Nossa Senhora de Lurdes

Dia Mundial do Doente

11 de Fevereiro de 2014

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor do Universo, F da Silva, NRMS 21

Sedúlio

Antífona de entrada: Salvé, Santa Mãe, que destes à luz o Rei do céu e da terra.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

As aparições de Nossa Senhora em Lurdes, iniciadas em 11 de Fevereiro de 1858, são mais um sinal do carinho amoroso de Deus, nosso Pai. Tiveram lugar num momento particularmente difícil da pobre humanidade, que levada pelas forças do mal, se tinha afastado dos caminhos do Senhor. Nossa Senhora, servindo-se de uma humilde criança – Bernardette Soubirous, vem revelar-nos quanto nos quer, apontando-nos mais uma vez os caminhos do céu. Estas aparições de Nossa Senhora foram confirmadas com curas, que por serem inexplicáveis pela ciência, são miraculosas.

O Santo Padre João Paulo II escolheu este dia, como Dia Mundial do doente. Somos assim também convidados a continuar a pedir a intercessão de Nossa Senhora em favor dos que sofrem.

 

 

Ato penitencial

 

Desde a queda de nossos primeiros pais, o pecado tem sido a causa de todos os sofrimentos humanos. Também nós, como pecadores, somos corresponsáveis por essas mesmas dores. Examinemos a nossa consciência e peçamos perdão.

 

(Tempo de silêncio. Eis uma sugestão, como alternativa)

 

-Senhor Jesus, que nos chamais à emenda de vida, e nos ofereceis o perdão dos pecados,

tende  misericórdia.

 

Senhor, misericórdia!

 

-Cristo, que oferecestes a vida no altar da Cruz, para nos reconciliardes a todos com o Pai,

tente misericórdia.

 

Cristo, misericórdia!

 

-Senhor Jesus, que não quereis que o pecador se condene, mas se arrependa e viva para sempre, tende misericórdia.

 

Senhor, misericórdia!

 

Oração colecta: Vinde em auxílio da nossa fraqueza, Senhor de misericórdia, e concedei que, celebrando a memória da Imaculada Mãe de Deus, sejamos purificados dos nossos pecados. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías anima-nos a viver na esperança e na alegria. Nossa Senhora, a terna Mãe que Deus nos deu, continua a animar-nos também com Suas maternais mensagens. Com Ela devemos manter sempre a esperança num futuro melhor.

 

Isaías 66, 10-14c

10Alegrai-vos com Jerusalém, exultai com ela, todos vós que a amais. Com ela enchei-vos de júbilo, todos vós que participastes no seu luto. 11Assim podereis beber e saciar-vos com o leite das suas consolações, podereis deliciar-vos no seio da sua magnificência. 12Porque assim fala o Senhor: «Farei correr para Jerusalém a paz como um rio e a riqueza das nações como torrente transbordante. Os seus meninos de peito serão levados ao colo e acariciados sobre os joelhos. 13Como a mãe que anima o seu filho, também Eu vos confortarei: em Jerusalém sereis consolados. 14Quando o virdes, alegrar-se-á o vosso coração e, como a verdura, retomarão vigor os vossos membros. A mão do Senhor manifestar-se-á aos seus servos».

 

O texto, faz parte dum discurso dotado de rara beleza poética, no final do livro de Isaías. Jerusalém, é apresentada como uma mãe, que com seus peitos sacia de consolação e deleite os seus filhos que regressam do exílio (vv. 10-11).

12-14 «A paz como um rio» é uma figura da paz messiânica que Cristo trouxe à «nova Jerusalém» que é «nossa Mãe», a Igreja (cf. Gal 4, 26-27), «o Israel de Deus» de que nos fala a 2.ª leitura de hoje (Gal 6, 16). «Meninos levados ao colo e acariciados…» À Virgem Maria, «tipo e figura da Igreja» (LG 63) aplicam-se com verdade estas palavras proféticas: Ela é Mãe que acaricia, anima, consola e alegra os seus meninos, necessitados e desvalidos.

 

Salmo Responsorial    Jud 13, l8bcde.19 (R. 15, 9d ou Lc 1, 42)

 

Monição: Louvemos o nosso Deus pelas maravilhas que operou em Maria. Ela é a nossa querida Mãe do céu, nossa Padroeira e nossa Rainha.

 

Refrão:        Tu és a honra do nosso povo.

 

Ou:               Bendita sois Vós entre as mulheres.

 

Bendita sejas, minha filha, pelo Deus Altíssimo,

mais do que todas as mulheres da terra

e bendito seja o Senhor nosso Deus,

criador do céu e da terra.

 

Ele enalteceu de tal forma o teu nome

que nunca mais deixarão os homens

de celebrar os teus louvores

e recordarão eternamente o poder de Deus.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 1, 45

 

Monição: O poder intercessor de Nossa Senhora, junto de Seu divino Filho, é plenamente confirmado com o milagre por Ele realizado em Caná da Galileia.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Bendita sejais, ó Virgem Santa Maria,

que acreditastes na palavra do Senhor.

 

 

Evangelho

 

São João 2, 1-11

Naquele tempo, 1realizou-se um casamento em Caná da Galileia e estava lá a Mãe de Jesus. 2Jesus e os seus discípulos foram também convidados para o casamento. 3A certa altura faltou o vinho. Então a Mãe de Jesus disse-Lhe: «Não têm vinho». 4Jesus respondeu-Lhe: «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». 5Sua Mãe disse aos serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser». 6Havia ali seis talhas de pedra, destinadas à purificação dos judeus, levando cada uma de duas a três medidas. 7Disse-lhes Jesus: «Enchei essas talhas de água». Eles encheram-nas até acima. 8Depois disse-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa». E eles levaram. 9Quando o chefe de mesa provou a água transformada em vinho, – ele não sabia de onde viera, pois só os serventes, que tinham tirado a água, sabiam – chamou o noivo 10e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho bom e, depois de os convidados terem bebido bem, serve o inferior. Mas tu guardaste o vinho bom até agora». 11Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus deu início aos seus milagres. Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele.

 

O evangelista não visa contar o modo como Jesus resolveu um problema numas bodas, mas centra-se na figura de Jesus, que «manifestou a sua glória», donde se seguiu que «os discípulos acreditaram n’Ele» (v. 11). Toda a narração converge para as palavras do chefe da mesa ao noivo: «Tu guardaste o melhor vinho até agora!» (v. 10). Esta observação encerra um sentido simbólico; o próprio milagre é um «sinal» (v. 11), um símbolo ou indício duma realidade superior a descobrir, neste caso: quem é Jesus. Podemos pressentir a típica profundidade de visão do evangelista, que acentua determinados pormenores pelo significado profundo que lhes atribui. O vinho novo aparece como símbolo dos bens messiânicos (cf. Is 25, 6; Joel 2, 24; 4, 18; Am 9, 13-15), a doutrina de Jesus, que vem substituir a sabedoria do A. T., esgotada e caduca. A abundância e a qualidade do vinho – 6 (=7-1) vasilhas [de pedra] «de 2 ou 3 metretas» (480 a 720 litros) – é um dado surpreendente, que ilustra bem como Jesus veio «para que tenham a vida e a tenham em abundância» (Jo 10, 10; cfr Jo 6, 14: os 12 cestos de sobras). O esposo das bodas de Caná sugere o Esposo das bodas messiânicas, o responsável pelo sucedido: n’Ele se cumprem os desposórios de Deus com o seu povo (cf. Is 54, 5-8; 62, 5; Apoc 19, 7.9; 21, 2; 22, 17).

Também se pode ver, na água das purificações rituais que dão lugar ao vinho, um símbolo da Eucaristia – o sangue de Cristo –, que substitui o antigo culto levítico, e pode santificar em verdade (cf. Jo 2, 19.21-22; 4, 23; 17, 17). Há quem veja ainda outros simbolismos implícitos: como uma alusão ao Matrimónio e mesmo à Ressurreição de Jesus, a plena manifestação da sua glória, naquele «ao terceiro dia» do v. 1 (que não aparece no texto da leitura).

Por outro lado, também se costuma ver aqui o símbolo do papel de Maria na vida dos fiéis (cf. Apoc 19, 25-27; 12, 1-17), Ela que vai estar presente também ao pé da Cruz (Jo 19, 25-27): «e estava lá a Mãe de Jesus» (v. 1). Ao contrário dos Sinópticos, nas duas passagens joaninas fala-se da Mãe de Jesus, como se Ela não tivesse nome próprio; é como se o seu ser se identificasse com o ser Mãe de Jesus, a sua grande dignidade. Trata-se de duas menções altamente significativas: os capítulos 2 e 19 aparecem intimamente ligadas precisamente pela referência à «hora» de Jesus, numa espécie de inclusão de toda a vida de Cristo. Ela não é mais um convidado numas bodas; é uma presença actuante e com um significado particular, nomeada por três vezes (vv. 1.3.5), atenta ao que se passa: dá conta da situação irremediável, intervém e fala, quando o milagre que manifesta a glória de Jesus podia ser relatado sem ser preciso falar da sua Mãe, mas Ela é posta em foco.

1 «Caná»: só S. João fala desta terra (cf. 4, 46; 21, 2), habitualmente identificada com Kefr Kenna, a 7 Km a NE de Nazaré, o lugar de peregrinação, mas as indicações de F. Josefo fazem pensar antes nas ruínas de Hirbet Qana, a 14 Km a N de Nazaré.

3 «Não têm vinho». A expressão costuma entender-se como um pedido de milagre. A exegese moderna tende a fixar-se em que a frase não passa duma forma de pôr em relevo uma situação irremediável, de molde a fazer sobressair o milagre. Mas, sendo a Mãe de Jesus a chamar a atenção para o problema, consideramos que Ela é apresentada numa atitude de oração. Com efeito, a oração de súplica e de intercessão não consiste em exercer pressão sobre Deus, para O convencer, mas é colocar-se na posição de necessitado e mendigo perante Deus, é pôr-se a jeito para receber os seus dons. A intercessão de Maria consiste em pôr-se do nosso lado, em vibrar connosco, de modo que fique patente a nossa carência e se dilate a nossa alma para nos dispormos a receber os dons do Céu. Ela aparece aqui como ícone da autêntica oração de súplica e de intercessão; e é lícito pensar que isto não é alheio à redacção joanina, pois o milagre acaba por se realizar na sequência da intervenção da Mãe de Jesus (mesmo que alguns não considerem primigénio o diálogo dos vv. 3-4).

4 «Mulher, que temos nós com isso? Ainda não chegou a minha hora». A expressão «que a Mim e a Ti?»(ti emoi kai soi?) é confusa, pois pode significar concordância – «que desacordo há entre Mim e Ti?» –, ou então recusa – «que de comum [que acordo] há entre Mim e Ti?». Sendo assim, a expressão «ainda não chegou a minha hora», presta-se a diversas interpretações, conforme o modo de entender «a hora»: ou a hora de fazer milagres, ou a hora da Paixão. Para os que a entendem como a de fazer milagres, uns pensam que Jesus se escusa: «que temos que ver com isso Tu e Eu? (=porque me importunas?), com efeito ainda não chegou a minha hora», e só a insistência de Maria é que levaria à antecipação desta hora; ao passo que outros (E. Boismard, na linha de alguns Padres) entendem a frase como de um completo acordo: «que desacordo há entre Mim e Ti? porventura já não chegou a minha hora?»; assim se justificaria melhor a ordem que Maria dá aos serventes. Para os que entendem «a hora» como a da Paixão, também as opiniões de dividem acerca de como entender a resposta de Jesus; para uns, significaria acordo, como se dissesse: «que desacordo há entre Mim e Ti? com efeito, ainda não chegou a minha hora, a de ficar sem poder; por isso não há dificuldade para o milagre» (Hanimann); para outros, que entendem a hora do Calvário como a hora da glorificação de Jesus, de manifestar a sua glória, dando o Espírito, a expressão quer dizer: «que temos a ver Tu e Eu, um com o outro?» («que tenho Eu a ver contigo?»), uma expressão demasiado forte, a mesma que é posta na boca dos demónios (cf. Mc 5, 7; 1, 24). Com uma expressão tão contundente, a redacção joanina põe em evidência a atitude de Jesus, que, longe de ser ofensiva para a sua Mãe, o que pretende é mostrar a independência de Jesus relativamente a qualquer autoridade terrena, incluindo a materna (Gächter). Mas o apelo para que Maria não intervenha tem um limite: é apenas até que chegue a hora de Jesus; até lá, tem de ficar na penumbra (o que é confirmado pelas ditas «passagens anti-marianas»: Lc 2, 49; 8, 19-21 par; 11, 27-28). Então Ela vai estar como a nova Eva, a Mãe da nova humanidade, ao lado do novo Adão, junto à árvore da Cruz, daí que seja chamada «Mulher» em Jo 19, 26, como nas Bodas de Caná.

 

Sugestões para a homilia

 

1. As aparições de Nossa Senhora em Lourdes.

2. O Dia Mundial do Doente e as aparições de Nossa Senhora em Lourdes.

3. A nossa resposta aos apelos que hoje nos são dirigidos.

 

1.As aparições de Nossa Senhora em Lourdes.

 

O dogma da Imaculada Conceição, proclamado pelo Santo Padre Beato Pio IX, em 8 de Dezembro de 1854, tinha sido muito mal recebido pelos inimigos da Santa Igreja. O mundo estava coberto por nuvens densas de racionalismo, materialismo e anarquia. Esses inimigos de Deus e da Sua doutrina, tentavam desmoronar o edifício da fé, negando o pecado original pelo que não queriam aceitar a Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Frente a essas heresias, Nossa Senhora, com a Suas aparições a Bernardette Soubirous, em Lourdes, quatro anos após à declaração dogmática, em 11 de Fevereiro de 1858, vem solenemente confirmar esse mesmo dogma. Eis como Bernardette tudo descreve: “ Uma branca Senhora, jovem, bela, sobretudo bela, como a qual nunca vi nenhuma semelhante, veio, colocar-se na abertura do nicho que está sobre a gruta. De repente olhou-me, saudou-me com uma leve inclinação da cabeça e sorriu-me; ao mesmo tempo afastou um pouco os braços do corpo, abrindo as mãos. Do braço direito pendia-lhe um Rosário e fez-me sinal para que me aproximasse, como se fosse minha mãe... Esfreguei os olhos rapidamente, fechei-os e abri-os, julgando enganar-me; mas a Senhora estava sempre lá, e sorria-me com muita graça e convidava-me a que me aproximasse, fazendo-me compreender que eu não estava enganada... Sem saber o que fazer, veio-me a ideia de orar; meti a mão no bolso e tirei o terço que trago comigo habitualmente e ajoelhei-me. A Senhora aprovou com um aceno da cabeça e tomou também o terço que lhe pendia do braço direito...  Ela Benzeu-se como que para orar... A Senhora deixou-me rezar sozinha; passava as contas pelos dedos, mas não movia os lábios. Só ao fim da dezena dizia comigo: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Tinha o aspecto duma jovem dos seus dezasseis ou dezassete anos; o vestido branco que lhe descia até aos pés, era fechado à volta do pescoço, donde pendia um cordão branco. Um véu branco lhe cobria a cabeça, mal deixando ver o cabelo e caindo pelos ombros, ao longo dos braços, até à extremidade do vestido. Dos seus pés não se via senão a extremidade sobre os quais brilhavam duas rosas de amarelo-ouro. A Senhora estava viva e toda cercada de luz. Quando acabei o terço saudou-me, sorrindo, e retirou-se pela cavidade da gruta”.

Esta branca Senhora apareceu mais 17 vezes à feliz criança. Na 16ª aparição, a 25 de Março, festa da Anunciação, Ela revelou o seu nome: “Eu sou a Imaculada Conceição”. Em 16 de Julho, festa de Nossa Senhora do Carmo, a Virgem Imaculada, despediu-se de Bernardette.

As aparições de Lurdes foram confirmadas por numerosos milagres, inclusive com o corpo da vidente, que ainda hoje se pode ver, como que a dormir, incorrupto. Bendito seja Deus por tantos sinais do Seu Amor para connosco.

