A  abrir

NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DE FÁTIMA

 

 

 

 

Hugo de Azevedo

 

 

 

Dos inúmeros livros dedicados a Fátima, a obra «Pastorinhos de Fátima», do Cón.º Fernando Silva (que me perdoará a elogiosa citação), foi considerado por D. Alberto Cosme do Amaral «entre os melhores». Até por incluir já a revelação da terceira parte do «Segredo». Dentre as suas qualidades, destacaria agora apenas o facto de nos oferecer antecedentes próximos da Aparições pelos quais descobrimos que a Senhora que nos veio recomendar insistentemente a recitação do Terço, veio do Céu por força de milhões de Terços que antes lhe rezámos.

Como aponta nas págs. 184-186, em 1916, em pleno período anti-católico, estendeu-se por todo o país a «Cruzada do Rosário», com o compromisso da reza diária do Terço e, em comum, uma vez por semana, além da Sagrada Comunhão ao Domingo pela intenções da Cruzada e a entronização em cada lar de uma imagem de Nossa Senhora do Rosário.

Impressionante é o resumo que faz da fúria demoníaca que explodiu no ano seguinte, 1917, precisamente o ano das Aparições (págs. 174-177). De Janeiro a Dezembro, não têm conta os assaltos aos Sacrários e os sacrilégios cometidos contra o Sagrada Eucaristia, a começar por Vila Nova de Ourém. O elenco horrível termina com a súmula do acontecido em Lisboa: «Quarenta e dois templos profanados, só na capital do país!»

Não fora por acaso que o Anjo da Paz tinha preparado os pastorinhos em 1916 para oferecerem «o preciosíssimo Corpo, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os Sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido».

O povo português pediu ardentemente a protecção da nossa Mãe do Céu, passando sem cessar as contas do Rosário, certos da sua intercessão, mas quem imaginaria que, em resposta, Ela própria viesse do Céu à Cova da Iria! E veio também para nos confirmar que o Terço é oração muito agradável a Deus, «oração trinitária», como a Irmã Lúcia várias vezes recordou àqueles que, nessa altura, sentiam escrúpulo em rezar o Rosário diante do Santíssimo Sacramento. Então não nos dirigimos ao Pai – «Pai nosso…» – e não damos «glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo»? Tempos que, graças a Deus, já lá vão…

Aliás, o que é o Santo Rosário, senão a continua contemplação da Incarnação do Verbo, nesse instante sublime em que o Anjo saudou Maria – «Ave, ó cheia de graça, o Senhor é contigo!» - e Ela O aceitou no seu coração e no seu seio?

Por isso, dá pena o desconhecimento geral de uma «oração de Fátima» que resume a sua mensagem trinitária e eucarística, e que o autor do livro regista em palavras da principal vidente. No fim da primeira Aparição, fazendo-lhes Maria ver-se a si mesmos em Deus, «por um impulso íntimo (…), caímos de joelhos e repetíamos intimamente: – “Ó Santíssima Trindade, eu Vos adoro! Meu Deus, meu Deus, eu Vos amo no Santíssimo Sacramento!”» (pág. 192).

 

 

 

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial