21º Domingo Comum

25 de Agosto de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Adorai o Senhor no seu templo, M. Carneiro, NRMS 98

Sl 85, 1-3

Antífona de entrada: Inclinai o vosso ouvido e atendei-me, Senhor, salvai o vosso servo, que em vós confia. Tende compaixão de mim, Senhor, que a Vós clamo dia inteiro.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Passamos os dias da vida ocupados e absorvidos com muitas coisas que tomam conta da nossa atenção. De entre todas, estabelecemos prioridades. A saúde está em primeiro lugar, porque a qualidade de vida degrada-se facilmente, morremos e tudo acaba neste mundo. Sem vida, nada mais tem valor.

Pensando como seres inteligentes, devemos perguntar para que nos foi dada a vida terrena se, mais cedo ou mais tarde, a vamos perder. Que sentido tem para nós viver?

A Liturgia da Palavra deste 21.º Domingo do Tempo Comum vai ajudar-nos a dar uma resposta inteligente e verdadeira a esta pergunta que nos preocupa.

 

Acto penitencial

 

Quando uma pessoa vai a caminho não pode olhar só para o lugar onde põe os pés, mas precisa de levantar o olhar com frequência, para saber se não se desvia do rumo que procura. É preciso levantar o olhar com frequência e corrigir os desvios.

 No entanto, quando se trata da nossa caminhada para a eternidade, custa-nos pensar no futuro e verificar se vamos no bom sentido ou se nos desviamos do caminho. Por isso, saímos facilmente fora do caminho da salvação, cometendo pecados.

Reconheçamos os passos errados, arrependamo-nos e regressemos ao verdadeiro caminho por uma conversão sincera.

 

(Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C)

 

•   Senhor Jesus: por cobardia temos às vezes muito medo

    de ver para onde nos desviam os nossos muitos pecados.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

•   Cristo: sentimo-nos apegados aos nossos muitos defeitos

    e não fazemos esforço para os combater com eficácia. 

    Cristo, misericórdia!

 

    Cristo, misericórdia!

 

•   Senhor Jesus: Por um falso respeito pela liberdade dos outros,

    deixamo-los andar perdidos nos caminhos da perdição eterna.

    Senhor, misericórdia!

 

    Senhor, misericórdia!

 

Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,

perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

 

Oração colecta: Senhor Deus, que unis os corações dos fiéis num único desejo, fazei que o vosso povo ame o que mandais e espere o que prometeis, para que, no meio da instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontra as verdadeiras alegrias. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Isaías profetiza sobre a unidade de todos os povos da terra na comunhão de uma só fé, ultrapassando a mentalidade da época, segundo a qual só os judeus adorariam o verdadeiro Deus e seriam o Seu Povo.

Cada fiel deve ter como compromisso da sua fé o cuidado de anunciar a verdade e o amor a todas as pessoas que Deus quer salvar.

 

 

Isaías 66, 18-21

 

Eis o que diz o Senhor: 18«Eu virei reunir todas as nações e todas as línguas, para que venham contemplar a minha glória. 19Eu lhes darei um sinal e de entre eles enviarei sobreviventes às nações: a Társis, a Fut, a Lud, a Mosoc, a Rós, a Tubal e a Javã, às ilhas remotas que não ouviram falar de Mim nem contemplaram ainda a minha glória, para que anunciem a minha glória entre as nações. 20De todas as nações, como oferenda ao Senhor, eles hão-de reconduzir todos os vossos irmãos, em cavalos, em carros, em liteiras, em mulas e em dromedários, até ao meu santo monte, em Jerusalém – diz o Senhor – como os filhos de Israel trazem a sua oblação em vaso puro ao templo do Senhor. 21Também escolherei alguns deles para sacerdotes e levitas».

 

A leitura é tirada da parte final do último capítulo de Isaías. Aqui se anuncia a conversão dos gentios e a universalidade da salvação, uma perspectiva que sem dúvida ultrapassa o tempo em que o escrito inspirado recebeu a sua forma definitiva.

19 «Tarsis». Provavelmente é a colónia fenícia de Tartesus no Sul de Espanha, perto da foz do rio Guadalquivir. Aqui representa o extremo Ocidente. Os restantes povos são do Norte de África, Ásia Menor e Grécia.

20 «Em Jerusalém». A profecia teve o seu pleno cumprimento na Nova Jerusalém que é a Igreja (cf. Gal 4, 25-26; Apoc 21, 2).

 

Salmo Responsorial    Sl 116 (117), 1.2 (R. Mc 16, 15)

 

Monição: O salmo que a liturgia nos propõe cantar é o mais breve de todo o Saltério e é o modelo de todos os salmos de louvor.

Este mandato adquire todo o seu sentido depois da Ressurreição de Jesus e é dirigido a cada um de nós.

 

Refrão:        Ide por todo o mundo,

                     anunciai a boa nova.

 

Louvai o Senhor, todas as nações,

aclamai-O, todos os povos.

 

É firme a sua misericórdia para connosco,

a fidelidade do Senhor permanece para sempre.

 

Segunda Leitura

 

Monição: O texto da carta aos Hebreus é uma outra forma de abordar a questão da “porta estreita”: o verdadeiro crente enfrenta com coragem os sofrimentos e provações, vê neles sinais do amor de Deus que, dessa forma, educa, corrige, mostra o sem sentido de certas opções e nos prepara para a vida nova do “Reino”.

O texto final é uma indicação concreta para nós: “Por isso, levantai as vossas mãos fatigadas e os vossos joelhos vacilantes e dirigi os vossos passos por caminhos direitos,”

 

Hebreus 12, 5-7.11-13

 

Irmãos: 5Já esquecestes a exortação que vos é dirigida, como a filhos que sois: «Meu filho, não desprezes a correcção do Senhor, nem desanimes quando 6Ele te repreende; porque o Senhor corrige aquele que ama e castiga aquele que reconhece como filho». 7É para vossa correcção que sofreis. Deus trata-vos como filhos. Qual é o filho a quem o pai não corrige? 11Nenhuma correcção, quando se recebe, é considerada como motivo de alegria, mas de tristeza. Mais tarde, porém, dá àqueles que assim foram exercitados um fruto de paz e de justiça. 12Por isso, levantai as vossas mãos fatigadas e os vossos joelhos vacilantes 13e dirigi os vossos passos por caminhos direitos, para que o coxo não se extravie, mas antes seja curado.

 

Continuamos com a leitura da Epístola dos Hebreus, uma verdadeiro «sermão de exortação» como se chama em 13, 22; aqui temos em belo apelo à perseverança nas tribulações a que os destinatários estavam sujeitos.

5 «A exortação que vos é dirigida». Trata-se duma citação do Livro dos Provérbios (Prov 3, 11-12). Esta é uma passagem entre muitas que nos fez ver como as palavras da Sagrada Escritura se dirigem aos fiéis de todos os tempos e como, através duma aplicação delas a cada situação concreta, se faz a actualização do texto antigo fazendo-se assim uma verdadeira «leitura espiritual», lectio divina (cf. Dei Verbum, n.º 25).

12 «Mãos fatigadas... joelhos vacilantes». Talvez se trate duma imagem tirada do pugilato, com que S. Paulo já gostava de comparar a vida cristã (1 Cor 9, 26-27).

13 «Caminhos direitos» são os do cumprimento integral da vontade de Deus.

 

Aclamação ao Evangelho        Jo 14, 6

 

Monição: Jesus Cristo é a porta por onde todos entrámos na Igreja e havemos de entrar na felicidade eterna.

Manifestemos a nossa disposição interior de O seguirmos na vida presente e na eternidade.

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação – 1,F. Silva, NRMS 50-51

 

Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor:

ninguém vai ao Pai senão por Mim.

 

 

Evangelho

 

Lucas 13, 22-30

 

Naquele tempo, 22Jesus dirigia-Se para Jerusalém e ensinava nas cidades e aldeias por onde passava. 23Alguém Lhe perguntou: «Senhor, são poucos os que se salvam?» Ele respondeu: 24«Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir. 25Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta, vós ficareis fora e batereis à porta, dizendo: ‘Abre-nos, senhor’; mas ele responder-vos-á: ‘Não sei donde sois’. 26Então começareis a dizer: ‘Comemos e bebemos contigo e tu ensinaste nas nossas praças’. 27Mas ele responderá: ‘Repito que não sei donde sois. Afastai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade’. 28Aí haverá choro e ranger de dentes, quando virdes no reino de Deus Abraão, Isaac e Jacob e todos os Profetas, e vós a serdes postos fora. 29Hão-de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e sentar-se-ão à mesa no reino de Deus. 30Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos».

 

O trecho de S. Lucas que hoje temos começa por uma pergunta posta a Jesus: «São poucos os que se salvam?» (v. 23) Tratava-se duma questão teórica que se punha no judaísmo da época; havia duas tendências entre os rabinos: uns diziam que todos se salvariam, até o rude povo da terra (‘am ha’árets), desde que fizessem parte de Israel; outros, de tendência rigorista, asseguravam que a salvação seria privilégio de poucos: «o mundo futuro será consolação para poucos, tormento para muitos» (IV Esdras). Jesus deliberadamente não quer dirimir uma questão teórica, mas aproveita o ensejo para transmitir um ensino verdadeiramente útil e prático. Por um lado, declara o princípio da universalidade da salvação: «Hão-de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul» (v. 29). Por outro lado, visando talvez as teorias laxistas, esclarece que não é suficiente uma justificação de tipo comunitário ou sociológico - «comemos e bebemos contigo...» (v. 26) -, pois não basta o fazer parte do povo, é preciso lutar, levar uma vida exigente consigo mesmo - «esforçai-vos por entrar pela porta estreita» (v. 24) -, sem ter ilusões quanto às dificuldades que esperam aquele que quer salvar-se.

Estas palavras de Jesus constituem um apelo urgente á conversão (cf. Mt 7, 13-14), como lembra o Catecismo da Igreja Católica (nº 1036). Na pregação do Evangelho, a par do apelo para o amor infinitamente misericordiosos de Deus, sempre pronto a perdoar os pecados mais hediondos ao pecador arrependido, não se pode deixar de lembrar «as afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno, que são um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar da sua liberdade, tendo em vista o seu destino eterno» (ibid). «A doutrina da Igreja afirma a existência do Inferno e a sua eternidade» (ibid. nº 1035). Iludir ou falsear esta verdade de fé seria uma traição ao Evangelho, causando um prejuízo incalculável à causa da salvação das pessoas, encaminhando-as por uma vã presunção de salvação.

28 «Aí», – fora do Reino de Deus – «haverá choro», o pranto da máxima desdita, fruto dum remorso desesperado e inútil, «e ranger de dentes» próprio duma raiva cheia de ódio e inveja aos que entraram para o banquete do Reino dos Céus, quando lhes tinha sido acessível alcançar a mesma sorte dos Patriarcas e dos Profetas.

 

Sugestões para a homilia

 

• Chamados à felicidade eterna

Deus oferece-nos a felicidade eterna

Cristo, nosso Amigo e Guia

Deus corrige os nossos desvios

• De mãos dadas com Deus

Salvação, assunto pessoal

Salvação e apostolado

 

1. Chamados à felicidade eterna

 

a) Deus oferece-nos a felicidade eterna. «Eis o que diz o Senhor: «Eu virei reunir todas as nações e todas as línguas, para que venham contemplar a minha glória

A nossa vida tem um sentido que fomos procurando descobrir, à medida que a nossa inteligência despertava.

Entre o nascimento e a morte, gozamos de um espaço de liberdade e de responsabilidade em que fazemos a escolha da nossa eternidade feliz ou infeliz.

Somos diferentes dos animais irracionais, porque a nossa vida não acaba com a morte. Nós manifestamos esta fé ao rezar pelos nossos familiares e amigos que o Senhor já chamou à vida eterna. Aos saduceus, que não criam na ressurreição, Jesus respondeu: "Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus" (Mateus 22.29).

Mas não há uma segunda oportunidade depois desta vida, um tentar outra vez, para acertar. Criam-se ilusões na cabeça das pessoas: de que voltaremos uma segunda vez a esta vida (re-incarnação), ou que a medicina vai curar todas as doenças, de modo que ficaríamos cá na terra para sempre.

Na parábola do rico e de Lázaro (Lucas 16.19-31), Jesus mais uma vez demonstra a Sua convicção nas Escrituras ao narrar a resposta dada pelo patriarca Abraão ao rico, quando este, no Sheol-Hades (inferno), lhe pedira que enviasse Lázaro aos seus irmãos: "Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos" (versículo 29).

Deus ama-nos infinitamente, mas respeita a nossa liberdade e escolha responsável do futuro. Que mais poderia ter feito Jesus Cristo e que mais auxílios nos poderiam dar para alcançarmos a salvação eterna?

 

b) Cristo, nosso Amigo e Guia. «Eu lhes darei um sinal e de entre eles enviarei sobreviventes às nações [...].»

O Pai enviou Jesus Cristo ao mundo para nos salvar.

Pelo pecado dos nossos primeiros pais e pelos pecados de cada um, tínhamos perdido a graça, a filiação divina e a possibilidade de entrar no Céu.

Ele veio, assumiu a nossa natureza, unida para sempre numa só Pessoa – Jesus Cristo – ao Verbo. Ensinou-nos o caminho do Céu e morreu por nós na Cruz, pagando as nossas dívidas e dando-nos a maior prova de Amor.

Para vivermos como bons filhos de Deus temos de seguir o Seu exemplo.

Presente na terra, Ele começou a fazer – a viver como Filho de Deus – e a ensinar o que havemos de fazer para nos salvarmos.

Não se pode ser bom e verdadeiro cristão se não conhecemos a vida e doutrina de Jesus Cristo e se não fazemos um esforço generoso para O imitarmos.

Ele vem em nosso auxílio, na Igreja, com os Sacramentos e a ajuda permanente.

 

c) Deus corrige os nossos desvios. «Deus trata-vos como filhos. Qual é o filho a quem o pai não corrige

Mesmo quando conhecemos bem a doutrina e fazemos esforços, sofremos desvios no caminho do Céu: pecados mortais ou veniais e faltas de generosidade para com Deus.

O Senhor corrige-nos. Faz-nos sentir o nosso desvio moral por meio pela voz da consciência bem formada e pela pregação da Igreja.

Quando ela chama a atenção para o que está mal na nossa vida actua como mãe, sempre na esperança de que nos emendemos e cheguemos à salvação.

Mesmo se alguém é privado de receber os sacramentos da confissão e comunhão, o que ela quer dizer-nos é só isto: estamos em perigo de salvação e não temos as condições mínimas indispensáveis para sermos amigos de Deus. Ele continua a amar-nos infinitamente e a desejar a nossa salvação, oferecendo-nos todos os meios para a alcançar.

O corte no caminho da salvação foi feito pela nossa parte, não por Deus.

Algumas pessoas zangam-se porque são doentes e queriam ser consideradas saudáveis e não precisarem de qualquer tratamento.

 

2. De mãos dadas com Deus

 

a) Salvação, assunto pessoal. «Alguém Lhe perguntou: “Senhor, são poucos os que se salvam?”»

Saber se são muitos ou poucos os que se salvam é uma questão inútil. Não é número dos que entram no Céu que nos há-de garantir a salvação, mas o nosso comportamento pessoal.

É o assunto mais sério que temos de resolver: escolher a felicidade ou infelicidade para sempre. Deus criou-nos livres e responsáveis, e respeita-nos, embora o Seu desejo seja que nos salvemos.

Por vezes, algumas pessoas encontram uma incompatibilidade entre a bondade de Deus e a existência do inferno.

O Catecismo da Igreja Católica ensina: «As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno são um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar da sua liberdade, tendo em vista o destino eterno. Constituem, ao mesmo tempo, um apelo urgente à conversão: «Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta e espaçoso o caminho que levam à perdição e muitos são os que seguem por eles. Que estreita é a porta e apertado o caminho que levam à vida e como são poucos aqueles que os encontram!» (Mt 7, 13-14):

“Como não sabemos o dia nem a hora, é preciso que, segundo a recomendação do Senhor, vigiemos continuamente, a fim de que, no termo da nossa vida terrena, que é só uma, mereçamos entrar com Ele para o banquete de núpcias e ser contados entre os benditos, e não sejamos lançados, como servos maus e preguiçosos, no fogo eterno, nas trevas exteriores, onde "haverá choro e ranger de dentes"”»[1]. (CIC n.º 1036).

 

b) Esforço generoso. «Ele respondeu: “Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, [...]”.»

Entrar pela porta estreita significa impormo-nos limitações e restrições no comportamento, para estarmos de bem com Deus.

O cuidado de viver na amizade de Deus torna-nos livres. Escravizado é todo aquele que se abandona à tirania das paixões: álcool, impureza ou droga.

Deus espera de cada um de nós um esforço generoso, colaborando com a Sua bondade, para entrarmos no Céu.

Este esforço concretiza-se em guardar todos os Mandamentos da Lei de Deus, fazer oração e frequentar os sacramentos e na luta generosa contra as tentações do Inimigo.

Hoje, mais uma vez, Ele vem ao nosso encontro e convida-nos a pensar com fortaleza: a vida que tenho levado conduz-me ao Céu ou ao inferno?

Não nos deixemos levar pelas ilusões no caminho da salvação. Jesus fala de algumas.

«Então começareis a dizer: ‘Comemos e bebemos contigo e tu ensinaste nas nossas praças’. Mas ele responderá: ‘Repito que não sei donde sois. Afastai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade’. Aí haverá choro e ranger de dentes [...].»

Muitos fiam-se no número de confrarias a que pertencem ou que tomam parte no seu enterro; outros, nos parentescos com figuras da Igreja; outros ainda no número de imagens e quadros religiosos que têm em casa. A única coisa importante é viver na graça de deus, na amizade pessoal com Jesus Cristo.

«Entrar pela porta estreita” significa, na lógica de Jesus, fazer-se pequeno, simples, humilde, servidor, capaz de amar os outros até ao extremo e de fazer da vida um dom. Por outras palavras: significa seguir Jesus no seu exemplo de amor e de entrega. Quando Tiago e João pretenderam reivindicar lugares privilegiados no “Reino”, Jesus apressou-se a dizer-lhes que era necessário primeiro partilhar o destino de Jesus e fazer da vida um dom (“beber o cálice”) e um serviço (“o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida”). Jesus é, portanto, o modelo de todos os que querem “entrar pela porta estreita”. É o seu exemplo que é proposto a todos os discípulos.» (Dehonianos).

 

c) Salvação e apostolado. «Hão-de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e sentar-se-ão à mesa do reino de Deus

Todos os Mandamentos se resumem em amar: a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

Não é possível amar a Deus sem amar as pessoas. «Se não amas o teu irmão a quem vês, como podes dizer que amas a Deus a quem não vês

Para amar as pessoas é precisa a coragem de as corrigir de seus erros e descaminhos.

Por causa do enfraquecimento da fé, causado pela ignorância religiosa, as pessoas – também os melhores católicos – deixaram-se apanhar por um falso respeito da liberdade das pessoas. Mesmo quando vêem que estão mal, não as ajudam.

A salvação eterna é um problema tão sério que nos devemos preocupar com todos os que andam afastados dos caminhos de Deus.

O primeiro apostolado é animar as pessoas a frequentar a Missa dominical. Ali, a Igreja oferece-nos a doutrina clara que nos ensina o caminho do Céu; e o alimento da Eucaristia.

 

Fala o Santo Padre

 

«Deus abaixa os soberbos e os poderosos deste mundo e eleva os humildes.»

 

Amados irmãos e irmãs!

Oito dias depois da solenidade da sua Assunção ao Céu, a liturgia convida-nos a venerar a Bem-Aventurada Virgem Maria com o título de "Rainha". A Mãe de Cristo é contemplada coroada pelo seu Filho, isto é, associada à sua Realeza universal, tal como a representam numerosos mosaicos e quadros. Também esta memória se celebra este ano no domingo, adquirindo uma maior luz da Palavra de Deus e da celebração da Páscoa semanal. Em particular, o ícone da Virgem Maria Rainha encontra um significativo confronto no Evangelho de hoje, onde Jesus afirma: "E há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos" (Lc 13, 30). Esta é uma expressão típica de Cristo, narrada várias vezes pelos Evangelistas – também com fórmulas semelhantes –porque evidentemente reflecte um tema querido à sua pregação profética. Nossa Senhora é o exemplo perfeito desta verdade evangélica, isto é, que Deus abaixa os soberbos e os poderosos deste mundo e eleva os humildes (cf. Lc 1, 52).

A pequena e simples jovem de Nazaré tornou-se a Rainha do mundo! Esta é uma das maravilhas que revelam o coração de Deus. Naturalmente a realeza de Maria é totalmente relativa à de Cristo: Ele é o Senhor, que, depois da humilhação da morte de cruz, o Pai exaltou acima de qualquer criatura no céu, na terra e debaixo da terra (cf. Fl 2, 9-11). Por um desígnio de graça, a Mãe Imaculada foi plenamente associada ao mistério do Filho: à sua Encarnação; à sua vida terrena, primeiro escondida em Nazaré e depois manifestada no mistério messiânico; à sua Paixão e Morte; e por fim, à glória da Ressurreição e Ascensão ao Céu. A Mãe partilhou com o Filho não só os aspectos humanos deste mistério, mas, por obra do Espírito Santo nela, também a intenção profunda, a vontade divina, de modo que toda a sua existência, pobre e humilde, foi elevada, transformada e glorificada passando através da "porta estreita" que é o próprio Jesus (cf. Lc 13, 24). Sim, Maria foi a primeira que passou através do "caminho" aberto por Cristo para entrar no Reino de Deus, um caminho acessível aos humildes, a quantos confiam na Palavra de Deus e se comprometem a pô-la em prática.

Na história das cidades e dos povos evangelizados pela mensagem cristã são numerosos os testemunhos de veneração pública, em certos casos até institucional à realeza da Virgem Maria. Mas hoje queremos sobretudo renovar, como filhos da Igreja, a nossa devoção Àquela que Jesus nos deixou como Mãe e Rainha. Confiemos à sua intercessão a oração quotidiana pela paz, sobretudo onde mais enfurece a lógica absurda da violência; para que todos os homens se convençam de que neste mundo devemos ajudar-nos uns aos outros como irmãos para construir a civilização do amor. Maria, Regina pacis, ora pro nobis!

 

Papa Bento XVI, Angelus, Castel Gandolfo, 22 de Agosto de 2010

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Caminhamos todos ao encontro do Senhor Jesus

como uma só família dos filhos de  Deus na terra.

Acolhamos, pois, as dificuldades e problemas

de cada uma das pessoas que vivem connosco

e apresentemo-las agora com toda à confiança,

ao Senhor, por mediação de Nossa Senhora.

Oremos (cantando):

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa Salvação!

 

1. Para que o Santo Padre, Bispos e Sacerdotes

    nos guiem e animem no caminho do Paraíso,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa Salvação!

 

2. Para que todas as pessoas se deixem convencer

    de que se devem preparar para uma eternidade feliz,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa Salvação!

 

3. Para que os pais e mães das nossas famílias

    ajudem os seus filhos a caminhar para o Céu,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa Salvação!

 

4. Pelos que perderam a esperança da salvação,

    para que se encham de confiança no Senhor,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa Salvação!

 

5. Para que cada um de nós viva com seriedade,

    esta vida, preparando a eternidade no Paraíso,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa Salvação!

 

6. Para que os irmãos que são purificados,

    pela misericórdia de Deus, o contemplem,

    oremos, irmãos.

 

    Dai-nos, Senhor, a Vossa Salvação!

 

Senhor, que nos chamastes à vida presente

Para, livremente, Vos servirmos e amarmos,

Recebendo como prémio a vida eterna.

ajudai-nos a viver fielmente no Vosso Amor,

e a contemplar-Vos eternamente no Paraíso.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Introdução

 

A nossa vida cristã é iluminada e alimentada pela Santa Missa. Nela nos oferece o Senhor a luz da Sua Palavra e o Alimento da Santíssima Eucaristia.

Depois de nos ter sentado á Mesa da Palavra, o Senhor prepara agora para nós a Mesa da Eucaristia: o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus, tão real e perfeitamente como está no Céu, transubstanciando, pelo ministério do sacerdote, o pão e o vinho que oferecemos, neste alimento divino.

 

Cântico do ofertório: No meio da minha vida, F. da Silva, NRMS 1 (II)

 

Oração sobre as oblatas: Senhor, que pelo único sacrifício da cruz, formastes para Vós um povo de adopção filial, concedei à vossa Igreja o dom da unidade e da paz. Por Nosso Senhor...

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Saudação da Paz

 

Somos chamados a viver em comunhão eterna com a Santíssima Trindade e com todas as pessoas. Temos de começar já nesta vida a viver em comunhão, não rejeitando ninguém da nossa amizade.

Com este desejo,

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

A Palavra de Deus que foi proclamada despertou em nós desejos de santidade e de salvação eterna.

Queremos agora receber o divino Alimento, o Corpo e Sangue do Senhor, na Santíssima Eucaristia.

Procuremos fazê-lo como Deus no-lo pede: na Sua graça, com fé, e guardando as indicações da Igreja sobre o jejum e o modo de apresentação.

 

Cântico da Comunhão: Vinde comer do meu Pão, C. Silva, NRMS 98

Sl 103, 13-15

Antífona da comunhão: Encheis a terra, Senhor, com o fruto das vossas obras. Da terra fazeis brotar o pão e o vinho que alegra o coração do homem.

Ou:    Jo 6, 55

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, diz o Senhor, e Eu o ressuscitarei no último dia.

 

Cântico de acção de graças: Deixai-me saborear, F. da Silva, NRMS 17

 

Oração depois da comunhão: Realizai em nós plenamente, Senhor, a acção redentora da vossa misericórdia e fazei-nos tão generosos e fortes que possamos ajudar-Vos em toda a nossa vida. Por Nosso Senhor.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Preocupemo-nos, a partir de agora, com a nossa Salvação eterna, porque é o assunto mais importante da vida.

Ajudemos os nossos irmãos a preparar, por uma vida de união com Deus, uma eternidade feliz no Céu.

 

Cântico final: Ide por todo o mundo, J. Santos, NRMS 59

 

 

Homilias Feriais

 

21ª SEMANA

 

2ª Feira, 26-VIII: Interiorizar as nossas acções.

1 Tes 1, 1-5. 8-10 / Mt 23, 15-22

Cegos! Então que vale mais, a oferenda ou o altar, que tornou sagrada a oferenda?

Os fariseus davam mais importância às práticas externas do que às interiores (Ev). E isso pode ser perigoso, por não ter em conta as disposições interiores: «Atribuir só à materialidade das orações ou aos sinais sacramentais a respectiva eficácia, independentemente das disposições interiores que exigem, é cair na superstição (Ev))» (CIC, 2111).

S. Paulo recorda igualmente a importância das obras e da acção do Espírito Santo: «O Evangelho que nós pregamos não se apresentou a nós somente com palavras, mas ainda com obras poderosas e acção do Espírito Santo e com profunda convicção» (Leit).

 

3ª Feira, 27-VIII: A purificação e a Eucaristia.

1 Tes 2, 1-8 / Mt 23, 23-26

Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato que, por dentro, estão cheios de pilhagem e intemperança.

Os fariseus dedicavam mais atenção às aparências e descuidavam o mais importante: a limpeza do coração (Ev).

Esta limpeza é também necessária para recebermos o Senhor na Comunhão. Constata-se que os fiéis são influenciados por uma cultura que tende a esquecer o sentido do pecado e, por isso, a esquecer a necessidade de estar na graça de Deus para se aproximarem dignamente da comunhão sacramental (SC, 20). Na Missa temos momentos que nos animam à purificação: o acto penitencial, o 'Senhor tende piedade de nós', o Cordeiro de Deus.

 

4ª Feira, 28-VIII: A palavra de Deus, alimento e tónico de vida.

1 Tes 2, 9-13 / Mt 23, 27-32

Depois de haverdes recebido a palavra de Deus quisestes aceitá-la, não como palavra humana, mas como palavra de Deus, que realmente é.

«Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra continuamente o seu alimento e a sua força, porque nela não recebe apenas uma palavra humana, mas o que ela é na realidade: a palavra de Deus (Leit)» (CIC, 104). Para termos força interior precisamos tomar este alimento diariamente pelo menos, durante alguns minutos.

Não nos limitemos apenas a uma leitura. Procuremos assimilar bem o que lemos, para depois levá-lo à prática. Caso contrário, poderia acontecer-nos o mesmo que aos fariseus: «por fora mostram-se vistosos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos» (Ev).

 

5ª Feira, 29-VIII: O martírio de S. João Baptista: O testemunho de João Baptista.

Jer 1, 17-19 / Mc 6, 17-29

Ela voltou logo a toda a pressa para junto do rei: Quero que me dês, sem demora, num prato, a cabeça de João Baptista.

«João Baptista, precedendo Jesus, dá testemunho d'Ele pela sua pregação, pelo seu baptismo de conversão e, finalmente, pelo seu martírio (Ev)» (CIC, 523).

Na sua pregação nunca temeu ninguém, nem o poderoso Herodes. Assim o preparou Deus: «Não tremas diante daqueles a quem te enviou» (Leit). Orientou a pregação para a conversão, como faria depois Jesus na sua 1ª mensagem pública: «Convertei-vos e acreditai no Evangelho». Ao recordarmos o seu martírio, enfrentemos com maior fortaleza os nossos 'martírios diários'.

 

6ª Feira, 30-VIII: Santidade: vigilância e Comunhão.

1 Tes 4, 1-8 / Mt 25, 1-13

É esta, com efeito, a vontade de Deus: que vos santifiqueis.

Para sermos santos (Leit), precisamos estar vigilantes: «À vigilância opõe-se a negligência ou falta de solicitude devida, que procede uma certa falta de vontade» (S. Tomás). Foi o que aconteceu às virgens insensatas (Ev). Estaremos vigilantes se cada dia lutamos por viver bem as coisas pequenas (o azeite das lâmpadas); se vivemos a virtude da fortaleza, que se opõe à preguiça e ao desleixo.

Na Comunhão recebemos Jesus, que nos vem santificar. É o alimento que conserva, aumenta e fortalece a vida sobrenatural.

 

Sábado, 31-VIII: A bem-aventurança e a caridade

1 Tes 4, 9-11 / Mt 25, 14-30

Muito bem, excelente e fiel servidor! Como foste fiel em pouca coisa, vem tomar parte na alegria do teu Senhor!

«O Novo Testamento emprega muitas expressões para caracterizar a bem-aventurança a que Deus chama o homem: a visão de Deus, a entrada na alegria do Senhor (Ev)» (CIC, 1720).

Um dos melhores caminhos da bem-aventurança é a caridade: «sobre o amor fraterno, vós não precisais que vos escrevam, pois vós mesmos aprendestes de Deus a amar-vos uns aos outros» (Leit). Mas o Apóstolo pede que façamos um pouco mais: «Mas nós vos exortamos, irmãos, a progredir ainda mais» (Leit). Inspirados na Eucaristia, imitemos o amor de Deus pelo próximo: ajudar os outros a serem melhores, desejo de estar na nossa companhia, etc.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Fernando Silva

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 



[1] Cf. Symbolum Quicumque: DS 76; Synodus Constantinopolitana. q (em 543), Anathematismi contra Origenem, 7: DS 409; Ibid, 9: DS 411; IV Concílio de Latrão, Cap. I, De fide catholica: DS 801: II Concílio de Lião, Professio fidei Michaelis Palaeologi imperatoris: DS 858; Bento XII, Const. Benedictus Deus: DS 1002; Concílio de Florença, Decr. pro Iacobitis: DS 1351: Concílio de Trento, Sess. 6ª, Decr. de iustiftcatione, canon 25: DS 1575; Paulo VI. Sollemnis Professio fidei, 12: AAS 60 (1968) 438.


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