6º Domingo Comum

16 de Fevereiro de 2014

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Feliz o povo que sabe aclamar-vos, A. Cartageno, NRMS 87

 

Antífona de entrada: Sede a rocha do meu refúgio, Senhor, e a fortaleza da minha salvação. Para glória do vosso nome, guiai-me e conduzi-me.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O cristão recebe de Jesus o segredo para ser feliz cá na terra e depois no céu. Em cada missa alimentamo-nos da Sua Palavra e enchemo-nos da sabedoria de Deus.

 

 Irmãos, para podermos escutá-Lo, vamos preparar o nosso coração, limpando-o do pecado pelo nosso arrependimento.

 

Oração colecta: Senhor, que prometestes estar presente nos corações rectos e sinceros, ajudai-nos com a vossa graça a viver de tal modo que mereçamos ser vossa morada. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O texto de Ben Sirá lembra-nos a liberdade humana, dada por Deus e que temos de usar para fazer o bem.

 

Ben-Sirá 15, 16-21 (15-20)

16Se quiseres, guardarás os mandamentos: ser-lhe fiel depende da tua vontade. 17Deus pôs diante de ti o fogo e a água: estenderás a mão para o que desejares. 18Diante do homem estão a vida e a morte: o que ele escolher, isso lhe será dado. 19Porque é grande a sabedoria do Senhor, Ele é forte e poderoso e vê todas as coisas. 20Seus olhos estão sobre aqueles que O temem, Ele conhece todas as coisas do homem. 21Não mandou a ninguém fazer o mal, nem deu licença a ninguém de cometer o pecado.

 

A leitura é tirada da primeira parte da obra didáctica e poética de Jesus ben Sirac, também chamado Sirácida, que veio a tomar o nome de Eclesiástico, por ter sido o livro do A. T. mais utilizado pela Igreja na instrução dos catecúmenos.

O texto da leitura enquadra-se dentro de um conjunto de ensinamentos práticos em ordem a alcançar a verdadeira sabedoria: «quem se dedica à Lei possuirá a sabedoria» (15, 1); e o final do capítulo 15 é a apologia da liberdade (vv. 11-21). Como diz o Concílio Vaticano II, «Deus quis «deixar o homem entregue à sua própria decisão» (Sir 15, 14), para que busque por si mesmo o seu Criador e livremente chegue à total e feliz perfeição, aderindo a Ele» (GS 17). A lei de Deus é o norte a orientar a liberdade humana, mas não no-la tira, como tão-pouco os sinais de trânsito; o que faz é proteger a nossa liberdade.

21 «Não mandou a ninguém fazer o mal, nem deu licença a ninguém de cometer o pecado». A verdade, porém, é que há situações em que se torna difícil cumprir toda a Lei de Deus, mas não se pode dizer que seja impossível, segundo explica Santo Agostinho, «“porque Deus não manda coisas impossíveis, mas ao mandar aquilo que manda, convida-te a fazer o que puderes e a pedir o que não puderes” e ajuda-te para que possas. “Os seus mandamentos não são uma carga” (1 Jo 5, 3), o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11, 30).» (Veritatis Splendor, 102)

 

Salmo Responsorial    Sl 118 (119), 1-2.4-5.17-18.33-34 (R. 1b)

 

Monição: O salmo é um cântico de louvor da Lei de Deus. Animemo-nos a cumpri-la fielmente. Ela é caminho da verdadeira felicidade.

 

Refrão:      Ditoso o que anda na lei do Senhor.

 

Felizes os que seguem o caminho perfeito

e andam na lei do Senhor.

Felizes os que observam as suas ordens

e O procuram de todo o coração.

 

Promulgastes os vossos preceitos

para se cumprirem fielmente.

Oxalá meus caminhos sejam firmes

na observância dos vossos decretos.

 

Fazei bem ao vosso servo:

viverei e cumprirei a vossa palavra.

Abri, Senhor, os meus olhos

para ver as maravilhas da vossa lei.

 

Ensinai-me, Senhor, o caminho dos vossos decretos

para ser fiel até ao fim.

Dai-me entendimento para guardar a vossa lei

e para a cumprir de todo o coração.

 

 

Segunda Leitura

 

Monição: S.Paulo fala da verdadeira sabedoria que é a fé. Por ela participamos da sabedoria do próprio Deus.

 

1 Coríntios 2, 6-10

6Nós falamos de sabedoria entre os perfeitos, mas de uma sabedoria que não é deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que vão ser destruídos. 7Falamos da sabedoria de Deus, misteriosa e oculta, que já antes dos séculos Deus tinha destinado para a nossa glória. 8Nenhum dos príncipes deste mundo a conheceu; porque se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória. 9Mas, como está escrito, «nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passou pelo pensamento do homem o que Deus preparou para aqueles que O amam». 10Mas a nós Deus o revelou por meio do Espírito Santo, porque o Espírito Santo penetra todas as coisas, até o que há de mais profundo em Deus.

 

A leitura é tirada da 1ª parte da Carta aos Coríntios, em que S. Paulo corrige uma série de desordens que havia na comunidade; a primeira delas eram as divisões que o Apóstolo atribui à procura duma sabedoria terrena, baseada na eloquência dos pregadores, quando o que Paulo pregava era uma sabedoria divina, a do plano salvador de Deus através da morte de Cristo na Cruz, que era «uma sabedoria entre os perfeitos, mas de uma sabedoria que não é deste mundo» (v. 6). Só a podiam entender «os perfeitos», isto é, os mais adiantados na perfeição, já com maior maturidade cristã, humana e sobrenatural. O Apóstolo não quer dizer que se trata de um grupo fechado de iniciados, como havia nas religiões mistéricas pagãs da época. Esta sabedoria é «misteriosa e oculta», o que não quer dizer que seja contrária à razão humana, mas, porque sendo sobrenatural, procede da Revelação divina, não estando ao alcance dos que não têm fé, embora sejam os donos do mundo: «os príncipes deste mundo».

8 «Não teriam crucificado o Senhor da glória». Não poderia ser mais clara a alusão à divindade de Jesus; como se não bastasse chamar-lhe Senhor (Kyrios, um título divino com que os LXX traduziram o nome divino de Yahwéh e com que a Igreja primitiva honrava a Jesus: Filp 2, 11), S. Paulo determina a sua qualidade de Senhor, a glória, que é um atributo divino, alusivo ao esplendor da majestade divina que refulge nas teofanias do AT (cf. Ex 40, 34-38; Ez 43, 2-5).

9 Temos aqui uma citação que não é literal de Isaías e Jeremias (Is 64, 3; 65, 17; Jer 3, 16), podendo ser feita através de algum targum (tradução livre aramaica), ou de algum apócrifo perdido. De qualquer modo, visa as maravilhas da graça e da glória.

10 «O Espírito Santo penetra todas as coisas, até o que há de mais profundo em Deus». Temos aqui um dos textos bíblicos mais expressivos da divindade do Espírito Santo, como pessoa distinta do Pai, uma verdade de fé que inicialmente teve dificuldade em se exprimir. Está implícita esta comparação: assim como só o homem sabe o que se passa nas profundezas do seu íntimo, assim também só o Espírito de Deus pode conhecer directamente o que há no abismo incomensurável e impenetrável de Deus (tà báthê tou Theou).

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Mt 11, 25

 

Monição: Jesus lembra-nos os mandamentos dados por Deus a Moisés. Ele não veio aboli-los mas ensinar-nos a cumpri-los com mais perfeição.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 50-51

 

Bendito sejais, ó Pai, Senhor do céu e da terra,

porque revelastes aos pequeninos os mistérios do reino.     

 

 

 

Evangelho *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Mateus 5, 17-37               Forma breve: São Mateus 5, 20-22a.27-28.33-34a.37

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: [17«Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas completar. 18Em verdade vos digo: Antes que passem o céu e a terra, não passará da Lei a mais pequena letra ou o mais pequeno sinal, sem que tudo se cumpra. 19Portanto, se alguém transgredir um só destes mandamentos, por mais pequenos que sejam, e ensinar assim aos homens, será o menor no reino dos Céus. Mas aquele que os praticar e ensinar será grande no reino dos Céus]. 20Porque Eu vos digo: Se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos Céus. 21Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Não matarás; quem matar será submetido a julgamento’. [22Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que se irar contra o seu irmão será submetido a julgamento. Quem chamar imbecil a seu irmão será submetido ao Sinédrio, e quem lhe chamar louco será submetido à Geena de fogo. 23Portanto, se fores apresentar a tua oferta sobre o altar e ali te recordares que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24deixa lá a tua oferta diante do altar, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão e vem depois apresentar a tua oferta. 25Reconcilia-te com o teu adversário, enquanto vais com ele a caminho, não seja caso que te entregue ao juiz, o juiz ao guarda, e sejas metido na prisão. 26Em verdade te digo: Não sairás de lá, enquanto não pagares o último centavo.] 27Ouvistes que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. 28Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que olhar para uma mulher desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração. 29[Se o teu olho é para ti ocasião de pecado, arranca-o e lança-o para longe de ti, pois é melhor perder-se um dos teus membros do que todo o corpo ser lançado na Geena. 30E se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e lança-a para longe de ti, porque é melhor que se perca um só dos teus membros, do que todo o corpo ser lançado na Geena. 31Também foi dito: ‘Quem repudiar sua mulher dê-lhe certidão de repúdio’. 32Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que repudiar sua mulher, salvo em caso de união ilegal, fá-la cometer adultério.] 33Ouvistes ainda que foi dito aos antigos: ‘Não faltarás ao que tiveres jurado, mas cumprirás os teus juramentos para com o Senhor’. 34Eu, porém, digo-vos que não jureis em caso algum: nem pelo Céu, que é o trono de Deus; 35nem pela terra, que é o escabelo dos seus pés; nem por Jerusalém, que é a cidade do grande Rei. 36Também não jures pela tua cabeça, porque não podes fazer branco ou preto um só cabelo. 37A vossa linguagem deve ser: ‘Sim, sim; não, não’. O que passa disto vem do Maligno».

 

Este texto do Evangelho pertence ao Sermão da Montanha de Mateus (Mt 5 – 7), logo a seguir às bem-aventuranças e declaração sobre o sal da terra e a luz do mundo. O evangelista vai ao encontro da expectativa messiânica, que esperava do Messias um intérprete definitivo da Lei de Moisés. Mas a verdade é que apresenta Jesus num plano superior a um simples intérprete autorizado da Lei, pois é apresentado ao mesmo nível de Deus. Jesus não revoga a Lei, mas apresenta-se com uma autoridade tal, que pode acrescentar ao que «foi dito» (entenda-se, por Deus), o que Ele agora determina: «Eu, porém, digo-vos» (passim).

17-18 «Não vim revogar...» Os preceitos dos livros do Antigo Testamento (Lei e Profetas), por serem divinamente inspirados, «conservam um valor perene» (Dei Verbum, 14), embora contenham coisas caducas e relativas a uma cultura e a um culto que não passava de uma preparação (uma sombra: Hebr) para o novo culto centrado no sacrifício redentor de Cristo. Jesus não anula os preceitos morais do Decálogo, mas leva-os à sua perfeição: «vim completar». «Não passará da Lei a mais pequenina letra», o yod, a letra mais pequenina do alfabeto hebraico; naturalmente que Jesus se quer referir à lei moral, não aos aspectos rituais e jurídicos da Lei de Moisés.

20 «Se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus...» Não se trata da virtude da justiça que leva a «dar a cada um aquilo que lhe pertence». Aqui podia traduzir-se por «santidade»; a dos escribas é meramente externa e ritualista. «Entre eles, o cumprimento exato, minucioso, mas externo, dos preceitos tinha-se convertido numa garantia de salvação do homem diante de Deus: «se eu cumpri isto, sou justo, sou santo e Deus tem que me salvar». Com este modo de conceber a justificação, já não é Deus fundamentalmente quem salva, mas vem a ser o homem quem se salva pelas suas obras externas. (...) A justificação ou santificação é uma graça de Deus, com a qual o homem só pode colaborar secundariamente pela sua fidelidade a essa graça» (Bíblia de Navarra). Esta doutrina é o grande cavalo de batalha de S. Paulo contra os judaizantes (cf. Gal 3; Rom 2), pois ninguém se pode salvar, caso não supere esta típica noção de justificação própria dos escribas e fariseu, baseada nas obras, como Jesus graficamente deixou demonstrado na parábola do fariseu e do publicano (Lc 18, 9-14). Esta idéia judaica tinha como base a soberba humana, a auto-suficiência e conduzia fatalmente à falta de sinceridade e à hipocrisia que Jesus tanto lhes fustigou.

22 «Foi dito aos antigos... Eu, porém, digo-vos». A fórmula foi dito é uma típica expressão respeitosa para evitar pronunciar o nome divino (o chamado passivum divinum). É como se dissesse: «Deus disse... e Eu digo... », equiparando-Se a Deus.

A primeira palavra ofensiva, «imbecil» (em aramaico: «racá»), não tem a gravidade da segunda, «louco», que se podia traduzir por renegado, que implica uma ofensa verbal grave. A propósito desta passagem, comenta Sto. Agostinho: «devem-se notar três graus de faltas e de castigos. O primeiro: entrar em cólera por um movimento interno do coração, ao qual corresponde o castigo do juízo; o segundo: dizer alguma palavra de desprezo, que traz consigo o castigo do sinédrio; o terceiro: quando, deixando-nos levar pela ira até à obsessão, nós injuriamos desapiedadamente os nossos irmãos, o que é castigado com o fogo do Inferno» (Sermo Domini in monte, II, 9). Geena de fogo é uma forma simbólica de designar o Inferno; com efeito, a Geena ficava no vale de Henon, a Sul de Jerusalém, e era a lixeira da cidade a que se chegava o fogo e que ardia continuamente. Que significa a condenação eterna do Inferno também se pode ver em Mt 18, 8-9.

23-24 «Se fores apresentar a tua oferenda sobre o altar...» O Evangelho de S. Mateus é dirigido a cristãos vindos do judaísmo, por isso apresenta a fala de Jesus sem ter em conta o novo culto cristão, mas sim a realidade dos ouvintes imediatos de Jesus, que iam a Jerusalém levar oferendas ao templo. Esta maneira de falar é mais um sintoma do valor histórico do Evangelho que conserva a forma da pregação de Jesus e não a prática da comunidade cristã, numa altura em que o templo já estaria destruído.

27-30 «Todo aquele que olhar para uma mulher desejando-a», A Lei de Moisés proibia o desejar uma mulher casada (cf. Ex 20, 17); Jesus reprova todo o olhar pecaminoso dirigido a qualquer mulher. O desejo de que aqui se fala pressupõe o consentimento com a advertência na maldade desses actos impuros. Por olho direito e mão direita entendemos tudo aquilo que nos é mais caro, a que temos de estar dispostos a renunciar, para não ofender a Deus.

31-32 «Dê-lhe certidão de repúdio». Erradamente autores antigos na linha do judaísmo disseram que Deus, no Antigo Testamento, autorizou o divórcio como um direito do marido, o que não é certo. Quando muito, Deus apenas condescendeu com um mal corrente na época. Segundo a interpretação mais habitual, a Lei de Moisés aqui aludida (Dt 24, 1) limitou-se a impor algumas limitações a uns costumes abusivos; com efeito, se naquela época só o marido tinha o direito ao repúdio, a Lei exigia que fosse dada à mulher uma carta que a deixasse livre para poder contrair novas núpcias, o que já mitigava a inferioridade da mulher. Mas, segundo uma leitura mais plausível do texto de Dt 24, 1-4, o que a Lei pretende não é regulamentar o divórcio, mas proibir que a mulher repudiada, depois de casar com outro marido, voltasse para o primeiro marido; os vv. 1 a 3 de Dt 21 devem ser lidos como a prótase (se..., se...) e o v. 4 como a apódose (então...): «então o primeiro marido que a despediu não a poderá tomar de novo por sua mulher depois de se ter manchado, porque isso é uma abominação aos olhos do Senhor» (v. 4); sendo assim, a Lei de Moisés não legisla sobre o divórcio, apenas o considera essa hipótese.

32 «Salvo em caso de união ilegal». De modo algum Jesus quer fazer uma excepção à lei natural da indissolubilidade do matrimónio. S. Jerónimo, e com ele a interpretação habitual, entendeu esta cláusula – traduzida como salvo no caso de fornicação (adultério) – como uma circunstância a ter em conta para legitimar a separação da mulher infiel, mas sem autorizar a nenhum dos dois a passagem a segundas núpcias; simplesmente, quando a razão da separação não tivesse a gravidade do adultério, o marido seria moralmente responsável duma posterior união adulterina da repudiada, por isso diz: «fá-la cometer adultério». A verdade é que a Igreja Católica nunca teve, desde os tempos apostólicos, qualquer dúvida sobre a indissolubilidade do matrimónio, mesmo nos casos mais graves de adultério sem possibilidades de reconciliação, ensinando mesmo esta doutrina solenemente na definição tridentina (cânon 7 do Sacramento do Matrimónio); as declarações de nulidade dos tribunais eclesiásticos não são uma dissolução de um matrimónio verdadeiro.

Os modernos estudos dos escritos rabínicos acabaram por dar uma explicação mais simples deste texto de S. Mateus (Bonsirven, Diez Macho e outros). Aquela cláusula exclusiva de S. Mateus, que a repete em 19, 9 – excepta fornicationis causa – não se deve traduzir por: «excepto no caso de adultério», mas sim «excepto no caso de união ilegítima» (a tradução litúrgica diz ilegal), isto é, excepto no caso de um matrimónio inválido por algum impedimento «dirimente». S. Mateus põe como excepção a porneia; ora ele distingue porneia de adultério, dito moíkheia (Mt 15, 19); por isso, se ele quisesse falar de adultério, teria usado esta segunda palavra grega. Mais ainda, se ele quisesse que entendêssemos porneia como adultério, não tinha sentido a frase, pois na época ainda estava vigente a pena de morte para a mulher adúltera (cf. Jo 8, 4-5), o que tornava inútil o divórcio e até impossível, pois tudo ficava resolvido com a execução. Os Judeus só depois do ano 80 d. C. é que deixaram de aplicar a pena de morte à adúltera.

S. Mateus tem no seu Evangelho esta cláusula, porque tinha presente a situação específica dos seus destinatários: eram cristãos vindos do judaísmo e ele quer que se reconheçam com força de impedimento dirimente do matrimónio as determinações do Levítico 18, 6-18 (consideradas como «leis noáquicas», isto é, de direito natural e portanto que obrigam até os não judeus). S. Mateus tem esta cláusula porque quer que não se considerem válidos os matrimónios que, apesar de certos graus de parentesco, o direito pagão considerava legítimos. Os rabinos também não consideravam matrimónio incestuoso o casamento que, nesses casos de parentesco faziam os prosélitos pelo facto de os julgarem desligados da família pagã (pois com o baptismo dos prosélitos e a circuncisão tornavam-se uma nova criatura). É tendo em conta esta situação que S. Mateus declara como porneia (em hebraico, zenút; em aramaico, zenú), isto é, matrimónio inválido, união ilegítima, os casos de pagãos ou prosélitos casados com esses impedimentos de consanguinidade, que legitimavam e exigiam a separação, para evitar o que se considerava um incesto. Portanto este texto evangélico torna-se muito claro: quem repudiar a sua mulher – excepto no caso de união ilegítima em que não houve verdadeiro vínculo matrimonial devido ao impedimento de consanguinidade – expõe-na a ser adúltera... Como se vê, esta cláusula não é supérflua, uma vez que o Evangelista não se limita a dizer excepto no caso de concubinato (como alguns traduzem), mas pretende abranger precisamente aqueles casos que a lei romana e até os rabinos consideravam matrimónios válidos, como se acabou de explicar.

33-37 Jurar é invocar a Deus como testemunha de uma coisa que se afirma ou se promete, a fim de dar garantia e valor ao que se diz, o que é, em si, uma coisa boa e com que se honra a Deus (cf. Jer 4, 2). O perjúrio, ou juramento falso, é pecado grave (cf. Êx 20, 7; Num 30, 3; Dt 23, 22). Os judeus tinham o costume de jurar por tudo e por nada, o que torna ridícula uma acção santa, revertendo em falta de respeito para com Deus, embora de sua natureza leve. Mas os judeus, por um respeito mal entendido. evitaram pronunciar o nome de Deus, invocando as criaturas mais de perto relacionadas com Ele: o céu, Jerusalém. o templo, etc. Jesus, ao dizer: não jureis de modo nenhum, não quer proibir todo o juramento, mas só quando isso não for estritamente exigido, e sobretudo quer inculcar a sinceridade sempre: «sim, sim; não, não!» Se partimos do princípio da sinceridade, há confiança mútua nas relações humanas e jurar torna-se coisa supérflua; jurar a torto e a direito é um sintoma da falta de sinceridade entre as pessoas.

 

Sugestões para a homilia

 

Falamos da sabedoria de Deus

Ver as maravilhas da Vossa Lei

Diante do homem a vida e a morte

 

 

 Falamos da sabedoria de Deus

 

Deus quer-nos felizes cá na terra e, depois, um dia na eternidade. Pela fé participamos da sabedoria de Deus, conhecemos o mundo e a vida com a visão de Deus.

A doutrina cristã pode parecer a muitos como algo estranho e irrealista. A mentalidade mundana choca com os ensinamentos de Jesus e da Sua Igreja.

Temos de sentir um complexo de superioridade, que é razoável e justo e que nos defende de andar à deriva ou de ir atrás dos outros para o mal.

Possuímos a verdadeira sabedoria, que é saber viver, saber apreciar as realidades terrenas como elas são.

Um simples aldeão que vive a sua fé sabe mais vida que muitos doutores e sábios deste mundo.

Temos de agradecer a Deus o dom da fé. É um tesouro que nunca apreciaremos bastante. Temos de pedir-Lhe uma fé maior e mais viva. Senhor, aumenta-nos a fé – pediam os Apóstolos.

Temos de cultivar a nossa fé: meditando a palavra de Deus, estudando o Catecismo da Igreja Católica, rezando. A oração ajuda-nos a crescer na fé, a interiorizá-la, a saboreá-la.

É preciso também procurar vivê-la em nossa vida, cumprindo fielmente os mandamentos. Finalmente, devemos confessar com valentia a nossa fé, não só proclamando-a e defendendo-a, mas sobretudo no testemunho da nossa vida de cada dia.

 

Ver as maravilhas da vossa Lei

 

Cumprir os mandamentos é professar a fé na vida de cada dia. É fiar-nos nos ensinamentos de Jesus e deixar-nos guiar por Ele.

No evangelho de hoje Ele dizia que não veio revogar os mandamentos dados por Deus a Moisés. Veio ensinar-nos a cumpri-los com mais perfeição, com mais exigência.

Deus escreveu no coração do homem a Sua Lei. É a chamada lei natural que todos os homens podem conhecer. Todos podem saber que matar ou roubar é mal.

Falando a Moisés no Monte Sinai, Deus deu os Dez Mandamentos. Foi uma ajuda para que o povo de Israel pudesse conhecer melhor a lei inscrita no coração de todos os homens. Como os pais com os filhos pequenos, Deus foi ensinando pouco a pouco a humanidade através dos profetas. Com a vinda de Jesus manifestou de modo pleno a Sua sabedoria, convidando todos os homens à santidade, imitando a vida de Jesus nos afazeres do dia a dia.

Jesus é não apenas o mestre que ensina mas também o modelo que havemos de imitar.

Jesus explica no evangelho de hoje como devemos cumprir os mandamentos com todas as suas exigências. E disse-nos: “Dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”.

Lembra-nos que o mais importante da Lei é amar a Deus com todo o coração e amar o próximo como a si mesmo.

O amor é o pleno cumprimento da Lei de Deus -lembra S.Paulo.

Cumprir os mandamentos é encher-nos da sabedoria de Deus. Ele é um Pai muito sábio e muito atento aos Seus filhos. Indica-nos o caminho para sermos felizes cá na terra e, depois, um dia para sempre no céu. Esse caminho é o dos mandamentos. Às vezes os homens pensam que sabem mais do que Ele, desobedecem a Deus como os nossos primeiros pais e acabam por dar conta que se deixaram enganar pelo demónio ou pelos conselhos dos outros ou pelas suas próprias más inclinações.

O salmo é um hino de louvor à Lei de Deus. ”Abri, Senhor os meus olhos – rezava o salmista -para ver as maravilhas da Vossa lei”.

O santo Cura d’Ars, quando foi nomeado para a sua paróquia, teve de meter-se por caminhos através dos campos, para chegar à pequena aldeia quase desconhecida, a certa altura encontrou um pequeno pastor e pediu-lhe para lhe indicar o caminho. Depois agradeceu-lhe dizendo: – “tu ensinaste-me o caminho de Ars, eu ensinar-te-ei o caminho do céu “.

Se precisamos de quem nos indique caminhos e estradas para percorrer este mundo, mais importante é termos quem nos aponte os caminhos para chegar ao céu. E Jesus continua a fazê-lo através dos sacerdotes, através da Sua Igreja.

 

 

 Diante do homem a vida e a morte

 

 Deus fez-nos livres, capazes de escolher o bem ou o mal, capazes de dizer não a Deus.

A liberdade é um dom maravilhoso que temos de saber agradecer e saber usá-lo bem.

Diante do homem estão a vida e a morte: o que ele escolher isso lhe será dado. ” (1ª leit).

Dizia Santa Catarina de Génova: “Já nesta vida servir a Deus é reinar. Quando Deus livra o homem do pecado que o torna escravo, desembaraça-o de toda a servidão e estabelece-o na verdadeira liberdade. Doutro modo o homem vai sempre de desejo em desejo sem descansar jamais. Quanto mais tem mais quererá, procurando buscar satisfação nunca está contente.Com efeito o que tem um desejo está possuído por ele: vende-se ao que ama; buscando a liberdade, seguindo os seus apetites com ofensa a Deus, torna-se escravo do demónio para sempre” (Le libré arbitre,I.c,p.110-111)

Jesus ensina-nos o caminho da verdadeira liberdade: “Se vós permanecerdes na Minha palavra sereis verdadeiramente Meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres”(Jo 2 32).Guiados por Jesus seremos verdadeiramente livres. Tantos não querem segui-Lo e acabam escravos do pecado e das suas paixões.

Alguém que vai de automóvel ou moto pela estrada pode pensar: faço o que me apetece e assim mostro que sou livre. Engana-se, porque depressa choca contra outros ou vai ribanceira a abaixo e acabou-se a pretensa liberdade. Cumprir as regras da estrada é a melhor forma de ser livre e de respeitar a liberdade dos outros. E na vida é a mesma coisa.

A Virgem ensina-nos a obediência pronta e sem reservas: “Eis a escrava do Senhor - respondeu ao enviado de Deus - faça-se em Mim segundo a tua palavra”.

“Quando nos decidimos a responder ao Senhor: a minha liberdade para Ti, ficamos livres de todas as cadeias que nos haviam atado a coisas sem importância, a preocupações ridículas, a ambições mesquinhas. E a liberdade - tesouro incalculável, pérola maravilhosa que seria triste lançar aos animais - emprega-se inteira em aprender a fazer o bem. Esta é a liberdade gloriosa dos filhos de Deus.” – dizia S.Josemaria (Amigos de Deus 38)

 

Fala o Santo Padre

 

«A novidade de Jesus consiste no facto de que Ele mesmo «completa»

 os mandamentos com o amor de Deus, com a força do Espírito Santo que habita nele.»

Estimados irmãos e irmãs

Na Liturgia deste domingo continua a leitura do chamado «Sermão da montanha» de Jesus, que ocupa os capítulos 5, 6 e 7 do Evangelho de Mateus. Depois das «Bem-Aventuranças», que são o seu programa de vida, Jesus proclama a nova Lei, a sua Tora, como lhe chamam os nossos irmãos judeus. Com efeito, com a sua vinda o Messias devia trazer também a revelação definitiva da Lei, e é precisamente isto que Jesus declara: «Não julgueis que vim abolir a Lei ou os Profetas. Não vim para os abolir, mas sim para os levar à perfeição». E, dirigindo-se aos seus discípulos, acrescenta: «Se a vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus» (Mt 5, 17.20). Em que consiste esta «plenitude» da Lei de Cristo, esta justiça «superior» que Ele exige?

Jesus explica-o mediante uma série de antíteses entre os mandamentos antigos e o seu modo de os repropor. Cada vez começa: «Ouvistes o que foi dito aos antigos...», e então afirma: «Mas Eu vos digo...». Por exemplo: «Ouvistes o que foi dito aos antigos: “Não matarás, mas quem matar será castigado pelo juízo do tribunal”. Mas Eu vos digo: “todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes”» (Mt 5, 21-22). E assim por seis vezes. Este modo de falar causava grande impressão no povo, que permanecia assustado, porque aquele «Eu vos digo» equivalia a reivindicar para si a mesma autoridade de Deus, fonte da Lei. A novidade de Jesus consiste, essencialmente, no facto de que Ele mesmo «completa» os mandamentos com o amor de Deus, com a força do Espírito Santo que habita nele. E nós, através da fé em Cristo, podemos abrir-nos à obra do Espírito Santo, que nos torna capazes de viver o amor divino. Por isso, cada preceito se torna verdadeiro, como exigência de amor, e todos convergem num único mandamento: ama a Deus com todo o coração, e ao teu próximo como a ti mesmo. «A caridade é o pleno cumprimento da lei», escreve são Paulo (Rm 13, 10). Diante desta exigência, por exemplo, o piedoso caso das quatro crianças Rom, mortas na semana passada na periferia desta cidade, na sua barraca queimada, impõe que nos perguntemos se uma sociedade mais solidária e fraterna, mais coerente no amor, ou seja mais cristã, não teria podido evitar este trágico facto. E esta pergunta vale para muitos outros acontecimentos dolorosos, mais ou menos conhecidos, que se verificam diariamente nas nossas cidades e nos nossos povoados.

Caros amigos, talvez não seja ocasional, que a primeira grande pregação de Jesus se chame «Sermão da montanha»! Moisés subiu ao monte Sinai para receber a Lei de Deus e levá-la ao Povo eleito. Jesus é o Filho do próprio Deus que desceu do Céu para nos levar ao Céu, à altura de Deus, pelo caminho do amor. Aliás, Ele mesmo é este caminho: só devemos segui-lo, para cumprir a vontade de Deus e entrar no seu Reino, na vida eterna. Uma só criatura já chegou ao cimo da montanha: a Virgem Maria. Graças à união com Jesus, a sua justiça foi perfeita: é por isso que a invocamos como Speculum iustitiae. Confiemo-nos a Ela, para que guie também os nossos passos na fidelidade à Lei de Cristo.

Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro a 13 de Fevereiro de 2011

 

Oração Universal

 

Em cada missa Deus quer encher-nos da Sua sabedoria e da Sua graça por meio de Seu Filho. Unidos a Ele peçamos cheios de confiança:

Senhor, aumentai a nossa fé.

 

1-Pela Santa Igreja de Deus, para que difunda a verdadeira sabedoria que vem de Cristo e todos se deixem atrair pela Sua luz, oremos ao Senhor.

 Senhor, aumentai a nossa fé.

 

2-Pelo Santo Padre, para que a sua voz seja escutada por todos os cristãos e por todos os homens, sobretudo nos temas que se referem à Lei de Deus, oremos ao Senhor.

Senhor, aumentai a nossa fé.

 

3-Pelos bispos e sacerdotes, para que proclamem com clareza os mandamentos, animando a todos a cumprir a vontade de Deus, oremos ao Senhor.

Senhor, aumentai a nossa fé.

 

4-Pelos cristãos do mundo inteiro, para que sejam testemunho de vida nova em Cristo, cumprindo fielmente a vontade de Deus, oremos ao Senhor.

Senhor, aumentai a nossa fé.

 

5-Para que todos escutemos e vivamos os apelos de Nossa Senhora à conversão, purificando a nossa alma do pecado, oremos ao Senhor.

Senhor, aumentai a nossa fé.

 

6-Por todos os que andam afastados de Deus, para que o Senhor os atraia ao Seu amor, oremos ao Senhor.

Senhor, aumentai a nossa fé.

 

7-Por todos os que se encontram no Purgatório, purificando-se dos pecados, para que o Senhor lhes abra as portas do Céu, oremos ao Senhor.

Senhor, aumentai a nossa fé.

 

 

Senhor, que nos chamastes à santidade em Cristo, Vosso Filho, ajudai-nos a imitá-Lo sempre em nossa vida, cumprindo fielmente a Vossa vontade

Pelo mesmo N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Senhor, fazei de mim um instrumento, F. da Silva, NRMS 6 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Concedei, Senhor, que estes dons sagrados nos purifiquem e renovem, para que, obedecendo sempre à vossa vontade, alcancemos a recompensa eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: A. Cartageno, NRMS 99-100

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor na Eucaristia alimenta a nossa alma para vivermos a vida de filhos de Deus.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, nada somos sem ti, F. da Silva, NRMS 84

 

 

Salmo 77(78),29-30

Antífona da comunhão: O Senhor deu-lhes o pão do Céu: comeram e ficaram saciados.

 

ou

Jo 3,16

Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho Unigénito. Quem acredita n'Ele tem a vida eterna.

 

 

Cântico de acção de graças: Cantarei a bondade do Semhor, J. Santos, NRMS 62

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão do Céu, concedei-nos a graça de buscarmos sempre aquelas realidades que nos dão a verdadeira vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Agradeçamos a Jesus as luzes que recebemos e a força para seguir pelo caminho que nos indica.

 

Cântico final: Deus é Pai, Deus é Amor, F. da Silva, NRMS 90-91

 

 

Homilias Feriais

 

6ª SEMANA

 

2ª Feira, 17-II: Os sinais exigem uma resposta de fé.

Tg 1, 1-11 / Mc 8, 11-13

 Jesus suspirou do fundo da alma e respondeu-lhes: Por que pede esta geração um sinal?

Embora Jesus se tenha recusado a dar um sinal do Céu aos fariseus, Ele serviu-se de muitos sinais, «porque ele próprio é o sentido de todos esses sinais» (CIC, 1152).

«Cada celebração sacramental é um encontro dos filhos de Deus com o seu Pai. Tal encontro exprime-se com um diálogo, através de acções e palavras. Sem dúvida, as acções simbólicas são já, só por si, uma linguagem. Mas é preciso que a palavra de Deus e a resposta da fé acompanhem e dêem vida a estas acções» (CIC, 1153). É o que recomenda S. Tiago: pedir e actuar com fé, porque aquele que hesita é agitado como as ondas do mar agitadas pelo vento e lançadas de um lado para o outro (Leit.).

 

3ª Feira, 18-II: A tentação e a provação.

Tg 1, 12-18 / Mc 8, 14-21

Cada qual é tentado pelos seus desejos maus, que o arrastam e o procuram atrair.

«'Deus não é tentado pelo mal, nem tenta ninguém' (Leit.). Pelo contrário, Ele quer livrar-nos do mal. O que lhe pedimos é que não nos deixe seguir pelo caminho que conduz ao pecado» (CIC, 2846).

É importante a distinção entre a provação e a tentação que conduz ao pecado: «O Espírito Santo permite-nos discernir entre a provação necessária ao crescimento do homem interior, em vista de uma virtude comprovada, e a tentação que conduz ao pecado e à morte (Leit.). Devemos também distinguir entre 'ser tentado' e 'consentir' na tentação» (CIC, 2847).

 

4ª Feira, 19-II: O valor dos sinais sacramentais.

Tg 1, 19-27 / Mc 8, 22-26

Depois deitou-lhe saliva nos olhos, impôs-lhe as mãos e perguntou-lhe: Vês alguma coisa?

Nesta passagem encontramos dois sinais utilizados por Cristo: a saliva e a imposição das mãos (Ev.) (CIC, 1504).

A saliva é um sinal sensível, através do qual Jesus cura um cego. Pode ajudar-nos a apreciar, por exemplo, o valor dos sinais sacramentais: «Depois do Pentecostes, é através dos sinais sacramentais da sua Igreja que o Espírito Santo opera a santificação» (CIC, 1152). Quanto às mãos: «É pela imposição das mãos, que Jesus cura os doentes (Ev.) e abençoa as crianças. Este sinal da efusão omnipotente do Espírito Santo, guarda-o a Igreja nas suas epicleses sacramentais» (CIC, 699). Descubramos os novos efeitos dos sinais sacramentais.

 

5ª Feira, 20-II: A revelação do Messias.

Tg 2, 1-9 / Mc 8, 27-33

Jesus então perguntou-lhes: E quem dizeis vós que eu sou? Pedro tomou a palavra: Tu és o Messias.

«Jesus aceitou a profissão de fé de Pedro, que o reconheceu como o Messias, anunciando a paixão próxima do Filho do Homem (Ev.). Revelou o conteúdo autêntico da sua realeza messiânica. Foi por isso que o verdadeiro sentido da sua realeza só se manifestou no cimo da Cruz» (CIC, 440).

O conteúdo do messianismo está pois ligado ao sacrifício da Cruz.

Quem acredita que Jesus é o Messias não pode fazer distinção entre as pessoas, mas há-de cumprir o que vem na Escritura: «Se cumprirdes, pois, a lei real que vem na Escritura: 'Amarás o teu próximo como a ti mesmo', procedeis bem. Mas se olhardes à condição das pessoas, cometeis pecado» (Leit.).

 

6ª Feira, 21-II: A fé e a Cruz.

Tg 2, 14-24. 26 / Mc 8, 34- 9, 1

Pois se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras também o Filho do Homem de há-de envergonhar dele.

O dom da fé permanece naquele que não pecou contra ela. Mas 'sem obras, a fé está morta' (Leit.): privado da esperança e do amor, a fé não une plenamente o fiel a Cristo» (CIC, 1815).

Mas o «discípulo de Cristo não somente deve guardar a fé e viver dela, como ainda professá-la, dar testemunho dela e propagá-la: Todos devem estar dispostos a confessar Cristo diante dos homens e a segui-lo no caminho da Cruz (Ev.), no meio das perseguições que nunca faltam à Igreja» (CIC, 1816). A quem reconhecer o Senhor diante dos homens também Ele o há-de reconhecer diante do Pai.

 

 Sábado, 22: Cadeira de S. Pedro: O apoio que podemos dar ao Papa.

1 Ped 5, 1-4 / Mt 16-13-19

Eu também te digo a ti: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.

Esta festa da Cadeira de S. Pedro é uma boa oportunidade para vivermos melhor a unidade à volta do Papa. É esta uma vontade expressa do Senhor (Ev.).

Cristo, que é a pedra angular garante à Igreja, edificada sobre Pedro, o triunfo sobre o demónio (Ev.). Procuremos apoiar o Papa com as nossas orações e sacrifícios; sigamos fielmente os seus ensinamentos e ajudemos todos a viver a unidade da doutrina da fé. Peçamos para todos os pastores de almas: «Apascentai o rebanho de Deus, que está no meio de vós; velai por ele, como Deus quer. Não o façais para dominardes os fiéis, que vos foram confiados, mas para serdes modelos do rebanho» (Leit.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino C. Ferreira

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial