7º Domingo Comum

23 de Fevereiro de 2014

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Viemos com alegria, C. Silva, NRMS 46

 

Antífona de entrada: Eu confio, Senhor, na vossa bondade. O meu coração alegra-se com a vossa salvação. Cantarei ao Senhor por tudo o que Ele fez por mim.

 

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Toda a planta começa por ser muito pequena, como um embrião, e traz em si a força para crescer até se tornar numa árvore frondosa.

O corpo humano segue o mesmo caminho de desenvolvimento. Começamos a existir como um ponto de luz, no seio materno, mas vamo-nos desenvolvendo, no corpo e no espírito, até nos transformarmos numa pessoa adulta, com o pleno uso de todas as faculdades: inteligência, vontade, saúde, força e habilidade. Quando isto não acontece, algo de mal se passa e os pais costumam preocupar-se com isso.

Também na vida espiritual – vida sobrenatural – começamos pequeninos pelo Baptismo, como uma centelha de luz divina, da graça de Deus, mas somos chamados a crescer, até nos tornarmos numa imagem viva de Jesus Cristo.

O Concílio Vaticano II veio lembrar a todos os cristãos a verdade do chamamento universal à santidade.

 

Acto penitencial

 

Preocupamo-nos muito com o desenvolvimento físico, com a saúde do corpo, mas pouco ou nada nos preocupa o desenvolvimento espiritual.

Por esta razão, estamos sempre com os mesmos defeitos – se é que eles não aumentam cada vez mais – e nem sequer nos lamentamos disso.

Renovemos o nosso desejo de crescer espiritualmente, e peçamos perdão ao Senhor, prometendo-lhe, com toda a sinceridade, que vamos fazer esforço para crescer no amor de Deus.

 

 (Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Sinto em mim o desejo para ser melhor,

    mas tenho medo das exigências da verdadeira santidade.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Gosto muito que me perdoem e compreendam,

    mas tenho muita dificuldade em perdoar as ofensas.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: entendo que o amor não tem fronteiras,

    mas, às vezes, gosto de admitir excepção de pessoas.

    Senhor, misericórdia!

 

Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Concedei-nos, Deus todo-poderoso, que, meditando continuamente nas realidades espirituais, pratiquemos sempre, em palavras e obras, o que Vos agrada. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O Senhor, por meio de Moisés, dirige um veemente apelo ao Povo de Deus para que procure na vida a santidade pessoal.

Este apelo continua a ser hoje válido para todos nós, pois o novo Povo e Deus é a Igreja.

 

Levítico 19, 1-2.17-18

1O Senhor dirigiu-Se a Moisés nestes termos: 2«Fala a toda a comunidade dos filhos de Israel e diz-lhes: ‘Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo’. 17Não odiarás do íntimo do coração os teus irmãos, mas corrigirás o teu próximo, para não incorreres em falta por causa dele. 18Não te vingarás, nem guardarás rancor contra os filhos do teu povo. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor».

 

O texto da leitura de hoje, tirado da quarta e última parte do Levítico, o chamado Código de Santidade (Lv 17 – 26), foi escolhido em função do Evangelho que apela à santidade de vida.

2 «Sede santos, porque Eu sou Santo». É uma ideia mestra do Levítico. Deus é a infinita grandeza e majestade, transcendente e inacessível a todos os restantes seres, criaturas suas. Ele é esse misterium fascínams et tremendum, cuja presença infunde respeito e temor (cf. Ex 33, 18-23); e isto a tal ponto, que o homem sente perante Ele o abismo do seu nada e da sua indignidade, por isso crê não ser possível ver a Deus e continuar a viver. Só Deus é santo, transcendente, mas todos os seres que estão em contacto com Ele e Lhe são consagrados participam da santidade de Deus, tornam-se santos, separados do profano, consagrados ao seu serviço e ao seu culto, e não apenas os lugares, tempos, objectos e pessoas, especialmente os sacerdotes, mas também todo o povo de Israel, porque foi escolhido entre os povos, para ser o povo de Deus: «vós sereis para mim um reino de sacerdotes e um povo santo» (Êx 19, 6); «sede, portanto, santos para Mim, porque Eu, Yahwéh, sou Santo e separei-vos de entre os povos, a fim de serdes meus» (Lv 20, 26). Porque o Povo era propriedade divina e estava todo ele dedicado ao culto, tinha de observar umas tantas normas de pureza ritual que lhe fizessem tomar consciência desta condição de pertença divina e dedicação ao culto. Esta santidade cultual e pureza legal não terminava no puramente legal, ritual e externo, pois ela simbolizava, protegia e fomentava a santidade interior, a perfeição moral: a separação do profano conduz à fuga do pecado, a pureza ritual postula a pureza de consciência (cf. Is 6,3-7). Todo o complicado sistema religioso do Levítico destinava-se a preparar as pessoas para Cristo que nos diz: sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito (Mt 5,48), como se lê no Evangelho deste Domingo.

 

Salmo Responsorial    Sl 102 (103), 1-2.3-4.8.10.12-13 (R. 8a)

 

Monição: O Salmo responsorial deste Domingo proclama a misericórdia de Deus para connosco, e põe nos lábios de cada um de nós um cântico de acção de graças pela bondade que o Senhor manifesta para connosco.

Bendigamos ao que, apesar da nossa fragilidade, nos chama a uma vida santa, à imitação do Pai do Céu.

 

 

Refrão:        O Senhor é clemente e cheio de compaixão.

      Ou:         Senhor, sois um Deus clemente e compassivo.

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor

e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.

Bendiz, ó minha alma, o Senhor

e não esqueças nenhum dos seus benefícios.

 

Ele perdoa todos os teus pecados

e cura as tuas enfermidades;

salva da morte a tua vida

e coroa-te de graça e misericórdia.

 

O Senhor é clemente e compassivo,

paciente e cheio de bondade;

não nos tratou segundo os nossos pecados,

nem nos castigou segundo as nossas culpas.

 

Como o Oriente dista do Ocidente,

assim Ele afasta de nós os nossos pecados;

como um pai se compadece dos seus filhos,

assim o Senhor Se compadece dos que O temem.

 

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo convida os fiéis da Igreja de Corinto – e os cristãos de todos os tempos e lugares – a tornarem-se o templo em que Deus reside e Se revela aos homens.

Para que isto aconteça, devemos renunciar definitivamente à “sabedoria do mundo” e optar pela “sabedoria de Deus”.

 

1 Coríntios 3, 16-23

16Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? 17Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é santo, e vós sois esse templo. 18Ninguém tenha ilusões. Se alguém entre vós se julga sábio aos olhos do mundo, faça-se louco, para se tornar sábio. 19Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus, como está escrito: «Apanharei os sábios na sua própria astúcia». 20E ainda: «O Senhor sabe como são vãos os pensamentos dos sábios». 21Por isso, ninguém deve gloriar-se nos homens. Tudo é vosso: 22Paulo, Apolo e Pedro, o mundo, a vida e a morte, as coisas presentes e as futuras. Tudo é vosso; 23mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus.

 

Continuamos neste Domingo com a leitura da 1ª parte da Carta aos Coríntios, em que S. Paulo pretende pôr cobro às divisões em grupinhos rivais: os coríntios iam atrás de sabedoria humana e não divina, ao gloriarem-se em pregadores preferidos. No seu apelo à unidade, Paulo apresenta a Igreja como um edifício sólido, em que todos têm de estar unidos, para se manter firme.

16-17 «Templo de Deus». A comunidade cristã de Corinto (e a Igreja universal) é designada desta forma, pois nela habita o Espírito Santo e nela exerce a sua acção santificadora. Em 1 Cor 6, 19 cada fiel em particular é também chamado templo de Deus. «Destruir o templo de Deus», a Igreja, é espalhar a má doutrina, os maus exemplos (daqui provém a expressão, conduta desedificante), mas também o atentar contra a unidade da Igreja, nem que seja só por promover capelinhas.

21-22 «Tudo é vosso». S. Paulo quer rebater aqueles cristãos com menos formação que se queriam prender demasiado ao prestígio da pessoa dos pregadores do Evangelho – eu cá sou de Apolo», eu cá sou de Paulo, eu cá sou de Pedro (v. 4) – e que, com demasiada visão humana, se gloriavam dos homens e dos seus dotes de eloquência, mostrando assim estarem imbuídos duma sabedoria deste mundo (v. 19). Por isso exclama: tudo é vosso, incluindo os pregadores e chefes da Igreja (Apolo, Paulo, Pedro); estes não são os proprietários dos fiéis, mas eles pertencem à comunidade dos fiéis, como seus servos (cf. 2 Cor 4, 5), por isso não tem sentido andarem a dizer: sou de Paulo, sou de Apolo... (v. 4). «Vós sois de Cristo!» e «Cristo é de Deus», enquanto homem; considerado como pessoa, Ele mesmo é Deus (cf. Filp 2, 6-11).

 

Aclamação ao Evangelho        1 Jo 2, 5

 

Monição: A verdadeira prova do amor do cristão é a fidelidade à Sua Palavra, pelas obras de cada momento.

Alegremo-nos e aclamemos o Evangelho que faz chegar ao nosso coração estas consoladoras verdades.

 

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Quem observa a palavra de Cristo,

nesse o amor de Deus é perfeito.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 5, 38-48

38«Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Olho por olho e dente por dente’. 39Eu, porém, digo-vos: Não resistais ao homem mau. Mas se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda. 40Se alguém quiser levar-te ao tribunal, para ficar com a tua túnica, deixa-lhe também o manto. 41Se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante uma milha, acompanha-o durante duas. 42Dá a quem te pedir e não voltes as costas a quem te pede emprestado. 43Ouvistes que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. 44Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, 45para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus; pois Ele faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos. 46Se amardes aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem a mesma coisa os publicanos? 47E se saudardes apenas os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não o fazem também os pagãos? 48Portanto, sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito».

 

Continuamos neste Domingo com o Sermão da Montanha, na primeira parte, em que se agora é abordado o tema central da Boa Nova, a caridade para com todos.

39-40 «Não resistais ao homem mau». Jesus, com a lei do amor – o mandamento novo (Jo 13, 34) –, revoga para sempre a lei da vingança, que, embora moderada pela lei do talião (Ex 21, 23; Lev 24, 19-20; Dt 19, 18-21), era uma lei de desforra ditada não pelo amor, mas pelo zelo da própria honra ou da honra da família ou do clã. A lei do talião correspondia a um grande avanço moral e social para os tempos do Antigo Testamento, pois evitava uma vingança exagerada, que só provocaria novas vinganças sem fim; esta lei estabelecia o critério de que o castigo devia ser tal qual o delito, não podendo ser maior, daí o seu nome: talião. Jesus Cristo estabelece novas bases – o amor, o perdão das ofensas, a superação do orgulho – sobre as quais os homens hão-de atender a uma defesa razoável dos seus direitos. Os exemplos que Jesus dá, tão incisivos – oferecer a outra face, deixar a capa –, apontam para um novo espírito, com que têm de ser solucionados os conflitos, não são exemplos a indicar a letra da lei!

43 «Amarás o teu próximo, odiarás o teu inimigo». Só a 1ª parte estava expressa na Sagrada Escritura (cf. Lev 19, 18 – 1.a leitura). Os judeus consideravam próximo apenas os parentes, amigos e correligionários, ideia que Jesus corrigiu (cf. Lc 10, 25-37). A lei do ódio ao inimigo era deduzida das prescrições relativas aos gentios, para se evitar o contágio da idolatria (cf. Dt 20, 13-17; 23, 4-7; 25, 17-19).

48 «Sede perfeitos, como o vosso Pai Celeste é perfeito». A expressão não é um paradoxo, pois rigorosamente falando, é impossível que a criatura alcance a perfeição de Deus. Mas esta é a meta para que deve tender todo o discípulo de Cristo. A santidade é a vocação de todo o baptizado. João Paulo II propôs como objectivo para o caminho da Igreja no 3º milénio a santidade de vida para todos: «Como explicou o Concílio, este ideal de perfeição não deve ser objecto de equívoco, vendo nele um caminho extraordinário, capaz de ser percorrido apenas por algum génio da santidade. Os caminhos da santidade são variados e apropriados à vocação de cada um. Agradeço ao Senhor por me ter concedido, nestes anos, beatificar e canonizar muitos cristãos, entre os quais numerosos leigos que se santificaram nas condições ordinárias da vida. É hora de propor de novo a todos, com convicção, esta medida alta da vida cristã ordinária: toda a vida da comunidade eclesial e das famílias cristãs deve apontar nesta direcção. Mas é claro também que os percursos da santidade são pessoais e exigem uma verdadeira e própria pedagogia da santidade, capaz de se adaptar ao ritmo dos indivíduos; deverá integrar as riquezas da proposta lançada a todos com as formas tradicionais de ajuda pessoal e de grupo e as formas mais recentes oferecidas pelas associações e movimentos reconhecidos pela Igreja».

 

Sugestões para a homilia

 

• Santidade pessoal: mandato do Senhor

Jesus Cristo, modelo de santidade

Evitar o pecado

Praticar a virtude

• O caminho da santidade

Magnanimidade

Amor sem fronteiras

Com os olhos em Deus

 

1. Santidade pessoal: mandato do Senhor

 

A santidade é a perfeição nas ideias e nas obras. Mas nós temos olhares com horizontes muito limitados. Além disso, imaginamos a perfeição à nossa imagem e semelhança.

Por isso, sem a ajuda de Deus, é fácil cair em erros sobre o que verdadeiramente é santo.

O Senhor disse: «Sede santos porque Eu, o vosso Deus, sou santo». Porque é que este convite à santidade parece algo estranho para nós?

Porque uma certa mentalidade contemporânea nos leva a ver os santos como extra-terrestres, seres estranhos que pairam acima das nuvens sem se misturar com os outros seus irmãos e que passam ao lado dos prazeres da vida, ocupados em conquistar o céu a golpes de renúncia, de sacrifício e de longos trabalhos ascéticos…

No entanto, a santidade não é uma anormalidade, mas uma exigência da comunhão com Deus. É o “estado normal” de quem se identifica com Cristo, assume a sua filiação divina e pretende caminhar ao encontro da vida plena, do Homem Novo.

 

a) Jesus Cristo, modelo de santidade. «Fala a toda a comunidade dos filhos de Israel e diz-lhes: “Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo”.»

A santidade não depende da idade. Encontramos nos altares pessoas de todas as idades, desde a infância à idade madura. Basta lembrar os Pastorinhos de Fátima.

Não está condicionada pela cor nem pela raça. Santa Josefina Bakita era do Sudão e de cor negra; temos santos do Japão, do Vietname, da Coreia.

Não é reservada a um grupo cultural, profissão ou status social. S. Tomás Moro era primeiro ministro da Inglaterra, S. Bento José Labre, mendigo, Beato Mateus Talbot era carregador dum porto e chegou aos altares depois de ter vencido o vício do alcoolismo, Santa Zita era empregada doméstica. Os pais de Santa Teresinha do Menino Jesus estão beatificados, e Santa Joana Bereta Mola era médica e mãe de família.

Para que não nos perdêssemos no caminho do Céu a inventar modelos de santidade, o próprio Deus propõe-Se como nosso modelo.

Encontramos, porém, entre as pessoas uma falsa imagem da santidade pessoal. Imaginamos o santo como alguém que vive alheio a este mundo de preocupações, desconsolado da vida e que tenta comunicar aos outros este modelo de comportamento.

Pensamos nele como um privilegiado. Não tem tentações, nem dificuldades. Nasceu assim, diferente dos outros e sem liberdade de escolha, porque, mesmo que o tentasse, não poderia ser diferente do que é. Encaramo-lo como prisioneiro de um certo fatalismo.

Sentimos, ao mesmo tempo, que não queremos ser santos, porque desejamos viver com realismo no meio dos outros, sem nada que nos coloque em destaque.

Estarmos perante uma imagem falsa, fabricada pela ignorância e pelo Inimigo. O santo é um apaixonado de Deus. E, como todos os apaixonados, procura fazer a Sua vontade, ajudado sempre pela graça.

Ninguém é espontânea e fatalmente santo. Que o digam a Madalena pecadora, santo Agostinho que procurou Deus pelos falsos caminhos da felicidade, o beato Mateus Talbot que se libertou da escravidão do álcool e tantos outros.

O santo alcança a santidade por um esforço humano perseverante, ajudado pela graça.

Heroicidade de vida e de virtudes é o que a Igreja exige para elevar alguém à glória dos altares.

 

b) Evitar o pecado. «Não odiarás do íntimo do coração os teus irmãos, [...] Não te vingarás, nem guardarás rancor contra os filhos do teu povo

Todos os pecados que se cometem são cedências à fraqueza humana e, directa ou indirectamente, contra o amor para com Deus e para com o próximo. É, pois, um erro pensar: “Pequei, mas não prejudiquei nem ofendi ninguém.”

Quando um membro está doente ou é agredido, todo o corpo sofre. O pecado é uma agressão, um sintoma da falta de amor verdadeiro. E uma manifestação de egoísmo, um fechar-se em si mesmo, recusando-se a aceitar o amor de Deus.

O primeiro passo para a santidade é a eliminação do pecado, mesmo venial, evitar transgredir os mandamentos e procurar recuperá-la quando for necessário.

Nesta perspectiva, a vida cristã aparece como um verdadeiro desporto, com tentativas repetidas de alcançar a boa forma espiritual.

É um erro e uma profanação falar dos santos atribuindo-lhes os defeitos e os pecados dos homens.

O Senhor dá-nos a ajuda constante da Sua luz e entregou à Igreja os Sacramentos que nos fortalecem para esta luta.

Para que a santidade não seja uma miragem, uma ilusão, temos de procurar viver num contínuo processo de conversão, que elimine do nosso coração as raízes do mal, responsáveis pelo egoísmo, pelo ódio, pela injustiça, pela exploração.

 

c) Praticar a virtude. «Amarás o teu próximo como a ti mesmo

Esta luta diária pela santidade pessoal não se fica pelo lado negativo, limitando-se a não cometer pecados.

É preciso exercitar-se em todas as virtudes humanas, sem faltar uma só: a humildade, a alegria, a atenção aos outros, a justiça, etc.

Ser santo não se concretiza em viver de olhos voltados para Deus esquecendo os homens; mas a santidade implica um real compromisso com o mundo. Passa pela construção de uma vida de verdadeira relação com os irmãos; e isso implica o banir qualquer tipo de agressividade, de vingança, de rancor; implica uma preocupação real com a felicidade e a realização do outro. Diz o Senhor: «corrigirás o teu próximo». Isto implica amar as outras pessoas como a nós mesmos.

À medida que uma pessoa se preocupa com amar a Deus sobre todas as coisas, as virtudes começam a notar-se, a simpatia a crescer, embora o Senhor possa permitir que haja incompreensões.

Entendemos o que é a santidade quando reparamos na vida da Beata Teresa de Calcutá, em João Paulo II e tantos outros.

Eram pessoas extremamente simpáticas e empenhadas na ajuda aos mais carenciados do corpo ou da alma.

Um santo provoca, involuntariamente, um certo mal estar no seu meio, porque é uma reprovação constante do vício, do pecado, e uma apelo permanente à generosidade para com Deus. O primeiro a sofrer esta oposição foi o Divino Mestre.

Havemos de ter consciência de que não podemos ser santos se o amor não se derramar nos nossos gestos e nas nossas palavras.

 Não podemos ser santos se vivermos fechados em nós mesmos, na indiferença para com os nossos irmãos, ainda que rezemos muitas orações.

 

2. O caminho da santidade

 

Ao falar das exigências da santidade, Jesus põe em destaque a superação de uma mentalidade do Seu tempo de vingança e que ainda não passou.

Aponta-nos o caminho de virtudes heróicas, convidando-nos a imitá-l’O.

 

a) Magnanimidade. «Ouvistes que foi dito aos antigos: “Olho por olho e dente por dente”. Eu, porém, digo-vos: Não resistais ao homem mau

A magnanimidade consiste em ter um coração grande, aberto ao amor de todos, passando por alto as pontuais vinganças dos homens.

A nossa tendência doentia empurra-nos para a vingança mesquinha, pagando o mal com o mal. Sentimos o apelo dos pontos de honra, de obrigar a pessoa, pela violência, a abandonar os caminhos do mal.

O Senhor, pelo contrário, ensina-nos que temos de abafar o mal com a abundância de bem, apagar o incêndio do ódio e da má vontade com a água refrescante do amor.

• À nossa tentação de pagar olho por olho e dente por dente, o Senhor opõe o não estar a fazer resistência ao malvado, não dialogar com ele respondendo ao mal com o mal. Se procedêssemos deste modo, criar-se-ia uma espiral de violência que iria crescendo sempre. É isto mesmo que acontece nas guerras, nas lutas e vinganças entre pessoas e até entre famílias.

• «Mas se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda

Às vezes poderá parecer que somos humanamente mal sucedidos nesta magnanimidade. João Paulo II foi à prisão dizer a Ali Aca, o seu agressor, na Praça de S. Pedro, em 13 de Maio de 1981, que lhe perdoava de todo o coração.

O secretário do Papa, que estava perto, ouviu este homem perguntar: “porque não morreu? Eu sou um atirador profissional, bem treinado. Por que é que não consegui abatê-lo?

• A magnanimidade desconcerta as pessoas. Diz Jesus: «Se alguém quiser levar-te ao tribunal, para ficar com a tua túnica, deixa-lhe também o manto. Se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante uma milha, acompanha-o durante duas.»

Encontramos, por vezes, pessoas que não nos aconselham segundo o espírito de Deus. Dizem-nos: “Se fosse a ti, vingava-me desta forma e daquela.” Não nos podemos guiar por elas.

 

b) Amor sem fronteiras. «Amai os vossos inimigos orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus; pois Ele faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos

Muitas vezes, entendemos o amor como uma mera simpatia humana. Dividimos o mundo entre aqueles com quem simpatizamos e os que nos são naturalmente antipáticos. Daí vem o estado de espírito que nos faz estar sempre de pé atrás e interpretar sempre mal o que dizem ou fazem aqueles com quem não simpatizamos; e somos levados a achar tudo bem – mesmo os defeitos e pecados – naqueles que amamos. Que o digam as mães em relação aos filhos...

• Não é amor o esquecimento e desprezo sobranceiro. O amor leva-nos a uma aproximação, e não a um afastamento gradual.

Perante as ofensas de outros, há o costume de dizer: “Perdoo mas não esqueço.” Perdoar é exactamente esquecer, rasgar a factura da dívida, para nunca mais se cair na tentação de a apresentar.

• Não ter fronteiras no amor é não excluir ninguém, por questão de raça, de idade ou de religião. Não se trata de ter intimidade, sentimento, mas de ter amor que nos leva a pensar bem das pessoas a falar bem delas e a ajudá-las.

 

c) Com os olhos em Deus. «Portanto, sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito

Manda-nos o Senhor Jesus que olhemos constantemente para o Pai do Céu, para que O imitemos no dia a dia.

Mesmo depois de termos vencido a inclinação para a vingança, para o desamor, podem surgir tentações que nos desviam do caminho da santidade a que somos chamados.

Procurar o louvor e gratidão das pessoas. É tão humano receber o agradecimento por alguma coisa que fazemos que, quando isto não acontece, ficamos à espera e queixamo-nos.

Ou recebemos a recompensa das pessoas ou de Deus. Vale a pena esperar pela que Ele nos tem reservada, porque a dos homens é passageira e de pouco valor.

A vaidade pelo que se faz. É outro dos desvios a que somos tentados, depois de termos vencido a resistência da nossa natureza decaída: contemplarmos, embevecidos, o próprio êxito e tomarmos conta dele, como se fosse nosso.

• A luta pela santidade pessoal, quando realizada com os olhos em Deus, é um verdadeiro acto de culto, como nos ensina S. Paulo: «Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?» Somos, na verdade, templos de Deus, manifestação amorosa da Sua presença no meio dos homens.

Também neste particular, Nossa Senhora dá-nos uma lição maravilhosa. Quando Isabel a proclama como “a Mãe do meu Senhor”, Maria não nega que seja verdade, porque isso seria mentir. Reconhece a grandeza a que Deus a chamou, mas atribui-Lhe toda a glória, cantando o Magnificat.

Que Ela nos ajude a percorrer, na terra, o caminho da santidade, até A contemplarmos na glória do Céu.

 

Fala o Santo Padre

 

«Quem acolhe o Senhor na própria vida

e o ama com todo o coração é capaz de um novo início»

Queridos irmãos e irmãs!

Neste sétimo domingo do Tempo Comum, as leituras bíblicas falam-nos da vontade de Deus de tornar os homens partícipes da sua vida: «sede santos, porque Eu sou santo. Eu, o Senhor vosso Deus» — lê-se no livro do Levítico (19, 2). Com estas palavras, e com os preceitos a que elas dão origem, o Senhor convidava o povo que tinha escolhido a ser fiel à aliança com Ele, caminhando pelas suas veredas e fundava a legislação social sobre o mandamento «amarás ao teu próximo como a ti mesmo» (Lv 19, 18). Depois, se ouvirmos Jesus, no qual Deus assumiu um corpo mortal para se fazer próximo de cada homem e revelar o seu amor infinito por nós, encontramos aquela mesma chamada, aquele mesmo objectivo audacioso. De facto, o Senhor diz: «Sede, pois, perfeitos, como é perfeito vosso Pai celeste» (Mt 5, 48). Mas quem poderia tornar-se perfeito? A nossa perfeição é viver como filhos de Deus, cumprindo concretamente a sua vontade. São Cipriano escrevia que «à paternidade de Deus deve corresponder um comportamento de filhos de Deus, para que Deus seja glorificado e louvado pela boa conduta do homem» (De zelo et livore, 15: CCL 3a, 83).

De que modo podemos imitar Jesus? Ele diz: «Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem. Fazendo assim, tornar-vos-eis filhos do vosso Pai que está nos Céus» (Mt 5, 44-45). Quem acolhe o Senhor na própria vida e o ama com todo o coração é capaz de um novo início. Consegue cumprir a vontade de Deus: realizar uma nova forma de existência animada pelo amor e destinada à eternidade. O apóstolo Paulo acrescenta: «Não sabeis que sois templos de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?» (1 Cor 3, 16). Se estivermos deveras conscientes desta realidade, e a nossa vida for por ela profundamente plasmada, então o nosso testemunho torna-se claro, eloquente e eficaz. Um autor medieval escreveu: «Quando, por assim dizer, todo o ser do homem se misturou com o amor de Deus, então o esplendor da sua alma reflecte-se também no aspecto exterior» (João Clímaco, Scala Paradisi, XXX: pg 88, 1157 b), na totalidade da vida. «É grandioso o amor — lemos no livro da Imitação de Cristo — um bem que torna leve tudo o que é pesado e suporta tranquilamente tudo o que é difícil. O amor aspira a elevar-se, sem ser aprisionado seja pelo que for na terra. Nasce de Deus e só em Deus pode encontrar repouso» (III, v, 3).[…]

Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro a 20 de Fevereiro de 2011

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Cristo Jesus reuniu-nos hoje na Sua Presença

para que sejamos santos como Ele é santo.

Estamos conscientes da nossa incapacidade,

para realizar este projecto sobre cada um de nós.

Peçamos humilde e confiadamente a Sua ajuda.

Oremos (cantando):

 

    Senhor, santificai-nos!

 

1. Pelo Santo Padre, Pastor da Igreja Universal,

    para que nos ajude a fazer a vontade de Deus,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, santificai-nos!

 

2. Por todos os que sentem a dificuldade em perdoar,

    para que o Espírito Santo os encha de fortaleza,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, santificai-nos!

 

3. Pelos pais e mães de família da nossa comunidade,

    para que façam do lar uma escola de amor e perdão,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, santificai-nos!

 

4. Pelos que se sentem marginalizados pelos outros,

    para que o Senhor os conforte e ajude a perdoar,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, santificai-nos!

 

5. Por todos nós reunidos para celebrar o Domingo,

    para que acolhamos o chamamento à santidade,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, santificai-nos!

 

6. Pelos nossos irmãos defuntos que são purificados,

    para que o Senhor lhes conceda o eterno descanso,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, santificai-nos!

 

Senhor que nos chamastes à vida na terra

para construirmos em nós a Vossa imagem,

trabalhando cada dia na pela santidade:

ajudai-nos a corresponder com generosidade

aos Vossos desígnios de infinito Amor,

para Vos podermos contemplar no Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

A Santa Missa é o memorial da Morte do Senhor. Celebramo-la com alegria, porque nos dá a certeza do Amor infinito de Deus por nós e que a nossa dívida contraída pelo pecado está paga.

Para Se imolar por nós, neste Sacrifício incruento, o Senhor, pelo ministério do sacerdote, converterá o pão e vinho que levámos ao altar no Seu Corpo e Sangue para nosso Alimento.

 

Cântico do ofertório: Que bom Senhor, estar ao pé de Ti, M. Carneiro, NRMS 36

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, que celebremos dignamente estes divinos mistérios, de modo que os dons oferecidos para vossa glória sejam para nós fonte de eterna salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Santo: F. da Silva, NRMS 14

 

Saudação da Paz

 

Seremos construtores da paz na medida em que soubermos perdoar de todo o coração, aceitando as exigências do Amor de Deus.

Manifestemos esta disposição interior, como a liturgia nos pede.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

O templo de Deus que somos pelo Baptismo vai agora tornar-se ainda mais rico pela sagrada comunhão. Vamos acolher dentro de nós, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, Jesus Cristo feito Alimento por nosso Amor.

Lancemos um último olhar ao nosso interior para constatar se estamos na graça de Deus e acreditamos na Presença Real. Aproximemo-nos, depois, com toda a reverência, a recebê-l’O.

 

Cântico da Comunhão: Quem disser: Eu amor a Deus, F. da Silva, NRMS 73-74

 

 

Salmo 9,2-3

Antífona da comunhão: Cantarei todas as vossas maravilhas. Quero alegrar-me e exultar em Vós. Cantarei ao vosso nome, ó Altíssimo.

 

Ou

Jo 11,27

Senhor, eu creio que sois Cristo, Filho de Deus vivo, o Salvador do mundo.

 

 

Cântico de acção de graças: Cantarei ao Senhor por tudo, F. da Silva, NRMS 70

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Deus omnipotente, que este sacramento de salvação seja para nós penhor seguro de vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Sejamos na vida sinal do amor misericordioso de Deus, pela palavra amiga e pelo exemplo.

Ajudemos as pessoas que estão ao nosso alcance a caminhar para uma verdadeira reconciliação umas com as outras e todas com Deus.

 

Cântico final: Bendiz minha alma o Senhor, M. Carneiro, NRMS 105

 

 

Homilias Feriais

 

7ª SEMANA

 

2ª Feira, 24-II: A eficácia da oração feita com fé.

Tg 3, 13-18 / Mc 9, 14-29

Jesus replicou-lhe: Se podes?! Tudo é possível a quem acredita.

«Do mesmo modo que Jesus ora ao Pai e lhe dá graças antes de receber os seus dons, assim também nos ensina esta audácia filial: 'tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o alcançastes'. Tal é a força da oração: 'tudo é possível a quem crê' (Ev.), com uma fé que não hesita» (CIC, 2610). São duas as qualidades da oração que aqui se sublinham: a audácia filial e a fé.

Além disso, a oração é também importante para alcançarmos a sabedoria de Deus, que nos ensina a sermos rectos nas nossas intenções; e que é portadora de paz, compreensiva, condescendente, cheia de compaixão e de benefícios, imparcial e sem hipocrisia (Leit.).

 

3ª Feira, 25-II: Humildade na oração e no convívio com os outros.

Tg 4, 1-10 / Mc 9, 30-37

A Escritura diz também: Deus resiste aos soberbos e dá a graça aos humildes. Humilhai-vos diante do Senhor, que Ele há-de exaltar-vos.

Pede-nos o Senhor que sejamos humildes para encontrarmos graça diante de Deus. Os discípulos discutem no caminho quem seria o maior, e Jesus pede que o imitemos: «Quem quiser ser o primeiro há-de ser o último de todos e o servo de todos» (Ev.).

A humildade é também necessária para a oração de petição: «Não tendes nada, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, pois o que pedis é para satisfazer as vossas paixões» (Leit.). Ou reconhecermos que é importante perseverarmos: «Não te aflijas se não recebes logo de Deus o que lhe pedes: É que Ele quer beneficiar-te anda mais pela tua perseverança em permanecer com Ele na oração» (CIC, 2737).

 

4ª Feira, 26-II: A evangelização em Cristo e por Cristo.

Tg 4, 13-17 / Mc 9, 38-40

Vós dizeis: hoje ou amanhã iremos a tal cidade e passaremos lá um ano. Envaideceis-vos com as vossas jactâncias.

Nas tarefas de evangelização, não podemos esquecer-nos que devemos contar sempre com Deus, pois nós somos apenas instrumentos, e todo o fruto é dado pelo Senhor (Leit.). O que é importante é proclamar a verdade sobre Cristo e sobre o homem, em união filial com o Papa e os Bispos em união com ele.

Além disso, devemos alegrar-nos por o Senhor ser anunciado de modos muito diferentes, consoante os vários carismas. O que importa é que seja conhecido e amado. Em vez de criticarmos os modos de actuar de outros, peçamos pelos frutos da evangelização: «quem não é contra nós é a nosso favor» (Ev.)

 

5ª Feira, 27-II: Dois caminhos de conversão para a vida eterna.

Tg 5, 1-6 / Mc 9, 41-50

Se a tua mão for para ti ocasião de pecado, corta-a. É melhor entrares mutilado na vida eterna.

O Senhor dá-nos conselhos para garantir a vida eterna: «Jesus fala muitas vezes da 'gehena do fogo que não se apaga' (Ev.), reservada aos que recusam até ao fim da vida acreditar e converter-se» (CIC, 1034). Um modo de conversão consiste em cortar, evitar tudo aquilo que for ocasião de pecado (Ev.).

 O outro modo é o bom uso dos bens materiais: «felizes os pobres de espírito: deles é o reino dos Céus» (S. Resp.). Pode concretizar-se do modo indicado pelo Apóstolo: cuidado com a acumulação de riquezas, em proveito próprio; com a privação de salário aos trabalhadores; com uma vida regalada enquanto outros sofrem (Leit.).

 

6ª Feira, 28-II: A vontade de Deus sobre o matrimónio e a família.

Tg 5, 9-12 / Mc 10, 1-12

Mas, no princípio da criação, fê-los Deus homem e mulher. O homem deixará pai e mãe, para se unir à sua mulher, e os dois passarão a ser um só.

Jesus remete para o princípio da criação, manifestando a vontade de Deus sobre o matrimónio, com as suas propriedades (Ev.). Infelizmente há uma grande campanha contra o matrimónio e a família. Poder-se-iam aplicar os conselhos de S. Tiago: Constância e fidelidade aos compromissos (Leit.).

Um exemplo de constância: o de Job (Leit), que suportou todas a contrariedades que teve, e recebeu do Senhor uma bela recompensa. E também o de fidelidade, para o qual é preciso que o 'sim' seja sempre o ´'sim' para toda a vida, sem que passe ao 'não' por motivos puramente humanos (Leit).

 

Sábado, 1-III: Como entrar no reino dos Céus.

Tg 5, 13-20 / Mc 6, 24-34

Está doente alguém entre vós? Mande chamar os anciãos da Igreja, e estes que orem sobre ele, dando-lhe a unção com óleo em nome do Senhor.

S. Tiago recomenda o sacramento da Unção dos doentes para aqueles que estiverem enfermos. O Senhor poderá devolver-lhes a saúde e/ou perdoar-lhes os pecados. Mas também recomenda que se reze por aqueles estão doentes da alma: «se alguém entre vós se transviar para longe da verdade». É consolador que diga que, quem fizer voltar um pecador do seu descaminho, salvará da morte a sua alma e obterá o perdão de muitos pecados (Leit.).

O reino de Deus é também alcançável por aqueles que se fazem como crianças (Ev.). Este é um dos aspectos da filiação divina: O nosso Pai do Céu tem uma ternura especial por aqueles se agarram à sua mão, como as crianças dependem dos pais.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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