   

2. O Dia Mundial do Doente e as aparições de Nossa Senhora em Lourdes.

 

As doenças, o sofrimento e a morte, não estavam no plano amoroso do Criador. Todas as lágrimas desde então vertidas pelos homens são consequência lógica do pecado. Uma vez afastados voluntariamente de Deus, por terem acreditado no pai da mentira, os nossos primeiros pais e seus descendentes foram atingidos por essa amarga e dolorosa situação. Na Sua misericórdia infinita, Deus, nosso Pai veio em socorro da pobre humanidade. Logo, após a queda, promete enviar Alguém que havia de vencer o inimigo enganador. Nasceria de uma Mulher, que lhe havia de esmagar a cabeça. Essa Mulher, bendita entre todas as mulheres, é Maria. Pela missão a que Deus a destinava, e tendo presente, de uma forma preventiva, os méritos infinitos d’Aquele Filho, que um dia seria concebido por obra e graça do Divino Espírito Santo, em Seu ventre virginal, foi concebida sem o pecado original. Por isso é legitimamente chamada Imaculada Conceição. Foi este o dogma solenemente proclamado pelo Papa Pio IX, como já foi dito atrás e que está relacionado com as aparições de Nossa Senhora em Lurdes.

Tendo presente toda esta relação existente entre o sofrimento e o pecado, o Santo Padre João Paulo II, em 11 de Fevereiro de 1992, instituiu o Dia Mundial do Doente. Com esta celebração pretendia o Santo Padre dar-nos “um momento de oração, de partilha, de oferta do sofrimento pelo bem da Igreja e de apelo dirigido a todos para reconhecerem na face do irmão enfermo a Face de Cristo que, sofrendo, morrendo e ressuscitando, operou a salvação da humanidade.”

 

3. A nossa resposta aos apelos que hoje nos são dirigidos.

 

Como fez no milagre de Caná da Galileia, Nossa Senhora, ao ver as carências espirituais de seus filhos, vítimas de tanta maldade e consequente incredulidade, veio pressurosa dar Sua mão maternal à pobre humanidade. E veio lembrar mais uma vez o remédio para vencer tantas doenças, misérias e sofrimento humano: penitência e oração.

Se nos devem preocupar os desvarios de tantos dirigentes políticos e os enganos em que muitos homens se têm envolvido, causadores de tantas desgraças, também é certo que a nossa querida Mãe do Céu, não nos abandona. Para obstar a tantos males, desde o Evangelho, Ela, nos recomenda “Fazei tudo o que Meu Filho vos disser”. Ao longo da História nos vem fazendo constantemente este urgente e salvador pedido. Nas Aparições, reconhecidas pela autoridade da Igreja, escutamos o constante apelo maternal à conversão de todos os Seus filhos. Que importância lhes estamos a dar? Em Lourdes acompanha e recomenda a reza do Terço; em Fátima, em todos os meses pediu a reza do mesmo. Pediu também, com a devoção dos cinco Primeiros Sábados, a consagração de cada um, ao Seu Imaculado Coração.

No dia 25 de Fevereiro, Nossa Senhora ordenou a Bernardette que se fosse lavar à torrente. Depois de alguma hesitação, sente-se movida interiormente a cavar com as mãos o solo da gruta. Assim brotou a famosa e miraculosa água de Lourdes, da qual se tem servido Nossa Senhora para curar tantos doentes. É no Sacramento da Penitência que todos somos também convidados a lavar os nossos pecados. Como é importante ter bem presente o sentido do pecado, o santo temor de Deus e consequentemente a necessidade de recorrer com frequência a esta fonte bendita, onde o Sangue de Jesus a todos quer lavar!

Não deixemos passar esta Festa sem que tomemos muito a sério estes tão veementes e ternos apelos maternais. Façamos tudo o que estiver ao nosso alcance para também os divulgar. Está em jogo a felicidade terrena e eterna de tantos seres humanos.

Não esqueçamos que, no século passado, foram milhões os atingidos pela primeira e segunda guerras mundiais, por então não terem correspondido a estes apelos da Mãe do Céu. Para obstar a tais desgraças, Nossa Senhora deixou-nos a Sua mensagem de Lurdes, e de Fátima, que importa conhecer viver e espalhar.

Como é urgente todos acordarem, cumprindo integralmente e com generosidade os Mandamentos da Lei de Deus. É este o grande pedido de Nossa Senhora: “Fazei tudo o que Meu Filho vos disser”. Fujamos do pecado recorrendo a Nossa Senhora, Imaculada na Sua Conceição. Eis aqui a solução para todas as crises, doenças e sofrimento humanos. Rezemos e visitemos, sempre que possível os doentes, vendo neles, como nos recorda o Santo Padre a Face de Cristo sofredor.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs,

Por intercessão de Nossa Senhora

peçamos a Deus, nosso querido Pai,

 pelas necessidades de todos os homens,

dizendo com fé:

 

Por intercessão da Imaculada, ouvi-nos Senhor!

 

1.Pelo Santo Padre, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

 para que  a mensagem de penitência que anunciam

seja prontamente acolhida por todos os homens,

oremos irmãos.

 

R. Por intercessão da Imaculada, ouvi-nos Senhor!

 

2. Pela Europa, em crise de Fé, de amor e identidade:

para que a mensagem de Nossa Senhora de Lourdes,

a ajude a reencontrar os caminhos da Igreja,

oremos irmãos.

 

R. Por intercessão da Imaculada, ouvi-nos Senhor!

 

3.Pela França, filha querida da Igreja:

para que, à luz da mensagem de Lourdes,

se renove na devoção a Nossa Senhora,

oremos irmãos.

 

R. Por intercessão da Imaculada, ouvi-nos Senhor!

 

4.Pelos cristãos tíbios e desleixados:

para que se lavem na torrente da confissão

e se renovem na fidelidade batismal,

oremos irmãos.

 

R. Por intercessão da Imaculada, ouvi-nos Senhor!

 

5. Pelos irmãos que nos precederam na fé:

para que sejam livres das suas penas

e entrem quanto antes na felicidade eterna,

oremos irmãos.

 

R. Por intercessão da Imaculada, ouvi-nos Senhor!

 

Senhor, que nos desvendais, com a solicitude maternal de Nossa Senhora

a ternura de Vosso Coração e do Coração Imaculado da querida Mãe do Céu

ajudai-nos a seguir com generosa docilidade os caminhos de conversão que Ela nos aponta

para Vos  podermos contemplar um dia, eternamente, no reino celestial .

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Nossa Senhora da Graça, M. Faria, NRMS 33-34

 

Oração sobre as oblatas: Venha, Senhor, em nosso auxílio o vosso Filho feito homem; Ele, que ao nascer da Virgem Maria, não diminuiu, antes consagrou a integridade de sua Mãe, nos purifique das nossas culpas e Vos torne agradável a nossa oblação. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de Nossa Senhora: p. 486 [644-756] e pp. 487-490

 

Santo: Santo IV, H. Faria, NRMS 103-104.

 

Saudação da Paz

 

O reino dos céus, para o qual todos fomos criados e onde Nossa Senhora nos espera, é o reino do Amor. Lá só entraremos, se na vida, nos tivermos amado também. Como irmãos, que somos pelo batismo, sempre assim devemos viver. Como sinal de verdadeira reconciliação entre todos, Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Jesus, Deus e Homem verdadeiro, realmente presente na Santíssima Eucaristia, é fruto do Ventre Puríssimo de Maria Imaculada, Nossa Senhora de Lourdes. Vamos recebê-lO com muita fé, humildade, amor e profunda gratidão e pedir-Lhe conforto espiritual e material para todos os doentes.

 

Cântico da Comunhão: Quero cantar o vosso nome, A. Cartageno, NRMS 111

cf. Lc 11, 27

Antífona da comunhão: Bendita seja a Virgem Maria, que trouxe em seu ventre o Filho de Deus Pai.

 

Cântico de acção de graças: O meu espírito exulta, C. Silva, NRMS 38

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes neste sacramento celeste, fazei que, celebrando com alegria a festa da Virgem Santa Maria, imitemos as suas virtudes e colaboremos generosamente no mistério da nossa redenção. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Correspondendo aos apelos amorosos de Nossa Senhora, vamos viver na graça de Deus, purificando-nos frequentemente no Sacramento da Penitência. Bem cheios de Deus, visitemos e oremos por todos os doentes, sobretudo pelos que estão mais abandonados e entregues aos seus sofrimentos. Com esses propósitos, ide em paz e o Senhor vos acompanhe.

 

Cântico final: Ó Virgem Sagrada, F. da Silva, NRMS 33-34

 

 

Homilias Feriais

 

4ª Feira, 12-II: Importância da limpeza do interior.

1 Re 10, 1-10 / Mc 7, 14-23

O que sai do homem é que o torna impuro. Pois do interior do coração dos homens é que saem os pensamentos perversos.

 A rainha de Sabá foi ter com o rei Salomão para resolver alguns problemas difíceis e apreciar a sua sabedoria. No fim ficou muito impressionada (Leit.). As multidões também iam ter com Jesus para serem curadas e para ouvirem os seus ensinamentos. E nesta ocasião vai transmitir-lhes algo muito importante: a necessidade de purificar o interior do homem (Ev.).

Por um lado, é do interior do coração do homem que saem os maus pensamentos, os maus desejos, as invejas, as críticas às pessoas, as imaginações, as tendências desordenadas. E por outro, Deus garante que os limpos de coração verão a Deus. Vale a pena limpar o interior agora porque, se não o fizermos, teremos de nos purificar depois no Purgatório, antes de entrarmos no Céu.

 

5ª Feira, 13-II: Fé e idolatria.

1 Re 11, 4-13 / Mc 7, 24-30

Quando Salomão envelheceu, as suas mulheres desviaram-lhe o coração para outros deuses, e o seu coração deixou de pertencer inteiramente a Deus.

Salomão perdeu todos os dons que o Senhor lhe tinha concedido e desviou o coração para outros deuses (Leit.). Pelo contrário, a mulher cananeia, que era pagã, conseguiu convencer Jesus a fazer o milagre da cura de sua filha, manifestando uma grande confiança em Deus (Ev.).

A fé é um dos maiores dons que recebemos de Deus. Se nos descuidarmos, podemos cair na idolatria. «Esta consiste em divinizar o que não é Deus. Há idolatria desde o momento em que o homem honra e reverencia uma criatura em lugar de Deus, quer se trate de deuses ou de demónios, do poder, do prazer, da raça, dos antepassados, do Estado, do dinheiro» (CIC, 2113).

 

6ª Feira, 14-II: S. Cirilo e Metódio: Dificuldades no anúncio da palavra de Deus.

Act 13, 46-49 / Lc 10, 2-9

Designou o Senhor setenta e dois discípulos e mandou-os em missão, dois a dois, a todas as cidades e lugares.

Em muitos lugares os discípulos foram rejeitados pelos judeus e, por isso, tiveram que voltar-se para os pagãos (Leit.).

 Cirilo e Metódio receberam a missão de evangelizar os povos eslavos (Oração). Além de uma intensa actividade evangelizadora, conseguiram também preparar os textos litúrgicos em língua eslava, pondo à disposição daqueles povos a riqueza da palavra de Deus. Peçamos a estes Santos Padroeiros da Europa que todos os países possam acolher palavra de Deus. E que todos nós saibamos ultrapassar as dificuldades para que a palavra de Deus chegue a todas as pessoas.

 

Sábado, 15-II: Adoração a Deus presente na Eucaristia.

1 Re 12, 16-32; 13, 33-34 / Mc 8, 1-10

Jeroboão mandou fazer dois bezerros de oiro e disse ao povo: Israel, aqui estão os teus deuses, que te fizeram sair da terra do Egipto.

Volta a repetir-se a cena do bezerro de oiro do tempo de Moisés, mas agora com Jeroboão (Leit.). Enquanto os bezerros são apontados como causa da saída da terra do Egipto, retira-se essa proeza a Deus. Jesus tem pena de uma grande multidão que o seguia e realiza uma multiplicação dos pães (Ev.).

Na Eucaristia adoramos a Deus, presente sob as espécies sacramentais, e é bom que manifestemos essa adoração de alguma maneira. Uma genuflexão ao passar diante do sacrário, um sinal de adoração ao recebê-lo na Comunhão (genuflexão ou inclinação da cabeça), uns momentos de oração junto do sacrário, etc.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Alves Moreno

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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