acontecimentos eclesiais

DO PAÍS

 

 

LEIRIA

 

ANO AGOSTINIANO

ENCERRA EM BELEZA

 

A cantata Santo Agostinho, o cantor da sede de Deus, executada (domingo 14 de Novembro passado) na Sé de Leiria completamente cheia, com cerca de um milhar de pessoas, atentas e silenciosas, encerrou, em clima de grande beleza e harmonia, o Ano Agostiniano, em que se celebraram os 1650 anos do nascimento do padroeiro da diocese de Leiria-Fátima.

 

O prolongado aplauso da assistência ao solista, coro e orquestra, que executaram a obra musical composta pelo padre António Cartageno para esta ocasião, demonstrou bem a satisfação geral pelo momento de elevação espiritual e estética vivido na catedral. Concretizou-se bem o apelo do bispo de Hipona: louvamos a Deus agora que nos encontramos reunidos na igreja. Mas ele acrescenta: Não deixes de viver santamente e louvarás sempre a Deus. Deixas de o louvar quando te afastas da justiça e do que lhe agrada. Se nunca te desviares do bom caminho, ainda que se cale a tua língua, clamará a tua vida. É um apelo à continuidade.

Nos dias anteriores, teve lugar uma outra realização agostiniana: o Congresso O Homem, Deus e a Cidade. Durante ele, vários especialistas expuseram múltiplos aspectos da vida e do pensamento do autor das Confissões e da Cidade de Deus. Da vasta mensagem, impossível de resumir em poucas palavras, destacamos o seguinte: S. Agostinho fala do Deus que encontrou e lhe satisfaz plenamente a sua sede de ser, saber e amar. Nos seus inúmeros escritos, testemunha-O como a resposta para as inquietações e desejos mais profundos da alma humana. A sua experiência e pensamento sobre o mistério de Deus como Trindade continua a ser um desafio para as interrogações do homem actual. Foi na Sagrada Escritura que encontrou a Palavra divina que lhe abriu a porta da conversão. A reflexão agostiniana sobre a sua própria experiência espiritual e sobre Deus pode iluminar algumas das questões do homem moderno: o seu desejo de felicidade, as desolações pelas suas debilidades, as dificuldades de viver a fé num contexto de confronto com outras convicções e as tensões entre a solidão e a comunhão. A sabedoria da fé permite-nos aprender a conviver com o respeito pelos outros e suas diversas convicções, mantendo a própria. S. Agostinho soube usar das linguagens e pensamentos correntes no seu tempo e, ao mesmo tempo, superá-las pela perspectiva cristã da pessoa e do amor divino na comunhão trinitária, da relação mútua e do dom recíproco entre as pessoas. Ele continua a ser mestre de fé e vida cristã para hoje.

Os eventos mencionados concluem um ano recheado de mais de duas dezenas de realizações, que incluíram iniciativas de estudo e reflexão, manifestações artísticas, não apenas musicais mas também de teatro e pintura, momentos de meditação e de oração, para o aprofundamento e assimilação espiritual, peregrinações a Fátima e aos lugares africanos do itinerário agostiniano, e celebrações, em várias ocasiões, e, finalmente, as publicações de vários estudos e documentação. Com todas as actividades mencionadas, multiplicaram-se as possibilidades de as pessoas acederem ao conhecimento da pessoa, vida e pensamento do sábio e santo doutor da Igreja Católica. (...)

 

Pe. Jorge Manuel Faria Guarda

 

 

LISBOA

 

NOVA CONCORDATA

ENTRA EM VIGOR

 

As importantes mudanças na Igreja e em Portugal, depois do Concílio Vaticano II e da Revolução de 25 de Abril, além da evolução social desde 1940, tornavam evidente a necessidade de uma nova regulamentação das relações entre a Santa Sé e a República Portuguesa. A troca de instrumentos de ratificação da nova Concordata entre Portugal e a Santa Sé marcou, no passado 18 de Dezembro, a entrada em vigor do tratado.

 

A cerimónia da troca de instrumentos de ratificação contou com a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros português, António Monteiro, e o Secretário para as relações com os Estados da Santa Sé, Arcebispo Giovanni Lajolo, que se mostrou satisfeito com o documento.

Trata-se de um acto fundamental de alcance histórico, salientou o Arcebispo Lajolo, recordando os dois grandes princípios que inspiram o novo texto concordatário: o da «liberdade da Igreja» de manifestar-se na sua verdadeira identidade; e o da «cooperação», que permite à Igreja, no respeito pela competência própria do Estado, de associar-se a outras instituições públicas e privadas no serviço da sociedade, para o bem do homem.

Para o chefe da diplomacia vaticana, todas as novas normas têm grande relevo social, e todas estão igualmente vinculadas, elaboradas, considerando a Constituição Portuguesa de 1976 e as directivas do Concílio Vaticano II.

António Monteiro, por seu turno, recordou a história das relações entre o Estado e a Igreja Católica, considerando que a nova Concordata irá consolidar este relacionamento profícuo e pacífico entre Portugal e o Vaticano.

«Esta é uma Concordata para o século XXI», apontou, destacando os princípios de «autonomia e independência da Igreja e do Estado», cada qual na sua própria ordem. O ministro saudou o «espírito de cooperação» confirmado pela Concordata, sem prejuízo da igualdade jurídico-constitucional das religiões e cultos praticados em Portugal.

 

Mudanças a concretizar

 

Como prevê o documento, será constituída uma comissão paritária entre as duas partes e iniciar-se-ão conversações sobre alguns aspectos que o tratado remete para mais tarde. O artigo 28 do tratado refere que «o conteúdo da presente Concordata pode ser desenvolvido por acordos celebrados entre as autoridades competentes da Igreja Católica e da República Portuguesa». O ponto seguinte (artigo 29) da Concordata define as atribuições da Comissão paritária, que são as de «procurar, em caso de dúvidas na interpretação do texto da Concordata, uma solução de comum acordo» e de «sugerir quaisquer outras medidas tendentes à sua boa execução».

A Concordata irá trazer novas regras a nível de fiscalidade, património cultural, educação e assistência religiosa nas instituições públicas.

 

 

LISBOA

 

TAIZÉ:

ENCONTRO EUROPEU DE JOVENS

 

O Encontro Europeu de Jovens, promovido pela Comunidade de Taizé, reuniu no Parque das Nações, de 28 de Dezembro a 1 de Janeiro passado, 40 milhares de jovens a orar e motivou a solidariedade de grande parte da população da cidade.

 

Na sua origem esteve um convite do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, ao Irmão Roger. «Pedimos à Comunidade de Taizé que arriscasse realizar o Encontro em Portugal, neste ano em que estamos mobilizados para o Congresso da Nova Evangelização».

A resposta da população não deixou surpreendido o Patriarca, que considera os portugueses um povo acolhedor. «São estes momentos muito simples que ajudam a criar os laços que são tão importantes para a nossa Europa e o nosso mundo de hoje».

O bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, acompanhou de perto vários momentos do Encontro. «Verifiquei que jovens e adultos se reuniram para partilhar o que a Comunidade de Taizé tinha para oferecer, de uma forma surpreendente. Agora temos a necessidade de dar continuidade localmente, através dos grupos que vieram a esta iniciativa».

D. Manuel Pelino, bispo de Santarém, diocese que muito participou no Encontro, destaca a herança deixada pela preocupação de unidade que é distintivo da Comunidade de Taizé. O prelado espera que o Encontro possa despertar nos cristãos uma atitude interior de diálogo, universalidade e procura de paz.

O Irmão Roger, fundador da Comunidade de Taizé, esteve presente no Encontro, para o qual enviara previamente uma carta dirigida aos jovens cristãos – católicos, protestantes, ortodoxos – intitulada «Um Futuro de Paz», que serviu de base para a reflexão desses dias.


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