4º Domingo do Advento

22 de Dezembro de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Erguei-vos que vem o Senhor, F da Silva, NRMS 39

Is 45, 8

Antífona de entrada: Desça o orvalho do alto dos Céus e as nuvens chovam o Justo. Abra-se a terra e germine o Salvador.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

  Jesus é o Emanuel, Deus connosco. Está aqui na Eucaristia. Peçamos a Nossa Senhora que nos ajude a preparar-nos bem para o Seu Natal, como Ela o fez há dois mil anos.

 

 Vamos, agora, examinar o nosso coração e limpá-lo do pecado pelo nosso arrependimento.

 

Oração colecta: Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Cristo vosso Filho, pela sua paixão e morte na cruz alcancemos a glória da ressurreição. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías anuncia um grande prodígio que Deus fará como sinal de salvação para o povo de Judá: uma virgem conceberá um filho cujo nome será Emanuel, Deus connosco.

 

Isaías 7, 10-14

Naqueles dias, 10o Senhor mandou ao rei Acaz a seguinte mensagem: 11«Pede um sinal ao Senhor teu Deus, quer nas profundezas do abismo, quer lá em cima nas alturas». 12Acaz respondeu: «Não pedirei, não porei o Senhor à prova». Então Isaías disse: 13«Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? 14Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel».

 

O contexto histórico deste oráculo isaiano é o da conjura dos reis de Israel e de Damasco para destronarem Acaz, o rei de Judá.

10-12 Como prova de que o rei Acaz não virá a ser destronado e substituído pelo filho de Tabel, estranho à linhagem davídica, o profeta Isaías propõe ao rei que peça um sinal divino, o mais extraordinário que seja (cf. v. 11). O rei, com hipócrita religiosidade, nega-se a pedir esse sinal, porque não acredita em sinais, em coisas sobrenaturais. Foi por esta ocasião – o que não quer dizer exactamente no mesmo momento – que o Profeta, dirigindo-se à linhagem (casa) de David, anunciou que o Senhor dará um sinal verdadeiramente extraordinário e que o trono de David se consolidará eternamente (cf. 1 Sam 7, 16).

14 Esse «sinal» é «a virgem que concebe». Muito se tem discutido e escrito sobre este sinal. Uma coisa é certa, é que o crente não pode prescindir de algum sentido messiânico (directo ou indirecto) desta célebre passagem isaiana. De facto, a própria exegese bíblica mostra que estamos no chamado «Livro do Imanuel» (Is 7 – 12), uma secção de carácter vincadamente messiânico por apontar para um descendente de David em quem se concentram as promessas da salvação de Deus, o Imanuel (o Deus connosco); embora, em primeiro plano, possa ser visado o próprio filho do rei Acaz, Ezequias, ele é considerado uma figura ou tipo do Messias. A tradução grega dos LXX (inspirada por Deus?) utilizou um termo específico para designar a virgindade desta mãe, chamando-a parthénos, quando o termo hebraico original não designa mais que a sua idade juvenil: ‘almáh. A célebre tradução grega em que se apoiavam os primeiros apologistas cristãos para demonstrarem aos judeus que Jesus é o Messias prometido, veio a ser rejeitada pelos judeus, que a substituíram por outras versões (ou antes adaptações gregas: Áquila, Símaco e Teodocião) e o dia festivo para comemorar a tradução dos LXX passou a ser um dia de luto. A interpretação mais tradicional defende o sentido literal (não se contentando com o sentido chamado típico ou pleno, suficientes para se garantir o sentido messiânico da passagem) e faz finca-pé em que Deus tinha oferecido pelo Profeta um sinal prodigioso, e eis que o dá; ora esse sinal só é prodigioso se a concepção e o nascimento do Menino acontece sem destruir a virgindade da Mãe; aliás é ela a pôr o nome ao filho, coisa que pertence sempre ao pai (que aqui não aparece). O próprio nome do filho insinua a sua divindade, «Deus connosco»: é a mesma personagem extraordinária anunciado em Is 9, 5-6: «Deus forte, príncipe da paz...». Mt 1, 23 (o Evangelho de hoje) e toda a tradição cristã e o próprio magistério da Igreja levam a ver nesta passagem uma referência «ao parto virginal da Mãe de Deus e ao verdadeiro Emanuel, Cristo Senhor» (Pio VI). Não é, porém, agora aqui o lugar para entrar em mais discussões exegéticas de pormenor.

 

Salmo Responsorial    Salmo 23 (24), 1-2.3-4ab.5-6 (R. 7c e 10b)

 

Monição: O salmo quer despertar em nós o desejo da vinda do Senhor. Vamos rezá-lo com fervor.

 

Refrão:        Venha o Senhor: é Ele o rei glorioso.

 

Ou:               O Senhor virá: Ele é o rei da glória.

 

Do Senhor é a terra e o que nela existe,

o mundo e quantos nele habitam.

Ele a fundou sobre os mares

e a consolidou sobre as águas.

 

Quem poderá subir à montanha do Senhor?

Quem habitará no seu santuário?

O que tem as mãos inocentes e o coração puro,

que não invocou o seu nome em vão nem jurou falso.

 

Este será abençoado pelo Senhor

e recompensado por Deus, seu Salvador.

Esta é a geração dos que O procuram,

que procuram a face do Deus de Jacob.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na saudação inicial da Carta aos Romanos S.Paulo lembra que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, nascido da descendência do rei David.

 

Romanos 1, 1-7

1Paulo, servo de Jesus Cristo, apóstolo por chamamento divino, escolhido para o Evangelho 2que Deus tinha de antemão prometido pelos profetas nas Sagradas Escrituras, 3acerca de seu Filho, nascido da descendência de David, segundo a carne, 4mas, pelo Espírito que santifica, constituído Filho de Deus em todo o seu poder pela sua ressurreição de entre os mortos: Ele é Jesus Cristo, Nosso Senhor. 5Por Ele recebemos a graça e a missão de apóstolo, a fim de levarmos todos os gentios a obedecerem à fé, para honra do seu nome, 6dos quais fazeis parte também vós, chamados por Jesus Cristo. 7A todos os que habitam em Roma, amados por Deus e chamados a serem santos, a graça e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.

 

A leitura corresponde à saudação inicial da Carta aos Romanos, em que Paulo se apresenta aos cristãos residentes em Roma a quem pretende visitar (cf. vv. 10-15). Apresenta-se na sua qualidade de «Apóstolo por chamamento divino, escolhido» por Deus para pregar aos gentios o Evangelho de Jesus Cristo, deixando claro desde o início (v. 4) a natureza humana do Filho de Deus, «da descendência de David segundo a carne (katà sárka)» e a sua natureza divina, «constituído Filho de Deus em todo o seu poder pela sua ressurreição». Convém ter presente que não foi a ressurreição que O tornou Filho de Deus, mas foi esta que lhe garantiu o pleno exercício de «todo o seu poder» que lhe compete como Filho de Deus e que manifestou o que Ele é, Filho de Deus «segundo o Espírito (katà pneûma) de santificação», isto é, «quanto ao seu ser animado pelo Espírito da santidade divina», uma forma de aludir à sua condição divina (e não ao Espírito Santo, a Terceira Pessoa Trinitária), como fica claro pela contraposição: «segundo a carne» (katà sárka) – «segundo o Espírito» (katà pneûma). Ainda que se possa ver nestas formulações da fé o reflexo de uma cristologia primitiva, dita «baixa», e ainda não suficientemente desenvolvida, mais existencial do que essencial, a verdade é que os títulos com que Jesus Cristo é aqui designado – «Filho» e «Senhor» – são suficientemente expressivos da fé na natureza divina de Jesus possuída antes da ressurreição (cf. Rom 8, 3; Gal 4, 4-5; Filp 2, 6; Col 1, 15).

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 1, 23

 

Monição: Jesus foi concebido no seio da Virgem Santíssima pelo poder do Espírito Santo. Através dEla tornou-se Deus connosco. Aclamemo-LO com alegria.

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

A Virgem conceberá e dará à luz um Filho,

que será chamado Emanuel, Deus connosco.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 1, 18-24

18O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. 19Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. 20Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». 22Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: 23«A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». 24Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa.

 

S. Mateus centra o seu relato do nascimento de Jesus na figura de S. José (S. Lucas na de Maria), com uma clara intencionalidade teológica de apresentar Jesus como o Messias, anunciado como descendente de David. Isto é posto em evidência logo de início: «Genealogia de Jesus Cristo (=Messias), Filho de David» (v. 1). Como a linha genealógica passava pelo marido, é a de José que é apresentada. Os elos são seleccionados para que apareçam três séries de 14 nomes, obedecendo a uma técnica rabínica, chamada gematriáh, ou recurso ao valor alfabético dos números; assim o número 14, reforçado pela sua tripla repetição – «catorze gerações» – (no v. 17), sugere o nome de David, que em hebraico se escreve com três consoantes (em hebraico não se escrevem as vogais) que dão o número catorze ([D=4]+[V=6]+[D=4]=14). A concepção virginal antes de ser explicada e justificada pelo cumprimento das Escrituras (vv. 18-25), é logo anunciada na genealogia, que precede imediatamente a leitura de hoje, pois para todos os seus elos se diz «gerou», quando para o último elo não se diz que «gerou», mas: «José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus» (v. 16, à letra «da qual foi gerado – entenda-se, por Deus – Jesus»).

18 «Antes de terem vivido em comum»: Maria e José já tinham celebrado os esponsais (erusim), que tinham valor jurídico de um matrimónio, mas ainda não tinham feito as bodas solenes (nissuim ou liqquhim), em que o noivo trazia festivamente a noiva para sua casa, o que costumava ser cerca de um ano depois.

«Encontrava-se grávida por virtude do Espírito Santo»: isto conta-se em pormenor no Evangelho de S. Lucas (1, 26-38), lido na festa da Imaculada Conceição (ver comentário então feito). Ao dizer-se «por virtude do Espírito Santo», não se quer dizer que o Espírito Santo desempenhou o papel de pai, pois Ele é puro espírito. Também isto nada tem que ver com os relatos mitológicos dos semideuses, filhos dum deus e duma mulher. Além do mais, é evidente o carácter semítico e o substrato judaico e vétero-testamentário das narrativas da infância de Jesus em Mateus e Lucas; ora, nas línguas semíticas a palavra «espírito» (rúah) não é masculina, mas sim feminina. Isto chegava para fazer afastar toda a suspeita de dependência do relato relativamente aos mitos pagãos. Por outro lado, na Sagrada Escritura, Deus nunca intervém na geração à maneira humana, pois é espiritual e transcendente: Deus não gera criaturas, Deus cria-as. As narrativas de Mateus e Lucas têm tal originalidade que excluem qualquer dependência dos mitos.

19 «Mas José, seu esposo…». Partindo do facto real e indiscutível da concepção virginal de Jesus, aqui apresentamos uma das muitas explicações dadas para o que se passou. A verdade é que não dispomos da crónica dos factos, pois a intenção do Evangelista era primordialmente teológica, embora sem inventar histórias, pois em face dos dados das suas fontes nem sequer disso precisava. Do texto parece depreender-se que Maria nada tinha revelado a José do mistério que nela se passava. José vem a saber da gravidez de Maria por si mesmo ou pelas felicitações do paraninfo (o «amigo do esposo»), e o que devia ser para José uma grande alegria tornou-se o mais cruel tormento. Em circunstâncias idênticas, qualquer outro homem teria actuado drasticamente, denunciando a noiva ao tribunal como adúltera. Mas José era um santo, «justo», por isso, não condenava ninguém sem ter as provas evidentes da culpa. E aqui não as tinha e, conhecendo a santidade singular de Maria, não admite a mais leve suspeita, mas pressente que está perante o sobrenatural, já sentido por Isabel… (ou não teria tido alguma iluminação divina acerca da profecia de Isaías 7, 14). Então só lhe restava deixar Maria, para não se intrometer num mistério em que julga não lhe competir ter parte alguma. É assim que «resolveu repudiá-la em segredo», evitando, assim, «difamá-la» (colocá-la numa situação infamante) ou simplesmente «tornar público» («deigmatísai») o mistério messiânico. Mas podemos perguntar: porque não interrogava antes Maria para ser ela esclarecer o assunto? É que pedir uma explicação já seria mostrar dúvida, ofendendo Maria; a sua delicadeza extrema levá-lo-ia a não a humilhar ou deixar embaraçada. E porque razão é que Maria não falou, se José tinha direito de saber do sucedido? Mas como é que Maria podia falar de coisas tão colossalmente extraordinárias e inauditas?! Como podia provar a José a Anunciação do Anjo? Maria calava, sofria e punha nas mãos de Deus a sua honra e as angústias por que José iria passar por sua causa; e Deus, que tinha revelado já a Isabel o mistério da sua concepção, podia igualmente vir a revelá-lo a José. De tudo isto fica para nós o exemplo de Maria e de José: não admitir suspeitas temerárias e confiar sempre em Deus.

20 «Não temas receber Maria, tua esposa». O Anjo não diz: «não desconfies», mas: «não temas». Segundo a explicação anterior, José deveria andar amedrontado com algo de divino e misterioso que pressentia: julga-se indigno de Maria e decide não se imiscuir num mistério que o transcende. Como explica S. Bernardo, S. José «foi tomado dum assombro sagrado perante a novidade de tão grande milagre, perante a proximidade de tão grande mistério, que a quis deixar ocultamente... José tinha-se, por indigno...». Segundo alguns exegetas modernos (Zerwick), o texto sagrado poderia mesmo traduzir-se: «embora o que nela foi gerado seja do Espírito Santo, Ela dar(-te-)á à luz um filho ao qual porás o nome de Jesus, exercendo assim para Ele a missão de pai». Assim, o Anjo não só elucida José, como também lhe diz que ele tem uma missão a cumprir no mistério da Incarnação, a missão e a dignidade de pai do Salvador. Comenta Santo Agostinho: «A José não só se lhe deve o nome de pai, mas este é-lhe devido mais do que a qualquer outro. Como era pai? Tanto mais profundamente pai, quanto mais casta foi a sua paternidade... O Senhor não nasceu do germe de José. Mas à piedade e amor de José nasceu um filho da Virgem Maria, que era Filho de Deus».

23 «Será chamado Emanuel». No original hebraico de Isaías 7, 14, temos o verbo no singular (forma aramaica para a 3ª pessoa do singular feminino: weqara’t referido a virgem, que é a que põe o nome = «e ela chamará»). Mateus, porém, usa o plural, que não aparece na tradução litúrgica, (kai kalésousin: «e chamarão»), um plural de generalização, a fim de que o texto possa ser aplicado a S. José, para pôr em evidência a missão de S. José, como pai «legal» de Jesus (notar que a célebre profecia isaiana, ao dizer que seria a virgem a pôr o nome ao seu filho até parece prestar-se a significar que este não nasceria de germe paterno). Mateus, em face do papel providencial desempenhado por S. José, não receia adaptar o texto à realidade maravilhosa muito mais rica do que a letra do anúncio profético. Contudo, esta técnica do Evangelista para «actualizar» um texto antigo (chamada deraxe) não é arbitrária, pois baseia-se na regra hermenêutica rabínica chamada al-tiqrey («não leias»), a qual consiste em não ler um texto consonântico com umas vogais, mas com outras (o hebraico escrevia-se sem vogais). Neste caso, trata-se de «não ler» as consoantes do verbo (wqrt) com as vogais que correspondem à forma feminina (tanto da 3ª pessoa do singular na forma aramaica, como da 2ª pessoa do singular da tradução dos LXX: weqara’t «e tu chamarás»), mas de ler com as vogais que correspondem à 2ª pessoa do singular masculino (weqara’ta «e tu chamarás» – em hebraico há diferentes formas masculina e feminina para as 2ª e 3ª pessoas dos verbos). Como pensa Alexandre Díez Macho, «com este deraxe oculto, mas real, Mateus confirma as palavras do anjo do Senhor no v. 21: «e (tu, José) o chamarás».

Eis, a propósito, o maravilhoso comentário de S. João Crisóstomo, apresentando Deus a falar a José: «Não penses que, por ser a concepção de Cristo obra do Espírito Santo, tu és alheio ao serviço desta divina economia; porque, se é certo que não tens nenhuma parte na geração e a Virgem permanece intacta, não obstante, tudo o que pertence ao ofício de pai, sem atentar contra a dignidade da virgindade, tudo to entrego a ti, o pôr o nome ao filho. (...) Tu lhe farás as vezes de pai, por isso, começando pela imposição do nome, Eu te uno intimamente com Aquele que vai nascer» (Homil. in Mt, 4).

25 «E não a tinha conhecido...». S. Mateus pretende realçar que Jesus nasceu sem prévias relações conjugais, mas por um milagre de Deus. Quanto à posterior virgindade o Evangelista não só não a nega, como até a parece insinuar no original grego, ao usar o imperfeito de duração («não a conhecia») em vez do chamado aoristo complexivo como seria de esperar, caso quisesse abranger apenas o tempo até ao parto (Zerwick). Uma tradução mais à letra seria «até que Ela deu à luz», em vez de: «quando Ela deu à luz». De qualquer modo, esta afirmação não significa que depois já não se verificasse o que até este momento acontecera, como é o caso de Jo 9, 18.

 

Sugestões para a homilia

 

Uma Virgem conceberá

Deus connosco

José recebeu sua esposa

 

Uma Virgem conceberá

 

Neste domingo quarto do Advento a Igreja põe diante dos nossos olhos a Santíssima Virgem Maria e também S.José, Seu esposo, Convida-nos a preparar com eles a festa maravilhosa do nascimento do Deus Menino.

A primeira leitura e o Evangelho falam-nos do prodígio da virgindade de Nossa Senhora e da Sua maternidade divina.

Isaías anuncia a concepção virginal do Messias, prometido ao rei David como alguém da sua descendência.

Deus anima o povo de Judá, ameaçado pelos reinos vizinhos da Síria e da Samaria. O profeta diz ao rei Acaz que não tema e que peça a Deus um sinal de que a sua dinastia irá permanecer.

É o próprio Deus que promete um prodígio maravilhoso: uma virgem conceberá e dará à luz um filho e este chamar-se-á Emanuel. A célebre tradução dos Setenta, do hebraico para o grego, usa a palavra virgem no sentido próprio, referindo a concepção virginal.

S.Mateus, no Evangelho, explica como Deus concretizou esta promessa. Jesus nasce de Maria não pelo concurso de um homem mas por um milagre de Deus, pelo poder do Espírito Santo.

S.Lucas, no seu evangelho, relata a anunciação do Arcanjo S.Gabriel e a concepção virginal de Jesus. Ele havia de chamar-Se Filho do Altíssimo.

Nossa Senhora é verdadeira Mãe de Jesus, o Filho Unigénito de Deus nascido do Pai antes de todos os séculos. Foi Ela que Lhe deu a nossa carne humana e assim Ele se tornou igual a nós.

Ela foi virgem antes do parto, no parto e depois do parto. Antes do parto: estando casada com José, tinha prometido juntamente com ele viver uma vida de entrega total a Deus. Por isso pergunta ao Anjo na anunciação: - Como será isto se não conheço varão? (Lc, 1,34)

No parto manteve a Sua virgindade por um milagre de Deus, que o povo cristão exprime de maneira muito feliz: Jesus, alto sol da divina graça, entrou e saiu por Ela como o sol pela vidraça.

Foi virgem depois do parto, mantendo a promessa feita a Deus juntamente com José.

Alguns querem negar essa verdade argumentando que os Evangelhos falam dos irmãos de Jesus. O significado dessa expressão é fácil de compreender: para os judeus a palavra irmãos abrangia as pessoas de família mais chegadas. Equivale a parente. Já no livro do Génesis, Abraão diz a seu sobrinho Lot: -porventura não somos irmãos? Por outro lado, se lermos com atenção os Evangelhos, descobrimos os nomes do pai e mãe de alguns dos chamados irmãos de Jesus.

Diz o Catecismo da Igreja Católica: “O aprofundamento da fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria, mesmo no parto do Filho de Deus feito homem. Com efeito, o nascimento de Cristo «não diminuiu, antes consagrou a integridade virginal» da sua Mãe. A Liturgia da Igreja celebra Maria “Aeiparthenos” como a «sempre Virgem».” (499).

O Papa Paulo V afirmava: “A bem-aventurada Virgem Maria foi verdadeira Mãe de Deus, e guardou sempre íntegra a virgindade, antes do parto, no parto e constantemente depois do parto” (DS 993]).

Nossa Senhora é para nós não apenas exemplo de pureza sem mancha mas também de amor sem reservas a Deus, a quem deseja entregar totalmente o Seu ser. Não era costume em Israel essa consagração da virgindade. Pelo contrário, todas as jovens ansiavam vir a ser a mãe do Messias, pelo casamento.

Entre os primeiros cristãos surgiriam rapidamente muitas mulheres a imitar o exemplo de Nossa Senhora. S.Paulo, ao escrever aos cristãos de Corinto, exalta o caminho da virgindade.

Renunciando à maternidade no matrimónio Deus chamou a Virgem a colaborar no nascimento de todos os homens para a vida sobrenatural, tornando-A nova Eva mãe de toda a humanidade resgatada.

 

 Deus connosco

     

 Jesus é chamado Emanuel, Deus connosco. Ao nascer da Virgem Maria tornou -Se verdadeiro homem igual a nós em tudo menos no pecado.

Vamos celebrar o Seu nascimento em Belém há dois mil anos. Vamos contemplá-Lo nos braços de Maria. Nasceu como um menino, quis precisar dos cuidados de Maria e de José.

Ele é verdadeiro Deus, igual ao Pai. É “ Deus de, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”, como definiu o Concílio de Niceia, em 325, para responder à heresia de Ario.

Incarnou para nos salvar, tornando-nos participantes da natureza divina. Fez-se homem para nos tornar filhos de Deus.

É o Filho de Maria, igual a nós. Diz o Catecismo da Igreja Católica: Jesus é o filho único de Maria. Mas a maternidade espiritual de Maria estende-se a todos os homens que Ele veio salvar: «Ela deu à luz um Filho que Deus estabeleceu como "primogénito de muitos irmãos" (Rm 8, 29), isto é, dos fiéis para cuja geração e educação Ela coopera com amor de mãe» (501).

Conta o célebre escritor inglês, Chesterton, que num dia frio e enevoado viajava num autocarro com bastantes passageiros. Todos tristonhos e calados. Numa paragem entrou uma mulher jovem com um menino muito bonito nos braços. A mãe era tão simpática e o menino tão engraçado e a comunicação entre ambos tão alegre que a alegria se foi contagiando por todo o autocarro. Daí a pouco os passageiros falavam e riam e a alegria enchia o ambiente. E Chesterton comentava: na viagem da humanidade pelo mundo tudo era tristeza e aborrecimento. Mas um dia subiu ao carro da vida uma Mãe com um Menino maravilhoso. Foi um 25 de Dezembro. Jesus apareceu nesta terra nos braços de Maria Sua Mãe. E tudo mudou.

Jesus continua a ser o Emanuel, o Deus connosco, alguém que vive a nosso lado, que é nosso amigo. Encontramo-Lo na Eucaristia. Está aqui connosco. Podemos adorá-lo. Podemos recebê-Lo como alimento. E Ele é a fonte da alegria.

Aproveitemos o Natal para limpar bem a nossa alma, o nosso coração, recorrendo ao sacramento da Penitência. Na confissão varremos o lixo da nossa alma, para que possa acolhê-Lo mais dignamente. Se estivermos em pecado mortal, fechamos-Lhe as portas, como as gentes de Belém, há dois mil anos.

Mas não basta tirar os pecados mortais. Temos de limpar bem o outro lixo, os pecados veniais, a poeira das nossas faltas de todos os dias e adornar a nossa alma com a pureza, a humildade, e a caridade. Nossa Senhora quer ajudar-nos a acolher o Seu Filho, para que seja de facto o Deus connosco.

 

 

José recebeu sua esposa

 

 José foi o pai de Jesus à face da lei. Deus quis assim dar a Maria um apoio forte nas dificuldades. Foi um marido dedicado, cheio de amor e respeito diante das maravilhas que Deus quis realizar em sua esposa virginal e toda santa.

Por ele – diz-nos o Evangelho de S.Mateus – se cumpriu a profecia de que seria descendente do rei David.

Foi também ele pai virginal. Não pai segundo a carne mas segundo o espírito, amando a Jesus mais do que os pais da terra amam os seus filhos.

Protegeu-O, sustentou -O, ensinou -Lhe as coisas humanas.

E Jesus quis obedecer-lhe durante os anos de vida oculta. e amou-o como o melhor dos filhos.

E constituiu-o pai de todos os que estão unidos a Ele pelo baptismo. S.José é como os antigos patriarcas, tem uma família muito grande de que ele cuida com amor. A Igreja proclamou-o seu patrono. Lá do céu ele continua a olhar por esta família, prolongamento da Família de Nazaré.

Saibamos recorrer à sua intercessão e pedir-lhe nos ensine a amar a Jesus como Ele O amou.

“Tendo trato de amizade com ele – dizia S.Josemaria – descobre-se que o Santo Patriarca é também Mestre de vida interior: porque nos ensina a conhecer Jesus, a conviver com Ele, a saber-nos parte da família de Deus. S.José dá-nos essas lições sendo, como foi, um homem corrente, um pai de família, um trabalhador que ganhava a vida com o esforço das suas mãos” (Cristo que passa, 39 )

Uma Virgem conceberá

Deus connosco

José recebeu sua esposa

 

Uma Virgem conceberá

 

Neste domingo quarto do Advento a Igreja põe diante dos nossos olhos a Santíssima Virgem Maria e também S.José, Seu esposo, Convida-nos a preparar com eles a festa maravilhosa do nascimento do Deus Menino.

A primeira leitura e o Evangelho falam-nos do prodígio da virgindade de Nossa Senhora e da Sua maternidade divina.

Isaías anuncia a concepção virginal do Messias, prometido ao rei David como alguém da sua descendência.

