Nosso Senhor Jesus Cristo Rei

24 de Novembro de 2013

 

Solenidade

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: O Cordeiro que foi imolado, J. Santos, NRMS 92

Ap 5, 12; 1, 6

Antífona de entrada: O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder e a riqueza, a sabedoria, a honra e o louvor. Glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Jesus é Rei de reis e Senhor de senhores. Quer reinar no coração de todos os homens para lhes comunicar a paz e o calor do amor de Deus.

Vem até nós em cada domingo, para nos encher da Sua graça, para que sejamos portadores da alegria da Sua salvação para todos os homens à nossa volta.

 

Limpemos o nosso coração pelo arrependimento dos nossos pecados, para que Jesus reine em nós de verdade.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que no vosso amado Filho, Rei do universo, quisestes instaurar todas as coisas, concedei, propício que todas as criaturas, libertas da escravidão, sirvam a vossa majestade e Vos glorifiquem eternamente. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O rei David é figura de Jesus. Deus prometeu-lhe que da sua descendência nasceria o Messias, que seria rei para sempre.

 

2 Samuel 5, 1-3

1Naqueles dias, todas as tribos de Israel foram ter com David a Hebron e disseram-lhe: «Nós somos dos teus ossos e da tua carne. 2Já antes, quando Saúl era o nosso rei, eras tu quem dirigia as entradas e saídas de Israel. E o Senhor disse-te: ‘Tu apascentarás o meu povo de Israel, tu serás rei de Israel’». 3Todos os anciãos de Israel foram à presença do rei, a Hebron. O rei David concluiu com eles uma aliança diante do Senhor e eles ungiram David como rei de Israel.

 

Aqui David é ungido em Hebron como rei de Israel. Se bem que já tinha sido ungido perante os seus irmãos por Samuel (1 Sam 16), só a partir deste momento é que David é reconhecido como rei por todas as tribos; ele é a figura de Cristo, Rei de todos os homens.

2 «Entradas e saídas» é uma expressão muito corrente nas Escrituras e que é uma rica metáfora para indicar toda a vida duma pessoa, o seu dia a dia, a vida corrente. De facto, por um lado, a vida do homem sobre a terra está enquadrada por dois momentos decisivos: uma entrada ao nascer e uma saída ao morrer; por outro lado, como as casas não eram para se viver nelas, toda a vida se desenrolava entre um sair de casa para trabalhar e um entrar para descansar.

 

Salmo Responsorial     Sl 121 (122), 1-2.4-5 (R. cf. 1)

 

Monição: O salmo 121 canta a cidade de Jerusalém, escolhida por David para capital do seu reino. Ela é figura da Jerusalém celeste, onde todos queremos reinar para sempre com Cristo nosso Rei.

 

Refrão:        Vamos com alegria para a casa do Senhor.

 

Alegrei-me quando me disseram:

«Vamos para a casa do Senhor».

Detiveram-se os nossos passos

às tuas portas, Jerusalém.

 

Jerusalém, cidade bem edificada,

que forma tão belo conjunto!

Para lá sobem as tribos,

as tribos do Senhor.

 

Para celebrar o nome do Senhor,

segundo o costume de Israel;

ali estão os tribunais da justiça,

os tribunais da casa de David.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S.Paulo proclama a realeza de Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Alegremo-nos porque Deus nos chamou a fazer parte do Reino do Seu Filho muito amado.

 

Colossenses 1, 12-20

 

Irmãos: 12Damos graças a Deus Pai, que nos fez dignos de tomar parte na herança dos santos, na luz divina. 13Ele nos libertou do poder das trevas e nos transferiu para o reino do seu Filho muito amado, 14no qual temos a redenção, o perdão dos pecados. 15Cristo é a imagem de Deus invisível, o Primogénito de toda a criatura; 16porque n’Ele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, visíveis e invisíveis, Tronos e Dominações, Principados e Potestades: por Ele e para Ele tudo foi criado. 17Ele é anterior a todas as coisas e n’Ele tudo subsiste. 18Ele é a cabeça da Igreja, que é o seu corpo. Ele é o Princípio, o Primogénito de entre os mortos; em tudo Ele tem o primeiro lugar. 19Aprouve a Deus que n’Ele residisse toda a plenitude 20e por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas, estabelecendo a paz, pelo sangue da sua cruz, com todas as criaturas na terra e nos céus.

 

O texto da nossa leitura, com um certo sabor de um hino a Cristo, condensa o ensino central desta carta do cativeiro, e é uma das belas e ricas sínteses da cristologia paulina. Em face da chamada «crise de Colossas», em que alguns põem em causa a primazia absoluta de Cristo, colocando-O ao nível de outros seres superiores e intermédios, quer da cultura pagã, quer da cultura judaica, S. Paulo ensina peremptoriamente a mais completa supremacia de Cristo na ordem da Criação – vv. 15-17 – e na ordem da Redenção – vv. 18-20, em virtude da sua acção redentora, que reconcilia todas as coisas com Deus na paz.

15-16 «Cristo é a imagem de Deus invisível». Imagem, para um semita, não é simplesmente a figuração duma realidade, de natureza distinta, mas é, antes de mais, a exteriorização sensível da própria realidade oculta e da sua mesma essência. Assim, é afirmada a divindade de Cristo, o qual nos torna visível e tangível o próprio Deus invisível e transcendente (cf. Jo 1, 18; 14, 9-11; 2 Cor 4, 4; Hbr 1, 3). Cristo também é «o Primogénito de toda a criatura», no sentido da sua preeminência única sobre todas as criaturas, não só por Ele existir antes de todas, não, porém, no sentido ariano de primeira criatura, mas enquanto todas foram criadas «n’Ele», «por Ele» e «para Ele» (v.16). Não se diz no texto que Cristo seja uma criatura primogénita, mas o que se diz é que Ele é primogénito porque está acima de todas as criaturas, e porque «em tudo Ele tem o primeiro lugar» (v. 18); também Jacob era primogénito, embora não tivesse nascido primeiro que Isaú.

18-20 Na ordem da Graça e da Redenção, também «em tudo Ele tem o primeiro lugar» (v. 18), pois Ele é a «cabeça da Igreja, que é o seu corpo», é o «Princípio, o Primogénito (o primeiro a ressuscitar) entre os mortos». Enfim, «aprouve a Deus que residisse n’Ele a plenitude», isto é, a totalidade de todos os tesouros da graça que Deus comunica ao homens depois do pecado, em ordem à reconciliação que Ele realiza «pelo sangue da sua Cruz» (v. 20). Em Col 2, 9 diz-se que em Cristo «habita corporalmente toda a plenitude da natureza divina».

Em suma, como se exprime, em rica síntese, a Bíblia de Pirot, Cristo tem a supremacia absoluta em todos os aspectos: na ordem natural, pela criação (vv. 16.17); na ordem da graça, como Redentor (v. 20); na ordem moral e mística, como Cabeça do Corpo Místico (v. 18a); e na ordem escatológica, pela sua Ressurreição (v. 18b).

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Na cruz o bom ladrão fez um acto de fé maravilhoso em Jesus e na Sua realeza. Aclamemos com alegria a Jesus Cristo Rei, presente nesta Eucaristia.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação-2, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Bendito O que vem em nome do Senhor!

Bendito o reino do nosso pai David!

 

 

Evangelho

 

Lucas 23, 35-43

35Naquele tempo, os chefes dos judeus zombavam de Jesus, dizendo: «Salvou os outros: salve-Se a Si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito». 36Também os soldados troçavam d’Ele; aproximando-se para Lhe oferecerem vinagre, diziam: 37«Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo». Por cima d’Ele havia um letreiro: «Este é o Rei dos judeus». 38Entretanto, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-O, dizendo: «Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também». 40Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o: «Não temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? 41Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo das nossas más acções. Mas Ele nada praticou de condenável». 42E acrescentou: «Jesus, lembra-Te de Mim, quando vieres com a tua realeza». 43Jesus respondeu-lhe: «Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso».

 

O paradoxo de um rei crucificado, sujeito ao sarcasmo mais aviltante (vv. 35-39), é o que há de mais impensável, para Jesus poder ser anunciado como o Messias Rei, não só para os judeus, mas para toda a Humanidade. Só se pode apresentar deste modo a Jesus, se Ele é mesmo Rei de verdade, embora seja um escândalo para os judeus e uma loucura para os gentios (cf. 1 Cor 1, 23); para nós, é a salvação mais comovedora que Deus nos pode oferecer, é o Rei que nos conquista pela máxima prova de amor.

Jesus, que, diante de Pilatos, já tinha declarado o que não é a sua realeza (cf. Jo 18, 36), não explicando mais, porque o prefeito romano não se interessa pela verdade (cf. Jo 18, 38), abre agora o seu coração a um criminoso, que, do meio do seu suplício, implora arrependido a misericórdia divina. Jesus revela-lhe que realeza é a sua e onde está o seu Reino: no «Paraíso», o Céu, onde vai entrar «hoje» mesmo (v. 43), sem ser preciso esperar por uma consumação escatológica geral do final dos tempos, segundo a expressão, «quando vieres com a tua realeza» (v. 42), própria do Messias, ao dar-se a ressurreição final.

Na cena do ladrão arrependido fica patente a natureza do Reino de Cristo: é um reinado de perdão e misericórdia para conduzir os pecadores à salvação eterna.

 

Sugestões para a homilia

 

Transferiu-nos para o Reino e Seu Filho

Ele é a cabeça da Igreja

Senhor, lembra-te de mim

 

 

 Transferiu-nos para o Reino e Seu Filho

 

Termina hoje o Ano da Fé proclamado por Bento XVI e continuado pelo papa Francisco.

A fé enche-nos de alegria e de segurança no caminhar da nossa vida. Hoje lembramos uma verdade que de modo especial nos cumula de júbilo Jesus é rei do mundo inteiro. Tudo está sujeito ao Seu domínio, mesmo aqueles que O esquecem ou odeiam. Ele é rei de reis e senhor de senhores (Apoc,19,16).

Está perto dos Seus súbditos, conhece cada um de nós, quer reinar por amor no coração de cada homem.

Pelo baptismo Deus libertou-nos do poder de Satanás e transferiu-nos para o Reino de Seu Filho muito amado (2ª leit.). Agradeçamos ao Senhor esta maravilha e procuremos que reine de verdade em nossos corações, sujeitando ao domínio do Seu amor todos os nossos pensamentos e afectos, toda a nossa actividade, todas as nossas palavras e acções. É preciso que Ele reine (1 Cor 15,25) de verdade em nós, levando uma vida de santidade.

Vamos rezar com mais ardor as palavras do Pai Nosso: Venha a nós o vosso reino.

Trabalhemos para que o Seu reino se estenda por toda a terra, a começar por aqueles que vivem a nosso lado. Que conheçam e amem a Cristo, que se enamorem dele, que tomem consciência da maravilha que receberam no Baptismo: foram transferidos do reino das trevas, da tirania do demónio, para o Reino de Jesus Cristo. É um reino de justiça e de verdade, um reino de amor e de paz. E é um reino que tem garantias de eternidade.

Jesus virá um dia para ser juiz dos vivos e dos mortos. Julgará bons e maus, manifestando o Seu poder e o Seu domínio universal. Dirá aos bons, à Sua direita: Vinde benditos de Meu Pai para o Reino que vos está preparado desde o princípio do mundo (Mt 25,34).

 

 Ele é a cabeça da Igreja

 

Jesus é a imagem de Deus invisível (2ª leit).É verdadeiro Deus e criador do Universo. E é verdadeiro homem, conquistou-nos com o Seu sangue. Lavou-nos pelo baptismo, fez-nos membros do Seu Corpo, que é a Igreja. Fez dela instrumento de salvação para todos os homens. Ela é, na terra, o Reino de Deus que se vai espalhando entre os homens. Jesus confiou-lhe o tesouro da Sua doutrina, entregou-lhe os sacramentos, canais da graça que Ele nos ganhou com o Seu sangue. Encarregou-a de guiar os homens no cumprimento dos Seus mandamentos. São as riquezas da salvação que nela oferece a toda a criatura.

A Igreja é na terra o Corpo Místico de Cristo, um corpo misterioso de que fazemos parte pelo Baptismo. Jesus é a Cabeça, nós somos os membros: membros diferentes, mas participantes da mesma vida divina, que o Espírito Santo infunde nas almas.

Cristo é a fonte da graça. Aprouve a Deus que nEle residisse toda a plenitude (2ª leit).E da Sua plenitude todos nós recebemos (Jo,1,16).

Animados pelo Espírito Santo somos todos chamados à difusão do Reino de Cristo no mundo. A Igreja é chamada a crescer pelos tempos fora e a chegar a todos os homens para os salvar. Não se trata duma conquista à maneira dos reinos da terra mas dum serviço de amor e paz. E todos somos responsáveis por essa missão a partir do Baptismo. Mais obrigados nos sentimos, depois, pela confirmação.

No Corpo de Cristo todos os membros têm de colaborar na sua vida e no seu crescimento. Não é missão apenas dos sacerdotes, dos bispos e do papa. Nos princípios da Igreja – lembra o livro dos Actos dos Apóstolos – os cristãos leigos trabalharam com entusiasmo na difusão do Evangelho por todas as partes. Junto dos seus familiares, dos seus amigos, daqueles com quem se encontravam por relações de trabalho.

Temos de pedir ao Divino Espírito Santo esse dinamismo dos primeiros cristãos que os levava a comunicar a alegria da fé a todos à sua volta. Sem terem medo dos incómodos e das perseguições.

 

 

 Senhor, lembra-te de mim

 

Junto da cruz, uns insultavam a Jesus. Um dos ladrões aproveita para “roubar “o céu. Manifesta uma fé impressionante em Jesus, que parece um desgraçado, um derrotado, abandonado de todos. Ele acredita firmemente que Ele é o Salvador e que tem todo o poder. Manifesta também a sua pena pelos crimes que cometera. E Jesus faz-lhe uma promessa maravilhosa: Hoje estarás comigo no paraíso.

Ele é rei do céu e da terra. Pode dar o céu aos que se abrem ao Seu amor.

Queremos que Jesus reine em nós e nos outros que nos rodeiam. Não podemos admirar-nos nem desanimar se muitos à nossa volta desprezam a Cristo ou O odeiam. É animador o Salmo 2, que os primeiros cristãos rezavam muitas vezes. ”Porque razão se amotinam as nações e os povos maquinam planos vãos? Os reis da terra sublevam-se e os príncipes coligam-se contra o Senhor e contra o Seu Messias.

Aquele que habita nos Céus ri-se, o Senhor zomba deles – continua o salmo. São tontos os que se erguem contra Deus.

E põe na boca do Messias: “Eu, porém, fui por Ele constituído Rei sobre Sião, Seu monte santo, para anunciar os Seus preceitos. O Senhor disse-me: Tu és Meu filho, eu gerei-te hoje” (S. 2,1-3)

Como os primeiros cristãos continuaremos a trabalhar com ardor, sabendo que a vitória final é do nosso Rei.

“Para que Ele reine em mim – diz S.Josemaria – preciso da Sua graça abundante, pois só assim é que o mas imperceptível pulsar do meu coração, a menor respiração, o olhar menos intenso, a palavra mais corrente, a sensação mais elementar se traduzirão num hossana ao meu Cristo Rei” (Cristo que passa, 181).

