Assunção da Virgem Santa Maria

Missa da Vigília

14 de Agosto de 2013

 

Solenidade

Esta Missa utiliza-se na tarde do dia 14 de Agosto, antes ou depois das Vésperas I da solenidade.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Deus te salve, claro exemplo, M. Carneiro, NRMS 81

 

Antífona de entrada: Grandes coisas se dizem de Vós, ó Virgem Santa Maria, que hoje fostes exaltada sobre os coros dos Anjos e triunfais com Cristo para sempre.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O Papa Pio XII, em 1950, definiu como dogma de fé a Assunção de Nossa Senhora. A glória da Virgem Maria faz-nos pensar na página do Apocalipse em que S. João escreveu: “apareceu no Céu um sinal grandioso. Uma mulher revestida de sol, a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. (Ap 12,1) A glorificação da Virgem Maria é uma consequência natural da Sua Maternidade divina: Deus «não quis que conhecesse a corrupção do túmulo Aquela que gerou Jesus, o Senhor da vida».

 

Oração colecta: Senhor Nosso Deus, que, olhando para a humildade da Virgem Maria, a elevastes à dignidade de ser Mãe do Verbo Encarnado e neste dia a coroastes de glória, concedei-nos, por sua intercessão, que, salvos pelo mistério da redenção, mereçamos ser por Vós glorificados. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: «Levaram a arca de Deus e colocaram-na no meio da tenda que David mandara levantar para ela»

A Virgem Maria é a arca da nova Aliança! Durante nove meses o Filho do eterno Pai habitou no seu seio! Felizes as entranhas da Virgem Maria!

 

1 Crónicas 15, 3-4.15-16 16, 1-2

 

Naqueles dias, 3David reuniu em Jerusalém todo o povo de Israel, a fim de trasladar a arca do Senhor para o lugar que lhe tinha preparado. 4Convocou também os descendentes de Aarão e os levitas. 15Os levitas transportaram então a arca de Deus, por meio de varas que levavam aos ombros, conforme tinha ordenado Moisés, segundo a palavra do Senhor. 16David ordenou aos chefes dos levitas que dispusessem os seus irmãos cantores, para que, acompanhados por instrumentos de música – cítaras, harpas e címbalos – , entoassem as suas alegres melodias. 1Assim trasladaram a arca de Deus e colocaram-na no meio da tenda que David mandara levantar para ela. 2Depois ofereceram, diante de Deus, holocaustos e sacrifícios de comunhão. Quando David acabou de oferecer os holocaustos e os sacrifícios de comunhão, abençoou o povo em nome do Senhor.

 

A Liturgia vê no solene e festivo transporte da Arca da Aliança de Quiriat-Iarim para a cidade de Jerusalém, conquistada aos jebuseus por David, a figura da entrada de Maria, em corpo e alma, no Céu. A Arca era o símbolo da presença de Deus no meio do seu povo. A Igreja louva Maria com o título de Arca da Aliança. Há exegetas que vêem na visita da Virgem Maria a Isabel ressonâncias deste relato, que justificam este título bíblico atribuído à Virgem Maria.

 

Salmo Responsorial    Sl 131 (132), 6-7.9-10.13-14 (R. 8)

 

Monição: Levantai-Vos, Senhor, e entrai no vosso repouso,

Vós e a arca da vossa majestade.

 

Refrão:        Levantai-Vos, Senhor, e entrai no Vosso repouso,

                     Vós e a Arca da vossa majestade.

 

Ouvimos dizer que a Arca estava em Éfrata,

nós a encontrámos nas campinas de Jaar.

Entremos no santuário do Senhor,

prostremo-nos a Seus pés.

 

Revistam-se de justiça os Vossos sacerdotes,

Exultem de alegria os Vossos fiéis.

Por amor de David, Vosso servo,

não afasteis o rosto do Vosso Ungido.

 

O Senhor escolheu Sião,

preferiu-a para Sua morada.

«É este para sempre o lugar do Meu repouso,

aqui habitarei, pois o escolhi».

 

Segunda Leitura

 

Monição: “Dêmos graças a Deus, que nos dá esta vitória por Nosso Senhor Jesus Cristo.”

Felizes os que acreditam! Jesus é a ressurreição e a vida!

 

1 Coríntios 15, 54b-57

Irmãos: 54bQuando este nosso corpo mortal se tornar imortal, então se realizará a palavra da Escritura: «A morte foi absorvida na vitória. 55Ó morte, onde está a tua vitória? Ó morte, onde está o teu aguilhão?». 56O aguilhão da morte é o pecado e a força do pecado é a Lei. 57Mas dêmos graças a Deus, que nos dá esta vitória por Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

56 «O aguilhão da morte é o pecado». S. Paulo apresenta a morte personificada, a picar com o ferrão, isto é, a exercer o seu domínio sobre a humanidade: ao sermos feridos pelo pecado, morremos. Como se vê, isto está dito de modo figurado. «A força do pecado é a Lei». A Lei de Moisés, ao tornar mais patentes as obrigações, sem conceder a força para fazer o bem, dava força ao pecado, isto é, tornava-se ocasião de pecado (cf. Rom 7, 7-8).

57 «A vitória por N. S. J. Cristo»: Jesus, dando pleno cumprimento à Lei antiga, que exigia a morte do pecador, não só venceu a morte com a sua própria morte, como também arrebatou à morte o seu poder mortífero – «o aguilhão» –, isto é, o pecado, que feria a humanidade e a submetia à morte.

 

Aclamação ao Evangelho        Lc 11, 28

 

Monição: Maria foi elevada ao Céu: alegra-se a multidão dos Anjos.

Cantemos aleluias em honra da nossa Mãe, elevada ao Céu em corpo e alma!

 

Aleluia

 

Cântico: Az. Oliveira, NRMS 36

 

Felizes os que ouvem a palavra de Deus

e a põem em prática.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 11, 27-28

27Naquele tempo, enquanto Jesus falava à multidão, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e disse: «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito». 28Mas Jesus respondeu: «Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática».

 

Com este episódio começa a ter efectivação a previsão de Maria: todas as gerações me hão-de chamar bem-aventurada (Lc 1, 48).

Jesus não contradiz o belo elogio dirigido a sua Mãe, mas aproveita a ocasião para fazer ver que o que importa aos seus ouvintes não são os laços de sangue, mas que ouçam e cumpram a Palavra de Deus. Pode ver-se aqui um elogio que Jesus faz ao «faça-se» de Maria (cf. Lc 1, 38). O Papa Bento XVI em Fátima, a propósito da resposta de Jesus àquela mulher do povo – «mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática» (v. 28) –, interpela-nos seriamente: «Mas quem tem tempo para escutar a sua palavra e deixar-se fascinar pelo seu amor? Quem vela, na noite da dúvida e da incerteza, com o coração acordado em oração? Quem espera a aurora do dia novo, tendo acesa a chama da fé? A fé em Deus abre ao homem o horizonte de uma esperança certa que não desilude; indica um sólido fundamento sobre o qual apoiar, sem medo, a própria vida; pede o abandono, cheio de confiança, nas mãos do Amor que sustenta o mundo».

 

Sugestões para a homilia

 

1. “Felizes os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática».

 

Celebramos a Assunção da Virgem Maria "elevada à glória celeste em corpo e alma”! Hoje a liturgia ensina-nos que Ela foi "exaltada por Deus para assim se conformar mais plenamente com seu FiIho Jesus Cristo, vencedor do pecado e da morte" (LG, 59).

No meio da multidão uma mulher elogia a Mãe de Jesus: “Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito”. Desde esse momento, “ todas as gerações a proclamam bem-aventurada”! Jesus ao proclamar felizes os que escutam a sua palavra, incluía nesse número de pessoas Sua Mãe! S. Lucas diz que Maria guardava no seu coração a Palavra divina! Ela já tinha guardado em seu seio “O Verbo eterno!”. Elevada à glória celeste não nos abandona! Com o seu amor de mãe cuida de nós, que ainda somos peregrinos rumo à pátria do Céu. Ela nos ajuda a acolher a palavra de Jesus que nos promete a felicidade! “Felizes os que ouvem a minha palavra!” “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna! Passou da morte para a vida.” (Jo 5, 24)

A Mãe de Jesus, «glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há-de consumar no século futuro» (LG. 68).

A Assunção de Maria ao Céu, em corpo e alma, é a garantia de que o homem se salvará todo: também o nosso corpo ressuscitará! A Assunção de Maria é o penhor seguro de que o homem triunfará da morte!

 

 

2. “Assim como em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida”.

 

 “A minha alma glorifica o Senhor!”

A Virgem Maria no Seu cântico de acção de Graças atribui a Deus Seu Salvador tudo quanto possui. Não são os seus próprios méritos, mas agraça de Jesus de quem Ela é a humilde Serva. Tudo que recebe vem de Deus e volta a Deus num hino de louvor.

A glória de Maria elevada ao Céu em corpo e alma, ao terminar a Sua vida terrena, vem-lhe da glória de Jesus Ressuscitado. Jesus ressuscitado é o primeiro de entre os mortos (1Cor 15, 20). A Virgem Maria já chegou a esta glória que Deus Pai reserva a todos os Seus filhos: “Do mesmo modo que em Adão todos morrem, assim em Cristo todos serão restituídos à vida.” A morte será destruída para sempre. Deus enxugará as lágrimas dos nossos olhos. Jesus prometeu: “ Quem come a Minha Carme e bebe o Meu Sangue, tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia”. O próprio Jesus também nos diz noutra passagem que “muitos dos que descem à sepultura ouvirão a Sua voz e os que fizeram o bem ressuscitarão para a vida eterna”. (Jo 5, 25.29)

Neste dia da Assunção da Virgem Santa Maria meditemos no dogma da nossa fé: “Creio na ressurreição da carne”. O nosso corpo mortal também há-de ser revestido de imortalidade.

Os discípulos puderam ver e tocar o Corpo glorioso de Jesus ressuscitado, durante quarenta dias. Nem sempre O reconheciam. Por isso, Jesus dizia-lhes: “Sou Eu mesmo”. O mesmo que tinham visto morrer na cruz, o mesmo, mas agora glorioso. Jesus tem um Corpo: “O Verbo fez-Se carne.” A ressurreição da carne enche-nos de esperança: “É digna de fé esta palavra: se morrermos com Cristo, também com Ele viveremos! (2Tim 2, 11) A Bíblia ensina que os sofrimentos da vida presente não têm comparação com a glória futura! (Ro 8,18)

S. João da Cruz diz que nesta vida somos purificados pelo fogo do Amor que o Espírito Santo derrama em nossos corações (N. E. 12, 1). Na “Chama Viva de Amor” diz que o Espírito Santo é um fogo de amor que pode consumir e transformar em Si a alma que toca. Assim as nossas almas purificam-se neste mundo com o fogo do amor, como diz o salmista. “Somos como a prata limpa sete vezes purificada.”

Contemplemos a Mãe de Jesus, movida pelo fogo do amor divino! Este fogo de amor discreto, mas consumidor, “não deixou cinzas. A hora da Sua morte corporal foi a Sua última oferta de amor, sem deixar resíduo.” (Noel Quesson) O Seu Corpo totalmente abrasado pelo fogo do Espírito Santo já não tinha que sofrer a decomposição do túmulo.

Acreditamos em “Jesus que tem todo o poder para transformar o nosso corpo mortal, tornando-o semelhante ao Seu Corpo glorioso.” (Fil 3,20-21)

 

 

Oração Universal

 

Deus Pai quis que a Virgem Maria, Mãe de seu Filho, fosse honrada por todas as gerações. Proclamemos a sua grandeza, rezando:

Abençoai, Senhor o vosso povo.

 

1.  Deus, Autor de tantas maravilhas, que elevastes ao Céu a Virgem Maria,

para a tornar participante em corpo e alma, da glória de Cristo,

orientai para a mesma glória o coração dos vossos filhos.

 

2.  Vós que fizestes da Virgem Maria a serva fiel e atenta à vossa Palavra,

fazei de nós servos e discípulos de Vosso Filho.

 

3.  Vós que disseste: “Felizes os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”,

fazei que todos os sacerdotes, pais e catequistas

fomentem um grande amor à Palavra de Deus.

 

4.  Vós que pediste a vosso eterno Pai:

“Pai Santo quero que aqueles que me deste estejam comigo e participem na minha glória”

concedei-nos que, durante a nossa vida neste mundo que passa,

aspiremos à imortalidade prometida e saboreamos desde já as alegrias da Pátria celeste.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Avé Maria, Senhora, F. da Silva, NRMS 81

 

Oração sobre as oblatas: Recebei, Senhor, este sacrifício de reconciliação e de louvor que celebramos na Assunção da Santa Mãe de Deus, para que alcancemos o perdão dos pecados e vivamos em contínua acção de graças. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio próprio, como na Missa seguinte.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue ressuscitará no último dia!”

 A Comunhão também é para nós penhor da futura glória.

Rezemos com o salmista, pedindo a Jesus que se realize em nós a Bem-aventurança prometida: “Criai em mim ó Deus um coração puro”, porque “os puros de coração verão a Deus.” (Salmo 50; Mat 5)

 

Cântico da Comunhão: Como é admirável Senhor, F. dos Santos, NCT 257

cf. Lc 11, 27

Antífona da comunhão: Bendita seja a Virgem Maria, que trouxe em seu ventre o Filho de Deus Pai.

 

Cântico de acção de graças: O meu espírito exulta, C. Silva, NRMS 38

 

Oração depois da comunhão: Senhor nosso Deus, que nos fizestes participar na mesa celeste, ouvi benignamente as nossas súplicas e livrai de todo o mal aqueles que celebram a Assunção da Mãe de Deus. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Para meditar: 

“Como teria gostado de ser sacerdote para pregar sobre a Santíssima Virgem, para fazer compreender como se conhece pouco a Sua vida. Gostaria de mostrá-La imitável, fazendo sobressair as Suas virtudes, dizer que vivia da fé como nós, mostrar as provas no Evangelho.”

Santa Teresa do Menino Jesus “Obras Completas, págs. 1218-1219”

 

Cântico final: Avé Maria, farol do mar, Az. Oliveira, NRMS 73-74

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         José Roque

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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