26º Domingo Comum

29 de Setembro de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Eu vim para que tenham vida, F. da Silva, NRMS 70

Dan 3, 31.29.30.43.42

Antífona de entrada: Vós sois justo, Senhor, em tudo o que fizestes. Pecámos contra Vós, não observámos os vossos mandamentos. Mas para glória do vosso nome, mostrai-nos a vossa infinita misericórdia.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Uma vida aburguesada, cheia de moleza, é perigosa para a saúde: comer e beber o que mais apetece e demasiado, entregar-se à preguiça e ao prazer dos sentidos, prejudica-nos, de tal modo que em breve começam a surgir complicações de saúde.

Começa então uma penitência involuntária de dietas, tratamentos, exercício físico e caminhadas e termas, acompanhadas de uma vigilância contínua.

O mesmo acontece à vida espiritual. Quando uma pessoa não se limita voluntariamente, não se mortifica um pouco, brevemente entrará numa crise espiritual, no desequilíbrio da vida interior.

São muitas as pessoas que se afastam de Deus, resvalando por este plano inclinado. Por isso, na Liturgia da Palavra do 26.º Domingo do tempo comum, o Senhor dirige-nos uma séria advertência.

 

Acto penitencial

 

Reconheçamos diante do Senhor que muitas vezes temos vivido como se não houvesse outra vida para além da que nos proporcionam os sentidos.

Aborrecemos as coisas do espírito e tudo o que limita as nossas sensações causa-nos mal estar.

Peçamos ao Espírito Santo luz para reconhecermos o que está mal e arrependimento para manifestar ao Senhor o deseja de mudança de vida.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: Deixamo-nos escravizar pela gula,

    como se a vida nada mais tivesse para nos dar.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: Nem sempre mortificamos os sentidos,

    sendo tentados muitas vezes para o pecado.

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: Deixamos adormecer o coração,

    vivendo sem amor generoso para com Deus.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Senhor, que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e Vos compadeceis, infundi sobre nós a vossa graça, para que, correndo prontamente para os bens prometidos, nos tornemos um dia participantes da felicidade celeste. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Amós denuncia violentamente uma classe dirigente ociosa, que vive no luxo à custa da exploração dos pobres e que não se preocupa minimamente com o sofrimento e a miséria dos humildes.

O alerta serve para todos nós, porque facilmente podemos cair nesta situação, tendo em conta outros aspectos da vida.

 

Amós 6, 1a.4-7

 

Eis o que diz o Senhor omnipotente: 1a«Ai daqueles que vivem comodamente em Sião e dos que se sentem tranquilos no monte da Samaria. 4Deitados em leitos de marfim, estendidos nos seus divãs, comem os cordeiros do rebanho e os vitelos do estábulo. 5Improvisam ao som da lira e cantam como David as suas próprias melodias. 6Bebem o vinho em grandes taças e perfumam-se com finos unguentos, mas não os aflige a ruína de José. 7Por isso, agora partirão para o exílio à frente dos deportados e acabará esse bando de voluptuosos».

 

A leitura, que é uma censura do profeta do século VIII à vida opulenta e fácil, frequentemente à custa da miséria do próximo, foi escolhida em função do Evangelho de hoje.

6 «A ruína de José». O profeta pode referir-se tanto à miséria física de tantos compatriotas, como à corrupção moral que alastrava no Reino do Norte. Aqui é dado o nome de José ao Reino do Norte, em vez do nome de Efraim, corrente nos profetas, a tribo mais importante, pelo facto de Efraim ser filho de José, filho de Jacob, que não deu o seu nome a nenhuma tribo (Manassés e Efraim era filhos de José, que deram o seu nome às respectivas tribos).

 

Salmo Responsorial    Sl 145 (146), 7-10 (R.1b ou Aleluia)

 

Monição: O Salmista convida-nos a pôr toda a nossa confiança no Senhor, porque só Ele permanece fiel ao Seu Amor.

Façamos dele a nossa oração plena de confiança, sobretudo nos momentos em que nos parecer que não temos onde nos apoiarmos.

 

Refrão:        Ó minha alma, louva o Senhor.

 

Ou:               Aleluia.

 

O Senhor faz justiça aos oprimidos,

dá pão aos que têm fome

e a liberdade aos cativos.

 

O Senhor ilumina os olhos dos cegos,

o Senhor levanta os abatidos,

o Senhor ama os justos.

 

O Senhor protege os peregrinos,

ampara o órfão e a viúva

e entrava o caminho aos pecadores.

 

O Senhor reina eternamente.

O teu Deus, ó Sião,

é Rei por todas as gerações.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo exorta o seu discípulo Timóteo, na primeira carta que lhe escreve, a permanecer generosamente no bom combate pela fé, conquistando, por este meio a vida eternal.

O alerta que lhe dirige é também uma admoestação para que não nos deixemos amolecer pelas facilidades que a vida oferece.

 

1 Timóteo 6, 11-16

 

Caríssimo: 11Tu, homem de Deus, pratica a justiça e a piedade, a fé e a caridade, a perseverança e a mansidão. 12Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e sobre a qual fizeste tão bela profissão de fé perante numerosas testemunhas. 13Ordeno-te na presença de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Cristo Jesus, que deu testemunho da verdade diante de Pôncio Pilatos: 14Guarda este mandamento sem mancha e acima de toda a censura, até à aparição de Nosso Senhor Jesus Cristo, 15a qual manifestará a seu tempo o venturoso e único soberano, Rei dos reis e Senhor dos senhores, 16o único que possui a imortalidade e habita uma luz inacessível, que nenhum homem viu nem pode ver. A Ele a honra e o poder eterno. Amen.

 

Temos apenas três domingos com trechos da 1ª Carta a Timóteo, de que hoje se lêem apenas 6 versículos do último capítulo.

12 «Combate o bom combate da fé». Muitas vezes S. Paulo compara a vida cristã a uma luta desportiva ou mesmo guerreira, uma vez que sem esforço aturado não se pode permanecer fiel a Cristo (cf. Cor 9, 24-27; Col 1, 29; 2 Tim 4, 7).

«Fizeste tão bela profissão de fé…», no momento do Baptismo, ou, talvez como pensam alguns, antes da sua Ordenação; também poderia tratar-se simplesmente de um testemunho corajoso perante as autoridades pagãs.

15-16 É mais uma doxologia de sabor litúrgico (ver outras nesta carta: 1, 17; 3, 16), uma espécie de jaculatória de louvor a Deus, um desabafo duma alma enamorada de Deus Uno e Trino, que frequentemente S. Paulo deixou passar para os seus escritos.

 

Aclamação ao Evangelho        2 Cor 8, 9

 

Monição: Jesus Cristo é o nosso libertador. Operou esta libertação despojando-Se de tudo, para nos ensinar a usar dos bens deste mundo.

Aclamemo-l’O com alegria e generosidade para O seguir.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação-1, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Jesus Cristo, sendo rico, fez-Se pobre,

para nos enriquecer na sua pobreza.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 16, 19-31

 

Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: 19«Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias. 20Um pobre, chamado Lázaro, jazia junto do seu portão, coberto de chagas. 21Bem desejava saciar-se do que caía da mesa do rico, mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas. 22Ora sucedeu que o pobre morreu e foi colocado pelos Anjos ao lado de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. 23Na mansão dos mortos, estando em tormentos, levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado. 24Então ergueu a voz e disse: ‘Pai Abraão, tem compaixão de mim. Envia Lázaro, para que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nestas chamas’. 25Abraão respondeu-lhe: ‘Filho, lembra-te que recebeste os teus bens em vida e Lázaro apenas os males. Por isso, agora ele encontra-se aqui consolado, enquanto tu és atormentado. 26Além disso, há entre nós e vós um grande abismo, de modo que se alguém quisesse passar daqui para junto de vós, ou daí para junto de nós, não poderia fazê-lo’. 27O rico insistiu: ‘Então peço-te, ó pai, que mandes Lázaro à minha casa paterna – pois tenho cinco irmãos – 28para que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento’. 29Disse-lhe Abraão: ‘Eles têm Moisés e os Profetas: que os oiçam’. 30Mas ele insistiu: ‘Não, pai Abraão. Se algum dos mortos for ter com eles, arrepender-se-ão’. 31Abraão respondeu-lhe: ‘Se não dão ouvidos a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão’.

 

A parábola de hoje é contada só por S. Lucas, o evangelista mais preocupado com os pobres e os desvalidos.

20 «Um pobre chamado Lázaro». Em hebraico, Eliázar significa «Deus ajuda». O facto de que é dado um nome ao pobre fez pensar a alguns Padres que não se trata duma parábola, mas dum exemplo com um fundo histórico. De qualquer modo, não é provável que Jesus se tenha servido dum conto egípcio, como alguém supôs, acrescentando-lhe os vv. 27-31.

21 «Os cães vinham lamber-lhe as chagas», um pormenor que põe em evidência a extrema miséria do pobre, pois não era para lhe servir de alívio, mas de humilhação, já que os judeus os consideravam animais impuros e por isso não os costumavam domesticar.

22-23 Segundo as teorias farisaicas da retribuição, na situação até aqui descrita, nada havia de censurável, uma vez que nesta vida cada um tem já a sorte que merece: o justo, a abundância e o bem-estar; o pecador, a miséria e o sofrimento. Com esta «parábola» Jesus pretende desfazer de vez esse equívoco corrente e ensinar a remuneração na outra vida, negada pelos saduceus. Não era que nos livros do Antigo Testamento ainda não houvesse referências suficientemente claras à outra vida, mas uma concepção demasiado imediata, utilitarista e mesmo materialista da vida por parte dos judeus levava-os a não dar a devida atenção ao que Deus já tinha revelado para o entenderem e traduzirem na vida. Aqui Jesus dá uma machadada definitiva nas falsas ideias farisaicas acerca da retribuição. A morte é o momento em que chega a hora da verdade: «o pobre morreu…, o rico morreu…» (v. 22) e a situação de cada um mudou também; o pobre «foi colocado ao lado de Abraão» (à letra, foi para o seio de Abraão), para um lugar ou estado de descanso e alegria onde estavam as almas dos justos. O rico foi metido «em tormentos», noutra zona da «mansão dos mortos» (o hádes em grego, o xeol em hebraico, em latim inferi/infernos).

Não se pense que falta à parábola qualquer motivação ética; com efeito, o pobre é agora feliz não porque antes sofreu, e o rico sofre não porque antes gozou. O rico sofre porque não fez caso do pobre, por ser dos que serviam ao dinheiro (cf. v. 13), e, por isso mesmo, não podia servir a Deus nem fazer bem ao próximo. Por outro lado, o pobre, ao ser uma figura posta em contraste, além de desgraçado seria também piedoso. Não se dá, pois, aqui uma simples inversão de papéis, mas uma verdadeira retribuição de carácter perpétuo (cf. v. 26): um abismo impede de passar de um lado para o outro. E, segundo a profunda observação de S. Gregório Magno, «não foi a pobreza que levou Lázaro ao Céu, mas a humildade; e também não foram as riquezas que impediram o rico de entrar no grande descanso, mas o seu egoísmo e infidelidade» (Hom. sobre S. Lc 40, 2).

24-31 É importante ter em conta que o diálogo entre o rico e Abraão não pode ser tomado à letra, pois não passa duma encenação para dar vigor ao ensino central da parábola; com efeito, os condenados não se podem mostrar arrependidos nem zelosos da salvação dos vivos, mesmo até dos seus familiares, pois carecem da virtude da caridade. Pela mesma razão, também não é válido refutar o espiritismo com os dados desta parábola, como por vezes se faz. As parábolas, enquanto tais, visam um ensinamento concreto e particular, embora nalgumas se tenha vindo a dar, mesmo já na tradição prévia à sua redacção nos Evangelhos canónicos, um valor alegórico a alguns elementos secundários, conforme põem em relevo muitos estudos científicos da actualidade sobre as parábolas de Jesus.

31 Se não dão ouvidos a Moisés e nem aos Profetas, isto é, aos ensinamentos do Antigo Testamento. Para quem não quer obstinadamente crer, os milagres não valem nada, já que Deus respeita a nossa liberdade; esta é também uma lição da parábola.

 

Sugestões para a homilia

 

• A caminho da eternidade

O perigo do aburguesamento

A insensibilidade de coração

Deus não pactua com o mal

• A meta que procuramos

Um quadro actual

A insensibilidade cruel

À luz da eternidade

 

1.     A caminho da eternidade

 

a) O perigo do aburguesamento. «Eis o que diz o Senhor omnipotente: “Ai daqueles que vivem comodamente em Sião e dos que se sentem tranquilos no monte da Samaria.”»

O profeta Amos descreve-nos um panorama de aburguesamento do seu tempo, no Reino do Norte, constituído por pessoas que procuram todas as comodidades e prazeres dos sentidos, e vivem anestesiadas perante os sofrimentos e carências dos seus semelhantes.

É este um dos efeitos do comodismo e da procura de todos os prazeres dos sentidos: tornar-nos insensíveis perante os sofrimentos e carência das pessoas que estão á nossa volta.

Esta sociedade de consumo e a civilização técnica que substitui a pessoa humana nos esforços, por meio de máquinas, conduz-nos ao comodismo de vida, se não estivermos vigilantes.

Insensivelmente, o egoísmo ganha terreno, e vamos pondo de nada tudo o que exige esforço: a missa dominical, os sacramentos e outras necessidades da vida espiritual, bem como a ajuda às outras pessoas. Concretiza-se na recusa em aceitar os filhos ou em abdicar de lhes oferecer a formação humana e espiritual.

Para vencer esta tentação e esconjurar este perigo, temos de ser exigentes connosco mesmos, submetendo-nos a um plano de trabalho e de vida espiritual.

Uma das tentações mais perigosas de hoje é o horror a tudo o que exige algum esforço ou sacrifício. Ao fugirmos das pequenas coisas de cada dia, afastamo-nos de Jesus Cristo, que nos disse: «Se alguém quiser vir após de Mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me.» (Mt 16,24).

 

b) A insensibilidade de coração. «não os aflige a ruína de José

Parece haver nestas palavras uma velada alusão ao drama de José do Egipto, quando os seus irmãos o despojaram da túnica que o pai lhe oferecera, o meteram numa cisterna seca, comendo e bebendo insensíveis ao drama do irmão. (cf Gen 37, 12-36).

Banquetear-se festivamente, enquanto ali ao lado o irmão sofre e se lamenta é um drama actual.

A civilização do conforto leva as pessoas a fecharem-se em si, indiferentes aos problemas dos outros. Esta atitude é uma negação da nossa vocação fundamental: a comunhão na verdade e no amor com Deus e com os irmãos. Por meio desta solicitude para com os outros, o Senhor prepara-nos para a comunhão eterna. Quem se fecha está de costas voltadas para o caminho do Céu.

Nenhum de nós pode vir fechado para si mesmo. Não encontramos um único santo na Igreja que tenha vivido indiferente aos problemas humanos e sobrenaturais dos outros. Foi para os socorrer que nasceram na Igreja as grandes obras de assistência para a juventude (S. José Calasanz, S. João Bosco); dos doentes (S. João de Deus, Beato Damião) e de outros carenciados. Deus conta connosco para sermos os seus braços na ajuda aos que precisam.

 

c) Deus não pactua com o mal. «Por isso, agora partirão para o exílio à frente dos deportados e acabará esse bando de voluptuosos

O profeta Amós profetiza a provação do exílio de Babilónia a que foram submetidos os israelitas, e faz a ligação entre o aburguesamento a que se tinham entregado e a desolação com que se vão enconttrar.

O egoísta condena-se a si mesmo ao exílio e à desolação, mergulhando numa desolação profunda.

• As pessoas rejeitam sempre o egoísta, deixando-o só, sem amigos nem companhias. Quando muitos, alguns aproximam-se por interesse, mas sem amor.

• Quem se entrega a este género de vida afasta-se de Deus, porque a vida espiritual não é compatível com isto.

• A própria pessoa acaba por viver dobrada sobre si mesma, sofrendo por causa deste encerramento. Não há egoístas felizes.

As crises têm o seu lado útil. Impedem-nos de fazer do corpo um deus tirano e libertam-nos da tentação de edificar um paraíso na terra; obrigam-nos a fazer mortificações que são necessárias para mantermos o equilíbrio de saúde e de convivência.

 

2. A meta que procuramos

 

Perante o Evangelho do rico e do pobre Lázaro, poderíamos ser tentados a uma visão simplista dos seus ensinamentos: os ricos são condenados e os pobres vão para o Céu.

O que Jesus nos diz, pelo contrário, é que o rico foi condenado por causa da sua insensibilidade, fruto do egoísmo; e o pobre Lázaro salvou-se porque aceitou a sua cruz sem revolta.

 

Um quadro actual. «disse Jesus aos fariseus: «Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias

Quando lemos o Evangelho deste domingo, a primeira tentação que nos assalta é a de pensar que ele nada tem a ver com a nossa vida. Não vestimos de linho e púrpura e não temos a possibilidade de nos banquetearmos esplendidamente todos os dias.

No entanto, se repararmos, somos, muitas vezes, esse rico gozador da vida. Vivemos na Igreja com todos os mimos: estamos revestidos com a graça santificante, usufruímos da abundância da Palavra, e banqueteamo-nos com os sacramentos, especialmente com o da reconciliação e Penitência e com o da Eucaristia.

Ao nosso lado – talvez até dentro da nossa casa – há muitos Lázaros que estão cobertos das chagas do pecado e morrem de fome.

Que preocupação nos causa esta situação gritante? Vivemos contentes com a nossa prática cristã, indiferentes aos que se perderam no caminho do Céu?

A facilidade de comunicação – os transportes, o telefone, a rádio e a TV – nem sempre nos ajudam a fomentar uma maior proximidade dos outros. Às vezes até nos isolam dos que estão mais próximos. O telemóvel mal usado isola-nos dos que estão perto; o carro pode levar á fuga dos deveres familiares; a internet e a TV podem tornar-se numa “droga” que nos aliena e nos mantém isolados de todo o convívio.

 

A insensibilidade cruel. «Um pobre, chamado Lázaro, jazia junto do seu portão, coberto de chagas

Não é o ter bens que Jesus censura nesta Parábola, mas o esbanjamento e a insensibilidade cruel em que o rico se deixou aprisionar.

Também nós podemos cair facilmente no erro de estarmos atentos só aos nossos problemas, esquecendo os dos outros.

O conforto e o egoísmo isola-nos das outras pessoas que partilham connosco a vida.

A insensibilidade perante os problemas dos outros é uma doença.

Participamos nos trabalhos da casa, sensíveis em que eles caiam sempre sobre os ombros das mesmas pessoas?

Somos capazes de sair do nosso mundo para dar tempo aos outros – esposa, marido, filhos, idosos –, ajudá-los a procurar curar as suas chagas?

Se o movimento físico faz falta ao corpo, o voltar-se para os outros faz bem à alma.

 

À luz da eternidade. «o pobre morreu e foi colocado pelos Anjos ao lado de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado

É a caridade que nos abre as portas do Céu, e não o facto de ter ou não ter bens deste mundo. No rico não existia, porque tinha a insensibilidade de coração.

O pobre tinha-a, porque não desesperou e soube oferecer tudo com amor e paciência, ao mesmo tempo que procurava uma solução, pondo-se ao alcance de quem podia ajudá-lo.

Os cães vadios – em Israel não se domesticavam como cá, porque os consideravam animais impuros – vinham lamber-lhe as chagas, humilhando-o e piorando a situação.

Nunca percamos de vista que é nesta vida que preparamos a eternidade. Não se trata de procurar arranjar-se nesta vida, sem pensar no futuro.

 A caridade nesta vida leva ao Amor para sempre no Paraíso; o ódio, a indiferença, o desamor, leva a uma vida de solidão e ódio para sempre, longe de Deus.

Há mais uma mensagem na Parábola: não estejamos à espera de avisos extraordinários para nos convertermos. Aceitemos e acolhamos o testemunho da Igreja com a sua doutrina.

A santa Missa dominical é um chamamento do Senhor:

• à comunhão: estamos unidos na mesma fé e participamos da mesma Eucaristia;

• à solidariedade, porque a alegria que sentimos neste testemunho mútuo da fé não nos isola dos que ficaram fora da porta do templo.

• à partilha, porque saímos de cada missa como enviados do Senhor ao encontro dos nossos irmãos que partilham connosco a vida.

Maria, Mãe da solidariedade, nos ajude a estarmos mais atentos uns aos outros, para nos ajudarmos mutuamente nesta caminhada para o Céu.

 

Fala o Santo Padre

 

«O nosso destino eterno está condicionado pela nossa atitude.»

 

Queridos irmãos e irmãs!

No Evangelho deste domingo (Lc 16, 19-31), Jesus narra a parábola do homem rico e do pobre Lázaro. O primeiro vive no luxo e no egoísmo, e quando morre, vai para o inferno. Ao contrário, o pobre, que se alimenta com as migalhas que caem da mesa do rico, quando morre é levado pelos anjos para a casa eterna de Deus e dos santos. «Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus» (Lc 6, 20). Mas a mensagem da parábola vai além: recorda que, enquanto estivermos neste mundo, devemos ouvir o Senhor que nos fala mediante as sagradas Escrituras e viver segundo a sua vontade, caso contrário, depois da morte, será demasiado tarde para se corrigir. Portanto, esta parábola diz-nos duas coisas: a primeira é que Deus ama os pobres e eleva-os da sua humilhação; a segunda é que o nosso destino eterno está condicionado pela nossa atitude, compete a nós seguir o caminho que Deus nos mostrou para alcançar a vida, e este caminho é o amor, entendido não como sentimento, mas como serviço aos outros, na caridade de Cristo. […]

 

Papa Bento XVI, Angelus, Castel Gandolfo, 26 de Setembro de 2010

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Estejamos atentos às carências das outras pessoas,

apresentando-as confiadamente  ao nosso Pai do Céu,

por mediação de Seu Filho, Jesus Cristo, no Espírito,

que atenda todas as pessoa com  a Sua misericórdia.

Oremos (cantando):

 

Dai-nos, Senhor, um coração generoso!

 

1. Pelo Santo Padre, com os Bispos em comunhão com ele,

para que ilumine e alimente a caridade de todos os fieis,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, um coração generoso!

 

2.  Pelos que vivem escravizados pela civilização do conforto,

para que o Senhor os liberte e torne felizes na generosidade,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, um coração generoso!

 

3.  Por todos os que sofrem e não encontram quem os ajude,

para que renovem a sua confiança no Senhor que nos ama,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, um coração generoso!

 

4.  Por todos nós aqui reunidos para celebrar esta Eucaristia,

para que o Senhor nos faça atentos ao sofrimento alheio,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, um coração generoso!

 

5.  Pelas iniciativas que se dedicam a socorrer os necessitados,

para que o Senhor abençoe e faça frutificar as suas obras,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, um coração generoso!

 

6.. Pelos irmãos que partiram desta vida ao encontro do Pai,

para que Ele, pela Sua misericórdia os receba no Paraíso,

oremos, irmãos.

 

Dai-nos, Senhor, um coração generoso!

 

Senhor, que nos preparais, na vida presente,

para uma comunhão eterna no Paraíso,

fazendo-nos participar, a partir de agora ,

nas dores e alegrias de todos os nossos irmãos:

ajudai-nos e ensinai-nos a seguir generosamente

os Vossos sapientíssimos ensinamentos,

e assim alcançarmos a glória do Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

Na Eucaristia, o Filho de Deus feito Homem, tomou sobre os Seus ombros as nossas dores, renovando a imolação da Cruz, para nosso resgate.

Ensinou-nos o caminho para O seguir, na Liturgia da Palavra. Quer agora preparar para nós, pelo ministério do sacerdote, o alimento divino do Seu Corpo e Sangue.

Avivemos a nossa fé e manifestemos-Lhe a nossa gratidão, por tanta magnanimidade.

 

Cântico do ofertório: Atei os meus braços, M. Faria, NRMS 9 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Deus de misericórdia infinita, aceitai esta nossa oblação e fazei que por ela se abra para nós a fonte de todas as bênçãos. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 14

 

Saudação da Paz

 

A paz é o clima do Céu e aquele que devemos fomentar na terra, pelo perdão mútuo, levando as cargas uns dos outros.

Manifestemos ao Senhor este propósito, pelo gesto litúrgico que vamos realizar.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Abramos o nosso coração de par em par, para acolher com humildade e em festa o Senhor que nos visita e nos alimenta.

Peçamos-Lhe perdão da nossa indignidade e imitemos a generosidade de Zaqueu quando O acolheu em sua casa.

 

Cântico da Comunhão: Senhor eu creio que sois Cristo, F. da Silva, NRMS 67

cf. Sl 118, 9-5

Antífona da comunhão: Senhor, lembrai-Vos da palavra que destes ao vosso servo. A consolação da minha amargura é a esperança na vossa promessa.

Ou:    1 Jo 3, 16

Nisto conhecemos o amor de Deus: Ele deu a vida por nós; também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos.

 

Oração depois da comunhão: Fazei, Senhor, que este sacramento celeste renove a nossa alma e o nosso corpo, para que, unidos a Cristo neste memorial da sua morte, possamos tomar parte na sua herança gloriosa. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Procuremos, na vida de cada dia, viver mais atentos aos problemas dos outros, e ajudemo-las a resolvê-los, na medida das nossas possibilidades.

 

Cântico final: Ficai connosco Senhor, M. Borda, NRMS 43

 

 

Homilias Feriais

 

26ª SEMANA

 

2ª Feira 30-IX: Modelo para a comunhão eucarística.

Zac 8, 1-8 / Lc 9, 46-50

E quem me acolher, acolhe aquele que me enviou, pois quem for o mais pequeno entre vós é que é grande.

Cuidemos esmeradamente o acolhimento do Senhor na Comunhão Eucarística, procurando viver na presença do Senhor durante o dia; cumprindo melhor os nossos deveres quotidianos; desagravando o Senhor quando cometemos alguma falta; dizendo algumas comunhões espirituais.

O nosso modelo pode ser Nossa Senhora: «E o olhar extasiado de Maria, quando contemplava o rosto de Cristo recém-nascido e o estreitava nos seus braços, não é porventura o modelo inatingível de amor em que se devem inspirar todas as comunhões eucarísticas?» (IVE, 55).

 

3ª Feira, 1-X: Procurar a companhia do Senhor.

Zac 8, 20-23 / Lc 9, 51-56

Virão muitos povos e nações poderosas procurar em Jerusalém o Senhor do Universo, implorar a benevolência do Senhor.

«Aproximando-se os dias de Jesus ser levado deste mundo, Ele tomou a decisão de se dirigir a Jerusalém (Ev). Por esta decisão, indicava que subia para Jerusalém, pronto para lá morrer» (CIC, 557). É porque Jesus entrega a sua vida pela salvação de todos os homens, que muitos povos para lá se dirigem (Leit.).

Sigamos o conselho do profeta: «Queremos ir na vossa companhia, porque ouvimos dizer que Deus está convosco» (Leit). Deus está connosco especialmente na Missa, onde se renova incruentamente o sacrifício do Calvário.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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