Virgem Santa Maria Rainha

22 de Agosto de 2013

 

Memória

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Glória da humanidade, A. Cartageno, NRMS 101

cf. Salmo 44, 10

Antífona de entrada: A vossa direita, Senhor, está a Rainha, revestida de beleza e de glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A Igreja, depois de celebrar a de Assunção de Nossa Senhora, quer com que prolongar por oito dias tão grande solenidade e concluir com a festa de hoje e que é a sua consequência. Nossa Senhora é glorificada no Céu como Senhora e Rainha de toda a Criação por ser a Mãe do Rei do Universo. Celebremos a sua festa com o coração transbordante de alegria, pois tão grande Rainha é também a nossa Mãe.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que nos destes a Mãe do vosso Filho como nossa Mãe e Rainha, fazei que, protegidos pela sua intercessão, alcancemos no Céu a glória prometida aos vossos filhos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Isaías contempla no horizonte dos séculos o Messias futuro, que será o Rei eterno e a quem aclama como Deus. Com a encarnação redentora do Filho de Deus cumpre-se plenamente a profecia que iremos escutar.

 

Isaías 9, 1-6

1O povo que andava nas trevas viu uma grande luz para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. 2Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. 3Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor. 4Todo o calçado ruidoso da guerra e toda a veste manchada de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão pasto das chamas. 5Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e será chamado «Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz». 6O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre. Assim o fará o Senhor do Universo.

 

Este belíssimo texto é um trecho do chamado livro do Emanuel (Is 7 – 12), onde, em face da iminência de várias guerras, se abrem horizontes de esperança que se projectam em tempos vindouros, muito para além das soluções empíricas e imediatas: é a utopia messiânica de paz e alegria que veio a ter o seu pleno cumprimento com a vinda de Cristo ao mundo.

2 «Uma luz começou a brilhar». Esta luz é o «menino» (v. 5) que nasce para nós na noite de Natal, «a luz do mundo» (cf. Jo 8, 12; 1, 5.9).

4 «Como no dia de Madiã». Referência à grande vitória de Gedeão sobre os madianitas, que se conta no livro dos Juízes, cap. 7.

7 O «poder» e a «paz sem fim» serão garantidos para o trono de David pelo Menino de predicados divinos verdadeiramente surpreendentes (v. 5) que, embora em termos semelhantes aos dos soberanos egípcios e assírios, suplantam os predicados de qualquer rei empírico, e correspondem ao mistério de Jesus, Deus feito homem.

 

Salmo Responsorial    Sl 112 (113), 1-2.3-4.5-6.7-8 (R. 2)

 

Monição: Bendigamos o Senhor para sempre. Demos graças ao Senhor hoje especialmente pela Santidade e beleza da Rainha do Céu que é a Nossa Mãe.

 

Refrão:        Bendito seja o nome do Senhor para sempre.

Ou:               Aleluia.

 

Louvai ao Senhor, servos do Senhor,

louvai o nome do Senhor.

Bendito seja o nome do Senhor,

agora e para sempre.

 

Desde o nascer ao pôr do sol,

seja louvado o nome do Senhor.

O Senhor domina sobre todos os povos,

a sua glória está acima dos céus.

 

Quem se compara ao Senhor, nosso Deus,

que tem o seu trono nas alturas,

e Se inclina lá do alto,

a olhar o céu e a terra?

 

Levanta do pó o indigente

e tira o pobre da miséria,

para o fazer sentar com os grandes,

com os grandes do seu povo.

 

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 1, 28

 

Monição: Escutemos com atenção as palavras do santo Evangelho em que Deus anuncia, por meio do Anjo, o mistério da Encarnação. O Rei dos reis que irá nascer de Maria torna a sua Mãe Rainha e Mãe do Filho de Deus.

 

Aleluia

 

Cântico: M. Simões, NRMS 9(II)

 

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco

bendita sois Vós entre as mulheres.

 

 

Evangelho

 

Lucas 1, 26-38

Naquele tempo, 26o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José. 27O nome da Virgem era Maria. 28Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». 29Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. 30Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David 33reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». 34Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». 35O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. 36E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril 37porque a Deus nada é impossível». 38Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra».

 

A narrativa da Anunciação reveste-se de uma densidade tal que cada palavra encerra uma riqueza e profundidade impressionante, o que condiz bem com o acontecimento mais transcendente da História, o preciso momento em que, com o sim da Virgem Maria, o Eterno entra no tempo, o Criador se faz criatura.

26 «O Anjo Gabriel». O mesmo que anunciou a Zacarias o nascimento de João. Já era conhecido o seu nome no A.T. (Dan 8, 16-26; 9, 21-27). O seu nome significa «homem de Deus» ou também «força de Deus».

28 Coadunando-se com a transcendência da mensagem, a tripla saudação a Maria é absolutamente inaudita:

«Ave»: Vulgarizou-se esta tradução, correspondente a uma saudação comum (como ao nosso «bom dia»; cf. Mt 26, 49), mas que não parece ser a mais exacta, pois Lucas, para a saudação comum usa o semítico «paz a ti» (cf. Lc 10, 5); a melhor tradução é «alegra-te» – a tradução literal do imperativo grego khaire –, de acordo com o contexto lucano de alegria e com a interpretação patrística grega, não faltando mesmo autores modernos que vêm na saudação uma alusão aos convites proféticos à alegria da «Filha de Sião» (Sof 3, 14; Jl 2, 21-23; Zac 9, 9).

Ó «cheia de graça»: Esta designação tem muita força expressiva, pois está em vez do nome próprio, por isso define o que Maria é na realidade. A expressão portuguesa traduz um particípio perfeito passivo que não tem tradução literal possível na nossa língua: designa Aquela que está cumulada de graça, de modo permanente; mais ainda, a forma passiva parece corresponder ao chamado passivo divino, o que evidencia a acção gratuita, amorosa, criadora e transformante de Deus em Maria: «ó Tu a quem Deus cumulou dos seus favores». De facto, Maria é a criatura mais plenamente ornada de graça, em função do papel a que Deus A chama: Mãe do próprio Autor da Graça, Imaculada, concebida sem pecado original, doutro modo não seria, em toda a plenitude, a «cheia de graça», como o próprio texto original indica.

«O Senhor está contigo»: a expressão é muito mais rica do que parece à primeira vista; pelas ressonâncias bíblicas que encerra, Maria é posta à altura das grandes figuras do Antigo Testamento, como Jacob (Gn 28, 15), Moisés (Ex 3, 12) e Gedeão (Jz 6, 12), que não são apenas sujeitos passivos da protecção de Deus, mas recebem uma graça especial que os capacita para cumprirem a missão confiada por Ele.

Chamamos a atenção para o facto de na última edição litúrgica ter sido suprimido o inciso «Bendita és tu entre as mulheres», pois este não aparece nos melhores manuscritos e pensa-se que veio aqui parar por arrasto do v. 42 (saudação de Isabel). A Neovulgata, ao corrigir a Vulgata, passou a omiti-lo.

29 «Perturbou-se», ferida na sua humildade e recato, mas sobretudo experimentando o natural temor de quem sente a proximidade de Deus que vem para tomar posse da sua vida (a vocação divina). Esta reacção psicológica é diferente da do medo de Zacarias (cf. Lc 1, 12), pois é expressa por outro verbo grego; Maria não se fecha no refúgio dos seus medos, pois nela não há qualquer espécie de considerações egoístas, deixando-nos o exemplo de abertura generosa às exigências de Deus, perguntando ao mensageiro divino apenas o que precisa de saber, sem exigir mais sinais e garantias como Zacarias (cf. Lc 1, 18).

32-33 «Encontraste graça diante de Deus»: «encontrar graça» é um semitismo para indicar o bom acolhimento da parte dum superior (cf. 1 Sam 1, 18), mas a expressão «encontrar graça diante de Deus» só se diz no A. T. de grandes figuras, Noé (Gn 6, 8) e Moisés (Ex 33, 12.17). O que o Anjo anuncia é tão grandioso e expressivo que põe em evidência a maternidade messiânica e divina de Maria (cf. 2 Sam 7, 8-16; Salm 2, 7; 88, 27; Is 9, 6; Jer 23, 5; Miq 4, 7; Dan 7, 14).

34 «Como será isto, se Eu não conheço homem?» Segundo a interpretação tradicional desde Santo Agostinho até aos nossos dias, tem-se observado que a pergunta de Maria careceria de sentido, se Ela não tivesse antes decidido firmemente guardar a virgindade perpétua, uma vez que já era noiva, com os desposórios ou esponsais (erusim) já celebrados (v. 27). Alguns entendem a pergunta como um artifício literário e também «não conheço» no sentido de «não devo conhecer», como compete à Mãe do Messias (cf. Is 7, 14). Pensamos que a forma do verbo, no presente, «não conheço», indica uma vontade permanente que abrange tanto o presente como o futuro. Também a segurança com que Maria aparece a falar faz supor que José já teria aceitado, pela sua parte, um matrimónio virginal, dando-se mutuamente os direitos de esposos e renunciando a consumar a união; mas nem todos os estudiosos assim pensam, como também se vê no recente e interessante filme Figlia del suo Figlio.

35 «O Espírito Santo virá sobre ti…». Este versículo é o cume do relato e a chave do mistério: o Espírito, a fonte da vida, «virá sobre ti», com a sua força criadora (cf. Gn 1, 2; Salm 104, 30) e santificadora (cf. Act 2, 3-4); «e sobre ti a força do Altíssimo estenderá a sua sombra» (a tradução litúrgica «cobrirá» seria de evitar por equívoca e pobre; é melhor a da Nova Bíblia da Difusora Bíblica: «estenderá sobre Ti a sua sombra»); o verbo grego (ensombrar) é usado no A. T. para a nuvem que cobria a tenda da reunião, onde a glória de Deus estabelecia a sua morada (Ex 40, 34-36); aqui é a presença de Deus no ser que Maria vai gerar (pode ver-se nesta passagem um fundamento bíblico para o título de Maria, «Arca da Aliança»).

«O Santo que vai nascer…». O texto admite várias traduções legítimas; a litúrgica, afasta-se tanto da da Vulgata, como da da Neovulgata; uma tradução na linha da Vulgata parece-nos mais equilibrada e expressiva: «por isso também aquele que nascerá santo será chamado Filho de Deus». I. de la Potterie chega a ver aqui uma alusão ao parto virginal de Maria: «nascerá santo», isto é, não manchado de sangue, como num parto normal. «Será chamado» (entenda-se, «por Deus» – passivum divinum) «Filho de Deus», isto é, será realmente Filho de Deus, pois o que Deus chama tem realidade objectiva (cf. Salm 2, 7).

38 «Eis a escrava do Senhor…». A palavra escolhida na tradução, «escrava» talvez queira sublinhar a entrega total de Maria ao plano divino. Maria diz o seu sim a Deus, chamando-se «serva do Senhor»; é a primeira e única vez que na história bíblica se aplica a uma mulher este apelativo, como que evocando toda uma história maravilhosa de outros «servos» chamados por Deus que puseram a sua vida ao seu serviço: Abraão, Jacob, Moisés, David… É o terceiro nome com que Ela aparece neste relato: «Maria», o nome que lhe fora dado pelos homens, «cheia de graça», o nome dado por Deus, «serva do Senhor», o nome que Ela se dá a si mesma.

«Faça-se…». O «sim» de Maria é expresso com o verbo grego no modo optativo (génoito, quando o normal seria o uso do modo imperativo génesthô), o que põe em evidência a sua opção radical e definitiva, o seu vivo desejo (matizado de alegria) de ver realizado o desígnio de Deus.

 

Sugestões para a homilia

 

A festa de Santa Maria Rainha

A Rainha Escrava do Senhor

Venha a nós o vosso Reino

 

 

A festa de Santa Maria Rainha

 Escutamos na leitura do Santo Evangelho as palavras que Deus, por meio do Anjo Gabriel, transmite a Virgem Maria. Com elas é anunciado o mistério inefável da Encarnação do Filho de Deus. A Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, sem deixar de ser Deus, fez-Se homem perfeito com a colaboração de Nossa Senhora. O Anjo explica: “chamar-Se-á Filho do Altíssimo (…) reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim”. Jesus Cristo não só é Rei do Povo Santo de Deus, é Rei, sim, de toda a Criação. É Rei e Senhor de todo o universo e de todas as criaturas.

Como diz um conhecido autor dos nossos dias “Jesus Cristo é Rei porque lhe compete um poder pleno e completo, tanto na ordem natural como na sobrenatural; é uma realeza própria e absoluta, além de ser plena”. Isto é assim por ser Deus e pela sua obra redentora, com a qual salva todo o género humano. Y continua o mesmo autor: “A realeza de Maria é plena e participada da do seu Filho. Os termos Rainha e Senhora aplicados à Virgem não são uma metáfora; com eles, designamos uma verdadeira superioridade e uma autêntica dignidade e poder nos céus e na terra. Por ser Mãe do Rei, Maria é verdadeira e propriamente Rainha, encontra-se no cume da criação e é efectivamente a primeira pessoa humana do Universo (…). Os títulos da realeza de Maria são a sua união com Cristo como Mãe e a associação com o seu Filho Rei na redenção do mundo. Pelo primeiro título, Maria é Rainha-Mãe de um Rei que é Deus, o que a enaltece sobre todas as criaturas humanas; pelo segundo, Maria Rainha é dispensadora dos tesouros e bens do Reino de Deus, em virtude da sua corredenção” (F. Fernandez Carvajal, Falar com Deus, VII, 17.

Os fieis, desde os primeiros tempos da Igreja intuíram este título de Nossa Senhora, como uma consequência da sua Maternidade divina e da sua Assunção aos Céus.

No 2º concilio de Nicea, VII ecuménico, no ano 787, foi lida uma carta de Gregório II (715-731) a São Germano, Patriarca de Constantinopla, em que o Papa reivindica um culto especial à “Senhora de todos e verdadeira Mãe de Deus”.

Inocêncio III (1198-1216) compôs e enriqueceu com graças espirituais uma preciosa poesia em honra da Rainha dos Anjos.

Nicolau IV (1288-1292) edificou um templo em 1290 à S. Maria Rainha dos Anjos.

João XXII (1316-1334) concedeu indulgências à antífona “Deus te salve Rainha”, que tornar-se-á o hino oficial da realeza de Nossa Senhora.

Os papas Bonifácio IX, Sixto IV, Paulo V, Gregório XV, Bento XIV, Lião XIII, S. Pio X, Bento XV e Pio XI afirmam constantemente a soberana realeza da Mãe de Deus e Pio XII recolhendo a solene certeza da fé e o culto dos séculos anteriores, proclamará em primeiro lugar o Dogma da Assunção de Nossa Senhora a 1 de Novembro de 1950.

Mais tarde em 1954 instituiu a festa da Virgem Santa Maria Rainha, com ocasião da coroação da imagem de Santa Maria Maior. Nessa ocasião o Santo Padre promulgou a Encíclica “Ad Coeli Reginam” (11-Out-1954); que pode ser considerada o documento principal do Magistério sobre a dignidade e realeza de Maria. Também consagrou a Igreja ao Imaculado Coração de Maria Rainha do Mundo.

Nós queremos hoje, renovar o nosso amor a nossa Mãe ao celebrarmos a festa da sua realeza. Ela é Rainha e Senhora nossa, de todos os cristãos e dos portugueses de modo especial. Levantemos o nosso olhar para o Céu e contemplemos aquela “Grande luz” de que nos fala a primeira leitura, que podemos identificar com a Mulher do Apocalipse, “vestida de Sol, com a Lua debaixo dos pés e com uma coroa de doze estrelas na cabeça” (Apoc.12, 1).

A grandeza e santidade da Rainha do Céu, poderia parecer-nos tão distante como a neve puríssima que brilha no cume das altas montanhas. Ali está a neve reflectindo o sol, perpetuamente virgem e no mais alto lugar. Mas a verdade é que essa neve está muito próxima de nos, do vale onde habitamos. A sua água filtra-se pela montanha formando riachos e rios que regam os campos, os pomares e os jardins, e trazem fecundidade às plantas, alimento aos homens e embelezam a paisagem com flores e aromas.

Assim está Nossa Senhora no Céu, tão próxima da Santíssima Trindade como nenhuma outra criatura e tão próxima de nós como nenhuma outra criatura. Essa sua proximidade materna ao nosso lado é uma contínua comunicação de graças dirigida a fazer da nossa alma um terreno fecundo de virtudes.

 

 

A Rainha Escrava do Senhor

 

O apóstolo S. João resume a sua experiência dos anos vividos junto de Nosso Senhor com a frase que conhecemos bem: “Deus é amor”(João 4,6). Por isso o homem, criado a imagem e semelhança de Deus “não pode encontrar a sua própria plenitude a não ser na entrega sincera de si mesmo aos outros” (C.A. Gaudium et Spes, 24). Só se realiza a si mesmo na auto-doação do amor, que têm a sua expressão no serviço.

Compreendemos, por isso, que Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, diga de Si mesmo que não veio para ser servido mas para servir (cfr. Mc 10, 35-45), e que toda a sua vida seja um serviço.

Nosso Senhor reina servindo e no Reino de Jesus Cristo, que não é deste mundo (cfr. João 18, 36), reinar é servir, não como acontece com os poderes terrenos. Por isso advertirá aos seus discípulos: “Os reis das nações imperam sobre elas e os que nelas exercem a autoridade são chamados benfeitores. Convosco, não deve ser assim; o que for maior entre vós seja como o menor, e aquele que mandar, como aquele que serve. Pois, quem é maior: o que está sentado à mesa, ou o que serve? Não é o que está sentado à mesa? Ora, Eu estou no meio de vós como aquele que serve” (Luc 22, 25-28).

Nossa Senhora, que reina com o seu Filho, a todos serve na sua vida terrena e na Gloria do Céu. É a Escrava do Senhor, a Serva de Deus que serve O seu Senhor servindo os seus filhos os homens. O seu modo de reinar é ser “vida, doçura e esperança” para os súbditos e filhos que do Rei Eterno recebeu.

Também nós como Nosso Senhor, como a Mãe de Deus, viemos ao mundo não para ser servidos mas para servir. Neste dia renovemos o nosso propósito de ser servidores de todos e rectifiquemos, se não o fizemos algumas vezes, pedindo perdão a Deus de todos os nossos egoísmos e esquecimentos.

 

 

Venha a nós o vosso Reino

 

Sempre que rezamos o Pai nosso, pedimos “venha a nos o Vosso Reino”. Mas o Reino de Deus já está no meio de nos, é o próprio Jesus Cristo e o seu Corpo místico, a Igreja, que nos permite entrar em comunhão com Deus. Nós, os cristãos, estamos já introduzidos nesse Reino pelo baptismo, mas depende de nossa colaboração que o reinado de Cristo e da sua Mãe seja efectivo na nossa vida.

Jesus, no momento supremo da sua entrega por nós, indica Nossa Senhora como o caminho que os filhos de Deus devem percorrer para pertencer ao Reino: “Eis a tua Mãe” (João 19, 27).

Nossa Senhora, por sua vez, continua a repetir a todos os seus filhos “fazei tudo o que Ele vos disser”(João 2, 6). Indica-nos, assim, que sirvamos o Filho Unigénito de Deus, nosso Rei, Nosso Senhor, nosso Amigo e nosso Servo. Devemos servir Aquele que ficou connosco na Sagrada Eucaristia, e de mil maneiras na Igreja, para nos servir. E o, seu primeiro serviço é ensinar-nos a servir a Deus servindo os irmãos, lavando os pés uns aos outros (cfr. João, 1-17).

Queremos sinceramente que o Reino de Cristo seja efectivo na nossa vida e por isso modificando as palavras de S. Paulo, dizemos: “É necessário que Ela reine” (cfr. I Cor 15, 25). Convêm, queremos, que Nossa Senhora reine com a sua doçura e a sua fortaleza nos nossos pensamentos afectos palavras e acções. Aprendemos do Bem-aventurado João Paulo II que ser “Totus tuus”, todo de Maria, é caminho seguro para viver como bons filhos de Deus.

A Igreja durante o tempo Pascal reza: “Rainha do Céu alegrai-Vos…” porque ressuscitou o vosso Filho. É a alegria da Ressurreição de nosso Senhor, mas também nós ressuscitamos ao tornar-nos cristãos, e podemos aplicar a nós próprios essas palavras. Queremos que a festa de hoje seja uma nova ressurreição das nossas disposições para ser os mais dedicados súbditos e filhos da Rainha do Céu e de Jesus Cristo, nosso Rei. Com a ajuda da graça haveremos de trabalhar para estender o Reino de Jesus e Maria de modo efectivo no nosso coração e no coração de aqueles que encontramos no caminho da vida.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

Por intercessão da Virgem cheia de graça,

que Deus Pai todo-poderoso

quis que fosse Mãe do Seu Filho

peçamos com confiança e alegria:

 

R. Interceda por nós a Mãe de Jesus.

 

1.  Para que a Virgem Maria, Mãe da Igreja

ilumine o Santo Padre, os Bispos, Sacerdotes, Diáconos e Leigos

a fim de que sejam sempre fiéis à sua vocação,

peçamos com confiança e alegria.

 

R. Interceda por nós a Mãe de Jesus.

 

2.  Para que a Virgem Maria, Rainha da Paz

inspire os responsáveis pelas nações para eliminarem

as injustiças que podem conduzir à guerra,

peçamos com confiança e alegria.

 

R. Interceda por nós a Mãe  de Jesus.

 

3.  Para que a Virgem Maria, Mãe Puríssima,

defenda de todos os perigos as nossas crianças

e aponte aos jovens o caminho da felicidade,

peçamos com confiança e alegria.

 

R. Interceda por nós a Mãe de Jesus.

 

4.  Para que a Virgem Maria, Rainha do Santíssimo Rosário

nos ensine a rezá-lo todos os dias,

como pediu nas aparições de Fátima,

peçamos com confiança e alegria.

 

R. Interceda por nós a Mãe de Jesus.

 

5.  Para que a Virgem Maria, Porta do Céu

nos venha buscar um dia para o Seu reino celeste

e aí nos faça encontrar a todos os nossos familiares e amigos

e todos quantos no Purgatório esperam os nossos sufrágios,

peçamos com confiança e alegria.

 

R. Interceda por nós a Mãe de Jesus.

 

 

Senhor, que fizeste da Virgem Santa Maria

a Mulher forte, Rainha do Céu e da Terra

dignai-vos atender as nossas súplicas

que por Sua intercessão vos dirigimos.

por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que Convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Apresentamos Senhor, H. Faria, NRMS 103-104

 

Oração sobre as oblatas: Ao celebrarmos a memória da Virgem Santa Maria, nós Vos oferecemos, Senhor, os nossos dons e Vos pedimos que venha em nosso auxílio o vosso Filho feito homem, que a Vós Se ofereceu na cruz como oblação imaculada. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio de Nossa Senhora I [na festividade]: p. 486 [644-756], ou II p. 487

 

Santo: F. dos Santos, NTC 201

 

Monição da Comunhão

 

Jesus está na Eucaristia para nos servir e salvar. Peçamos a Nossa Senhora a fé e o amor com que Ela O recebeu; e se estivermos em condições de comungar deixemo-nos transformar pelo sacramento do amor, para ser verdadeiros servidores dos nossos irmãos.

 

Cântico da Comunhão: Vinde comer do meu pão, C. Silva, NRMS 98

cf. Lc 1,45

Antífona da comunhão: Bendita sejais, ó Virgem Maria, que acreditastes na palavra do Senhor.

 

Cântico de acção de graças: Cantai alegremente, M. Luís, NRMS 38

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentais com este sacramento celeste, ao venerarmos a memória da Virgem Santa Maria, concedei-nos a graça de tomar parte no banquete do reino dos Céus. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

O celebrante no fim da Santa Missa nos despede e envia com as palavras “ide em paz e o Senhor vos acompanhe”. Regressemos a nossa vida quotidiana com a alegria e a paz dos filhos de Deus no coração e com o desejo eficaz de estender a nossa volta o Reino de Jesus e de Maria

 

Cântico final: Ó Santa Maria Mãe de Deus, J. Santos, NRMS 5 (II)

 

 

Homilias Feriais

 

6ª Feira, 23-VIII: O autêntico conteúdo do amor.

Rut 1, 1-2. 3-6. 14-16. 22 / Mt 22, 34-40

Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente... Amarás o próximo como a ti mesmo.

«O amor a Deus e o amor ao próximo são inseparáveis, constituem um único mandamento. Mas ambos vivem do amor preveniente com que Deus nos amou primeiro» (Deus é amor, n. 18). É o próprio Deus que derrama nos nossos corações o seu amor, por meio do Espírito Santo. Viver o amor é: «querer a mesma coisa e rejeitar a mesma coisa é, segundo os antigos, o autêntico conteúdo do amor: um tornar-se semelhante ao outro, que leva à união do querer e do pensar» (Id, n.17).

Rute seguiu a sua sogra: Não insistas para que eu te deixe, pois irei para onde fores e viverei onde viveres (Leit). Assim viveu o conteúdo do amor.

 

Sábado, 24-VIII: S. Bartolomeu: Como melhorar os critérios morais de uma sociedade.

Ap 21, 9-14 / Jo 1, 45-51

Jesus viu Natanael, que lhe vinha ao encontro, e disse dele: Aí está um verdadeiro israelita, no qual não existe fingimento.

Jesus dá testemunho de S. Bartolomeu: «nele não há fingimento» (Ev). Na verdade, o ambiente está muito carregado de falsidade e mentira. Muitos meios de comunicação social transmitem, em vez da verdade, muitas falsidades, acabando por alterar os critérios morais de uma sociedade.

Encontraremos a Verdade em Jesus e na Igreja por Ele fundada. Para enfrentarmos a ignorância, que é o maior mal dos nossos tempos, aprofundemos na nossa fé, conhecendo os seus conteúdos, especialmente neste Ano da Fé.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Carlos Santamaria

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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