Deus anima o povo de Judá, ameaçado pelos reinos vizinhos da Síria e da Samaria. O profeta diz ao rei Acaz que não tema e que peça a Deus um sinal de que a sua dinastia irá permanecer.

É o próprio Deus que promete um prodígio maravilhoso: uma virgem conceberá e dará à luz um filho e este chamar-se-á Emanuel. A célebre tradução dos Setenta, do hebraico para o grego, usa a palavra virgem no sentido próprio, referindo a concepção virginal.

S.Mateus, no Evangelho, explica como Deus concretizou esta promessa. Jesus nasce de Maria não pelo concurso de um homem mas por um milagre de Deus, pelo poder do Espírito Santo.

S.Lucas, no seu evangelho, relata a anunciação do Arcanjo S.Gabriel e a concepção virginal de Jesus. Ele havia de chamar-Se Filho do Altíssimo.

Nossa Senhora é verdadeira Mãe de Jesus, o Filho Unigénito de Deus nascido do Pai antes de todos os séculos. Foi Ela que Lhe deu a nossa carne humana e assim Ele se tornou igual a nós.

Ela foi virgem antes do parto, no parto e depois do parto. Antes do parto: estando casada com José, tinha prometido juntamente com ele viver uma vida de entrega total a Deus. Por isso pergunta ao Anjo na anunciação: -Como será isto se não conheço varão? (Lc, 1,34)

No parto manteve a Sua virgindade por um milagre de Deus, que o povo cristão exprime de maneira muito feliz: Jesus, alto sol da divina graça, entrou e saiu por Ela como o sol pela vidraça.

Foi virgem depois do parto, mantendo a promessa feita a Deus juntamente com José.

Alguns querem negar essa verdade argumentando que os Evangelhos falam dos irmãos de Jesus. O significado dessa expressão é fácil de compreender: para os judeus a palavra irmãos abrangia as pessoas de família mais chegadas. Equivale a parente. Já no livro do Génesis, Abraão diz a seu sobrinho Lot: -porventura não somos irmãos? Por outro lado, se lermos com atenção os Evangelhos, descobrimos os nomes do pai e mãe de alguns dos chamados irmãos de Jesus.

Diz o Catecismo da Igreja Católica: “O aprofundamento da fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria, mesmo no parto do Filho de Deus feito homem. Com efeito, o nascimento de Cristo «não diminuiu, antes consagrou a integridade virginal» da sua Mãe. A Liturgia da Igreja celebra Maria “Aeiparthenos” como a «sempre Virgem».” (499).

O Papa Paulo V afirmava: “A bem-aventurada Virgem Maria foi verdadeira Mãe de Deus, e guardou sempre íntegra a virgindade, antes do parto, no parto e constantemente depois do parto” (DS 993]).

Nossa Senhora é para nós não apenas exemplo de pureza sem mancha mas também de amor sem reservas a Deus, a quem deseja entregar totalmente o Seu ser. Não era costume em Israel essa consagração da virgindade. Pelo contrário, todas as jovens ansiavam vir a ser a mãe do Messias, pelo casamento.

Entre os primeiros cristãos surgiriam rapidamente muitas mulheres a imitar o exemplo de Nossa Senhora. S.Paulo, ao escrever aos cristãos de Corinto, exalta o caminho da virgindade.

Renunciando à maternidade no matrimónio Deus chamou a Virgem a colaborar no nascimento de todos os homens para a vida sobrenatural, tornando-A nova Eva mãe de toda a humanidade resgatada.

 

 Deus connosco

     

 Jesus é chamado Emanuel, Deus connosco. Ao nascer da Virgem Maria tornou -Se verdadeiro homem igual a nós em tudo menos no pecado.

Vamos celebrar o Seu nascimento em Belém há dois mil anos. Vamos contemplá-Lo nos braços de Maria. Nasceu como um menino, quis precisar dos cuidados de Maria e de José.

Ele é verdadeiro Deus, igual ao Pai. É “ Deus de, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”, como definiu o Concílio de Niceia, em 325, para responder à heresia de Ario.

Incarnou para nos salvar, tornando-nos participantes da natureza divina. Fez-se homem para nos tornar filhos de Deus.

É o Filho de Maria, igual a nós. Diz o Catecismo da Igreja Católica: Jesus é o filho único de Maria. Mas a maternidade espiritual de Maria estende-se a todos os homens que Ele veio salvar: «Ela deu à luz um Filho que Deus estabeleceu como "primogénito de muitos irmãos" (Rm 8, 29), isto é, dos fiéis para cuja geração e educação Ela coopera com amor de mãe» (501).

Conta o célebre escritor inglês, Chesterton, que num dia frio e enevoado viajava num autocarro com bastantes passageiros. Todos tristonhos e calados. Numa paragem entrou uma mulher jovem com um menino muito bonito nos braços. A mãe era tão simpática e o menino tão engraçado e a comunicação entre ambos tão alegre que a alegria se foi contagiando por todo o autocarro. Daí a pouco os passageiros falavam e riam e a alegria enchia o ambiente. E Chesterton comentava: na viagem da humanidade pelo mundo tudo era tristeza e aborrecimento. Mas um dia subiu ao carro da vida uma Mãe com um Menino maravilhoso. Foi um 25 de Dezembro. Jesus apareceu nesta terra nos braços de Maria Sua Mãe. E tudo mudou.

