Santos Anjos da Nossa Guarda

2 de Outubro de 2013

 

Memória

 

O Evangelho desta memória é próprio.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Senhor, trazei-nos a paz, Az. Oliveira, NRMS 90-91

Dan 3, 58

Antífona de entrada: Anjos do Senhor, bendizei o Senhor, louvai-O e exaltai-O para sempre.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Festa dos Santos Anjos ajudam-nos a compreender a Santidade e a Beleza do Nosso Deus.

Neles resplandece a glória de Deus e a sua imensa majestade. Um Deus que faz uma obra admirável em toda a sua criação.

Seres inteligentes e livres, dotados de beleza incomparável, fiéis e dóceis a Deus, surgem como nossos amigos.

Os santos Anjos estimulam-nos a dizermos sim a Deus, numa adoração de comunhão permanente e quotidiana, que nos leve ao sentido mais belo da nossa felicidade: Amar com todas a forças e com todo o coração ao mesmo Deus, e servi-Lo com total oblação.

Sejamos fiéis a estes misteriosos e ilustres companheiros que nos estimulam pelos caminhos da felicidade e da salvação: os caminhos de Deus.

 

Oração colecta: Senhor, que na vossa admirável providência enviais os Anjos para nos guardarem, ouvi as nossas súplicas e fazei que sejamos sempre defendidos pela sua protecção e gozemos eternamente da sua companhia.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O texto que vamos escutar convida-nos a sermos dóceis ao Anjo da Guarda que nos quer estimular no caminho do Senhor.

 

Êxodo 23, 20-23

 

20Eis o que diz o Senhor: «Vou enviar um Anjo à tua frente, para que te proteja no caminho e te conduza ao lugar que preparei para ti. 21Respeita a sua presença e escuta a sua voz não lhe desobedeças. Ele não perdoaria as vossas transgressões, porque fala em meu nome. 22Mas, se ouvires a sua voz e fizeres tudo o que Eu te disser, serei inimigo dos teus inimigos e perseguirei os que te perseguirem. 23aO meu Anjo irá à tua frente».

 

Esta leitura é tirada do texto do Êxodo, da parte que se segue ao «Código da Aliança», e com que se introduzem disposições relativas à entrada na Palestina. Nestes versículos, Deus garante ao seu Povo uma protecção especial, que lhe permita entrar na posse da terra prometida. Daí a actualização que a Igreja faz deste texto, aplicando-o ao novo povo de Deus, a Igreja, que é guiada e assistida pelos Anjos da Guarda, a caminho do Céu. Lembramos que, quando no Antigo Testamento se fala do «anjo do Senhor», habitualmente designa-se a presença do próprio Deus ou uma sua directa intervenção (cf. Gn 16, 7; 22, 11.14; Ex 3, 2; 14, 19; etc.); mas, em muitas outras passagens, quando se fala de «o meu anjo», ou simplesmente de «o anjo» (cf. Ex 33, 2; Nm 20, 16), sobretudo em contraste com Deus (cf. Salm 138, 1), sem dúvida que se refere a seres espirituais distintos de Deus, os anjos. Que estes existem é uma verdade que está clara no Novo Testamento e pertence à fé da Igreja (cf. Catecismo da Igreja Católica, nº 334-336), que professamos: «Creio em Deus… Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis»; e as coisas invisíveis «não são as galáxias, mas esses puros espíritos, que são os anjos» (Sequeri).

 

Salmo Responsorial    Sl 90 (91) 1-2. 3-4. 5-6. 10-11(R. 11)

 

Monição: O Salmo é uma oração de profunda confiança em Deus. Um Deus que cuida de nós com tantos gestos de ternura.

 

Refrão:        O Senhor mandará aos seus Anjos

                que te guardem em todos os teus caminhos.

 

Tu que habitas sob a protecção do Altíssimo

e moras à sombra do Omnipotente,

diz ao Senhor: «Sois o meu refúgio e a minha cidadela:

meu Deus, em Vós confio».

 

Ele te livrará do laço do caçador

e do flagelo maligno.

Cobrir-te-á com as suas penas,

debaixo das suas asas encontrarás abrigo.

 

A sua fidelidade é escudo e couraça:

não temerás o pavor da noite, nem a seta que voa de dia

nem a epidemia que se propaga nas trevas,

nem a peste que alastra em pleno dia.

 

Nenhum mal te acontecerá,

nem a desgraça se aproximará da tua morada.

Porque Ele mandará aos seus anjos

que te guardem em todos os teus caminhos.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Sl 102 (103), 21

 

Monição: Somos convidados ao segredo dos Anjos.

Eles, sendo seres de elevada inteligência servem a Deus e aos Homens, com toda a humildade. E sobretudo colocam esse poder de serviço a velar pelos pequeninos.

 

Aleluia

 

Cântico: F. da Silva, NRMS 46

 

Bendizei o Senhor, todos os seus exércitos,

que estais ao seu serviço e executais a sua vontade.

 

 

Evangelho

 

São Mateus 18, 1-5. 10

 

1Naquele tempo, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-Lhe: «Quem é o maior no reino dos Céus?». 2Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3e disse-lhes: «Em verdade vos digo: Se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, não entrareis no reino dos Céus. 4Quem for humilde como esta criança esse será o maior no reino dos Céus. 5E quem acolher em meu nome uma criança como esta acolhe-Me a Mim. 10Vede bem. Não desprezeis um só destes pequeninos. Eu vos digo que os seus Anjos vêem continuamente o rosto de meu Pai que está nos Céus».

 

A leitura é tirada do início do chamado «discurso eclesiástico» de Jesus (Mt 18) sobre a vida na Igreja, concretamente como devem ser as relações dos cristãos entre si e como se deve exercer a autoridade; o discurso é introduzido com uma pergunta dos discípulos: «Quem é o maior no Reino dos Céus?».

10 «Os seus Anjos», isto é, os Anjos da Guarda das crianças. A contexto desta afirmação é o da importância que na Igreja se deve dar aos «pequeninos» (vv. 6.14), isto é, àqueles são mais necessitados de auxílio, quer pela sua pouca idade, quer pela pouca formação, ou recente conversão; é preciso ter um cuidado especial para não os escandalizar. O próprio Deus toma esses pequeninos ao seu cuidado, confiando-os a um Anjo protector; e esse mesmo Anjo se encarregará também de acusar diante do «Pai que está nos Céus», cujo «rosto vêem continuamente», todos aqueles que os levem a pecar. Mas não são apenas os pequeninos, são todos os seres humanos que têm o seu Anjo da Guarda (cf. Hebr 1, 14; Lc 16, 22; Catecismo da Igreja Católica, nº 336).

 

Sugestões para a homilia

 

Admirável Deus nos seus Anjos.

Os Anjos: nossos amigos.

 

 

Admirável Deus nos seus Anjos.

 

Os Anjos são seres inteligentes e livres que traduzem a grandeza da criação de Deus. Os seres angelicais e os seres humanos têm em comum a inteligência, a capacidade de amar e a liberdade. Uns e outros, como seres livres, tiveram ou têm, de fazer as suas opções. Tudo uma questão de amor: liberdade compreendida e assumida. 

Os Anjos são aqueles seres angelicais que permaneceram fiéis a Deus. Na sua beleza incomparável e na sua inteligência elevada não quiseram usurpar o lugar de Deus. Amaram ser criaturas e louvaram esse dom único de partilharem, pela bondade de Deus, uma projeto de beleza e de grandeza, únicos. E assumiram a vida como projecto de doação a Deus, aos Homens e a toda a Criação.

A sua inteligência é humilde porque mesmo sabendo e vendo muito do mistério de Deus, sabem que continua a ser mistério insondável de santidade, de vida, de amor, de majestade, força, poder e grandeza.

São totalmente felizes porque voltadas plenamente para Deus, e todo o seu ser está voltado para o Altíssimo, razão de ser da sua maravilhosa existência e realização plena das suas vidas.

São mensageiros de Deus. Trazem Deus aos homens. Perto de Deus, em comunhão única com Deus, também perto dos homens. Por isso, na intimidade do ser humano, estes mensageiros que perscrutam o que está a descoberto e o que está oculto, chamam constantemente à conversão, à oração, ao sacrifício, à santidade.

O seu nome vem da função que exercem como colaboradores da verdade, do amor e da vida; como colaboradores de Deus e dos humanos. São ainda intercessores e defensores.

 

 

Os Anjos: nossos amigos.

 

Os Anjos são sobretudo nossos amigos. Na celebração da Eucaristia colocamo-Los como intercessores quando reconhecemos que somos pecadores e lhes pedimos que roguem por nós. E antes da consagração, no fim do prefácio, há um convite a que os Anjos cantem e proclamem connosco a glória de Deus. E na comunhão e ação de graças, a piedade popular, os colocou como ajuda imprescindível. Na nossa vida eles são necessários e colaboradores eficazes, porque descobrem facilmente as ciladas do inimigo.

 Na Palavra de Deus de hoje, somos convidados a uma docilidade para com eles. Aparece assim a sua missão de nos proteger, de nos conduzir, de nos falar intimamente, de caminhar connosco: tudo para que Aquele maravilhoso Deus que Eles contemplam, adoram, amam e servem, encontrem também em nós as mesmas atitudes.

Os Anjos velam também pela dignidade humana e sobretudos dos pequeninos, dos pobres, dos humildes. E aparecem como suas testemunhas e defensores.

Hoje quase não temos catequese sobre o nosso Anjo da Guarda. Valeria a pena voltar de novo a infundir no coração de todos, logo desde a infância, o amor ao Anjo da Guarda. E que cada cristão adulto não desprezasse a presença de tão dócil amigo, oferta de Deus para cada um de nós.

Amigos e companheiros da nossa viagem, os Anjos da Guarda, sentem imensa alegria quando vêem que a nossa vida é uma expressão de belíssima correspondência à vontade de Deus. Por isso intercedem por nós e, misteriosamente, nos incitam à fidelidade, ao sacrifício da própria vida.

Ficam ainda felizes de nos verem levantar do pecado, no desejo de conversão, e numa ânsia de nunca desanimarmos. Incitam-nos à comunhão, realidade que vivem permanentemente, na relação com Deus, e por Ele, a nós. Apelam-nos à vivência do evangelho e ao amor à Igreja.

Querem incendiar o nosso coração num amor único à Santíssima Trindade, e por Deus, à sua Igreja e a todos os homens e mulheres.

Têm uma predileção especial pelas crianças e pelos pequeninos deste mundo.

Amigos inseparáveis da nossa vida querem contar connosco pelos caminhos da santidade.

 

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos:

confiemos a nossa oração ao ministério dos Anjos,

mensageiros de Deus e nossos intercessores,

e digamos (ou:  cantemos) com toda a confiança:

 

R. Ouvi-nos Senhor.

Ou: Mostrai-nos, Senhor, o vosso amor.

Ou: Por intercessão dos vossos Anjos, ouvi-nos, Senhor.

 

1.  Pela Santa Igreja de Deus,

pelo Papa Francisco, pelos bispos, presbíteros e diáconos,

e todo o Povo de Deus,

para que a proteção dos Santos Anjos da Guarda

a todos defenda dos ataques do inimigo,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelas dioceses e paróquias do mundo inteiro,

para que, dóceis aos Anjos da Guarda,

e na sabedoria do Evangelho,

sejam espaços de acolhimento,

experiência de bondade e misericórdia,

oremos, irmãos.

 

3.  Para que os responsáveis do nosso País

sejam guiados não pelo desejo de mandar,

mas pelo espírito de serviço,

oremos, irmãos.

 

4.  Pelos que se sentem marginalizados e espezinhados,

pelas crianças a quem é negado o direito à vida,

e por todas as que são maltratadas moral, física e psicologicamente,

para que os Anjos da Guarda as defendam e protejam,

oremos, irmãos.

 

 

5.  Por todos nós aqui presentes em assembleia,

para que, pelo ministério dos Anjos,

sintamos os benefícios da sua proteção,

oremos, irmãos.

 

 

Deus, nosso Pai,

que nos reunistes nesta santa assembleia,

acolhei os nossos votos e orações

e fazei de nós verdadeiros adoradores

e concidadão dos Anjos no Céu.

Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Bendito seja Deus, Az. Oliveira, NRMS 48

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, os dons que Vos apresentamos em honra dos santos Anjos e concedei-nos que, pela sua contínua protecção, sejamos livres dos perigos desta vida e cheguemos à felicidade eterna.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

A piedade popular, em muitos cânticos e orações, expressou de forma maravilhosa como os Santos Anjos nos podiam ajudar no acolhimento do Corpo e do Sangue de Cristo. Assim como nas atitudes de adoração profunda em gratidão, louvor, ação de graças e petição.

Peçamos aos nossos Anjos da Guarda que venham em nossa ajuda e nossa companhia.

 

Cântico da Comunhão: A toda a hora bendirei o Senhor, M. Valença, NRMS 60

Sl 137, 1

Antífona da comunhão: Na presença dos Anjos, eu Vos louvarei, meu Deus.

 

Oração depois da comunhão: Deus, nosso Pai, que nos alimentais neste admirável sacramento de vida eterna, dirigi os nossos passos, com a assistência dos santos Anjos, no caminho da salvação e da paz.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamos para a vida. Às vezes bem difícil e cheia de perigos.

Não esqueçamos o que nos dizia a Palavra de Deus: “vou enviar um Anjo à tua frente para que te proteja no caminho e te conduza ao lugar que preparei para ti”.

Resta-me respeitar, confiar, obedecer e cumprir o que o meu Anjo da Guarda me segreda ao ouvido do meu coração.

 

Cântico final: Ao Deus do universo, J. Santos, NRMS 1 (I)

 

 

Homilias Feriais

 

5ª Feira, 3-X: A paz, a ordem interior e Cristo nossa paz.

Ne 8, 1-4. 5-6. 7-12 / Lc 10, 1-12

Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: A paz a esta casa.

«A paz é, sem dúvida, uma aspiração radical que se encontra no coração de cada um; a Igreja dá voz ao pedido de paz e reconciliação que brota do espírito de cada pessoa de boa vontade, apresentando-a àquele que é a 'nossa paz' e pode pacificar de novo povos e pessoas, mesmo onde tiverem falido os esforços humanos» (SC, 49).

Para termos paz no nosso interior, comecemos por desterrar o pecado da nossa vida e colocar Cristo no primeiro lugar do nosso ser e agir. É o que diz S. Agostinho, ao definir a paz: «a paz é a tranquilidade na ordem». A seguir, procuremos transmiti-la no trabalho e na vida familiar.

 

6ª Feira, 4-X: Saber escutar a voz do Senhor.

Bar 1, 15-22 / Lc 10, 13-16

Desde o dia em que o Senhor fez sair os nossos pais da terra do Egipto até este dia, fomos rebeldes ao Senhor nosso Deus.

O profeta fala com Deus, em nome de todo o povo, pedindo perdão pelas sucessivas rebeldias: «não querendo escutar a sua voz» (Leit). O mesmo aconteceu com os habitantes das cidades de Corazim e Betsaida (Ev). Receberam abundantes graças e viram muitos milagres, mas não se arrependeram dos seus pecados.

O Senhor fala-nos muitas vezes e de muitos modos: através da sua Palavra, dos acontecimentos, das leituras espirituais, dos conselhos de pessoas amigas, etc. Não deixemos de meditar estas palavras no nosso coração, como fez Nª Senhora.

 

Sábado, 5-X: Um melhor conhecimento de Cristo.

Bar 4, 5-12. 27-29 / Lc 10, 17-24

Jesus exultou de alegria pela acção do Espírito Santo e disse: Eu te bendigo, ó Pai, Senhor do Céu e da terra.

Nesta oração, aprendemos a conhecer melhor os sentimentos de Cristo: «O seu estremecimento -'sim, ó Pai- revela o íntimo do seu coração, a sua adesão ao beneplácito do Pai, como um eco do 'fiat' de sua Mãe, aquando da sua concepção e como prelúdio do que Ele próprio dirá ao Pai na sua agonia» (CIC, 2603).

São para nós um modelo para as nossas respostas a Deus, pois há uma «profunda analogia entre o fiat, pronunciado por Maria, em resposta às palavras do Anjo, e o Amen que cada fiel pronuncia, quando recebe o Corpo do Senhor» (IVE, 55).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Armando Rodrigues Dias

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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