de Deus somos tentados a viver na esfera e na ânsia da riqueza, do poder e na idolatria do eu narcisista. Seriam esses ídolos o senhor da vida, a aparente segurança. Viveríamos no medo permanente, que no fundo o “eu narcisista” sente ao pensar-se ameaçado ou perturbado diante da verdade ou das perspectivas da busca das grandes respostas que procuramos.

Quem vive confiando sinceramente no Senhor vive na verdade, não teme as suas fragilidades. Luta e esforça-se. Vive na gratidão permanente. Caminha mesmo não sabendo tudo. Permanece firme até ao fim. Testemunha com heroísmo. Compromete-se no quotidiano dinamismo do evangelho. Adquire a segurança da paz, a segurança daquele julgamento amoroso, verdadeiro e salvífico que brota do Coração do Senhor.

 

Fala o Santo Padre

 

«A fé na Providência não dispensa da luta cansativa por uma vida digna,

mas livre da fadiga pelos objectos e do receio do futuro»

Queridos irmãos e irmãs!

Na liturgia de hoje ressoa uma das palavras mais comovedoras da Sagrada Escritura. O Espírito Santo no-la doou pela mão do chamado «segundo Isaías», o qual, para confortar Jerusalém desanimada pelas desventuras, assim se expressa: «Acaso pode uma mulher esquecer-se do menino que amamenta, não ter carinho pelo fruto das suas entranhas? Ainda que ela se esquecesse dele, eu nunca te esqueceria» (Is 49, 15). Este convite à confiança no amor indefectível de Deus é posto em paralelo com a página, de igual modo sugestiva, do Evangelho de Mateus, na qual Jesus exorta os seus discípulos a confiar na providência do Pai celeste, o qual nutre os pássaros do céu e veste os lírios do campo, e conhece todas as nossas necessidades (cf. 6, 24-34). Assim se expressa o Mestre: «Não vos preocupeis dizendo: “que comeremos nós, que beberemos ou que vestiremos”? Os pagãos, esses sim, afadigam-se com tais coisas; porém, o vosso Pai celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isso».

Perante a situação de tantas pessoas, próximas e distantes, que vivem na miséria, este discurso de Jesus poderia parecer pouco realista, ou até evasivo. Na realidade, o Senhor deseja fazer compreender com clareza que não se pode servir a dois senhores: a Deus e à riqueza. Quem crê em Deus, Pai cheio de amor pelos seus filhos, põe em primeiro lugar a busca do seu Reino, da sua vontade. E isto é precisamente o contrário do fatalismo ou de um irenismo ingénuo. De facto, a fé na Providência não dispensa da luta cansativa por uma vida digna, mas livre da fadiga pelos objectos e do receio do futuro. É claro que este ensinamento de Jesus, mesmo permanecendo sempre verdadeiro e válido para todos, é praticado de modos diversos de acordo com as várias vocações: um frade franciscano poderá segui-lo de modo mais radical, enquanto um pai de família deverá ter em conta os próprios deveres para com a esposa e os filhos. Contudo, o cristão distingue-se pela absoluta confiança no Pai celeste, como foi para Jesus. É precisamente a relação com Deus Pai que dá sentido a toda a vida de Cristo, às suas palavras, aos seus gestos de salvação, até à sua paixão, morte e ressurreição. Jesus demonstrou-nos o que significa viver com os pés bem firmes no chão, atentos às situações concretas do próximo, e ao mesmo tempo tendo sempre o coração no Céu, imerso na misericórdia de Deus.

Queridos amigos, à luz da Palavra de Deus deste domingo, convido-vos a invocar a Virgem Maria com o título de Mãe da divina Providência. A ela confiemos a nossa vida, o caminho da Igreja, as vicissitudes da história. Em particular, invoquemos a sua intercessão para que todos aprendamos a viver segundo um estilo mais simples e sóbrio, na laboriosidade quotidiana e no respeito da criação, que Deus confiou à nossa protecção.

Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro a 27 de Fevereiro de 2011

 

Oração Universal

 

Caríssimos irmãos e irmãs:

oremos ao Pai celeste,

pedindo a graça de guardar no coração

a palavra que escutámos e que alimenta a nossa fé,

e imploremos, dizendo (ou: cantando):

R. Ouvi-nos, Senhor.

Ou. Deus Providente, ouvi-nos.

Ou. Ouvi, Senhor, o vosso povo.

 

1-Pelo nosso Papa Francisco e pelo nosso Bispo N.,

e pelos presbíteros e diáconos,

pelos Patriarcas do Oriente e seus presbitérios

e por todas as comunidades católicas e ortodoxas,

oremos ao Senhor.

 

2-Por todas as pessoas do mundo e seus problemas,

pelos que passam fome, ou  não têm que vestir,

pelos desempregados e pelos pobres,

e pelos que só pensam nos bens da terra

e vivem só para o dinheiro,

oremos ao Senhor.

 

3- Por todas as famílias que não têm pão para os seus filhos,

pelos que esperam que o dia de amanhã seja melhor

e pelos que já perderam toda a esperança,

oremos, irmãos.

 

4- Pelos que procuram acima de tudo o reino de Deus,

pelos que vivem confiantes como as aves do céu

e pelos que pensam só no corpo e no alimento,

oremos ao Senhor.

 

5- Pela nossa assembleia dominical,

pelos outros cristãos desta paróquia

e por todos os nossos defuntos,

oremos ao Senhor.

 

 

 

Senhor, Pai santo,

que amais os vossos filhos

e não esqueceis mesmo aqueles que as mães esquecem,

em vossas mãos colocamos, cheios de confiança,

todos os nossos cuidados presentes e futuros.

Por Jesus Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: No meio da minha vida, F. da Silva, NRMS 1 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Senhor, que nos concedeis estes dons que Vos oferecemos e nos atribuís o mérito do oferecimento, nós Vos suplicamos: o que nos dais como fonte de mérito nos obtenha o prémio da felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: Santo I, H. Faria, NRMS 103-104

 

Monição da Comunhão

 

Deus me oferece uma proposta de confiança, paz e alegria.

Que a Comunhão no Corpo e Sangue de Cristo, e por Ele, com o Pai e o Espírito Santo, me reforcem a fé e o amor.

Comungue também a Igreja Viva, de homens e mulheres, que conheço como irmãos.

 Deus nos ajude a oferecer um testemunho mais visível de um Deus belo e amigo que tem para todos um projecto maravilhoso de vida e salvação.

 

Cântico da Comunhão: Os meus olhos viram a salvação, S. Marques, NRMS 88

Salmo 12, 6

Antífona da comunhão: Cantarei ao Senhor pelo bem que me fez, exaltarei o nome do Senhor, cantarei hinos ao Altíssimo.

 

Ou:

Mt 28, 20

Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos, diz o Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Minha alma exulta de alegria, F. da Silva, NRMS 32

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos saciais com os vossos dons sagrados, concedei-nos, por este sacramento com que nos alimentais na vida presente, a comunhão convosco na vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Conscientes do que significa celebrar a Eucaristia, e conscientes dos apelos que Deus nos propõe, vamos viver e partilhar o Evangelho da confiança, da paz e da vida.

Olhando para Maria, nossa Mãe, seremos estimulados a permanecer firmes em Jesus Cristo.

 

Cântico final: Nesta santa eucaristia, H. Faria, NRMS 103-104

 

 

Homilias Feriais

 

8ª SEMANA

 

2ª Feira, 3-III: A fé mais valiosa que o oiro.

1 Ped 1, 3-9 / Mc 10, 17-27

Pois a fé tem muito mais valor do que o oiro, que desaparece, embora seja experimentado pelo fogo.

A fé tem mais valor do que o oiro (Leit.). Foi esta luz da fé que faltou ao homem rico quando Jesus lhe pediu para deixar tudo e segui-lo. E foi-se embora triste (Ev.).

Todos precisamos ter presente este modo de Deus avaliar o valor das coisas, que não coincide com as perspectivas puramente humanas. Em princípio, devemos procurar agradar a Deus em tudo, cumprir a sua vontade, sem deixar de cumprir os nossos deveres. O ideal é que procuremos unir as duas coisas mas, às vezes, perdemos de vista a hierarquia estabelecida pelo Senhor nos mandamentos: primeiro Deus, depois os outros e no fim nós. E, desse modo, podemos passar Deus para o último lugar.

 

3ª Feira, 4-III: A generosidade de Deus e a nossa generosidade.

1 Ped 1, 10-16 /Mc 10, 28-31

Não há ninguém que tenha deixado casa, irmãos, que não receba agora, no tempo actual, cem vezes mais e, no tempo que há-de vir, a vida eterna.

 Quando somos generosos com Deus, a sua generosidade é incomparavelmente maior. Às vezes esquecemo-nos disto e não lhe damos o melhor: «Cristo é o centro de toda a vida cristã. A união com Ele prevalece sobre todas as outras, quer se trate de laços familiares, quer sociais (Ev.) » (CIC, 1618).

Também precisamos ser mais generosos na aceitação dos sofrimentos «pois o espírito predisse-lhe os sofrimentos reservados a Cristo e as glórias que haviam de seguir-se a esses sofrimentos» (Leit.) Cultivemos pois o desprendimento e aceitemos com amor os sofrimentos.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Armando R. Dias

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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