Transfiguração do Senhor

6 de Agosto de 2013

 

Festa

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Resplandeça sobre nós, S. Marques, NRMS 102

cf. Mt 17, 5

Antífona de entrada: O Espírito Santo apareceu numa nuvem luminosa e ouviu-se a voz do Pai: Este é o meu Filho muito amado, no qual pus as minhas complacências. Escutai-O.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A festa da Transfiguração do Senhor, que hoje celebramos, convida-nos a projectar o nosso olhar mais para o alto e não tanto a fixarmo-nos morbidamente nas dificuldades terrenas que nos assolam.

Por tal motivo, a realidade quotidiana da nossa vida deve sofrer também uma transfiguração, para conseguirmos ser sinal credível de uma Igreja que deve ser sacramento vivo do Reino de Deus, esperança da humanidade.

E, porque o nosso testemunho nem sempre tem apresentado esta característica peculiar a um autêntico cristão, peçamos perdão ao Senhor.

 

Oração colecta: Deus eterno e omnipotente, que na gloriosa transfiguração do vosso Filho Unigénito confirmastes os mistérios da fé com o testemunho da Lei e dos Profetas e de modo admirável anunciastes a adopção filial perfeita, fazei que, escutando a palavra do vosso amado Filho, mereçamos participar na sua glória. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Nesta leitura um Ancião, que é o próprio Deus, premonitoriamente confere autoridade especial a um «Filho do Homem», Jesus, a quem é «entregue o poder, a honra e a realeza», a fim de ser eternamente servido por todas as nações.

 

Daniel 7, 9-10.13-14

9Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura. O seu trono eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo. 10Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele. Milhares de milhares o serviam e miríades de miríades o assistiam. O tribunal abriu a sessão e os livros foram abertos. 13Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. 14Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, que nunca passará, e o seu reino jamais será destruído.

 

A leitura é tirada da 2ª parte do livro de Daniel, a parte profética (7 – 12). Temos aqui a descrição, em estilo apocalíptico, do julgamento divino, com três quadros: a apresentação do Juiz, Deus, (vv. 9-10); a destruição do reino inimigo (vv. 11-12, omitidos nesta leitura); e o estabelecimento do reino de Deus (vv. 13-14).

9-10 «Um Ancião» (à letra, «o Antigo em dias»): é uma forma antropomórfica de falar de Deus eterno (cf. 36, 26; Salm 101[102], 25-26; Is 41, 4). A alvura dos cabelos não significa velhice, mas glória e luminosidade. As torrentes de fogo que saem do trono podem simbolizar o poder divino para destruir os seus inimigos (v. 11; cf. Is 26, 11). Dado o estilo apocalíptico desta passagem, não se pode partir deste texto para fazer um cálculo, ainda que meramente aproximado, do número dos Anjos: «miríades de miríades» (=10.000 vezes 10.000) é um superlativo hebraico para indicar um número incontável (nós diríamos, «aos milhões», mas este numeral não existe em hebraico nem em grego).

13 Alguém semelhante a um filho de homem. Os exegetas, partindo da análise do contexto (vv. 18.22-27), dizem que o sentido literal directo desta expressão visa não um indivíduo singular, mas o povo dos «santos do Altíssimo» (v. 18). Contudo, como sucede frequentemente, o que é dito em geral acerca de todo o povo entende-se, de um modo eminente (sentido eminente), como referido a uma personagem singular, nomeadamente o chefe do povo, neste caso o próprio Messias. O judaísmo assim o entendeu, e o próprio Jesus (cf. Mt 24, 30; 26, 64); discute-se, porém, se «Filho do Homem» é um verdadeiro título cristológico (assim parece em Lc 1, 32-33; Mt 8, 20; 24, 30; 26, 64; Apoc 1, 7; 14, 14) ou uma maneira discreta de Jesus se referir a si mesmo (uma figura chamada asteísmo: o filho do homem equivalendo a este homem); uma coisa, porém, é certa: este não era um título com que Jesus fosse tratado nem pelo povo da Palestina, nem pela Igreja primitiva. Os que o entendem como um título cristológico sublinham o seu carácter simultaneamente humilde e glorioso, humano e divino (a propósito, veja-se o belo e profundo comentário teológico de Bento XVI, em Jesus de Nazaré, capítulo X).

 

Salmo Responsorial    Sl 96 (97), 1-2.5-6.9 e 12 (R. 1a.9a)

 

Monição: Com a recitação deste salmo alegramo-nos e enaltecemos as intervenções de Deus na história, pois elas abrem-nos horizontes de esperança.

 

Refrão:        O Senhor é rei,

                     o Altíssimo sobre toda a terra.

 

O Senhor é rei: exulte a terra,

rejubile a multidão das ilhas.

Ao seu redor, nuvens e trevas

a justiça e o direito são a base do seu trono.

 

Derretem-se os montes como cera

diante do senhor de toda a terra.

Os céus proclamam a sua justiça

e todos os povos contemplam a sua glória.

 

Vós, Senhor, sois o Altíssimo sobre toda a terra,

estais acima de todos os deuses.

Alegrai-vos, ó justos, no Senhor

e louvai o seu nome santo.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Os Apóstolos, testemunhas presenciais, sempre transmitiam aos seus ouvintes acontecimentos sobre a vinda gloriosa de Jesus Cristo. Não difundiam meras teorias inventadas, como faziam os falsos mestres da época.

 

2 São Pedro 1, 16-19

Caríssimos: 16Não foi seguindo fábulas ilusórias que vos fizemos conhecer o poder e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas por termos sido testemunhas oculares da sua majestade. 17Porque Ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da sublime glória de Deus veio esta voz: «Este é o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha complacência». 18Nós ouvimos esta voz vinda do céu, quando estávamos com Ele no monte santo. 19Assim temos bem confirmada a palavra dos Profetas, à qual fazeis bem em prestar atenção, como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que desponte o dia e nasça em vossos corações a estrela da manhã.

 

Neste trecho é aduzido como argumento de credibilidade a favor do anúncio da «vinda» gloriosa (parusia) de Jesus o facto de Pedro ter sido testemunha (com outros dois Apóstolos: cf. Mt 17, 1-18 par) da sua glória divina, que brilhou sobrenaturalmente quando os três estavam com Ele «no monte santo». A parusia era negada pelos trocistas visados na carta, mais adiante (cf. 3, 3-4). O texto não perde a sua força, mesmo que ele tenha sido redigido, depois da morte do Príncipe dos Apóstolos, por algum seu discípulo e continuador, como hoje pensam muitos estudiosos.

Com a Transfiguração, «ficou bem confirmada a palavra dos Profetas», que anunciaram a vinda gloriosa do Messias no fim dos tempos: a Transfiguração foi uma visão antecipada da glória da parusia. Essa palavra da Sagrada Escritura, a que devemos prestar atenção, funciona como uma luz que «brilha como uma lâmpada em lugar escuro» (v. 19), «para aqueles que esperam a luz final, a ‘estrela da manhã’ (cf. Apoc 2, 28) a surgir com a parusia de Cristo (cf. 1 Tes 5, 4)» (The New Jerome Biblical Commentary, p. 1019). Em Apoc 22, 16, Jesus é «a brilhante estrela da manhã», pela qual a comunidade orante dos fiéis clama com insistência: «vem!» (Apoc 22, 17.20).

 

Aclamação ao Evangelho        Mt 17, 5c

 

Monição: Jesus é a única autoridade, como demonstra a voz de Deus ouvida pelos Apóstolos. Quem escuta o convite de Deus e segue Jesus até ao fim, desde já começa a participar na Sua vitória final.

Por tal motivo, aclamamos: aleluia!

 

Aleluia

 

Cântico: Aclamação ao Evangelho-1, F. Silva, NRMS 50-51

 

Este é o meu Filho muito amado,

no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 9, 28b-36

 

Naquele tempo, 28bJesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte, para orar. 29Enquanto orava, alterou-se o aspecto do seu rosto e as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente. 30Dois homens falavam com Ele: eram Moisés e Elias, 31que, tendo aparecido em glória, falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém. 32Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. 33Quando estes se iam afastando, Pedro disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Não sabia o que estava a dizer. 34Enquanto assim falava, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e eles ficaram cheios de medo, ao entrarem na nuvem. 35Da nuvem saiu uma voz, que dizia: «Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O». 36Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou sozinho. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto.

 

Antes de mais, convém notar, na narrativa lucana da Transfiguração, um pormenor cronológico omitido na leitura litúrgica, mas nada despiciendo: «cerca de oito dias depois», em vez do habitual «naquele tempo», que preferiram adoptar. Com efeito, em todos os três Sinópti­cos, não é sem razão que se estabelece uma das raras ligações cronológicas entre este relato e o relato da confissão de fé de Pedro e do 1º anúncio da Paixão e Morte de Jesus. É uma ligação de grande alcance teológico: por um lado, a fé de Pedro é confirmada e ilustrada de forma singular com a glória divina que Jesus manifesta na sua Transfiguração; por outro, indica-se que a Cruz é o caminho da glória, como para Jesus, assim como para os seus discípulos (per crucem ad lucem).

28 «Subiu ao monte para orar». O monte Tabor (562 m), na Galileia, uns 10 Km a Leste de Nazaré, segundo a tradição, ou, segundo muitos hoje pensam baseados em Mt 17, 1 e Mc 9, 2 que falam de «um monte elevado», o monte Hermon, sobranceiro a Cesareia de Filipe, no maciço central da Síria (o Anti-líbano) com 2.759 metros, a região por onde Jesus então andava (cf. Mc 8, 27; 9, 1). Mas, acima das considerações topográficas, o mais interessante é fixarmo-nos com J. Ratzinger/Bento XVI no «simbolismo geral do monte: o monte como lugar da subida, não apenas da subida exterior, mas também da ascese interior; o monte como um libertar-se do peso da vida diária, como um respirar no ar puro da criação; o monte que oferece o panorama da criação em toda a sua vastidão e beleza; o monte que me dá elevação interior e me permite intuir o Criador. A estas considerações, a história acrescenta a experiência de Deus que fala e a experiência da paixão como seu ponto culminante no sacrifício de Isaac, no sacrifício do Cordeiro definitivo sacrificado no monte Calvário» (Jesus de Nazaré, p. 383-4)

S. Lucas é o único a notar que Jesus subiu ali para fazer oração; também não diz que se transfigurou, mas que «se alterou o aspecto do seu rosto…», certamente com a preocupação de que os seus primeiros leitores de ambientes greco-romanos não pensassem que se tratava de alguma metamorfose própria das religiões mistéricas. E a Transfiguração de Jesus não deixa de apontar para a nossa própria transfiguração pela graça do Espírito do Senhor, como diz S. Paulo em 2 Cor 3, 18: «todos nós…, que reflectimos como num espelho a glória do Senhor vamos sendo transformados na sua própria imagem, cada vez mais gloriosa…».

31 «Falavam da morte d’Ele». Também só o 3.° Evangelho diz o assunto da conversa de Jesus com Moisés e Elias. Falavam da «saída» de Jesus, como se expressa o original grego, que a nossa tradução interpretou como «a morte», mas que também se poderia referir à Ascensão (menos provável); de qualquer modo, o uso do termo grego êxodo pode aludir ao carácter libertador da morte de Jesus, numa alusão à libertação da escravidão do Egipto.

32-33 «Estavam a cair de sono; mas, despertando...» Este pormenor exclusivo de Lucas pressupõe que a Transfiguração se deu de noite, enquanto Jesus fazia oração, pois gostava de orar de noite (cf. Lc 6, 12; Mc 6, 46). A proposta de Pedro de construir «três tendas» (de ramos), tem na devida conta a diferente dignidade de cada um e pretende prolongar aquele êxtase feliz.

35 «Este é o meu Filho, o meu Eleito». A Transfiguração é um confirmar da fé daquele núcleo duro dos Doze, as «colunas» do Colégio Apostólico; o próprio Pai apresenta Jesus como o seu Filho. S. Lucas, em vez de «o Amado» (cf. Mt 17, 5; Mc 9, 7), diz: «o meu Eleito», que é mais uma forma (e mais clara) de O designar como o Messias (cf. Lc 23, 35; Is 42, 1). Comenta S. Tomás de Aquino: «Apareceu toda a Trindade, o Pai na voz, o Filho no homem, o Espírito na nuvem luminosa» (Sum. Th. 3, 45, 4, ad 2).

36 «Guardaram silêncio», por ordem de Jesus (Mc 9, 9-10) que pretende, a todo o custo, evitar a agitação popular à sua volta.

 

Sugestões para a homilia

 

A subida de Jesus ao monte

O sono dos discípulos

O silêncio dos discípulos

 

A subida de Jesus ao monte

 

Jesus sobe ao monte «para orar», segundo a narração do Evangelho de S. Lucas, pois sempre dedicava muito tempo à oração. Neste momento espiritualmente muito intenso, reconhece que é chamado a salvar os homens não pelo triunfo, mas através de um caminho totalmente contrário: a derrota.

Este evangelista, mais ou menos a meio do seu Evangelho, começa a destacar os primeiros sinais do malogro da missão de Jesus: as multidões antes tão apaixonadas, começam a abandoná-lo, aparece alguém que o toma por um exagerado e perturbador e os seus inimigos planeiam a melhor maneira de O suprimir.

Opostamente aos outros evangelistas, Lucas omite a palavra transfiguração, mas fala em «alteração do aspecto». Esta refulgência do seu rosto é o sinal da glória que abrange quem está unido a Deus. Assim aconteceu com Moisés que apresentava o rosto refulgente sempre que se encontrava com Deus.

Na verdade, o efectivo encontro com Deus deixa algum sinal evidente no rosto do homem.

A iluminação do rosto de Jesus indica que, durante a oração, Ele percebeu o desígnio do Pai e o torna seu: a sua oblação não iria terminar com a derrota, mas com a ressurreição. Moisés e Elias falavam do êxodo de Jesus, da sua passagem para o Pai. E os discípulos que subiram com Jesus ao monte, quando atingiram o que estava a suceder?

 

O sono dos discípulos

 

Notamos curiosamente que quando se fala de dificuldades referentes à morte de Jesus, estes três discípulos são sempre colhidos com sono. O mesmo aconteceu no Horto das Oliveiras. Parece que nas circunstâncias decisivas eles têm sempre os olhos pesados.

O sono dos discípulos, apenas referido em S. Lucas, tem um sentido figurativo: aponta para a falta do alcance do que está a suceder com Jesus. Quando Ele fazia milagres e as multidões o aplaudiam eles estavam bem acordados; no momento em que começa a anunciar a doação da vida, o serviço aos mais pobres, em ocupar o último lugar, eles não querem atingir e, vagarosamente, fecham os olhos e começam a dormir... assim podem continuar a imaginar elogios e sucessos.

Não é muito fácil acreditar no anúncio de Jesus e admitir a sua proposta de vida. Fiar-se n’Ele é muito perigoso pois embora prometa uma glória futura, aquilo que os homens experimentam no aqui e agora da vida é a abdicação, o dom gratuito de si. A promessa da semente deitada à terra vir a produzir muito fruto não se vê, mas apenas a morte, o que desagrada à nossa maneira de pensar. Então, quando pode ser compreendida esta «sabedoria de Deus» tão contrária à nossa lógica?

Lucas coloca a transfiguração oito dias depois de Jesus ter feito o anúncio da sua paixão e morte. E porquê oito dias? O evangelista explica-a com o silêncio dos discípulos.

 

O silêncio dos discípulos

 

«Os discípulos guardaram silêncio...». Eles não podiam falar daquilo que não tinham entendido: a partida de Jesus ainda não tinha acontecido. Somente após a ressurreição de Jesus, provam pela fé que o seu «êxodo» não se completou com a sua morte e ouvem novamente a voz do céu que lhes dirige o convite: «Escutai-O!».

O oitavo dia corresponde ao domingo em que os discípulos se encontram para celebrar a Eucaristia. Em que sobem ao monte e vêem o rosto de Jesus transfigurado, isto é, ressuscitado. E é aqui que ganham força para começar a sua missão de anunciar o Mestre ressuscitado.

Também nós, ao escutarmos a Palavra de Deus, ao participarmos na celebração Eucarística, quando sairmos das nossas liturgias, poderemos anunciar a todos aquilo que a fé nos levou a desvendar: quem dá a sua vida por amor entra na glória de Deus

Assim o Senhor nos ajude a, coerentemente, proceder.

 

 

Oração Universal

 

Irmãos e irmãs:

ao celebrarmos a festa da Transfiguração do Senhor,

saibamos escutar Jesus para anunciar a sua glória.

dizendo (cantando), com alegria

 

Senhor, ajudai-nos a escutar Jesus.

 

1.     Pelo Santo Padre, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

para que saibam escutar Jesus,

a fim de serem testemunho da glória de Cristo

que ilumina toda a humanidade,

oremos irmãos.

 

2.     Pelos governantes das nações,

para que não se deixem adormecer na sua missão,

e procurarem minorar os obstáculos que se lhes deparam

na melhoria das condições dos mais necessitados,

oremos, irmãos.

 

3.     Por todos nós os baptizados,

para que consigamos escutar Jesus,

a fim de  não adormecermos perante as dificuldades ou desaires,

mas nos transfigurarmos interiormente em louvor e esperança,

oremos, irmãos.

 

4.     Para que O procuremos na oração,

na Palavra e no Pão eucarístico,

onde Jesus se nos manifesta e nos transfigura,

a fim de O sabermos louvar e adorar,

oremos, irmãos.

 

5.     Por todos os homens, nossos irmãos,

para que Jesus os ajude a acolher com esperança renovada

as dificuldades encontradas nas horas negras da vida,

oremos, irmãos.

 

6.     Pelos doentes e todos os que sofrem

para que a escuta de Cristo os leve a sentirem-se mais fortes,

oremos, irmãos.

 

Ouvi, Senhor, as nossas preces

e dignai-vos atender os nossos pedidos,

para que nos transfiguremos interiormente

e consigamos mostrar aos homens a verdadeira luz.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo,

vosso Filho, que é Deus convosco,

na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Queremos ver transformados, Az. Oliveira, NRMS 17

 

Oração sobre as oblatas: Santificai, Senhor, estes dons pelo Mistério da Transfiguração do vosso Filho e com o esplendor da sua glória purificai-nos das manchas do pecado. Por Nosso Senhor...

 

Prefácio

 

O Mistério da Transfiguração

 

V. O Senhor esteja convosco.

R. Ele está no meio de nós.

 

V. Corações ao alto.

R. O nosso coração está em Deus.

 

V. Demos graças ao Senhor nosso Deus.

R. É nosso dever, é nossa salvação.

 

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor. Na presença de testemunhas escolhidas, Ele manifestou a sua glória e na sua humanidade, em tudo semelhante à nossa, fez resplandecer a luz da sua divindade para tirar do coração dos discípulos o escândalo da cruz e mostrar que devia realizar-se no corpo da Igreja o que de modo admirável resplandecia na sua cabeça. Por isso exulta a Igreja em toda a terra e com os Anjos e os Santos proclama a vossa glória, cantando numa só voz:

 

Santo: «Da Missa de Festa», Az. Oliveira, NRMS 50-51

 

Monição da Comunhão

 

Ao participarmos da comunhão do Corpo de Nosso Senhor Jesus sejamos iluminados pela Sua luz, a fim de nos transfigurarmos interiormente para vivermos melhor a nossa vida de fé.

 

Cântico da Comunhão: Em Vós Senhor está a fonte da vida, Az. Oliveira, NRMS 67

cf. 1 Jo 3, 2

Antífona da comunhão: Quando Cristo Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.

 

Cântico de acção de graças: Senhor, Vós sois grande, M. Simões, NRMS 48

 

Oração depois da comunhão: O alimento celeste que recebemos, Senhor, nos transforme em imagem de Cristo, que no mistério da transfiguração manifestastes cheio de esplendor e de glória. Ele que é Deus conVosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Depois de termos participado nesta festa da Transfiguração do Senhor, partamos para a vida conscientes de que temos por missão anunciar e viver a esperança e a luz de Cristo, sabendo-O descobrir por detrás de todos os acontecimentos, dificuldades, contratempos e incompreensões.

 

Cântico final: Glória a Jesus Cristo, Az. Oliveira, NRMS 92

 

 

Homilias Feriais

 

4ª Feira, 7-VIII: O poder da oração feita com fé.

Num 13, 1-2. 25-14, 1- 26-29 / Mt 5, 21-28

Jesus: Mulher, é grande a tua fé. Terás aquilo que desejas.

Os exploradores enviados à terra de Canaã (Leit) parecem encontrar inúmeros obstáculos e o povo recusa-se a entrar nela. Pelo contrário, a mulher cananeia (Ev), apesar de uma primeira resposta negativa de Jesus, continua a pedir a cura de sua filha. Os primeiros foram impedidos por Deus de entrar na terra prometida; enquanto que a cananeia conseguiu um milagre do Senhor.

A mulher cananeia deu-nos um grande exemplo de humildade, de uma enorme fé e uma constância sem limites. A nossa oração há-de ser assim cheia de fé: «Jesus encheu-se de admiração perante a grande fé da cananeia» (CIC, 2610).

 

5ª Feira, 8-VII: Os poderes de Moisés e de Pedro.

Num 20, 1-13 / Mt 16, 13-23

Farás que a água lhes nasça do rochedo e darás de beber à comunidade e aos seus gados.

De acordo com o mandato do Senhor, Moisés bateu duas vezes com a vara no rochedo e saiu água em abundância (Leit). Esta água é uma prefigura da «Água viva, que brota do lado de Cristo crucificado, como da sua fonte e jorra em nós para a vida eterna» (CIC, 694).

Jesus comunica igualmente a Pedro um grande poder: «Jesus confiou a Pedro uma autoridade específica: ´Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus' (Ev). O ‘poder das chaves' designa a autoridade para governar a Casa de Deus, que é a Igreja» (CIC; 553). Neste Ano da Fé sejamos muito dóceis a todos os ensinamentos do Santo Padre.

 

6ª Feira, 9-VII: S. Teresa Benedita da Cruz: O heroísmo de cada dia.

Os 16, 21-22 / Mt , 1-13

À meia-noite ouviu-se um brado: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro.

Celebramos a festa de S. Teresa Benedita da Cruz, uma das três Padroeiras da Europa, nomeada por João Paulo II. Ao longo da sua vida foi preparando o encontro com Cristo, enchendo com azeite, i.e., a graça de Deus, a lâmpada sua vida (Ev), que culminou no martírio.

A Europa precisa actualmente do testemunho de cada um dos seus filhos. Há uma maneira desleixada, aburguesada de percorrer os caminhos de Deus (o das virgens insensatas), e uma maneira heróica (o das virgens prudentes), que consiste em viver com fidelidade as pequenas coisas de cada dia, realizadas com muito amor a Deus e ao próximo.

 

Sábado, 10-VIII: S. Lourenço: Sangue de mártires, semente dos cristãos.

2 Cor 9, 6-10 / Jo 12, 24-26

Se o grão de trigo cair na terra e não morrer, fica só ele, mas, se morrer, dá muito fruto.

S. Lourenço, diácono do Papa Sisto II, sofreu o martírio poucos dias depois do deste Papa, durante a perseguição de Valeriano.

Graças ao seu martírio e ao de tantos outros, nos primeiros séculos, a Igreja foi-se expandindo pelo mundo inteiro: «o sangue dos mártires é semente dos cristãos» ou «quem semeia com largueza também colherá com largueza» (Leit). Participemos também nesta sementeira, oferecendo as contrariedades de cada dia, os sacrifícios, para superar os obstáculos. São pequenas coisas, mas é o nosso «grão de trigo» (Ev), que dará muito fruto.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António E. Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                  Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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