aCONTECIMENTOS eclesiais

DO PAÍS

 

 

PORTO

 

SÍLVIA CARDOSO

A CAMINHO DOS ALTARES

 

O Papa Francisco aprovou a publicação do decreto que reconhece as “virtudes heróicas” da portuguesa Sílvia Cardoso Ferreira da Silva (1882-1950), que se distinguiu em actividades de carácter social, anunciou a Santa Sé no passado dia 28 de Março.

 

Esta é uma etapa do processo que leva à proclamação de um fiel católico como beato, e permite que, após o reconhecimento de um milagre atribuído à sua intercessão, tenha lugar a beatificação.

Sílvia Cardoso, mais conhecida por “Dona Sílvia”, nasceu em 26 de Julho de 1882, em Paços de Ferreira, diocese do Porto, e após uma formação católica, dinamizou várias instituições, incluindo a Sopa dos Pobres (Penafiel), com prioridade à educação de crianças pobres e aos doentes, em várias regiões do país.

Amiga de Guerra Junqueiro e Leonardo Coimbra, deixou escritos espirituais e empenhou-se, durante a sua vida, em promover casas de retiros como espaços de formação católica.

Sílvia Cardoso faleceu em 2 de Novembro de 1950, em Paços de Ferreira, cidade onde se ergue uma estátua em sua homenagem que foi inaugurada pelo então cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira.

O processo de beatificação e canonização está em curso desde 6 de Junho de 1984, tendo dado entrada na Congregação para as Causas dos Santos em 1992.

O padre Ângelo Alves, vice-postulador da causa, explica que Sílvia Cardoso passa a ter o título de “Venerável”, um reconhecimento da sua fama de santidade e da veneração de muitos fiéis cristãos que a conheceram ou ouviram falar dela.

 

 

BRAGANÇA

 

BISPO REFLECTIU SOBRE

A CELEBRAÇÂO LITÚRGICA

 

O bispo de Bragança-Miranda disse na Quinta-Feira Santa, dia 28 de Março, na catedral da diocese que os padres são chamados a “servir” a Igreja “a tempo inteiro”.

 

“Presidir em nome de Cristo e em nome da Igreja significa servir. Bem sabemos que cresce o peso do nosso ministério pela diminuição do número dos presbíteros, pelo desgaste dos anos e do trabalho, mas não vos canseis de servir de todo o coração e a tempo inteiro o povo de Deus que vos é confiado”, afirmou D. José Cordeiro na homilia da missa crismal, que iniciava as celebrações da Quinta-feira Santa.

Perante o clero diocesano, o bispo apelou à “comunhão” entre os padres, com “caridade fraterna”.

D. José Cordeiro, consultor da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, apresentou também uma reflexão sobre “a arte de rezar e de celebrar” nas celebrações litúrgicas.

“A simplicidade dos gestos e a sobriedade dos sinais, situados na ordem e nos momentos previstos, comunicam e cativam mais do que o artificialismo de adições inoportunas”, observou.

Segundo o bispo liturgista, é importante que haja “respeito pelos livros litúrgicos e pela riqueza dos sinais e a atenção a todas as formas de linguagem previstas pela liturgia”.

“Com efeito, a liturgia, por sua natureza, possui uma tal variedade de níveis de comunicação que lhe permitem cativar o ser humano na sua totalidade”, sustentou D. José Cordeiro.

O prelado falou num “novo modelo” que “conduziu toda a Igreja a passar do assistir ao participar e depois do participar ao celebrar”.

“A liturgia é vivida como a primeira e fundamental escola da fé e experiência de oração?”, questionou.

D. José Cordeiro defendeu, por outro lado, que se inclua “entre as disciplinas importantes” na formação dos seminaristas e dos sacerdotes “a História da Arte (arte sacra e bens culturais) com especial referência aos edifícios de culto à luz das normas litúrgicas”.

 

 

BRAGANÇA

 

FÉ E MISERICÓRDIA

EM SANTA FAUSTINA

 

A acentuação da misericórdia de Deus é um dos traços da espiritualidade que une o Papa Francisco, João Paulo II e Santa Faustina, religiosa polaca que viveu entre 1905 e 1938.

 

“A relação do Papa Francisco com as pessoas que aos olhos da sociedade nada valem é uma atitude de misericórdia para com elas”, afirmou no passado dia 4 de Abril o padre Basileu Pires, responsável pela 16.ª Semana de Espiritualidade que decorreu até ao dia 7 no Convento de Balsamão, em Macedo de Cavaleiros.

A iniciativa, dedicada ao tema Fé e Misericórdia no Diário de Santa Faustina, era composta por cinco conferências, entre as quais a do bispo de Coimbra e presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios, D. Virgílio Antunes.

O padre Basileu sustentou que “o Santo Padre quer levar por diante o programa de São Francisco de Assis, assente numa relação fraterna” e vincou que “o mundo de hoje precisa muito do amor gratuito que se inclina sobre o outro com carinho e ternura”.

A divulgação da compaixão de Deus pelo ser humano constitui para o sacerdote uma das principais vertentes da misericórdia divina enunciadas nos textos da religiosa polaca que inspiram a Semana de estudos.

“Jesus disse a Santa Faustina para falar da sua bondade infinita a todos, particularmente aos pecadores, para que ninguém tenha medo de se aproximar dele”, assinalou.

“Suscitar nas pessoas a confiança na misericórdia” e ser agente do perdão na vida quotidiana, porque “quem experimenta o amor de Deus sente a necessidade imperiosa de ser misericordioso com os outros”, completam as intuições que o sacerdote considera mais importantes em Santa Faustina.

A Irmã Helena Kowalska, conhecida como Santa Faustina, nasceu em Glogowiec e morreu em Cracóvia.

Ao longo da vida teve várias visões e diálogos com Cristo, parcialmente relatadas no livro Diário – A Misericórdia Divina na minha Alma.

O processo de beatificação da religiosa começou por iniciativa do então arcebispo de Cracóvia, Karol Wojtyla, que também a canonizou no dia 30 de Abril de 2000, já como Papa João Paulo II.

No mesmo ano o Papa polaco determinou que o primeiro domingo a seguir à Páscoa, o segundo do Tempo Pascal, se passasse a denominar da Divina Misericórdia, no seguimento das indicações recolhidas no Diário.

O terço da Divina Misericórdia e a hora da Misericórdia, 15h00, quando, de acordo com a Bíblia, ocorreu a morte de Jesus na cruz, constituem devoções da espiritualidade da compaixão divulgada por Santa Faustina.

João Paulo II morreu na noite de 2 de Abril de 2005, sábado, véspera do domingo da Divina Misericórdia, quando a liturgia da Igreja já tinha iniciado a celebração da festa.

O lema constante no brasão do Papa Francisco, idêntico ao que usou enquanto cardeal e arcebispo de Buenos Aires, é “miserando atque eligendo”, frase que evoca um excerto do Evangelho segundo São Mateus: “olhou-o com misericórdia e escolheu-o”.

O Convento de Balsamão, situado na Diocese de Bragança-Miranda, pertence à comunidade dos Marianos da Imaculada Conceição.

 

 

LISBOA

 

FREI VÍTOR MELÍCIAS

REELEITO MINISTRO PROVINCIAL

 

Os franciscanos da Província Portuguesa da Ordem Franciscana, reunidos em assembleia capitular, reelegeram como Ministro Provincial, para o triénio 2013-2016, Frei Vítor Melícias Lopes, que entra no terceiro mandato consecutivo.

 

A votação contou com a participação dos cerca de 50 irmãos da Ordem dos Frades Menores (O.F.M.), reunidos desde 1 de Abril no Convento de São Boaventura, em Montariol, Braga, para o Capítulo Provincial, que terminou no dia 6.

Frei Vítor Melícias Lopes nasceu em Ramalhal, Torres Vedras, em 1938, tomou o hábito em 1954, professou de votos temporários em 1955 e de votos solenes em 1959, sendo ordenado sacerdote em 1962.

Concluiu, a seguir, o curso de Filosofia/Teologia do Seminário Franciscano (1962), a licenciatura em Direito Canónico como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian na Universidade “Antonianum” de Roma (1965) e a licenciatura em Direito na Universidade Clássica de Lisboa (1973).

No âmbito da Ordem dos Frades Menores, foi eleito Definidor da Província de Portugal no Capítulo de 1981 e reeleito no de 1984 por mais um triénio. O Capítulo de 2007 elegeu-o Ministro Provincial; a União dos Frades Menores da Europa (UFME), reunida em Sarajevo (Bósnia), elegeu-o seu Presidente por um biénio em 2007.

Na mesma sessão foi eleito o Vigário Provincial, que auxilia o Ministro Provincial no desempenho do seu múnus e o substitui quando estiver ausente ou impedido e, se o ofício vagar, até à eleição de novo Ministro Provincial.

A seguir, a assembleia capitular elegeu cinco membros do Definitório Provincial (Conselheiros), o qual tem por funções prestar ajuda ao Ministro Provincial dando conselho ou consentimento.

A Ordem dos Frades Menores, fundada por São Francisco de Assis (c. 1181-1226), foi restaurada em Portugal a 18 de Outubro de 1891, tendo então adoptado por patronos os Santos Mártires de Marrocos.  

A Província Portuguesa da Ordem Franciscana tem 126 membros, a residirem em 15 fraternidades, e conta com missionários na Guiné-Bissau, Cabo Verde e África do Sul.

 

 

LISBOA

 

ACTUALIDADE DO

PADRE ANTÓNIO VIEIRA

 

O ministro da Educação, Nuno Crato, afirmou que o padre António Vieira é um autor que consegue transmitir com simplicidade e franqueza “conceitos difíceis” e que todos podem aprender com o jesuíta português.

 

O membro do Governo esteve presente na sessão de lançamento das Obras Completas do Padre António Vieira, que decorreu no passado dia 5 de Abril, onde verificou a actualidade da obra do “imperador da língua portuguesa”.

“Um dos aspectos que eu mais admiro é a simplicidade com que ele consegue transmitir conceitos difíceis. Era um homem que falava para o povo mas também falava para os eruditos”, referiu Nuno Crato.

Questionado sobre a pertinência das mensagens do escritor português para os políticos da actualidade, o ministro da Educação disse que todas as pessoas podem aprender com o sacerdote jesuíta.

“Sempre achei que a simplicidade é uma virtude e a franqueza é outra virtude e todos temos a aprender com o padre António Vieira”, declarou.

Pedro Calafate, um dos coordenadores deste projecto, recordou que Vieira não defendia um “império de grandeza”, mas um “império de justiça” com uma “componente política e espiritual” relevante.

O professor de História, catedrático da Universidade de Lisboa, afirmou que o padre António Vieira dá um grande contributo à dignificação da política, porque a sustenta na ética.

Em Vieira, “aproximou-se a paz da justiça, mas quem chegou primeiro foi a justiça e deu o abraço mais forte”, disse Pedro Calafate.

A publicação das Obras Completas do Padre António Vieira é uma das fases do projecto «Vieira Global», promovido pela Universidade de Lisboa em articulação com outras instituições académicas e culturais de Portugal e do Brasil.

A edição da colecção, em 30 volumes, é do Circulo de Leitores, com direcção dos historiadores José Eduardo Franco e Pedro Calafate e o apoio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

O padre António Vieira, jesuíta, nasceu em Lisboa, em 1608, e faleceu no Brasil, em 1697, na Baía, após uma vida repleta de viagens entre um país e o outro e intervenções nos mais diversos aspectos da sociedade civil, económica, religiosa, política e cultural da época.

 

 

LISBOA

 

IGREJA E GUBENKIAN

EM DEFESA DO PATRIMÓNIO

 

A Igreja Católica vai iniciar uma “nova dinâmica na área do inventário” do seu património, “fruto de um apoio importante da Fundação Calouste Gulbenkian”, disse no passado dia 15 de Abril a directora do Secretariado Nacional para os Bens Culturais.

 

O património da Igreja “só está inventariado na ordem dos 20%”, o que é “dramático” dado que uma peça não catalogada “é como se não existisse”, sublinhou Sandra Costa Saldanha.

“O inventário é um passo fundamental para todas as questões que tenham a ver com os bens culturais da Igreja, não só por uma questão de segurança mas também de auscultação dos problemas, já que ao inventariar se percebe o estado da peça, possibilitando a realização de uma espécie de ‘carta de risco’ do património”, explicou.

Depois de salientar que o protocolo vai permitir que as dioceses tenham acesso a “sistemas de gestão profissionais”, a directora manifestou a esperança de que seja possível desenvolver um trabalho “empenhado e concertado” entre as comissões diocesanas responsáveis pela arte sacra.

“Se queremos chegar ao grande objectivo do património, que é colocá-lo ao serviço da missão da Igreja, temos de o conhecer. E sem estes passos prévios nunca poderemos usufruir nem beneficiar eficazmente dele”, acentuou.

Sandra Costa Saldanha também sublinhou a importância de legar “com muita responsabilidade às próximas gerações” a “grande herança” artística e cultural da Igreja.

As declarações foram proferidas à margem da Acção de Formação em Conservação Preventiva organizado pelo Secretariado para os Bens Culturais da Igreja.

 

 

LAMEGO

 

NOVO DEPARTAMENTO

DE COMUNICAÇÃO DA DIOCESE

 

O bispo de Lamego, D. António Couto, promoveu uma renovação do Departamento de Comunicação, Gabinete de Imprensa e Publicações da diocese, segundo foi anunciado em 17 de Abril passado.

 

O novo director deste departamento é o padre José Alfredo Patrício, que passa a contar com uma equipa constituída por quatro sacerdotes: Armando Ribeiro, Joaquim Proença Dionísio, Hermínio Manuel Lopes e Manuel Pereira Gonçalves.

A Diocese de Lamego conta com um jornal semanário, a Voz de Lamego, “que também está em fase de mudanças, para se adequar melhor aos desafios da Nova Evangelização”.

O Departamento de Comunicação é “responsável por facilitar o trabalho de jornalistas e dos meios de comunicação que operam na área da diocese, ou que tenham especial interesse nesta região, tão rica em património e com um profundo valor espiritual”.

 

 

BRAGA

 

NOVO BEATO

DA ARQUIDIOCESE

 

O religioso português Mário Félix, fuzilado durante a Guerra Civil de Espanha, vai ser beatificado em Outubro próximo.

 

O novo beato, que pertenceu aos Irmãos das Escolas Cristãs, conhecidos por religiosos de La Salle, é um dos vários fiéis martirizados na perseguição religiosa que teve lugar em Espanha entre 1934 e 1939.

Manuel José de Sousa nasceu em Santa Marta de Bouro, arciprestado de Amares, em 1860, tendo sido morto em Griñon, a 30 km de Madrid, refere a obra Venerável Manuel José de Sousa – Irmão Mário Félix – Um mártir da guerra civil espanhola.

Em criança emigrou para o Brasil, onde trabalhou numa empresa de confecções do Rio de Janeiro pertencente a um tio, acrescenta a biografia assinada pelo cónego Narciso Fernandes e publicada em 2003.

Durante a permanência na cidade estabeleceu contactos com cristãos protestantes, que lhe despertaram o interesse pela leitura da Bíblia, e mais tarde manteve contactos com padres jesuítas, relação que o conduziu ao catolicismo.

De regresso a Portugal fixou-se em Lisboa com um tecelão e em 1888, aos 28 anos, entrou no Instituto de La Salle, tendo passado por várias casas da congregação até chegar à comunidade de Griñon.

No dia 28 de Julho de 1936, “centenas de revolucionários invadiram o convento onde restavam poucos religiosos (a maioria tinha saído de véspera) e os jovens noviços”. “Depois de destruírem os símbolos religiosos da instituição separaram os religiosos dos noviços, estes últimos poupados ao martírio. No exterior, os religiosos foram alinhados e executados”.

O reconhecimento do martírio dos religiosos foi feito em Dezembro de 2011 por Bento XVI, na sequência de uma audiência ao Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, cardeal Angelo Amato. A beatificação colectiva será em Tarragona, Espanha.

O irmão Mário Félix junta-se aos beatos Bartolomeu dos Mártires e Alexandrina de Balasar, ambos ligados à arquidiocese bracarense.

 

 

MAFRA

 

BIBLIOTECA VAI INTEGRAR

PROJECTO CESAREIA

 

A Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra é a mais recente parceira do projecto Cesareia, através do qual a Igreja Católica está apostada em divulgar e potenciar o património bibliográfico de natureza religiosa existente no país.

 

Em declarações prestadas no passado dia 22 de Abril, o presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, D. Pio Alves de Sousa, classificou a adesão da biblioteca setecentista como “uma excelente notícia” e uma motivação extra para quem quer colocar a herança literária cristã cada vez mais à disposição das pessoas.

“Trata-se de uma biblioteca do Estado, sem ligação institucional à Igreja, mas em razão dos seus conteúdos e da sua história, faz todo o sentido recebê-la e integrá-la no nosso catálogo”, realçou D. Pio.

Teresa Amaral, responsável pelo espólio de Mafra desde 1994, adiantou que, numa primeira fase, “serão introduzidos cerca de 15 mil livros” no catálogo online desenvolvido pelo projecto Cesareia, lançado em 2008.

Até agora, já aderiram perto de três dezenas de bibliotecas sobretudo ligadas a instituições da Igreja, como dioceses, seminários, ordens religiosas e escolas católicas.

 

 

PORTO

 

APOIO À POPULAÇÃO

MAIS CARENCIADA

 

Um programa de emergência social delineado pela Junta Metropolitana do Porto, em conjunto com a Igreja Católica local, vai permitir canalizar cerca de dois milhões de euros para o apoio às populações mais carenciadas da região.

 

Em entrevista concedida no passado dia 23 de Abril à Agência ECCLESIA, o padre Lino Maia, assistente do Secretariado Diocesano de Pastoral Social e Caritativa, adianta que o projecto proposto pelo organismo liderado por Rui Rio pretende ajudar sobretudo “pessoas desempregadas ou com rendimentos insuficientes para suportarem todos os encargos”.

Estão também já definidas outras duas áreas de desenvolvimento prioritário: “o apoio à educação e à saúde”, refere o sacerdote.

A Junta Metropolitana do Porto decidiu avançar para a criação deste programa depois de verificar a existência de um excedente positivo de cerca de três milhões de euros nas suas contas.

Na primeira apresentação pública do projecto, veiculada através da página da Câmara Municipal do Porto na Internet, Rui Rio revela que dois terços daquela soma serão aplicados para socorrer “famílias que por força da crise estão hoje em situação social muito complicada”.

O autarca admite que a ajuda financeira poderá começar a ser distribuída a partir de Maio, depois de aprovada toda a documentação necessária.

Apesar do plano ter uma “escala metropolitana”, mais do que atender às necessidades de cada município, a Junta quer responder aos problemas específicos das pessoas, contando para isso com a experiência da Igreja Católica no terreno.

De acordo com o padre Lino Maia, a diocese do Porto associa-se a esta iniciativa “com muito entusiasmo”, porque “faz das pessoas o seu caminho e quer que elas vejam os seus problemas enfrentados e superados”.

“A estrutura diocesana, com os seus serviços centrais, foi convidada a prestar uma espécie de assessoria para acudir ao quadro de emergência, identificar e responder de facto aos casos mais prioritários”, salienta o actual presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social.

Depois de apontadas as franjas mais frágeis, será a vez das paróquias ou dos grupos ligados à Igreja, como as “conferências vicentinas”, actuarem na repartição local das verbas disponibilizadas pela Junta Metropolitana do Porto.

Este programa vem reforçar o apoio socioeconómico que a Igreja Católica tem prestado na Diocese, por intermédio do Fundo Diocesano de Solidariedade, direccionado para “situações especialmente graves” de carência e usado também para a promoção do autoemprego”, realça o padre Lino Maia.

 

 

LISBOA

 

CONDECORADO

SACERDOTE LUSO-CANADIANO

 

O presidente da República Portuguesa condecorou no passado dia 29 de Abril, no Palácio de Belém, o chefe de protocolo da Secretaria de Estado do Vaticano, monsenhor José Avelino Bettencourt, com a comenda da Ordem Militar de Cristo.

 

No discurso de homenagem, Aníbal Cavaco Silva referiu que numa “Santa Sé milenar", o cargo desempenhado pelo sacerdote luso-canadiano assume uma grande responsabilidade”, visto que o protocolo “é um instrumento da maior importância na política externa e na diplomacia” e “dá solenidade aos diferentes actos”

O condecorado, monsenhor José Avelino Bettencourt, sublinhou que ficou “sensibilizado” e “honrado” com a decisão de lhe conferirem o grau de comendador da Ordem Militar de Cristo.

O sacerdote foi nomeado por Bento XVI em Novembro de 2012 como novo chefe de protocolo da Secretaria de Estado do Vaticano, cargo ligado às relações com o corpo diplomático.

O diplomata de carreira da Santa Sé, com o título de conselheiro de Nunciatura (equivalente a conselheiro de Embaixada), é natural dos Açores, tendo acompanhado a sua família que emigrou para o Canadá, onde foi ordenado padre em 1993, fazendo parte do presbitério de Ottawa.

A epopeia lusitana “continua a ser todos os dias escrita, tanto pelos portugueses que vivem em Portugal como também pelos lusodescendentes que vivem na diáspora”, disse o condecorado.

Ao fazer referência às diferenças no protocolo, entre Bento XVI e o Papa Francisco, monsenhor José Avelino Bettencourt adiantou aos jornalistas que o actual Papa não lhe dá “dores de cabeça” no exercício das suas funções protocolares.

O sacerdote condecorado frequentou a Academia Eclesiástica em Roma e formou-se em Direito Canónico, antes de entrar no serviço diplomático da Santa Sé em 1999.

Depois de ter trabalhado na representação diplomática da Santa Sé na República Democrática do Congo, monsenhor José Bettencourt passou à secção para as relações com os Estados, do Vaticano.

 

 

 

 

 

FÁTIMA

 

NOVO CAMINHO DE FÁTIMA

 

Mais de 70 voluntários divididos em 15 equipas sinalizaram no passado sábado dia 30 de Abril o Caminho do Mar, nova rota de peregrinos entre Cascais e o Santuário de Fátima que junta ecologia, cultura e espiritualidade.

 

“O Caminho do Mar pretende retirar as pessoas das estradas nacionais, colocando-as em rotas pelo meio da natureza ou em vias municipais com muito pouco trânsito”, explicou Isabel Blanco Ferreira, do Centro Nacional de Cultura.

O percurso com mais de 100 km começa a poucos metros da igreja matriz de Santo António do Estoril, no paredão fronteiro ao Oceano Atlântico, prosseguindo junto ao mar até ao Guincho, onde inflecte para o interior, cruzando depois as dunas e a Serra de Sintra.

O traçado atravessa “zonas históricas”, incluindo locais que são Património Mundial da Humanidade, como Sintra, Mafra, Óbidos e Alcobaça, região onde o itinerário entronca com o Caminho da Nazaré, sinalizado há dois anos.

Isabel Blanco salientou que a rota oferece “silêncio interior, oportunidade de contemplação e uma ligação mais profunda com Deus”, a par do acréscimo de segurança em relação a outros itinerários, dado que reduz a passagem por estradas abertas ao tráfego viário.

Quem percorre o trajecto pode fazer uma experiência semelhante à de um “retiro” porque o traçado possibilita “sair das rotinas” e de “todos os ruídos do quotidiano”, acrescentou.

A responsável destacou que o Caminho do Mar oferece aos peregrinos estrangeiros e de outras regiões de Portugal a oportunidade de conhecerem a cultura, as tradições e o património artístico e histórico, “além do objectivo de peregrinar por uma razão religiosa, por uma promessa ou para um encontro consigo próprio”.

Depois de mencionar os benefícios económicos para os municípios atravessados pela rota, nomeadamente através da aquisição de bens e serviços, Isabel Blanco revelou que os próximos passos do projecto consistem em colocar marcos junto de pontos de referência e pedir às autarquias que disponibilizem espaços para albergues.

Os promotores do traçado, 11 concelhos do litoral oeste e centro, Patriarcado de Lisboa e Centro Nacional de Cultura, desejam que o trajecto constitua uma alternativa às peregrinações realizadas ao santuário da Cova da Iria nos meses de maior afluência, entre Maio a Outubro, e geralmente acompanhadas por carros de apoio.

“O que queremos trazer para o Caminho de Fátima é o espírito existente no Caminho de Santiago de Compostela, utilizado todo o ano”, frisou Isabel Blanco, para quem “peregrinar também é uma forma de cultura”.

A sinalização da nova rota recorre a setas azuis, distinguindo-se das indicações a amarelo que assinalam o traçado rumo a Compostela, que também pode ser percorrido pelo Caminho do Mar.

 

 


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