Este santo sacerdote gostava de comparar-se ao burrinho que serviu de trono a Jesus na Sua entrada triunfal em Jerusalém, em Domingo de Ramos. “Jesus contenta-se com um pobre animal por trono. Não sei o que se passa convosco; quanto a mim, não me humilha reconhecer-me aos olhos do Senhor como um jumento: Sou como um burrinho diante de Ti; mas estarei sempre a teu lado, porque me tomaste pela tua mão direita (S.72,23-24), Tu me conduzes pelo cabresto.

Pensemos nas características do jumento, agora que vão ficando tão poucos. Não do burro velho e teimoso, rancoroso, que se vinga com um coice traiçoeiro, mas no burrinho jovem, de orelhas esticadas como antenas, austero na comida, duro no trabalho, de trote decidido e alegre. Há centenas de animais mais belos, mais hábeis e mais cruéis. Mas Cristo escolheu esse para se apresentar como rei diante do povo que O aclamava. Porque Jesus não sabe o que fazer com a astúcia calculista, com a crueldade dos corações frios, com a formosura vistosa mas oca. Nosso Senhor ama a alegria de um coração jovem, o passo simples, a voz sem falsete, os olhos limpos, o ouvido atento à Sua palavra de carinho. É assim que reina na alma” (ib.).

Trabalhemos com optimismo e fé para que todos O conheçam e amem. Há muitos sinais animadores nestes nossos tempos. Um deles as Jornadas Mundiais da Juventude. Na última, no Rio de Janeiro, mais de três milhões de jovens se juntaram à volta do papa para rezar, para ouvir o Santo Padre, para se encontrarem com Cristo.

São também muitos os convertidos cada ano em todo o mundo. Alguns, como S.Paulo, passaram de perseguidores a apóstolos entusiastas de Jesus.

Animemo-nos. O Espírito Santo continua a actuar no mundo do nosso tempo. Trabalhemos com fé e esperança e cheios do amor de Deus e o reinado de Cristo estabelecer-se-á nos corações dos homens à nossa volta.

Que Nossa Senhora, Rainha com Seu Filho, nos ensine a amar a Jesus e a levá -lO a todos os nossos amigos e conhecidos.

 

Fala o Santo Padre

 

«Jesus, do trono da Cruz, recebe cada homem com misericórdia infinita.»

 

Prezados irmãos e irmãs

[...] A solenidade de Cristo-Rei foi instituída pelo Papa Pio XI em 1925 e, em seguida, depois do Concílio Vaticano II, foi inserida na conclusão do ano litúrgico. O Evangelho de São Lucas apresenta, como numa grande moldura, a realeza de Jesus no momento da Crucifixão. Os chefes do povo e os soldados ridicularizam «o Primogénito de toda a criação» (Cl 1, 15), pondo-o à prova para ver se Ele tem o poder de se salvar da morte (cf. Lc 23, 35-37). E no entanto, precisamente «na cruz Jesus está à “altura” de Deus, que é Amor. É ali que podemos “conhecê-lo” […] Jesus oferece-nos a “vida”, porque nos oferece Deus. Pode oferecê-la a nós, porque Ele mesmo é um só com Deus» (Bento XVI, Jesus de Nazaré, Milão 2007, págs. 399.404). Com efeito, enquanto o Senhor parece confundir-se entre dois malfeitores, um deles consciente dos próprios pecados, abre-se à verdade, alcança a fé e suplica ao «Rei dos judeus»: «Jesus, recorda-te de mim, quando entrares no teu reino» (Lc 23, 42). Daquele que «existe antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem nele» (Cl 1, 17), o chamado «bom ladrão» recebe imediatamente o perdão e a alegria de entrar no Reino dos Céus. «Na verdade digo-te: hoje estarás comigo no Paraíso» (Lc 23, 43). Com estas palavras Jesus, do trono da Cruz, recebe cada homem com misericórdia infinita. Santo Ambrósio comenta que se trata de «um bonito exemplo da conversão pela qual é necessário aspirar: depressa ao ladrão é concedido o perdão, e a graça é mais abundante do que o pedido; com efeito, o Senhor – diz Ambrósio – concede sempre mais do que o que se lhe pede […] A vida é estar com Cristo, porque onde está Cristo ali está o Reino» (Expositio Ev. sec. Lucam X, 121: CCL 14, 379).

Caros amigos, o caminho do amor, que o Senhor nos revela e nos convida a percorrer, podemos contemplá-lo também na arte cristã. Com efeito, antigamente, «Na configuração dos edifícios sacros cristãos […] tornou-se habitual representar, no lado oriental, o Senhor que volta como rei – a imagem da esperança – [e …] no lado ocidental […] o Juízo final como imagem da responsabilidade pela nossa vida» (Encíclica Spe salvi, 41): esperança no amor infinito de Deus e compromisso de ordenar a nossa vida segundo o amor de Deus. Quando contemplamos as representações de Jesus, inspiradas no Novo Testamento – como ensina um antigo Concílio – somos conduzidos a «compreender […] a sublimidade da humilhação do Verbo de Deus e […] a recordar a sua vida na carne, a sua paixão e morte salvífica, e a redenção que daí derivou para o mundo» (Concílio em Trullo [ano 691 ou 692], cân. 82). «Sim, temos necessidade disto, precisamente para […] nos tornarmos capazes de reconhecer no Coração trespassado do Crucificado, o mistério de Deus» (J. Ratzinger, Teologia della liturgia. La fondazione sacramentale dell’esistenza cristiana, lev 2010, 69).

À Virgem Maria, na celebração hodierna da sua Apresentação no Templo, confiemos[...] a nossa peregrinação terrena rumo à eternidade.

 

Papa Bento XVI, Angelus, Praça de São Pedro, 21 de Novembro de 2010

 

Oração Universal

 

O Reino de Deus cresce no mundo com o nosso trabalho apostólico,

apoiado em nossa oração, unida à oração do próprio Jesus.

Com Ele apresentemos agora os nossos pedidos por nós aqui reunidos,

 pela Igreja e pelo mundo inteiro. Digamos:

Venha a nós o Vosso Reino

 

1-Pela Santa Igreja, para que se renove pelo Espírito Santo,

na fé, na esperança, na caridade e no ardor apostólico de todos os seus membros,

oremos ao Senhor.

 Venha a nós o Vosso Reino

 

2-Pelo Santo Padre, para que o Senhor o encha de graças e de alegrias

no seu ministério de Sucessor de Pedro,

confirmando-nos a todos na fé e no serviço de Deus,

oremos ao Senhor.

 Venha a nós o Vosso Reino

 

3-Pelos bispos e sacerdotes, para que sejam sinal vivo da presença de Jesus na terra,

na celebração da Santa Missa, na pregação e na confissão,

entusiasmando todos os cristãos no desejo de estender o reinado de Jesus,

oremos ao Senhor.

 Venha a nós o Vosso Reino

 

4-Por todos os que sofrem, pelos pobres, pelos doentes, pelos idosos, pelos marginalizados,

 para que saibam colaborar com os seus sofrimentos na salvação dos outros,

oremos ao Senhor.

 Venha a nós o Vosso Reino

 

5-Para que aumentem em toda a Igreja

as vocações sacerdotais, missionárias e religiosas

e os casais sejam generosos em aceitar os filhos e em oferecê-los ao Senhor,

oremos ao Senhor.

 Venha a nós o Vosso Reino

 

6-Por todos os que andam afastados de Deus,

para que o Senhor os converta e os atraia ao Seu amor,

para que encontrem o caminho da verdadeira alegria, que só Cristo lhes pode dar,

oremos ao Senhor.

 Venha a nós o Vosso Reino

 

7-Por todos os que se encontram no Purgatório,

para que o Senhor os purifique e lhes conceda a felicidade do Céu,

oremos ao Senhor.

 Venha a nós o Vosso Reino

 

Senhor, que nos enviastes o Vosso Filho para nos salvar com a Sua morte na Cruz e a Sua Ressurreição e assim nos introduzir no Reino do Vosso amor, fazei que saibamos anunciar a Sua alegria por toda a parte.

Por N.S.J.C.Vosso Filho que conVosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Todas as nações recebeu em herança, M. Faria, NRMS 3(II)

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, este sacrifício da reconciliação humana e, pelos méritos de Cristo vosso Filho, concedei a todos os povos o dom da unidade e da paz. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

Cristo, Sacerdote e Rei do universo

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai Santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte:

Com o óleo da alegria consagrastes Sacerdote eterno e Rei do universo o vosso Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor, para que, oferecendo-Se no altar da cruz, como vítima de reconciliação, consumasse o mistério da redenção humana e, submetendo ao seu poder todas as criaturas, oferecesse à vossa infinita majestade um reino eterno e universal: reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz.

Por isso, com os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes, proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo, Santo, Santo.

 

Santo: Santo I, H. Faria, NRMS 103-104

 

Monição da Comunhão

 

Pela fé contemplamos a Jesus escondido na Eucaristia. Ele é o nosso Rei, o nosso Amigo, o nosso alimento para a vida eterna.

 

Cântico da Comunhão: Se escutais a Jesus Cristo, M. Carneiro, NRMS 92

Salmo 28, 10-11

Antífona da comunhão: O Senhor está sentado como Rei eterno; O Senhor abençoará o seu povo na paz.

 

Cântico de acção de graças: Povos, batei palmas, C. Silva, NRMS 48

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da imortalidade, fazei que, obedecendo com santa alegria aos mandamentos de Cristo, Rei do universo, mereçamos viver para sempre com Ele no reino celeste. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Fortalecidos pela Eucaristia vamos lá fora trabalhar com mais fé e mais ardor para que todos conheçam e amem a Jesus e, assim, o Seu Reino se estenda a todos os homens.

 

Cântico final: Aleluia! Glória a Deus, F. da Silva, NRMS 92

 

 

Homilias Feriais

 

34ª SEMANA

 

2ª Feira, 25-XI:Vida eterna e desprendimento.

Dan 1, 1-6. 8-20 / Lc 21, 1-4

Então afirmou: Em verdade vos digo: Esta viúva pobre deitou mais do que todos.

Jesus exige a todos que renunciem a tudo por Ele: «Jesus impõe aos seus discípulos que o prefiram a tudo e a todos e propõe-lhes que renunciem a todos os seus bens por causa dele e do Evangelho» (CIC, 2544). Que belo exemplo deram Daniel e seus companheiros e que bela recompensa tiveram (Leit.).

Este desprendimento também é necessário para entrar na vida eterna: «Pouco antes da sua paixão, deu-lhes o exemplo da viúva pobre que, da sua penúria, deu tudo que tinha para viver (Ev.). O preceito do desapego das riquezas é obrigatório para entrar no reino dos Céus» (CIC, 2544).

 

3ª Feira, 26-XI: O reino de Cristo nunca será destruído.        

Dan 2, 31-45 / Lc 21, 5-11

Jesus respondeu-lhes: Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra, que não venha a ser derrubada.

Jesus profetiza a destruição do magnífico templo de Jerusalém, orgulho dos judeus (Ev.). O mesmo aconteceu ao extenso reino de Nabucodonosssor, simbolizado na estátua que se desfez (Leit.). Mas um dia «o Deus do céu fará surgir um reino que nunca será destruído» (Leit.).

Acontece porém que o reino de Cristo ainda não está terminado: «É ainda atacado pelos poderes do mal, embora estes já tenham sido radicalmente vencidos pela Páscoa de Cristo. Por este motivo, os cristãos oram, sobretudo na Eucaristia, para que se apresse o regresso de Cristo, dizendo-lhe: 'Vem, Senhor'» (CIC, 671).

 

4ª Feira, 27-XI: A balança e o peso do amor.

Dan 5, 1-6. 13-14. 16-17. 23-28 / Lc 21, 12-19

'Contou' Deus o tempo do teu reinado e pôs-lhe termo; 'pesado' foste na balança e achado sem peso.

«Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de muitos crentes. A perseguição acompanha a sua peregrinação na terra (Ev.)» (CIC, 675).

Depois desta peregrinação na terra, seremos julgados por Deus que verificará o 'peso' das nossas vidas: «Ao morrer, cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular, que põe a sua vida em referência Cristo. 'Ao entardecer desta vida, examinar-te-ão no amor' (S. João da Cruz)» (CIC, 1022). É uma consequência lógica do resumo dos dez mandamentos a dois: Amar a Deus e aos outros.

 

5ª Feira, 28-XI: O Juízo final: o apelo à conversão.

Dan 6, 12-28 / Lc 21, 20-28

Nesta altura verão o Filho do Homem vir nessa nuvem, com grande poder e glória.

Quando se der esta vinda gloriosa de Cristo terá lugar o juízo final. «A mensagem do Juízo final é um apelo à conversão, enquanto Deus dá ainda aos homens o tempo favorável, o tempo da salvação» (CIC, 1041).

O rei Dario converteu-se ao Deus de Daniel, depois de ver como este se tinha salvo da fogueira, e proclamou a todos os seus súbditos que Ele é o «Deus vivo. É Ele quem salva e liberta» (Leit.). A verdadeira conversão manifesta-se na nossa conduta, que deve ser orientada pelo Evangelho, no campo do trabalho, da vida familiar, no conhecimento da fé, etc.

 

6ª Feira, 29-XI: Aproveitamento das graças de Deus.

Dan 7, 2-14 / Lc 21, 29-33

Estava eu a olhar as visões da noite quando, entre as nuvens do Céu, veio alguém semelhante a um Filho de homem.

«Na sequência dos profetas (Leit.) Jesus anunciou, na sua pregação, o Juízo do último dia. Então será revelado o procedimento de cada um e o segredo dos corações. Então será condenada a incredulidade culpável, que não teve em conta as graças oferecidas por Deus» (CIC, 678).

Precisamos aproveitar muito bem as graças que Deus nos concede para cada dia. Nalguns casos, Deus serve-se de acontecimentos como sinais: «quando virdes isto acontecer, ficai a saber que o reino de Deus está perto» (Ev.). Os sinais podem ser: um sofrimento, o bom exemplo dos outros, um infortúnio, etc.

 

Sábado, 30-XI: Sto André: A vocação e a missão.

Rom 10, 9-18 / Mt 4, 18-22

Quando viu dois irmãos, Simão, que é chamado Pedro, e seu irmão, André. Eles deixaram logo as redes e seguiram-no.

Santo André foi pois dos primeiros a ouvir o chamamento do Senhor e a segui-lo (Ev.). Todos recebemos a vocação cristã que, ao longo da vida, se vai concretizando em novos apelos do Senhor: para nos identificarmos mais com Ele, para melhorarmos o nosso trabalho, a vida familiar, as virtudes. Precisamos levar à prática estes apelos do Senhor.

Depois da vocação vem a missão: «A voz deles propagou-se por toda a terra, e as suas palavras até aos confins da terra» (Leit.). Santo André, segundo a tradição, pregou o Evangelho na Grécia, e morreu na Acaia, crucificado numa cruz em forma de X.

 

 

 

 

 

 

Homilia:                                 Celestino Correia Ferreira

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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