24º Domingo Comum

15 de Setembro de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Dai a paz, Senhor, M. Faria, NRMS 23

cf. Sir 36, 18

Antífona de entrada: Dai a paz, Senhor, aos que em Vós esperam e confirmai a verdade dos vossos profetas. Escutai a prece dos vossos servos e abençoai o vosso povo.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

“Duas coisas peçamos ao Senhor”:

A concessão da paz material – ausência de espírito de opressão e de guerra – e o sossego de espírito com a procura de conversão e da graça; urge estarmos disponíveis para a sua aceitação dependente da vontade de Deus.

 

Acto Penitencial

 

Pedimos a paz mas nem sempre somos actores para que ela aconteça; parece ser mais fácil, muitas vezes, descer que subir; assim nos deixamos conduzir para a sua perda pesando-nos a nós, aos nossos irmãos, oferecendo a Deus.

 

·         Irmãos, o nosso Deus é grande no amor e no perdão. Abramos-lhe o coração, para que nos renove o íntimo com a sua graça.

 

·         Por todos os filhos que deixaram a casa do Pai, para que possam descobrir a verdadeira liberdade e alegria.

 

·         Por nós mesmos para que saibamos voltar a Deus aproximando-nos do sacramento do perdão e da alegria, Senhor tendo piedade de nós.

 

Oração colecta: Deus, Criador e Senhor de todas as coisas, lançai sobre nós o Vosso olhar; e para sentirmos em nós os efeitos do Vosso amor, dai-nos a graça de Vos servirmos com todo o coração. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Moisés aparece como o grande intercessor, perante Deus, pelo povo pecador.

A intercessão de Moisés prefigura a de Cristo, que se fez solidário com o homem, intercede por nós junto do Pai.

 

Êxodo 32, 7-11.13-14

 

Naqueles dias, 7o Senhor falou a Moisés, dizendo: «Desce depressa, porque o teu povo, que tiraste da terra do Egipto, corrompeu-se. 8Não tardaram em desviar-se do caminho que lhes tracei. Fizeram um bezerro de metal fundido, prostraram-se diante dele, ofereceram-lhe sacrifícios e disseram: ‘Este é o teu Deus, Israel, que te fez sair da terra do Egipto’». 9O Senhor disse ainda a Moisés: «Tenho observado este povo: é um povo de dura cerviz. 10Agora deixa que a minha indignação se inflame contra eles e os destrua. De ti farei uma grande nação». 11Então Moisés procurou aplacar o Senhor seu Deus, dizendo: «Por que razão, Senhor, se há-de inflamar a vossa indignação contra o vosso povo, que libertastes da terra do Egipto com tão grande força e mão tão poderosa? 13Lembrai-Vos dos vossos servos Abraão, Isaac e Israel, a quem jurastes pelo vosso nome, dizendo: ‘Farei a vossa descendência tão numerosa como as estrelas do céu e dar-lhe-ei para sempre em herança toda a terra que vos prometi’». 14Então o Senhor desistiu do mal com que tinha ameaçado o seu povo.

 

Este impressionante diálogo entre Deus e Moisés põe em evidência os elementos fundamentais da história da salvação, a saber, a aliança, o pecado, a fidelidade divina e a sua misericórdia. O texto foi escolhido em função do Evangelho: as parábolas da misericórdia.

11 «Moisés procurou aplacar o Senhor». É uma figura de Cristo Mediador, que também subia frequentemente ao monte para orar: Moisés intercede muitas vezes em favor do povo pecador: Ex 5, 22-23; 8, 4; 9, 28; 10, 17; Nm 11, 2; 14, 13-19; 18, 22; 21, 7. E Deus aceita esta oração, que faz apelo à sua fidelidade à aliança e à sua misericórdia (v. 14).

 

Salmo Responsorial    Sl 50 (51), 3-4.12-13.17.19 (R. Lc 15, 18)

 

Monição: Podemos rezar este salmo como súplica individual a Deus, porque reconhecemos que somos pecadores; em nome da igreja, o povo santo e sempre necessidade de purificaçãoo; em nome de toda a humanidade, onde não cessam de aumentar a corrupçãoo, a violência e o sangue derramado.

 

 

Refrão:        Vou partir e vou ter com meu pai.

 

Compadecei-Vos de mim, ó Deus, pela vossa bondade,

pela vossa grande misericórdia, apagai os meus pecados.

Lavai-me de toda a iniquidade

e purificai-me de todas as faltas.

 

Criai em mim, ó Deus, um coração puro

e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.

Não queirais repelir-me da vossa presença

e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

 

Abri, Senhor, os meus lábios

e a minha boca anunciará o vosso louvor.

Sacrifício agradável a Deus é um espírito arrependido:

não desprezeis, Senhor, um espírito humilhado e contrito.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A primeira carta a Timóteo tem por fim lembrar ao bispo de Éfeso e dever de defender a sã doutrina; ele sabe que é seu dever fazê-lo como consequência de anúncio do evangelho que lhe foi confiado.

 

1 Timóteo 1, 12-17

 

Caríssimo: 12Dou graças Àquele que me deu força, Jesus Cristo, Nosso Senhor, que me julgou digno de confiança e me chamou ao seu serviço, 13a mim que tinha sido blasfemo, perseguidor e violento. Mas alcancei misericórdia, porque agi por ignorância, quando ainda era descrente. 14A graça de Nosso Senhor superabundou em mim, com a fé e a caridade que temos em Cristo Jesus. 15É digna de fé esta palavra e merecedora de toda a aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores e eu sou o primeiro deles. 16Mas alcancei misericórdia, para que, em mim primeiramente, Jesus Cristo manifestasse toda a sua magnanimidade, como exemplo para os que hão-de acreditar n’Ele, para a vida eterna. 17Ao Rei dos séculos, Deus imortal, invisível e único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amen.

 

Iniciamos hoje a leitura de textos respigados das chamadas Cartas Pastorais, escritos paulinos dirigidas a pessoas singulares, pastores da Igreja, com normas para a organização das comunidades de Éfeso (1 e 2 Tim) e de Creta (Tit). O texto desta leitura é um maravilhoso hino de acção de graças de Paulo pela sua vocação de Apóstolo, bem consciente da sua indignidade – «blasfemo, perseguidor, violento», embora de boa fé, «por ignorância» (v. 13) – e da grandeza do dom de Deus, uma «graça que superabundou» (v. 14). Esta acção de graças culmina numa doxologia final, de sabor litúrgico (v. 17).

15 «É digna de fé…» Esta fórmula solene, própria das Cartas Pastorais (cf. 1 Tim 3, 1; 4, 9; 2 Tim 2, 11; Tit 3, 8), põe em relevo a importância doutrinal do que se diz neste versículo, um dos pontos centrais da fé cristã: a obra redentora de Cristo, que «por nós homens e pela nossa salvação desceu dos Céus…» (Credo de Niceia). A misericórdia que Deus mostrou para com Paulo é suficiente para inspirar confiança a qualquer pecador que queira arrepiar caminho.

 

Aclamação ao Evangelho        2 Cor 5, 19

 

Monição: Pode-se dizer que esta página do evangelho converteu grande número de pecadores. É um convite à alegria ou o cântico de alegria no céu pelo pecador que volta ao caminho do bem.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Faria, NRMS 16

 

Em Cristo, Deus reconcilia o mundo consigo

e confiou-nos a palavra da reconciliação.        

 

 

Evangelho*

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

 

Forma longa: São Lucas 15, 1-32;       forma breve: São Lucas 15, 1-10

 

Naquele tempo, 1os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. 2Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». 3Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: 4«Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar? 5Quando a encontra, põe-na alegremente aos ombros 6e, ao chegar a casa, chama os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida’. Eu vos digo: 7Assim haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento. 8Ou então, qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e tendo perdido uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente a moeda até a encontrar? 9Quando a encontra, chama as amigas e vizinhas e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida’. 10Eu vos digo: Assim haverá alegria entre os Anjos de Deus por um só pecador que se arrependa».

[Jesus disse-lhes ainda: 11«Um homem tinha dois filhos. 12O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. 13Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. 14Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. 15Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. 16Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. 17Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! 18Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. 19Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. 20Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. 21Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. 22Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. 23Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejamos, 24porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. 25Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. 26Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. 27O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque ele chegou são e salvo’. 28Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. 29Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. 30E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. 31Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. 32Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».]

 

A leitura de hoje, na sua forma longa, engloba todo o cap. 15 de S. Lucas, com as três parábolas da misericórdia divina; todas as três põem em evidência a alegria que Deus sente com o reencontro com o pecador, representado na ovelha perdida (vv. 4-7), na dracma perdida (8-10) e no filho perdido (11-32). Nas duas primeiras Deus é representado à procura do pecador; na terceira, no impressionante acolhimento que lhe presta. Estas parábolas são exclusivas do Evangelho de S. Lucas; a parábola da ovelha perdida também aparece em Mt 18, 10-14, mas num outro sentido: visa o cuidado que os chefes da Igreja devem pôr em não deixar que se perca nenhum dos pequeninos, isto é, aqueles fiéis que pela sua fragilidade correm mais risco de se perderem.  

Alguém considerou a parábola do filho pródigo «o evangelho dos evangelhos». É a mais bela e a mais longa das parábolas de Jesus, impregnada duma finíssima psicologia própria de quem no-la contou, Jesus, que conhece a infinita misericórdia do coração de Deus, que é o seu próprio coração, e que penetra na profundidade da alma humana (cf. Jo 2, 25), onde se desenrola o tremendo drama do pecado. «Aquele filho, que recebe do pai a parte do património que lhe corresponde, e abandona a casa para o desbaratar num país longínquo, vivendo uma vida libertina, é, em certo sentido, o homem de todos os tempos, começando por aquele que em primeiro lugar perdeu a herança da graça e da justiça original. A analogia neste ponto é muito ampla. A parábola aborda indirectamente todo o tipo de rupturas da aliança de amor, todas as perdas da graça, todo o pecado» (Encíclica Dives in misericordia, nº 5; ver tb. Catecismo da Igreja Católica, nº 1439).

12 «Dá-me a parte da herança»: segundo Dt 21, 17 pertencia-lhe um terço, havendo só dois filhos. O pai podia fazer as partilhas em vida (cf. Sir 30, 28ss).

13 «Partiu…»: o pecado do filho foi abandonar o pai, esbanjar os seus bens e levar uma vida dissoluta.

14-16 «Uma grande fome: é a imagem do vazio e insatisfação que sente o homem quando está longe de Deus, em pecado. «Guardar porcos» era uma humilhação abominável para um judeu, a quem estava proibido criar e comer estes animais impuros. Esta situação para um filho duma boa família era absolutamente incrível, o cúmulo da baixeza e da servidão. As «alfarrobas»: o rapaz já se contentaria com uma tão indigesta e indigna comida, mas, na hora de se dar uma ração dessas aos porcos, ninguém se lembrava daquele miserável guardador! Aqui fica bem retratada a vileza do pecado e a escravidão a que se submete o homem pecador (cf. Rom 1, 25; 6, 6; Gal 5, 1). O filho pretendia ser livre da tutela do pai, mas acaba por perder a liberdade própria da sua condição: imagem do pecador que perde a liberdade dos filhos de Deus (cf. Rom 8, 21; Gal 4, 31; 5, 13) e se sujeita à tirania do demónio, das paixões.

17 «Então, caindo em si…» A degradação a que a loucura do seu pecado o tinha levado fê-lo reflectir (é o começo da conversão) e enveredar pela única saída digna e válida.

18-19 «Vou-me embora»: A tradução latina (surgam = levantar-me-ei) do particípio gráfico (mas não ocioso) do original grego – «levantando-me, vou ter...» – é muito mais expressiva do que a tradução litúrgica, pois, duma forma viva, indica a atitude de quem começa a erguer-se da sua profunda miséria.

«Pequei contra o Céu e contra ti»: nesta expressão retrata-se a dimensão transcendente do pecado; não é uma simples ofensa a um homem, é ofender a Deus, uma ofensa de algum modo infinita! O filho não busca desculpas, reconhece sinceramente a enormidade da sua culpa.

«Trata-me como um dos teus trabalhadores». É maravilhoso considerar como naquele filho arrependido começa a brotar o amor ao pai; o que ele ambiciona é ir para junto do pai, estar junto a ele é o que o pode fazer feliz! Melhorar a sua situação material não é o que mais o preocupa, pois, para isso, qualquer proprietário da sua pátria o podia admitir como jornaleiro; assim a parábola não descreve uma atitude interesseira do filho, mas a humildade e a contrição de quem se reconhece pecador. Por outro lado, ele não se atreve a pedir ao pai que o admita no gozo da sua antiga condição de filho, porque reconhece a sua indignidade: «já não mereço ser chamado teu filho».

20 «Ainda ele estava longe, quanto o pai o viu». Este pormenor faz pensar que o pai não só desejava ansiosamente o regresso do filho, mas também, muitas vezes, observava ao longe os caminhos, impaciente de ver o filho chegar quanto antes, uma enternecedora imagem de como Deus aguarda a conversão do pecador. «Encheu-se de compaixão»: o verbo grego é muito expressivo e difícil de traduzir com toda a sua força, esplankhnístê: «comoveram-se-lhe as entranhas» (tà splánkhna). «E correu…»: é impressionante o contraste entre o pai que corre para o filho e o filho que simplesmente caminha para o filho – «a misericórdia corre» (comenta Sto. Agostinho); «cobrindo-o de beijos», numa boa tradução que tem em conta a forma iterativa do verbo grego, é uma belíssima e expressiva imagem do amor de Deus para com um pecador arrependido!

21 «Pai, pequei». Apesar de se ver assim recebido pelo pai, o filho não se escusa de confessar o seu pecado e de manifestar a atitude interior que o move a regressar.

22 «A melhor túnica, o anel, o calçado», são uma imagem da graça, o traje nupcial (cf. Mt 22, 11-13); assim nos espera o Senhor no Sacramento da Reconciliação, não para nos ralhar, recriminar, mas para nos admitir na sua antiga intimidade, restituindo-nos, cheio de misericórdia, a graça perdida.

23 «Comamos e festejemos», a imagem da Sagrada Eucaristia, segundo um sentido espiritual corrente.

25-32 «O filho mais velho»: esta segunda parte da parábola não se pode limitar a uma censura dos fariseus e escribas (v. 2), cumpridores, mas insensíveis ao amor – o mais velho é que é, no fim de contas, o filho mau –; a parábola é também uma lição para todos, a fim de que imitem a misericórdia de Deus para com um irmão que pecou (cf. Lc 6, 36); ele é sempre «o teu irmão» (v. 33), e não há direito de que não se tome a sério a misericórdia de Deus, com aquela despeitada ironia: «esse teu filho» (v 30). A misericórdia de Deus é tão grande, que ultrapassa uma lógica meramente humana; esta segunda parte da parábola põe em evidência a misericórdia de Deus a partir do contraste com a mesquinhez do filho mais velho.

 

Sugestões para a homilia

 

a) Um Deus de braço abertos

b) Temos ainda necessidade de perdão?

c) Preocupação de S. Paulo

d) Deus, Pai Misericordioso

 

a) Jesus Cristo revelou-nos um Deus como desejamos. Um Deus que é amor e misericórdia. Dá-nos tudo, dá-nos o que nenhuma análise científica nem progresso tecnológico nem desenvolvimento das ciências humanas jamais poderá dar-nos.

Quando percebemos que Deus nos ama assim, sentimos que somos amados individualmente, um por um, de modo absoluto.

Estar longe dele e dos outros por razões humanas é perder tempo, é perder Deus. Então nasce espontaneamente a necessidade de pedir PERDÃO.

 

b) Moisés torna-se a garantia de continuidade da acção salvífica de Deus e solidariza-se totalmente com o povo; é esta a nação, saída do Egito, a portadora da salvação. A intercessão de Moisé prefigura a de Cristo, que se fez solidário com o homem e intercede por nós junto do Pai.

Não tem necessidade de ser perdoado quem não tem consciência de ter traído alguém a quem ama.

Há uma multidão de pessoas, mas cada um se acha fechado em si mesmo, com o seu cansaço, sua desilusãoo, muitas vezes com sua angústia.

É grande o número dos que não são amados por ninguém, para os quais não se tem um olhar a não ser com referência à sua eficiência económica; muitas pessoas sabem que quando não forem mais úteis, ninguém mais interessa por elas.

Não existe verdadeira experiência humana sem intercâmbio, diálogo e confidência, verdadeiro amor recíproco.

Só o amor gratuito e livre é capaz de transformar e PERDOAR.

 

c) Paulo insiste no dever de defender a sã doutrina; está consciente disso, o que deve acompanhar o anúncio do evangelho como BOA NOTÍCIA por excelência. Daí a simplicidade com que exalta a sua missão, agora descrita num tom místico.

Apresenta-a como uma comunicação de força, um gesto divino de misericórdia, um dom gratuito, um exemplo típico da conduta de Deus para com os pecadores.

Tudo isso faz com que Paulo prorrompa num cântico de louvor, da qual se apropriou a liturgia.

 

d) Somos conhecedores de três parábolas que têm a mesma conclusão como se referiu:

O convite à alegria ou o cântico de alegria no céu pelo pecador que volta ao caminho do bem.

A da ovelha perdida e a da moeda descrevem a solicitude de Deus, que vai à procura do que estava perdido.

A terceira, a parábola do pai misericordioso, põe em relevo a paciência de Deus que não quer a morte do pecador mas que se converta e viva. Vejamos na atitude do filho pródigo o processo de conversão e reabilitaçãoo da nossa própria DIGNIDADE.

 

 

Fala o Santo Padre

 

«Deus nunca se cansa de vir ao nosso encontro,

percorre sempre em primeiro lugar a estrada que nos separa d’Ele.»

 

Queridos irmãos e irmãs!

No Evangelho deste domingo — capítulo 15 de São Lucas — Jesus narra as três «parábolas da misericórdia». Quando Ele «fala, nas suas parábolas, do pastor que vai atrás da ovelha perdida, da mulher que procura a dracma, do pai que sai ao encontro do filho pródigo e o abraça, não se trata apenas de palavras, mas constituem a explicação do seu próprio ser e agir» (Enc. Deus caritas est, 12). Com efeito, o pastor que encontra a ovelha perdida é o próprio Senhor que assume em si mesmo, através da Cruz, a humanidade pecadora para a redimir. Depois, o filho pródigo, na terceira parábola, é um jovem que, tendo obtido a herança do pai, «partiu para uma terra longínqua e por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada» (Lc 15, 13). Reduzido à miséria, foi obrigado a trabalhar como um escravo, aceitando até saciar-se com a comida destinada aos animais. Então — diz o Evangelho — «caiu em si» (Lc 15, 17). «As palavras que ele prepara para o regresso permitem-nos conhecer o alcance da peregrinação interior que agora realiza... regressa “à casa”, a si mesmo e ao pai» (Bento XVI, Jesus de Nazaré, Milão 2007, pp. 242-243). «Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e vou dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho» (Lc 15, 18-19). Santo Agostinho escreve: «É o próprio Verbo que te grita para voltar; o lugar da calma imperturbável é onde o amor não conhece abandono» (Conf., IV, 11). «Ainda estava longe quando o pai o viu e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos» (Lc 15, 20) e, cheio de alegria, mandou preparar uma festa.

Queridos amigos, como não abrir o nosso coração para a certeza de que, mesmo sendo pecadores, somos amados por Deus? Ele nunca se cansa de vir ao nosso encontro, percorre sempre em primeiro lugar a estrada que nos separa d’Ele. O livro do Êxodo mostra-nos como Moisés, com confiança e súplica audaz, conseguiu, por assim dizer, transferir Deus do trono do juízo para o trono da misericórdia (cf. 32, 7-11.13-14). O arrependimento é a medida da fé e graças a ele voltamos à verdade. O apóstolo Paulo escreve: «Alcancei misericórdia, porque agi por ignorância, sem ter fé ainda» (1 Tm 1, 13). Voltando à parábola do filho que regressa «à casa», notamos que quando aparece o filho mais velho indignado pelo acolhimento festivo reservado ao irmão, é sempre o pai que lhe vai ao encontro e sai para o suplicar: «Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu» (Lc 15, 31). Só a fé pode transformar o egoísmo em alegria e reatar justas relações com o próximo e com Deus. «Tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos — disse o pai — porque este teu irmão... estava perdido e foi encontrado» (Lc 15, 32).

 

Papa Bento XVI, Angelus, Castel Gandolfo, 12 de Setembro de 2010

 

Oração Universal

 

Imploremos a piedade do nosso Deus,

e supliquemos-Lhe que atenda a nossa oração humilde.

 

1.  Para que na sua Igreja

derrame a luz, o amor e a alegria do Espírito Santo,

oremos ao Senhor.

 

2.  Para que inspire aos governantes

o sentido da justiça e da equidade,

oremos ao Senhor.

 

3.  Para que dê a paz ao mundo

e encaminhe os povos para os bens eternos,

oremos ao Senhor.

 

4.  Para que ensine ao poderosos que mandar é servir

e leve os súbditos a obedecer sem servilismo,

oremos ao Senhor.

 

5.  Para que dê aos pecadores e filhos pródigos

a alegria do regresso ao Pai,

oremos ao Senhor.

 

6.  Para que distribua os seus dons pelas famílias da nossa paróquia,

e lhes dê o bem estar e a caridade fraterna,

oremos ao Senhor.

 

Acolhei; ó Deus eterno, as orações da Vossa Igreja, e dignai-vos atender as preces que Vos dirigimos de coração humilde. Por Nosso Senhor Jesus Cristo...

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

A eucaristia, como “memória” da Cruz, revela-nos o perdão de Deus, concedido a todos os que crêem na eficácia do sacrifício de Cristo.

 

Cântico do ofertório: Que bom Senhor estar ao pé de Ti, M. Carneiro, NRMS 36

 

Oração sobre as oblatas: Ouvi, Senhor, com bondade as nossas súplicas e recebei estas ofertas dos vossos fiéis, para que os dons oferecidos por cada um de nós para glória do vosso nome sirvam para a salvação de todos. Por Nosso Senhor...

 

Santo: A. Cartageno, Suplemento CT

 

Saudação da Paz

 

Reconciliemo-nos connosco mesmos, com os irmãos e com Deus para vivermos em paz.

 

Saudai-vos na paz de Cristo

 

 

Monição da Comunhão

 

Peçamos ao Senhor a alegria da Sua graça e Seu perdão para plena comunhão com Ele.

 

Cântico da Comunhão: Não fostes vós que me escolhestes, Az. Oliveira, NRMS 59

Sl 35, 8

Antífona da comunhão: Como é admirável, Senhor, a vossa bondade! Na sombra das vossas asas se refugiam os homens.

Ou:    Sl 35, 8

O cálice de bênção é comunhão no Sangue de Cristo; e o pão que partimos é comunhão no Corpo do Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Louvai ao Senhor, com tudo, M. Simões, NRMS 2 (I)

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, concedei que este sacramento celeste nos santifique totalmente a alma e o corpo, para que não sejamos conduzidos pelos nossos sentimentos mas pela virtude vivificante do vosso Espírito. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Vamo-nos daqui com a coragem de testemunhar na vida e trabalhos em que participarmos Cristo ressuscitado e cheio de misericórdia.

 

Cântico final: Vou cantar o vosso nome, S. Marques, NRMS 107

 

 

Homilias Feriais

 

24ª SEMANA

 

2ª Feira, 16-IX: Edificar apoiados na Eucaristia

1 Tim 2, 1-8/ Lc 7, 1-10

O centurião: Eu não mereço que entres debaixo do meu tecto.

A Igreja vive da Eucaristia desde os primeiros tempos: «No Cenáculo, os Apóstolos, tende aceite o convite de Jesus: 'Tomai, comei', entraram pela primeira vez em comunhão sacramental. Desde então, e até ao final dos séculos, a Igreja edifica-se através da comunhão sacramental com o Filho de Deus, imolado por nós» (IVE, 21).

Para edificarmos a nossa vida sobre a Eucaristia procuremos melhorar as nossas disposições ao recebermos a Comunhão. Sigamos o exemplo do centurião (Ev), que a Igreja nos propõe para esse momento: fé, humildade e delicadeza.

 

3ª Feira, 17-IX: Imitar a misericórdia de Jesus.

1 Tim 3, 1-3 / Lc 7, 11-17

E vinha com ela (a viúva) bastante gente da cidade. Ao vê-la, o Senhor compadeceu-se e disse-lhe: Não chores.

Jesus veio carregar sobre os seus ombros com as nossas misérias, veio compadecer -se dos que sofrem, como a viúva de Naim (Ev). «Jesus faz da misericórdia um dos temas principais da sua pregação. São muitos os passos dos ensinamentos de Cristo que manifestam o amor-misericórdia sob um aspecto sempre novo» (Dives in misericordia, 3).

Sejamos sempre misericordiosos com os outros: «Nada pode fazer-te tão imitador de Cristo como a preocupação pelos outros. Mesmo que jejues ou, por assim dizer, te mates, se não te preocupas pelo próximo, pouca coisa fizeste, pois ainda estás muito longe da imagem de Jesus» ( S. João Crisóstomo).

 

4ª Feira, 18-IX: As realidades humanas à luz da fé.

1 Tim 3, 14-16 / Lc 7, 31-35

Mas é para saberes como se deve proceder na casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, coluna e apoio da verdade.

«A Igreja, 'coluna e apoio da verdade' (Leit), recebeu dos Apóstolos o solene mandamento de Cristo de anunciar a verdade da salvação. À Igreja compete anunciar sempre e em toda a parte os princípios morais, mesmo de ordem social, bem como emitir juízo acerca de quaisquer realidades humanas, na medida em que o exigirem os direitos fundamentais da pessoa humana ou a salvação das almas» (CIC, 2032).

«Para isso, é necessário que, nas dioceses e comunidades cristãs, se dê a conhecer e incrementar a Doutrina Social da Igreja» (SC, 91).

 

5ª Feira, 19-IX: A oração silenciosa e a fé.

1 Tim 4, 12-16 / Lc 7, 36-50

Por isso te digo: os seus numerosos pecados ficam perdoados, uma vez que manifestou tanto amor.

A atitude da pecadora para com Jesus é um exemplo da oração silenciosa: não precisou de palavras, manifestou o seu amor com obras. «A contemplação é a oração do filho de Deus, do pecador perdoado que consente em acolher o amor com que é amado e ao qual quer corresponder ainda mais (Ev)» (CIC, 2712).

A sua oração foi atendida por Jesus, mesmo sem ter dito nada: «Jesus atende a oração de fé expressa em palavras, ou feita em silêncio (as lágrimas e o perfume da pecadora) (Ev)» (CIC, 2616).

 

6ª Feira, 20-IX: O contributo específico da mulher.

1 Tim6, 2-12  / Lc 8, 1-3

Andavam com Ele os doze, bem como algumas mulheres, que tinham sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades.

O Evangelho mostra como as mulheres seguem e servem o Senhor, como estão ao pé da Cruz e vão em primeiro lugar ao sepulcro vazio. «A Igreja está ciente do contributo específico da mulher para o serviço do Evangelho e da esperança. A história da comunidade cristã atesta que as mulheres sempre tiveram um lugar de relevo no testemunho do Evangelho. Recorde-se tudo o que elas fizeram, muitas vezes em silêncio e sem dar nas vistas, para acolher e transmitir o dom de Deus, seja mediante a maternidade física e espiritual, a acção educativa, a catequese, a realização de grandes obras de caridade...» (João Paulo II).

 

Sábado, 21-IX: S. Mateus: A palavra de Deus, fortaleza da fé

Ef 4, 1-7. 11-13 / Mt 9, 9-13

Jesus ia a passar, quando viu um homem, chamado Mateus, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: Segue-me.

Quando foi chamado pelo Senhor, S. Mateus deixou logo tudo para se dedicar ao seu serviço. A partir de então acompanhou Jesus e foi testemunha da sua vida e ensinamentos, dos milagres, da participação na Última Ceia, etc. Deixou-nos uma pequena, mas importante, biografia do Senhor: o seu Evangelho.

«Nos livros Sagrados, o Pai que está nos Céus sai amorosamente ao encontro dos seus filhos para conversar com eles. A palavra de Deus é, em verdade, apoio e vigor da Igreja e fortaleza da fé para os seus filhos, alimento da alma, fonte pura e perene da vida espiritual» (DV, 2).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Ferreira de Sousa

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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