30º Domingo Comum

27 de Outubro de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Escutai Senhor a prece, M. Carneiro, NRMS 90-91

Salmo 104, 3-4

Antífona de entrada: Alegre-se o coração dos que procuram o Senhor. Buscai o Senhor e o seu poder, procurai sempre a sua face.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Na sociedade em que vivemos prevalece cada vez mais sobre a justiça a cor politica, o grupo social em que uma pessoa se integra ou o poder estabelecido, de tal modo que, muitas vezes, nesta vida, a verdade fica por esclarecer, e a justiça não se faz. Há uma clamorosa acepção de pessoas, quando se trata de tornar claros os direitos e os deveres, defender a virtude do vício, ou a justiça da injustiça.

Este ambiente doentio leva-nos ao desânimo e somos tentados a deixar de combater por uma vida limpa aos olhos de Deus.

Na Liturgia deste 30.º Domingo do tempo Comum o Senhor vem dizer-nos que n’Ele encontramos sempre a verdade das coisas, porque o nosso Deus não Se deixa comprar por qualquer interesse dos homens.

 

Acto penitencial

 

Também nós somos inclinados, na prática, a admitir acepções de pessoas, ao denunciar o mal naqueles que nos são afectos ou com quem nos encontramos em dívida; ao tomar decisões, quando a pessoa em causa não nos é simpática, e em muitas outras ocasiões.

Peçamos humildemente perdão, com a certeza de que o obtemos se estivermos arrependidos e decididos a lutar para não voltar a cair no pecado.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Temos agido, por vezes, com parcialidade,

    quando se trata de apreciar as acções dos nossos irmãos.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Somos tentados a acudir pelos que são mais fortes,

    faltando, por isso, à mais elementar justiça nos julgamentos.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: Caímos facilmente na tentação de julgarmos

    que somos melhores do que aqueles que vivem connosco.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade; e para merecermos alcançar o que prometeis, fazei-nos amar o que mandais. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Ben Sirá apresenta-nos Deus como um “juiz justo”, que não se deixa subornar pelas ofertas desses poderosos que praticam injustiças na comunidade; em contrapartida, esse Deus justo ama os humildes e escuta as suas súplicas.

Ao mesmo tempo, lembra-nos que «A oração do humilde atravessa as nuvens» e que este ensinamento é um convite para que procuremos parecer-nos com Deus em nosso actuar.

 

Ben-Sirá 35, 15b-17.20-22a (grego: 12-14.16-18)

 

15bO Senhor é um juiz que não faz acepção de pessoas. 16Não favorece ninguém em prejuízo do pobre e atende a prece do oprimido. 17Não despreza a súplica do órfão nem os gemidos da viúva. 20Quem adora a Deus será bem acolhido e a sua prece sobe até às nuvens. 21A oração do humilde atravessa as nuvens e não descansa enquanto não chega ao seu destino. 22aNão desiste, até que o Altíssimo o atenda, para estabelecer o direito dos justos e fazer justiça.

 

A leitura é tirada do corpo do livro de Ben Sira (2 – 43), uma longa amálgama de conselhos morais e sábias sentenças. Neste trecho, ao mesmo tempo que se fala das boas disposições de Deus para quem o invoca, também põe em evidência as condições de uma boa oração: confiança, perseverança e humildade: «A oração do humilde atravessa as nuvens» (v. 21).

 

Salmo Responsorial    Sl 33 (34), 2-3.17-18.19.23 (R. 7a)

 

Monição: Perante a injustiça dos homens que explora o pobre e o deixa sem voz para reclamar os seus direitos, Deus constitui-Se juiz dos mais desprotegidos.

O salmista, como resposta à interpelação do libro de Ben Sirá, coloca em nossos lábios um cântico de confiança no nosso Deus.

 

 

Refrão:        O pobre clamou e o Senhor ouviu a sua voz.

 

Ou:               O Senhor ouviu o clamor do pobre.

 

A toda a hora bendirei o Senhor,

o seu louvor estará sempre na minha boca.

A minha alma gloria-se no Senhor,

escutem e alegrem-se os humildes.

 

A face do Senhor volta-se contra os que fazem o mal,

para apagar da terra a sua memória.

Os justos clamaram e o Senhor os ouviu,

livrou-os de todas as angústias.

 

O Senhor está perto dos que têm o coração atribulado

e salva os de ânimo abatido.

O Senhor defende a vida dos seus servos,

não serão castigados os que n’Ele confiam.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo convida-nos a viver o caminho cristão com entusiasmo, com entrega, com ânimo – a exemplo de Paulo – que nos manifesta estes sentimentos na segunda carta a Timóteo.

Podemos dizer que S. Paulo foi um bom exemplo dessa atitude que o Evangelho propõe: ele confiou, não nos seus méritos, mas na misericórdia de Deus, que justifica e salva todos os homens que a acolhem.

 

2 Timóteo 4, 6-8.16-18

Caríssimo: 6Eu já estou oferecido em libação e o tempo da minha partida está iminente. 7Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. 8E agora já me está preparada a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me há-de dar naquele dia; e não só a mim, mas a todos aqueles que tiverem esperado com amor a sua vinda. 16Na minha primeira defesa, ninguém esteve a meu lado: todos me abandonaram. Queira Deus que esta falta não lhes seja imputada. 17O Senhor esteve a meu lado e deu-me força, para que, por meu intermédio, a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todas as nações a ouvissem; e eu fui libertado da boca do leão. 18O Senhor me livrará de todo o mal e me dará a salvação no seu reino celeste. Glória a Ele pelos séculos dos séculos. Amen.

 

Temos hoje a parte final da 2ª Carta enviada a Timóteo desde um calabouço em Roma, onde aguardava o seu iminente martírio, no termo do seu 2º cativeiro romano.

6 «Eu já estou oferecido em libação», isto é, «estou a chegar ao momento de derramar o meu sangue em sacrifício». A expressão deve entender-se à luz do costume pagão de fazer libações (sacrifícios que consistiam no derramamento ritual de líquidos em honra da divindade), por ocasião da morte de alguém. Com esta maneira de falar, S. Paulo quer dizer que já chegou a hora da sua morte. Pode significar também que a sua morte violenta – com derramamento de sangue por Cristo e em união com Ele – tem um certo carácter sacrificial, por se tratar de uma imolação em honra de Deus.

«O tempo da minha partida (à letra: o desprender das amarras, isto é, a morte) está iminente». Estamos seguramente no ano 67, ano do martírio do Apóstolo.

7-8 «Combate… carreira… coroa…»: mais uma vez aparece a bela maneira paulina de apresentar a vida cristã como um desporto sobrenatural, através das imagens duma luta, duma corrida e da coroa a ser atribuída por um árbitro; este é Deus, que contempla a competição e atribui o prémio. Era costume honrar os vencedores dos certames com coroas tecidas de agulhas de pinheiros, ou de folhas de louro ou oliveira; a coroa também podia, como hoje, pertencer às honras fúnebres. Esta imagem da coroa já designava então a vida eterna na bem-aventurança do Céu, como prémio de uma vida santa; é dita uma «coroa de justiça», por ser atribuída a quem praticou a justiça, ou obras justas, isto é, de acordo com a vontade de Deus. Mas a ideia de retribuição devida aos méritos também fica patente no texto, pois o prémio é dado por aquele que é o «justo juiz»: Deus remunerador, perante quem todos teremos de prestar contas, «naquele dia», o da «sua vinda», à letra, o da a sua manifestação (epifáneia); «com efeito, todos havemos de comparecer perante o tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba conforme aquilo que fez de bem ou de mal, enquanto estava no corpo» (2 Cor 5, 10).

17 «E todas as nações a ouvissem». Esta tradução não é a seguida habitualmente pelos comentadores, pois não parece que haja aqui uma referência à pregação da «mensagem do Evangelho» (o texto original fala simplesmente de pregação, sem mais: kérygma); parece referir-se antes a um testemunho dado provavelmente no julgamento público, ouvido «por todos os gentios» (e não por «todas as nações», como diz a actual tradução bíblica revista). Tratar-se-ia de um testemunho de tal modo convincente, que levou ao adiamento da sentença: e eu fui libertado da boca do leão, isto é, da morte (cf. Salm 21 (22), 22).

 

Aclamação ao Evangelho        2 Cor 5, 19

 

Monição: O Evangelho enche-nos de alegria, porque nos ensina como havemos de agradar ao nosso Deus, nesta caminhada da terra.

Manifestemos esta nossa alegria, aclamando o Evangelho da Salvação com o canto do aleluia.

 

Aleluia

 

Cântico: Az. Oliveira, NRMS 36

 

Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo

e confiou-nos a palavra da reconciliação.

 

 

Evangelho

 

Lucas 18, 9-14

9Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: 10«Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. 11O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. 12Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. 13O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. 14Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».

 

A parábola do fariseu e do publicano, exclusiva de Lucas, é uma forma de Jesus ensinar a humildade, a atitude fundamental com que o homem tem de se apresentar diante de Deus para ser atendido.

11 «Meu Deus, dou-Vos graças». Temos um exemplo da «oração dos hipócritas» (Mt 6, 5). O que o fariseu faz não é propriamente rezar, mas gabar-se; não dialoga com Deus, fala consigo. Ele também tem pecados, mas a sua soberba não o deixa ter a hombridade de os reconhecer. Para ele, os maus são os outros, com quem se compara – «não sou como este publicano» –; sente-se com autoridade para julgar, e condena os outros. Apoia-se nas suas pretensas boas obras e, ao não se apoiar na misericórdia de Deus, sai do templo em pecado. Justifica-se a si mesmo e sai por justificar, pois só Deus pode tornar o homem justo. Ele agradece a Deus, mas, no fundo, o que ele pensa é que Deus é quem lhe deve estar agradecido!

14 Pelo contrário, a oração humilde do pecador, que reconhece sinceramente as suas culpas e se arrepende, comove o coração de Deus: «Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa». A doutrina que S. Paulo havia de desenvolver sobre a justificação pela fé e não pelas obras vai na linha do ensino desta parábola.

 

Sugestões para a homilia

 

• Deus, nossa confiança

Deus não faz acepção de pessoas

Acolhe a oração dos mais débeis

Deus, sempre atento aos homens

• Deus acolhe-nos sempre

A soberba afasta de Deus

É preciso orar com humildade

Deus, nosso refúgio e amparo

 

 

 1. Deus, nossa confiança

 

a) Deus não faz acepção de pessoas. «O Senhor é um juiz que não faz acepção de pessoas. Não favorece ninguém em prejuízo do pobre e atende a prece do oprimido

Fazer acepção de pessoas escolher as pessoas para determinado fim: confiar um cargo, atribuir um emprego, etc. Concretiza-se em não julgar ou agir segundo a verdade e a justiça, mas levados pelas conveniências: simpatia das pessoas, interesse por algo em que nos podem favorecer, medo pelo mal que nos podem causar, etc.

A Sagrada Escritura ensina que Deus não faz acepção de pessoas, porque Ele não escolhe um e rejeita ninguém com base em circunstâncias externas como a raça, a nacionalidade, as riquezas que possui, poder que tem nas mãos, a nobreza, etc.

Quando Pedro diz que Deus não faz acepção refere-se a que Ele não faz distinção entre judeus e gentios. A sua conclusão após ser divinamente enviado a pregar ao centurião romano, Cornélio, foi, «Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável.» (At 10.34,35).

Através de toda a sua história, os judeus acreditavam que, em razão de serem o Povo De Deus, da Aliança no Sinai, eram objecto exclusivo do favor do Altíssimo.

Pelo nosso Baptismo, o Pai constitui-nos, no Filho, Seus filhos e atende-nos sempre nesta condição. Não há, para o nosso Deus, filhos de primeira e de segunda classe; e mesmo os não baptizados são chamados por Ele a aceitar este dom.

Por isso, seja qual for a nossa vida passada, a nossa condição social, intelectual ou económica, o Senhor atende-nos sempre cordialmente e com uma disponibilidade total.

Frente às injustiças dos homens, temos sempre esta instância de apelação, embora o nosso Deus muitas vezes não resolva as coisas segundo os nossos critérios, porque Ele sabe mais e ama-nos mais do que nos amamos a nós mesmos.

 

b) Acolhe a oração dos mais débeis. «Não despreza a súplica do órfão nem os gemidos da viúva. [...]. A oração do humilde atravessa as nuvens e não descansa enquanto não chega ao seu destino

Como somos propensos a pensar que Deus Se parece com os homens no agir, e estes deixam de lado os mais débeis, para atender aos mais fortes em algum sentido, faz-nos bem considerar que, se Deus atende mais solicitamente alguma pessoa, essa é a dos débeis, humildes e pobres.

Se, pois, queremos ser escutados pelo Senhor, coloquemo-nos humildemente na Sua presença, reconheçamos a nossa dignidade e indigência, em vez de nos apresentarmos como quem abre as portas com um título de merecimento que guarda ciosamente.

O único título com que nos havemos de apresentar diante de Deus é o da nossa filiação divina.

Ao começar a oração, reconheçamos a majestade infinita de Deus – Criador de todo o Universo, das coisas visíveis e invisíveis, e Senhor da História – e tomemos consciência da nossa pequenez – pequenos seres que nos perdemos na vastidão dos astros, como uma insignificante grão de poeira.

No nosso actuar havemos de imitar o Senhor, procurando dar maior atenção aos mais desprotegidos, àqueles de quem não esperamos qualquer benesse pelo que lhes viermos a fazer.

Quando fizermos oração de petição e nos parecer que Deus não nos atende, não digamos “Deus não me atende”, mas “Deus ainda não me atendeu”.

Ao mesmo tempo, entreguemos-Lhe as nossas preocupações com total abandono, sabendo que Ele gosta que manifestemos os nossos interesses, mas deseja que confiemos no Seu Amor por nós.

 

c) Deus, sempre atento aos homens. «Não desiste, até que o Altíssimo o atenda, para estabelecer o direito dos justos e fazer justiça

A experiência ensina-nos que nos distraímos com muita facilidade. Cansamo-nos de prestar atenção continuada às mesmas coisas; voltamos levianamente a nossa atenção para uma solicitação que nos é feita pela imagem, pelo ruído ou qualquer outro meio.

Nisto permanecemos crianças toda a vida. O menino com idade inferior a dois anos não tem capacidade para prestar atenção a duas coisas ao mesmo tempo. Larga imediatamente – como esquecido – aquele objecto vistoso que prende a sua atenção, quando outro chamativo aparece diante dos seus olhos pequeninos.

Como grande parte do conhecimento que temos de Deus nos vem pela experiência pessoal e do nosso convívio com os outros, somos tentados a pensar que, por vezes, o Senhor está distraído quando Lhe pedimos alguma coisa e, por isso, impacientamo-nos e perdemos a confiança n’Ele.

Felizmente, Deus não é como nós. Nunca Se distrai de nos contemplar com Amor e de seguir com paternal atenção, para logo nos socorrer na primeira necessidade.

Esta certeza enche-nos de conforto e fortaleza, porque sabemos que nos encontramos sob a Sua protecção.

Ao mesmo tempo, é um estímulo para também nós estejamos mais atentos aos que vivem connosco, às suas necessidades corporais ou espirituais e procuremos ajudá-los na medida em que nos for possível.

 

 

2. Deus acolhe-nos sempre

 

A doença de se julgar justo e olhar com Falsa superioridade os outros existe frequentemente nas pessoas que frequentam mais os nossos templos.

 

a) A soberba afasta de Deus. «Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano

A soberba pode manifestar-se de diversos modos em nosso interior, e acompanhar-nos na oração que fazemos.

• Complacência na própria vida, como se alguém tivesse direito a viver dos rendimentos na vida espiritual.

• Desconhecimento de que tudo o que temos vem de Deus e de que somos maus juízes em causa própria, quando nos propomos avaliar a própria vida espiritual.

• Olhar com um certo complexo de superioridade as outras pessoas, sobretudo se vivem num certo afastamento da vida da Igreja.

• Pensar que, em virtude dos nossos méritos, temos direito a umas certas benesses na Igreja, de tal modo que ficamos melindrados quando nos tratam como a todos os outros.

• A tentação subtil de nos estarmos sempre a comparar interiormente com as outras pessoas, e achando-nos superiores. Ou então a pensar que, se estivéssemos no lugar delas, faríamos as coisas melhor.

• A complacência no próprio bem que fazemos, esperando interiormente elogios, distinções e reconhecimentos públicos, de tal modo que ficamos tristes e até melindrados quando isto não acontece.

• Nas nossas murmurações e críticas – muitas vezes duras e cruéis – esta presente esta mentalidade: “Eu não sou como aquele que fez isto ou aquilo.”

• Transparece ainda esta mentalidade orgulhosa, quando nos revoltamos porque a vida nos corre mal, segundo a nossa mentalidade, enquanto para os que vivem afastados de Deus tudo são facilidades.

 

b) É preciso orar com humildade. «O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; Mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’.»

A humildade é indispensável para que a nossa oração agrade a Deus, porque ela é a verdade. Deus não pode aprovar e colaborar com a mentira.

A humildade vive-se em muitas dimensões da nossa vida, de tal modo que nunca nos podemos gloriar de a termos conquistado completa e definitivamente.

Transcrevo – de um santo dos nossos dias – diversas formas de humildade para que verifiquemos se a cultivamos na nossa vida:

«A oração” é a humildade do homem que reconhece a sua profunda miséria e a grandeza de Deus, a quem se dirige e adora, de maneira que tudo espera dEle e nada de si mesmo.

“A fé” é a humildade da razão, que renuncia ao seu próprio critério e se prostra diante dos juízos e da autoridade da Igreja.

“A obediência” é a humildade da vontade, que se sujeita ao querer alheio, por Deus.

“A castidade” é a humildade da carne, que se submete ao espírito.

“A mortificação” é a humildade de todas as paixões, imoladas ao Senhor.

– A humildade é a verdade no caminho da luta ascética.» (S. Josemaria, Forja, n.º 259).

Na verdade, a humildade é a chave secreta que abre o coração misericordioso de Deus para que derrame torrentes de graças sobre nós.

Não só o de Deus, porque nos sentimos inclinados a ajudar uma pessoa que se nos apresenta com humildade, ao mesmo tempo que sentimos repulsa natural por quem se apresenta diante de nós respirando soberba nas suas pretensões.

 

c) Deus, nosso refúgio e amparo. «O Senhor [...] deu-me força, para que, por meu intermédio, a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todas as nações a ouvissem; e eu fui libertado da boca do leão

A vida de S. Paulo foi, desde o seu encontro com Cristo ressuscitado na estrada de Damasco, uma resposta generosa e incondicional ao chamamento recebido que o levou a um compromisso total com o anúncio do Evangelho.

Por Cristo e pelo Evangelho, Paulo lutou, sofreu, gastou e desgastou a sua vida, num dom total, para que a salvação de Deus chegasse a todos os povos da terra.

Viveu com a dor de saber que os judeus – seus irmãos de raça e de religião – resistiam ao convite de Jesus Cristo para entrarem Sua na Igreja.

No final, ele sente-se como um atleta que lutou até ao fim para vencer e está satisfeito com a sua prestação. Resta-lhe receber essa coroa de glória, reservada aos atletas vencedores

Mas agora, quando escreve, encontra-se num grande desamparo dos homens. Foi levado prisioneiro para Roma, por causa da sua fé, e julgado com dureza. «Na minha primeira defesa, ninguém esteve a meu lado: todos me abandonaram

Mesmo que nos pareça que tudo decorre contrário ao nosso interesse, animemo-nos com a verdadeira esperança. Assim fala S. Paulo: «O Senhor me livrará de todo o mal e me dará a salvação no seu reino celeste

A santa Missa é a proclamação solene desta misericórdia de Deus que nunca nos desampara nem deixa de nos atender. Se Ele ofereceu a Sua vida na Cruz por nós, como iria agora negar-nos as graças necessárias para chegarmos à salvação eterna?

Foi esta confiança inabalável em Deus o segredo da vida feliz da Santíssima Virgem na sua caminhada terrena. Procuremos imitá-l’A.

 

Fala o Santo Padre

 

«A tarefa missionária não é revolucionar o mundo mas transfigurá-lo,

haurindo a força de Jesus Cristo.»

 

Amados irmãos e irmãs!

[...] Queridos amigos, na Liturgia hodierna lê-se o testemunho de São Paulo relativo ao prémio final que o Senhor concederá «àqueles que desejam a sua vinda» (2 Tm 4, 8). Não se trata de uma expectativa inerte ou solitária, ao contrário! O Apóstolo viveu em comunhão com Cristo ressuscitado para «que a Palavra fosse anunciada» a fim de que «os gentios a ouvissem» (2 Tm 4, 17). A tarefa missionária não é revolucionar o mundo mas transfigurá-lo, haurindo a força de Jesus Cristo que «nos convoca à mesa da sua Palavra e da Eucaristia, para saborear o dom da sua Presença, formar-nos na sua escola e viver cada vez mais conscientemente unidos a Ele, Mestre e Senhor» (Mensagem para o 84º Dia Missionário Mundial). Também os cristãos de hoje – como está escrito na carta A Diogneto – «mostram como é maravilhosa e... extraordinária a sua vida associada. Transcorrem a existência sobre a terra, mas são cidadãos do céu. Obedecem às leis estabelecidas, mas com o seu modo de viver ultrapassam as leis... Estão condenados a morrer, mas da morte haurem a vida. Embora façam o bem... são perseguidos mas aumentam todos os dias» (V, 4.9.12.16; VI, 9 [SC 33], Paris 1951, 62-66).

À Virgem Maria, que de Jesus Crucificado recebeu a nova missão de ser Mãe de todos os que querem crer n’Ele e segui-lo, confiemos as comunidades cristãs do Médio Oriente e todos os missionários do Evangelho.

 

Papa Bento XVI, Angelus, Praça de São Pedro, 24 de Outubro de 2010

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Com toda a humildade e filial confiança,

apresentemos por Jesus, no Espírito, ao Pai,

as necessidades e aspirações que, nesta hora,

ocupam as preocupações dos que amamos.

Oremos, (cantando):

 

    Senhor, em Vós confiamos!

 

1. Pelo Santo Padre e pelos Bispos em comunhão com ele,

    para que nos ensinem a orar com humildade e confiança,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, em Vós confiamos!

 

2. Pelos que são titulares do poder na Igreja ou no mundo,

    para que evitem sempre actuar com acepção de pessoas,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, em Vós confiamos!

 

3. Por todos nós, aqui reunidos a celebrar esta Santa Missa,

    para que nos empenhemos na construção da justiça social,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, em Vós confiamos!

 

4. Pelos que se encontram com problemas e no desamparo,

    para que o Senhor seja sempre o Seu amparo e refúgio,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, em Vós confiamos!

 

5. Por todos os cristãos que procuram fazer a sua oração,

    para que imitem a do publicano de que nos fala Jesus,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, em Vós confiamos!

 

6. Pelos nossos irmãos que Deus chamou à Sua presença,

    para o Senhor os acolha nas moradas ternas do Paraíso,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, em Vós confiamos!

 

Senhor, que sois a esperança dos que em Vós confiam:

ouvi as humildes súplicas que aqui Vos dirigimos,

para merecermos alcançar a felicidade que nos prometeis.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

O Senhor do universo iluminou a nossa mente e alimentou a nossa fé com a Sua palavra que nos serviu na primeira parte da Missa.

Vai agora preparar a mesa da Eucaristia com que deseja alimentar-nos transubstanciando, o pão o vinho que levamos ao altar, pelo ministério do sacerdote, no Seu Corpo e Sangue.

 

Cântico do ofertório: A minha alma tem sede, M. Carneiro, NRMS 40

 

Oração sobre as oblatas: Olhai, Senhor, para os dons que Vos apresentamos e fazei que a celebração destes mistérios dê glória ao vosso nome. Por Nosso Senhor...

 

Santo: A. Cartageno, 99-100

 

Saudação da Paz

 

Não há verdadeira paz sem humildade, e esta exige um grande esforço de todos nós, ajudados pela graça de Deus.

Façamos um acto profundo de humildade, perdoando as ofensas recebidas e aceitando ser perdoado das que fizemos aos outros.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Com a humildade profunda do publicano do Evangelho de hoje, aproximemo-nos a receber sacramentalmente O Senhor do Universo que Se nos dá em Alimento.

Repitamos com muita sinceridade as palavras do Centurião, quando se dirigiu a Jesus, pedindo a cura do seu subalterno: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo.”

 

Cântico da Comunhão: Eu vim para que tenham vida, F. da Silva, NRMS 70

cf. Salmo 19, 6

Antífona da comunhão: Celebramos, Senhor, a vossa salvação e glorificamos o vosso santo nome.

Ou:    Ef 5, 2

Cristo amou-nos e deu a vida por nós, oferecendo-Se em sacrifício agradável a Deus.

 

Cântico de acção de graças: Cantai Comigo, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que os vossos sacramentos realizem em nós o que significam, para alcançarmos um dia em plenitude o que celebramos nestes santos mistérios. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Quando formos orar, procuremos revestir-nos dos sentimentos de humildade e confiança, para que a nossa oração seja atendida.

E procuremos nunca ter acepção de pessoas nos pensamentos, palavras e obras que ocorrerem ao longo desta semana

 

Cântico final: Exultai de alegria no Senhor, F. da Silva, NRMS 87

 

 

Homilias Feriais

 

30ª SEMANA

 

2ª Feira, 28-X. S. Simão e S. Judas: Participação na construção da Igreja.

Ef 2, 19-22 / Lc 6, 12-19

Fostes edificados sobre o alicerce dos Apóstolos e dos profetas, que tem Cristo Jesus como pedra angular.

«A Igreja é apostólica, porque está fundada sobre os Apóstolos. Foi, e continua a ser, construída sobre o 'alicerce dos Apóstolos' (Leit.), testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo» (CIC, 857). Segundo a tradição, estes apóstolos andaram pelo Egipto, Mesopotâmia e Pérsia, onde sofreram o martírio.

Todos nós estamos integrados na construção da Igreja (Leit.). «Toda a Igreja é apostólica, na medida em que 'enviada a todo o mundo'. Todos os membros da Igreja, embora de modos diferentes, participam deste envio» (CIC, 863).

 

3ª Feira, 29-X: O fermento do Evangelho.

Rom 8, 18-25 / Lc 13, 18-27

O reino de Deus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e meteu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado.

Nós somos enviados pelo Senhor para sermos o fermento (Ev.), que ajuda a crescer o amor de Deus no ambiente, para revelarmos Deus aos outros, que o esperam ansiosamente» (Leit.). Para que o fermento tenha força para transformar o ambiente é preciso que esteja muito unido a Cristo.

A nossa missão é levar Cristo, de forma credível, aos ambientes da vida, do trabalho, da família, fazendo com que o espírito do Evangelho se torne 'fermento' na história e sirva de projecto para as relações humanas, marcadas pela solidariedade e pela paz. Procuremos dar também testemunho de Cristo com alegria e optimismo.

 

4ª Feira, 30-X: A porta estreita, um caminho seguro.

Rom 8, 26-30 / Lc 13, 22-30

Senhor, são poucos os que se salvam? Jesus disse aos presentes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita.

A vontade de Deus é que todos se salvem. Mas indica-nos que devemos entrar pela 'porta estreita'. «Esta afirmação é um apelo urgente à conversão: 'Entrai pela porta estreita' (Ev.)» (CIC, 1036), que se pode traduzir por uma maior exigência no cumprimento dos nossos deveres para com Deus, a família e a sociedade. Não esqueçamos que este foi o caminho escolhido por nosso Senhor para abrir as 'portas do Céu'.

As dificuldades que encontramos são igualmente uma 'porta estreita'. Procuremos aproveitá-las bem: «Ora nós sabemos que que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que o amam» (Leit.). Ele permite estas dificuldades para crescermos nas virtudes e no amor de Deus.

 

5ª Feira, 31-X: Um sacrifício agradável a Deus: a nossa vida.

Rom 8, 31-39 / Lc 13, 31-35

No entanto, hoje, amanhã e depois, devo seguir o meu caminho.

«Jesus tomou a firme resolução de se dirigir a Jerusalém. E, ao dirigir-se a Jerusalém, declara: 'não se admite que um profeta morra fora de Jerusalém' (Ev.)».

Essa era a vontade do Pai: «'Deus não poupou o seu próprio Filho, mas entregou-o por nós todos' (Leit.)» (CIC, 603). A vida do Senhor é um holocausto incessante no cumprimento da vontade do Pai. É consolador saber que, por esta ajuda, nada nos poderá separar de Deus: nem a morte, nem a vida, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer criatura (Leit.). Ofereçamos igualmente a nossa vida como sacrifício agradável a Deus.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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