19º Domingo Comum

11 de Agosto de 2013

 

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Lembrai-Vos, Senhor, da Vossa aliança, Az. Oliveira, Cânticos de Entrada e Comunhão II, pág. 96

Sl 73, 20.19.22.23

Antífona de entrada: Lembrai-Vos, Senhor, da vossa aliança, não esqueçais para sempre a vida dos vossos fiéis. Levantai-Vos, Senhor, defendei a vossa causa, escutai a voz daqueles que Vos procuram.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Para sermos salvos necessitamos de acreditar em Jesus Cristo, Filho único de Deus, a Quem o Pai enviou ao mundo para que o mundo seja salvo por Ele. Toda a história da salvação não é senão a história do caminho e dos meios pelos quais o Deus único e verdadeiro, Pai, Filho e Espírito Santo, se revela aos homens e, na sua infinita misericórdia, nos restitui a Vida em união com Cristo.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, a quem podemos chamar nosso Pai, fazei crescer o espírito filial em nossos corações para merecermos entrar um dia na posse da herança prometida. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: A intervenção divina na história do Povo Hebreu foi para eles e é também para nós motivo de fé e confiança absolutas no Seu poder omnipotente e na Sua bondade infinita.

 

Sabedoria 18, 6-9

 

6A noite em que foram mortos os primogénitos do Egipto foi dada previamente a conhecer aos nossos antepassados, para que, sabendo com certeza a que juramentos tinham dado crédito, ficassem cheios de coragem. 7Ela foi esperada pelo vosso povo, como salvação dos justos e perdição dos ímpios, 8pois da mesma forma que castigastes os adversários, nos cobristes de glória, chamando-nos para Vós. 9Por isso os piedosos filhos dos justos ofereciam sacrifícios em segredo e de comum acordo estabeleceram esta lei divina: que os justos seriam solidários nos bens e nos perigos; e começaram a cantar os hinos de seus antepassados.

 

A leitura é extraída da última parte do livro da Sabedoria (16 – 18), onde se exalta a Providência divina ao castigar os egípcios e salvar os israelitas. Pertence ao género literário chamado «midraxe hagadá»: é uma piedosa meditação sobre a história sagrada, em que a intenção edificante lança mão da imaginação, sem grande preocupação pelo rigor histórico.

6 «Noite… dada previamente a conhecer», segundo Gn 15, 13-14; 11, 4-7; 12, 21-23.

9 «Ofereciam sacrifícios em segredo», alusão a Ex 12, 46, onde se diz que o cordeiro pascal era sacrificado e comido no interior das próprias casas. A referência a «cantar os hinos» tem em conta o hagadá de Páscoa, que prescrevia para a Ceia Pascal o canto dos Salmos do chamado grande Hallel (113 – 118; cf. Mt 26, 30), que cantavam os favores divinos para com o seu povo.

 

Salmo Responsorial    Sl 32 (33), 1.12.18-19.20.22 (R. 12b)

 

Monição: Fazer parte do Novo Povo de Deus, vivendo na fé da Igreja, é para todos nós motivo de grande felicidade.

 

Refrão:        Feliz o povo que o Senhor escolheu para sua herança.

 

Justos, aclamai o Senhor,

os corações rectos devem louvá-l’O.

Feliz a nação que tem o Senhor por seu Deus,

o povo que Ele escolheu para sua herança.

 

Os olhos do Senhor estão voltados para os que O temem,

para os que esperam na sua bondade,

para libertar da morte as suas almas

e os alimentar no tempo da fome.

 

A nossa alma espera o Senhor,

Ele é o nosso amparo e protector.

Venha sobre nós a vossa bondade,

porque em Vós esperamos, Senhor.

 

Segunda Leitura*

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

 

Monição: Esta leitura que vamos ouvir é um eloquentíssimo elogio da fé; depois de definir o que é a fé, mostra-nos como todas as grandes figuras do Antigo Testamento resplandeceram por uma vida de fé.

 

Forma longa: Hebreus 11, 1-2.8-19;    forma breve: Hebreus 11, 1-2.8-12

 

Irmãos: 1A fé é a garantia dos bens que se esperam e a certeza das realidades que não se vêem. 2Ela valeu aos antigos um bom testemunho. 8Pela fé, Abraão obedeceu ao chamamento e partiu para uma terra que viria a receber como herança; e partiu sem saber para onde ia. 9Pela fé, morou como estrangeiro na terra prometida, habitando em tendas, com Isaac e Jacob, herdeiros, como ele, da mesma promessa, 10porque esperava a cidade de sólidos fundamentos, cujo arquitecto e construtor é Deus. 11Pela fé, também Sara recebeu o poder de ser mãe já depois de passada a idade, porque acreditou na fidelidade d’Aquele que lho prometeu. 12É por isso também que de um só homem – um homem que a morte já espreitava – nasceram descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e como a areia que há na praia do mar.

 [13Todos eles morreram na fé, sem terem obtido a realização das promessas. Mas vendo-as e saudando-as de longe, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. 14Aqueles que assim falam mostram claramente que procuram uma pátria. 15Se pensassem na pátria de onde tinham saído, teriam tempo de voltar para lá. 16Mas eles aspiravam a uma pátria melhor, que era a pátria celeste. E como Deus lhes tinha preparado uma cidade, não Se envergonha de Se chamar seu Deus. 17Pela fé, Abraão, submetido à prova, ofereceu o seu filho único Isaac, que era o depositário das promessas, como lhe tinha sido dito: 18«Por Isaac será assegurada a tua descendência». 19Ele considerava que Deus pode ressuscitar os mortos; por isso, numa espécie de prefiguração, ele recuperou o seu filho.]

 

A leitura é um eloquentíssimo elogio da fé, uma das mais notáveis páginas de toda a Escritura. Depois de definir o que é a fé, mostra como todas as grandes figuras do Antigo Testamento resplandeceram por uma vida de fé. Aqui temos apenas um pequeno extracto do capítulo 11 da epístola.

1 «A fé é a garantia dos bens que se esperam». As realidades que esperamos na outra vida ainda não são uma realidade de que tenhamos uma posse palpável, mas a fé é já uma base ou garantia de que estão ao nosso alcance. Mas há uma outra interpretação que entende o termo grego (traduzido no leccionário por garantia), «hypóstasis» (substância, à letra, o que está por baixo, o suporte) no sentido de consistência: assim, a fé como que dá corpo e consistência na alma do crente àquelas realidades divinas reveladas por Deus que esperamos vir a possuir em plenitude, (mas, para uma pessoa que não tenha fé, aparecem como inconsistentes, mera alienação,).

«A certeza das realidades que não se vêem». O termo grego élenkhos foi traduzido pela palavra «certeza», com efeito, assim como uma demonstração nos dá a certeza de algo não evidente por si, assim também a fé nos dá a certeza de todas as verdades divinas que se não vêem, uma vez que a fé se apoia numa revelação de Deus que não se engana nem nos pode enganar.

8-19 O exemplo da fé de Abraão está em relação com diversas passagens do Génesis do «ciclo de Abraão» (Gn 12, 1 – 23, 20).

10 Cidade… cujo arquitecto e construtor é Deus», isto é, «a pátria celeste» (cf. v. 16). Esta passagem concorda com uma tradição judaica que diz que Deus mostrou a Abraão a Jerusalém celeste (cf. Apocalipse Siríaco de Barukh).

11 Pela fé, também Sara... A inicial incredulidade de Sara acabou por dar lugar a uma atitude de fé (cf. Gn 18, 10-13).

19 «Prefiguração» (à letra, «parábola», também se podia traduzir por «símbolo»). Desde os Padres Apostólicos que a Tradição da Igreja viu no Sacrifício de Isaac uma figura da Morte e Ressurreição (a recuperação do filho) de Cristo.

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 24, 42a.44

 

Monição: Aclamemos o Evangelho de Jesus Cristo, Palavra de Deus; ouçamos a bela lição que Ele nos dá sobre a fé e a esperança que devemos pôr sempre no Senhor.

 

Aleluia

 

Cântico: F. Silva, NRMS 35

 

Vigiai e estai preparados,

porque na hora em que não pensais virá o Filho do homem.

 

 

Evangelho*

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

 

Forma longa: São Lucas 12, 32-48;     forma breve: São Lucas 12, 35-40

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:

[32«Não temas, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o reino. 33Vendei o que possuís e dai-o em esmola. Fazei bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável nos Céus, onde o ladrão não chega nem a traça rói. 34Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.]

35Tende os rins cingidos e as lâmpadas acesas. 36Sede como homens que esperam o seu senhor voltar do casamento, para lhe abrirem logo a porta, quando chegar e bater. 37Felizes esses servos, que o senhor, ao chegar, encontrar vigilantes. Em verdade vos digo: cingir-se-á e mandará que se sentem à mesa e, passando diante deles, os servirá. 38Se vier à meia-noite ou de madrugada, felizes serão se assim os encontrar. 39Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não o deixaria arrombar a sua casa. 40Estai vós também preparados, porque na hora em que não pensais virá o Filho do homem».

[41Disse Pedro a Jesus: «Senhor, é para nós que dizes esta parábola, ou também para todos os outros?» O 42Senhor respondeu: «Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor estabelecerá à frente da sua casa, para dar devidamente a cada um a sua ração de trigo? 43Feliz o servo a quem o senhor, ao chegar, encontrar assim ocupado. 44Em verdade vos digo que o porá à frente de todos os seus bens. 45Mas se aquele servo disser consigo mesmo: ‘O meu senhor tarda em vir’; e começar a bater em servos e servas, a comer, a beber e a embriagar-se, 46o senhor daquele servo chegará no dia em que menos espera e a horas que ele não sabe; ele o expulsará e fará que tenha a sorte dos infiéis. 47O servo que, conhecendo a vontade do seu senhor, não se preparou ou não cumpriu a sua vontade, levará muitas vergastadas. 48Aquele, porém, que, sem a conhecer, tenha feito acções que mereçam vergastadas, levará apenas algumas. A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá».]

 

Na sequência do Domingo anterior (Lc 12, 13-21), este trecho é extraído duma secção do iii Evangelho (Lc 12 – 14), em que predominam os ensinamento de Jesus, sobretudo os de carácter escatológico, com apelos à vigilância e a viver desprendido, com os olhos postos no reino que há-de vir. A leitura começa (vv. 32-34) com o final da longa exortação ao abandono na Providência amorosa de Deus e ao desprendimento dos bens efémeros.

32 «Pequenino rebanho». Apesar de poucos e sem recursos humanos, os discípulos nada têm a temer, pois foram admitidos no Reino de Deus que é indestrutível (cf. Lc 1, 33).

33-34 «Tesoiro inesgotável nos Céus». O texto paralelo de S. Mateus é mais desenvolvido (cf. Mt 6, 19-21). Como o nosso coração é forçosamente atraído pelo que ele julga ser o «tesoiro», temos de ter a sensatez de não nos defraudarmos a nós próprios erigindo em tesoiro - bem supremo, fim último - as coisa da terra, trocando o efémero e caduco pelo eterno. As boas obras, a esmola e as obras de misericórdia em geral (cf. Mt 25, 31-46) constituem uma riqueza que não se perde, pois essas obras terão uma recompensa eterna nos Céus.

35-48 Na forma longa do Evangelho de hoje, podemos distinguir três parábolas: a dos criados vigilantes (vv. 35-36), a do ladrão (v. 39) e a dos servos administradores (o fiel: vv. 42-44 e o infiel: vv. 45-48). As duas primeiras referem-se à necessidade da vigilância e a terceira à necessidade da fidelidade.

35-37a «Rins cingidos», isto é, as cintas apertadas, num gesto então habitual, próprio de quem, para trabalhar, arregaçava a túnica com um cinto. «As lâmpadas acesas», isto é, em atitude de vigilância ao longo da noite; é assim que devem estar vigilantes os discípulos de Jesus, «como homens que esperam o seu senhor voltar do casamento», a uma hora incerta.

37b «Em verdade vos digo... os servirá». Aqui já deixamos propriamente de ter a «parábola», uma vez que se acabou toda a «semelhança» com a vida corrente: não são os servos a servir o seu patrão (cf. 17, 7-9), mas é o dono a servir os criados! É uma alegoria que exprime como, no momento da sua vinda, Jesus recompensará, um a um – «passando diante deles» – os seus servos vigilantes, servindo-lhes o «banquete» da vida eterna.

39 «A que hora viria o ladrão». Esta segunda parábola, que já não se refere a um criado, mas a um senhor, é também um convite à vigilância, pondo em evidência como a vinda do Senhor será de improviso, sem o dono da casa poder calcular o dia do assalto; os criados da parábola anterior sabiam que era naquela noite que o seu patrão chegava da boda, embora ignorassem a hora, mas aqui o dono da casa não sabe nem o dia nem a hora. Daqui o sério apelo: «Estai vós também preparados».

41 «É para nós que dizes essa parábola?» Esta pergunta de Pedro parece referir-se à primeira parábola, concretamente à afirmação de Jesus no v. 37b, que muito o devia ter impressionado; mas Jesus não responde à pergunta, e propõe uma nova parábola, a do administrador fiel (vv. 42-46), a mesma do «servo fiel e prudente» de Mt 4, 45-51, embora com um matiz próprio: precisamente o facto de se chamar este servo «administrador» indica a intencionalidade de referir a parábola aos apóstolos, «os administradores dos mistérios de Deus», de quem se exige uma fidelidade total (cf. 1 Cor 4, 1-2).

42-48a Na parábola, temos um criado feito administrador da casa durante um certo período de ausência do patrão, o qual tem de dirigir os criados e criadas e, concretamente, de lhes dar diariamente a sua ração de alimento. A parábola do administrador contempla duas hipóteses: a da administração fiel e sensata (vv. 42-44) e a da má administração (v. 45-46). Na primeira, a condição é posta sob a forma duma pergunta retórica (v. 42) que equivale à afirmação: «se o administrador que o senhor colocou à frente do seu pessoal, para lhe dar, no devido tempo, a sua ração de trigo, for fiel e prudente..., pô-lo-á à frente de todos os seus bens».

48b «A quem muito foi dado…». Temos aqui a forma impessoal da voz passiva para, segundo o costume judaico, evitar pronunciar o nome inefável de Deus, por motivo de respeito, equivalendo a: «a quem Deus muito deu...». Os versículos 47-48, que não aparecem no lugar paralelo de S. Mateus, explicitam como no dia de juízo haverá uma desigualdade de castigos proporcionada à responsabilidade de cada um. É fácil perceber que os discípulos de Jesus são aqueles que «sabem o que o Senhor quer» (v. 47) e aqueles «a quem muito foi dado» (v. 48).

 

Sugestões para a homilia

 

1. Sem fé é impossível agradar a Deus.

2. A fé sem obras é morta.

3. Crescer sempre na fé.

 

1. Sem fé é impossível agradar a Deus.

 

A fé é a garantia dos bens que se esperam e a certeza das realidades que não se vêem” (2ª leitura).

A fé é um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Ele. Para a recebermos, temos de ser humildes e querer recebê-la. Deus quer a salvação de todos os homens e, por tal razão, Ele não nega a fé a quem se dispõe a recebê-la e procura sinceramente a verdade. Os habitantes de Nazaré, comodamente instalados nas suas certezas e preconceitos, não souberam ver em Jesus, para além das aparências, Aquele que vinha salvá-los. Os milagres que já tinha feito noutras regiões vizinhas deviam ter sido suficientes para eles verem n’Ele Alguém que não era simplesmente o filho do Carpinteiro, mas que era o Deus salvador, prometido e anunciado pelos profetas.

 Quando Pedro confessou que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus vivo, Jesus declara-lhe que esta revelação não lhe veio da carne nem do sangue, mas do Seu Pai que está nos Céus (Cfr. Mt 16,17). Um acto de fé só é possível pela graça e pelos auxílios interiores do Espírito Santo. Mas não é menos verdade que acreditar é um acto autenticamente humano; não é contrário à liberdade nem à inteligência do homem confiar em Deus e aderir às verdades por Ele reveladas. Mesmo nas relações humanas, não é contrário à nossa própria dignidade acreditar no que os outros nos dizem e confiar neles. Não há nada que nos ofenda tanto como quando alguém desconfia de nós. Não admira, pois, que um dos pecados que mais ofende a Deus é a falta de confiança na sua bondade e veracidade. Foi esse o 1º pecado, que nós chamamos original: “Tentado pelo Diabo, o homem deixou morrer no coração a confiança no seu Criador. Abusando da liberdade, desobedeceu ao mandamento de Deus. Nisso consistiu o primeiro pecado do homem. Daí em diante todo o pecado será uma desobediência a Deus e uma falta de confiança na sua bondade” (C.I. Cat., 397).

Compreendemos, agora, como a fé é necessária para a salvação: “Quem acreditar e for baptizado, será salvo; quem não acreditar será condenado”. Para obter a salvação é necessário acreditar em Jesus Cristo e n’Aquele que O enviou para nos salvar. “Sem a fé não é possível agradar a Deus” (Hebr 11,6) e chegar a partilhar a condição de filhos seus; ninguém pode justificar-se sem a fé e ninguém que não “persevere nela até ao fim” (Mt 10,22; 24,13) poderá alcançar a vida eterna.

 

2. A fé sem obras é morta.

 

Mas nós podemos perder este dom inestimável. Para viver, crescer e perseverar até ao fim na fé, temos de a alimentar com a Palavra de Deus, e temos de pedir ao Senhor que no-la aumente; ela deve agir pela caridade (Gal 5,6 – a fé sem obras é morta): “Vendei o que possuis e dai-o em esmola. Fazei bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável nos Céus” (Evangelho).

 A nossa fé deve ser sustentada pela esperança e permanecer enraizada na fé de Igreja: ninguém pode acreditar sozinho, tal com ninguém pode viver só. Ninguém se deu a fé a si mesmo como também ninguém se deu a vida a si mesmo. Cada crente é, assim, um elo na grande cadeia de crentes. Ninguém pode ter a Deus por Pai se não tem a Igreja por Mãe. Não adianta dizer: “Eu cá tenho a minha fé…Não preciso dos Padres, nem da Igreja para nada!!!”. Essa tua fé não te salvará!!!

Não podes crer sem ser amparado pela fé dos outros e pela tua fé contribuis também para amparar os outros na sua fé.

 

3. Crescer sempre na fé.

 

Acreditar em Jesus Cristo consiste não só em aceitar os seus ensinamentos mas em aderir à sua própria pessoa, compartilhando a sua vida e o seu destino, participando na sua obediência livre e amorosa à vontade do Pai. Pela graça do Espírito Santo, unimo-nos a Jesus, especialmente pela Eucaristia, e tornamo-nos conformes a Ele, procurando segui-l’O, “para termos n’Ele a vida eterna”.

O Baptismo configura radicalmente o fiel a Cristo no mistério pascal da morte e Ressurreição, revestindo-o de Cristo…A participação na Eucaristia, Sacramento da Nova Aliança, é o vértice da assimilação a Cristo, fonte de vida eterna, princípio e força do dom total de si mesmo” (João Paulo II, Veritatis Splendor, 21).

Escutando a Palavra e recebendo os Sacramentos com fé, o cristão é transformado na imagem de Cristo; ele irradia e é reflexo de Cristo, como Cristo é a imagem perfeita do Pai e O manifesta ao mundo (Cfr. 2 Cor 3, 18; 4.4).

Neste Ano da Fé, tenhamos muita confiança na nossa oração que é oração de Cristo e da Igreja. Não tenhamos em pouco aquilo que Deus estima tanto. Perseveremos unidos a Cristo; nunca é inútil nenhuma oração. A nossa vida será aquilo que for a nossa oração, o nosso trabalho será aquilo que for a nossa oração.

Nossa Senhora é modelo e exemplo maravilhoso de fé, pois acreditou, desde o primeiro momento, que havia de cumprir-se tudo o que lhe foi dito da parte do Senhor. Confiemo-nos à sua poderosa protecção.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos caríssimos:

Confiados na infinita bondade de Deus

que não deseja a morte do pecador

mas que se converta e viva,

peçamos por intermédio de Seu Filho,

dizendo:

Ouvi-nos, Senhor!

 

1. Pelo Santo Padre, Bispos e Sacerdotes:

para que anunciem corajosamente o Reino de Cristo,

e façam brilhar diante dos homens a luz da sua fé,

oremos irmãos.

 

2. Pelos governantes das nações:

para que, trabalhando pela felicidade terrena dos homens,

promovam sempre a verdade, a justiça e a paz,

oremos, irmãos.

 

3. Pelos emigrantes e pelos presos,

e pelos que vivem longe dos seus lares,

para que não desanimem,

mas encontrem consolação nas suas penas,

oremos, irmãos.

 

4. Por todos os fiéis defuntos,

para que, por intercessão de Maria,

alcancem de Deus  misericórdia,

oremos, irmãos.

 

5.Por todos nós aqui presentes,

para que o Senhor nos fortaleça na fé,

e nos faça crescer na caridade,

oremos, irmãos.

 

Deus todo-poderoso e eterno,

atendei, cheio de bondade , aqueles que Vos suplicam.

Nós Vos pedimos, confiados nas Vossas promessas,

a conversão de todos os pecadores.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,

que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Tomai, Senhor, e recebei, J. Santos, NRMS 70

 

Oração sobre as oblatas: Aceitai benignamente, Senhor, os dons que Vós mesmo concedestes à vossa Igreja e transformai-os, com o vosso poder, em sacramento da nossa salvação. Por Nosso Senhor...

 

Santo: J. Santos, NRMS 6 (II)

 

Monição da Comunhão

 

A comunhão do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, imolado por nós e ressuscitado para nossa salvação, e elevado para a glória do Pai, é penhor de glória futura. Ele promete-nos a participação na sua própria Ressurreição e glória celeste, no Reino de Seu Pai, se participarmos também na sua Paixão, levando com amor a nossa cruz de todos os dias.

 Comunguemos, pois, com fé, devoção e amor, o Pão vivo descido do Céu.

 

Cântico da Comunhão: Senhor, eu creio que sois Cristo, F. da Silva, NRMS 67

Sl 147,12.14

Antífona da comunhão: Louva, Jerusalém, o Senhor, que te saciou com a flor da farinha.

 

Cântico de acção de graças: Pelo Pão do Teu amor, H. Faria, NRMS 2 (II)

 

Oração depois da comunhão: Nós Vos pedimos, Senhor, que a comunhão do vosso sacramento nos salve e nos confirme na luz da vossa verdade. Por Nosso Senhor...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

A nossa existência cristã, configurada pela Palavra de Deus e pelos Sacramentos, comporta uma relação pessoal com Cristo e um caminhar unidos a Ele, através de uma vida de fé e de amor. Com a graça do Senhor, a intercessão de Nossa Senhora e as nossas boas obras ajudemos todos os homens a entrar por caminhos da fé em Cristo, de modo que venham um dia a ser felizes no Reino da eterna glória.

 

Cântico final: Vamos levar aos homens, M. Carneiro, NRMS 107

 

 

Homilias Feriais

 

19ª SEMANA

 

2ª Feira, 12-VIII: Manifestações do amor de Deus.

Dt 10, 12-22 / Mt  17, 22-27

Mas foi só aos teus antepassados que Ele dedicou o seu amor; depois deles, escolheu-vos a vós de preferência a todos os povos.

«Israel pôde descobrir que Deus só tinha uma razão para se lhe ter revelado e o ter escolhido de entre todos os povos, para ser o seu povo: o seu amor gratuito (Leit)» (CIC, 218).

É também por amor que Jesus entrega a sua vida, mas «Pedro rejeita este anúncio e os outros também não entendem (Ev)» (CIC, 554). «Na Eucaristia Jesus não dá 'alguma coisa', mas dá-se a si mesmo: entrega o seu corpo e derrama o seu sangue. Deste modo dá a totalidade da sua própria vida, manifestando a fonte originária deste amor: Ele é o Filho eterno que o Pai entregou por nós» (SC, n.7)

 

3ª Feira, 13-VIII: Deus não nos deixa sós.

Dt 31, 1-8 / Mt 18, 1-5. 10. 12-14

Assim não é da vontade de meu Pai, que está nos Céus, que se perca um único sequer destes pequeninos.

«É vontade do nosso Pai que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. Ele usa de paciência, não querendo que ninguém se perca (Ev) » (CIC, 2822).

Como não quer que nenhum de nós se perca, nunca nos deixará sós: «O Senhor avançará na tua frente e estará contigo; não te deixará só, nem te abandonará» (Leit). O Emanuel (= o Deus connosco) permanece no Sacrário para nos acompanhar e ali espera a nossa companhia: física, quando é possível; ou espiritual, indo com o pensamento até lá durante as horas de trabalho ou de atenção da família.

 

4ª Feira, 14-VIII: Modos de presença de Cristo.

Dt 34, 1-12 / Mt 18, 15-20

Nunca mais apareceu em Israel um profeta semelhante a Moisés, que o Senhor conheceu face a face.

O Senhor esteve sempre presente na vida de Moisés, nos momentos de oração, nas intervenções para salvar o seu povo, etc. (Leit).

Precisamos convencer-nos de que Cristo está presente, vive e actua na Igreja. Com os olhos da fé, somos capazes de ver a presença misteriosa de Jesus nos diversos sinais que nos deixou. Está presente, antes mais, na Sagrada Escritura; e sob as espécies eucarísticas e outras acções litúrgicas da Igreja. E verdadeiramente presente no mundo de outros modos, especialmente nos seus discípulos (Ev) (CIC, 1088).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         Alfredo Melo

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial