3º Domingo do Advento

15 de Dezembro de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Senhor virá no esplendor, Az. Oliveira, NRMS 54

cf. Filip 4, 4.5

Antífona de entrada: Alegrai-vos sempre no Senhor. Exultai de alegria: o Senhor está perto.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Nos tempos em que nos é dado viver, sobressai a grandeza do homem e a sua pequenez. Há grandes descobertas da técnica, tornando-se inimaginável até que ponto vai chegar o conhecimento humano; investigam-se as origens de doenças e novos tratamentos para as debelar; desvendam-se os mistérios do universo; e a invenção do homem consegue autênticas maravilhas.

Contrastando com tudo isto, pairam no ar muitas ameaças: o sobreaquecimento da terra, com todas as nefastas consequências; o desemprego crescente; a insegurança física e o alastramento de doenças que podem causar a destruição de grande parte da humanidade.

O Senhor quer vir até nós, nesta caminha do Advento para o Natal, para nos ajudar a vencer estas ameaças e encaminhar para nosso bem este progresso das ciências humanas.

 

Acto penitencial

 

Abramos o nosso coração com toda a humildade à misericórdia de Deus, porque são os nossos pecados que nos causam tanta insegurança.

Substituímos, muitas vezes, o amor de Deus pelo nosso egoísmo, que nos leva à procura desenfreada do prazer e a espezinhar os outros, como se eles não fossem nossos irmãos.

Prometamos, ajudados pela Sua graça, emenda de vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

Senhor: preocupamo-nos, às vezes, demasiado, com as coisas materiais

e não cuidamos de fazer uma séria preparação interior para o Natal.

Senhor, tende piedade de nós!

 

Senhor, tende piedade de nós!

 

Cristo: Estamos distraídos quando passais ao nosso lado, nos mais carenciados

e não Vos ajudamos nas dificuldades com que Vos apresentais diante de nós.

Cristo, tende piedade de nós!

 

Cristo, tende piedade de nós!

 

Senhor: estamos, por vezes, mais atentos aos defeitos e pecados do nosso próximo

do que  à ajuda fraternal que lhes devemos prestar, para que mudem de vida.

Senhor, tende piedade de nós!

 

Senhor, tende piedade de nós!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus de infinita bondade, que vedes o vosso povo esperar fielmente o Natal do Senhor, fazei-nos chegar às solenidades da nossa salvação e celebrá-las com renovada alegria. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías, na continuação das profecias referentes ao Redentor prometido, anuncia-nos a chegada de Deus, para dar uma vida nova ao seu Povo, libertando-o de tudo o que oprime e conduzindo-o – num cenário e de festa e de alegria – para a Terra da liberdade. «Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida, cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria

 

Isaías 35, 1-6a.10

1Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida, 2cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria. Ser-lhe-á dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e do Sáron. Verão a glória do Senhor, o esplendor do nosso Deus. 3Fortalecei as mãos fatigadas e robustecei os joelhos vacilantes. 4Dizei aos corações perturbados: «Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-vos». 5Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. 6aEntão o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria. 10Voltarão os que o Senhor libertar, hão-de chegar a Sião com brados de alegria, com eterna felicidade a iluminar-lhes o rosto. Reinarão o prazer e o contentamento e acabarão a dor e os gemidos.

 

Este texto não se limita a descrever poeticamente a alegria e felicidade dos judeus retornados do exílio, uma alegria a que a própria natureza se associa (vv. 1-2). A passagem tem um colorido messiânico e escatológico: os vv. 5-6 cumprem-se à letra com a vinda de Cristo (cf. Evangelho de hoje, Mt 11, 5); «o prazer e o contentamento» perpétuos e sem mistura de «dor e gemidos» (v. 10) tiveram o seu começo com Jesus Cristo, mas mais num sentido espiritual; a sua consumação e plenitude está reservada para o fim dos tempos, na escatologia (cf. Apoc 7, 16-17; 21, 2-4).

 

Salmo Responsorial    Salmo 145 (146), 7.8-9a.9bc-10 (R. cf. Is 35, 4)

 

Monição: A Liturgia convida-nos a cantar o salmo 145, como resposta à promessa que o Senhor nos faz na primeira leitura. Nele imploramos as melhores bênçãos do Altíssimo para o Rei que está para chegar e para o Seu reinado de justiça e de paz.

 

Refrão:     Vinde, Senhor, e salvai-nos!

 

Ou:               Aleluia!

 

O Senhor faz justiça aos oprimidos,

dá pão aos que têm fome

e a liberdade aos cativos.

 

O Senhor ilumina os olhos dos cegos,

o Senhor levanta os abatidos,

o Senhor ama os justos.

 

O Senhor protege os peregrinos,

ampara o órfão e a viúva

e entrava o caminho aos pecadores.

 

O Senhor reina eternamente.

o teu Deus, ó Sião,

é rei por todas as gerações.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O Apóstolo S. Tiago menor aconselha-nos a cultivar a virtude da paciência, nesta espera pela vinda do Senhor. O tempo não passa mais depressa com a nossa impaciência.

Aponta-nos como exemplo a paciência dos profetas que, ao longo de todo o Antigo Testamento, alimentaram a esperança do Povo de Deus na vinda do messias.

 

Tiago 5, 7-10

Irmãos: 7Esperai com paciência a vinda do Senhor. Vede como o agricultor espera pacientemente o precioso fruto da terra, aguardando a chuva temporã e a tardia. 8Sede pacientes, vós também, e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima. 9Não vos queixeis uns dos outros, a fim de não serdes julgados. Eis que o Juiz está à porta. 10Irmãos, tomai como modelos de sofrimento e de paciência os profetas, que falaram em nome do Senhor.

 

Os temas da leitura são a paciência e a vinda do Senhor. A paciência, virtude eminentemente cristã em que a carta insiste (cf. 1, 2-4.12), não significa uma passividade em face das injustiças, mas perseverança na fidelidade ao Senhor, na certeza de que Ele virá como Juiz remunerador; não é uma indiferença estóica perante a dor, a contrariedade e a opressão, mas é sofrer com Cristo, unindo os sofrimentos próprios à sua Paixão redentora.

7 «Como o agricultor espera pacientemente…»: temos aqui uma bela comparação tirada da vida agrícola; com efeito, na Palestina, onde chove muito pouco, todo o agricultor anseia pelas chuvas que costumam vir sobretudo em duas épocas (cf. Jr 5,24) as chuvas temporãs (Outubro-Novembro: as chamadas yoreh ou moreh), que preparam a terra para as sementeiras, e as tardias (Março-Abril: em hebraico malqox), que garantem uma boa colheita.

9 «Eis que o Juiz está à porta»: o Senhor cuja «vinda está próxima» (v. 8), é como se estivesse já em frente da nossa porta, pronto a bater e a entrar. Esta vinda do Justo Juiz no final dos tempos, antecipa-se para cada um à hora da morte. Essa vinda será terrível para os que confiaram em si mesmos e nas suas riquezas, tantas vezes iniquamente adquiridas (cf. Tg 5, 1-6), mas será libertadora para os bons cristãos. Talvez haja aqui uma referência à eminente destruição de Jerusalém, com a vinda do Juiz divino (cf. Mc 13, 29) que libertará os cristãos palestinos da opressão de maus senhores judeus.

 

Aclamação ao Evangelho        Is 61, 1 (cf. Lc 4, 18)

 

Monição: S. João Baptista, no deserto da Judeia, é arauto que nos desperta para a chegada do grande Rei, ao falar-nos da vocação do Messias.

Manifestemos a nossa alegria por tão feliz notícia que nos é anunciada: Deus vem para nos salvar.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

O Espírito do Senhor está sobre mim:

enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 11, 2-11

Naquele tempo, 2João Baptista ouviu falar, na prisão, das obras de Cristo e mandou-Lhe dizer pelos discípulos: 3«És Tu Aquele que há-de vir ou devemos esperar outro?» 4Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis: 5os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres. 6E bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo». 7Quando os mensageiros partiram, Jesus começou a falar de João às multidões: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? 8Então que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas? Mas aqueles que usam roupas delicadas encontram-se nos palácios dos reis. 9Que fostes ver então? Um profeta? Sim, Eu vo-lo digo, e mais que profeta. 10É dele que está escrito: ‘Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, para te preparar o caminho’. 11Em verdade vos digo: Entre os filhos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista. Mas o menor no reino dos Céus é maior do que ele».

 

A pergunta que faz João, agrilhoado nas masmorras da fortaleza de Maqueronte situado nos rochedos da margem oriental do Mar Morto, parece ser uma pergunta destinada a encaminhar para Jesus alguns discípulos mais apegados ao Baptista e que ainda não aceitavam Jesus como Messias. É pois uma pergunta pedagógica. Dificilmente se pode entender como uma dúvida de fé do próprio Baptista, em face do que se conta em Mt 3, 16 e João 1, 29-34.

5 A resposta de Jesus apoia-se especialmente no cumprimento das profecias de Isaías (Is 35, 5, cf. 1ª leitura de hoje, e 60, 1).

6 Jesus torna-se um empecilho, «um motivo de escândalo», um tropeço, para aqueles que se aferravam à ideia de um Messias glorioso, um rei terreno poderoso. A imagem que Jesus deixa de Si nos que O vêem é a da humildade despretensiosa: Jesus oculta o que é na realidade.

11 Esta superioridade e inferioridade não se refere à santidade pessoal, mas à dignidade: João tem um ministério superior ao dos próprios profetas, pois lhe cabe apresentar directa e pessoalmente a Cristo; mas, uma vez que a Nova Lei é de uma ordem superior, nela o último em dignidade supera o mais digno da Lei Antiga. E João, enquanto preparador e anunciador da vinda do Messias, pertence à Antiga Lei.

 

Sugestões para a homilia

 

•  O Senhor está próximo de nós

A vinda e Jesus, causa da nossa alegria

Deus está disponível para nos ajudar

Como acolher a Sua ajuda

•  O caminho para a verdadeira alegria

Levar as pessoas ao encontro de Cristo

Testemunho de vida

João Baptista, modelo do Advento

 

1. O Senhor está próximo de nós

 

A mensagem proclamada na primeira leitura foi, provavelmente, dirigida aos hebreus no cativeiro de Babilónia, anunciando o fim do exílio. Nos planos de Deus, este anúncio reveste-se de um carácter profético, na medida em que se refere vinda do Messias, por quem suspiraram os Patriarcas e os Profetas.

 

a) A vinda e Jesus, causa da nossa alegria. «Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida, cubra-se de flores como o narciso, exulte com brados de alegria

O nosso tempo tanto pode ser olhado com optimismo – pelas grandes descobertas da ciência e realizações técnicas, abrindo possibilidades nunca sonhadas ao homem – como com pessimismo – porque se fala do sobreaquecimento da terra, o desemprego, as novas doenças que aparecem.

Com encaramos a vida: com esperança ou desencanto? Para os que sonham com a possibilidade de ficar para sempre na terra, há motivos bastantes de pessimismo. Para os que sabem que estamos aqui de passagem, a preparar uma eternidade feliz, o tempo é de optimismo, pela confiança que nos infunde o amor e a proximidade de Deus.

Antes de mais, temos de descobrir o verdadeiro sentido da esperança cristã. Vivemos com alegria na terra, mas confiamos que o Senhor é o melhor dos pais e escolherá para nós o que for melhor.

 

b) Deus está disponível para nos ajudar. «Fortalecei as mãos fatigadas e robustecei os joelhos vacilantes. Dizei aos corações perturbados: “Tende coragem, não temais: Aí está o vosso Deus»[...]”.»

Deus caminha connosco, para nos ajudar. Neste tempo do Advento avivemos em nós a lembrança da nossa filiação divina, de que o Senhor está atento aos nossos problemas e disponível para nos ajudar, dependendo de nós aceitar a sua ajuda. Não há, portanto, lugar para pessimismos.

A Sua intervenção salvadora depende da nossa aceitação da Sua ajuda e esta concretiza-se em querer o que Deus quer. Será necessário corrigir os nossos caminhos, renunciar a coisas inúteis e preocuparmo-nos mais com os outros, como verdadeiros irmãos que somos.

 

c) Como acolher a Sua ajuda. «Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um veado e a língua do mudo cantará de alegria»

Perante a oferta generosa do Senhor, para nos ajudar, temos necessidade de fazer três perguntas: onde, quando e como?

 

Onde. Somos tentados a pensar exclusivamente em benefícios materiais: melhoria das condições económicas, mais segurança contra a desordem, menos egoísmo nas pessoas.

No entanto, o Senhor diz-nos que não olhemos para fora, mas para dentro de nós. Os bens externos que desejamos virão como consequência da nossa conversão pessoal. Ele actua dentro de cada um de nós.

 

Quando. Não esperemos coisas extraordinárias. Em cada momento, o Senhor vem ao nosso encontro. Fala-nos pelos acontecimentos, no íntimo da consciência de cada um de nós e, principalmente pela Sua Palavra.

Ele vem continuamente: em cada Missa na qual participamos, em cada pessoa que encontramos, numa contrariedade ou num momento de alegria

Não permitamos que Ele passe desconhecido, sem nos apercebermos da Sua aproximação.

Temos de implorar, como as pessoas que se encontravam com Ele na vida pública. Senhor que eu veja! Que eu ande!

 

Como. A aproximação do Natal fala-nos, em primeiro lugar, de uma purificação da nossa vida, pela Confissão Sacramental.

Aí deseja o Senhor – se o queremos com sinceridade – libertar-nos das nossas muitas prisões: estamos presos à má língua, às comodidades, ao desprezo e suplantação dos outros (considerando-nos superiores aos outros e actuando como se o fôssemos), à preguiça, à sensualidade.

Tudo isto está figurado na profecia: O coxo andará, o cego abrirá os olhos e o surdo ouvirá.

Se queremos os dons de Deus, não procuremos o mais fácil, o que nos dá menos trabalho, aquilo que agrada mais aos nossos sentidos, mas a vontade do Senhor nos deveres de estado, na família, nas falsas justificações para estarmos sempre na mesma.

 

2. O caminho para a verdadeira alegria

 

João Baptista, já na prisão de Herodes, em Maqueronte, inventa um estratagema para pôr os seus discípulos em contacto com Jesus Cristo.

O plano resultou, porque terá sido acompanhado da sua oração e do oferecimento dos tormentos sofridos na prisão.

 

a) Levar as pessoas ao encontro de Cristo. «João Baptista ouviu falar, na prisão, das obras de Cristo e mandou-Lhe dizer pelos discípulos: “És Tu Aquele que há-de vir ou devemos esperar outro?”»

João Baptista não tinha a menor dúvida de que Jesus era o Messias esperado. Tinha-o proclamado diante da multidão como o Cordeiro que tira o pecado do mundo, e considerava-se indigno de Lhe desatar as correias das sandálias.

Procura um modo delicado de fazer com que os seus discípulos se encontrem com Jesus e levá-los a segui-l’O.

O seu trabalho teve êxito. Conhecemos hoje os nomes de alguns Apóstolos que, antes, eram discípulos de João: André e João Evangelista.

Temos de pedir ao Senhor que nos ensine a encontrar pretextos para levar as pessoas ao encontro de Jesus Cristo e se tronarem Seus amigos íntimos. Há pessoas simples que o fazem de modo admirável. (Um homem queria levar outro à confissão. Começou por convidá-lo, onde jogava bilhar, para ir com ele ao Sameiro; depois disse-lhe que precisava de se confessar, mas tinha medo. «Se tu fosses comigo – acrescentou – era capaz de ir». O outro prontificou-se a ajudá-lo).

Este é um programa para nós e para os outros: conhecer a Cristo, segui-l’O e amá-l’O.

 

b) Testemunho de vida. «Jesus respondeu-lhes: “Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres. [...]”»

Em vez de um longo discurso, a provar que Ele era o verdadeiro Messias, Jesus limitou-se a apontar as obras que estava a realizar: Ide dizer a João o que vedes e ouvis!”

Ao mesmo tempo, esta resposta de Jesus é um programa para os apóstolos de todos os tempos.

Abrir os olhos aos cegos: dar doutrina, formar a consciência das pessoas. A ignorância religiosa é hoje um grave problema.

Fazer andar os coxos. Há muitas pessoas que não saem de uma situação de pecado, não dão um passo em frente, porque não têm quem as ajude. Fazem lembrar o paralítico da piscina probática. “Não tenho quem me ajude!”

– Curar as pessoas da lepra do pecado, isto é. Levá-las a fazer uma boa confissão, depois de as termos ajudado a prepará-la.

– Acabar com a surdez das pessoas que não querem ouvir falar de Deus e fogem quando surge uma oportunidade de a ouvir.

– Anunciar a grande notícia de que somos filhos de Deus e Ele nos ama e quer fazer-nos participantes da Sua felicidade para sempre.

Quem são os pobres do Evangelho? Os que não põem nas riquezas a sua esperança, mas no Senhor.

 

c) João Baptista, modelo do Advento. Quando os mensageiros partiram, Jesus começou a falar de João às multidões: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Então que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas? Mas aqueles que usam roupas delicadas encontram-se nos palácios dos reis. Que fostes ver então? Um profeta? Sim – Eu vo-lo digo – e mais que profeta

Jesus traça o elogio de S. João Baptista.

– «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento?» É um homem de carácter, de princípios, pessoa que não muda facilmente de opinião e de grupo, conforme sopram os ventos.

– «Então que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas?» João pratica a rijeza cristã. É uma pessoa austera, e não uma pessoa mole, preguiçosa e comodista. Tem espírito de sacrifício e mortifica o corpo e a língua.

Estas virtudes que Jesus aponta a João Baptista são-nos indispensáveis para realizarmos no mundo a missão que o Senhor nos confia.

Peçamos a Nossa Senhora do Advento que nos ajude a preparar na alegria a vinda de Jesus, nosso Salvador.

 

Fala o Santo Padre

 

«O Advento chama-nos a incrementar a resistência do ânimo;

a não desesperar na expectativa de um bem que demora para chegar, mas a esperá-lo.»

  Queridos irmãos e irmãs!

Neste terceiro domingo de Advento, a Liturgia propõe um trecho da Carta de São Tiago, que inicia com esta exortação: «Sede, pois, pacientes, irmãos, até à vinda do Senhor» (Tg 5, 7). Parece-me muito importante, nos dias de hoje, ressaltar o valor da constância e da paciência, virtudes que pertenciam à bagagem normal dos nossos pais, mas que hoje são menos populares, num mundo que exalta bastante a mudança e a capacidade de se adaptar a situações sempre novas e diversas. Sem de nada privar estes aspectos, que são também qualidades do ser humano, o Advento chama-nos a incrementar aquela tenacidade interior, aquela resistência do ânimo que nos permitem não desesperar na expectativa de um bem que demora para chegar, mas a esperá-lo, aliás, a preparar a sua vinda com confiança laboriosa.

«Vede como o lavrador — escreve São Tiago — aguarda o precioso fruto da terra e tem paciência até receber a chuva temporã e a tardia. Tende, também vós, paciência e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima» (Tg 5, 7-8). A comparação com o agricultor é muito expressiva: quem semeou no campo, tem diante de si alguns meses de espera paciente e constante mas sabe que a semente entretanto realiza o seu percurso, graças à chuva do Outono e da Primavera. O agricultor não é fatalista, mas é modelo de uma mentalidade que une de modo equilibrado a fé e a razão, porque, por um lado, conhece as leis da natureza e realiza bem o seu trabalho, e, por outro, confia na Providência, porque algumas coisas fundamentais não estão nas suas mãos, mas nas mãos de Deus. A paciência e a constância são precisamente sínteses entre o compromisso humano e a confiança em Deus.

«Animai os vossos corações», diz a Escritura. Como podemos fazer isto? Como podemos tornar mais fortes os nossos corações, já em si bastante frágeis, e tornados ainda mais instáveis pela cultura na qual estamos imersos? A ajuda não nos falta: é a Palavra de Deus. De facto, enquanto tudo é passageiro e mutável, a Palavra do Senhor não é passageira. Se as vicissitudes da vida nos fazem sentir desorientados e todas as certezas parecem abaladas, temos uma bússola para encontrar a orientação, temos uma âncora para não ir à deriva. E aqui o modelo que nos é oferecido é o dos profetas, ou seja, daquelas pessoas que Deus chamou para que falem em seu nome. O profeta encontra a sua alegria e a sua força na Palavra do Senhor e, enquanto os homens procuram com frequência a felicidade por caminhos que se revelam errados, ele anuncia a verdadeira esperança, a que não desilude porque está fundada na fidelidade de Deus. Cada cristão, em virtude do Baptismo, recebeu a dignidade profética: possa cada um redescobri-la e alimentá-la, com uma escuta assídua da Palavra divina. No-lo obtenha a Virgem Maria, que o Evangelho chama bem-aventurada porque acreditou no cumprimento das palavras do Senhor (cf. Lc 1, 45).

Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro a 12 de Dezembro de 2010

 

Oração Universal

 

Renovemos a nossa Esperança na bondade do Senhor

e apresentemos-Lhe, com toda a confiança e humildade,

as muitas carências que dificultam a nossa salvação.

Oremos com toda a confiança, dizendo (cantando):

 

    Vinde, Senhor, e sereis a nossa alegria!

 

1. Para que o Santo Padre anuncie constantemente

    a verdadeira Esperança desta nossa vida na terra

    ajudando-nos a libertarmo-nos de falsas esperanças,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor, e sereis a  nossa alegria!

 

2. Para que todos os que deixaram cair no desânimo

    de corrigir os defeitos e de melhorar na sua vida espiritual,

    se encham de confiança no Senhor que vem salvar-nos,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor, e sereis a  nossa alegria!

 

3. Para que os pais vençam a desorientação na ajuda aos filhos,

    ao enchê-los de prendas e dinheiro em vez de tempo e amor,

    e vejam diante de Deus como hão-de ajudá-los a serem felizes

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor, e sereis a  nossa alegria!

 

4. Para que os doentes sem esperança de cura ou de conforto

    de todos aqueles de quem mais tinham direito a esperá-lo,

    encontrem no Senhor que vem a Sua Esperança e alegria,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor, e sereis a  nossa alegria!

 

5. Para que todos as pessoas que perderam a fé e vivem tristes

    porque, sem Deus, as suas vidas não têm qualquer sentido,

    sejam confortados pela esperança na felicidade que Deus lhes prepara,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor, e sereis a  nossa alegria!

 

6. Para que todos os nossos fiéis defuntos que se purificam ainda

    das manchas e faltas de generosidade que levaram desta vida,

    entrem, por intercessão de Maria, na glória e felicidade eternas,

    oremos, irmãos.

 

    Vinde, Senhor, e sereis a  nossa alegria!

 

Senhor, que vindes ao nosso encontro, neste Advento,

para nos enriquecer com os dons da Vossa misericórdia:

tornai-nos alegres e diligentes nesta espera da Vossa vinda

 e tornai-nos dignos das Vossas divinas promessas.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade revestiu-Se da nossa natureza mortal, para nos restituir à imortalidade no Céu.

Depois de ter estado connosco, anunciando-nos a Sua Palavra, vai agora tornar-Se nosso alimento na Santíssima Eucaristia.

 

Cântico do ofertório: Quando virá Senhor o dia, NRMS 39

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que a oblação deste sacrifício se renove sempre na vossa Igreja, de modo que a celebração do mistério por Vós instituído realize em nós plenamente a obra da salvação. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio do Advento I: p. 453 [586-698] ou II p. 455 [588-700]

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento ao CT

 

Saudação da Paz

 

Temos necessidade urgente de que o Senhor nos conceda o dom da paz: paz com Deus, connosco mesmos, e com os nossos irmãos.

Manifestemos, por um gesto litúrgico, o nosso desejo de sermos construtores da verdadeira paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

É o Senhor do Céu e da terra quem nos convida para tomarmos parte no Banquete Eucarístico, no qual nos é oferecido o Corpo e Sangue do Senhor.

Não seria suficiente toda uma vida para nos prepararmos convenientemente em ordem a este momento ditoso.

Peçamos a Nossa Senhora que nos ensine a receber Jesus e a agradecer-lhe convenientemente este amor com que Ele Se entrega a cada um de nós.

 

Cântico da Comunhão: Eu estou, à porta chamo, F. da Silva, NRMS 22

cf. Is 35, 4

Antífona da comunhão: Dizei aos desanimados: Tende coragem e não temais. Eis o nosso Deus que vem salvar-nos.

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, pela vossa bondade, que este divino sacramento nos livre do pecado e nos prepare para as festas que se aproximam. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

À imitação de João Baptista, que mesmo já no cárcere, ainda se preocupa com levar pessoas ao encontro de Jesus, para que O conheçam e amem, anunciemos aos nossos familiares e companheiros de trabalho de lazer de o Senhor os ama.

 

Cântico final: Não demoreis, ó Salvador, M. Borda, NRMS 31

 

 

Homilias Feriais

 

3ª SEMANA

 

2ª Feira, 16-XII: Cristo, Luz do mundo.

Num 24, 2-7. 15-17 / Mt 21, 23-27

Balaão: Eu vejo, mas não para já e avisto, mas não de perto: um Astro sai de Jacob e um ceptro se ergue de Israel.

Balaão, inspirado pelo Espírito de Deus, profetiza o aparecimento de um Astro (Leit.), que representa a estrela vista pelos Magos: «A vinda dos Magos a Jerusalém mostra que eles procuram em Israel a luz messiânica da estrela de David (Leit.), Aquele que será o rei das nações» (CIC, 528). «Enquanto os Magos estavam na Pérsia não viram senão uma estrela; mas, quando deixaram a sua pátria, viram o próprio Sol da justiça» (S. João Crisóstomo).

Jesus é o Sol da justiça, Nª Senhora é a Estrela do Mar. Deixemo-nos guiar pela luz de Deus, pela fé, em todos os momentos da nossa vida. Algumas vezes perdê-la-emos, mas basta que façamos o mesmo que fizeram os Magos: perguntemos a quem nos pode ajudar.

 

3ª Feira, 17-XII: Pormenores da Humanidade Santíssima de Jesus.

Gen 49, 2. 8-10 / Mt 1, 1-17

Jacob: O ceptro não há-de fugir a Judá. Até que venha Aquele que tem direito e a quem os povos hão-de obedecer.

Jacob anuncia aos seus filhos a vinda do Messias (Leit.). E, na genealogia de Jesus Cristo, filho de David e filho de Abraão, aparece o nome de Jacob, logo no seu início (Ev.).

O Menino que vai nascer em Belém é o Filho Unigénito de Deus, que assume uma natureza humana no seio virginal de Nª Senhora e veio habitar entre nós. Nasceu no seio de uma família e numa determinada povoação. Ele é «a chave, o centro e o fim de toda a história humana» (GS, 10). Através da sua Humanidade Santíssima, Ele é o caminho para chegarmos ao Pai. E é também o nosso modelo de todas as virtudes. Precisamos conhecê-lo melhor e, para isso, procuremos ler e meditar o Evangelho com muita atenção nestes dias próximos ao Natal.

 

4ª Feira, 18-XII: A vocação de S. José.

Jer 23, 5-8 / Mt 1, 18-25

Dias virão em que farei surgir para David um rebento justo. Será um verdadeiro rei e agirá com sabedoria.

Estamos a aproximar-nos do Natal e, nestes últimos oito dias, vamos juntar-nos àqueles que viveram mais de perto este extraordinário acontecimento. E o primeiro é S. José, filho de David, que recebe a mensagem do Anjo e lhe comunica o nascimento de Jesus (Ev.).

Procuremos imitar esta 'testemunha silenciosa', no dizer de João Paulo II, que vai meditando em todos os acontecimentos que rodeiam o nascimento de Jesus, pelo que é para nós um verdadeiro Mestre da vida espiritual. Além disso, ensina-nos a cumprir a vontade de Deus, integrando-se imediatamente nos seus planos, fazendo o que lhe ordenara o Anjo do Senhor. O seu nome em hebreu significa 'Deus acrescentará': Deus confiou-lhe Nª Senhora e a custódia de Jesus.

 

5ª Feira, 19-XII: O Precursor de Jesus: A concepção de João Baptista.

Jz 13, 2-7. 24-25 / Lc 1, 5-25

A esposa (de Manoá) era estéril e não tinha filhos O Anjo do Senhor apareceu a essa mulher e disse-lhe: Hás-de conceber e terás um filho.

Um Anjo do Senhor apareceu à esposa de Manoá, que era estéril, e anunciou-lhe o nascimento de um filho: Sansão (Leit.). O mesmo aconteceu a Isabel, esposa de Zacarias e parente de Nª Senhora, que deu à luz João Baptista (Ev.).

O Anjo Gabriel deu a conhecer a Zacarias a missão de seu filho João: «Irá à frente do Senhor, para preparar ao Senhor um povo bem disposto» (Ev.). E, de facto, os primeiros discípulos do Senhor foram preparados por João. Nós somos não só precursores, mas também somos testemunhas de Cristo, pelo Baptismo e a Confirmação. E a testemunha de Cristo deve procurar viver de acordo com a sua doutrina para ajudar os outros a aproximarem-se do Senhor.

 

6ª Feira, 20-XII: O Advento com Nª Senhora, Mãe de Jesus (I).

Is. 7, 10-14 / Lc 1, 26-38

Há-de a Virgem conceber e dar à luz um filho, a quem porá o nome de 'Emanuel'.

Já no Proto-Evangelho, parte do livro do Génesis, se anunciava a escolha de Nossa Senhora. Isaías profetiza o acontecimento, que está prestes a realizar-se, à espera do sim de Nª Senhora (Ev.).

Deus Pai quis que a aceitação de Nª Senhora precedesse a Encarnação para que, assim como uma mulher, Eva, contribuiu para a morte, também outra mulher, Nª Senhora, contribuísse para a vida. Perante a vontade de Deus, que o Anjo lhe revela, tem uma só resposta: Faça-se em mim segundo a vossa Palavra. Procuremos imitá-la, cumprindo a vontade de Deus nas coisas correntes de cada dia. E agradeçamos-lhe o seu sim, que tornou possível a vinda de Deus à terra.

 

Sábado, 21-XII: O Advento com Nª Senhora, ao lado de Sta. Isabel (II).

Sof. 3, 14-18 / Lc 1, 39-45

O Senhor teu Deus está no meio de ti, como herói que te vem salvar. Exultará de alegria por causa de ti, como em dia de festa.

O Emanuel já esta no meio de nós (Leit). Cheia de alegria, porque leva no seu seio o Verbo Encarnado, Nª Senhora dirige-se a casa de Isabel, que a recebe com grandes louvores: «bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre» (Ev.).

Procuremos imitar Nª Senhora neste episódio do seu Advento, vivendo-o com o mesmo espírito de serviço e entrega aos outros como Ela o viveu. Pensemos naqueles que fazem parte da nossa família e tenhamos para com eles pequenas atenções, levadas a cabo com muito carinho. Repitamos-lhe as palavras do Anjo e de Santa Isabel, rezando bem cada Ave-Maria e a oração do 'Anjo do Senhor'.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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