aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

PAPA VISITA

ILHA DE LAMPEDUSA

 

No passado dia 8 de Julho, o Papa Francisco deslocou-se em visita à ilha de Lampedusa, pequena ilha no extremo sul da Itália, ponto de chegada de tantos prófugos que tentam alcançar as costas da Europa, a partir do norte de África, muitas vezes com risco de vida.

 

Eis o texto do comunicado da Sala de Imprensa do Vaticano: “O Papa Francisco, profundamente tocado pelo recente naufrágio de uma embarcação que transportava migrantes provenientes da África, último de uma série de análogas tragédias, deseja rezar por aqueles que perderam a vida no mar, visitar os sobreviventes e os prófugos presentes, encorajar os habitantes da ilha e fazer apelo à responsabilidade de todos para que tomem a seu cuidado estes irmãos e irmãs em extrema necessidade. Em razão das circunstâncias particulares, esta visita terá lugar na forma mais discreta possível, mesmo no que diz respeito à presença dos bispos da região e das autoridades civis.”

Chegado a Lampedusa de avião, o Papa embarcou numa corveta, acompanhado de muitas outras embarcações, numa viagem de quase meia hora que o levou ao porto da ilha. No percurso, Francisco reservou longos minutos à oração silenciosa, no final da qual lançou ao mar um ramo de flores, em memória dos que perderam a vida; e traçou uma cruz sobre este mar que tem sido tantas vezes sepultura. Mais tarde presidiu à celebração da Missa, com textos para a remissão dos pecados, e a cor litúrgica roxa.

 

 

ANO DA FÉ

DE SEMINARISTAS E NOVIÇAS

 

Transparência, autenticidade e coerência: são as características que deveriam ter quantos decidem consagrar a própria vida a Deus na Igreja.

 

O Papa Francisco enumerou-as na tarde de sábado 6 de Julho, encontrando-se na sala Paulo VI com milhares de jovens em caminho vocacional, para os quais no dia seguinte celebrou a Missa na basílica vaticana. Através de um longo discurso improvisado, o Pontífice exortou os seminaristas e as noviças à alegria autêntica – não aquela que vem «do último modelo de smartphone ou do carro que dá nas vistas» – e relançou a importância da formação, da vida comunitária e da missionariedade.

 

 

MODIFICADAS

AS NORMAS PENAIS DO VATICANO

 

Abolição da prisão perpétua, substituída por um período de reclusão que varia de 30 a 35 anos; enunciação do justo processo dentro dum prazo razoável e da presumível inocência do réu; definição do delito de divulgação de notícias e de documentos; reformulação do delito de abuso de menor, com uma pormenorizada especificação de casos.

 

São estas algumas das principais inovações introduzidas no ordenamento penal do Estado da Cidade do Vaticano. Trata-se das providências contidas em três novas leis, publicadas no passado dia 11 de Julho, com as quais a Pontifícia Comissão para o Estado da Cidade do Vaticano legisla sobre normas complementares em matéria penal, modificações do código penal e do código de procedimento penal, e sobre normas gerais em tema de sanções administrativas.

Em síntese, dá continuidade à reforma iniciada por Bento XVI com as leis emanadas em fins de 2010, para dotar a Santa Sé de instrumentos necessários para prevenir e contrastar a criminalidade, favorecendo a cooperação judiciária internacional também sobre a lavagem de dinheiro e o terrorismo. Uma necessidade – como explicou o Juiz do Tribunal do Vaticano Giuseppe Dalla Torre – para adequar o ordenamento penal vaticano às multíplas Convenções internacionais assinadas e ratificadas pelo Estado, e responder às recomendações da comissão Moneyval a propósito da criminalização de novos casos penais, da modificação das normas gerais em matéria de jurisdição, da redefinição do sistema de cooperação judiciária internacional, além da disciplina da responsabilidade administrativa das pessoas jurídicas derivante de crime.

Com a introdução das normas relativas a esta última matéria, de hoje em diante o juiz vaticano poderá averiguar também sobre delitos e crimes cometidos em todos os organismos da cúria e repartições vaticanas. As novas leis foram aprovadas pelo Papa Francisco o qual, com um motu proprio alarga expressamente a jurisdição penal dos órgãos judiciários  vaticanos do Estado da Cidade do Vaticano aos empregados da Santa Sé em relação aos delitos indicados nas supracitadas leis.

 

 

PRÓXIMO

DIA MUNDIAL DA PAZ

 

“Fraternidade, fundamento e caminho para a paz”, é o tema do 47° Dia Mundial da Paz, a ser celebrado no dia 1 de Janeiro de 2014.

 

O Dia Mundial da Paz foi uma iniciativa do Papa Paulo VI e é celebrado no primeiro dia de cada ano. A mensagem para o Dia Mundial da Paz é enviada às Igrejas particulares e às Chancelarias de todo o mundo, para lembrar o valor essencial da paz e a necessidade de se trabalhar incansavelmente para alcançá-la.

 O Papa Francisco escolheu como tema da sua primeira Mensagem para o Dia Mundial da Paz a fraternidade. Desde o início do seu ministério como bispo de Roma, o Papa tem sublinhado a importância de superar uma certa “cultura do desperdício” e de promover a “cultura do encontro”, para caminharmos rumo à realização de um mundo mais justo e pacífico.

A cultura do bem-estar faz perder o sentido da responsabilidade e da relação fraterna. Os outros, em vez de serem nossos “semelhantes”, aparecem como antagonistas ou inimigos, e são muitas vezes “coisificados”. Não é raro que os pobres e necessitados sejam considerados um “fardo”, um impedimento ao desenvolvimento. No melhor dos casos, são objecto de ajuda assistencial ou de compaixão. Ou seja, eles não são vistos como irmãos, chamados a partilhar os dons da criação, os bens do progresso e da cultura, a participar na mesma mesa da vida em plenitude, a serem protagonistas do desenvolvimento integral e inclusivo.

Num mundo em que aumenta constantemente a interdependência, não pode faltar o bem da fraternidade, que vence a propagação daquela globalização da indiferença, que o Papa Francisco mencionou várias vezes. A globalização da indiferença deve dar lugar a uma globalização da fraternidade.

O Papa Francisco, no início do seu ministério, com uma mensagem que está em continuidade com as dos seus Predecessores, propõe a todos a via da fraternidade, para dar um rosto mais humano ao mundo.

 

 

PAPA INSTITUI COMISSÃO

DE SEGURANÇA FINANCEIRA

 

No dia 8 de Agosto, o Papa Francisco emanou um Motu proprio para a prevenção e o combate à lavagem de dinheiro, ao financiamento do terrorismo e à proliferação de armas de destruição massiva, em continuidade com a obra já empreendida por Bento XVI neste âmbito, com o Motu proprio de 30 de Dezembro de 2010.

 

Em particular, com o novo Motu proprio amplia-se a aplicação das leis do Vaticano nesta matéria aos Dicastérios da Cúria Romana e aos outros organismos e entidades dependentes da Santa Sé, assim como às organizações sem finalidades de lucro, com personalidade jurídica canónica e com sede no Estado da Cidade do Vaticano. Fortalece-se a função de vigilância e de regulamentação da Autoridade de Informação Financeira (AIF).

Institui-se a função de vigilância prudencial das entidades que desempenham profissionalmente uma actividade de natureza financeira, correspondendo assim a uma recomendação da Comissão Moneyval do Conselho da Europa, atribuindo-a à AIF. Institui-se a Comissão de Segurança Financeira, cujo estatuto está anexo ao Motu proprio, com a finalidade de coordenar as Autoridades competentes da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano em matéria de prevenção e de combate à lavagem de dinheiro, ao financiamento do terrorismo e à proliferação de armas de destruição de massa.

 

 

VISITANTE INESPERADO

 

O Papa Francisco na área industrial da Cidade do Vaticano

 

A visita que ninguém imagina, numa manhã qualquer do mês de Agosto, quando a cidade parece esvaziar-se e há pouco iniciou o dia de trabalho: numa carpintaria, numa central térmica, numa oficina de hidráulica, num depósito ou na redacção de um jornal, sem distinção. E o Papa apresenta-se imprevistamente à porta e diz com simplicidade «Bom dia».

Depois, começa a perguntar sobre o trabalho, quantos são, e no final aperta a mão de cada um, de colegas incrédulos e alegremente surpreendidos e despede-se com um sorridente «bom trabalho». Aconteceu na manhã de sexta-feira 9 de Agosto a quantos trabalhavam na minúscula área industrial da Cidade do Vaticano, onde se encontra também desde 1929 a sede de L'Osservatore Romano: pouco depois das 9 horas viu-se o Papa Francisco chegar com um carro normal com placa italiana, acompanhado por monsenhor Fabián Pedacchio Leaniz.

Entrou primeiro na carpintaria, entreteve-se em volta dos balcões com os empregados que o fitavam com olhos arregalados. Depois foi à oficina dos ferreiros e à central térmica, onde ouviu com interesse as explicações de um trabalhador do turno matutino, apertou a mão dos outros três que saíram, admirados, por detrás das grandes turbinas da central e depois de alguns passos, chegou à oficina  hidráulica.

Imediatamente circundado pelos trabalhadores, o Papa Francisco apertou a mão de todos, respondeu às saudações de agradecimento e dirigiu-se a todos com o seu grande sorriso. Também aos jornalistas e funcionários de L'Osservatore Romano, que saíram à janela surpreendidos para o aplaudir, o Papa saudou, acenando com a mão.

Depois, entrou de novo no carro do seu mordomo, Sandro Mariotti, e voltou para Santa Marta. Tudo isto, em pouco menos de vinte minutos. Um tempo breve mas suficiente para conhecer pessoalmente um ângulo pouco visível mas importante do mundo vaticano, cujas estruturas remontam aos primeiros anos do Pontificado de Pio XI. Foi uma bonita surpresa para todos. E acredita-se que não será a última.

Mario Ponzi

 

 

NOVO SECRETÁRIO DE ESTADO

 

O Papa Francisco nomeou Secretário de Estado o arcebispo Pietro Parolin, até agora núncio apostólico na Venezuela.

 

Na manhã de sábado 31 de Agosto, o Pontífice anunciou que aceitou a renúncia do Cardeal Tarcisio Bertone – que desempenhava este cargo desde 15 de Setembro de  2006 –, pedindo-lhe para permanecer na função até ao próximo dia 15 de Outubro, quando Mons. Parolin tomará posse do seu novo cargo. Naquela ocasião, o Santo Padre receberá em audiência os superiores e os oficiais da Secretaria de Estado para agradecer ao Cardeal Bertone o serviço prestado nestes anos e apresentar o seu sucessor.

Com 58 anos, originário de Schiavon, na região de Vicenza, onde nasceu a 17 de Janeiro de 1955, Mons. Pietro Parolin conta com uma longa experiência no serviço diplomático da Santa Sé, iniciado em 1986 na representação pontifícia na Nigéria e continuado em 1989 no México. A partir de 1992 trabalhou na Secretaria de Estado, durante 17 anos, dos quais os últimos sete como Subsecretário para as Relações com os Estados, antes de ter sido enviado para a Venezuela, como núncio apostólico, em 2009.

 

 

MISSA DO

PAPA EMÉRITO

 

O Papa emérito celebrou Missa para os participantes no encontro anual dos seus ex-alunos.

 

Estamos no caminho certo quando nos tornamos pessoas que «descem» para servir, levando a gratuidade de Deus ao mundo. Afirmou Bento XVI na Missa celebrada na manhã de domingo, 1 de Setembro, na capela da Santa Maria Mãe da Família, no palácio do Governatorado do Estado da Cidade do Vaticano, por ocasião do tradicional  seminário de Verão dos seus ex-alunos, o chamado Ratzinger Schülerkreis.

O encontro dos estudantes de Joseph Ratzinger realizou-se, como de costume, em Castel Gandolfo; mas, este ano, Bento XVI não participou nos trabalhos. A 38.ª edição foi dedicada à «questão de Deus no âmbito da secularização», à luz da produção filosófica e teológica de Rémi Brague, filósofo e historiador francês ao qual foi atribuído o Prémio Ratzinger de 2012 para a teologia.

Cada um deseja encontrar o seu lugar bom na vida; mas qual é verdadeiramente este lugar certo? A homilia do Papa emérito foi, no fundo, uma resposta a esta pergunta, começando pelo Evangelho dominical, no qual Jesus convida precisamente a escolher o último lugar. «Um lugar que pode parecer muito bom, pode revelar-se depois  um lugar muito ruim», disse: pode acontecer que «os primeiros» sejam invertidos e imprevistamente se tornem os «últimos». Também durante a Última Ceia os discípulos discutiam acerca dos lugares melhores: pelo contrário, Jesus apresenta-se como aquele que serve.

«Nascido no estábulo» e «morto na Cruz»  – afirmou Bento XVI – «diz-nos que o lugar certo é perto dele, o lugar segundo a sua medida». E o apóstolo, como enviado de Cristo, «é  o último na opinião do mundo», mas exactamente por isso está próximo de Jesus.

 

 

JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE

NO RIO DE JANEIRO

 

Uma grande «festa da fé e da fraternidade»: foi assim que o Papa Francisco recordou o espírito da Jornada Mundial da Juventude celebrada de 22 a 28 de Julho passado no Rio de Janeiro.

 

Na audiência geral de quarta-feira, 4 de Setembro, na praça de São Pedro, o Pontífice dedicou a catequese à viagem ao Brasil, exortando os jovens a serem «força de amor e de misericórdia com a coragem de transformar o mundo». Em particular, o Papa resumiu em três palavras a experiência vivida naqueles dias no Rio de Janeiro: acolhimento, festa e missão. E pediu aos jovens que sejam «uma esperança de Deus» e «uma esperança para a Igreja» através do compromisso de construir «fraternidade, partilha, obras de misericórdia, para tornar o mundo mais justo e bom, para o transformar».

O Papa Francisco voltou a frisar a beleza do entusiasmo dos jovens e marcou encontro com eles para a próxima Jornada Mundial da Juventude, que se realizará em Cracóvia em 2016, com uma menção especial ao Beato João Paulo II.

 

 

NOVA ENCÍCLICA

 

«Bem-aventurados os pobres» é o título da nova encíclica em que o Papa Francisco está a trabalhar, centrada na pobreza, tema de eleição do Santo Padre.

 

Segundo a Rádio Vaticano, o texto deverá interpretar a pobreza do ponto de vista evangélico e não no sentido ideológico ou político.

O Papa argentino estará também a trabalhar na exortação apostólica sobre a nova evangelização que deverá ser publicada a 24 de Novembro, data em que o Ano da Fé chega ao seu termo.

O documento retoma o conteúdo e o esboço da exortação pós-sinodal da Assembleia Geral dos bispos sobre a nova evangelização, realizada no Vaticano em Outubro passado, e segundo o próprio Papa, o tema será abordado num contexto mais amplo, inspirando-se na «Evangelii nuntiandi», exortação de Paulo VI, de 1975.

O Papa Francisco renunciou às férias em Castel Gandolfo e passou o mês de Agosto no Vaticano a trabalhar.

 

DIA DE ORAÇÃO E JEJUM

PELA PAZ NA SÍRIA

 

«Peço que seja empreendido com coragem e decisão o caminho do encontro e da negociação». O Papa Francisco volta a propor, com o tweet lançado no passado dia 9 de Setembro, o caminho que deve ser seguido para restituir a paz às martirizadas populações da Síria e de todo o Médio Oriente.

 

«A paz é possível»: para reafirmar esta convicção tinha reunido à sua volta no sábado dia 7, na Praça de São Pedro, ao anoitecer do dia inteiramente dedicado ao jejum e à oração, mais de cem mil pessoas que quiseram manifestar um planetário desejo de paz. Com elas e para elas repetiu o urgente grito a pôr fim a qualquer forma de violência e ao mal que ela gera. «A violência e a guerra – foi a sua mensagem – nunca são o caminho da paz».

«Para que serve fazer guerras, tantas guerras, se não se é capaz de fazer esta guerra profunda contra o mal?», perguntou depois o Papa no domingo seguinte, falando aos fiéis reunidos para a recitação do Angelus. «Há sempre a dúvida – acrescentou – se esta guerra aqui ou ali é deveras uma guerra devido a problemas ou é uma guerra comercial para vender estas armas no comércio ilegal».

«Estes – explicou – são os inimigos que devemos combater unidos e com coerência, sem seguir outros interesses a não ser o da paz e do bem comum». Por fim, o Papa Francisco quis agradecer a todos os que, de diversos modos, aderiram à vigília de oração e de jejum.

 

 

ENCONTRO DO PAPA COM

RESPONSÁVEIS DA CÚRIA ROMANA

 

Na manhã do passado dia 10 de Setembro, o Papa Francisco teve um encontro com os mais altos responsáveis dos diferentes organismos da Santa Sé: nomeadamente os Prefeitos das diversas Congregações e os Presidentes dos Conselhos Pontifícios da Cúria Romana. No encontro participaram também o Presidente do Governatorado e o Cardeal Vigário para a diocese de Roma.

 

Já nos últimos meses o Papa se tinha encontrado pessoalmente com todos e cada um destes responsáveis, em amplos colóquios pessoais. Nessa manhã, encontrou-os conjuntamente, numa reunião por ele presidida, a seis meses da sua eleição.

“Uma reunião que visava – segundo informa um comunicado – escutar as considerações e conselhos dos principais colaboradores do Papa em Roma, e que se insere naturalmente no contexto de aplicação das sugestões apresentadas pelos Cardeais nas Congregações em preparação do Conclave e na reflexão do Santo Padre sobre o governo da Igreja, que em breve terá um outro importante momento com a reunião de 8 cardeais, no princípio de Outubro. Esta audiência teve início às 10 horas e concluiu-se pouco antes das 13”.

 

 

CARTA DO PAPA

SOBRE FÉ E LAICIDADE

 

Ir ao encontro dos outros, dialogar com os que não partilham a mesma fé e as mesmas crenças – esta é uma proposta insistente do Papa Francisco, desde o início do seu pontificado. Uma atitude uma vez mais expressa na “Carta aos que não crêem” que acaba de dirigir ao jornalista fundador do quotidiano italiano La Reppublica.

 

Em dois artigos formulados em jeito de carta aberta ao Papa Francisco, e publicados em 7 de Julho e 7 de Agosto, Eugenio Scalfaro lançara uma série de questões sobre a fé e a vida cristã, citando nomeadamente a Encíclica Lumen fidei.

Com a sua carta, publicada nas três primeiras páginas da edição de 11 de Setembro de La Reppublica, o Papa põe em acto um dos objectivos daquela Encíclica: um diálogo sério e rigoroso com um não crente que em todo o caso permanece interessado e fascinado pelas questões ligadas à Fé. Um diálogo que assume todo o seu sentido nas nossas sociedades tão pouco sensíveis à transcendência e à questão de Deus.

Nomeadamente o paradoxo de entender que a Fé, que deveria iluminar a vida dos Homens, ser considerada, desde a época moderna, como um amontoado de superstições oposto à luz da Razão. Daqui a necessidade de empreender um diálogo aberto, sem preconceitos, para um encontro fecundo. Um diálogo que não é mundanidade, mas um imperativo, para o crente, que tem a obrigação de testemunhar a sua fé e de testemunhar Cristo.

Assim, o Papa recorda que a sua Fé nasceu do encontro com Jesus, um encontro pessoal que tocou o seu coração e deu um sentido à sua existência. Um encontro que se tornou possível graças à comunidade dos crentes, a Igreja, que torna acessíveis as Escrituras, que dispensa os Sacramentos, que assenta na fraternidade e na atenção aos irmãos e irmãs mais pobres.

É a partir deste ponto central na sua vida, a sua Fé, que o Papa começa o seu diálogo com o jornalista de La Reppublica. Francisco parte de Cristo, da sua vida, da sua mensagem – o coração da Fé cristã, o exemplo a seguir. A sua incarnação, a sua partilha das nossas vitórias ou falências, das nossas alegrias e tristezas, numa palavra, da nossa condição – testemunha o amor de Deus pelos Homens, que são todos filhos de Deus, à imagem de Cristo. Um amor mais forte do que o pecado, do que a morte.

“Pergunta-me se o Deus dos cristãos perdoa àqueles que não crêem e não procuraram a fé” – escreve o Papa, que coloca como premissa o facto de que “a misericórdia de Deus não tem limites, se uma pessoa se Lhe dirige com coração sincero e contrito”. E logo acrescenta: “Para quem não crê em Deus, a questão é obedecer à sua consciência. Escutá-la e obedecer-lhe significa tomar decisões perante o que é advertido como bem ou mal. E é sobre esta decisão que se joga a bondade ou maldade de uma nossa acção”.

Relativamente à Verdade absoluta, o Papa Francisco observa que, mesmo para os cristãos, a verdade é sempre uma relação, relação com Jesus, e portanto caminho permanente, o que ainda assim não a torna num elemento “variável e subjectivo”.

Para a Fé cristã, a Verdade é o Amor de Deus por nós, em Jesus Cristo. O “caminho” para a encontrar é feito de humildade e de abertura para a acolher e exprimir. “Apesar de todas as suas lentidões, infidelidades, erros e pecados que possa ter cometido e que pode ainda cometer através dos que a compõem, a Igreja – creia-me – não tem outro sentido nem outro fim que não seja testemunhar Jesus” – conclui o Papa.

 

 

JORNADA MARIANA

EM OUTUBRO

 

O Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização divulgou o programa da Jornada Mariana de Roma, que se realiza em 12 e 13 de Outubro e conta com a imagem de Nossa Senhora de Fátima do Santuário.

 

A imagem de Nossa Senhora de Fátima, que se venera na Capelinha das Aparições, a pedido do Papa emérito Bento XVI estará presente em Roma durante estes dois dias.

Este pedido manteve-se com o Papa Francisco que, no dia 13 Outubro, na presença deste “ícone” consagrará o mundo ao Imaculado Coração de Maria 

No dia 12 de Outubro, a partir da 19h00, espera-se a chegada da Estátua de Nossa Senhora de Fátima ao Santuário da Divina Misericórdia e o começo do tempo de oração intitulado «Com Maria durante a noite», destinado a dois momentos que incluí a recitação do terço e uma vigília de oração.

 “É um desejo vivo do Santo Padre que a Jornada Mariana possa ter como especial sinal  um dos ícones marianos entre os mais significativos para os cristãos em todo o mundo e, por esse motivo, pensámos na amada estátua original de Nossa Senhora de Fatima”, explicou Mons. Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho.

A Jornada Mariana, inserida no programa do Ano da Fé, tem como tema “Feliz és Tu que acreditaste!” e os responsáveis assinalam que estarão no Vaticano “todas as associações marianas”.

 


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