aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

REGRESSO AO VATICANO

DO PAPA EMÉRITO

 

O Papa emérito Bento XVI regressou ao Vaticano no passado dia 2 de Maio após uma ausência de dois meses, para residir no edifício que acolhia um mosteiro de clausura, onde foi recebido pelo seu sucessor, o Papa Francisco.

 

“(Bento XVI) está agora feliz por regressar ao Vaticano, num lugar em que pretende dedicar-se – como ele próprio anunciou no dia 11 de Fevereiro –, ao serviço da Igreja, acima de tudo com a oração”, revela um comunicado da Sala de imprensa da Santa Sé.

O Papa emérito viajou em helicóptero desde o palácio apostólico de Castel Gandolfo, arredores de Roma, para o antigo mosteiro “Mater Ecclesiae”, depois de ter deixado o Vaticano a 28 de Fevereiro, dia em que deu por encerrado o seu pontificado, após a sua renúncia.

À chegada ao heliporto do Vaticano, foi recebido por uma delegação de cardeais e bispos, presidida pelo decano do Colégio Cardinalício, cardeal Angelo Sodano, com a presença do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone.

O Papa Francisco deu as boas-vindas ao seu predecessor “com grande e fraterna cordialidade”. “Juntos, entraram na capela do mosteiro para um breve momento de oração”, refere o comunicado.

O edifício que acolhe agora Bento XVI tem quatro pisos e sofreu obras de remodelação nos últimos meses, após a partida das religiosas que ali residiam.

Joseph Ratzinger continua a estar acompanhado pelas quatro leigas consagradas que o serviram durante o pontificado e pelo seu secretário particular, arcebispo Georg Gänswein, actual prefeito da Casa Pontifícia.

A casa tem ainda um quarto de hóspedes para receber as visitas do irmão mais velho do Papa emérito, Mons. Georg Ratzinger.

O porta-voz do Vaticano disse aos jornalistas que Bento XVI “não tem qualquer doença”, mas é “um homem idoso, enfraquecido pela idade”.

 

 

PRIMEIRA CANONIZAÇÃO

DO PAPA FRANCISCO

 

O Papa Francisco lembrou no passado domingo 12 de Maio os cristãos perseguidos por causa da sua fé e pediu coragem para evitar o “aburguesamento do coração”.

 

“Peçamos a Deus que sustente os muitos cristãos que, precisamente neste tempo e em tantas partes do mundo, ainda sofrem violência e lhes dê a coragem para serem fiéis e responder ao mal com o bem”, disse, na homilia da primeira celebração de canonizações do actual pontificado, na Praça de São Pedro.

Perante dezenas de milhares de pessoas, o Papa evocou o testemunho do italiano Antonio Primaldo, canonizado juntamente com cerca de 800 companheiros leigos, todos decapitados porque “não quiseram renegar a sua própria fé” a 13 de Agosto de 1480, na cidade de Otranto (Itália), durante uma invasão levada a cabo por tropas turcas.

Francisco falou também das duas novas santas, a colombiana Laura de Santa Catarina de Sena (1874-1949), a primeira católica do país a ser canonizada, e a mexicana Maria Guadalupe (1878-1963), que participou na criação da Congregação das Servas de Santa Margarida Maria e dos Pobres.

Segundo o Papa, o exemplo destas religiosas ensina a “vencer a indiferença e o individualismo”, que corroem “as comunidades cristãs” e o coração de cada pessoa, para acolher todos “sem preconceitos nem reticências, com autêntico amor”.

O rito de canonização decorreu no início da celebração, com a intervenção do cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, a inscrição dos beatos “no álbum dos Santos”, por parte do Papa, e a colocação de relíquias junto do altar.

 

 

PAPA FRANCISCO

NÃO FEZ EXORCISMO

 

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse aos jornalistas que o Papa “não quis fazer nenhum exorcismo” no domingo 19 de Maio, quando abençoou um homem na cadeira de rodas, na Praça de São Pedro.

 

O porta-voz reagia às notícias colocadas a circular na Internet e em vários meios de comunicação social, explicando que Francisco se limitou “a rezar por uma pessoa em sofrimento”, que lhe foi apresentada, como “costuma fazer pelas pessoas doentes e que sofrem”.

O Papa cumprimentou vários doentes no final da missa desse domingo, como faz desde o início do pontificado, e aproximou-se de um homem acompanhado por um padre, que falou com Francisco, antes de este impor as suas mãos na cabeça daquele.

 

 

PAPA VISITA

CASA DE ACOLHIMENTO

 

O Papa Francisco salientou o “dom do amor” durante uma visita à casa “Dom de Maria”, dirigida pelas religiosas da Madre Teresa de Calcutá, que acolhe pessoas necessitadas, no Vaticano.

 

A visita, que decorreu no passado dia 21 de Maio, visou assinalar o 25.º aniversário da entrega da gestão desta casa de acolhimento à Madre Teresa de Calcutá por João Paulo II.

O Papa Francisco elogiou a hospitalidade “sem distinção de nacionalidade ou religião” que se vive na instituição, pedindo que se recupere o “sentido do dom”, da gratuidade e da solidariedade.

O Papa deixou um “obrigado” às Missionárias da Caridade, responsáveis pela casa, que apresentou como “a mão de Deus que sacia a fome de todo o ser vivo”.

“Na fronteira entre Vaticano e Itália, esta casa é um forte apelo a todos nós, à Igreja, à Cidade de Roma, a ser cada vez mais família, abertos ao acolhimento, à atenção e à fraternidade”, precisou.

O Santo Padre foi acolhido com uma grinalda de flores, segundo o costume indiano, que as irmãs colocaram no seu pescoço.

“A música desta casa é o amor”, disse.

Estavam presentes mais de cem pessoas, entre hóspedes e voluntários, que o Papa cumprimentou pessoalmente.

A estrutura acolhe 25 mulheres e serve refeições a cerca de 60 homens, diariamente.

 

 

PAPA VAI A ASSIS

EM 4 DE OUTUBRO

 

O Papa Francisco vai visitar no próximo dia 4 de Outubro a cidade italiana de Assis, ligada a São Francisco (c. 1181-1226), que o inspirou na escolha do nome para o pontificado, anunciou o bispo da diocese.

 

Os sinos da Basílica de São Francisco repicaram no passado dia 23 de Maio, em sinal de festa.

Mons. Domenico Sorrentino disse à Rádio Vaticano que este é um momento de grande alegria para a região.

A visita vai decorrer no dia em que se celebra a festa litúrgica de São Francisco de Assis, padroeiro da Itália.

“O Papa mostrou um grande interesse, até porque ainda não esteve em Assis e já me informou que pretende fazer uma visita bem articulada, que lhe permita trilhar as pegadas de Francisco, no seu caminho espiritual, no caminho da conversão”, revelou Mons. Domenico Sorrentino.

O Papa Francisco já se referiu ao Santo de Assis por diversas vezes, destacando a sua atenção aos pobres e à Natureza, bem como o respeito que merece por fiéis de outras religiões.

 

 

CELEBRAÇÃO EM ROMA

DO CORPO DE DEUS

 

O Santo Padre disse que a celebração da solenidade do Corpo de Deus, no passado dia 30 de Maio, é sinal da “solidariedade de Deus que nunca se esgota” e que deve ser seguida e praticada em cada dia, por todas as comunidades católicas.

 

Na homilia da missa do Corpo de Deus, o Papa Francisco pediu aos fiéis para abandonarem o “individualismo” e para “colocarem as suas capacidades à disposição dos irmãos”.

“Não tenham medo de ser solidários” – exortou o Papa, perante cerca de 20 mil fiéis que acorreram à Basílica de São João de Latrão.

Francisco manifestou ainda o desejo de que todas as dioceses, paróquias e comunidades, através da vivência da Eucaristia, se sintam sempre impelidas a seguir os valores de Cristo, a serem “instrumentos de comunhão” entre os homens, a apostarem numa vida verdadeiramente fecunda.

Em Portugal, o Corpo de Deus celebrou-se este ano pela primeira vez a um domingo (2 de Junho) e não num dia feriado.

A suspensão de dois feriados católicos (Corpo de Deus e Todos os Santos) foi acordada em 2012 após um “entendimento excepcional” entre a Santa Sé e o Governo português, válido por cinco anos.

 

 

VIRGEM MARIA, MULHER DE

ESCUTA, DECISÃO E ACÇÃO

 

O Papa Francisco presidiu no último dia de Maio, à noite, na Praça São Pedro, à celebração mariana do terço e considerou Maria como mulher da «escuta, decisão e acção».

 

Por ocasião da conclusão do mês de Maio, festa da Visitação, o Papa Francisco ao explicar o primeiro aspecto do comportamento de Maria – «escuta» – disse que ela soube ouvir Deus, mas “não se trata de um simples «ouvir» superficial, mas de atenção, acolhimento e disponibilidade para com Deus”.

Aproveitando o exemplo de Maria, o Papa argentino sublinhou aos peregrinos, na Praça de São Pedro, que esta forma de agir da mãe de Jesus deve ser um modelo para os cristãos: “escuto a Deus e escuto também a realidade diária, atenção às pessoas, aos factos, porque o Senhor está à porta da nossa vida e bate de muitos modos, colocando sinais no nosso caminho”.

A seguir, o Papa Francisco explicou o segundo aspecto do comportamento de Maria – «decisão» –, visto que “Ela não vive da pressa, com ânsia, tampouco se detém na reflexão”, e acrescentou: “ela vai mais além, decide”.

Maria “não se deixa arrastar pelos acontecimentos, não hesita em decidir”, disse o Papa.

Por fim, o Papa deteve-se no terceiro aspecto do comportamento de Maria – “acção” –: pôs-se em viagem e foi “depressa visitar sua prima Santa Isabel”.

“Apesar das dificuldades e das críticas, ela não se detém diante de nada e parte depressa”, referiu.

O Papa concluiu a sua meditação, convidando os fiéis presentes a seguirem o exemplo de Maria, levando, como Ela, o que os cristãos têm de mais precioso: “Jesus e o seu Evangelho, mediante a palavra e o testemunho concreto da acção”.

 

 

ORIENTAÇÕES PASTORAIS

ACERCA DOS MIGRANTES

 

A Santa Sé apelou no passado dia 6 de Junho ao fim da “cultura de suspeita” perante as pessoas que saíram do seu país, lembrando em particular a gravidade da situação dos 100 milhões de refugiados, deslocados e apátridas em todo o mundo.

 

“A conotação negativa dos que pedem asilo e dos próprios refugiados aumentou a xenofobia, às vezes até o racismo, o medo e a intolerância a seu respeito, e uma cultura de suspeita a partir da assunção generalizada de uma possível correlação entre o asilo e o terrorismo, que ainda tem repercussões sobre a situação dos refugiados e de outras pessoas deslocadas à força”, alerta o novo documento de orientações pastorais “Acolher Cristo nos refugiados e nas pessoas deslocadas à força”.

O texto foi elaborado pelo Conselho Pontifício para os Migrantes e Itinerantes e pelo Conselho Pontifício Cor Unum, responsável pela coordenação das organizações caritativas na Igreja Católica.

“Consciente da gravidade da situação dos refugiados e das condições desumanas nas quais muitos deles vivem, a Igreja, para além do seu próprio compromisso, considera sua tarefa consciencializar a opinião pública sobre este grave problema”, assumem as duas instituições da Santa Sé, que alertam para a “diminuição da hospitalidade e do acordo a receber um número considerável de refugiados por um período de tempo indefinido”.

O documento lembra que a migração mudou e vai aumentar nas próximas décadas, tornando mais difícil o trabalho de distinguir entre migração voluntária e forçada.

“Quando se aborda o problema dos que pedem asilo e dos refugiados, o primeiro ponto de referência não deve ser a razão de Estado ou a segurança nacional, mas a pessoa humana”, sustentam aqueles Conselhos Pontifícios.

Segundo o Vaticano, o problema dos refugiados e de outras pessoas deslocadas à força só pode ser resolvido “se existirem as condições para uma reconciliação genuína”, o que “significa reconciliação entre as nações, entre os vários sectores de uma comunidade nacional, no interior de cada grupo étnico e entre os diversos grupos étnicos”.

O documento divulgado recorda que a Igreja sempre evocou o direito à “reunificação de famílias separadas por causa da fuga de um ou mais dos seus membros, devido à perseguição” e destacou a importância de respeitar “o direito à liberdade religiosa dos refugiados”.

“Se tivéssemos caridade, seria impossível permanecer silenciosos diante de imagens inquietadoras de campos de refugiados e de pessoas deslocadas internamente, no mundo inteiro”, observam os responsáveis da Santa Sé.

O texto realça que o cuidado para com os necessitados, entre os quais migrantes, refugiados e itinerantes, foi sempre uma parte “essencial” do cristianismo.

“Através deste documento, esperamos sensibilizar todos os cristãos, os pastores e igualmente os fiéis, acerca dos seus deveres em relação aos refugiados e às outras pessoas deslocadas à força”.

Para a Santa Sé, é necessário um compromisso efectivo das instituições da Igreja Católica para “oferecer respostas adequadas às necessidades dos refugiados e de outras pessoas deslocadas à força, abordando comportamentos de discriminação, xenofobia ou racismo e promovendo políticas que salvaguardem, fortaleçam e tutelem os seus direitos”.

 

 

CALENDÁRIO DO PAPA

NO VERÃO

 

O Papa Francisco decidiu passar os meses de Verão na Casa de Santa Marta, no Vaticano, onde reside desde a sua eleição pontifícia, anunciou no passado dia 6 de Junho a Prefeitura da Casa Pontifícia.

 

A agenda do Papa inclui uma viagem ao Brasil, para participar na Jornada Mundial da Juventude 2013 no Rio de Janeiro, entre 22 e 28 de Julho.

O resto do calendário vai seguir a tradição e cancelar quaisquer audiências privadas ou especiais entre o início de Julho e finais de Agosto.

As audiências gerais que todas as semanas juntam milhares de pessoas na Praça de São Pedro, à quarta-feira, vão estar suspensas em Julho e serão retomadas a 7 de Agosto.

As alterações estendem-se à Missa que o Papa tem celebrado de manhã, na capela da Casa de Santa Marta, com funcionários do Vaticano e da Santa Sé, momento que vai terminar a 7 de Julho e reiniciar-se no começo de Setembro.

A 14 de Julho, domingo, o Papa Francisco vai presidir à oração do Angelus no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, nos arredores de Roma, a habitual residência de Verão dos Papas, que este ano não terá essa função.

 

 

ENCONTRO DO PAPA

COM PRIMAZ ANGLICANO

 

O Papa Francisco manifestou no passado dia 14 de Junho a comunhão de católicos e anglicanos na promoção dos valores fundadores da sociedade e o esforço comum para uma maior justiça social e uma economia ao serviço do ser humano, ao receber o Primaz da Igreja Anglicana, o arcebispo Justin Welby.

 

“Entre as nossas tarefas enquanto testemunhas do amor de Cristo está o dar voz ao grito dos pobres para que não sejam abandonados às leis da economia que de momento parecem tratar as pessoas como meros consumidores”, afirmou o Papa.

Este foi o primeiro encontro entre os dois responsáveis, uma vez que o Primaz da Igreja Anglicana não pôde estar presente na Missa de inauguração do pontificado de Francisco, a 19 de Março, porque dois dias depois seria entronizado.

O Papa quis sublinhar o “testemunho” e a “promoção” conjunta das duas Igrejas nos “valores cristãos num mundo que parece questionar as fundações da sociedade, como o respeito pela sagrada vida humana ou a importância da instituição familiar assente no casamento”, um assunto recentemente debatido na Inglaterra onde a Câmara dos Lordes aprovou o casamento homossexual.

Sem esquecer uma relação “longa e complexa” entre a Igreja de Inglaterra e a Igreja Católica, Francisco sublinhou os passos dados nas últimas décadas para uma relação de fraternidade.

“Esta reaproximação tem sido marcada por um diálogo teológico, através do trabalho da Comissão Internacional Anglicana-Católica Romana e através do aumento das relações cordiais num profundo e mútuo respeito e sincera cooperação”.  

Francisco recordou o esforço de Bento XVI para criar uma “estrutura canónica” capaz de responder aos “desejos dos grupos de anglicanos que pediram para ser recebidos na Igreja católica”, passo que, segundo o Papa, vai permitir um “maior conhecimento em todo o mundo católico das bases espirituais, litúrgicas e pastorais do património anglicano”.

No encontro, o arcebispo Justin Welby esteve acompanhado da sua mulher Caroline, do seu representante oficial em Roma, David Moxon, e do arcebispo católico de Westminster, Mons. Vincent Nichols.

 

 

CATÓLICOS E LUTERANOS

PUBLICAM DOCUMENTO CONJUNTO

 

A Igreja Católica e a Federação Luterana Mundial publicaram no passado dia 17 de Junho o documento “Do conflito à comunhão”, tendo em vista o V centenário da Reforma de Martinho Lutero (1483-1546) que levou à separação de Roma.

 

O documento é fruto de quatro anos de trabalho da comissão bilateral para o diálogo entre as duas Igrejas e percorre a história, por vezes dolorosa, da relação entre católicos e luteranos, adianta a Rádio Vaticano.

Os progressos no diálogo teológico, desde o Concílio Vaticano II (1962-1965), e as divergências que ainda existem são também analisadas no texto, divulgado em Genebra (Suíça), na presença do presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, cardeal Kurt Koch.

 

 

PAPA MUDOU A PERCEPÇÃO

QUE SE TEM DA IGREJA

 

O vaticanista italiano Andrea Tornielli, autor de uma biografia sobre o Papa Francisco, afirmou no passado dia 17 de Junho que Francisco pode manter a “lua de mel” com os media e que algo “já mudou” em relação à Igreja Católica.

 

“A percepção da Igreja Católica mudou, não porque os escândalos e os problemas já não existam, mas porque em vez dos bastidores interessa o que está em cena”, disse à Agência ECCLESIA o jornalista e especialista em assuntos da Santa Sé, que se encontrou por várias vezes com o então cardeal Jorge Mario Bergoglio, eleito sucessor de São Pedro em 13 de Março.

O autor da obra “Francisco: O Papa de todos nós” (A Esfera dos Livros) pensa que a eleição do antigo arcebispo de Buenos Aires, de 76 anos, foi uma surpresa e que muitas pessoas estavam distraídas em relação a uma figura que foi, por exemplo, o protagonista da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano que decorreu em Aparecida (Brasil), em 2007.

“Não é obrigatório que este clima, este momento esteja destinado a acabar: esta onda de simpatia chega mesmo dos não crentes, dos que se reaproximaram da Igreja por causa da mensagem centrada na misericórdia. É possível que este clima continue”, afirma.

Para Andrea Tornielli, o Papa Francisco tem-se mantido “igual a si próprio”, uma pessoa “simples e humilde” mesmo nas decisões mais mediatizadas, como a de residir na Casa de Santa Marta e não no palácio apostólico do Vaticano, por exemplo.

“Não há nada que seja estudado para a opinião pública, de mediático, é simplesmente ele próprio: é pouco conhecido, porque quando celebrava missa nas ‘villas miséria’ (bairros de lata) de Buenos Aires ia só, não tinha jornalistas consigo”, refere.

O vaticanista elogia também o facto de o Papa passar muito tempo a cumprimentar os presentes na audiência pública semanal que tem decorrido na Praça de São Pedro: “Ele pensa mesmo que não tem nada de melhor a fazer do que estar com as pessoas e elas percebem isso”.

Estes gestos, acrescenta, não devem ser vistos apenas como “pormenores”, mas simbolizam a vontade de um “pastor” em estar “à frente do rebanho, para o guiar”, “no meio, como os outros” e “atrás do rebanho, para o proteger”.

“Para ele, o pastor está ao serviço do povo e isto é já mudança que pede uma autorreforma por parte de quem vê que este é o exemplo do Papa”, precisa.

O vaticanista acredita que Francisco é alguém “capaz de decidir” e que essa determinação se vai estender à reforma da Cúria Romana.

Em relação aos temas “eticamente sensíveis”, o jornalista espera uma “abordagem diferente, mais positiva, mais propositiva”, sem mudar a doutrina.

Francisco, sublinha Andrea Tornielli, quer uma Igreja que procure “facilitar a fé das pessoas, mais do que regulá-la”.

O autor esteve em Lisboa para apresentar a sua nova obra, na qual quis passar em revista a vida de Jorge Mario Bergoglio e identificou “temas recorrentes” que o agora Papa tem continuado a defender nas suas intervenções, no Vaticano.

“Nestas páginas percebe-se qual é a sua ideia de Igreja, como foi bispo e como está a ser Papa: parece-me que uma grande ideia é o de uma Igreja que quer superar a autorreferencialidade, que não está fechada sobre si própria, num grande apelo a abrir as portas e ir para as periferias”, conclui.

 

 

HÁ 50 ANOS,

ELEIÇÃO DE PAULO VI

 

Paulo VI, Giovanni Battista Montini (1897-1978), foi eleito como sucessor de João XXIII há 50 anos, data que se assinalou no passado dia 21 de Junho, evocando o Papa que viria concluir o Concílio Vaticano II e seria o primeiro a visitar Fátima.

 

O então cardeal Montini era arcebispo de Milão há mais de oito anos e tinha servido a Santa Sé na Secretaria de Estado nos pontificados de Pio XI e Pio XII.

António Matos Ferreira, director do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa, recorda em texto publicado no Semanário ECCLESIA que o Papa Paulo VI, eleito a 21 de Junho de 1963, era já “um eclesiástico amplamente conhecido e respeitado”, que tinha acompanhado “gerações fortemente laicais e inspiradoras de novas formas de vivência eclesial e pastoral”.

“O pontificado de Paulo VI assumiu e interpretou as expectativas de uma modernidade motivada por confrontos ideológicos, mas também galvanizada pela necessidade de fazer surgir um mundo novo (melhor) empenhado na justiça, na paz e na cooperação e participação democráticas”, refere o historiador.

Segundo Matos Ferreira, o Papa italiano não só garantiu a prossecução do II Concílio do Vaticano “dentro do paradigma da renovação e do dar voz à diversidade da experiência cristã”, mas também “apoiou a ampliação desta perspectiva conciliar, não sem ter que lidar com conflitos, hesitações e, desde cedo, com a pluralidade e a divergência de interpretações”.

“No período das três sessões conciliares que lhe coube levar a cabo para concluir o Concílio, Paulo VI marcou a imagem da sua época através de gestos, de modo a introduzir novos patamares de consciência entre os católicos da época, acentuando um forte sentido de colegialidade”, observa.

Apesar de “muitas perplexidades e sentimentos dolorosos” diante dos acontecimentos do mundo e da Igreja na época, acrescenta o historiador, “Paulo VI deu continuidade a uma renovação da função petrina como realidade primeiramente espiritual, despojada e de serviço”.

 

 

COMISSÃO DE INQUÉRITO

AO “BANCO DO VATICANO”

 

Com um documento de 24 de Junho passado, o Papa Francisco criou uma Comissão Pontifícia consultiva sobre o Instituto para as Obras de Religião (IOR), conhecido como “Banco do Vaticano”.

 

O Papa pretende conhecer melhor a posição jurídica e as actividades do IOR, para permitir “uma melhor harmonização do Instituto com a missão da Igreja universal e da Sede Apostólica”. Esta Comissão está encarregada de estudar a situação em que se encontra o Instituto e informar depois o Santo Padre.

Entretanto, o Instituto continua a funcionar segundo as suas regras, salvo alguma disposição diferente do Santo Padre.

A Comissão é presidida pelo Cardeal Raffaele Farina, Arquivista e Bibliotecário emérito da Santa Sé, e dela também fazem parte o cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Conselho Pontifício para o diálogo inter-religioso, o bispo Mons. Juan Ignacio Arrieta, Secretário do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos, Mons. Peter Bryan Wells, assessor para as questões gerais da Secretaria de Estado, e a Prof. Mary Ann Glendon, presidente da Academia Pontifícia das Ciências Sociais.

Mons. Juan Ignacio Arrieta actua como Coordenador e Mons. Peter Bryan Wells, como Secretário.

 

 

A PATERNIDADE

DOS PADRES

 

Os padres, mesmo celibatários, também devem ser pais. Foi a mensagem do Papa Francisco na Missa de 26 de Junho passado, na Casa de Santa Marta, onde celebra habitualmente.

 

A “paternidade” mencionada pelo Santo Padre não é física, mas sim a paternidade espiritual dos padres em relação às pessoas confiadas a eles. Uma “graça especial”, que só em alguns casos Nosso Senhor concede.

Ser “pai” de um ser humano significa dar-lhe a vida, explicou Francisco, e torna-nos semelhantes a Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou por nós, pelos outros.

O “desejo de ser pai”, disse o Papa, está inscrito “nas fibras mais profundas do homem". Inclusive do padre, que orienta e vive esse desejo, mas de forma espiritual. “Quando um homem não tem esse desejo”, prosseguiu o pontífice, “algo falta nele”. Todos nós, para “sermos completos, maduros, precisamos de sentir a alegria da paternidade: também nós, celibatários”. Porque “a paternidade é dar a vida aos outros... Para nós, é a paternidade pastoral, a paternidade espiritual; mas é dar a vida, é tornarmo-nos pais”.

A reflexão do Papa foi sugerida pela passagem do Génesis, em que Deus promete a Abraão a alegria de um filho e de uma descendência infinita, apesar da sua idade avançada. Abraão sacrifica então alguns animais, de acordo com as instruções de Deus, para selar o pacto, e depois defende o seu holocausto do ataque de aves de rapina. Uma cena comovente, na opinião do Papa, porque “olhar para aquele nonagenário, com o seu bastão”, defendendo o seu sacrifício, “faz-me pensar num pai que defende a família, os filhos”.

Ser pai segundo a “paternidade espiritual” é “uma bênção” que todo o sacerdote deve pedir, disse o pontífice. “Pecados, nós temos muitos, mas isso é commune sanctorum: todos nós temos pecados. Mas não ter filhos, não ser pai, é como se a vida não chegasse ao fim. Ela pára no meio do caminho". Os próprios fiéis, observou Francisco, querem ver isso no padre: “As pessoas chamam-nos padre, pai... Temos que ser pais pela graça da paternidade pastoral”.

 

 

AOS NOVOS ARCEBISPOS:

UNIDADE NAS DIFERENÇAS

 

No passado dia 29 de Junho, solenidade de S. Pedro e S. Paulo, o Papa Francisco defendeu uma maior colegialidade na vida da Igreja Católica, que valorize “a unidade nas diferenças”, e sublinhou a importância da “comunhão” entre todos.

 

“Na Igreja, a variedade, que é uma grande riqueza, funde-se sempre na harmonia da unidade, como um grande mosaico onde todos os ladrilhos concorrem para formar o único grande desenho de Deus”, disse na homilia da Missa, após a imposição do pálio a 34 arcebispos metropolitas nomeados desde há um ano, incluindo D. Manuel Clemente, novo patriarca de Lisboa.

Segundo o Santo Padre, essa insígnia litúrgica de honra e jurisdição é “símbolo de comunhão” com o Papa, sublinhando que a presença de arcebispos de vários continentes “é o sinal de que a comunhão da Igreja não significa uniformidade”.

A homilia destacou a necessidade de “seguir o caminho da sinodalidade, crescer em harmonia, com o serviço do primado (do Papa)”, dentro da Igreja Católica.

“Isto deve impelir a superar sempre qualquer conflito que possa ferir o corpo da Igreja. Unidos nas diferenças: não há outra estrada para nos unirmos. Este é o espírito católico, o espírito cristão: unir-se nas diferenças. Este é o caminho de Jesus”, destacou o Papa Francisco.

O Santo Padre voltou a falar do pálio, que além de ser “sinal da comunhão com o bispo de Roma, com a Igreja universal, com o Sínodo dos bispos”, é também “um compromisso” que deve levar cada um dos que o recebem a ser “instrumento de comunhão”.

A homilia apresentou uma reflexão sobre a missão do Papa, em volta do verbo “confirmar”: na fé, no amor e na comunhão.

 

 

NOVA DIRECÇÃO DO

“BANCO DO VATICANO”

 

Paolo Cipriani, director do Instituto para as Obras de Religião (IOR), organismo bancário da Santa Sé, e o vice-director, Massimo Tulli, demitiram-se de seus cargos, segundo um comunicado da Santa Sé, no dia 1 de Julho passado.

 

Segundo a nota, “após muitos anos de serviço, ambos decidiram que este acto seria no melhor interesse do Instituto e da Santa Sé”. O Conselho de Superintendência e a Comissão dos Cardeais aceitaram as demissões e pediram ao Presidente do Conselho Ernst von Freyberg para assumir interinamente as funções de director geral, com efeito imediato. A Autoridade de Informação Financeira foi informada e a Comissão Especial nomeada no passado 26 de Junho tomou nota desta decisão.

Ernst von Freyberg será assistido por Rolando Marranci como vice-director e por Antonio Montaresi na nova posição de Chief Risk Officer. Em nome do Conselho de Administração da Superintendência, o Presidente von Freyberg agradeceu aos dirigentes cessantes a dedicação pessoal manifestada ao longo dos anos.

“Desde 2010 que o IOR e a sua Direcção têm trabalhado seriamente para tornar as estruturas e os procedimentos (do IOR) conformes com as normas internacionais de combate à lavagem de dinheiro – declarou von Freiberg. Apesar de estarmos gratos pelos resultados alcançados, é claro que precisamos de uma nova direcção para acelerarmos o ritmo deste processo de transformação”.

Entretanto o Conselho de Superintendência activou um procedimento de selecção com o objectivo de nomear num futuro próximo um novo director geral e um vice-director.

O Instituto para as Obras de Religião (IOR) é um instituto fundado em 1942 por decreto papal. O seu objectivo é servir a Santa Sé e a Igreja Católica em todo o mundo. O IOR protege o património de um grupo claramente determinado de pessoas físicas e jurídicas com filiação na Igreja Católica, definida pelo direito canónico ou pelo direito do Estado da Cidade do Vaticano. A estrutura de governo do IOR é constituída por uma Comissão cardinalícia, um prelado, um Conselho de Superintendência e uma direcção. O IOR tem ao seu serviço 114 funcionários, com sede exclusivamente no Estado da Cidade do Vaticano.

 

 

PRÓXIMA CANONIZAÇÃO DE

JOÃO PAULO II E JOÃO XXIII

 

O Santo Padre reconheceu no passado dia 5 de Julho um segundo milagre de João Paulo II, depois de ter recebido o parecer favorável da Congregação para as Causas dos Santos, o que vai permitir a sua canonização em breve.

 

O decreto segundo o qual a cura inexplicável à luz da ciência actual pode ser atribuída à intercessão do falecido Papa foi assinado por Francisco, que vai agora convocar um Consistório público de cardeais para decidir a data da canonização.

 O Vaticano não deu qualquer informação sobre a natureza deste segundo milagre.

Karol Wojtyla nasceu em Wadowice (Polónia) em 18 de Maio de 1920. Eleito Papa em 16 de Outubro de 1978, faleceu em 2 de Abril de 2005. Foi proclamado Beato por Bento XVI a 1 de Maio de 2011, na Praça de São Pedro. A sua memória litúrgica celebra-se a 22 de Outubro, data que assinala o dia de início do seu pontificado.

Entre os muitos frutos mais significativos deixados em herança à Igreja, destaca-se o seu riquíssimo Magistério e a promulgação do Catecismo da Igreja Católica e do Código de Direito Canónico para a Igreja latina e oriental.

 

O Papa Francisco aprovou também a canonização de João XXIII, falecido há 50 anos, após ter recebido o parecer favorável da Congregação para as Causas dos Santos, dispensando o reconhecimento de um novo milagre.

A data da cerimónia vai ser decidida por Francisco no mesmo Consistório que vai abordar a questão relativa ao processo de canonização de João Paulo II.

Angelo Giuseppe Roncalli, João XXIII, beatificado por João Paulo II em Setembro de 2000, nasceu em 1881 na localidade de Sotto il Monte, Bérgamo, onde foi pároco, professor no Seminário, secretário do bispo e capelão do exército durante a I Guerra Mundial.

Iniciou a sua carreira diplomática como visitador apostólico na Bulgária, de 1925 a 1935; foi depois delegado apostólico na Grécia e Turquia, de 1935 a 1944, e Núncio Apostólico na França, de 1944 a 1953.

Em 1953, Angelo Roncalli foi nomeado patriarca de Veneza e no dia 28 de Outubro de 1958 foi eleito Papa, sucedendo a Pio XII.

O Papa italiano convocou o Concilio Vaticano II e publicou oito encíclicas, entre elas a ‘Mater et Magistra’ e a ‘Pacem in Terris’”.

 


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