Assunção da Virgem Santa Maria

 

Missa do Dia

15 de Agosto de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Glória da humanidade, A. Cartageno, NRMS 101

Ap 12, 1

Antífona de entrada: Um sinal grandioso apareceu no céu: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de estrelas na cabeça.

Ou

 

Exultemos de alegria no Senhor, ao celebrar este dia de festa em honra da Virgem Maria. Na sua Assunção alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho de Deus.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Na solenidade da Assunção contemplamos o mistério da passagem de Maria, deste mundo para o Paraíso: celebramos, por assim dizer, a sua "Páscoa". Como Cristo ressuscitou dos mortos, com o seu corpo glorioso e subiu ao Céu, assim também a Virgem Santa, a Ele plenamente associada, foi elevada à glória celeste, com toda a sua pessoa. Também nisto, a Mãe seguiu, bem de perto o seu Filho e vai à nossa frente.

 

 

Ato Penitencial

 

Em Maria, vemos que é o Céu a nossa habitação definitiva. Dali Maria encoraja-nos com o seu exemplo a aceitar a vontade de Deus.

 

- Pelas vezes, em que nos deixarmos seduzir pelas chamadas falazes de tudo o que é efémero e passageiro, Senhor, misericórdia!

 

- Pelas vezes em que cedemos às tentações do egoísmo e do mal que apagam no coração a alegria da vida. Cristo, misericórdia!

 

- Pelas vezes em que perdemos o sentido verdadeiro e eterno da existência humana, Senhor, misericórdia!

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que elevastes à glória do Céu em corpo e alma a Imaculada Virgem Maria, Mãe do Vosso Filho, concedei-nos a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para merecermos participar da sua glória. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Maria, imagem da Igreja. Como Maria, a Igreja gera na dor um mudo novo. E como Maria, participa na vitória de Cristo sobre o Mal.

 

Apocalipse 11, 19a 12, 1-6a.10ab

19aO templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da aliança foi vista no seu templo. 12, 1Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. 3E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas. 4A cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse. 5Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono 6ae a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. 10abE ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido».

 

Sob a imagem da Arca (v. 19) e da mulher (vv. 1-17) é-nos apresentada, na intenção da Liturgia, a Virgem Maria. Entretanto os exegetas continuam a discutir, sem chegar a acordo, se estas imagens se referem à Igreja ou a Maria. Sem nos metermos numa questão tão discutida, podemos pensar com alguns estudiosos que a Mulher simboliza, num primeiro plano, a Igreja, mas, tendo em conta as relações tão estreitas entre a Igreja e Maria - «membro eminente e único da Igreja, seu tipo e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade... sua Mãe amorosíssima» (Vaticano II, LG 53) – podemos englobar a Virgem Maria nesta imagem da mulher do Apocalipse. Tendo isto em conta, citamos o comentário de Santo Agostinho ao Apocalipse (Homilia IX):

4-5 «O Dragão colocou-se diante da mulher...»: «A Igreja dá à luz sempre no meio de sofrimentos, e o Dragão está sempre de vigia a ver se devora Cristo, quando nascem os seus membros. Disse-se que deu à luz um filho varão, vencedor do diabo».

6 «E a mulher fugiu para o deserto»: «O mundo é um deserto, onde Cristo governa e alimenta a Igreja até ao fim, e nele a Igreja calca e esmaga, com o auxílio de Cristo, os soberbos e os ímpios, como escorpiões e víboras, e todo o poder de Satanás».

 

Salmo Responsorial    Sl 44 (45), 10.11.12.16 (R. cf. 10b)

 

Monição: Maria, a esposa do Divino Rei. Ela tem os favores de Deus e está associada para sempre à glória do seu Filho.

 

Refrão:        À vossa direita, Senhor, a Rainha do Céu,

                     ornada do ouro mais fino.

 

Ou:               À vossa direita, Senhor, está a Rainha do Céu.

 

Ao vosso encontro vêm filhas de reis,

à vossa direita está a rainha, ornada com ouro de Ofir.

 

Ouve, minha filha, vê e presta atenção,

esquece o teu povo e a casa de teu pai.

 

Da tua beleza se enamora o Rei

Ele é o teu Senhor, presta-Lhe homenagem.

 

Cheias de entusiasmo e alegria,

entram no palácio do Rei.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Maria, nova Eva. O novo Adão, Jesus, faz da Virgem Maria uma nova Eva, sinal de esperança para todos os homens.

 

1 Coríntios 15, 20-27

Irmãos: 20Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. 21Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos 22porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. 23Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai depois de ter aniquilado toda a soberania, autoridade e poder. 25É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. 26E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus tudo colocou debaixo dos seus pés. 27Mas quando se diz que tudo Lhe está submetido é claro que se exceptua Aquele que Lhe submeteu todas as coisas.

 

É a partir deste texto e do de Romanos 5 que os Padres da Igreja estabelecem a tipologia baseada num paralelismo antiético, entre Eva e Maria: Eva, associada a Adão no pecado e na morte; Maria, associada a Cristo na obra de reparação do pecado e na ressurreição.

20-23 S. Paulo, começando por se apoiar no facto real da Ressurreição de Cristo, procura demonstrar a verdade da ressurreição dos já falecidos (vv. 1-19). Nestes versículos, diz que «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (v. 20). As primícias eram os primeiros frutos do campo que se deviam oferecer a Deus e só depois se podia comer deles (cf. Ex 28; Lv 23, 10-14; Nm 15, 20-21). De igual modo, Cristo nos precede na ressurreição. Nós (exceptuando pelo menos a Virgem Maria) havemos de ressuscitar «por ocasião da sua vinda» (v. 23). Não se pode confundir esta ressurreição sobrenatural e misteriosa de que aqui se fala com a imortalidade da alma. O Credo do Povo de Deus de Paulo VI, no nº 28, diz: «Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - tanto as que ainda devem ser purificadas com o fogo do Purgatório, como as que são recebidas por Jesus no Paraíso logo que se separem do corpo, como o Bom Ladrão - constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída por completo no dia da Ressurreição, em que as almas se unirão com os seus corpos». Por seu turno, a S. Congregação para a Doutrina da Fé, na carta de 17-5-79, declara: «A Igreja, ao expor a sua doutrina sobre a sorte do homem depois da morte, exclui qualquer explicação com que se tirasse o seu sentido à Assunção de Nossa Senhora, naquilo que esta tem de único, ou seja, o facto de ser a glorificação que está destinada a todos os outros eleitos».

 

Aclamação ao Evangelho       

 

Monição: Maria, Mãe dos crentes. Cheia do Espírito Santo, Maria, a primeira, encontra as palavras da fé e da esperança: doravante todas as gerações a chamarão bem-aventurada!

 

Aleluia

 

Cântico: J. Duque, NRMS 21

 

Maria foi elevada ao Céu:

alegra-se a multidão dos Anjos.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 39-56

39Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. 40Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo 42e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? 44Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. 45Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor». 46Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. 49O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. 50A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. 51Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. 52Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. 53Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. 54Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, 55como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre». 56Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.

 

Os estudiosos descobrem neste relato uma série de ressonâncias vetero-testementárias, o que corresponde não apenas ao estilo do hagiógrafo, mas sobretudo à sua intenção teológica de mostrar como na Mãe de Jesus se cumprem as figuras do A.T.: Maria é a verdadeira e nova Arca da Aliança (comparar Lc 1, 43 com 2 Sam 6, 9 e Lc 1, 56 com 2 Sam 6, 11) e a verdadeira salvadora do povo, qual nova Judite (comparar Lc 1, 42 com Jdt 13, 18-19) e qual nova Ester (Lc 1, 52 e Est 1 – 2).

39 «Uma cidade de Judá». A tradição documentada a partir do séc. IV diz que é Ain Karem (fonte da vinha), uma povoação a uns 6 Km a Oeste da cidade nova de Jerusalém. De qualquer modo, ficaria a uns quatro ou cinco dias de caminho em caravana desde Nazaré (130 Km). Maria empreende a viagem movida pela caridade e espírito de serviço. A «Mãe do meu Senhor» (v. 43) não fica em casa à espera de que os Anjos e os homens venham servir a sua rainha; e Ela mesma, que se chama «escrava do Senhor» (v. 38), «a sua humilde serva» (v. 48), apressa-se em se fazer a criada da sua prima e de acudir em sua ajuda. Ali permanece, provavelmente, até depois do nascimento de João, uma vez que S. Lucas nos diz que «ficou junto de Isabel cerca de três meses».

42 «Bendita és Tu entre as mulheres». Superlativo hebraico: a mais bendita de todas as mulheres.

43-44 «A Mãe do meu Senhor». As palavras de Isabel são proféticas: o mexer-se do menino no seu seio (v. 41) não era casual, mas «exultou de alegria» para também ele saudar o Messias e sua Mãe.

46-55 O cântico de Nossa Senhora, o Magnificat, é um poema de extraordinária beleza poética e elevação religiosa. Dificilmente poderiam ficar melhor expressos os sentimentos do coração da Virgem Maria – «a mais humilde e a mais sublime das criaturas» (Dante, Paraíso, 33, 2) –, em resposta à saudação mais elogiosa (vv. 42-45) que jamais se viu em toda a Escritura. É como se Maria dissesse que não havia motivo para uma tal felicitação; tudo se deve à benevolência, à misericórdia e à omnipotência de Deus. Sem qualquer referência ao Messias, refulge aqui a alegria messiânica da sua Mãe e a sua humildade num extraordinário hino de louvor e de agradecimento. O cântico está todo entretecido de reminiscências bíblicas, sobretudo do cântico de Ana (1 Sam 2, 1-10) e dos Salmos (35,9; 31, 8; 111, 9; 103, 17; 118, 15; 89, 11; 107, 9; 98, 3); cf. também Hab 3, 18; Gn 29, 32; 30, 13; Ez 21, 31; Si 10, 14; Mi 7, 20. Ao longo dos tempos, muitos e belos comentários se fizeram ao Magnificat; mas também é conhecida a abordagem libertacionista, abundando leituras materialistas utópicas, falsificadoras do genuíno sentido bíblico, com base no princípio marxista da luta de classes. Com efeito, a transformação social que é urgente realizar, não se consegue com o inverter a ordem social, o «derrubar os poderosos dos seus tronos» e o «despedir os ricos de mãos vazias». Eis o comentário da Encíclica Redemptoris Mater, nº 36: «Nestas sublimes palavras… vislumbra-se a experiência pessoal de Maria, o êxtase do seu coração; nelas resplandece um raio do mistério de Deus, a glória da sua santidade inefável, o amor eterno que, como um dom irrevogável, entra na história do homem».

 

Sugestões para a homilia

 

Maria, sinal glorioso do que nos está reservado

 

Celebramos hoje uma festa que resume todas as festas em honra de Nossa Senhora. Maria, Mãe do Senhor, que foi santificada desde o começo da sua vida (por isso recebeu o privilégio de ser concebida sem pecado), agora no fim da sua existência na terra foi glorificada e recebida na glória de Deus, com seu corpo e alma.

Depois dos acontecimentos da morte e ressurreição de Jesus, Maria terá ido viver com o apóstolo S. João para Éfeso (na atual Turquia), onde ainda hoje se podem ver as ruínas da casa onde teria morrido. Alguns dizem que morreu em Jerusalém.

No século VIII já os cristãos de Jerusalém celebravam uma grande festa em honra da dormição de Maria, reunindo-se no lugar onde supunham que Maria estava sepultada. A festa passou depressa a ser celebrada pelos cristãos do ocidente.

Mas a Igreja, ao longo dos séculos, foi refletindo sobre o fim da vida de Maria. Escritores e pregadores começaram a dizer que se Maria foi uma perfeita cristã, então também Ela já vive glorificada com o seu Filho.

Mas só em 1950, o Papa Pio XII confirmou este pensamento que já era partilhado pelos católicos de todo o mundo. Por isso declarou como dogma de fé que Maria, terminada a peregrinação da sua vida terrena, foi "elevada ao céu em corpo e alma". Uma forma de dizer que toda a sua pessoa vive ressuscitada.

Maria glorificada é, por conseguinte, a primeira cristã a alcançar a meta final para a qual todos caminhamos, meta essa que é ver a Deus face a face na plenitude da nossa pessoa. Por isso Maria, como diz o Concílio Vaticano II, anima a nossa esperança de povo peregrino.

De facto, Maria foi à nossa frente na fé, na glória e na ressurreição da alma e dor corpo. Isso dá-nos alegria, dá-nos honra, dá-nos esperança. Porque assim a assunção de Maria tornou-se sinal grandioso daquilo que nos está reservado: também nós, se seguirmos o caminho da humildade, da fé e o pleno cumprimento da vontade de Deus, então um dia seremos glorificados e, de corpo e alma, viveremos eternamente felizes na presença do Senhor.

 

Fala o Santo Padre

 

«A fé é a grandeza de Maria: uma fé que é obediência à Palavra de Deus

e abandono total à iniciativa e à obra divina.»

 

Caros irmãos e irmãs

Hoje, a Igreja celebra uma das mais importantes festas do ano litúrgico, dedicadas a Maria Santíssima:  a Assunção. No final da sua vida terrena, Maria foi levada de corpo e alma ao Céu, ou seja, à glória da vida terrena, à comunhão completa e perfeita com Deus. […]

Por conseguinte, este é o núcleo da nossa fé na Assunção:  nós acreditamos que Maria, como Cristo seu Filho, já venceu a morte e já triunfa na glória celeste, na totalidade do seu ser, "de corpo e alma".

Na segunda Leitura de hoje, São Paulo ajuda-nos a lançar um pouco de luz sobre este mistério, partindo do acontecimento central da história humana e da nossa fé:  ou seja, o acontecimento da ressurreição de Cristo, que é "primícias daqueles que já morreram". Mergulhados no seu Mistério pascal, nós tornamo-nos partícipes da sua vitória sobre o pecado e sobre a morte. Eis o segredo surpreendente e a realidade-chave de toda a vicissitude humana. São Paulo diz-nos que todos nós estamos "incorporados" em Adão, o primeiro e antigo homem, todos nós temos a mesma herança humana, à qual pertence:  o sofrimento, a morte e o pecado. Mas a esta realidade, que todos nós podemos ver e viver todos os dias, acrescenta algo de novo:  nós encontramo-nos não apenas nesta herança do único ser humano, encetado com Adão, mas somos "incorporados" também no novo homem, em Cristo ressuscitado, e assim a vida da Ressurreição já está presente em nós. Portanto, esta primeira "incorporação" biológica e incorporação na morte, incorporação que gera a morte. A segunda, nova, que nos é conferida mediante o Baptismo, é a "incorporação" que dá a vida. Volto a citar a segunda Leitura hodierna; São Paulo diz:  "Porque, assim como por meio de um homem veio a morte, também a ressurreição dos mortos veio por através de um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, também em Cristo todos serão vivificados. Cada qual, porém, na sua ordem:  Cristo, como primícias; depois, os que são de Cristo, por ocasião da sua vinda" (1 Cor 15, 21-23).

Pois bem, aquilo que São Paulo afirma a respeito de todos os homens, a Igreja, no seu Magistério infalível, é dito por Maria, de um modo e num sentido específicos:  a Mãe de Deus é inserida em tal medida no Mistério de Cristo, a ponto de ser partícipe da Ressurreição do seu Filho com todo o seu ser, já no final da vida terrena; vive aquilo que nós esperamos no final dos tempos, quando for aniquilado "o último inimigo", a morte (cf. 1 Cor 15, 26); já vive aquilo que proclamamos no Credo:  "Espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há-de vir".

Então, podemos perguntar-nos:  quais são as raízes desta vitória sobre a morte, prodigiosamente antecipada em Maria? As raízes estão na fé da Virgem de Nazaré, como testemunha o trecho do Evangelho que há pouco ouvimos (cf. Lc 1, 39-56):  uma fé que é obediência à Palavra de Deus e abandono total à iniciativa e à obra divina, segundo quanto lhe é anunciado pelo Arcanjo. Por conseguinte, a fé é a grandeza de Maria, como proclama alegremente Isabel:  Maria é "bendita entre as mulheres", "bendito é o fruto do seu ventre", porque é "a Mãe do Senhor", porque acredita e vive de maneira singular a "primeira" das bem-aventuranças, a bem-aventurança da fé. Isabel confessa-o na alegria, sua e do menino que salta de alegria no seu seio:  "Feliz aquela que acreditou que teriam cumprimento as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor" (Lc 1, 45). Queridos amigos, não nos limitemos a admirar Maria no seu destino de glória, como uma pessoa muito distante de nós:  não! Somos chamados a contemplar aquilo que o Senhor, no seu amor, desejou também para nós, para o nosso destino final:  viver através da fé na comunhão perfeita de amor com Ele e, deste modo, viver verdadeiramente.

[…] Oremos ao Senhor a fim de que nos faça compreender como toda a nossa vida é preciosa aos seus olhos; fortaleça a nossa fé na vida eterna; faça de nós, homens da esperança, que trabalham para construir um mundo aberto a Deus, homens repletos de alegria, que sabem vislumbrar a beleza do mundo futuro no meio dos afãs da vida quotidiana e nesta certeza vivem, acreditam e esperam.  Amém!

 

Papa Bento XVI, Solenidade da Assunção da Virgem Maria, Castel Gandolfo, 15 de Agosto de 2010

 

Credo

 

Monitor: No batismo, dizemos os três sins da nossa opção por Cristo. Começamos por dizer "Sim" ao Deus vivo, como quem diz: “Creio que o mundo e a minha vida não são fruto do acaso, mas da razão eterna e do amor eterno de Deus” (Bento XVI).

 

Celebrante: Credes em Deus, Pai Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra?

 

Todos: Creio, creio. Ámen!

 

Monitor: Dizemos três vezes «sim»: "Sim" a Cristo, ou seja, a um Deus que não permaneceu escondido mas que tem um nome e um rosto, que se revelou em Cristo, na sua encarnação, na sua cruz e ressurreição.

 

Celebrante: Credes em Jesus Cristo, seu único Filho, Nosso Senhor, que nasceu da Virgem Maria, padeceu e foi sepultado, ressuscitou dos mortos e está à direita do Pai?

 

Todos: Creio, creio. Ámen!

 

Monitor: Dizemos três vezes «sim»: Dizemos «sim, creio” que o Espírito Santo nos dá a Palavra da Verdade e ilumina o nosso coração. Dizemos “sim, creio” que na comunhão da Igreja, nos tornamos um só Corpo com o Senhor e assim caminhamos ao encontro da ressurreição e da vida eterna.

 

Celebrante: Credes no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna?

 

Todos: “Creio, creio. Ámen!”

 

Oração Universal

 

Irmãs e irmãos: Estando em Deus e com Deus, Maria está perto de cada um de nós, conhece o nosso coração, pode ouvir as nossas orações, pode ajudar-nos com a sua bondade materna. Ela escuta-nos sempre, está sempre perto, e sendo Mãe do Filho, participa no poder do Filho, na sua bondade. Imploremos:

 

Interceda por nós, a Virgem, cheia de graça!

 

1.  Pela Santa Igreja, Pela Igreja,

peregrina neste mundo: para que lute a favor da família migrante,

a fim de que esta se torne lugar e recurso da cultura de vida

e fator de integração de valores cristãos. Imploremos.

 

2.  Pelos que regem os destinos dos Povos,

para que as leis, o ensino, a cultura e os valores sociais,

defendam e promovam a dignidade do Homem e a vocação eterna da pessoa humana. Imploremos.

 

3.  Pela consolidação da paz no mundo.

Para que a lógica do diálogo e do perdão,

se sobreponha à lógica da vingança e retaliação. Imploremos.

 

4.  Por todos nós. Para que o cântico de louvor de Maria

nos estimule a melhor celebrar a nossa Eucaristia

e a acordar para a luta e para o combate da fé. Imploremos.

 

Ouvi, Deus de bondade, as orações do Vosso Povo, e pela intercessão da Virgem Peregrina, acompanhai com particular solicitude os emigrantes, exilados e refugiados, para que em todos os homens, vossos filhos, reconheçamos o rosto de Vosso Filho, o Qual é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo!

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Louvada seja na terra, F. dos Santos, NRMS 33-34

 

Oração sobre as oblatas: Suba até Vós, Senhor, a nossa humilde oferta e, pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, elevada ao Céu, fazei que os nossos corações, inflamados na caridade, se dirijam continuamente para Vós. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

A glória da Assunção de Maria

 

v. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

v. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

v. Demos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e louvar-Vos, bendizer-Vos e glorificar-Vos na Assunção da Virgem Santa Maria.

Hoje a Virgem Mãe de Deus foi elevada à glória do Céu. Ela é a aurora e a imagem da Igreja triunfante, ela é sinal de consolação e esperança para o vosso povo peregrino. Vós não quisestes que sofresse a corrupção do túmulo aquela que gerou e deu à luz o Autor da vida, vosso Filho feito homem.

Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a Vossa glória, cantando com alegria:

 

Santo: F. dos Santos, NCT 201

 

Monição da Comunhão

 

A festa da Assunção, tão querida à tradição popular, constitui para todos os crentes uma ocasião útil para meditar acerca do sentido verdadeiro e sobre o valor da existência humana na perspetiva da eternidade. E o Céu é a nossa habitação definitiva. Dali Maria encoraja-nos com o seu exemplo a aceitar a vontade de Deus, a não nos deixarmos seduzir pelas chamadas falazes de tudo o que é efémero e passageiro, a não ceder às tentações do egoísmo e do mal que apagam no coração a alegria da vida.

 

Cântico da Comunhão: A minha alma louva o Senhor, F. dos Santos, NCT 254

cf. Lc 1, 48-49

Antífona da comunhão: Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque o Senhor fez em mim maravilhas.

 

Cântico de acção de graças: Foi um sono de Luz, H. Faria, NRMS 103-104

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes com o pão da vida eterna, concedei-nos, por intercessão da Virgem Santa Maria, elevada ao Céu, a graça de chegarmos à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Precisamente, ao longo desta caminhada peregrinação eclesial, através do espaço e do tempo, e mais ainda através da história das pessoas, Maria está presente como Aquela que é feliz porque acreditou» (Redemptoris Mater, 25). «A Virgem Maria está constantemente presente nesta caminhada do Povo de Deus, em direção à luz» (RM 35).

 

Cântico final: Gloriosa Mãe de Deus, M. Carneiro, NRMS 33-34

 

 

Homilias Feriais

 

6ª feira, 16-VIII: As leis de Deus e o arbítrio dos homens.

Jos 24, 1-13 / Mt 19, 3-12

Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos permitiu despedir as vossas mulheres. Mas, ao princípio, não foi assim.

Jesus quer devolver a dignidade do matrimónio à sua pureza original (Ev). Infelizmente, o ambiente continua a desfigurar esta realidade: «O valor da indissolubilidade matrimonial é cada vez mais ignorado, reclamam-se formas de reconhecimento legal para as convivências de facto, equiparando-as ao matrimónio legítimo; não faltam tentativas para serem aceites modelos com casais onde a diferença sexual não resulta essencial» (J: Paulo II).

Dizia Moisés: «Hás-de cumprir as suas leis e os seus mandamentos que hoje te vou comunicar. Assim serás feliz e os teus filhos também depois de ti» (Leit).

 

Sábado, 17-VIII: O valor das crianças aos olhos de Deus.

Jos 24, 14-29 / Mt 19, 13-15

Deixai as criancinhas e não as impeçais de se aproximarem de mim, que o reino dos Céus é daqueles que são como elas.

Tornar-se criança diante de Deus é a condição para receber a Revelação de Deus, pois Jesus revela-se aos pequeninos; e também para entrar no reino dos Céus (Ev).

Como tornar-se criança diante de Deus? É necessário «um coração contrito e confiante que nos faça voltar ao estado de criança» (CIC, 2785). Além disso, precisamos converter-nos e criar um coração novo e uma alma nova: «O dom gratuito da adopção exige da nossa parte uma conversão contínua e uma vida nova (CIC, 2784). E aceitarmos o que nos é dito da parte e Deus: «Hás-de recomendá-las (as palavras do Senhor) a teus filhos, e delas falarás, quer sentado em casa...» (Leit).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Nuno Westwood

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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