Exaltação da Santa Cruz

14 de Setembro de 2013

 

Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus, vinde em meu auxílio, F. da Silva, NRMS 53

cf. Gal 6, 14

Antífona de entrada: Toda a nossa glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. N'Ele está a nossa salvação, vida e ressurreição. Por Ele fomos salvos e livres.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A liturgia da Palavra deste dia, dedicado à Exaltação da Santa Cruz, convida-nos a considerar este Deus crucificado, a fim de nos deixarmos envolver numa resposta de amor.

Se erradamente pensamos que o amor, a glória, a omnipotência de Deus se revelaram quando Jesus fazia milagres, fica admirado quando, no Evangelho que hoje vamos escutar, lê que o momento mais alto da revelação da glória de Deus ocorre quando o seu Filho é levantado na cruz.

É nesse momento que o Pai nos consegue dizer, de um modo claro, quanto realmente nos ama.

Porque nem sempre correspondemos a esse imenso amor de Deus por cada um de nós, peçamos humildemente perdão ao Senhor.

 

Oração colecta: Senhor, que na vossa infinita misericórdia, quisestes que o vosso Filho sofresse o suplício da cruz para salvar o género humano, concedei que, tendo conhecido na terra o mistério de Cristo, mereçamos alcançar no Céu os frutos da redenção. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Os israelitas, na sua caminhada pelo deserto, olhavam para a serpente de bronze que Moisés colocara sobre o poste, a fim de serem curados das mordidelas das serpentes venenosas. Todavia, o que os salvava não era esse olhar, mas a elevação do seu coração a Deus.

 

Números 21, 4b-9

Naqueles dias, 5o povo de Israel impacientou-se e falou contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizeste sair do Egipto, para morrermos neste deserto? Aqui não há pão nem água e já nos causa fastio este alimento miserável». 6Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas que mordiam nas pessoas e morreu muita gente de Israel. 7O povo dirigiu-se a Moisés, dizendo: «Pecámos, ao falar contra o Senhor e contra ti. Intercede junto do Senhor, para que afaste de nós as serpentes». E Moisés intercedeu pelo povo. 8Então o Senhor disse a Moisés: «Faz uma serpente de bronze e coloca-a sobre um poste. Todo aquele que for mordido e olhar para ela ficará curado». 9Moisés fez uma serpente de bronze e fixou-a num poste. Quando alguém, era mordido por uma serpente, olhava para a serpente de bronze e ficava curado.

 

O contexto deste relato é o da longa viagem desde a longa estância no oásis de Cadés até Moab, em que o povo se cansa com os rodeios para evitar enfrentar Edom (cf. v. 4), revolta-se e protesta contra Moisés. O que aqui se relata pode muito bem ser referido a um lugar de Arabá, a actual Timná, onde se encontrou uma serpente de bronze num antigo santuário egípcio. Às serpentes era atribuído um poder mágico

5 «Este alimento miserável». Referência bem realista ao maná, cuja idealização posterior o considera, pelo contrário, «pão dos fortes» e «pão dos anjos», pão com todas as delícias e com todos os sabores ao gosto de cada pessoa (cf. Sab 16, 20-21; Salm 78, 23-25).

6 «Serpentes venenosas», à letra, de fogo, um hebraísmo para dizer serpentes abrasadoras, cuja natureza se ignora. Há mesmo quem pense em pequenos parasitas, as filárias, que perfuram a pele, invadem e obstruem os canais linfáticos, causando a morte por filariose.

8 «Faz uma serpente de bronze…» O relato bíblico poderia fazer pensar, à primeira vista, num recurso à magia, rejeitada em toda a Sagrada Escritura, pois aqui a cura até parece pertencer à classe da homeopatia mágica: uma imagem do causador do mal teria o poder de o esconjurar! Talvez por isso o livro da Sabedoria tem o cuidado de atribuir a cura à misericórdia de Deus: «não em virtude do que via, mas graças a Ti, o Salvador de todos» (cf. Sab 16, 5-14). Também entre os gregos a serpente era o animal emblemático de Esculápio e conserva-se como símbolo das nossas farmácias. Como se pode ver no Evangelho de hoje (Jo 3, 14-15), este relato encerra um sentido típico visado por Deus: o poste é figura da Cruz, a serpente de bronze é figura de Cristo Salvador, que salva da morte eterna todos os homens feridos pela mordedura mortal do pecado, desde que, arrependidos, olhem para Jesus com fé.

 

Salmo Responsorial    Sl 77 (78), 1-2.34-35.36-37.38 (R. cf. 7c)

 

Monição: A recitação deste salmo recorda-nos, como também lembrava aos israelitas, que Deus é o nosso protector. Se para Ele nos voltarmos de coração sincero seremos aliviados de todas as nossas aflições e angústias.

 

Refrão:        Não esqueçais as obras do Senhor.

 

Escuta, meu povo, a minha instrução,

presta ouvidos às palavras da minha boca.

Vou falar em forma de provérbio,

vou revelar os mistérios dos tempos antigos.

 

Quando Deus castigava os antigos, eles O procuravam,

tornavam a voltar-se para Ele

e recordavam-se de que Deus era o seu protector,

o Altíssimo o seu redentor.

 

Eles, porém, enganavam-n’O com a boca

e mentiam-Lhe com a língua,

o seu coração não era sincero,

nem eram fiéis à sua aliança.

 

Mas Deus, compadecido, perdoava o pecado

e não os exterminava.

Muitas vezes reprimia a sua cólera

e não executava toda a sua ira.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Nesta leitura, S. Paulo mostra-nos a imagem do verdadeiro Deus e não o ídolo que erradamente invocamos como juiz castigador, rico e poderoso. A imagem perfeita de Deus é dada por seu Filho Jesus, na cruz: pobre, humilde e que deu tudo por amor.

 

Filipenses 2, 6-11

6Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, 7mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, 8humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. 9Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, 10para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, 11e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

 

A leitura constitui um admirável hino à humilhação e exaltação de Cristo, que muitos exegetas pensam ser anterior ao este escrito paulino e a mais antiga confissão de fé explícita na divindade de Cristo que consta dos escritos do Novo Testamento.

6 «De condição divina». Literalmente: «existindo em forma de Deus». Ora esta forma (morfê) de Deus, ainda que não significasse directamente a natureza divina, pelo menos indicaria a glória e a majestade, atributos especificamente divinos na linguagem bíblica. De qualquer modo, como bem observa Heinrich Schlier, a expressão em forma de Deus não quer dizer que Deus tenha uma forma como a têm os homens, mas significa que Jesus «tinha um ser como Deus, um ser divino».

«Não se valeu da sua igualdade com Deus». O texto original foi simplificado no texto litúrgico, pois há diversas possibilidades de tradução desta rica expressão: a) «Não considerou como um roubo o ser igual a Deus»; b) «Não considerou como algo a roubar (=algo cobiçado) o ser igual a Deus». No primeiro caso, considera-se o termo grego harpagmós em sentido activo (roubo); no segundo, em sentido passivo (coisa cobiçada). A Vulgata, seguida pela Nova Vulgata, traduz: «não considerou uma usurpação (rapinam) o ser igual a Deus» (sentido activo); a interpretação dos Padres Gregos, a que se ateve a nossa tradução litúrgica, considera o termo grego com sentido passivo: «não considerou como algo cobiçado (harpagmón). Há quem pense que S. Paulo quer fazer ressaltar o contraste entre a atitude soberba dos primeiros pais que, sendo homens, quiseram vir a ser iguais a Deus (cf. Gn 3, 5.22) e a atitude humilde de Jesus que, sendo Deus, se quis fazer «semelhante aos homens» (v. 7).

7 «Mas aniquilou-se a si próprio», à letra, esvaziou-se: Jesus Cristo, ao fazer-se homem, não se despojou da natureza divina, mas sim da glória ou manifestação sensível da majestade que Lhe competia em virtude da chamada união hipostática (na pessoa do Filho eterno de Deus, a natureza humana e a natureza divina unidas numa união misteriosa). «Assumindo a condição de servo», o que não significa a condição social de escravo, mas a «forma» (morfê) de se conduzir própria de um ser pobre e dependente, cumprindo a figura do «servo de Yahwéh», a que se refere a primeira leitura de hoje; «tornou-se semelhante aos homens, aparecendo como homem», não apenas, como queria a heresia doceta, nas aparências (skhêmati), mas no sentido em que o homem é «semelhante» (en homoiômati) dos outros homens, em tudo igual excepto no pecado (cf. Hebr 4, 15).

8 «Humilhou-se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz». Note-se como é posta em relevo esta obediência e aniquilamento – a kénosis – de Cristo, num sublime crescendo de humilhação em humilhação: feito homem, assume a condição de escravo, Ele obedece, e com uma obediência que vai até à morte, e não uma morte qualquer, mas a dum malfeitor, a morte de cruz – homem, escravo, malfeitor!

9-10 Mas este aniquilamento – o tremendo escândalo da Cruz – não foi uma derrota, o desfecho duma história trágica com que tudo acabou. Estamos perante o sublime paradoxo da sua «exaltação»: foi «por isso» mesmo que «Deus» (não Ele próprio, mas o Pai, ho Theós com artigo) «O exaltou» de modo singularíssimo (à letra, acima de tudo o que existe, tendo na devida conta a preposição hypér na composição do verbo grego, corresponde a: Deus soberanamente O exaltou), o que se deu na glorificação da humanidade de Jesus com a sua Ressurreição e Ascensão. A esta exaltação corresponde o «nome» que Lhe é dado por Deus, o mesmo nome com que passa a ser invocado pela multidão de todos os crentes de todos os tempos; já não se trata simplesmente do nome usado na sua vida terrena e que consta da sentença que o condenou à morte de cruz, Jesus, mas trata-se do mesmo nome com que o próprio Deus é designado para traduzir o nome divino «Yahwéh» – «Senhor».

11 A todos pertence proclamar e reconhecer a divindade de Jesus – «toda a língua proclame que Jesus Cristo é Senhor» (mais expressivo Senhor sem artigo, como no original grego) e o seu domínio sobre toda a criação – «no céu, na terra e nos abismos, para glória de Deus Pai» (A tradução da velha Vulgata neste ponto era pouco expressiva e deficiente, ao traduzir: «proclame que o Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Pai»).

Independentemente da discussão acerca do aniquilamento de que aqui se fala, se ele visa ou não directamente o mistério da Incarnação, fica bem claro que Jesus não é um simples servo do Senhor que vem a ser exaltado por Deus, pois Ele é Deus que se abaixa e depois vem a ser exaltado. Também fica patente que a fé na divindade de Jesus não é o fruto duma elaboração teológica tardia, pois a epístola é, quando muito, do ano 62, se não é mesmo de cerca de 56 (como hoje pensa a generalidade dos estudiosos), e, como dissemos, estes versículos já fariam parte dum hino litúrgico a Cristo, anterior à epístola.

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Cristo, na cruz, é o ponto de referência para todas as nossas opções nesta vida. Por isso, O adoramos e bendizemos, pois pela sua santa cruz remiu o mundo.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação-2, F. da Silva, NRMS 50-51

 

Nós Vos adoramos e bendizemos, Senhor Jesus Cristo,

que pela vossa santa cruz remistes o mundo.

 

 

Evangelho

 

São João 3, 13-17

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 13«Ninguém subiu ao Céu senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do homem. 14Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do homem será elevado, 15para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna. 16Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. 17Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».

 

O texto é tirado do «discurso» de Jesus a Nicodemos. Não é fácil distinguir nos discursos de Jesus em S. João, quando é que o evangelista apresenta as próprias palavras de Jesus de quando apresenta a sua reflexão divinamente inspirada sobre elas. Aqui costuma-se considerar a meditação do evangelista a partir do v. 13, meditação que, do v. 16 ao 21, é o chamado kérigma joanino.

13 «Filho do Homem» tem em S. João um sentido glorioso, indicando a origem divina de Jesus, o Filho de Deus pré-existente enviado ao mundo para salvar os homens e que «subiu ao Céu», uma realidade que pertence às coisas do Céu (v. 12); nos Sinópticos conserva mais o sentido da literatura apocalíptica (cf. Dn 7, 13; 4 Esd; Henoc Etiópico), indicando o Messias, o salvador do povo que virá no fim dos tempos e também o Messias-sofredor. Mas expressão na Filho do homem nem sempre fica bem claro o título cristológico, pois por vezes poderia não passar de um mero asteísmo, uma figura de linguagem (asteísmo) para Jesus se referir discretamente à sua pessoa: este homem = eu. J. Ratzinger/Bento XVI encara com grande profundidade esta afirmação de Jesus acerca de si mesmo (Jesus de Nazaré, cap. X)

14 «Elevado», na Cruz, entenda-se. Mas S. João joga com os dois sentidos da elevação: na Cruz e na glória. E isto não é um simples artifício literário, mas encerra um mistério profundo, pois é na Paixão que se manifesta todo o amor de Jesus (cf. Jo 13, 1), todo o seu poder divino salvífico de dar o Espírito e a vida eterna (cf. 7, 38; 12, 23-24; 17, 1.2.19), numa palavra, a sua glória, que culmina na Ressurreição (cf. 12, 16). Para a alusão à serpente de bronze, ver Nm 21, 4-9 (1ª leitura de hoje); Sab 16, 5-15 e o Targum que fala mesmo dum lugar elevado onde Moisés a colocou.

16 «Deus... entregou o seu Filho Unigénito». Parece haver aqui uma alusão ao sacrifício de Isaac (cf. Gn 22, 1-12), que os Padres consideravam uma figura de Cristo, até por aquele pormenor de Isaac subir o monte Moriá com a lenha às costas, como Jesus subindo o monte Calvário carregando a Cruz.

17 «Não… para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo». Jesus contraria as ideias judaicas da época, que imaginavam o Messias como um juiz que antes de mais vinha para julgar e condenar todos os que ficavam fora do Reino de Deus, ou se lhe opunham.

 

Sugestões para a homilia

 

O amor de Deus e a nossa resposta

Ao verdadeiro rosto de Deus revelado na cruz

Que é referência para todas as nossas escolhas

 

O amor de Deus e a nossa resposta

Na festa de hoje, o símbolo da serpente elevado por Moisés sobre o poste, para alívio das mordidelas das serpentes, é a indicação de uma escolha de vida, a do dom de si mesmo como Cristo fez.

É importante alcançarmos a mensagem que o primeiro texto tem para nos dar. Já os rabinos explicavam que os israelitas não eram curados por olharem para a serpente, mas porque elevavam o seu coração a Deus. Assim nos ensina também o Livro da Sabedoria quando nos diz que “quem se voltava para ele era curado, não pelo objecto que via, mas sim, por Ti, Senhor, que és o salvador de todos” (Sb 16, 7).

Contemplar a cruz significa tomá-la como ponto de referência e de resposta ao amor de Deus para connosco, como síntese da proposta de vida que o Mestre nos fez.

Quando a soberba, a cobiça, o ciúme, a fúria, as dificuldades da vida, a paixão ou as intuições descontroladas nos acometem e intoxicam a alma tirando-nos o sorriso, apenas a contemplação de Jesus que foi elevado sobre o madeiro da cruz nos pode ajudar a superar tais situações. Através deste olhar e recordando os padecimentos do Mestre, encontraremos o alívio e o convite a unir a nossa vida à sua, para que se torne um dom de amor ao irmão numa resposta ao verdadeiro rosto do amor de Deus, revelado na cruz.

 

Ao verdadeiro rosto de Deus revelado na cruz

É Jesus Crucificado que, mudando as maneiras de ver e os valores dos homens, nos leva a pensar na derrota como uma vitória, no serviço como um poder, na pobreza como uma riqueza, na perda como um ganho, na humilhação como um triunfo, na morte como um novo nascimento, conforme Jesus havia dito a Nicodemos. É este Crucificado que avalia o sucesso ou o falhanço da nossa vida, é o seu juízo que diz a verdade sobre a história do homem.

O julgamento de que temos absoluta necessidade, aquele que nos salva, é aquele que Deus pronuncia hoje, aquele que impede de desperdiçar a vida seguindo caminhos de morte. É este o julgamento que João põe em relevo no Evangelho e se torna referência para todas as nossas escolhas.

 

Que é referência para todas as nossas escolhas

Na segunda leitura, S. Paulo, dirigindo-se aos cristãos de Filipos, descreve a vida autêntica, segundo o juízo de Deus, como aquela que se adapta ao comportamento de Cristo. Os cristãos Filipenses disputavam entre si a afirmação de si próprios nos ministérios da comunidade. Embora pretendessem servi-la não se moderavam na aspiração de mostrar as suas capacidades para assim poderem dominar, impor e exibir perante os outros.

Ora Paulo, recorda-lhes que Jesus quando se fez um de nós se privou da sua grandeza divina e apareceu perante nós na fraqueza de um homem igual a qualquer homem, dum homem profundamente desprezado, escravo, aquele a Quem os romanos reservavam a morte ignominiosa da cruz.

Isso era um choque, e ainda hoje o é, porque imaginamos Deus como vencedor, que criou o Universo para ter alguém que se ajoelhe perante Ele, O louve e O sirva; aquele que julgará retribuindo com justiça os prémios e os castigos. Mas este não é Deus, apenas um ídolo criado pela nossa mentalidade humana.

O verdadeiro Deus é aquele cuja imagem nos é dada por Jesus na cruz: Ele é pobre, não ficou com nada para Si, deu tudo por amor. Na cruz temos a medida do seu imenso amor como proposta e referência para todas as nossas opções durante a vida.

Pôr os olhos na cruz é ter Cristo como referência nessas escolhas que devem ser conduzidas, como foram as suas, pela vontade de doar a vida em favor de todos os outros.

Saibamos perante as injustiças, incompreensões, deslealdades, sofrimentos e angústias a que somos submetidos, olhar para Cristo Crucificado e reduzi-las à insignificância e relatividade de que se revestem, a fim de que, confiando n’Ele, possamos escolher o caminho do dom da vida que nos permitirá um dia ser também elevados à exaltação do encontro decisivo com Deus.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos caríssimos:

oremos a Cristo nosso Redentor,

que nos remiu pela santa Cruz,

dizendo:

   

    Pela vossa santa Cruz, Cristo, ouvi-nos e atendei-nos.

 

1.  Pela santa Igreja, nascida da árvore da Cruz,

para que siga a Cristo como ponto de referência

e de resposta ao amor de Deus para connosco,

oremos, irmãos.

 

2.  Pelo Santo Padre, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

para que contemplem a cruz

como síntese da proposta de vida que o Mestre nos fez,

oremos irmãos.

 

3.  Pelos cristãos de todo o mundo

que neste momento sofrem no corpo e na alma

os suplícios da sua experiência cristã,

para que sintam a presença consoladora de Cristo crucificado,

oremos, irmãos.

 

4.  Por todos nós os baptizados,

para que sintamos absoluta necessidade

de não desperdiçar a vida seguindo caminhos de morte,

mas por opções de vida segundo o exemplo de Jesus Crucificado,

oremos, irmãos.

 

5.  Pelas nossas comunidades cristãs,

para que consigam ultrapassar injustiças,

incompreensões ou deslealdades que sofrem,

sabendo-as reduzir à insignificância e relatividade de que se revestem

diante dos sofrimentos de Cristo,

oremos, irmãos.

 

6.  Para que ponhamos toda a glória

na Cruz  de Cristo nosso Redentor,

oremos, irmãos.

 

Pai de toda a misericórdia,

derramai sobre todos nós a graça do Espírito Santo,

para que consigamos fazer as nossas opções

perante as dificuldades que se nos deparam na vida,

lembrados do peso e glória da santa Cruz.

Por Jesus Cristo, nosso Senhor.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Na hóstia sobre a patena, B. Salgado, NRMS 6(II)

 

Oração sobre as oblatas: Purificai-nos de todas as culpas, Senhor, pela oblação deste sacrifício, que no altar da cruz tirou o pecado do mundo. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

O triunfo glorioso da Cruz

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte: Na árvore da cruz estabelecestes a salvação da humanidade, para que donde viera a morte daí ressurgisse a vida e aquele que vencera na árvore do paraíso fosse vencido na árvore da cruz, por Cristo nosso Senhor. Por Ele, numa só voz, os Anjos e os Arcanjos e todos os coros celestes proclamam com júbilo a vossa glória. Permiti que nos associemos às suas vozes, cantando humildemente o vosso louvor:

 

Pode dizer-se o prefácio da Paixão do Senhor I: p. 467 [600-712]

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Que a comunhão do Corpo do Senhor Jesus seja o alento para que perante os atropelos, desentendimento e falsidades que possamos sofrer ganhemos coragem, olhando para a santa Cruz, a fim de as reduzirmos à futilidade de que se revestem em relação ao sofrimento de Cristo.

 

Cântico da Comunhão: Se não comerdes a minha carne, F. da Silva, NRMS 48

Jo 12, 32

Antífona da comunhão: Quando Eu for levantado da terra, atrairei tudo a Mim, diz o Senhor.

 

Oração depois da comunhão: Senhor Jesus Cristo, que nos alimentais nesta mesa sagrada, fazei que o vosso povo, resgatado pela cruz redentora, seja conduzido à glória da ressurreição. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Depois de termos participado nesta festa da Exaltação da Santa Cruz, partamos para a vida conscientes de que temos por missão mudar as maneiras de ajuizar os valores apresentados pelos homens, vendo na derrota uma vitória, no serviço o verdadeiro poder, na pobreza a riqueza, na perda o ganho, na humilhação o triunfo, na morte o nascimento, para que o sucesso ou o falhanço da nossa vida seja avaliado com toda a justiça por Deus nosso Pai como nossa exaltação futura.

 

Cântico final: Salvé ó Cruz, M. Faria, 20 cânticos para a missa

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António E. Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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