Jesus continua a ser o Emanuel, o Deus connosco, alguém que vive a nosso lado, que é nosso amigo. Encontramo-Lo na Eucaristia. Está aqui connosco. Podemos adorá-lo. Podemos recebê-Lo como alimento. E Ele é a fonte da alegria.

Aproveitemos o Natal para limpar bem a nossa alma, o nosso coração, recorrendo ao sacramento da Penitência. Na confissão varremos o lixo da nossa alma, para que possa acolhê-Lo mais dignamente. Se estivermos em pecado mortal, fechamos-Lhe as portas, como as gentes de Belém, há dois mil anos.

Mas não basta tirar os pecados mortais. Temos de limpar bem o outro lixo, os pecados veniais, a poeira das nossas faltas de todos os dias e adornar a nossa alma com a pureza, a humildade, e a caridade. Nossa Senhora quer ajudar-nos a acolher o Seu Filho, para que seja de facto o Deus connosco.

 

 

José recebeu sua esposa

 

 José foi o pai de Jesus à face da lei. Deus quis assim dar a Maria um apoio forte nas dificuldades. Foi um marido dedicado, cheio de amor e respeito diante das maravilhas que Deus quis realizar em sua esposa virginal e toda santa.

Por ele – diz-nos o Evangelho de S.Mateus – se cumpriu a profecia de que seria descendente do rei David.

Foi também ele pai virginal. Não pai segundo a carne mas segundo o espírito, amando a Jesus mais do que os pais da terra amam os seus filhos.

Protegeu-O, sustentou -O, ensinou -Lhe as coisas humanas.

E Jesus quis obedecer-lhe durante os anos de vida oculta. e amou-o como o melhor dos filhos.

E constituiu-o pai de todos os que estão unidos a Ele pelo baptismo. S.José é como os antigos patriarcas, tem uma família muito grande de que ele cuida com amor. A Igreja proclamou-o seu patrono. Lá do céu ele continua a olhar por esta família, prolongamento da Família de Nazaré.

Saibamos recorrer à sua intercessão e pedir-lhe nos ensine a amar a Jesus como Ele O amou.

“Tendo trato de amizade com ele – dizia S.Josemaria – descobre-se que o Santo Patriarca é também Mestre de vida interior: porque nos ensina a conhecer Jesus, a conviver com Ele, a saber-nos parte da família de Deus. S.José dá-nos essas lições sendo, como foi, um homem corrente, um pai de família, um trabalhador que ganhava a vida com o esforço das suas mãos” (Cristo que passa, 39 )

 

Fala o Santo Padre

 

«José age «como lhe tinha ordenado o anjo do Senhor»,

na certeza de fazer o que é justo» 

Queridos irmãos e irmãs!

Neste quarto domingo de Advento, o Evangelho de São Mateus narra como aconteceu o nascimento de Jesus sob o ponto de vista de são José. Ele era o noivo de Maria, a qual, «antes de coabitarem, achou-se que tinha concebido, por virtude do Espírito Santo» (Mt 1, 18). O Filho de Deus, realizando uma antiga profecia (cf. Is 7, 14), torna-se homem no seio de uma virgem, e este mistério manifesta ao mesmo tempo o amor, a sabedoria e o poder de Deus a favor da humanidade ferida pelo pecado. São José é apresentado como «homem justo» (Mt 1, 19), fiel à lei de Deus, disponível a cumprir a sua vontade. Por isso, entra no mistério da Encarnação depois que um anjo do Senhor, aparecendo-lhe em sonho, lhe anuncia: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e pôr-lhe-ás o nome de Jesus; porque ele salvará o povo dos seus pecados» (Mt 1, 20-21). Tendo abandonado o pensamento de repudiar Maria em segredo, ele toma-a consigo, porque agora os seus olhos vêem nela a obra de Deus.

Santo Ambrósio comenta que «em José se verificaram a amabilidade e a figura do justo, para tornar mais digna a sua qualidade de testemunha» (Exp. Ev. sec. Lucam II, 5: ccl 14, 32-33). Ele — prossegue Ambrósio — «não teria podido contaminar o templo do Espírito Santo, a Mãe do Senhor, o seio fecundado pelo mistério» (Ibid., II 6: ccl 14, 33). Mesmo que se tenha sentido perturbado, José age «como lhe tinha ordenado o anjo do Senhor», na certeza de fazer o que é justo. Também dando o nome de «Jesus» àquele Menino que rege todo o universo, ele coloca-se na esteira dos servos humildes e fiéis, semelhante aos anjos e aos profetas, semelhante aos mártires e aos apóstolos — como cantam antigos hinos orientais. São José anuncia os prodígios do Senhor, testemunhando a virgindade de Maria, a acção gratuita de Deus, e guardando a vida terrena do Messias. Veneremos portanto o pai legal de Jesus (cf. cic, 532), porque nele se delineia o homem novo, que olha com confiança e coragem para o futuro, não segue o próprio projecto, mas confia-se totalmente à misericórdia infinita d’Aquele que realiza as profecias e inaugura o tempo da salvação. […]

Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro a 19 de Dezembro de 2010

 

Oração Universal

 

Unidos a toda a Igreja trazemos a Jesus, cheios de fé e confiança, os nossos pedidos. Ele apresenta-os ao Pai, para que os atenda. Unidos à Virgem Maria e a S.José, peçamos com fé e humildade. Digamos:

 Por intercessão da Virgem Santa Maria ouvi-nos Senhor

 

    1-Pela Santa Igreja, para que proclame por toda a parte e sem medo as verdades do Evangelho, oremos ao Senhor

 Por intercessão da Virgem Santa Maria ouvi-nos Senhor

 

    2-Pelo Santo Padre, para que todos escutem os seus ensinamentos e encontrem o caminho para Jesus, que tem palavras de vida eterna, oremos ao Senhor.

 Por intercessão da Virgem Santa Maria ouvi-nos Senhor

 

    3-Pelos bispos e sacerdotes, para que apontem com fé e valentia a todos o caminho da verdadeira felicidade, oremos ao Senhor.

 Por intercessão da Virgem Santa Maria ouvi-nos Senhor

 

    4-Por todos os cristãos, para que saibam enfrentar as contradições da vida e dar ao mundo o testemunho da sua fé, oremos ao Senhor.

 Por intercessão da Virgem Santa Maria ouvi-nos Senhor

 

    5-Para que todos nos saibamos desprender do orgulho, da avareza e do apego aos prazeres mundanos, pondo em Deus a nossa segurança, oremos ao Senhor.

 Por intercessão da Virgem Santa Maria ouvi-nos Senhor

 

    6-Por todos os que andam afastados de Deus, para que o Senhor os converta e encontrem a alegria que procuram, oremos ao Senhor.

 Por intercessão da Virgem Santa Maria ouvi-nos Senhor

 

    7-Por todos os nossos irmãos que estão no Purgatório, para que possam contemplar no Céu o rosto de Cristo, oremos ao Senhor.

 Por intercessão da Virgem Santa Maria ouvi-nos Senhor

 

 

    Senhor, que nos ensinastes o caminho para ser felizes na terra e no céu, fazei–nos crescer cada dia mais na fé, na esperança e na caridade, para vivermos mais unidos a Vós.

    Por N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Abre claro o céu, S. Marques, NRMS 64

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, os dons que trazemos ao vosso altar e santificai-os com o mesmo Espírito que, pelo poder da sua graça, fecundou o seio da Virgem Santa Maria. Por Nosso Senhor....

 

Prefácio do Advento II: p. 455 [588-700]

 

Santo: «Da Missa de festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Aprendamos com a Virgem e S.José a acolher bem a Jesus na sagrada comunhão.

 

Cântico da Comunhão: Desce o orvalho sobre a terra, M. Simões, NRMS 64

cf. Is 7, 14

Antífona da comunhão: A Virgem conceberá e dará à luz um filho. O seu nome será Emanuel, Deus-connosco.

 

Cântico de acção de graças: Virgem Santa Imaculada, M. Luis, NRMS 15

 

Oração depois da comunhão: Tendo recebido neste sacramento o penhor da redenção eterna, nós Vos pedimos, Senhor: quanto mais se aproxima a festa da nossa salvação, tanto mais cresça em nós o fervor para celebrarmos dignamente o mistério do Natal do vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Agradeçamos a Jesus este encontro que nos proporcionou e vamos encher-nos da alegria de estar sempre connosco, como Emanuel.

 

Cântico final: Vamos todos guiados pela esperança, F. da Silva, NRMS 14

 

 

 

 

 

 

 

 

Homilias Feriais

 

4ª SEMANA

 

2ª Feira, 23-XII: O Nascimento de João Baptista, o Precursor (I).

Mal 3, 1-4. 23-24 / Lc 1, 57-66

Vou enviar o meu mensageiro, para desimpedir o caminho diante de ti.

A profecia de Malaquias diz respeito à missão de Elias e de João Baptista (Leit.). Deste modo fica resolvida a questão posta no momento da circuncisão de João: «Quem virá a ser aquele menino?» (Ev). As missões de ambos estão intimamente unidas: João termina o ciclo dos profetas, inaugurado por Elias; João precede Jesus com o espírito e o poder de Elias.

Mas João é o precursor imediato do Senhor, enviado para lhe preparar o caminho. Preparemo-nos bem para receber o Senhor na Eucaristia, limpemos as nossas almas pelo sacramento da Penitência. E ajudemos os amigos e conhecidos nesta preparação, animando-os a fazer o mesmo:

irem à Confissão.

 

3ª Feira, 24-XII: O Nascimento de João Baptista, o Precursor (II).

2 Sam 7, 1-5. 8-12 / Lc 1, 67-79.

Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque visitou e libertou o seu povo, e nos fez surgir poderosa salvação na família do seu servo David.

O profeta Natã comunica a David que a sua casa e a sua realeza permanecerão para sempre (Leit.). Zacarias, ao recordar o juramento feito por Deus a Abraão, afirma que haverá salvação na família do seu servo David (Ev.).

O homem, desfigurado pelo pecado, fica privado da graça de Deus. Mas Deus promete uma descendência que restaurará a santidade e a justiça. A missão de João Baptista, o profeta do Altíssimo, é dar a conhecer ao povo a salvação, pela remissão dos pecados. E que Deus, pela sua misericórdia, virá iluminar os que andam nas trevas e nas sombras da morte; e a guiar os nossos passos no caminho da paz (Ev.).

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Celestino C. Ferreira

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial