Apresentação do Senhor

2 de Fevereiro de 2014

Festa

 

BÊNÇÃO E PROCISSÃO DAS VELAS

 

Primeira forma: Procissão

 

1.       À hora marcada, reúnem-se os fiéis numa igreja secundária ou noutro local apropriado, fora da igreja para a qual se dirigirá a procissão. Os fiéis têm nas mãos as velas apagadas.

 

2.       O sacerdote aproxima-se, acompanhado dos ministros, revestido com paramentos brancos como para a Missa. Em vez da casula pode levar o pluvial, que deporá no fim da procissão.

 

3.       Enquanto se acendem as velas, canta-se a antífona: o Senhor virá com poder e iluminará os olhos dos seus servos, Aleluia, ou outro cântico apropriado.

 

4.       O sacerdote saúda a assembleia como habitualmente e em seguida faz uma breve admonição para exortar os fiéis a celebrarem activa e conscientemente este rito festivo. Para isso, pode dizer estas palavras ou outras semelhantes:

 

Caríssimos irmãos:

Celebrámos com muita alegria, há quarenta dias, a solenidade do Natal do Senhor.

Hoje é o santo dia em que Jesus foi apresentado no templo por Maria e José. Exteriormente cumpria as prescrições da lei, mas na realidade vinha ao encontro do seu povo fiel.

Aqueles dois santos velhos, Simeão e Ana, tinham vindo ao templo sob a inspiração do Espírito Santo; iluminados pelo Espírito, reconheceram o Senhor e anunciavam-no a todos com entusiasmo.

Também nós, aqui reunidos pelo Espírito Santo, caminhemos para a casa do Senhor ao encontro de Cristo. Aí O encontraremos e O reconheceremos na fracção do pão, enquanto aguardamos a sua vinda gloriosa.

 

5.       Terminada a admonição, o sacerdote procede à bênção das velas, dizendo de mãos juntas:

 

Oremos:

Senhor nosso Deus, fonte e origem de toda a luz, que neste dia mostrastes ao Santo velho Simeão a luz que veio para se revelar às nações, humildemente Vos suplicamos: santificai com a vossa bênção estas velas e ouvi a oração do vosso povo que se reuniu para as levar solenemente em honra do vosso nome, de modo que, seguindo sempre o caminho da virtude, chegue um dia à luz que jamais se extingue. Por Nosso Senhor...

 

Ou então:

 

Oremos:

Senhor Deus, fonte e origem da luz eterna, infundi no coração dos fiéis a claridade da luz que não tem ocaso, para que todos nós, iluminados no vosso templo santo pelo esplendor destas luzes, mereçamos chegar um dia à luz da vossa glória. Por Nosso Senhor...

 

E asperge as velas com água benta sem dizer nada.

 

6.       Seguidamente, o sacerdote recebe a vela que está preparada para ele e dá início à procissão, dizendo:

 

Caminhemos em paz ao encontro de Cristo.

 

7.       Durante a procissão, canta-se a seguinte antífona com o respectivo cântico, ou outro cântico apropriado:

 

 

Antífona:  Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

Agora, Senhor, segundo a vossa palavra,

deixareis ir em paz o vosso servo.

 

Antífona:  Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

Os meus olhos viram a salvação

que oferecestes a todos os povos.

 

Antífona:  Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

8.       Ao entrar a procissão na igreja, canta-se a antífona de entrada da Missa. O sacerdote, depois de chegar ao altar, faz a devida reverência e, se parecer oportuno, incensa-o. Depois vai para a sua sede; ali, depõe o pluvial (se foi usado na procissão) e veste a casula.

 

Segue-se o canto do Glória, depois do qual, como de costume, diz a Oração Colecta. A Missa continua na forma habitual.

 

 

Segunda forma: Entrada Solene

 

9.            Os fiéis reúnem-se na igreja com as velas na mão. O sacerdote, revestido de paramentos brancos, acompanhado dos ministros e de uma representação da assembleia, dirige-se para o lugar mais conveniente, à porta da igreja ou dentro dela, onde ao menos uma grande parte dos fiéis possa ver facilmente o rito e participar nele.

 

10.          Quando o sacerdote tiver chegado ao lugar destinado para a bênção das velas, acendem-se as velas, enquanto se canta a antífona O Senhor virá com poder, ou outro cântico apropriado.

 

11.          Em seguida, o sacerdote, depois da saudação e da admonição, procede à bênção das velas, como acima se indica (nn. 4-5). Segue-se a procissão em direcção ao altar, durante a qual se canta a antífona própria ou um cântico apropriado (nn. 6-7). Para a Missa, observe-se o que está indicado no n. 8.

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor do Universo, F da Silva, NRMS 21

Salmo 47, 10-11

Antífona de entrada: Recordamos, Senhor, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Toda a terra proclama o louvor do vosso nome, porque sois justo e santo, Senhor nosso Deus.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O profeta Malaquias anuncia a vinda de um mensageiro que prepara o caminho do Messias. Identificamos neste mensageiro S. João Baptista, o “profeta do Altíssimo” que preparou o povo para acolher Jesus, “o Anjo da Aliança”, por quem a humanidade suspirava.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, humildemente Vos suplicamos que, assim como o vosso Filho Unigénito foi neste dia apresentado no templo, revestido da natureza humana, assim também, de alma purificada, nos apresentemos diante de Vós. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O salmo 23 (24) recorda-nos o convite do Papa João Paulo II: “Abri as portas ao Redentor.” Jesus é o Senhor do Universo. Desejamos ardentemente que Ele seja o rei e centro de toda a humanidade.

 

Malaquias 3, 1-4

2Assim fala o Senhor Deus: «Vou enviar o meu mensageiro, para preparar o caminho diante de Mim. Imediatamente entrará no seu templo o Senhor a quem buscais, o Anjo da Aliança por quem suspirais. Ele aí vem – diz o Senhor do Universo –. 2Mas quem poderá suportar o dia da sua vinda, quem resistirá quando Ele aparecer? Ele é como o fogo do fundidor e como a lixívia dos lavandeiros. 3Sentar-Se-á para fundir e purificar: purificará os filhos de Levi, como se purifica o ouro e a prata, e eles serão para o Senhor os que apresentam a oblação segundo a justiça. 4Então a oblação de Judá e de Jerusalém será agradável ao Senhor, como nos dias antigos, como nos anos de outrora.

 

A leitura é um pequeno extracto da passagem (2, 17 – 3, 5) relativa aos tempos escatológicos – o dia do Senhor –, em que se dará uma radical purificação do sacerdócio («os filhos de Levi», v. 3).

1 «Anjo da Aliança». Ele é o próprio Senhor «por quem suspirais». A profecia teve o seu pleno cumprimento em Jesus Cristo, o Filho de Deus enviado à terra. A vinda deste «Anjo da Aliança» será preparada por um «mensageiro», que, segundo a interpretação dada em Mt 11, 10, é João Baptista, o Precursor. Daqui o facto de na Liturgia se dar o titulo de Santo Anjo a Cristo.

Tenha-se em conta que, por vezes, no Antigo Testamento, se designa com o nome de Anjo o próprio Deus que se manifesta: assim em Gn 16, 7.13 e Ex 3, 2, etc.. Nestes casos, «anjo» não tem o sentido corrente de enviado de Deus, mas o de presença ou manifestação visível de Deus.

 

Salmo Responsorial    Salmo 23 (24), 7.8.9.10 (R. 10b)

 

Monição: O autor da carta aos Hebreus lembra-nos que Jesus é o Sumo Sacerdote, o único Mediador entre Deus e os homens, mas “tornou-se em tudo igual a nós, excepto no pecado.”

 

Refrão:        O Senhor do Universo é o Rei da glória.

 

Levantai, ó portas, os vossos umbrais,

alteai-vos, pórticos antigos,

e entrará o Rei da glória.

 

Quem é esse Rei da glória?

O Senhor forte e poderoso,

o Senhor poderoso nas batalhas.

 

Levantai, ó portas, os vossos umbrais,

alteai-vos, pórticos antigos,

e entrará o Rei da glória.

 

Quem é esse Rei da glória?

O Senhor dos Exércitos,

é Ele o Rei da glória.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 2, 32

 

Monição: Seja o nosso aleluia um grito de júbilo, semelhante ao do velho Simeão, que louvou a Deus, porque viu com os seus olhos Aquele é a “luz do mundo”. Também nós reconhecemos e aceitamos Jesus como “a luz que vem iluminar as nações.”

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo.

 

 

Evangelho *

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

Forma longa: São Lucas 2, 22-40      Forma breve: São Lucas 2, 22-32

22Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, 23como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», 24e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. 25Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel e o Espírito Santo estava nele. 26O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor 27e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, 28Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: 29«Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, 30porque os meus olhos viram a vossa salvação, 31que pusestes ao alcance de todos os povos: 32luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo».

[33O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. 34Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição – 35e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». 36Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada 37e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. 38Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. 40Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.]

 

A ida de Maria a Jerusalém para cumprir a lei da purificação das parturientes (Lv 12) serve de ocasião para que José e Maria procedam a um gesto que não estava propriamente prescrito pela Lei. Apresentar ali o Menino ao Senhor, é um gesto de oferta que mostra que Ele não lhes pertence e que se sentem meros depositários dum tesoiro de infinito valor. Pode também ver-se o sentido de imitação do gesto de Ana, mãe de Samuel (Sam 1, 11.22-28). Mas se a lei não preceituava a «apresentação», obrigava ao resgate do primogénito varão (não pertencente à tribo de Levi). Segundo Ex 13, o primogénito animal devia ser oferecido em sacrifício, ao passo que o primogénito humano devia ser resgatado, tudo isto em reconhecimento pelos primogénitos dos israelitas não terem sido sacrificados juntamente com os dos egípcios. O preço do resgate eram 5 siclos do santuário. Cada siclo de prata, no padrão do santuário, constava de vinte grãos com o peso total de 11,4 gramas. S. Lucas não fala deste resgate de 57 gramas de prata, que podia ser pago a qualquer sacerdote em qualquer parte da nação judaica; o evangelista apenas faz uma referência genérica ao cumprimento da Lei (v. 23; cf. Ex 13, 2.12-13).

24 A lei da purificação atingia toda a parturiente, a qual contraía impureza legal durante 7 dias, se dava à luz um rapaz, (Ex 12, 28, mas a jurisprudência judaica já tinha acrescentado mais 33 dias, um total de 40) e durante 14 dias, se tinha uma menina (tinha subido na época para 80 dias). No fim desse tempo, devia ser declarada pura mediante a oferta no templo duma rês menor (podia ser um cordeiro) e duma pomba ou rola. Quando a mãe não dispunha de meios para oferecer uma rês menor, podia oferecer um par de pombas ou rolas, como aqui se refere.

Tenha-se em conta que a «impureza legal ou ritual» não incluía a noção de pecado, ou de impureza moral. De modo particular todas as coisas relativas à transmissão da vida, mesmo no caso de serem moralmente boas, como a maternidade e o uso legítimo do matrimónio, ou moralmente indiferentes, como a menstruação e a polução nocturna, tornavam a pessoa impura, isto é, inapta para o culto de Deus Santo. A razão disto estava no carácter sagrado da vida e da sua transmissão. Parece que tudo isto implicava alguma perda de vitalidade, que devia ser reparada mediante certos ritos, para de novo poder entrar em comunhão com Deus, a plenitude e a fonte da vida. Estas leis tinham uma finalidade eminentemente didáctica: o povo de Israel era um povo santo, especialmente dedicado a Deus e ao seu culto, e em comunhão com Ele (cf. Ex 19, 5-6; Lv 19, 2). Todas as normas de pureza ritual faziam-no tomar constantemente consciência das suas relações particularíssimas com Deus e do sentido cultual da sua vida diária. A verdade é que a frequência e abundância dos ritos nem sempre foi alicerçada num coração dedicado a Deus, tendo degenerado no formalismo religioso tão denunciado pelos profetas e por Jesus Cristo (cf. Is 29, 13; Mt 15, 7-9).

Em face disto, o rito da Purificação de Maria, não pressupõe a aparência sequer de qualquer imperfeição moral ou legal da parte da SSª Virgem, como se poderia pensar. O gesto de Maria aparece como uma singular lição de naturalidade, de obediência e de pureza, cumprindo uma lei a que não estava sujeita, por ser a aeiparthénos, a sempre Virgem; Maria, a tão privilegiada, não quer para si um regime de excepção e privilégio.

25 «Simeão», de quem não temos mais notícias (em parte nenhuma se diz que era velho), aparece como um dos «piedosos» do judaísmo que esperava não um messias revolucionário (como os zelotas), mas o verdadeiro Salvador – «a consolação de Israel». Apesar do que se diz no v. 34, não parece ser sacerdote, não estando no serviço do templo, mas tendo vindo lá «movido pelo Espírito» (v. 27). Há quem o considere filho do grande rabino Hillel e pai do célebre Gamaliel I (Vacari; cf. Act 5, 34; 22, 3), mas sem provas convincentes.

33 A naturalidade com que S. Lucas chama a S. José «pai de Jesus» não implica qualquer contradição com o que antes afirmou em 1, 26-38. Aqui visa o poder e missão paterna, de modo nenhum a ascendência carnal.

35 «Assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Estas palavras ligam-se a «sinal de contradição». É que, diante de Jesus, não há lugar para a neutralidade: a sua pessoa, a sua obra e a sua mensagem fazem com que os homens revelem o seu interior, tomando uma atitude pró ou contra; a aceitação e a fé será, para muitos, motivo de salvação, ou «ressurgimento espiritual» (de que «se levantem»), ao passo que a rejeição culpável será motivo de que muitos se condenem (de que «muitos caiam»).

36-37 Põe-se em relevo a sua longa viuvez, como algo digno de veneração.

38 Não se afasta do Templo: hipérbole para indicar a frequência diária.

39 Este v. corresponde a Mt 2, 23, mas Lucas não relata aqui a fuga para o Egipto.

40 A Teologia explicita que «o Menino crescia», não só na manifestação da sabedoria, mas também no conhecimento experimental.

 

Sugestões para a homilia

 

“Jesus é a Luz para se revelar às nações.”

Na primeira leitura, o profeta Malaquias fala da vinda do “Desejado das nações.” Ao povo cansado de esperar pela vinda do Messias o profeta anuncia: “ Ele aí vem! Ele o Anjo da aliança, vai entrar no seu Templo!” No Evangelho vemos cumprida esta profecia. Quarenta dias após o nascimento de Jesus, em obediência à lei de Moisés (Ex. 13, 11-13), a Virgem Maria leva o Menino Jesus ao templo, a fim de O oferecer ao Senhor.

Apresentação do Senhor é um mistério gozoso: Simeão recebeu Jesus em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos».

A Apresentação é também um mistério doloroso. S. Lucas recorda-nos que Simeão depois de abençoar a Sagrada Família disse a Maria: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; e uma espada trespassará a tua alma».

Começa, nesse dia, o mistério de sofrimento, que atingirá o seu ponto culminante no Calvário, quando Jesus oferecer a Sua vida e o Seu Sangue, como preço da nossa redenção. Deixemo-nos conduzir pelo Espírito Santo como Simeão e Ana e sejamos portadores de esperança. Como há dois mil anos, também hoje muitos “esperam a libertação de Jerusalém”, que é como quem diz, muitos esperam a libertação da Igreja, o Povo da Nova Aliança. Imitemos a Virgem Maria que esteve sempre ao lado de seu Filho, como a humilde serva e colaboremos na obra da Redenção.

Antes da Missa, está prevista a procissão das velas, que acendemos em honra de Jesus Cristo que disse de si mesmo: “Eu sou a luz do mundo!” Deixemo-nos iluminar por Jesus. Levemos em nossas mãos o brilho das velas, para significar a nossa fé n’Aquele “ilumina todo homem”, dissipando as trevas do mal com a sua luz divina. Assim como a Virgem Maria levou ao colo a luz verdadeira e a comunicou ao velho profeta Simeão e à profetiza Ana, assim também nós, iluminados por Cristo, devemos ser luz do mundo. Jesus pediu aos seus amigos: “Brilhe a vossa luz no meio dos homens, para que vendo as vossas boas obras glorifiquem o Pai que está nos Céus!”

 

Fala o Santo Padre

 

«As Bem-Aventuranças constituem um novo programa de vida,

para nos libertarmos dos falsos valores do mundo

e nos abrirmos aos bens verdadeiros, presentes e futuros»

 

Amados irmãos e irmãs!

Neste quarto domingo do Tempo Comum, o Evangelho apresenta o primeiro grande discurso que o Senhor dirige ao povo, nas doze colinas ao redor do Lago da Galileia, «Vendo aquelas multidões — escreve são Mateus — Jesus subiu à montanha. Sentou-se e os seus discípulos aproximaram-se dele. Então, começou a falar e a ensinar» (Mt 5, 1-2). Jesus, novo Moisés, «toma o seu lugar na “cátedra” da montanha» (Gesù di Nazaret, Milano 2007, p. 88) e proclama «bem-aventurados» os pobres de espírito, os aflitos, os misericordiosos, quantos têm fome de justiça, os puros de coração e os que são perseguidos (cf. Mt 5, 3-10). Não se trata de uma nova ideologia, mas de um ensinamento que vem do Alto e diz respeito à condição humana, precisamente aquela que o Senhor, encarnando, quis assumir para a salvar. Por isso, «o Sermão da montanha é dirigido ao mundo inteiro, no presente e no futuro … e só pode ser compreendido e vivido no seguimento de Jesus, no caminho com Ele» (Gesù di Nazaret, p. 92). As Bem-Aventuranças constituem um novo programa de vida, para nos libertarmos dos falsos valores do mundo e nos abrirmos aos bens verdadeiros, presentes e futuros. Com efeito, quando Deus consola, sacia a fome de justiça e enxuga as lágrimas dos aflitos, significa que, além de recompensar cada um de modo sensível, abre o Reino dos Céus. «As Bem-Aventuranças são a transposição da cruz e da ressurreição na existência dos discípulos» (Ibid., p. 97). Elas reflectem a vida do Filho de Deus, que se deixa perseguir e desprezar até à condenação à morte, a fim de que aos homens seja concedida a salvação.

Um antigo eremita afirma: «As Bem-Aventuranças são uma dádiva de Deus, e temos o dever de lhe render grandes graças por elas e pelas recompensas que delas derivam, ou seja, o Reino dos Céus no século vindouro, a consolação aqui, a plenitude de todo o bem e a misericórdia da parte de Deus … uma vez que nos tivermos tornado imagem de Cristo na terra» (Pedro de Damasco, inFilocalia, vol. 3, Torino 1985, p. 79). O Evangelho das Bem-Aventuranças comenta-se com a própria história da Igreja, a história da santidade cristã, porque — como escreve são Paulo — «o que é estulto no mundo, Deus escolheu-o para confundir os sábios; e o que é fraco no mundo, Deus escolheu-o para confundir os fortes; e o que é vil e desprezível no mundo, Deus escolheu-o, como também as coisas que nada são, para destruir aquelas que são» (1 Cor 1, 27-28). Por isso, a Igreja não tema a pobreza, o desprezo e a perseguição numa sociedade com frequência atraída pelo bem-estar material e o poder mundano. Santo Agostinho recorda-nos que «não é útil padecer tais males, mas suportá-los pelo nome de Jesus, não apenas com o espírito tranquilo, mas também com alegria» (De sermone Domini in monte, I, 5, 13: CCL 35, 13).

Caros irmãos e irmãs, invoquemos a Virgem Maria, a Bem-Aventurada por excelência, pedindo a força para procurar o Senhor (cf. Sf 2, 3) e para O seguir sempre com alegria, no caminho das Bem-Aventuranças.

Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro a 30 de Janeiro de 2011

 

Oração Universal

 

Convocados pelo Espírito Santo

para celebrar a Apresentação do Senhor,

unamo-nos a Maria e a José,

a fim de sermos nós também apresentados a Deus Pai,

dizendo (ou: cantando), com alegria:

 

R. Iluminai-nos, Senhor, com a luz de Cristo.

 

1. Para que a Igreja, templo santo do Senhor

e sinal do encontro entre Deus e o homem,

leve às nações o Evangelho e a luz de Cristo,

oremos, irmãos.

 

2. Para que Maria, mulher atenta à voz de Deus,

Esposa dedicada e Mãe solícita,

nos ensine a ser fiéis como ela,

oremos, irmãos.

 

3. Para que os responsáveis pelas nações e suas leis

respeitem a igualdade dos cidadãos

e promovam o bem-estar de todos,

oremos, irmãos.

 

4. Para que os idosos das nossas comunidades

vejam em Cristo a salvação que Deus nos deu

e recebam o carinho dos seus filhos,

oremos, irmãos.

 

5. Para que as jovens mães cristãs de todo o mundo

saibam oferecer os seus filhos ao Senhor

e ser para eles o que Maria foi para Jesus,

oremos, irmãos.

 

6. Para que os membros da nossa família paroquial

e os que já partiram deste mundo

cantem sempre os louvores do Rei da glória,

oremos, irmãos.

 

Senhor, nosso Deus,

que em vosso Filho, apresentado no templo,

manifestastes ao mundo a luz das nações,

fazei que a vossa Igreja, iluminada pelo Espírito Santo,

cresça em santidade e se encha de sabedoria. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Prefácio: Jesus Cristo é a luz das nações

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente,

é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação

dar-Vos graças, sempre e em toda a parte.

Hoje o vosso Filho, eterno como Vós,  é apresentado no templo

e proclamado pelo Espírito Santo glória de Israel e luz das nações.

Por isso, vamos com alegria ao encontro do Salvador

e com os Anjos e os Santos proclamamos a vossa glória,

cantando numa só voz: Santo, Santo, Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Cantemos todos em coro, Az. Oliveira, NRMS 88

 

Oração sobre as oblatas: Senhor, que na vossa bondade quisestes que o vosso Filho Unigénito Se oferecesse a Vós como Cordeiro sem mancha pela vida do mundo, fazei que Vos seja agradável a oblação da vossa Igreja em festa. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

Cristo, luz das nações

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai Santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte. Hoje o vosso Filho, eterno como Vós, é apresentado no templo e proclamado pelo Espírito Santo glória de Israel e luz das nações. Por isso, vamos com alegria ao encontro do Salvador e com os Anjos e os Santos proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: F. da Silva, NRMS 14

 

Monição da Comunhão

 

Simeão tomou o Menino Jesus em seus braços e desejou morrer! Que felicidade! “Os seus olhos viram a salvação que Deus ofereceu a todos os povos.”

 Jesus tinha dito: “Felizes os vossos olhos porque vêem!” Nós não vemos, mas também somos felizes, porque Jesus nos diz através da Igreja: “Felizes os convidados para a Ceia do Senhor!”

Recebamos Jesus no nosso coração e sejamos felizes como o velho profeta Simeão.

 

Cântico da Comunhão: Os meus olhos viram a salvação, S. Marques, NRMS 88

Lc 2, 30-31

Antífona da comunhão: Os meus olhos viram a salvação que oferecestes a todos os povos.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear, F. da Silva, NRMS 17

 

Oração depois da comunhão: Deus de bondade, que respondestes à esperança do Santo Simeão, confirmai em nós a obra da vossa graça: assim como lhe destes a alegria de receber em seus braços, antes de morrer, a Cristo vosso Filho, concedei que também nós, fortalecidos por estes sacramentos, caminhemos ao encontro do Senhor e alcancemos a vida eterna. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

“Estava presente na mesma ocasião a profetiza Ana. Ela começou a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.”

Estamos todos cheios de alegria com os gestos proféticos do Papa Francisco. Na missa da peregrinação das famílias a Roma (27/10/2013) convidou todos os católicos a não guardarem a fé “num cofre-forte”, mas a partilhá-la com os outros através do “testemunho, do acolhimento e da abertura”.

Aceitemos também nós o seu convite! Imitemos o exemplo da profetiza Ana! Falemos de Jesus a todos os que nos rodeiam!

 

Cântico final: Aleluia! Glória a Deus, F. da Silva, NRMS 92

 

 

 

 

 

 

 

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira, 3-II: Aproveitar bem as 'infelicidades' desta vida.

2 Sam 15, 13-14. 30; 16, 5-13 / Mc 5, 1-20

Os gadarenos começaram então a pedir a Jesus que se retirasse do seu território.

Os gadarenos pediram a Jesus que se fosse embora porque, para salvar dois homens, tinham morrido dois mil porcos (Ev.). Pelo contrário, David aceita todas as pedradas e insultos que lhe são dirigidos, como permitidos por Deus: «Deixai-o amaldiçoar foi o Senhor quem lho ordenou» (Leit.).

É muito frequente que a 'lógica de Deus' não coincida com a dos homens. Só a fé nos fará descobrir a mão de Deus por detrás daquilo que consideramos os males humanos: «David: Talvez o Senhor olhe para a minha aflição e me dê a felicidade em vez da sua maldição deste dia» (Leit.). Aproveitemos as 'infelicidades' desta vida para sermos felizes na outra vida e não nos afastemos do Senhor por causa das provações.

 

3ª Feira, 4-II: Nós 'tocamos' no Senhor.

2 Sam 18, 9-10. 14. 24-25.30- 19, 4 / Mc 5, 21-43

Pois dizia consigo: Se eu, ao menos lhe tocar nas vestes, ficarei curada.

Nós fazemos pedidos ao Senhor: «Inclinai, Senhor, os vossos ouvidos e escutai-me» (S. Resp.). E Jesus no seu ministério atende estas súplicas: «Jesus atende a oração de fé expressa em palavras (de Jairo: Ev.), ou feita em silêncio (da hemerroísa: Ev.)» (CIC, 2616). Ele continua a responder sempre à oração, quando é feita com fé: «Minha filha, foi a tua fé que te salvou» (Ev.).

A hemerroísa procurou tocar-lhe. E nós 'tocamos' no Senhor, quando participamos na Eucaristia, quando o recebemos na Comunhão, quando fazemos oração ou levamos a cabo o nosso trabalho, e Ele também nos 'toca', especialmente através dos sacramentos: «Por isso, nos sacramentos, Cristo continua a 'tocar-nos' para nos curar» (CIC, 1504).

 

4ª Feira, 5-II: O pecado e a contrição.

2 Sam 24, 2. 8-17 / Mc 6, 1-6

Jesus não pode fazer ali qualquer milagre. Estava admirado com a falta de fé daquela gente.

Jesus entristece-se por causa da falta de fé dos seus conterrâneos (Ev.). David manifestou falta de confiança em Deus quando quis saber com quantos homens de guerra podia contar para os seus combates, esquecendo-se que todos os seus triunfos eram devidos à ajuda de Deus. Acabou por reconhecer o seu pecado e pediu perdão ao Senhor, aceitando qualquer penitência que lhe fosse imposta: «O seu louvor e arrependimento serão o modelo de oração do povo» (CIC, 2578).

Quando fizermos alguma coisa que não agrade a Deus, não deixemos de recorrer à contrição que é «uma dor de alma e uma detestação do pecado cometido, com o propósito de não pecar mais no futuro» (CIC, 1452).

 

5ª Feira, 6-II: Nova visão da doença e dos doentes.

1 Re 2, 1-4. 10-12 / Mc 6, 7-13

Jesus chamou a si os doze Apóstolos e começou a mandá-los em missão dois a dois.

«Seguindo-o, eles adquirem uma nova visão da doença e dos doentes. Jesus associa-os à sua vida de pobre e servidor. Fá-los participar no seu ministério de compaixão e cura. E eles 'partiram e pregaram que era preciso arrepender-se' (Ev.)» (CIC, 1506). O rei David, ao aproximar-se a sua morte, quis dar também uns conselhos ao filho, para que «nunca faltasse um descendente ao trono de Israel» (Leit.).

De entre os doentes, merecem especial atenção os que padecem graves enfermidades ou estão moribundos. Procuremos ajudá-los para que recebam a Unção dos doentes, insinuada por S. Marcos: «Ungiam com óleo numerosos doentes» (Ev.).

 

6ª Feira, 7-II: As Cinco Chagas do Senhor: O seu poder curativo.

Is 53, 1-10 / Jo 19, 28-37 ou Jo 20, 24-29

O castigo que nos salva caiu sobre ele e, por causa das suas chagas, é que fomos curados.

 A Festa das Cinco Chagas do Senhor, isto é, das feridas que Ele recebeu na Cruz, é o reconhecimento da devoção que lhe temos em Portugal, e que figura no escudo nacional. Recorda-nos que Ele sofreu este castigo por causa das nossas faltas. Deste modo se cumpriu a profecia do servo sofredor de Isaías (Leit.).

Jesus convida-nos a aproximar-nos dele (Ev.), para 'apalparmos' o seu amor por nós: «por causa das suas chagas é que fomos curados (Leit.)». Ajudam-nos a curar as dúvidas de fé, tal como aconteceu com S. Tomé, que disse: «Meu senhor e meu Deus!»; a rejeitar o pecado; a afastar as tentações; a desagravar pelas ofensas.

 

Sábado, 8-II: O ofício do bom Pastor que nos foi confiado.

1 Re 3, 4-13 / Mc 6, 30-34

Jesus encheu-se de compaixão por aquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor.

Para que os que o seguiam se não perdessem, Jesus dedica-lhes imenso tempo: «começou a instruí-los demoradamente» (Ev.). E mais tarde, derramaria também o seu Sangue, para que não lhes faltasse a vida sobrenatural. Para que pudesse governar bem o povo de Israel, em nome do Senhor, Salomão pediu ao Senhor o que era mais importante: «um coração inteligente que o ajudasse a distinguir o bem do mal» (Leit.).

Participamos nas tarefas do bom pastor para ajudarmos os outros. Procuremos imitar a entrega de Jesus. E além disso, precisamos conhecer bem a sua palavra, para orientarmos os outros nos caminhos de Deus.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         José Roque

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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