Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria

08 de Dezembro de 2013

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Ditosa Virgem, cheia de graça, J. Santos, NRMS 75

Is 61, 10

Antífona de entrada: Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu com o manto da justiça, como esposa adornada com suas jóias.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos hoje a solenidade da Imaculada Conceição; o mistério da Imaculada indica que Maria, desde o primeiro momento da sua concepção foi preservada da herança do pecado original. Foi libertada porque estava desde sempre destinada a ser a Mãe de Cristo Redentor. Daqui a nove meses, em 8 de Setembro de 2014, celebraremos o seu nascimento.

Trata-se de um privilégio singularíssimo de Nossa Senhora: podemos dizer que é o fruto mais belo da obra redentora de Jesus Cristo.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que, pela Imaculada Conceição da Virgem Maria, preparastes para o vosso Filho uma digna morada e, em atenção aos méritos futuros da morte de Cristo, a preservastes de toda a mancha, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de chegarmos purificados junto de Vós. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: No texto do livro do Génesis que vai ser proclamado vamos ouvir como Deus, após a queda dos nossos primeiros pais, promete a vinda do Redentor. Ele nascerá duma Mulher que esmagará a cabeça da serpente e que será imaculada desde o momento da sua concepção.

 

Génesis 3, 9-15.20

9Depois de Adão ter comido da árvore, o Senhor Deus chamou-o e disse-lhe: «Onde estás?». 10Ele respondeu: «Ouvi o rumor dos vossos passos no jardim e, como estava nu, tive medo e escondi-me». 11Disse Deus: «Quem te deu a conhecer que estavas nu? Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira comer?». 12Adão respondeu: «A mulher que me destes por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi». O Senhor 13Deus perguntou à mulher: «Que fizeste?» E a mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi». 14Disse então o Senhor Deus à serpente: «Por teres feito semelhante coisa, maldita sejas entre todos os animais domésticos e entre todos os animais selvagens. Hás-de rastejar e comer do pó da terra todos os dias da tua vida. 15Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta te esmagará a cabeça e tu a atingirás no calcanhar». 20O homem deu à mulher o nome de «Eva», porque ela foi a mãe de todos os viventes.

 

A leitura é extraída do segundo bloco do livro do Génesis, que vai do v. 4b do capítulo 2 até ao fim do capítulo 4, que os estudiosos atribuem à chamada «tradição javista», onde se encontra a narrativa da criação do homem e da mulher, do pecado dos primeiros pais com as suas consequências e da continuidade da vida humana marcada pelo pecado. É evidente que esta narrativa não é um relato jornalístico, pois tudo é descrito numa linguagem simbólica, muito expressiva e densa; a narrativa coloca o leitor perante realidades transcendentes que dizem respeito ao «ser humano» – o adam –, o homem de todos os tempos. O autor sagrado, que deu forma definitiva e inspirada ao Pentateuco, quis dar-nos um panorama coerente da história da salvação – que arranca da eleição divina e se concretiza na aliança e nas promessas de salvação – desenvolvendo-se por etapas correspondentes a um maravilhoso projecto divino, a que não escapa o enigma das origens.

Se perdêssemos de vista este plano divino, que conhecemos pela Revelação, a curiosidade científica poderia levar-nos a ficar atolados nos aspectos arqueológicos e episódicos, como poderia suceder a alguém que, para estudar um monumento antigo, se ficasse no estudo das pedras e na análise dos materiais de construção; por mais científica que fosse a sua análise, ficaria sem se aperceber da harmonia do conjunto, do significado histórico desse monumento e da sua verdade mais profunda. A doutrina da Igreja sobre o pecado original, de que Maria foi isenta por singular privilégio, não se fundamenta na narrativa do Génesis; muito menos se pode partir do estudo das fontes do Génesis para negar a existência desse pecado (uma ridícula ingenuidade, além do mais); a doutrina da fé encontra a sua sólida base na obra redentora de Cristo e nos ensinamentos do Novo Testamento, nomeadamente de S. Paulo; no entanto, a fé projecta grande luz sobre esta narrativa simbólica das origens.

10 «Tive medo porque estava nu; e então escondi-me». Deste modo se descreve, com fina psicologia, o sentimento de culpabilidade e de vergonha que não podia deixar de ser estranho ao primeiro pecado e igualmente ao pecado de todo aquele que não empederniu a sua consciência; esta, que antes de pecar era o aviso de Deus, toma-se depois uma premente censura. Este dar conta da própria nudez parece também indicar, por um lado, a enorme frustração de quem, ao pecar, em vão tinha tentado «ser igual a Deus» e, por outro lado, sugere o descontrolo das tendências instintivas (a concupiscência): depois do primeiro pecado, sentem-se dominados por movimentos e apetites contrários à razão, que tentam esconder (v. 7).

Não resistimos a citar algumas palavras da profunda reflexão antropológica de João Paulo II, nas audiências gerais de Maio de 1980: «Por meio destas palavras (v. 10) desvela-se certa fractura constitutiva no interior da pessoa humana, quase uma ruptura da original unidade espiritual e somática do homem. Este dá-se conta pela primeira vez de que o seu corpo cessou de beber da força do espírito, que o elevava ao nível da imagem de Deus. A sua vergonha original traz em si os sinais duma específica humilhação comunicada pelo corpo. (...) O corpo não está sujeito ao espírito como no estado da inocência original, tem em si um foco constante de resistência ao espírito e ameaça de algum modo a unidade do homem pessoa. (...) A concupiscência, em particular a concupiscência do corpo, é ameaça específica à estrutura da auto-posse e do autodomínio, por meio do qual se forma a pessoa humana».

14 «Hás-de rastejar e comer do pó da terra». Na narrativa, a sentença é dada primeiro contra a serpente, a primeira a fazer mal. Ninguém pense que o autor quer insinuar que dantes as cobras tinham patas: a sentença é proferida contra o demónio tentador; a expressão designa uma profunda humilhação (cf. Salm 71(72), 9; Is 49, 23; Miq 7, 17), infligida contra o demónio, que é o sentenciado, não as serpentes (cf. Apoc 12, em especial os vv. 9 e 17).

15 «Esta te esmagará a cabeça». Todo o versículo constitui o chamado Proto-Evangelho, o primeiro anúncio da boa nova da salvação que se lê na Bíblia. Não se limita esta passagem a anunciar o estado de guerra permanente entre as potências diabólicas – «a tua descendência» – e toda a Humanidade – «a descendência dela». É sobretudo uma vitória que se anuncia. Note-se que essa vitória é expressada não tanto pelo verbo, que no original hebraico é o mesmo para as duas partes em luta (xuf – na Neovulgata conterere), mas sim pela parte do corpo atingida nessa luta: a serpente será atingida na cabeça (ferida mortal, daí a tradução «esmagará»), ao passo que a descendência será apenas atingida no calcanhar (ferida leve, daí a tradução «atingirás»).

Mas, pergunta-se, a quem é que designa o pronome «esta» (v. 15)? Segundo o original hebraico, podia ser a descendência da mulher. A verdade, porém, é que esta descendência pecadora fica incapacitada para, por si, vencer o demónio e o pecado em que se precipitara. Assim, o tradutor grego da Septuaginta (inspirado?) referiu o dito pronome ao Messias (traduzindo-o na forma masculina, designando um indivíduo, autós, em vez da forma neutra (designando uma colectividade), autó, referindo este pronome a descendência, (que em grego se diz com a palavra neutra, sperma); esta tradução visava pôr em evidência que quem vence o pecado e o demónio é Ele, o Messias. A tradição cristã, e com ela a tradução da Vetus Latina seguida pela Vulgata, ao traduzir o pronome pelo feminino ipsa, aplicou este texto à Virgem Maria, explicitando um sentido (chamado eminente), que entreviu nesta passagem (se quisesse designar a descendência – semen – teria empregado o neutro ipsum, e não ipsa).

Eis como se costuma explicar o sentido mariano da passagem: a vitória é prometida à descendência de Eva, mas quem faz possível essa vitória é Jesus Cristo, com a sua obra redentora. Assim, unidos a Cristo, todos somos vencedores, mas Maria é a vencedora de um modo eminente, porque Mãe do Redentor e Mãe de toda a comunidade dos redimidos, a Igreja. O próprio contexto facilita esta referência a Maria: é que, contra tudo o que era de esperar, a profecia aparece dita a Eva, e não a Adão. Segundo o ensino da Igreja (cf. Bula «Ineffablis Deus» do Beato Pio IX), esta vitória de Maria sobre o demónio, inclui a perfeita isenção de toda a espécie de mancha do pecado, incluindo o original.

 

Salmo Responsorial    Salmo 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4 (R. 1a)

 

Monição: O salmo que vamos meditar é um cântico de louvor e gratidão pelas maravilhas realizadas por Deus, em prol da salvação da humanidade.

 

Refrão:        Cantai ao Senhor um cântico novo:

o Senhor fez maravilhas.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo,

pelas maravilhas que Ele operou.

A sua mão e o seu santo braço

Lhe deram a vitória.

 

O Senhor deu a conhecer a salvação,

revelou aos olhos das nações a sua justiça.

Recordou-Se da sua bondade e fidelidade

em favor da casa de Israel.

 

Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.

Aclamai o Senhor, terra inteira,

exultai de alegria e cantai.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo, na carta aos Efésios, lembra-nos que Deus nos escolheu desde toda a eternidade para sermos santos, sendo filhos de Deus e vivendo como tais. O modelo humano mais perfeito desta santidade é a Virgem Imaculada.

 

Efésios 1, 3-6.11-12

3Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. 4N’Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença. 5Ele nos predestinou, conforme a benevolência da sua vontade, a fim de sermos seus filhos adoptivos, por Jesus Cristo, 6para louvor da sua glória e da graça que derramou sobre nós, por seu amado Filho. 11Em Cristo fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os desígnios d’Aquele que tudo realiza conforme a decisão da sua vontade, 12para sermos um hino de louvor da sua glória, nós que desde o começo esperámos em Cristo.

 

Este início da epístola aos Efésios de que é extraída a leitura tem o aspecto de um hino litúrgico e é uma das mais ricas sínteses doutrinais paulinas.

3 «Em Cristo». Toda a graça – «bênçãos espirituais» – que Deus concede ao homem, após o pecado original, incluindo a Imaculada Conceição da Virgem Maria, é concedida pela mediação de Cristo e através da união com Ele.

4-5 «Santos». «Filhos». O objectivo desta eleição eterna de Deus é «sermos santos», isto é, destacados do profano e pecaminoso para servir ao culto e glória divina: «diante d’Ele», isto é, na presença de Deus; estamos chamados a estar sempre diante de Deus para O glorificar a partir de tudo o que fazemos, dizemos ou pensamos, como ensina o Concílio Vaticano II: «Todos os cristãos são, pois, chamados e devem tender à santidade e perfeição do próprio estado» (LG 42). A santidade está em sermos «participantes da natureza divina» (2 Pe 1, 4; Rom 12, 1), sendo filhos de Deus e vivendo como tais, imitando a Cristo, o Filho de Deus por natureza (cf. Rom 8, 15-29; Gal 4, 5-7; 1 Jo 3, 1-3). E o modelo humano mais perfeito de santidade é Maria.

A expressão «santos e irrepreensíveis» faz pensar nas vítimas oferecidas a Deus no Antigo Testamento (cf. Lv 20, 20-22), insinuando-se assim o carácter oblativo e sacrificial de toda a vida do cristão (cf. 1 Pe 2, 5), bem como a perfeição que devemos pôr em tudo o que fazemos, demais que não se trata duma pureza meramente exterior e ritual, mas de um culto em espírito e verdade (cf. Jo 4, 23), «na sua presença» (de Deus) «que examina os rins e o coração» (Salm 7, 10), isto é, que perscruta o que há de mais íntimo no homem, a sua consciência, afectos e intenções.

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Lc 1, 28

 

Monição: Aclamemos o Evangelho de Jesus Cristo, Palavra de Deus; o Arcanjo Gabriel chama Maria a “cheia de graça”. Ela é chamada a ser a Mãe do próprio Autor da Graça; por isso Ela é Imaculada, concebida sem pecado original.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS10 (II)

 

Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco,

bendita sois Vós entre as mulheres.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 26-38

Naquele tempo, 26o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. 27O nome da Virgem era Maria. 28Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». 29Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. 30Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David 33reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». 34Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». 35O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. 36E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril 37porque a Deus nada é impossível». 38Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

A cena da Anunciação, narrada com toda a simplicidade, tem uma singular densidade, pois encerra o mistério mais assombroso da História da Salvação, a Incarnação do Filho eterno de Deus. Assim, a surpresa do leitor transforma-se em encanto e deslumbramento. O próprio paralelismo dos relatos lucanos do nascimento de João e de Jesus, revestem-se dum contraste deveras significativo: à majestade do Templo e grandiosidade de Jerusalém contrapõe-se a singeleza duma casa numa desconhecida e menosprezada aldeia de Galileia; ao afã dum casal estéril por ter um filho, a pureza duma virgem que renunciara à glória de ser mãe; à dúvida de Zacarias, a fé obediente de Maria!

26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A.T. (Dan 8, 16-26; 9, 21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».

28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita:

«Ave»: Vulgarizou-se esta tradução, correspondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia»; cf. Mt 26, 49), mas que não parece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10, 5); a melhor tradução é «alegra-te» – a tradução literal do imperativo do grego khaire –, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretação patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêem na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria messiânica da «Filha de Sião» (Sof 3, 14; Jl 2, 21-23; Zac 9, 9).

Ó «cheia de graça»: Esta designação tem muita força expressiva, pois está em vez do nome próprio, por isso define o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que está cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado passivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criadora e transformante de Deus em Maria: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graça, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio texto original indica.

«O Senhor está contigo»: a expressão é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta à altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28, 15), Moisés (Ex 3, 12) e Gedeão (Jz 6, 12), que não são apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confiada por Ele.

Chamamos a atenção para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita és tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Neovulgata, ao corrigir a Vulgata, passou a omiti-lo.

29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural temor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1, 12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúgio dos seus medos, pois n’Ela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que precisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias (cf. Lc 1, 18).

32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «encontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1 Sam 1, 18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, Noé (Gn 6, 8) e Moisés (Ex 33, 12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Maria (cf. 2 Sam 7, 8-16; Salm 2, 7; 88, 27; Is 9, 6; Jer 23, 5; Miq 4, 7; Dan 7, 14).

34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido, se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício literário e também «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7, 14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria aparece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte, um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos, mas renunciando a consumar a união; nem todos os estudiosos, porém, assim pensam, como também se vê no recente e interessante filme Figlia del suo Figlio.

35 «O Espírito Santo virá sobre ti…». Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a sua força criadora (cf. Gn 1, 2; Salm 104, 30) e santificadora (cf. Act 2, 3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; é melhor a da Nova Bíblia da Difusora Bíblica): o verbo grego (ensombrar) é usado no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glória de Deus estabelecia a sua morada (Ex 40, 34-36); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai gerar (pode ver-se nesta passagem o fundamento bíblico para o título de Maria, «Arca da Aliança»).

«O Santo que vai nascer…». O texto admite várias traduções legítimas; a litúrgica, afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Neovulgata; uma tradução na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso também aquele que nascerá santo será chamado Filho de Deus». I. de la Potterie chega a ver aqui uma alusão ao parto virginal de Maria: «nascerá santo», isto é, não manchado de sangue, como num parto normal. «Será chamado» (entenda-se, «por Deus» – passivum divinum) «Filho de Deus», isto é, será realmente Filho de Deus, pois aquilo que Deus chama tem realidade objectiva (cf. Salm 2, 7).

38 «Eis a escrava do Senhor…». A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a entrega total de Maria ao plano divino. Maria diz o seu sim a Deus, chamando-se «serva do Senhor»; é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este apelativo, como que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraão, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela aparece neste relato: «Maria», o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que Ela se dá a si mesma.

«Faça-se…». O «sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal seria o uso do modo imperativo génesthô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus (M. Orsatti).

 

Sugestões para a homilia

 

1. A Cheia de Graça.

2. O Coração Imaculado de Maria.

3. Modelo de santidade.

 

1. A Cheia de Graça

 

Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo. Bendita és Tu, entre as mulheres (Evangelho- Lc 1, 26-38)).

Na mensagem do Arcanjo Gabriel a Maria, Ela é saudada como a “cheia de graça”. Maria Imaculada é a obra mais perfeita saída das mãos de Deus. N’Ela se esmerou a Trindade Beatíssima: Filha predilecta de Deus Pai, Mãe de Deus Filho, Esposa puríssima de Deus Espírito Santo. Mais que Ela só Deus…

O texto do profeta Isaías (Is 61,10) exprime bem o que foi este privilégio para Maria: “Exulto de alegria no Senhor, e minha alma rejubila no meu Deus; pois com a veste de salvação me revestiu, e com o manto da justiça me envolveu, qual esposa adornada de suas jóias”.

A graça e a santidade precederam em Maria o momento em que foi concebida. Todos os homens são redimidos depois de terem sido contaminados pelo pecado, ao menos pelo pecado original. Cristo redimiu Aquela que tinha sido escolhida para Sua Mãe, preservando-a imune do mesmo pecado original. Deste modo, Maria veio ao mundo Imaculada e em momento algum da sua existência terrena o pecado pôde manchar a sua alma. Por isso, Ele é toda santa de modo muito mais sublime que os outros santos, os quais, também eles devem a sua santidade à obra da Redenção.

 

2. O Coração Imaculado de Maria.

 

Para deter os males desta hora e facilitar o regresso da humanidade pecadora às fontes da verdadeira felicidade, como sinal supremo do seu amor infinito, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria. É vontade manifesta de Deus que Maria esteja presente na nossa vida, nas nossas casas, nas nossas famílias, nos ambientes de trabalho e diversão, nos nossos campos, nas nossas aldeias e cidades, nas nossas alegrias e nas nossas tristezas, como Mãe que consola os seus filhos. A nossa vida não será do agrado de Deus se nela faltar a devoção a Maria. Tal como nas Bodas de Cana da Galileia, Ela quer marcar presença nas nossas vidas, sempre atenta às nossas necessidades espirituais e temporais, oferecendo-nos o “leite das suas consolações, a paz de seu Filho Jesus, a graça da conversão.

Por intermédio do Coração Imaculado de Maria, o Senhor vem ao nosso encontro com graças inumeráveis de cura e de conversão, com torrentes caudalosas de paz e de conforto.

O Coração Imaculado de Maria, tal como foi para a Lúcia, vidente de Fátima, será também para nós “o caminho que nos levará até Deus”. A quem abraçar esta devoção ao Seu Imaculado Coração, Ela promete a salvação. Em 13 de Outubro de 1917, quando Nossa Senhora disse quem era - “Eu sou a Senhora do Rosário”- e o que queria, Ela mostrou o seu Coração coroado de espinhos e disse, com amorosa queixa e terno pedido: “É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados: não ofendam mais a Nosso senhor, que já está muito ofendido”.

 

3. Modelo de santidade.

 

Os nossos olhos contemplam em Maria Imaculada a imagem viva da santidade querida por Deus, que nos chamou a sermos em Cristo santos e imaculados diante dos seus olhos (Cfr.Ef 1,4). Maria, com a sua presença, é para nós sinal seguro de esperança: todas as riquezas divinas de graça e de misericórdia vêm até nós por mãos de Maria Medianeira, em razão da sua Maternidade divina.

Maria indica-nos com clareza qual é o segredo da eficácia, qual é o caminho da salvação, como chegaremos à verdadeira felicidade: que façamos o que nos diz o Seu Filho, que cumpramos fielmente e com amor os Mandamentos da lei de Deus, que a penitência que hoje agrada a Deus é aquela que vai unida ao cumprimento fiel dos nossos deveres de todos os dias.

“Maria teve uma existência semelhante à nossa. Ela conheceu a dificuldade quotidiana e a prova da vida humana; encontrou-se na obscuridade que a fé implica…Seria um erro pensar que a vida d’Aquela que foi a Cheia de Graça terá sido uma vida fácil, cómoda. Maria compartilhou tudo aquilo que pertence à nossa condição terrena, com tudo aquilo que ela tem de exigente e penoso” (João Paulo II).

 Nossa Senhora é modelo e exemplo maravilhoso de fé, pois acreditou, desde o primeiro momento, que havia de cumprir-se tudo o que lhe foi dito da parte do Senhor. Confiemo-nos à sua poderosa protecção. Digamos-Lhe com fé e amor: “Pela vossa Imaculada Conceição, ó Maria, purificai o meu corpo e santificai a minha alma”; “Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós!”.

 

Fala o Santo Padre

 

«A Virgem Maria beneficiou antecipadamente da morte redentora do seu Filho

e desde a concepção foi preservada do contágio da culpa.»

Hoje o nosso encontro de oração do Angelus adquire uma luz especial, no contexto da solenidade da Imaculada Conceição de Maria. Na Liturgia desta festa é proclamado o Evangelho da Anunciação (Lc 1, 26-38), que contém precisamente o diálogo entre o anjo Gabriel e a Virgem. «Alegra-te, ó cheia de graça: o Senhor está contigo» — diz o mensageiro de Deus, e deste modo revela a identidade mais profunda de Maria, o «nome», por assim dizer, com que o próprio Deus a conhece: «cheia de graça». Esta expressão, que nos é tão familiar desde a infância porque a pronunciamos todas as vezes que recitamos a «Ave-Maria», oferece-nos a explicação do mistério que hoje celebramos. De facto, Maria, desde o momento em que foi concebida pelos seus pais, foi objecto de uma singular predilecção da parte de Deus, o qual, no seu desígnio eterno, a escolheu para ser a mãe do seu Filho feito homem e, por conseguinte, a preservou do pecado original. Por isso o Anjo dirige-se a ela com este nome, que literalmente significa: «desde o início cheia do amor de Deus», da sua graça.

O mistério da Imaculada Conceição é fonte de luz interior, de esperança e de conforto. No meio das provações da vida e sobretudo das contradições que o homem experimenta dentro de si e à sua volta, Maria, Mãe de Cristo, diz-nos que a Graça é maior que o pecado, que a misericórdia de Deus é mais poderosa que o mal e sabe transformá-lo em bem. Infelizmente todos os dias experimentamos o mal, que se manifesta de muitos modos nas relações e nos acontecimentos, mas que tem a sua raiz no coração do homem, um coração ferido, doente e incapaz de se curar sozinho. A Sagrada Escritura revela-nos que na origem de cada mal está a desobediência à vontade de Deus, e que a morte ganhou domínio porque a liberdade humana cedeu à tentação do Maligno. Mas Deus não falta ao seu desígnio de amor e de vida: através de um caminho de reconciliação longo e paciente preparou a aliança nova e eterna, selada no sangue do seu Filho, que para se oferecer a si mesmo em expiação «nasceu de mulher» (Gl 4, 4). Esta mulher, a Virgem Maria, beneficiou antecipadamente da morte redentora do seu Filho e desde a concepção foi preservada do contágio da culpa. Por isso, com o seu Coração imaculado, Ela diz-nos: confiai-vos a Jesus, Ele salvar-vos-á. […]

Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro a 8 de Dezembro de 2010

 

Oração Universal

 

Irmãos caríssimos:

Por intercessão de Maria Imaculada,

ergamos, por Jesus, ao Pai do Céu

uma prece por todas as nossas necessidades,

tanto espirituais como temporais,

dizendo:

 

Santa Maria, Mãe de Deus,

rogai por nós pecadores.

 

1. Pelo Santo Padre, Bispos e Sacerdotes:

para que anunciem corajosamente o Reino de Cristo,

e façam brilhar diante dos homens a luz da sua fé,

oremos por intercessão da Virgem Imaculada.

 

2. Pelos governantes das nações:

para que, trabalhando pela felicidade terrena dos homens,

promovam sempre a verdade, a justiça e a paz,

oremos por intercessão da Virgem Imaculada.

 

3. Pelos emigrantes e pelos presos,

e pelos que vivem longe dos seus lares,

para que encontrem consolação nas suas penas,

oremos por intercessão da Virgem Imaculada.

 

4. Por todos os fiéis defuntos,

para que alcancem de Deus  misericórdia,

oremos por intercessão da Virgem Imaculada.

 

5.Por todos nós aqui presentes,

para que o Senhor nos fortaleça na fé,

e nos faça crescer na caridade,

oremos por intercessão da Virgem Imaculada.

 

Deus todo-poderoso e eterno,

atendei, cheio de bondade , aqueles que Vos suplicam.

Nós Vos pedimos, por intercessão da Virgem Imaculada,

a conversão de todos os pecadores.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Ó Nuvens chovei o Justo, F. da Silva, NRMS 15

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, o sacrifício de salvação que Vos oferecemos na solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria e, assim como acreditamos que, por vossa graça, ela foi isenta de toda a mancha, sejamos nós, por sua intercessão, livres de toda a culpa. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

O mistério de Maria e da Igreja

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e louvar-Vos, bendizer-Vos e glorificar-Vos na Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria.

Vós a preservastes de toda a mancha do pecado original, para que, enriquecida com a plenitude da vossa graça, fosse a digna Mãe do vosso Filho. Nela destes início à santa Igreja, esposa de Cristo, sem mancha e sem ruga, resplandecente de beleza e santidade. Dela, Virgem puríssima, devia nascer o vosso Filho, Cordeiro inocente que tira o pecado do mundo. Vós a destinastes, acima de todas as criaturas, a fim de ser, para o vosso povo, advogada da graça e modelo de santidade.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos com alegria a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: M. Simões, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Para tornar Maria digna morada de Seu Filho, Deus Pai determinou, desde toda a eternidade, que Ela fosse concebida sem a mancha do pecado original.

Procuremos comungar com a mesma fé, pureza e devoção com que Maria Imaculada recebeu no seu seio puríssimo o seu Filho Jesus, Pão vivo descido do Céu.

 

Cântico da Comunhão: É celebrada a vossa glória, F. dos Santos, NCT 50

 

Antífona da comunhão: Grandes coisas se dizem de vós, ó Virgem Maria, porque de vós nasceu o sol da justiça, Cristo nosso Deus.

 

Cântico de acção de graças: Cantai um cântico novo, J. Santos, NRMS 10 (II)

 

Oração depois da comunhão: O sacramento que recebemos, Senhor, cure em nós as feridas daquele pecado, do qual, por singular privilégio, preservastes a Virgem Santa Maria, na sua Imaculada Conceição. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A nossa existência cristã, configurada pela Palavra de Deus e pelos Sacramentos, comporta uma relação pessoal com Cristo e um caminhar unidos a Ele, através de uma vida de fé e de amor. Com a graça do Senhor, a intercessão de Maria Imaculada, Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal e as nossas boas obras ajudemos todos os homens a entrar por caminhos da fé em Cristo, de modo que venham um dia a ser felizes no Reino da eterna glória.

 

Cântico final: Gloriosa Mãe de Deus, M. Carneiro, NRMS 33-34

 

 

 

 

 

 

Homilias Feriais

 

2ª SEMANA

 

2ª feira, 9-XII: A cura das 'paralisias'.

Is 35, 1-10 / Lc 5, 17-26

Então os olhos dos cegos hão-de abrir-se, e descerrar-se os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará de alegria.

De acordo com esta profecia, a vinda do Messias proporcionará acontecimentos extraordinários. E, além disso, o acontecimento mais extraordinário: «Aí está o vosso Deus. Ele próprio vem salvar-nos» (Leit.). E Jesus realiza essas maravilhas: a cura de um paralítico e o perdão dos pecados (Ev.).

Deixemos actuar o Messias nas nossas vidas para que ele cure as nossas 'paralisias': ausência de sacramentos e da vida de oração; o comodismo no trabalho e na vida familiar. E também que perdoe os nossos pecados, abeirando-nos do sacramento da Confissão, e ajudando os nossos amigos e conhecidos a fazerem o mesmo.

 

3ª Feira, 10-XII: A misericórdia de Deus com os 'fugitivos' e inconstantes

Is. 40, 1-11 / Mt 18, 12-14

Olhai que o Senhor vai chegar com poder... É como o pastor que apascenta o seu rebanho.

O Messias que há-de vir será como o bom Pastor, que cuida das ovelhas do seu rebanho. Uma das tarefas de Jesus é procurar a ovelha que anda tresmalhada (Ev.), de modo que ninguém se perca.

Porque somos pecadores afastamo-nos do bom caminho. Graças à misericórdia de Deus, Ele vem à nossa procura. Procuremos não ser mais 'fugitivos' naquilo que nos custa mais: a confissão, a oração, a luta contra o defeito principal, as ajudas ao próximo. E procuremos também que não haja muitos altos e baixos na nossa vida: «Que todo o vale seja preenchido; todo o monte e outeiro aplanados; nivelado o terreno desigual» (Leit.).

 

4ª Feira, 11-XII: Seremos mais fortes com a ajuda do Senhor.

Is 40, 25-31 / Mt 11, 25-30

Os que esperam no Senhor recuperam as forças... Correm sem se fatigarem, caminham sem se cansarem.

O Messias promete dar novas forças a quem anda exausto e robustecer aquele que fraqueja (Leit.). Por isso, Jesus convida-nos a ir ter com Ele: «Vinde a mim todos os que vos afadigais» (Ev.). Quantas vezes andamos com algum peso na consciência e, ao recebermos o perdão na Confissão, ficamos aliviados! Quantas vezes o sofrimento e a dor nos pesam e, ao aproximar-nos da Cruz de Cristo, ficamos melhor.

Além disso, o próprio Jesus se nos apresenta como modelo: «Aprendei de mim, que sou manso e humilde coração» (Ev.). Imitemo-lo, criando um ambiente de serenidade à nossa volta, ajudando todos os que andam sobrecarregados pelos seus problemas pessoais ou familiares.

 

5ª Feira, 12-XII: Novas forças para os combates diários.

Is 41, 13-20 / Mt 11, 11-15

Eu venho socorrer-te, diz o Senhor... Irás bater e triturar os montes, reduzir as colinas a palha.

O Messias vem trazer-nos as forças necessárias para ultrapassarmos os obstáculos que encontramos no caminho, que se nos apresentam como autênticas montanhas intransponíveis (Leit.). Esta fortaleza é igualmente necessária para alcançarmos o reino dos Céus (Ev.) nos combates de cada dia

A virtude da fortaleza, de que João Baptista deu um belo testemunho (Ev.), ajuda-nos a enfrentar com coragem as dificuldades, a rejeitar as tentações, a superar os obstáculos, a vencer o medo, a ter paciência nos momentos difíceis, a não desistir dos propósitos de aperfeiçoamento, a levar até ao fim as tarefas começadas com entusiasmo.

 

6ª Feira, 13-XII: A felicidade e o acolhimento do Messias.

Is 48, 17-19 / Mt 11, 16-19

Se tivesses atendido às minhas ordens, o teu bem estar seria como um rio, e a tua prosperidade, como as ondas do mar.

A nossa felicidade está ligada ao modo como acolhemos a palavra do Messias. Teríamos a serenidade semelhante à de um rio e a energia semelhante à das ondas do mar (Leit.). Mas infelizmente nem João Baptista nem o próprio Jesus tiveram bom acolhimento (Ev.).

Como acolhemos a palavra do Senhor? Preparemo-nos para aceitar melhor os seus ensinamentos e os levarmos à prática, para termos um confiança plena no Senhor, para apreciar os tesouros de bondade e ternura que derramou sobre nós. Rejeitemos completamente o comportamento dos ímpios e os seus conselhos (S. Resp.). Imitemos a resposta de Nª Senhora à palavra de Deus que o Anjo lhe comunicou.

 

Sábado, 14-XII: Elias preparou a vinda do Messias.

Sir 48, 1-4. 9-11 / Mt 17, 10-13

Como tu brilhaste, Elias, pelos teus prodígios! Foste preparado em ordem ao futuro.

Em ambas Leituras é recordada a figura do profeta Elias. Também ele realizou grandes prodígios: ressuscitou o filho da viúva de Sarepta, fez descer o fogo de Deus sobre o holocausto do Monte Carmelo. O seu nome significa: o Senhor é o meu Deus!

Todos estes prodígios são apenas uma pequeníssima parte daqueles que O Messias realizaria aquando da sua vinda. O fogo passa a ser o fogo do Espírito Santo, que queimará todas as impurezas do nosso coração e nos fará aumentar o amor de Deus. «Elias há-de vir restaurar todas as coisas» (Ev.), Mas, de facto, essa é a missão do Messias: restaurar tudo para fique como no princípio da criação. Procuremos recebê-lo bem: «Deus do Universo, vinde de novo» (S. Resp.).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Alfredo Melo

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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