aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

PRIMEIRO DIA

DO PAPA FRANCISCO

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, revelou aos jornalistas alguns dos gestos “surpreendentes” que marcaram o primeiro dia do Papa Francisco à frente da Igreja Católica.

 

Na sua primeira aparição pública ao povo de Roma, no dia da eleição, o Papa Francisco tinha dito: “Amanhã quero ir rezar à Virgem, para que ela cuide de toda Roma”. No dia seguinte, 14 de Março, às 8.05 horas, o Papa saiu do Vaticano num simples carro da Gendarmaria dirigindo-se para a Basílica de Santa Maria Maior, a igreja mais antiga e maior de Roma dedicada a Nossa Senhora, entrando por uma das portas laterais. Era acompanhado pelo cardeal Santos Abril, arcipreste titular da Basílica, pelo cardeal vigário para Roma Agostino Vallini, pelo prefeito da Casa Pontifícia, Mons. Gaswein, e um séquito e escolta mínimos.

O Papa jesuíta dirigiu-se imediatamente para a imagem de Nossa Senhora Salus Populi Romani (Protectora do Povo Romano), onde deixou um ramo de flores, e esteve a rezar em silêncio durante uns 10 minutos diante do altar-mor. A seguir foi à capela onde está o altar em que Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, celebrou a sua primeira Missa em Roma, na noite de Natal de 1538, lugar muito significativo para os jesuítas. Finalmente, quis também rezar diante do túmulo de S. Pio V.

Dentro da Basílica, o Papa Francisco cumprimentou os cónegos, os confessores e sacerdotes, o pessoal que trabalha lá, e os fiéis e jornalistas que ia encontrando. Ao sair, dirigiu uma calorosa saudação a uns estudantes que passavam na rua, e depois pediu ao condutor da viatura que estacionasse junto à Casa Internacional do Clero, perto da Piazza Navona, onde tinha estado hospedado antes do início do Conclave. Aí recolheu os seus pertences e pagou como qualquer cliente.

 

 

FRANCISCO, NOME

ESCOLHIDO PELO PAPA

No passado dia 16 de Março, no encontro com uns seis mil jornalistas e representantes dos meios de comunicação, na Sala Paulo VI, o Papa Francisco explicou por que escolheu o seu nome.

 

Depois de exortar a dar a conhecer os acontecimentos da história da Igreja na perspectiva justa que é a da fé – sem a qual se torna difícil compreendê-los –, deixando os papéis que estava a ler, o Papa disse:

“Alguns não sabiam por que o Bispo de Roma se quis chamar Francisco. Uns pensavam em Francisco Xavier, outros em Francisco de Sales, e também em Francisco de Assis. Deixai que vos conte como se passaram as coisas.

“Na eleição, tinha ao meu lado o Cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e também Prefeito emérito da Congregação para o Clero: um grande amigo, um grande amigo! Quando o caso começava a tornar-se um pouco «perigoso», ele animava-me. E quando os votos atingiram os dois terços, houve o habitual aplauso, porque tinha sido eleito o Papa. Ele abraçou-me, beijou-me e disse-me: «Não te esqueças dos pobres!» E essa palavra entrou aqui (assinalando o coração): os pobres, os pobres.

“Logo depois, associando com os pobres, pensei em Francisco de Assis. Depois pensei nas guerras, enquanto continuava o escrutínio até contar todos os votos. E Francisco é o homem da paz. E assim surgiu o nome no meu coração: Francisco de Assis. Para mim, é o homem da pobreza, o homem da paz, o homem que ama e preserva a criação; neste tempo, também a nossa relação com a criação não é muito boa, pois não? [Francisco] é o homem que nos dá este espírito de paz, o homem pobre... Ah, como eu quereria uma Igreja pobre e para os pobres!”

 

 

O ANEL DO PESCADOR

Esta é a história do Anel do Pescador que usa o Papa Francisco no dedo anular da mão direita, desde 19 de Março passado.

 

O arcebispo Pasquale Macchi, falecido em 2006, secretário pessoal de Paulo VI, conservava o molde de um anel fabricado pelo artista Enrico Manfrini para o Pontífice, que representava São Pedro com as chaves. Mas Paulo VI preferiu continuar a usar o anel distribuído no Concílio Vaticano II.

