29º Domingo Comum

D. M. das Missões

20 de Outubro de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Vinde, Senhor, vinde em meu auxílio, A. Cartageno, NRMS 90-91

Salmo 16, 6.8.9

Antífona de entrada: Respondei-me, Senhor, quando Vos invoco, ouvi a minha voz, escutai as minhas palavras. Guardai-me dos meus inimigos, Senhor. Protegei-me à sombra das vossas asas.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Este domingo é o chamado «Domingo das Missões». Recorda-nos uma face fundamental da nossa fé – a dimensão missionária – nascida do mandato de Jesus aos Apóstolos: «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura» (Mc, 16.15).

É uma celebração muito estimada do povo português, que vamos viver com especial empenho neste «Ano da fé»   

 

Acto penitencial

 

Todo o cristão deve trabalhar na difusão da fé no lugar onde vive. Neste dia sentimos com mais clareza os pecados de omissão, de não dar testemunho nem de falar da fé em nossa casa, na nossa terra, entre os amigos. Vamos confessá-lo publicamente e pedir a conversão.

 

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, dai-nos a graça de consagrarmos sempre ao vosso serviço a dedicação da nossa vontade e a sinceridade do nosso coração. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Na conquista da terra prometida, Moisés alia ao esforço do povo a sua oração pessoal. Os combates da evangelização não se fazem hoje com armas militares, mas o exemplo de Moisés ficou como apelo à oração para a realização do plano de Deus.

 

Êxodo 17, 8-13

 

8Naqueles dias, Amalec veio a Refidim atacar Israel. 9Moisés disse a Josué: «Escolhe alguns homens e amanhã sai a combater Amalec. Eu irei colocar-me no cimo da colina, com a vara de Deus na mão». 10Josué fez o que Moisés lhe ordenara e atacou Amalec, enquanto Moisés, Aarão e Hur subiram ao cimo da colina. 11Quando Moisés tinha as mãos levantadas, Israel ganhava vantagem; 12mas quando as deixava cair, tinha vantagem Amalec. Como as mãos de Moisés se iam tornando pesadas, trouxeram uma pedra e colocaram-na por debaixo para que ele se sentasse, enquanto Aarão e Hur, um de cada lado, lhe seguravam as mãos. Assim se mantiveram firmes as suas mãos até ao pôr do sol 13e Josué desbaratou Amalec e o seu povo ao fio da espada.

 

O livro do Êxodo não cessa de exaltar a Providência divina em favor do povo que, liberto da opressão do Egipto, é guiado a caminho da terra prometida; não só o alimenta e lhe mata a sede, como também o livra das mãos dos inimigos.

8 «Amalec», isto é, os amalecitas, um tradicional inimigo de Israel, espalhado pelo norte do Sinai e a sul do Négueb, até aos tempos de Ezequias, em que foi completamente apagada a sua memória (cf. v. 14). Aqui aparecem como um grupo inimigo, que disputaria os escassos oásis do deserto com as suas fontes e pastagens. «Refidim», lugar incerto a SW da península do Sinal, um lugar de passagem dos israelitas a caminho do monte Horeb (Sinai).

9 «Com a vara de Deus na mão...» Alguns pensam, e com razão, que Moisés, no cimo do monte, não se limitou a rezar de braços abertos, mas que, com a vara, ia fazendo sinais para a planície, a fim de Josué conduzir bem o combate. De qualquer modo, ao lermos o Êxodo, é contraproducente fixarmo-nos no rigor histórico dos relatos, embora estes tenham atrás de si tradições de valor. Queremos chamar a atenção para o perene valor paradigmático do gesto de Moisés. Ele torna-se uma imagem de Cristo mediador e do valor da oração de intercessão. Os Padres vêem na vara de Moisés uma figura da Cruz, que vence os inimigos do homem: demónio, o pecado e a morte. Por outro lado, também se pode ver, nas figuras de Aarão e Hur, o poder religioso, e, em Josué, o poder político-militar, ambos os poderes concentrados em Moisés, que haveriam de vir a diversificar-se.

 

Salmo Responsorial    Sl 120 (121), 1-8 (R. cf. 2)

 

Refrão:        O nosso auxílio vem do Senhor,

                     que fez o céu e a terra.

 

Levanto os meus olhos para os montes:

donde me virá o auxílio?

O meu auxílio vem do Senhor,

que fez o céu e a terra.

 

Não permitirá que vacilem os teus passos,

não dormirá Aquele que te guarda.

Não há-de dormir nem adormecer

Aquele que guarda Israel.

 

O Senhor é quem te guarda,

o Senhor está a teu lado, Ele é o teu abrigo.

O sol não te fará mal durante o dia,

nem a lua durante a noite.

 

O Senhor te defende de todo o mal,

o Senhor vela pela tua vida.

Ele te protege quando vais e quando vens,

agora e para sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Timóteo é um bispo muito novo, filho de mãe judia e pai grego, escolhido por S. Paulo. S. Paulo recomenda-lhe o estudo, a firmeza na fé e a coragem pessoal na evangelização.

 

2 Timóteo 3, 14 – 4, 2

 

Caríssimo: 14Permanece firme no que aprendeste e aceitaste como certo, sabendo de quem o aprendeste. 15Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras; elas podem dar-te a sabedoria que leva à salvação, pela fé em Cristo Jesus. 16Toda a Escritura, inspirada por Deus, é útil para ensinar, persuadir, corrigir e formar segundo a justiça. 17Assim o homem de Deus será perfeito, bem preparado para todas as boas obras. 4,1Conjuro-te diante de Deus e de Jesus Cristo, que há-de julgar os vivos e os mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: 2Proclama a palavra, insiste a propósito e fora de propósito, argumenta, ameaça e exorta, com toda a paciência e doutrina.

 

A leitura contém o texto clássico da inspiração da Sagrada Escritura (v. 16) e um apelo formal e solene à pregação do Evangelho, com o recurso a uma fórmula jurídica semelhante à dos testamentos greco-romanos, de modo a que o herdeiro fique obrigado a cumprir a vontade do testador (4, 1: «conjuro-te» – diamartyromai).

16 «Toda a Escritura, inspirada por Deus, é útil…» (outra tradução possível: «toda a Escritura é inspirada por Deus e também é útil…). A Igreja sempre entendeu e ensinou que: «Todos os livros, tanto do Antigo como do Novo Testamento, com todas as suas partes, foram escritos sob a inspiração do Espírito Santo e, por isso, têm a Deus como autor e, como tais, foram confiados à Igreja» (Vaticano II, DV 11). Na tradução litúrgica, aparece a inspiração da S. E., – uma interacção divino-humana, um verdadeiro mistério pertencente à ordem sobrenatural – como uma afirmação indirecta, pois o acento é posto na sua utilidade sobrenatural: dar a sabedoria que leva à salvação (v. 15), «ensinar, persuadir, corrigir e formar segundo a justiça» (v. 16), e levar à santidade de vida de um homem de Deus perfeito (v. 17).

 

Aclamação ao Evangelho        Hebr 4, 12

 

Monição: O Evangelho prolonga o caso da oração de Moisés da 1ª leitura, insistindo na perseverança na oração, mesmo que não vejamos sempre os seus efeitos.

 

Aleluia

 

Cântico: F. Silva, NRMS 35

 

A palavra de Deus é viva e eficaz,

pode discernir os pensamentos e intenções do coração.

 

 

Evangelho

 

Lucas 18, 1-8

 

1Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos uma parábola sobre a necessidade de orar sempre sem desanimar: 2«Em certa cidade vivia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. 3Havia naquela cidade uma viúva que vinha ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. 4Durante muito tempo ele não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: ‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens; 5mas, porque esta viúva me importuna, vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente’». 6E o Senhor acrescentou: «Escutai o que diz o juiz iníquo!... 7E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? 8Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa. Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?»

 

O tema central deste e do próximo domingo é o da oração. A parábola do juiz iníquo, exclusiva de Lucas, o evangelista da oração, é muito expressiva para mostrar a eficácia da oração e a necessidade que temos de insistir. Esta insistência não é para convertermos Deus, mas para nós nos convertermos a Ele, para nos abrirmos aos dons que Ele tem para nos dar, para nos colocarmos no nosso lugar de criaturas necessitadas de Deus. Compreende-se assim que Ele não nos dispense de clamar dia e noite e de «orar sempre sem desanimar» (v. 1).

7 «E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos que por Ele clamam dia e noite?» O contraste estabelecido pelo Senhor é flagrante. Como é que Deus não há-de escutar os nossos pedidos, sendo Ele um Pai amorosíssimo e infinitamente bom? A verdade é que não nos dispensa de clamar dia e noite e de «orar sempre sem desanimar» (v. 1).

8 «O Filho do homem encontrará fé sobre a terra? Para rezar e ser atendido é preciso fé, dessa «fé que transporta montanhas» (cf. Mt 17, 20). A falta de fé prevista para o fim dos tempos (cf. Mt 24, 10-12; 2 Tes 2, 3-5; 1 Tim 4, 1-3; 2 Tim 3, 1-9) não se revela só na negação das verdades reveladas por Deus, mas na perda do sentido da fé a nortear a vida.

 

Sugestões para a homilia

 

a. As duas primeiras leituras apresentam-nos o exemplo de dois grandes chefes do povo de Deus: Moisés na condução do antigo povo de Israel para a terra prometida, e Paulo na formação permanente de Timóteo no ministério de Bispo.

Estes textos lembram que Deus tem um plano sobre o mundo, não o deixando entregue ao gosto de cada um. Esse plano eterno de Deus foi «preparado admiravelmente na história do povo de Israel e na antiga aliança, e foi definitivamente realizado por Jesus Cristo que instituiu a Igreja como sinal e sacramento de salvação (LG 1,2,3). Moisés trabalhou na realização da primeira etapa desse plano, a instalação do antigo povo de Israel em Canaã; Paulo trabalhou na etapa definitiva, ou seja, a construção da Igreja de Jesus Cristo, e cuidou de garantir sucessores.

É este plano de Deus que devemos ter sempre presente, e a obrigação de trabalhar na difusão do Evangelho impende sobre todos os cristãos, pois toda a Igreja é missionária (Decreto Ad Gentes 35s).

 

 

b. A missionação dirige-se aos povos que ainda não ouviram falar de Jesus ou que, sendo cristãos, ainda não conseguiram estabelecer a Igreja de modo que ela possa «providenciar por si mesma às suas necessidades, quer por não ter cristãos em número suficiente, quer por falta de clero e de estruturas pastorais». (AG15),

A descristianização dos países de antiga tradição crista obriga também a nova evangelização desses países, mas isto não deve dispensar o trabalho em países pagãos.

«O compromisso missionário é uma dimensão essencial da fé: não se crê verdadeiramente se não se evangeliza. É dando a fé que ela se fortalece», escreveu Bento XVI na Mensagem para as Jornadas Mundiais da Juventude de2013.

E o Papa Francisco concretizou no Rio de Janeiro: «Deve-se evangelizar onde se está, sem exigir especiais qualidades. Falemos com amor e naturalidade de Jesus. Ele já está lá a colaborar connosco».

Na evangelização, a Igreja não pode recorrer a métodos que exerçam pressão sobre as pessoas, mas deve respeitar a cultura dos povos a quem se dirigem purificando-a dos erros opostos ao Evangelho e comportamentos indignos da pessoa humanas, o que exige cuidada preparação dos missionários. Tudo isso requer meios, estímulo às vocações e muita oração. 

 

c. Jesus no Evangelho previne que a evangelização será sempre difícil e os últimos tempos serão ainda agravados pela confusão doutrinária que se estabelecerá.

Um dos grandes entraves à evangelização é a insistência na auto-suficiência da consciência de cada um e na possibilidade da salvação em qualquer religião. Embora seja verdade que Deus possa salvar as pessoas por caminhos que só Ele conhece, a nós, cristãos incumbe a grave obrigação de testemunhar a fé e difundir a mensagem de Jesus como Salvador, e constituir e organizar a Igreja, pois é esse o plano de Deus acerca do mundo.

Além disso, o Evangelho não se destina somente à salvação eterna. Mesmo na construção da cidade terrestre, a fé cristã reforça as estruturas humanas, dá estabilidade à família, afasta os medos, clarifica a civilização técnica e oferece uma força consoladora para o sofrimento (Encíclica A luz da fé, nn 50-57)

 

d. Nas Orações cristãs oficiais incluídas no Terço e na Anáfora eucarística encontramos a expressão constante da dimensão universal da fé: «a Igreja dispersa por toda a terra», «a Igreja que cresce de um ao outro extremo da terra».

Ao recitar o Credo afirmamos a catolicidade ou universalidade da Igreja.

 

Fala o Santo Padre

 

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO

PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2013

 

Queridos irmãos e irmãs,

Este ano, a celebração do Dia Mundial das Missões tem lugar próximo da conclusão do Ano da Fé, ocasião importante para revigorarmos a nossa amizade com o Senhor e o nosso caminho como Igreja que anuncia, com coragem, o Evangelho. Nesta perspectiva, gostaria de propor algumas reflexões.

1. A fé é um dom precioso de Deus, que abre a nossa mente para O podermos conhecer e amar. Ele quer entrar em relação connosco, para nos fazer participantes da sua própria vida e encher plenamente a nossa vida de significado, tornando-a melhor e mais bela. Deus nos ama! Mas a fé pede para ser acolhida, ou seja, pede a nossa resposta pessoal, a coragem de nos confiarmos a Deus e vivermos o seu amor, agradecidos pela sua infinita misericórdia. Trata-se de um dom que não está reservado a poucos, mas é oferecido a todos com generosidade: todos deveriam poder experimentar a alegria de se sentirem amados por Deus, a alegria da salvação. E é um dom que não se pode conservar exclusivamente para si mesmo, mas deve ser partilhado; se o quisermos conservar apenas para nós mesmos, tornamo-nos cristãos isolados, estéreis e combalidos. O anúncio do Evangelho é um dever que brota do próprio ser discípulo de Cristo e um compromisso constante que anima toda a vida da Igreja. «O ardor missionário é um sinal claro da maturidade de uma comunidade eclesial» (Bento XVI, Exort. ap. Verbum Domini, 95). Toda a comunidade é «adulta», quando professa a fé, celebra-a com alegria na liturgia, vive a caridade e anuncia sem cessar a Palavra de Deus, saindo do próprio recinto para levá-la até às «periferias», sobretudo a quem ainda não teve a oportunidade de conhecer Cristo. A solidez da nossa fé, a nível pessoal e comunitário, mede-se também pela capacidade de a comunicarmos a outros, de a espalharmos, de a vivermos na caridade, de a testemunharmos a quantos nos encontram e partilham connosco o caminho da vida.

2. Celebrado cinquenta anos depois do início do Concílio Vaticano II, este Ano da Fé serve de estímulo para a Igreja inteira adquirir uma renovada consciência da sua presença no mundo contemporâneo, da sua missão entre os povos e as nações. A missionariedade não é questão apenas de territórios geográficos, mas de povos, culturas e indivíduos, precisamente porque os «confins» da fé não atravessam apenas lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e mulher. O Concílio Vaticano II pôs em evidência de modo especial como seja próprio de cada baptizado e de todas as comunidades cristãs o dever missionário, o dever de alargar os confins da fé: «Como o Povo de Deus vive em comunidades, sobretudo diocesanas e paroquiais, e é nelas que, de certo modo, se torna visível, pertence a estas dar também testemunho de Cristo perante as nações» (Decr. Ad gentes, 37). Por isso, cada comunidade é interpelada e convidada a assumir o mandato, confiado por Jesus aos Apóstolos, de ser suas «testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (Act 1, 8); e isso, não como um aspecto secundário da vida cristã, mas um aspecto essencial: todos somos enviados pelas estradas do mundo para caminhar com os irmãos, professando e testemunhando a nossa fé em Cristo e fazendo-nos arautos do seu Evangelho. Convido os bispos, os presbíteros, os conselhos presbiterais e pastorais, cada pessoa e grupo responsável na Igreja a porem em relevo a dimensão missionária nos programas pastorais e formativos, sentindo que o próprio compromisso apostólico não é completo, se não incluir o propósito de «dar também testemunho perante as nações», perante todos os povos. Mas a missionariedade não é apenas uma dimensão programática na vida cristã; é também uma dimensão paradigmática, que diz respeito a todos os aspectos da vida cristã.

3. Com frequência, os obstáculos à obra de evangelização encontram-se, não no exterior, mas dentro da própria comunidade eclesial. Às vezes, estão relaxados o fervor, a alegria, a coragem, a esperança de anunciar a todos a Mensagem de Cristo e ajudar os homens do nosso tempo a encontrá-Lo. Por vezes há ainda quem pense que levar a verdade do Evangelho seja uma violência à liberdade. A propósito, são iluminantes estas palavras de Paulo VI: «Seria certamente um erro impor qualquer coisa à consciência dos nossos irmãos. Mas propor a essa consciência a verdade evangélica e a salvação em Jesus Cristo, com absoluta clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência fará (...), é uma homenagem a essa liberdade» (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 80). Devemos sempre ter a coragem e a alegria de propor, com respeito, o encontro com Cristo e de nos fazermos portadores do seu Evangelho; Jesus veio ao nosso meio para nos indicar o caminho da salvação e confiou, também a nós, a missão de a fazer conhecer a todos, até aos confins do mundo. Com frequência, vemos que a violência, a mentira, o erro é que são colocados em evidência e propostos. É urgente fazer resplandecer, no nosso tempo, a vida boa do Evangelho pelo anúncio e o testemunho, e isso dentro da Igreja. Porque, nesta perspectiva, é importante não esquecer jamais um princípio fundamental para todo o evangelizador: não se pode anunciar Cristo sem a Igreja. Evangelizar nunca é um acto isolado, individual, privado, mas sempre eclesial. Paulo VI escrevia que, «quando o mais obscuro dos pregadores, dos catequistas ou dos pastores, no rincão mais remoto, prega o Evangelho, reúne a sua pequena comunidade, ou administra um sacramento, mesmo sozinho, ele perfaz um acto de Igreja». Ele não age «por uma missão pessoal que se atribuísse a si próprio, ou por uma inspiração pessoal, mas em união com a missão da Igreja e em nome da mesma» (ibid., 60). E isto dá força à missão e faz sentir a cada missionário e evangelizador que nunca está sozinho, mas é parte de um único Corpo animado pelo Espírito Santo.

4. Na nossa época, a difusa mobilidade e a facilidade de comunicação através dos novos mídias misturaram entre si os povos, os conhecimentos e as experiências. Por motivos de trabalho, há famílias inteiras que se deslocam de um continente para outro; os intercâmbios profissionais e culturais, assim como o turismo e fenómenos análogos impelem a um amplo movimento de pessoas. Às vezes, resulta difícil até mesmo para as comunidades paroquiais conhecer, de modo seguro e profundo, quem está de passagem ou quem vive estavelmente no território. Além disso, em áreas sempre mais amplas das regiões tradicionalmente cristãs, cresce o número daqueles que vivem alheios à fé, indiferentes à dimensão religiosa ou animados por outras crenças. Não raro, alguns baptizados fazem opções de vida que os afastam da fé, tornando-os assim carecidos de uma «nova evangelização». A tudo isso se junta o facto de que larga parte da humanidade ainda não foi atingida pela Boa Nova de Jesus Cristo. Ademais vivemos num momento de crise que atinge vários sectores da existência, e não apenas os da economia, das finanças, da segurança alimentar, do meio ambiente, mas também os do sentido profundo da vida e dos valores fundamentais que a animam. A própria convivência humana está marcada por tensões e conflitos, que provocam insegurança e dificultam o caminho para uma paz estável. Nesta complexa situação, onde o horizonte do presente e do futuro parecem atravessados por nuvens ameaçadoras, torna-se ainda mais urgente levar corajosamente a todas as realidades o Evangelho de Cristo, que é anúncio de esperança, de reconciliação, de comunhão, anúncio da proximidade de Deus, da sua misericórdia, da sua salvação, anúncio de que a força de amor de Deus é capaz de vencer as trevas do mal e guiar pelo caminho do bem. O homem do nosso tempo necessita de uma luz segura que ilumine a sua estrada e que só o encontro com Cristo lhe pode dar. Com o nosso testemunho de amor, levemos a este mundo a esperança que nos dá a fé! A missionariedade da Igreja não é proselitismo, mas testemunho de vida que ilumina o caminho, que traz esperança e amor. A Igreja – repito mais uma vez – não é uma organização assistencial, uma empresa, uma ONG, mas uma comunidade de pessoas, animadas pela acção do Espírito Santo, que viveram e vivem a maravilha do encontro com Jesus Cristo e desejam partilhar esta experiência de profunda alegria, partilhar a Mensagem de salvação que o Senhor nos trouxe. É justamente o Espírito Santo que guia a Igreja neste caminho.

5. Gostaria de encorajar a todos para que se façam portadores da Boa Nova de Cristo e agradeço, de modo especial, aos missionários e às missionárias, aos presbíteros fidei donum, aos religiosos e às religiosas, aos fiéis leigos – cada vez mais numerosos – que, acolhendo a chamada do Senhor, deixaram a própria pátria para servir o Evangelho em terras e culturas diferentes. Mas queria também sublinhar como as próprias Igrejas jovens se estão empenhando generosamente no envio de missionários às Igrejas que se encontram em dificuldade – não raro Igrejas de antiga cristandade – levando assim o vigor e o entusiasmo com que elas mesmas vivem a fé que renova a vida e dá esperança. Viver com este fôlego universal, respondendo ao mandato de Jesus «ide, pois, fazei discípulos de todos os povos» (Mt 28, 19), é uma riqueza para cada Igreja particular, para cada comunidade; e dar missionários nunca é uma perda, mas um ganho. Faço apelo, a todos aqueles que sentem esta chamada, para que correspondam generosamente à voz do Espírito, segundo o próprio estado de vida, e não tenham medo de ser generosos com o Senhor. Convido também os bispos, as famílias religiosas, as comunidades e todas as agregações cristãs a apoiarem, com perspicácia e cuidadoso discernimento, a vocação missionária ad gentes e a ajudarem as Igrejas que precisam de sacerdotes, de religiosos e religiosas e de leigos para revigorar a comunidade cristã. E a mesma atenção deveria estar presente entre as Igrejas que fazem parte de uma Conferência Episcopal ou de uma Região: é importante que as Igrejas mais ricas de vocações ajudem, com generosidade, aquelas que padecem a sua escassez.

Ao mesmo tempo exorto os missionários e as missionárias, especialmente os presbíteros fidei donum e os leigos, a viverem com alegria o seu precioso serviço nas Igrejas aonde foram enviados e a levarem a sua alegria e esperança às Igrejas donde provêm, recordando como Paulo e Barnabé, no final da sua primeira viagem missionária, «contaram tudo o que Deus fizera com eles e como abrira aos pagãos a porta da fé» (Act 14, 27). Eles podem assim tornar-se caminho para uma espécie de «restituição» da fé, levando o vigor das Igrejas jovens às Igrejas de antiga cristandade a fim de que estas reencontrem o entusiasmo e a alegria de partilhar a fé, numa permuta que é enriquecimento recíproco no caminho de seguimento do Senhor.

A solicitude por todas as Igrejas, que o Bispo de Roma partilha com os irmãos Bispos, encontra uma importante aplicação no empenho das Obras Missionárias Pontifícias, cuja finalidade é animar e aprofundar a consciência missionária de cada baptizado e de cada comunidade, seja apelando à necessidade de uma formação missionária mais profunda de todo o Povo de Deus, seja alimentando a sensibilidade das comunidades cristãs para darem a sua ajuda a favor da difusão do Evangelho no mundo.

Por fim, o meu pensamento vai para os cristãos que, em várias partes do mundo, encontram dificuldade em professar abertamente a própria fé e ver reconhecido o direito a vivê-la dignamente. São nossos irmãos e irmãs, testemunhas corajosas – ainda mais numerosas do que os mártires nos primeiros séculos – que suportam com perseverança apostólica as várias formas actuais de perseguição. Não poucos arriscam a própria vida para permanecer fiéis ao Evangelho de Cristo. Desejo assegurar que estou unido, pela oração, às pessoas, às famílias e às comunidades que sofrem violência e intolerância, e repito-lhes as palavras consoladoras de Jesus: «Tende confiança, Eu já venci o mundo» (Jo 16, 33).

Bento XVI exortava: «Que “a Palavra do Senhor avance e seja glorificada” (2 Ts 3, 1)! Possa este Ano da Fé tornar cada vez mais firme a relação com Cristo Senhor, dado que só n’Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor autêntico e duradouro» (Carta ap. Porta fidei, 15). Tais são os meus votos para o Dia Mundial das Missões deste ano. Abençoo de todo o coração os missionários e as missionárias e todos aqueles que acompanham e apoiam este compromisso fundamental da Igreja para que o anúncio do Evangelho possa ressoar em todos os cantos da terra e nós, ministros do Evangelho e missionários, possamos experimentar «a suave e reconfortante alegria de evangelizar» (Paulo VI, Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 80).

 

Papa Francisco, Vaticano, 19 de Maio - Solenidade de Pentecostes – de 2013.

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Com a certeza de que Jesus nos atende sempre,

pois Ele empenhou solenemente a Sua Palavra,

e nos dá também as graças que não sabemos pedir,

apresentemos-Lhe confiadamente as necessidades

da Igreja missionária, e dos países de missão.

Oremos (cantando) cheios de confiança:

 

    Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

1.  Para que o Santo Padre, timoneiro da Barca de Pedro,

com os Bispos, Sacerdotes e Diáconos em comunhão,

alcancem por Jesus Cristo, como fruto da oração,

a renovação da Europa e dos outros Continentes,

oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

2.  Para que todos aqueles que se encontram em dificuldade

e não vêem solução humana para os seus problemas,

procurem confiadamente no Coração de Jesus Cristo,

a perseverança inquebrantável na oração de petição,

oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

3.  Para que as pessoas que procuram e não encontram,

pedem e têm a convicção de que não são atendidas,

aceitem generosamente os misteriosos desígnios de Deus

e vivam felizes na terra, cheios de paz, a caminho do Céu,

oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

4.  Para que as pessoas que se sentem frágeis e desorientadas,

no meio de incompreensões dos outros, e dificuldades,

procurem na oração a força de Deus que tudo vence

e com esta provação se aproximem mais do Senhor,

oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

5.  Para que as autoridades civis da nossa Pátria

preparem, com medidas sábias e acertadas,

um ambiente em que as pessoas amem a Deus,

se amem umas às outras e vivam felizes,

oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

6. Para que os missionários e missionárias da Igreja

se sintam o apoiados pela nossa oração perseverante,

e pela certeza de que toda a Igreja está com eles,

nesta causa missionária que é de todos nós,

oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

7.  Para que os nossos familiares e amigos falecidos

especialmente os que dedicaram à causa missionária,

obtenham, por Maria, o fim da sua purificação

e possam, quanto antes, cantar, felizes, no Céu,

oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, muitos e santos missionários!

 

Senhor, que nos tomastes Vosso filhos no Baptismo

e sempre atendeis com solicitude a nossa oração:

concedei-nos as graças que, pela nossa pequenez,

não sabemos ou não ousamos pedir-Vos.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Monição para a apresentação dos dons

 

A oferta do trabalho diário e de um contributo económico para a evangelização do mundo é o copo de água que pode valer-nos a recompensa do profeta (Mc 9,40).

 

Cântico do ofertório: Levamos ao vosso altar, M. Borda, NRMS 43

 

Oração sobre as oblatas: Fazei, Senhor, que possamos servir ao vosso altar com plena liberdade de espírito, para que estes mistérios que celebramos nos purifiquem de todo o pecado. Por Nosso Senhor...

 

Santo: Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

A comunhão, seja dentro seja fora da Missa, é sempre precedida da oração do PaiNosso. Isso adverte-nos que a comunhão une a pessoa aos outros cristãos e faz-nos sentir a sede de Jesus de salvar toda a humanidade 

 

Cântico da Comunhão: Senhor eu creio que sois Cristo, Az. Oliveira, NRMS 67

Salmo 32, 18-19

Antífona da comunhão: O Senhor vela sobre os seus fiéis, sobre aqueles que esperam na sua bondade, para libertar da morte as suas almas, para os alimentar no tempo da fome.

Ou:    Mc 10, 45

O Filho do homem veio ao mundo para dar a vida pela redenção dos homens.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor, Louvai, J. Santos, NRMS 37

 

Oração depois da comunhão: Concedei, Senhor, que a participação nos mistérios celestes nos faça progredir na santidade, nos obtenha as graças temporais e nos confirme nos bens eternos. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Durante a semana, na oração pessoal e familiar, estejamos atentos à dimensão universal da oração cristã, e pensemos no trabalho de martírio cristão de tantos homens e mulheres enviados pela Igreja para terras distantes.

 

Cântico final: Ficai connosco, Senhor, M. Borda, NRMS 43

 

 

Homilias Feriais

 

29ª SEMANA

 

2ª Feira, 21-X: As promessas de felicidade.

Rom 4, 20-25 / Lc 12, 13-21

Depois direi à minha alma: Ó alma, tens muitos bens em depósito para longos anos. Descansa, come, bebe e regala-te.

Este homem rico pensou ter encontrado a felicidade na acumulação de bens materiais. No entanto, «a verdadeira felicidade não reside nem na riqueza ou no bem estar, nem da glória humana ou no poder, nem em qualquer obra humana, por útil que seja, mas só em Deus, fonte de todo o bem e de todo o amor» (CIC, 1723).

Abraão foi feliz porque «se convenceu plenamente de que Deus era capaz de fazer o que tinha prometido» (Leit.). Não esqueçamos as promessas de vida eterna, que o Senhor nos fez através das bem-aventuranças, e na ajuda de Nª Senhora, a 'porta de Céu'.

 

3ª Feira, 22-X: O pecado e a vigilância.

Rom, 12. 15. 17-19 / Lc 12, 35-38

Felizes estes servos, que o Senhor, ao chegar, encontrar vigilantes.

«A vigilância do coração é lembrada com insistência (Ev.), em comunhão com a de Jesus. O Espírito Santo procura insistentemente despertar-nos para esta vigilância» (CIC, 2849).

A vigilância é especialmente importante para podermos evitar qualquer tipo de pecado: «Assim como pelo pecado de um só, veio para todos os homens a condenação, assim também pela obra justificadora de um só, virá para todos a justificação que dá a vida» (Leit.). Se cometemos um pecado, arrastamos outros connosco. Se lutamos e vencemos, ajudaremos os outros a serem mais perfeitos. A oração 'Lembrai-vos' é uma grande ajuda para quem mais precisar.

 

4ª Feira, 23-X: Atitudes perante o combate.

Rom 6, 12-18 / Lc 12, 39-48

Não reine o pecado no vosso corpo mortal, de modo que obedeçais aos seus desejos.

«Os últimos tempos em que nos encontramos são os da efusão do Espírito Santo. Trava-se desde então um combate decisivo entre a 'carne' e o Espírito. É preciso ter passado pela escola de Paulo para dizer: 'Que o pecado deixe de reinar no vosso corpo mortal' (Leit.)» (CIC, 2819).

Para este combate decisivo não podemos tomar a atitude do servo brigão (Ev.), descuidado e destemperado na bebida e na comida. Por causa dele, a casa (a alma em graça) é arrombada. Devemos sim imitar o administrador fiel e prudente, que faz aquilo que deve, cumprindo os seus deveres. Acudamos a Nª Senhora, concebida sem mancha do pecado original.

 

5ª Feira, 24-X: O salto da escravidão do pecado para a liberdade.

Rom 6, 19-23 / Lc 12, 49-53

Eu vim lançar fogo à terra e só quero que ele se tenha ateado!

«O fogo! Simboliza a energia transformadora dos actos do Espírito Santo, aquele Espírito do qual Jesus dirá: 'Eu vim lançar fogo sobre a terra e só quero que ele se tenha ateado' (Ev.)» (CIC, 696).

O Espírito Santo é quem nos dará a energia sobrenatural par darmos o salto de 'escravos do pecado' para 'escravos de Deus' (Leit.). Todos sentimos dificuldades em abandonar as nossas pequenas ou grandes infidelidades à vontade de Deus. Precisamos pedir mais ajuda ao Espírito Santo, e a Santa Maria, que se intitula a si própria a 'escrava do Senhor'.

 

6ª Feira, 25-X: A actuação do Espírito Santo.

Rom 7, 18-25 / Lc 12, 54-59

Que homem infeliz que eu sou! Quem me há-de libertar deste corpo que me leva à morte?

S. Paulo descreve uma realidade que também descobrimos em nós: «Na verdade, o bem que eu quero, não faço, mas o mal que não quero é que pratico» (Leit.). Quem nos pode libertar desta triste realidade? «O Espírito Santo é o mestre interior. Fazendo nascer o 'homem interior' (Leit), a justificação implica a santificação de todo o ser» (CIC, 1995).

Como podemos discernir melhor a vontade de Deus? «O homem esforça-se por interpretar os dados da experiência e os sinais dos tempos (Ev.), graças à virtude da prudência, aos conselhos de pessoas sensatas e à ajuda do Espírito Santo e dos seus dons» (CIC, 1788).

 

Sábado, 26-X: Produzir bons frutos.

Rom 8, 1-11 / Lc 13, 1-9

Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar fruto a essa figueira e não o encontrou.

A figueira simboliza cada um de nós, e o Senhor espera encontrar em nós frutos abundantes. Se os não encontra, poderá fazer o mesmo que o vinhateiro: deitar adubo para recolher frutos no futuro (Ev.). «O adubo fertilizante é símbolo do Espírito Santo, Senhor que dá a vida. Quando somos dóceis, nos nossos corações reside, como num templo, o Espírito Santo. Passamos a ser orientados por uma 'nova lei': a lei do Espírito, que dá a vida em Cristo Jesus (Leit.)» (CIC, 782).

Em Nª Senhora, encontra-se o fruto bendito do seu ventre: «graças a Maria todas as nações recebem aquele que é a própria bênção de Deus: Jesus, fruto bendito do vosso ventre» (CIC, 2676).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         D. Joaquim Gonçalves

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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