28º Domingo Comum

13 de Outubro de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Escutai a minha prece, M. Carneiro, NRMS 102

Salmo 129, 3-4

Antífona de entrada: Se tiverdes em conta as nossas faltas, Senhor, quem poderá salvar-se? Mas em Vós está o perdão, Senhor Deus de Israel.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Quando uma pessoa amiga nos concede um favor, alguma coisa a que não tínhamos direito, ou mesmo tendo-o, o fez de modo simpático, sentimos o dever de lhe manifestar a nossa alegria pelo dom recebido e o nosso reconhecimento.

Deste modo se tecem as relações de amizade entre nós que pré-anunciam já a comunhão em que, pela misericórdia do Senhor, iremos viver eternamente no Céu.

A chamada do Senhor, neste 28.º do Tempo Comum, tem como objectivo lembrar-nos a virtude da gratidão e como devemos vivê-la no dia a dia.

 

Acto penitencial

 

Recebemos todos os dias do Senhor, além do dom da vida, muitos outros favores, mas nunca nos lembramos de os agradecer.

Portamo-nos muitas vezes como filhos indelicados, mantemos o coração frio e incomunicável, perante o carinho paternal do nosso Pai do Céu, negando-nos a reconhecer a Sua amizade, pela qual nos concede os Seus dons.

Façamos um acto de humildade diante do Senhor, reconhecendo as ofensas que Lhe temos feito, pedindo perdão e prometendo emenda de vida.

 

 (Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: esquecemo-nos facilmente dos Vossos benefícios

    e queixamo-nos quando a vida não corre segundo o nosso gosto.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

•   Cristo: temos muita dificuldade em ser agradecidos aos outros,

    mas sentimo-nos melindrados quando eles não nos agradecem.

    Cristo, tende piedade de nós!

 

    Cristo, tende piedade de nós!

 

•   Senhor Jesus: falta-nos recta intenção naquele bem que fazemos,

    pois arrependemo-nos de o ter feito quando não nos agradecem.

    Senhor, tende piedade de nós!

 

    Senhor, tende piedade de nós!

 

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Nós Vos pedimos, Senhor, que a vossa graça preceda e acompanhe sempre as nossas acções e nos torne cada vez mais atentos à prática das boas obras. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Naaman, general do rei da Síria, encontra na Terra Santa a cura para a lepra que o levaria à morte. Agradecido por este benefício, converte-se ao verdadeiro Deus.

O Senhor cura-nos da lepra do pecado todas as vezes que nos aproximamos do sacramento da Reconciliação e Penitência com as necessárias disposições.

 

2 Reis 5, 14-17

 

Naqueles dias, 14o general sírio Naamã desceu ao Jordão e aí mergulhou sete vezes, como lhe mandara Eliseu, o homem de Deus. A sua carne tornou-se tenra como a de uma criança e ficou purificado da lepra. 15Naamã foi ter novamente com o homem de Deus, acompanhado de toda a sua comitiva. Ao chegar diante dele, exclamou: «Agora reconheço que em toda a terra não há outro Deus senão o de Israel. Peço-te que aceites um presente deste teu servo». 16Eliseu respondeu-lhe: «Pela vida do Senhor que eu sirvo, nada aceitarei». E apesar das insistências, ele recusou. 17Disse então Naamã: «Se não aceitas, permite ao menos que se dê a este teu servo uma porção de terra para um altar, tanto quanto possa carregar uma parelha de mulas, porque o teu servo nunca mais há-de oferecer holocausto ou sacrifício a quaisquer outros deuses, mas apenas ao Senhor, Deus de Israel».

 

O episódio cheio de beleza e vivacidade é tirado do chamado ciclo de Eiseu (2 Re 2, 13 – 13, 30), tem um paralelo semelhante nos Evangelhos, não tanto nas curas dos leprosos dos Evangelhos, como se lê no Evangelho de hoje, mas antes na cura do cego de Jo 9, que se banha na piscina de Siloé.

17 Uma porção de terra, isto é, de terra santa, terra que pertence ao verdadeiro e único Deus, Yahwéh, o único capaz de fazer milagres. Esta terra levada como relíquia vai continuar no futuro costume da piedade cristã de os peregrinos da Terra Santa trazerem consigo um punhado de terra.

 

Salmo Responsorial    Sl 97 (98), 1-4 (R. cf. 2b)

 

Monição: O salmista convida Israel e todos os povos da terra a cantar os louvores do Senhor, porque nos oferece a salvação.

Manifestemos a nossa alegria e gratidão ao Senhor, dando testemunho diante dos povos, da nossa gratidão.

 

Refrão:        O Senhor manifestou a salvação a todos os povos.

 

Ou:               Diante dos povos

                     manifestou Deus a salvação.

 

Cantai ao Senhor um cântico novo

pelas maravilhas que Ele operou.

A sua mão e o seu santo braço

Lhe deram a vitória.

 

O Senhor deu a conhecer a salvação,

revelou aos olhos das nações a sua justiça.

Recordou-Se da sua bondade e fidelidade

em favor da casa de Israel.

 

Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.

Aclamai o Senhor, terra inteira,

exultai de alegria e cantai.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Na segunda carta de S. Paulo a Timóteo, S. Paulo ensina-nos que o melhor modo de manifestar-se agradecido ao Senhor por tudo quanto tem recebido é viver a fidelidade ao Evangelho.

 

2 Timóteo 2, 8-13

 

Caríssimo: 8Lembra-te de que Jesus Cristo, descendente de David, ressuscitou dos mortos, segundo o meu Evangelho, 9pelo qual eu sofro, até ao ponto de estar preso a estas cadeias como um malfeitor. Mas a palavra de Deus não está encadeada. 10Por isso, tudo suporto por causa dos eleitos, para que obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com a glória eterna. 11É digna de fé esta palavra: Se morremos com Cristo, também com Ele viveremos; 12se sofremos com Cristo, também com Ele reinaremos; 13se O negarmos, também Ele nos negará; se Lhe formos infiéis, Ele permanece fiel, porque não pode negar-Se a Si mesmo.

 

Este belo trecho da leitura é uma boa lição de optimismo, baseado na fé, para as horas de provação e de perseguição, bem como um magnífico hino de apelo à fidelidade a toda a prova (vv. 11-13).

8 «Segundo o meu Evangelho». Não parece que se trata do Evangelho de Lucas, discípulo de Paulo, mas do Evangelho que Paulo prega, a boa nova da salvação em Cristo, exposto com os acentos próprios do Apóstolo das Gentes. No Novo Testamento o termo Evangelho não se refere ao Evangelho escrito.

9 «Cadeias como um malfeitor». Segundo a opinião corrente, S. Paulo está no 2.º cativeiro romano, pelo ano 67, no fim da sua vida, em plena perseguição de Nero contra os cristãos, considerado pelo historiador pagão, Suetónio (Vida dos 12 imperadores, Nero, 16), como pertencentes a uma «superstição nova e maléfica».

 

Aclamação ao Evangelho        cf.1 Tes 5, 18

 

Monição: Dar graças é sempre um tempo de alegria, porque nos lembra os benefícios recebidos da parte do Senhor.

Agradeçamos de todo o coração ao nosso Deus a luz do Evangelho, e manifestemos a nossa disponibilidade para seguir os seus ensinamentos.

 

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação ao Evangelho-1, F. Silva, NRMS 50-51

 

Em todo o tempo e lugar dai graças a Deus,

porque esta é a sua vontade a vosso respeito em Cristo Jesus.

 

 

Evangelho

 

Lucas 17, 11-19

 

Naquele tempo, 11indo Jesus a caminho de Jerusalém, passava entre a Samaria e a Galileia. 12Ao entrar numa povoação, vieram ao seu encontro dez leprosos. 13Conservando-se a distância, disseram em alta voz: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós». 14Ao vê-los, Jesus disse-lhes: «Ide mostrar-vos aos sacerdotes». E sucedeu que no caminho ficaram limpos da lepra. 15Um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, 16e prostrou-se de rosto por terra aos pés de Jesus para Lhe agradecer. Era um samaritano. 17Jesus, tomando a palavra, disse: «Não foram dez que ficaram curados? Onde estão os outros nove? 18Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?» 19E disse ao homem: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou».

 

Os Sinópticos referem a cura de leprosos, mas só Lucas relata o episódio da cura dos dez leprosos, que condiz bem com a sua visão universalista da salvação, ao registar que o curado agradecido era um samaritano.

12 «Conservando-se a distância». A própria Lei prescrevia, a fim de evitar o contágio, o isolamento do doente (cf. Lv 13, 45-46) e também um certificado de cura passado pelos sacerdotes (cf. Lv 14, 2 ss), a fim de poder vir a ser reintegrado no convívio social.

17 «Onde estão os outros nove?» O relato deixa ver que Jesus não os curou logo e manda-os ir pedir o certificado da cura ainda antes de curados. Assim é posto em evidência o seu exemplo de fé, mas a verdade é que só um – e o mais desprezível, pois era samaritano – é quem deu exemplo de gratidão. Lucas, ao pôr em relevo a gratidão dum estrangeiro, também deixa ver a finíssima sensibilidade do Coração de Cristo, que fica contente com o agradecimento deste, e dorido com a ingratidão dos outros nove, que não estiveram para ter a maçada de voltar atrás para agradecer a cura.

 

Sugestões para a homilia

 

• A virtude humana da gratidão

A gratidão, resposta ao dom recebido

Gratidão e humildade

O melhor agradecimento a Deus: conversão

• Viver a virtude da gratidão

Todos os benefícios nos vêem de Deus

Sejamos agradecidos ao Senhor

Conversão pessoal, o melhor agradecimento

 

 

1. A virtude humana da gratidão

 

Naaman, general do rei da Síria contraiu a doença da lepra e esperava a morte a breve prazo, porque não tinha cura naquela época.

Foi informado por uma menina judia que estava na sua casa, de que em Israel havia profetas que curavam essas doenças. Partiu então com cartas do rei, e foi parar à casa do profeta Eliseu, que o mandou banhar-se sete vezes no rio Jordão.

Depois de algumas hesitações, fez o que lhe tinha indicado, e ficou limpo desta doença mortal.

 

a) A gratidão, resposta ao dom recebido. «Naqueles dias, o general sírio Naamã desceu ao Jordão e aí mergulhou sete vezes [...] e ficou purificado da lepra

Logo que se viu curado, Naaman queria oferecer presentes ao profeta Eliseu, mas ele recusou-se a recebê-los.

O primeiro sentimento que aflora ao coração deste homem importante no reino da Síria é a gratidão e quer manifestá-la com dádivas ao profeta Eliseu que foi o instrumento do Senhor para o benefício que lhe foi concedido.

A gratidão consiste em reconhecer os benefícios recebidos e agradecê-los com alegria e agrado a quem os concedeu.

Quando recebemos um favor ou alguma dádiva de alguém, sentimos um impulso interior para lhe manifestar o quanto nos agradou o seu gesto. A gratidão é um movimento espontâneo do coração de uma pessoa normal. É a resposta natural a um benefício.

Uma pessoa que não sente a necessidade de agradecer está deformada: ou não se apercebeu do bem recebido, ou está convencida de que nunca recebe o que merece.

Por esta inclinação espontânea do coração humano, aproximamo-nos mais dos outros, despertos para a amizade, e preparamo-nos para a vida em comunhão que nos espera no Céu, para sempre.

A gratidão é uma virtude humana: procede da inteligência e da vontade e deve ser um hábito. Se há uma certa espontaneidade para ser agradecido, também é verdade que exige esforço da nossa parte.

Como virtude, a gratidão agrada ao nosso Pai do Céu e faz parte do nosso caminho de santidade pessoal.

Os santos foram sempre profundamente agradecidos. Santa Teresa dizia que bastava oferecer-lhe uma sardinha para conquistar o seu coração. S. Josemaria Escrivá acrescentava, com humor, que para ele bastava receber meia sardinha.

Jesus manifestava profunda gratidão a quem Lhe prestava algum serviço. Agradeceu a generosidade de Zaqueu e defendeu com generosidade a pecadora que Lhe ungiu os cabelos e os pés.

 

b) Gratidão e humildade. «Naamã [...] exclamou: “Agora reconheço que em toda a terra não há outro Deus senão o de Israel.”»

Naaman, antes orgulhoso com os rios da sua terra, melhores que o rio Jordão, reconhece que recebeu um benefício do Senhor e quer mostrar-se agradecido

Para ser agradecido, é fundamental ser humilde. O orgulhoso busca-se a si, a própria glória e satisfação, e não a comunhão no amor com os outros.

Não consegue ver na gratidão uma virtude que nos eleva, mas uma humilhação que nos rebaixa.

O soberbo está convencido de que recebe sempre menos do que aquilo que merece e, por isso, recebe de má cara aquilo que lhe oferecem com amor. Mesmo quando nos prestam serviços que nos são devidos por justiça, nunca agradeceremos a boa vontade e generosidade com que são feitos.

Quando agradecemos, estamos convencidos de que recebemos algo que não merecíamos, pelo menos na forma como foi dado. Por isso, a pessoa humilde sente o desejo de agradecer qualquer pequeno gesto de humildade.

A gratidão leva-nos ao encontro de Deus, porque sabemos que tudo, ao fim, se deve à Sua bondade. Foi Ele que criou todas as criaturas e depositou no coração delas a bondade que as leva a mimar-nos.

Se queremos crescer na virtude da gratidão, comecemos por crescer na humildade, julgando-nos – porque é verdade! – não merecedores de qualquer favor.

Além da humildade, a gratidão exige também uma fina educação da sensibilidade que seja capaz de captar os gestos de amizade que uma prestação de serviço exige.

 

c) Conversão pessoal, o melhor agradecimento. «o teu servo nunca mais há-de oferecer holocausto ou sacrifício a quaisquer outros deuses, mas apenas ao Senhor, Deus de Israel

Depois de Eliseu se ter recusado a receber os presentes que lhe queria dar, Naaman converte-se à verdadeira religião, apesar de não ser judeu.

As pessoas fazem promessas a Deus, a Nossa Senhora ou aos Seus santos. Prometem oferecer uma quantia de dinheiro ou um sacrifício e ficam convencidas de que tudo acaba quando “pagam a promessa”. Encaram isto como um negócio ou uma dívida a qual, uma vez paga, não existe mais nenhum dever.

Deus quer muito mais, quando nos concede uma graça, por mediação da Sua e nossa Mãe, ou pela mediação dos Seus santos. Deseja que nos aproximemos mais d’Ele, sejamos mais amigos e nos convertamos.

Não faz sentido, portanto, fazer uma romaria de promessa e ficar sem participar na missa desse domingo; ou levar um coração de santo à ida, e voltar com um coração pagão, pelas conversas e atitudes.

Todos os dias recebemos muitos benefícios de Deus: mais um dia de vida, com qualidade; o sol, a água, as plantas e flores, os alimentos para nossa sustentação, manifestam que Ele pôs ao nosso serviço a criação inteira.

A melhor gratidão que havemos de manifestar é renovar o propósito em cada manhã de O amarmos cada vez mais.

 

2. Viver a virtude da gratidão

 

a )Todos os benefícios nos vêem de Deus. «Ao entrar numa povoação, vieram ao seu encontro dez leprosos. Conservando-se a distância, disseram em alta voz: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós.”».

Deus é a primeira e única fonte de todo o bem, Senhor do Céu e da terra.

Quando, pois, pedimos uma graça a um santo, é a Deus que a estamos a pedir, apresentando a mediação deste servo de Deus, como quem se dirige a uma alta personalidade a pedir um favor e invoca os seus conhecimentos com pessoas próximas daquele a quem pedimos.

Não há duas forças contrárias, como se Deus quisesse uma coisa e Deus outra. Ninguém está tão conforme com a vontade de Deus como Nossa Senhora e os outros santos do Céu.

Quando, pois, Deus não nos concede uma graça que pedimos por intercessão de Maria ou de um outro santo, é porque tem para nós um bem maior e prefere conceder-no-lo. Outras vezes ainda não chegou a hora de nos fazer a vontade.

Em qualquer dos casos, ao pedir uma graça, a nossa disposição interior deve ser a mesma de jesus no Jardim das Oliveiras: manifestamos ao Senhor a nossa disposição mas deixamos-Lhe a última palavra, porque Ele sabe melhor o que nos convém do que nós.

Os dez leprosos dirigem-se directamente a Jesus Cristo e Ele concede-lhes a graça da cura, porque é Deus.

 

b) Sejamos agradecidos ao Senhor. «Jesus, tomando a palavra, disse: «Não foram dez que ficaram curados? Onde estão os outros nove

No final desta cura miraculosa, dá-se um incidente. Nove judeus, empenhados em cumprir a letra da Lei, seguem para o Templo de Jerusalém e não se dignam voltar atrás para agradecer. Só o samaritano, que não tinha qualquer relação com o Templo, volta atrás.

Jesus manifesta-lhe que também os outros nove tinham o dever de agradecer-Lhe a cura.

A virtude da gratidão deve ser encarada nos diversos aspectos:

A quem havemos de agradecer? A Deus directamente ou por meio dos santos. Recebemos muitos favores que Lhe agradecer.

Mas devemos agradecer também às pessoas que nos ajudam e servem, ou porque estão num serviço público para realizar o seu trabalho, ou porque nos fazem um favor. Estamos inseridos numa monumental cadeia de serviço, em que nos ajudamos uns aos outros.

Que havemos de agradecer? Praticamente, recebemos tudo das mãos de Deus. Lembramos alguns exemplos: o dom da vida e da graça santificante; as refeições; as muitas graças que ele supõe; o perdão dos pecados; a Sagrada Comunhão; ao fim de cada dia e ao despertar em da manhã.

Há alguns que estão mais perto de nós e frequente e directamente nos oferecem os seus serviços.

Educar a virtude da gratidão. Os pais devem habituar os filhos a agradecer: o amor dos pais, os mimos que lhes oferecem, e qualquer serviço que lhes prestam: os professores, o sacerdote, o condutor do auto-carro, etc.

 

c) Conversão pessoal, o melhor agradecimento. «E disse ao homem: “Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou”».

Tanto Naamã como o samaritano que foi curado da lepra acabam por se converterem. A conversão é o começo de uma vida íntima com Deus, até à comunhão final e definitiva no Céu.

Que sentido têm as muitas promessas que fazemos? Ao Senhor não interessam velas, dinheiro e flores, mas o nosso coração.

Todos os donativos que oferecemos a Deus e aos santos acabam por reverter em nosso favor, porque Ele não tem necessidade das nossas ajudas. Deus não quer o nosso porta-moedas, mas o nosso coração.

Damos dinheiro e outros objectos, porque são o modo prático de nos mostrarmos agradecidos.

Depois, a pedagogia da Igreja transformará os nossos donativos em bens para nós: pelas obras de misericórdia que exercem as associações e iniciativas da Igreja; criando condições para melhor vivermos o nosso culto a Deus.

O dinheiro – como exemplo – que damos em Fátima reverte em instalações e templos que ficam ao serviço de todos, em assistência e para a Universidade Católica.

Nas paróquias serve para criar condições em que o culto possa ser prestado, com luz, som, bancos, etc.

É, pois, um abuso, tomar as promessas dos fieis e transformá-las em meio de alimentar a vaidade pessoal na programação das festas.

Todos os Domingos nos reunimos para agradecer ao Senhor, em união com Jesus Cristo que, na Santa Missa, renova o sacrifício da Cruz, agradecer ao Pai todos os benefícios.

Façamo-lo seguindo o exemplo de Nossa Senhora, Nossa Mãe, e em união com Ela.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Na Sua vida pública, descrita no Evangelho,

Jesus Cristo anima-nos à oração de petição,

fortalecendo a nossa confiança filial em Deus.

Façamos subir por Ele, no Espírito Santo, ao Pai,

as necessidades da Igreja e de todos os homens.

Oremos (cantando):

 

    Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

1. Pelo Santo Padre, “servo dos servos de Deus”,

    para que possa contar com o nosso carinho,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

2. Bispos, Sacerdotes. Diáconos e outros servidores,

    para que nos ajudem e ensinem a sermos gratos,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

3. Pelos pais e mães das famílias desta comunidade,

    para que formem os filhos na virtude da gratidão,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

4. Por todos nós, reunidos a celebrar estes mistérios,

    para que saibamos agradecer ao Senhor os dons,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

5. Pelas pessoas que nos servem em cada momento,

    para que o Senhor cumule de bênçãos o seu amor,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

6. Pelos nossos familiares e amigos, que já partiram,

    para que Senhor os receba nas Moradas Eternas,

    oremos, irmãos.

 

    Senhor, nós temos confiança em Vós!

 

 Senhor, que nos chamastes à vida na terra,

para, servindo uns aos outros, nos salvarmos:

fazei de todos nós uma só família solidária

em que nos ajudemos mutuamente a chegar ao Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Jesus Cristo serviu-nos o manjar da Sua Palavra, na primeira parte da Santa Missa, ensinando-nos a viver como bons filhos de Deus.

Vai agora, pelo ministério do sacerdote, preparar o Alimento divino que nos fortalecerá para caminharmos até aos Seus braços, no Céu.

 

Cântico do ofertório: Feliz o povo que sabe aclamar-vos, A. Cartageno, NRMS 87

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai, Senhor, as orações e as ofertas dos vossos fiéis e fazei que esta celebração sagrada nos encaminhe para a glória do Céu. Por Nosso Senhor...

 

Santo: «Da Missa de Festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Saudação da Paz

 

A lei suprema do cristão é a da caridade, e o serviço é um dos aspectos em que somos chamados a vivê-la.

Peçamos perdão ao Senhor das vezes em que fechámos o nosso coração aos outros e manifestemos por este gesto litúrgico o desejo e propósito de nos emendarmos.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Não há maior entrega do que aquela que de Si mesmo nos faz Nosso Senhor na Sagrada Comunhão.

Procuremos corresponder a esta generosidade com uma entrega generosa no dia a dia, vivendo na Sua graça e fazendo a Sua vontade.

Que o Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade nos guardem para a vida eterna.

 

Cântico da Comunhão: Em Vós, Senhor, está a fonte da vida, Az. Oliveira, NRMS 67

Salmo 33, 11

Antífona da comunhão: Os ricos empobrecem e passam fome; mas nada falta aos que procuram o Senhor.

Ou:    cf. 1 Jo 3,2

Quando o Senhor se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.

 

Cântico de acção de graças: Cantai alegremente, M. Luís, NRMS 38

 

Oração depois da comunhão: Deus de infinita bondade, que nos alimentais com o Corpo e o Sangue do vosso Filho, tornai-nos também participantes da sua natureza divina. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Estejamos, a partir de agora, mais atentos a servir os outros que vivem connosco e não nos esqueçamos de agradecer àqueles que nos prestam serviços.

 

Cântico final: Vamos levar aos homens, M. Carneiro, NRMS 107

 

 

Homilias Feriais

 

28ª SEMANA

 

2ª Feira, 14-X: A ressurreição de Cristo e a filiação divina.

Rom 1, 1-7 / Lc 11, 29-32

Esta geração é uma geração perversa; pretende um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas.

Jesus fala da sua ressurreição, recorrendo ao sinal de Jonas: «Jesus fala deste acontecimento único, como do 'sinal de Jonas' (Ev.). Ele anuncia a sua ressurreição ao terceiro dia, depois da morte» (CIC, 994).

E é a sua ressurreição que lhe confere a plenitude da filiação divina: «declarado filho de Deus em todo o seu poder, devido à sua ressurreição de entre os mortos» (Leit.). Embora tenha morrido na Cruz, não perde batalhas (1º mistério glorioso). Recorramos mais à sua intercessão. E lembremo-nos de que no Céu alcançaremos igualmente a plenitude de filhos adoptivos de Deus.

 

 

3ª Feira, 15-X: Que culpa temos na difusão do ateísmo?

Rom 1, 16-25 / Lc 11, 37-41

O que se pode conhecer de Deus é claro para eles, porque Deus manifestou-lho.

«Na medida em que se nega ou rejeita a existência de Deus, o ateísmo é um pecado contra a virtude da religião (Leit.)» (CIC, 2215).

Em que medida é que os crentes podem ter culpa, nesta expansão do ateísmo? «Na medida em que, pela negligência ou educação da sua fé, ou por exposições falaciosas da doutrina, ou ainda pelas deficiências da sua vida religiosa, moral ou social, se pode dizer que mais esconderam do que revelaram o rosto autêntico de Deus e da religião» (CIC, 2125). Precisamos pois adquirir boa doutrina e viver coerentemente a nossa vida cristã de acordo com a nossa fé.

 

4ª Feira, 16-X: As consequências de um coração endurecido.

Rom 2, 1-11 / Lc 11, 42-46

Pelo teu coração duro e impenitente, estás a a acumular sobre ti a indignação divina.

O coração pode endurecer (Leit.) na medida em que se fecha à misericórdia do Senhor; em que considera a confissão sacramental sem importância para a vida. Um coração duro adquire «uma impermeabilidade de consciência, um estado de ânimo que se poderia dizer consolidado em função da livre escolha: é o que a Escritura costuma chamar dureza de coração. Nos nossos tempos esta atitude da mente e do coração corresponde talvez à perda do sentido do pecado» (João Paulo II).

Jesus acusa os fariseus de dureza do coração, porque pagam o dízimo das plantas, mas desprezam a justiça e o amor de Deus (Ev.).

 

5ª Feira, 17-X: A responsabilidade pela participação na Missa.

Rom 3, 21-30 / Lc 11, 47-54

É para se pedirem contas aos homens desta geração do sangue de todos os profetas, derramado a partir da criação do mundo.

Além do sangue dos profetas (Leit.), também teremos que prestar contas a Deus pelo sangue derramado por Cristo: «Aquele que expia os pecados pelo sangue derramado» (Ev.). Na verdade, «o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício» (CIC, 1367).

O rito da celebração eucarística está fundado no sacrifício que Cristo ofereceu, uma vez por todas, nos dias da sua existência terrena. Do mesmo modo a nossa participação na celebração tem como consequência a oferta da nossa vida. Esta união deve ter depois uma influência importante no nosso trabalho, nas relações sociais, nas alegrias e fracassos, etc.

 

6ª Feira, 18-X: S. Lucas: Participação na missão de Cristo.

2 Tim 4, 9-17 / Lc 10, 1-9

Designou o Senhor setenta e dois discípulos e mandou-os em missão, dois a dois, à sua frente.

«Os Doze e os outros discípulos (Ev.) participam da missão de Cristo, do seu poder, mas também da sua sorte. Com todos estes actos, Cristo prepara e constrói a sua Igreja» (CICC, 765).

S. Lucas participou na missão de Cristo, transmitindo, com a sua palavra e escritos (Oração), os ensinamentos de Jesus e a vida da primitiva cristandade; acompanhando S. Paulo nas suas viagens apostólicas e estando a seu lado na prisão em Roma (Leit.). A ele devemos um melhor conhecimento da vida de Jesus, especialmente da sua vida de infância, de algumas parábolas. Como estamos a colaborar missão de Cristo? Nª Senhora também colaborou activamente com o seu fiat.

 

Sábado, 19-X: O exemplo da fé de Abraão.

Rom 4, 13. 16-18 / Lc 12, 8-12

A herança veio-lhe, portanto, em virtude da fé.

Abraão não vacilou, apesar da sua idade e da esterilidade da mulher, porque se apoiou firmemente no poder e na misericórdia divinas (Leit.).

«A fé está ligada à escuta. Abraão não vê Deus, mas ouve a sua voz. A fé é a resposta a uma Palavra que interpela pessoalmente, a um Tu que nos chama pelo nome» (Lumen fidei, 8). Ele confia plenamente na promessa de Deus: «A fé acolhe esta palavra como rocha segura, sobre a qual se pode construir com alicerces firmes» (id., 10). Na nossa vida precisamos de conversões constantes, que consistem em edificá-la de acordo com a palavra de Deus. Assim actuou Nª Senhora.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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