1º Domingo do Advento

1 de Dezembro de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Oh, que alegria, M. Faria, NRMS 67

Salmo 24, 1-3

Antífona de entrada: Para Vós, Senhor, elevo a minha alma. Meu Deus, em Vós confio. Não seja confundido nem de mim escarneçam os inimigos. Não serão confundidos os que esperam em Vós.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Começamos hoje um novo ciclo de vida espiritual chamado Ano litúrgico. As primeiras quatro semanas destinam-se a preparar a celebração do Natal de Jesus.

O Advento não é como a Quaresma, mas requer algum recolhimento interior É um tempo de esperança e até de alegria pela vinda do Filho de Deus. Omite-se o Glória para lhe dar mais vigor no dia de Natal, mas canta-se o Aleluia porque Jesus está connosco.

Neste 1º domingo somos convidados a despertar a vontade, a vencer a rotina e o desleixo na vida cristã. Teremos connosco a Mãe de Jesus, a Imaculada Conceição, cuja novena estamos a celebrar.

 

Ato penitencial

 

Para escutarmos proveitosamente a palavra de Deus e vivermos a Eucaristia precisamos da ajuda de Deus e de nos arrependermos dos nossos pecados. É isso que vamos fazer usando a sugestão do próprio Missal:

 

Senhor, que nos criastes para Vós,

perdoai a nossa rebeldia em aceitar esta vocação fundamental:

Senhor tende piedade de nós

 

Cristo que vestes restaurar esta nossa dignidade fundamental,

perdoai a nossa indolência em acolher a vossa vinda ao mundo:

Cristo, tende piedade de nós.

 

Senhor, que fizestes da vossa Igreja sacramento da salvação,

perdoai  a nossa falta de alegria e zelo:

Senhor, tende piedade de nós.

 

Oração colecta: Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade firme de se prepararem, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo, de modo que, chamados um dia à sua direita, mereçam alcançar o reino dos Céus. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Numa época de grande aflição do antigo povo de Israel, ameaçado pelos povos vizinhos, o profeta anuncia que Jerusalém acabará por vencer, e o seu templo brilhará sobre a colina da cidade.

 

Isaías 2, 1-5

1Visão de Isaías, filho de Amós, acerca de Judá e de Jerusalém: 2Sucederá, nos dias que hão-de vir, que o monte do templo do Senhor se há-de erguer no cimo das montanhas e se elevará no alto das colinas. 3Ali afluirão todas as nações e muitos povos acorrerão, dizendo: «Vinde, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos e nós andaremos pelas suas veredas. De Sião há-de vir a lei e de Jerusalém a palavra do Senhor». 4Ele será juiz no meio das nações e árbitro de povos sem número. Converterão as espadas em relhas de arado e as lanças em foices. Não levantará a espada nação contra nação, nem mais se hão-de preparar para a guerra. 5Vinde, ó casa de Jacob, caminhemos à luz do Senhor.

 

Esta pequena leitura é um dos mais belos textos poéticos de todo o Antigo Testamento, um cântico de exaltação da Jerusalém ideal e da paz messiânica. É um texto paralelo a Miq 4, 1-3.

1 «Isaías, filho de Amós», não o profeta do séc. VIII que pregou no reino do Norte, pois em hebraico o nome tem outra grafia.

2-3 Numa visão puramente humana, podia pensar-se que estamos diante dum texto sionista. A verdade é que o texto transcende o campo político e move-se num clima escatológico e messiânico: «Jerusalém», ou «Sião», é imagem da Igreja, «a nova Jerusalém» (cf. Gal 4, 26; Apoc 21, 2-4.10-27), para onde «afluirão todas as nações e muitos povos acorrerão» (v. 3). Isaías anuncia a conversão dos povos (gentios) ao único Deus, o de Israel, uma conversão que é dom de Deus, mas que também implica esforço humano – «subamos…» e docilidade – «Ele nos ensinará... e nós andaremos...». Os povos sentir-se-ão atraídos pela sublimidade de uma lei e de uma doutrina, que é a própria «palavra do Senhor». O texto pressupõe um pregador desta palavra, um profeta; e Jesus é o Profeta messiânico por excelência (cf. Act 3, 22; Jo 1, 21; 6, 14; Lc 7, 16). De qualquer modo, a Liturgia do Advento, nesta «palavra do Senhor que sairá de Jerusalém», leva-nos a vislumbrar o Verbo de Deus que se há-de manifestar no mistério da sua Incarnação a celebrar no Natal que se aproxima.

4 A paz messiânica, aqui imaginosamente descrita, não se pode considerar como algo meramente ideal, utópico e irreal; com efeito, com a fundação da Igreja, Cristo lançou no mundo um eficacíssimo fermento de paz e de unidade de todo o género humano; e quando todos os homens aderirem sinceramente a Cristo e à sua Igreja teremos a plena realização desta imagem tão bela como arrojada: as espadas convertidas em relhas de arado e as lanças em foices. É de notar que o Deus da Revelação jamais poderá ser invocado por ninguém como «um factor de guerra»; seria uma forma retorcida e refinada de «invocar o santo nome de Deus em vão», contrariando um absoluto moral bem claro, que é o segundo preceito do Decálogo (cf. Ex 20, 7; Dt 5, 11).

 

Salmo Responsorial    Salmo 121 (122), 1-2.4-5.6-7.8-9 (R. cf. 1)

 

Monição: Jesus é o novo templo, é a morada de Deus connosco, e esta nossa assembleia é a imagem do novo povo de Deus que tem como cabeça Jesus ressuscitado.

 

Refrão:        Vamos com alegria para a casa do Senhor.

 

Alegrei-me quando me disseram:

«Vamos para a casa do Senhor».

Detiveram-se os nossos passos

às tuas portas, Jerusalém.

 

Para lá sobem as tribos, as tribos do Senhor,

segundo o costume de Israel,

para celebrar o nome do Senhor;

ali estão os tribunais da justiça,

os tribunais da casa de David.

 

Pedi a paz para Jerusalém:

«Vivam seguros quantos te amam.

Haja paz dentro dos teus muros,

tranquilidade em teus palácios».

 

Por amor de meus irmãos e amigos,

pedirei a paz para ti.

Por amor da casa do Senhor,

pedirei para ti todos os bens.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A comunidade cristã de Roma era constituída por pessoas nascidas em Roma, por outras vindas do judaismo e de muitas outras culturas. S.Paulo ensina a todos que a sua vida começou no dia do batismo. Desde aí nasce um «tempo novo» que marca o início da vida cristã...

 

Romanos 13, 11-14

11Irmãos: Vós sabeis em que tempo estamos: chegou a hora de nos levantarmos do sono, porque a salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçámos a fé. 12A noite vai adiantada e o dia está próximo. Abandonemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. 13Andemos dignamente, como em pleno dia, evitando comezainas e excessos de bebida, as devassidões e libertinagens, as discórdias e os ciúmes; 14não vos preocupeis com a natureza carnal, para satisfazer os seus apetites, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo.

 

A leitura, tirada da parte moral e exortatória da epístola (Rom 12, 1 – 15, 13), está em consonância com o Evangelho de hoje, constituindo uma forte exortação à vigilância, a atitude de que quem espera a vinda de Jesus, pois «o dia está próximo» (v. 12). A Santa Igreja, com estas leituras no começo do Advento, tempo de preparação para o Natal, pretende ajudar os seus filhos a que, ao celebrarem a primeira vinda de Jesus, se preparem também para a sua vinda definitiva.

Há quem pense, com base em Ef 5, 14 que esta passagem do texto da leitura corresponda a um hino baptismal da Igreja primitiva (H. Schlier). Podemos também perguntar-nos se Paulo não estaria a pensar numa proximidade cronológica do fim dos tempos e da segunda vinda de Cristo, tendo em conta o que diz em 1 Tes 4, 15.17 e 1 Cor 15, 51-52; a verdade é que não temos aqui qualquer espécie de especulação apocalíptica, mas antes a especificação do que é a existência cristã, a saber, uma vida aberta ao futuro, em atitude de fé e de esperança, abraçando as exigências de vigilância e de renúncia às obras das trevas e à satisfação dos apetites carnais, uma vida nova, que é revestir-se do Senhor Jesus Cristo (v. 14).

11 «Chegou a hora de nos levantarmos do sono» (uma boa esporada para começar o ano litúrgico). O sono é próprio da noite; e a noite é imagem da morte e do pecado, «as obras das trevas», (v. 12); por outro lado, há uma afinidade ontológica entre o cristão e o dia – a luz –, uma exigência do ser cristão, uma vez que Cristo é a luz do mundo: «vós sois a luz do mundo» (Mt 5, 14) e «Eu sou a luz do mundo» (Jo 8, 12); o cristão é aquele que deixou iluminar a sua alma, a sua vida, os seus pensamentos, por Cristo, «a luz que brilha nas trevas» (Jo 1, 5), por isso, «a noite vai adiantada» (v. 12), e, embora ainda não seja pleno dia, já temos a luz suficiente para seguir a Cristo e não ao pecado. Com razão os cristãos são designados com o genitivo hebraico de qualidade, «filhos da luz»: Lc 16, 8; Jo 12, 36; Ef 5, 8; 1 Tes 5, 5 (aqui também chamados «filhos do dia»)

12 «Obras das trevas»: o mesmo que obras tenebrosas ou pecaminosas, muitas das quais, como as que aponta o v. 13, se costumam praticar na clandestinidade da escuridão e da noite.

«Armas da luz», são as virtudes, em especial as teologais (cf. 1 Tes 5, 8; Ef 6, 13-17). Notar que esta expressão paulina, armas, uma vez mais põe em evidência que a vida cristã é uma luta diária.

14 «Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo». Revestir-se, na linguagem bíblica, não significa apenas vestir uma farda (nas festas pagãs, os iniciados vestiam-se à maneira da divindade celebrada), mas trata-se duma identificação na linha do ser: assim, no A. T., revestir-se de justiça, de força, etc., corresponde a tornar-se justo, forte, etc. Revestir-se de Cristo é, pois, identificar-se com Cristo, «ter os mesmos sentimentos de Cristo» (Filp 2, 5). O fiel revestido de Cristo, a partir do Baptismo (cf. Gal 3, 27), tem ainda que se deixar impregnar cada vez mais intensamente por Ele nos novos sectores para os quais se vai abrindo a sua vida, ao desenvolver-se. Ser de Cristo é crucificar a sua carne com todo o cortejo dos seus vícios e apetites desordenados (cf. Gal 5, 24).

 

Aclamação ao Evangelho        Salmo 84, 8

 

Monição: Jesus anuncia o fim da antiga cidade de Jerusalém e do seu templo 40 anos depois da ressurreição de Jesus. Esses acontecimentos eram sinais de que chegara o tempo novo de Deus, mas muitos tomaram esse facto como mero acontecimento militar.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 4,F. Silva, NRMS 50-51

 

Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia

e dai-nos a vossa salvação.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 24, 37-44

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 37«Como aconteceu nos dias de Noé, assim sucederá na vinda do Filho do homem. 38Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; 39e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou. Assim será também na vinda do Filho do homem. 40Então, de dois que estiverem no campo, um será tomado e outro deixado; 41de duas mulheres que estiverem a moer com a mó, uma será tomada e outra deixada. 42Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. 43Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. 44Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem».

 

O Evangelho de hoje recolhe apenas 8 vv. do que se pode chamar o núcleo ético do discurso escatológico de Jesus em Mateus (Mt 24, 1 – 25, 46), a saber, a exortação moral à vigilância (Mt 24, 37 – 25, 30). Neste pequeno trecho podemos considerar três partes: vv. 37-39; 40-41; 42-44.

37-39 «Como aconteceu nos dias de Noé…» Jesus, segundo os ensinamentos morais rabínicos, apela para a lição do dilúvio: as pessoas preocupadas com a satisfação das necessidades imediatas, comer, beber, casar, esquecem o mais importante e são apanhadas de surpresa, sem estarem preparadas para dar contas a Deus da sua vida na hora duma morte inesperada (cf. Sab 10, 4; Hebr 11, 7; 1 Pe 3, 20; 2 Pe 2, 5).

40-41 O carácter imprevisível da vinda de Jesus é ilustrado com dois casos tirados da vida corrente em que uma pessoa se salva e a outra perece, para daqui tirar a lição moral (o nimxal rabínico): «portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá…».

42-44 A parábola do ladrão vem reforçar a lição moral anterior sobre a vigilância, repetida no v. 44, com outras palavras: «Estai vós também preparados!» Esta incerteza é para nós um bem, um estímulo. Se soubéssemos o dia do juízo, corríamos grande risco de nos desleixarmos em fazer o bem e de nos deixarmos arrastar pelo mal, sendo então muito mais fácil que nos viéssemos a condenar. Devemos estar vigilantes e preparados, como se cada dia fosse o último da nossa vida. O Senhor virá como um ladrão, mas apenas no que se refere ao imprevisto da hora, pois, sendo Ele o melhor dos pais, escolherá a melhor hora para os seus filhos, mas respeitando a liberdade de cada um.

 

Sugestões para a homilia

 

1. A primeira e a terceira leituras lembram-nos dois factos antigos de enorme grandiosidade (o antigo dilúvio e a destruição do antigo templo de Jerusalém) que eram, no plano de Deus, sinais da intervenção de Deus na história da salvação do mundo.

Todavia, apesar da sua grandeza pública, eles foram tomados pela generalidade dos seus contemporâneos como meros acontecimentos da natureza e da política romana.  Certamente que também o eram, mas havia neles um sentido novo que só as pessoas atentas à voz de Deus foram capazes de descobrir.

 

2. Estes dois casos são exemplo da necessidade de ler a história a história do mundo com os olhos de Deus. Tanto os crentes como os descrentes vivemos as mesmas realidades sociais, vemos o que se passa à nossa volta, mas só a luz da fé nascida da ressurreição de Jesus permite ver as realidades da vida diária e da história do mundo como caminhos para Deus. Sem essa luz, olharemos o mundo pelo boletim meteorológico e pelas crónicas do mundo e da moda, como aconteceu com o dilúvio e a destruição de Jerusalém.

 

3.S.Paulo também emprega a imagem da luz na carta que escutamos há pouco. Ensina que o batismo se celebrava na noite de Páscoa. O cristão, porém, não era filho da noite mas da luz do Senhor ressuscitado. A partir daí, deve deixar-se iluminar pela presença de Jesus ressuscitado, ser filho da luz e do dia, e imprimir um estilo novo às suas atividades profissionais, vencendo a sedução do mundo e a tentação do desleixo. Esta tentação chama-se hoje laicismo, que é o materialismo prático.

 

4. Para designar a atitude do cristão, Jesus utiliza a palavra «Vigiai». Vigiar é andar atento, de olhos abertos, ver o presente e o futuro com os olhos de Deus. A Bíblia aplica-a aos profetas que pregam aos seus contemporâneos, aos pastores que guardam o gado durante a noite, aos soldados que defendem a cidade.

Para Jesus, a hora de maior vigilância foi a sua agonia no Horto das oliveiras em que, durante horas, se debateu entre o medo, o desânimo e a vontade do Pai

A vigilância cristã não se confunde com mero exercício de perspicácia humana. Nasce da luz da fé que permite ver as coisas de outro modo e, por isso, anda sempre unida à oração: «vigiai e orai».

 

5. Aproveitemos este domingo para «vigiar» a nossa vida e recuperarmos o entusiasmo da fé:

a) Começamos o nosso dia com o Sinal da Cruz como sinal da Páscoa, e sentimento de alegria e agradecimento a Deus?

b) Em casa, terminamos o dia com alguma oração de acção de graças? Não poderemos rezar o terço nesta novena da Imaculada?

c) Nos nossos negócios há sentido de justiça e respeito pelos outros ou deixamo-nos vencer pela ganância?

d) O nosso modo de vestir tem a marca do baptismo e do nosso estado de vida, assinalada pela veste e pelo hábito que nos foram impostos, ou deixamo-nos vencer pela moda que, gradualmente, despe as pessoas e as banaliza?

e) Como vemos a morte das pessoas: simples fim da vida humana ou também início da vida eterna? Como vêm a ser escritos os textos das «memórias» dos mortos: mero elogio da vida humana ou afirmação da vida eterna?

f) E o casamento: mero início de vida em comum, ou comunidade estável a construir em cada dia pelo esforço mútuo e aberta à geração de filhos?

g) E a vida profissional e política: são assumidas como atividades que afetam os outros cidadãos nos anos presentes e no futuro ou são meros arranjos individuais e de classe?

h) E a catequese: é verdadeira e gradual aprendizagem da vida cristã?

 

6.Credo. Ao recitar o Credo, estejamos especialmente atentos à afirmação da Encarnação do Verbo no seio de Maria Virgem.

 

Fala o Santo Padre

 

«Cada um de nós, neste Tempo que nos prepara para o Natal,

pode perguntar-se: e eu, o que espero?»

Prezados irmãos e irmãs

Hoje, primeiro domingo de Advento, a Igreja começa um novo Ano litúrgico, um renovado caminho de fé que, por um lado, faz memória do evento de Jesus Cristo e, por outro, se abre ao seu cumprimento final. E é precisamente desta dúplice perspectiva que vive o Tempo de Advento, olhando quer para a primeira vinda do Filho de Deus, quando nasceu da Virgem Maria, quer para o seu retorno glorioso, quando vier «para julgar os vivos e os mortos», como dizemos no Credo. Sobre este tema sugestivo da «expectativa» agora gostaria de meditar brevemente, porque se trata de um aspecto profundamente humano, em que a fé se torna, por assim dizer, um só com a nossa carne e o nosso coração.

A expectativa, a espera é uma dimensão que atravessa toda a nossa existência pessoal, familiar e social. A espera está presente em mil situações, desde as mais pequenas e banais, até às mais importantes, que nos empenham total e profundamente. Entre elas, pensamos na espera de um filho da parte de dois esposos; na espera de um parente ou de um amigo que vem visitar-nos de longe; pensamos, para um jovem, na expectativa do êxito de um exame decisivo, ou de um colóquio de trabalho; nos relacionamentos afectivos, na espera do encontro com a pessoa amada, da resposta a uma carta, ou do acolhimento de um perdão... Poder-se-ia dizer que o homem está vivo enquanto espera, enquanto no seu coração estiver viva a esperança. É das suas expectativas que o homem se reconhece: a nossa «estatura» moral e espiritual pode ser medida a partir daquilo que aguardamos, daquilo em que esperamos.

Portanto, cada um de nós, especialmente neste Tempo que nos prepara para o Natal, pode perguntar-se: e eu, o que espero? Para que propende, neste momento da minha vida, o meu coração? E esta mesma interrogação pode fazer-se a nível familiar, comunitário e nacional. O que esperamos, juntos? O que une as nossas aspirações, o que as acomuna? No tempo precedente ao nascimento de Jesus, era extremamente intensa em Israel a espera do Messias, ou seja, de um Consagrado, descendente do rei David, que finalmente teria libertado o povo de toda a escravidão moral e política, instaurando o Reino de Deus. Mas jamais ninguém teria imaginado que o Messias pudesse nascer de uma jovem humilde como era Maria, noiva do justo José. Nem sequer ela mesma jamais teria pensado, e no entanto no seu coração a expectativa do Salvador era tão grande, a sua fé e a sua esperança eram tão fervorosas, que Ele pôde encontrar nela uma mãe digna. De resto, foi o próprio Deus que a preparou, antes dos séculos. Existe uma misteriosa correspondência entre a espera de Deus e a de Maria, a criatura «cheia de graça», totalmente transparente ao desígnio de amor do Altíssimo. Aprendamos dela, Mulher do Advento, a viver os gestos quotidianos com um espírito renovado, com o sentimento de uma profunda expectativa, que só a vinda de Deus pode cumular.

Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro a 28 de Novembro de 2010

 

Oração Universal

 

Presidente: Nesta viagem para o Natal, lembremos que Deus veio e vem ao nosso encontro, e elevemos ao Pai do céu, por meio de seu Filho feito homem, as nossas súplicas pelo mundo inteiro, dizendo:

Ass. Pela vossa vinda humilde e gloriosa, ouvi-nos, Senhor.

 

1. Por todos membros da Igreja de Jesus Cristo, 

chamada a ser «a luz sobre os montes», 

para neste Advento descubra a Palavra e a Eucaristia como dons de Deus,

Oremos irmãos.

 

2. Pelos governantes dos povos, para que descubram em Jesus

o «árbitro de povos sem número,

e a força que transforma as espadas em relhas de arado»,

Oremos irmãos.

 

3. Por todos quantos trabalham na educação e no ensino,

para que saibam usar «as armas da luz de Cristo nesta noite que vai adiantada»,

e ensinem a «viver dignamente como em pleno dia»

Oremos irmãos

 

4. Por todos os desanimados,

pelos que estão mais próximos da última vinda de Jesus,

pelos que se dizem descrentes ou indiferentes,

para que descubram em Jesus, pobre e humilde,

a luz serena que afasta as trevas e dá sentido novo à vida,

Oremos irmãos

 

5. Pelos que promovem a economia e o turismo,

para que os seus esforços conduzam à melhoria social,

e se afastem «as tentações dos excessos da bebida,

e das acções imorais e libertinas», 

Oremos irmãos.

 

6. Pelas crianças e adolescentes, sempre presentes nas festas do Natal,

para que descubram em Jesus Menino o Emanuel, Deus connosco,

e que Ele continua connosco na festa da Eucaristia dos Domingos,

Oremos irmãos.

 

Presidente:

Deus eterno e misericordioso,

que enviastes ao mundo o vosso Filho

para nos libertar das trevas do erro e do vício, e nos conduzir ao céu,

ouvi as súplicas que neste Advento vos dirigimos por todo o mundo.

Por N. S. J. Cristo, vosso Filho na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

1. Admonição para a apresentação dos dons

Ao apresentar o pão e o vinho neste domingo do Advento, lembremo-nos do dia em que nós mesmos seremos apresentados diante de Deus, e peçamos ao Senhor que estejamos revestidos da veste do batismo.

 

Cântico do ofertório: Senhor, que tanto amais o vosso povo, J. Santos, NRMS 95-96

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, estes dons que recebemos da vossa bondade e fazei que os sagrados mistérios que celebramos no tempo presente sejam para nós penhor de salvação eterna. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio do Advento I: p. 453 (586-698)

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

O Senhor que vamos receber é Jesus ressuscitado. Além da ajuda para vencermos o mundo, a Comunhão anuncia e antecipa na fé o encontro com Deus.

 

Cântico da Comunhão: Vem, Senhor Jesus, F. da Silva, NRMS 62

Salmo 84, 13

Antífona da comunhão: O Senhor nos dará todos os bens e a nossa terra produzirá o seu fruto.

 

Oração depois da comunhão: Fazei frutificar em nós, Senhor, os mistérios que celebramos, pelos quais, durante a nossa vida na terra, nos ensinais a amar os bens do Céu e a viver para os valores eternos. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A devoção a Maria é um caminho seguro para chegar a Deus. A Novena da Imaculada pode ser orientada na igreja ou nas capelas por um ministro extraordinário da Comunhão

 

Cântico final: Levanta-te Jerusalém, F. da Silva, NRMS 39

 

 

Homilias Feriais

 

TEMPO DO ADVENTO

 

2ª Feira, 2-XII: Disposições para receber bem o Senhor.

Is 4, 2-6 / Mt 8, 5-11

(O centurião): Senhor, eu não mereço que entres debaixo do meu tecto. Diz somente uma palavra e o meu servo será curado.

Para acolhermos bem o Senhor neste tempo do Advento, aproveitemos as sugestões das Leituras de hoje. O centurião quer receber o Senhor e mostra-se indigno (Ev.). Como estas palavras nos são recomendadas pela Igreja para o momento da Comunhão, um modo de recebermos bem o Senhor será preparar-nos bem para esse encontro, fazendo algumas comunhões espirituais.

Outra sugestão aparece na Leitura de Isaías: «O Senhor virá limpar a impureza da filha de Sião». Procuremos limpar a nossa alma, através de uma boa confissão, para recebermos o Senhor com a maior pureza e piedade possíveis, como Nª Senhora o recebeu.

 

3ª Feira, 3-XII: A restauração da paz e da harmonia.

Is 11, 1-10 / Lc 10, 21-24

O lobo viverá com o cordeiro... O bezerro e o leãozinho andarão juntos, e um menino os poderá conduzir.

A vinda do Messias restaurará paz e a harmonia do princípio da criação, de acordo com esta profecia (Leit.). Para isso, o Pai infundiu o Espírito Santo no Filho (Leit. e Ev.).

Esta plenitude do Espírito há-de ser comunicada a todo o povo messiânico. Depois da Ressurreição, recebemos o Espírito de Amor nos nossos corações, para sermos distribuidores da paz e da alegria messiânicas no nosso ambiente de trabalho e na vida familiar. Precisamos ter a paz na nossa alma, fruto da actuação do Espírito Santo, de recebermos o sacramento da misericórdia, de evitarmos o pecado, que semeia a discórdia. Antes de comungarmos somos convidados a distribuir a paz, que é fruto da recepção do Senhor. Nª Senhora da Paz, rogai por nós.

 

4ª Feira, 4-XII: A abundância de bens que o Messias nos traz.

Is 25, 6-10 / Mt 15, 29-37

O senhor do Universo há-de preparar, para todos os povos, no Monte Sião, um banquete de pratos suculentos.

Estas Leituras lembram-nos que a vinda Messias trará uma abundância de bens, porque Ele curará muitas doenças do corpo: Jesus curou muitos doentes e deu de comer a uma multidão (Ev.). Mas sobretudo, o que sobressai é a misericórdia de Deus, que quer salvar todos homens: as curas milagrosas são um sinal das curas das feridas da alma: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação» (Leit.).

A multiplicação dos pães prefigura a Eucaristia, alimento que nos dá forças para cada um dos nossos dias, e que ajuda a preparar o banquete da vida eterna. O Senhor é o pão da vida e, a quem o recebe, Ele promete a vida eterna. Obrigado a Nª Senhora, que nos trouxe o pão da vida.

 

5ª Feira, 5-XII: Apoiar a nossa vida nas palavras do Senhor.

Is 26, 1-6 / Mt 15, 29-37

Todo aquele que ouve estas minhas palavras e as põe em prática será semelhante a um homem prudente, que fez sua casa sobre rocha.

O Messias é apresentado como rocha e, além disso, rocha eterna (Leit.). E vem convidar-nos a edificar a nossa vida, apoiados nele, fundamento sólido, e não sobre a areia, que é o símbolo do que não tem consistência, do apoio em si próprio.

Edificaremos sobre Cristo, quando ouvimos as suas palavras: as leituras do Novo Testamento, as inspirações que recebermos na oração, e que nos orientam para viver melhor as tarefas de cada dia. E, depois, quando as procuramos levar à prática: cada dia podemos pôr um pouco mais de empenho em melhorar a nossa vida de acordo com a sua vontade. Jesus é o melhor exemplo: O meu alimento é fazer a vontade de meu Pai. E também Nª Senhora: Faça-se em mim...

 

6ª Feira, 6-XII: Descobrir o Senhor nos acontecimentos de cada dia.

Is 29, 17-24 / Mt 9, 27-31

Nesse dia, os surdos ouvirão a palavra do livro divino; libertos da escravidão e das trevas, os olhos dos cegos hão-de ver.

O profeta anuncia a realização de grandes prodígios com a vinda do Messias (Leit.). E os dois cegos reconheceram em Jesus o filho de David (Ev.).

Precisamos estar muito atentos às palavras que o Senhor nos vai transmitir, desde o seu nascimento, abrindo bem os ouvidos: «Os surdos ouvirão a palavra do livro divino» (Leit.). E abramos também os olhos à luz divina que se desprende de Cristo, que é a Luz. Para andarmos bem orientados precisamos da ajuda da sabedoria divina: «Os desnorteados conhecerão a sabedoria divina». Procuremos também ver as coisas como Deus as vê: a dor, o sofrimento, as contrariedades. Para isso, façamos como Nª Senhora: meditava todas as coisas no seu coração.

 

Sábado, 7-XII: Com o Messias obteremos frutos abundantes.

Is 30, 19-21. 23-30 / Mt 9. 35- 10, 1. 6-8

O Senhor dará a chuva para a semente que tiveres lançado à terra, e o pão que a terra produzir será farto e nutritivo.

O Messias vindouro quere que, na terra e na vida de cada um de nós, haja frutos abundantes (Leit.).Para isso, dar-nos-á as orientações necessárias, porque Ele é o Caminho: «É este o caminho, tratai de o seguir» (Leit.). E curará as nossas feridas: «O Senhor tratará a ferida do seu povo».

Ele pede aos discípulos que continuem a sua missão, e o mesmo nos pede a nós. Procuremos ensinar os outros a abandonarem a sua vida cómoda, mostremos o caminho da felicidade aos que andam desorientados, como ovelhas sem pastor (Ev.). Acompanhemos o nosso trabalho de evangelização com a oração: «pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara» (Ev.). Louvemos Nª Senhora pelo bendito fruto do seu ventre.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         D. Joaquim Gonçalves

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 

 


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