Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos

 

 

2ª Missa

2 de Novembro de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Nós Te rogamos Senhor, M. Luis, NRMS 19-20

cf. Esdr 2, 34-35

Antífona de entrada: Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso, nos esplendores da luz perpétua.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O dia de Fiéis Defuntos é acima de tudo uma celebração da nossa fé e da fé dos irmãos que nos precederam; uma celebração da fé recebida, vivida em comum e transmitida de geração em geração. Fé feita dom que nos levou a Jesus, à sua Igreja e aos sacramentos, os quais que alimentaram e alimentam a nossa vida pessoal e comunitária, que nos uniram na vivência dos mesmos valores e critérios, pondo-nos no mesmo sentido da vida e da morte. Celebração de fé e da fé em que não olhamos a morte mas o que está para além dela; celebração de fé, vivida em memória coletiva, numa atitude de ação de graças: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelastes aos pequeninos».

 

Oração colecta: Senhor, glória dos fiéis e vida dos justos, que nos salvastes pela morte e ressurreição do vosso Filho, acolhei com bondade os vossos fiéis defuntos, de modo que, tendo eles acreditado no mistério da ressurreição, mereçam alcançar as alegrias da bem-aventurança eterna. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A fé do antigo Povo de Deus na imortalidade da alma e na ressurreição dos corpos, tornou-se mais firme e mais profunda, na época dos Macabeus, caracterizada por graves perseguições. É esta crença, confirmada pelos ensinamentos de Jesus Cristo, que dá sentido à nossa oração pelos defuntos.

 

2 Macabeus 12, 43-46

Naqueles dias, 43Judas Macabeu fez uma colecta entre os seus homens de cerca de duas mil dracmas de prata e enviou-as a Jerusalém, para que se oferecesse um sacrifício de expiação pelos pecados dos que tinham morrido, praticando assim uma acção muito digna e nobre, inspirada na esperança da ressurreição. 44Porque, se ele não esperasse que os que tinham morrido haviam de ressuscitar, teria sido em vão e supérfluo orar pelos mortos. 45Além disso, pensava na magnífica recompensa que está reservada àqueles que morrem piedosamente. Era um santo e piedoso pensamento. Por isso é que ele mandou oferecer um sacrifício de expiação pelos mortos, para que fossem libertos do seu pecado.

 

Judas Macabeu é o grande herói tanto do 1º como do 2º livro dos Macabeus; seguiu o seu pai Matatias na resistência contra a helenização pagã do povo de Israel, tendo chegado, em 165, a conseguir a purificação do templo e a restauração do culto (cf. 1 Mac 4, 36-59; 2 Mac 10, 1-9). O seu título de Macabeu significa martelo ou malho, título que lhe veio da impugnação do paganismo imposto pelo soberano sírio, e das derrotas infligidas aos opressores do povo judeu (sírios e egípcios). A leitura fala duma colecta de 2.000 dracmas de prata (não 12.000 como aparecia na Vulgata, um texto que a Neovulgata corrige, de acordo com os melhores manuscritos). A moeda grega pesava cerca de 4 gramas de prata; tratava-se, pois, de cerca de oito quilos de prata.

46 «Um santo e piedoso pensamento». O sacrifício que Judas manda oferecer revela a fé numa vida além-túmulo; a aprovação formal do hagiógrafo deixa-nos ver como a oração pelos defuntos que têm faltas a expiar é uma coisa que lhes aproveita (aqueles soldados mortos no campo de batalha conservavam despojos que tinham sido ofertas aos ídolos, o que era proibido pela Lei). Daqui se deduz a existência do Purgatório, uma fase de expiação de pecados que não impedem a salvação eterna, mas, de alguma maneira, a atrasam (falando em linguagem humana de uma realidade transcendente). É sobretudo a Tradição, a vida e Magistério da Igreja que esclarecem esta doutrina revelada por Deus. Ver a bela referência ao Purgatório na Encíclica de Bento XVI, Spe salvi, nº 47 e 48.

 

Salmo Responsorial     Sl 102 (103), 8 e 10.13-14.15-16.17-18 (R. 8a ou Sl 36 (37), 39a)

 

Monição: Nada havemos de temer neste mundo nem sequer a morte porque o Senhor é clemente e a sua bondade permanece eternamente.

 

Refrão:        O Senhor é clemente e cheio de compaixão.

 

Ou:               A salvação dos justos vem do Senhor.

 

O Senhor é clemente e compassivo,

paciente e cheio de bondade.

Não nos tratou segundo os nossos pecados,

nem nos castigou segundo as nossas culpas.

 

Como um pai se compadece dos seus filhos,

assim o Senhor Se compadece dos que O temem.

Ele sabe de que somos formados

e não Se esquece que somos pó da terra.

 

Os dias do homem são como o feno:

ele desabrocha como a flor do campo

mal sopra o vento desaparece

e não mais se conhece o seu lugar.

 

A bondade do Senhor permanece eternamente sobre aqueles que O temem

e a sua justiça sobre os filhos dos seus filhos,

sobre aqueles que guardam a sua aliança

e se lembram de cumprir os seus preceitos.

 

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Jesus é a ressurreição e a vida. Quem acredita n’Ele, embora venha a morrer, viverá!

 

Aleluia

 

Cântico: Az. Oliveira, NRMS 36

 

Eu sou a ressurreição e a vida, diz o Senhor.

Quem acredita em Mim nunca morrerá.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 7, 11-17

Naquele tempo, 11dirigia-Se Jesus para uma cidade chamada Naim; iam com Ele os seus discípulos e uma grande multidão. 12Quando chegou à porta da cidade, levavam um defunto a sepultar, filho único de sua mãe, que era viúva. Vinha com ela muita gente da cidade. 13Ao vê-la, o Senhor compadeceu-Se dela e disse-lhe: «Não chores». 14Jesus aproximou-Se e tocou no caixão; e os que o transportavam pararam. Disse Jesus: «Jovem, Eu te ordeno: levanta-te». 15O morto sentou-se e começou a falar; e Jesus entregou-o à sua mãe. 16Todos se encheram de temor e davam glória a Deus, dizendo: «Apareceu no meio de nós um grande profeta; Deus visitou o seu povo». 17E a fama deste acontecimento espalhou-se por toda a Judeia e pelas regiões vizinhas.

 

1 «Naim». Como também hoje, não seria propriamente uma cidade, mas uma pequena aldeia a uns 10 km a Sueste de Nazaré. É frequente que S. Lucas dê o nome da cidade a pequenas aldeias. É esta a única passagem em toda a Bíblia onde se fala desta terra, o que leva a crer que seria mesmo um lugarejo sem importância, mas isso não obstou a que Jesus fizesse ali um grande milagre. É S. Lucas o único Evangelista a contá-lo, o Evangelista que mais se detém a retratar a misericórdia do coração de Cristo; nem sequer foi preciso um pedido formal da desolada viúva para que, com uma única palavra, transformasse o seu choro na maior alegria, devolvendo-lhe o seu único filho vivo. Os funerais costumavam realizar-se no mesmo dia da morte, ao meio da tarde.

15 «E Jesus entregou-o à mãe». Santo Agostinho comenta: «Esta mãe viúva alegra-se com o filho ressuscitado. Diariamente se alegra a Mãe Igreja com os homens que ressuscitam na sua alma. Aquele estava morto quanto ao corpo; estes, quanto ao seu espírito. Aquela morte visível chora-se visivelmente; a morte invisível destes nem se chora nem se vê. Anda à busca destes mortos Aquele que os conhece, Aquele que pode fazê-los voltar à vida» (Sermão 98, 2). O mesmo Santo afirma que é um maior milagre a conversão dum pecador do que a ressurreição dum morto, embora seja menos espectacular.

 

Sugestões para a homilia

 

(Ver primeira missa)

 

Oração Universal

 

(Ver primeira missa)

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: A hóstia branca do nosso altar, M. Faria, NRMS 3 (I)

 

Oração sobre as oblatas: Deus de bondade infinita, que purificastes na água do Baptismo os vossos servos defuntos, purificai-os também agora no Sangue de Cristo, por este sacrifício de reconciliação. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio dos Defuntos: p. 509 [652-764] e pp. 510-513

 

Santo: F. da Silva, NRMS 14

 

Monição da Comunhão

 

Ao recebermos o Pão da vida, possamos ser purificados pelo mistério pascal e alcançar a glória da ressurreição futura.

 

Cântico da Comunhão: Eu sou o Pão vivo, C. Silva, NMRS 36

cf. Esdr 2, 35.34

Antífona da comunhão:

V. Brilhe para eles a luz perpétua.

R. Vivam para sempre com os vossos Santos, porque Vós sois bom, Senhor.

V. Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno, nos esplendores da luz perpétua.

R. Vivam para sempre com os vossos Santos, porque Vós sois bom, Senhor.

 

 

Oração depois da comunhão: Ao recebermos o sacramento do vosso Filho, que por nós foi imolado e ressuscitou glorioso, humildemente Vos suplicamos, Senhor, pelos vossos fiéis defuntos, para que, purificados pelo mistério pascal, alcancem a glória da ressurreição futura. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Mostremos que há Alguém que nos anima, que nos dá força e coragem, que dá um sentido diferente à nossa vida e que esse "Alguém" é Cristo Jesus. Vivendo assim nunca teremos medo da morte. Ela não será o fim porque Cristo que ressuscitou também nos ressuscitará a nós para nos fazer, com Ele, herdeiros do Reino dos Céus.

Vivei e trabalhai de modo a estar prontos para acolher o Senhor que vem, dizendo «a minha alma tem sede de Vós, Senhor». Estai sempre atentos e vigilantes! Procurai o Senhor! Jamais percais o Seu caminho!

 

Cântico final: Jerusalém do alto, M. Faria, NRMS 3 (I)

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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