VALORES CRISTÃOS DA EUROPA

PRÓXIMA BEATIFICAÇÃO DE

D. ÁLVARO DEL PORTILLO,

PRELADO DO OPUS DEI

 

 

 

 

Mons. Flavio Capucci

 

 

 

No passado dia 5 de Julho, o Papa Francisco aprovou o decreto da Congregação para as Causas dos Santos que reconhece um milagre atribuído à intercessão do Venerável D. Álvaro del Portillo (1914-1994), Bispo, Prelado do Opus Dei, abrindo assim caminho para a sua beatificação.

Damos a seguir as respostas do Postulador da causa, Mons. Flávio Capucci, a algumas perguntas a este respeito, tomadas do site www.opusdei.pt .

 

 

1. O Santo Padre aprovou um milagre atribuído à intercessão de D. Álvaro del Portillo. Pode dizer-nos em que consiste?

 

Consiste na recuperação de um bebé chileno, com danos cerebrais e outras patologias que, apesar de uma paragem cardíaca de mais de meia hora e uma hemorragia massiva, não só continuou a viver, como teve uma melhoria do seu estado geral, até ao ponto de levar uma vida normal como qualquer outra criança. Os factos ocorreram em 2 de Agosto de 2003. Os seus pais rezaram com grande fé, por intercessão de D. Álvaro del Portillo e, quando os médicos pensavam que o bebé estava morto, sem nenhum tratamento adicional e de modo totalmente inesperado, o coração do recém-nascido começou a bater de novo até alcançar um batimento de 130 pulsações por minuto. O mais surpreendente deste caso é que apesar da gravidade do quadro clínico, a criança nos dias de hoje, dez anos mais tarde, leva a sua vida com absoluta normalidade.

 

2. Aprovado o milagre, qual o passo seguinte para chegar à beatificação?

 

Basta que a Santa Sé determine a data. A beatificação terá lugar em Roma por ser a cidade onde o Venerável Álvaro del Portillo faleceu.

 

3. Por que é que D. Álvaro del Portillo é candidato à beatificação? Que fez ele?

 

A sua vida apresenta-se como um sim constante aos pedidos do Senhor. D. Álvaro del Portillo entregou-se heroicamente ao serviço da Igreja e das almas, fiel ao exemplo de S. Josemaria Escrivá. Aproximou de Deus muitas pessoas.

Para se iniciar uma causa de canonização, o elemento determinante é a existência de uma sólida fama de santidade, espontânea e difundida numa parte significativa do povo de Deus. Deu-se início à causa de D. Álvaro del Portillo porque, desde o dia da sua morte, houve evidentes demonstrações desta fama. Muita gente em todo o mundo estava convencida de que era uma pessoa santa e invocava a sua intercessão, a fim de obter favores do Céu. A função da causa é verificar se essa fama de santidade tem um fundamento real. O decreto sobre as virtudes heróicas promulgado pela Congregação para as Causas dos Santos, em 28 de Junho de 2012, diz-nos que a Igreja chegou a uma avaliação positiva da sua santidade de vida.

Além do seu empenho pessoal de santidade, tem de se considerar também o impulso decisivo que deu à criação de instituições destinadas ao bem do próximo, como por exemplo o Hospital Monkole em Kinshasa (Congo), o Hospital da Níger Foundation em Enugu (Nigéria), a Universidade Campus Bio-medico, em Roma, a Universidade Pontifícia da Santa Cruz e o Colégio Eclesiástico Internacional Sedes Sapientiae, também em Roma, onde milhares de seminaristas e sacerdotes recebem uma cuidada formação doutrinal e espiritual.

 

9. Pode dar-nos alguns dados sobre o processo que concluiu com a declaração das virtudes heróicas? Quem foram as testemunhas?

 

De acordo com as normas da Igreja, posso comunicar os dados que são públicos.

Houve dois processos paralelos. Um decorreu no tribunal da Prelatura do Opus Dei, pois o Prelado foi reconhecido como o bispo competente nesta causa. No entanto, como o seu nome estava na lista de testemunhas, considerou preferível não ser interrogado pelo seu próprio tribunal, mas por um tribunal externo, a fim de assegurar mais escrupulosamente a neutralidade na instrução do processo. Por isso, pediu ao Cardeal Vigário de Roma que encarregasse ao tribunal do Vicariato a tarefa de interrogar os principais colaboradores de D. Álvaro del Portillo no governo do Opus Dei, e entre eles, a ele próprio, assim como a vários eclesiásticos residentes em Roma. Além disso, dado o grande número de testemunhas que vivem longe de Roma, foram instaurados outros oito processos em regime de comissão rogatória em Madrid, Pamplona, Leiria-Fátima, Montreal, Washington, Varsóvia, Quito e Sydney.

No total foram inquiridas 133 testemunhas (todas de visu, salvo duas que contaram dois milagres atribuídos ao Servo de Deus). Entre elas, há 19 cardeais e 12 bispos ou arcebispos. Há 62 testemunhas que pertencem à Prelatura; as que não pertencem são 71.

 

11. O que pensa da coincidência entre o anúncio da canonização do João Paulo II e a aprovação do milagre que levará à beatificação de D. Álvaro del Portillo?

 

Para mim foi uma grande alegria. O Beato João Paulo II e o Venerável Álvaro del Portillo conheceram-se durante o Concilio Vaticano II e desde então estiveram unidos por uma grande proximidade e enorme confiança filial por parte do Prelado do Opus Dei.

Eram dois pastores apaixonados pela Igreja. D. Álvaro del Portillo admirava muito a generosidade e a entrega do Papa, fazendo tudo o que estava ao seu alcance para seguir fielmente todas as iniciativas de evangelização propostas pelo Beato João Paulo II. Talvez por isso o então Papa animou vários pastores a procurarem apoio espiritual em D. Álvaro del Portillo.

Uma manifestação singular do apreço do Papa ocorreu quando D. Álvaro faleceu. João Paulo II quis deslocar-se até à residência do Prelado do Opus Dei para rezar diante dos restos mortais de D. Álvaro. Do meu ponto de vista, entre outras coisas, em ambos se destaca a sua humildade, o seu amor à Igreja e às almas, a sua devoção a Nossa Senhora e o seu sentido de paternidade. Entre eles existia uma grande sintonia espiritual.

 

 

 

 

 


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