Mons. Macchi acabou por oferecer o molde, juntamente com outros objectos, a um dos seus colaboradores, Mons. Ettore Malnati, o qual mandou fazer um anel de prata dourada a partir do molde de cera. Este anel, juntamente com outros de diverso tipo, foi proposto ao Papa Francisco pelo Mestre das Cerimónias, Mons. Guido Marini. O Papa escolheu este anel, que é de prata e não de ouro, como seu “Anel do Pescador”.

 

 

PAPA QUER CONSTRUIR PONTES

COM ISLÃO E NÃO CRENTES

O Papa Francisco afirmou a sua intenção de construir “pontes” com todos os homens e sublinhou a importância do diálogo inter-religioso para a construção da paz, destacando a importância do Islão.

 

“Não se podem construir pontes entre os homens esquecendo Deus e vice-versa: não se podem viver verdadeiras ligações com Deus, ignorando os outros. Por isso, é importante intensificar o diálogo entre as diversas religiões: penso, antes de tudo, no diálogo com o Islão”, declarou num encontro com os membros do corpo diplomático acreditado na Santa Sé, no passado dia 22 de Março.

O Papa argentino disse ter apreciado muito a presença de autoridades civis e religiosas do mundo islâmico na Missa de inauguração do pontificado, que decorrera três dias antes, solenidade de São José, na Praça de São Pedro.

“Desejo que o diálogo entre nós ajude a construir pontes entre todos os homens, de tal modo que cada um possa encontrar no outro, não um inimigo nem um concorrente, mas um irmão que se deve acolher e abraçar”, comentou.

Francisco aludiu, por outro lado, à necessidade de “intensificar o diálogo com os não crentes”, para que se superem “as diferenças que separam e ferem” e se promova “o desejo de construir verdadeiros laços de amizade entre todos os povos”.

O Papa explicou que um dos seus títulos é “pontífice”, ou seja, “aquele que constrói pontes, com Deus e entre os homens”.

“As minhas próprias origens impelem-me a trabalhar por construir pontes. Na verdade, como sabeis, a minha família é de origem italiana e assim está sempre vivo em mim este diálogo entre lugares e culturas distantes, entre um extremo do mundo e o outro”, declarou Francisco, de 76 anos, nascido na Argentina.

Segundo o Papa, os povos da terra estão “cada vez mais próximos, interdependentes e necessitados de se encontrarem e criarem espaços efectivos de autêntica fraternidade”.

“Desejo renovar aos vossos Governos o meu agradecimento pela sua participação nas celebrações por ocasião da minha eleição, com votos de um frutuoso trabalho comum”, concluiu.

A Santa Sé tem relações diplomáticas com 180 países, a que se somam a União Europeia, a Ordem Soberana de Malta e a Organização para a Libertação da Palestina.

 

 

ENCONTRO DO PAPA FRANCISCO

COM EMÉRITO BENTO XVI

No passado dia 23 de Março, o Papa Francisco encontrou-se em Castelgandolfo com o Bispo emérito de Roma Bento XVI.

 

Bento XVI veio de carro até ao local onde aterrou o helicóptero que trazia o Papa Francisco e os dois deram um forte abraço. Ao chegarem aos apartamentos pontifícios de Castelgandolfo, dirigiram-se logo à Capela. Ali, Bento XVI ofereceu o lugar de honra ao Papa Francisco, mas este disse: “Somos irmãos”, e quis que os dois se ajoelhassem lado a lado num dos bancos, onde estiveram uns minutos a rezar.

Depois reuniram-se num encontro privado na Biblioteca, o qual durou cerca de 45 minutos. O Papa Francisco ofereceu a Bento XVI um ícone de Nossa Senhora da Humildade, explicando que se tratava de uma forma de agradecer todos os exemplos de humildade que Bento XVI tinha dado durante o seu pontificado; o ícone tinha sido entregue ao Papa pelo arcebispo Hilarion, como oferta do Patriarca ortodoxo da Rússia, Cirilo.

No almoço estiveram presentes também os secretários do Papa Francisco e de Bento XVI, respectivamente o maltês Mons. Xuereb e o alemão Mons. Gaswein.

O director da sala de imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, S.J., classificou o encontro como “um momento de profunda comunhão”. Bento XVI voltou a manifestar ao seu sucessor a sua total obediência e reverência, e o Papa Francisco voltou a agradecer ao seu predecessor o agradecimento de toda a Igreja pelo ministério que levou a cabo durante o seu pontificado.

 

 

PAPA LAVA OS PÉS

A DOZE JOVENS DETIDOS

No passado dia 28 de Março, o Papa Francisco presidiu à celebração da Missa vespertina da Quinta-feira Santa num centro de detenção para menores, em Roma, na qual lavou os pés a 12 jovens de várias nacionalidades e religiões.

 

O Santo Padre fez uma homilia breve, centrada no simbolismo do gesto de Jesus, que classificou como “comovedor”, ao lavar os pés dos seus discípulos para dar um exemplo de “serviço pelos outros”.

“Lavar os pés significa: eu estou ao teu serviço”, comentou.

O Papa convidou os presentes a ajudarem-se mutuamente e deixou uma pergunta: “Pensemos, cada um de nós: estou verdadeiramente disposto a servir, a ajudar o outro?”.

“Ajudarmo-nos uns aos outros: é isto que Jesus nos ensina e é o que eu faço. Faço-o de coração, porque é meu dever; como padre e como bispo tenho de estar ao vosso serviço, mas é um dever que vem do coração”, prosseguiu.

A celebração teve um carácter íntimo, por vontade expressa do Papa argentino, sem transmissão televisiva em directo e com a presença de jornalistas limitada ao exterior do Instituto Penal para Menores (IPM) de Casal del Marmo, nos subúrbios da capital italiana, que Bento XVI visitou em 2007 e João Paulo II em 1980.

A escolha do local da Missa foi explicada pela Santa Sé como uma continuação do “ministério como arcebispo de Buenos Aires” do cardeal Bergoglio, hoje Papa Francisco, que “costumava celebrar numa prisão ou num hospital ou em casas para pobres ou pessoas marginalizadas”.

A celebração contou com a participação de 46 jovens dos 14 aos 21 anos, incluindo 11 raparigas, todos do IPM, que fizeram as leituras.

O Papa lavou os pés a 12 deles, incluindo duas raparigas, escolhidos entre várias nacionalidades e confissões religiosas.

Após a Missa, o Papa encontrou-se com os jovens e o pessoal do centro de detenção, um total de aproximadamente 150 pessoas, no ginásio da instituição, na presença da ministra da Justiça da Itália, Paola Severino, que agradeceu ao Papa.

Os jovens ofereceram a Francisco um crucifixo e um genuflexório de madeira, fabricados por eles mesmos, e o Papa retribuiu com doces tradicionais da Páscoa.

 

 

PAPA VISITA

NECRÓPOLE DO VATICANO

O Papa Francisco tinha um grande de­sejo: visitar a necrópole do Vaticano. Falou-nos sobre isto pouco antes da Páscoa. Em particular, desejava ver o túmulo do apóstolo Pedro, o lugar no qual os cristãos de Roma colocaram o corpo crucificado do primeiro Papa de­pois do martírio no circo de Nero, no ano 67 depois de Cristo.

 

Portanto, o Papa quis ir onde teve origem o pontificado romano, no qual hoje a Providência desejou situar tam­bém a sua pessoa.

Na tarde de segunda-feira, 1 de Abril, tivemos a alegria, e também a honra, de acompanhar o Papa Francisco ao longo de um itinerário único no mundo. Do nível das Grutas do Vaticano descemos até à necrópole: um salto para trás de 1800 anos. Até 1939-40 ela estava submersa pela terra, porque os arquitectos de Constantino, no ano 320, para criar a pavimentação da primeira basílica, encheram de terra a parte íngreme da Colina do Vaticano. Hoje, depois das escavações, tudo reemergiu milagrosamente.

A primeira etapa foi diante do mausoléu dos Egípcios (que remonta ao final do século II). Neste mausoléu, no meio de muitas outras sepulturas pagãs, existe também um sepulcro cristão. Com efeito, o cristianismo, como fer­mento, estava a entrar no mundo pagão. O Papa, admirado, exclamou: «Assim acontece também hoje!».

Em seguida fizemos uma segunda etapa em frente da lápide funerária de um homem chamado Istatílio. Sem dúvida era um cristão: de facto, há o conhecido monograma XP que indica Cristo. Sobre a pedra tumular está escrito: «Sempre se entendeu com todos e nunca causou desavenças». O Papa, depois de ter lido a frase, olhou-nos e disse: «É um bom programa de vida». A seguir, quando chegámos ao lugar da sepultura do apóstolo Pedro, vi o Santo Padre fixar, visivelmente comovido, aquela parede branca cheia de grafites que ainda hoje testemunham a devoção pelo apóstolo Pedro.

Ao chegar à Capela Clementina, o Papa Francisco recolheu-se em oração e repetiu em voz alta as profissões de fé de Pedro: «Senhor, tu és Cristo, o Filho do Deus vivo»; «Senhor, para quem havemos nós de ir? Tu tens palavras de vida eterna»; «Senhor, tu sabes tudo! Tu sabes que te amo!». Naquele momento, tivemos a sensação de que a história de Pedro saía dos séculos passados e tornava-se presente na vida do actual sucessor do apóstolo Pedro.

Estavam comigo o bispo Vittorio Lanzani, delegado da Fábrica de São Pedro, monsenhor Alfred Xuereb e os responsáveis da necrópole Pietro Zander e Mario Bosco, e quando saudámos o Santo Padre pensámos que ele regressava à sua habitação, confortado pelo eco das palavras de Jesus: «Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela».

Cardeal Ângelo Comastri

Arcipreste da Basílica de São Pedro

 

 

MANTÊM-SE AS MEDIDAS

RELATIVAS A ABUSOS SEXUAIS

O Papa Francisco recebeu no passado dia 5 de Abril o arcebispo Gerhard Ludwig Muller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, ao qual pediu decisão no julgamento e nos esforços de prevenção de abusos sexuais na Igreja.

 

Por ocasião da audiência, na qual foram tratados vários assuntos da competência do dicastério, o Santo Padre recomendou de modo especial que a Congregação, prosseguindo na linha querida por Bento XVI, actue com decisão no que diz respeito aos casos de abusos sexuais, promovendo ante de tudo as medidas de protecção dos menores, a ajuda de quantos no passado sofreram tais violências, os devidos procedimentos em relação aos culpados, o compromisso das Conferências episcopais na formulação e actuação das directrizes necessárias neste campo tão importante para o testemunho da Igreja e para a sua credibilidade.

O Santo Padre garantiu que nas suas atenções e orações pelos que sofrem estão presentes de modo particular as vítimas de abusos.

Esta é a primeira posição pública do novo Papa sobre os casos de abusos sexuais cometidos por membros do clero ou em instituições de Igrejas denunciados em vários países do mundo e que levaram Bento XVI a alterar as normas canónicas para estas situações.

 

 

PAPA NOMEIA

CONSELHO DE CARDEAIS

O Santo Padre Francisco, retomando uma sugestão surgida no decurso das Congregações Gerais que precederam o Conclave, constituiu um grupo de cardeais para o aconselharem no governo da Igreja universal e para estudarem um projecto de revisão da Constituição Apostólica Pastor bonus sobre a Cúria Romana – diz um comunicado da Secretaria de Estado da Santa Sé, de 13 de Abril passado.

 

O grupo, coordenado pelo cardeal Oscar Rodríguez Maradiaga, arcebispo de Tegucigalpa (Honduras) e presidente da Cáritas Internacional, inclui os cardeais Giuseppe Bertello, presidente do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano, Francisco Javier Errázuriz, arcebispo emérito de Santiago do Chile, Oswald Gracias, arcebispo de Bombaim (Índia), Reinhard Marx, arcebispo de Munique e Freising (Alemanha), Laurent Monsengwo Pasinya, arcebispo de Kinshasa (República Democrática do Congo), Sean Patrick O’Malley, arcebispo de Boston (EUA) e George Pell, arcebispo de Sydney (Austrália), actuando como secretário Mons. Marcello Semeraro, bispo da diocese italiana de Albano.

A primeira reunião plenária está marcada para os dias 1 a 3 de Outubro de 2013, embora o Papa esteja desde já em contacto com os prelados nomeados.

 

 

LEFEBVRIANOS ENCERRAM

DIÁLOGO COM SANTA SÉ

O superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, fundada por Mons. Marcel Lefèbvre (1905-1991), revelou numa carta colocada no site da instituição, que o diálogo com a Santa Sé para o reconhecimento canónico, iniciado com Bento XVI, está encerrado, sem sucesso.

 

“A Fraternidade encontrou-se numa delicada posição durante grande parte do ano 2012, em razão do último movimento feito por Bento XVI que procurava normalizar a nossa situação. As dificuldades provinham das exigências que acompanhavam a proposta romana – as quais não podemos e não poderemos nunca subscrever”, escreve Mons. Bernard Fellay, em missiva divulgada na Internet.

Em Junho de 2012, a Santa Sé revelou que tinha proposto a criação de uma prelatura pessoal para a Fraternidade, depois de ter pedido aos seus membros a aceitação de um preâmbulo que apresentava “certos princípios doutrinais e critérios de interpretação da doutrina católica necessários para garantir a fidelidade ao Magistério da Igreja”.

Entre as questões que separam as duas partes destacam-se a aceitação do Concílio Vaticano II (1962-1965) e do magistério pós-conciliar dos Papas em matérias como as celebrações litúrgicas, o ecumenismo ou a liberdade religiosa.

Mons. Bernard Fellay confirma ter recebido uma carta do próprio Bento XVI “a manifestar claramente e sem ambiguidades as condições que eram impostas para uma normalização canónica”.

“Estas condições são de ordem doutrinal: recaem sobre a aceitação total do Concílio Vaticano II e da missa de Paulo VI. Portanto, como escreveu Mons. Augustine Di Noia, vice-presidente da Comissão Ecclesia Dei, numa carta dirigida aos membros da Fraternidade São Pio X em fins do ano passado, no plano doutrinal permanecemos no ponto de partida, tal como se estava nos anos 70” do século passado, acrescenta o texto.

Em Março de 2009, Bento XVI enviou uma carta aos bispos de todo o mundo, para explicar a remissão das excomunhões de quatro bispos da Fraternidade São Pio X que tinham sido ordenados pelo arcebispo Lefèbvre, sem mandato pontifício, no ano de 1988.

Na altura, o agora Papa emérito escreveu que, "enquanto a Fraternidade não tiver uma posição canónica na Igreja, também os seus ministros não exercem ministérios legítimos na Igreja (...); e, enquanto as questões relativas à doutrina não forem esclarecidas, a Fraternidade não possui qualquer estado canónico na Igreja, e os seus ministros (...) não exercem de modo legítimo qualquer ministério na Igreja".

 

 

PAPA QUER IGREJA

MENOS BUROCRÁTICA

No passado dia 24 de Abril, o Papa Francisco apelou à diminuição da burocracia na Igreja Católica, afirmando que entidades como o Instituto para as Obras Religiosas (IOR), conhecido como o Banco do Vaticano, são necessárias só “até certo ponto”.

 

“Quando quer vangloriar-se da sua quantidade e cria organizações, departamentos, tornando-se um pouco burocrática, a Igreja perde a sua substância principal e corre o risco de transformar-se numa ONG. A Igreja não é uma ONG, é uma história de amor”, disse na homilia da Missa a que presidiu na capela da Casa de Santa Marta, no Vaticano.

Entre os participantes na celebração estavam funcionários do IOR, a quem o Papa se dirigiu: “Desculpem-me: tudo é necessário, os departamentos são necessários, e é bom que assim seja, mas são necessários apenas até certo ponto: como ajuda a esta história de amor”.

Segundo Francisco, quando a organização “toma o primeiro lugar”, a Igreja segue um rumo errado.

“O caminho que Jesus quis para a sua Igreja é outro: o caminho das dificuldades, a estrada da cruz, das perseguições. Isto faz-nos pensar: que é esta Igreja? Esta nossa Igreja não parece ser um empreendimento humano”, acrescentou.

O Papa realçou, a este respeito, que a Igreja não cresce por acção da “força humana” e que alguns cristãos entenderam mal esta realidade “por razões históricas”, recrutando exércitos e promovendo “guerras de religiões”.

A Igreja, concluiu, é uma “mãe” que segue em frente “com a força do Espírito Santo”.

 

 

VIAGEM PAPAL INTERNACIONAL

PREVISTA PARA 2013

O porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, disse aos jornalistas no passado dia 26 de Abril que a visita do Papa Francisco ao Brasil, em Julho deste ano, é a única viagem internacional prevista para 2013.

 

O Papa confirmara a sua presença na próxima Jornada Mundial da Juventude, que vai decorrer na cidade brasileira do Rio de Janeiro, entre 23 e 28 de Julho próximo.

O director da sala de imprensa da Santa Sé adiantou, por outro lado, que Francisco tenciona continuar a residir na Casa de Santa Marta, que acolheu os cardeais eleitores durante o último Conclave, sem se mudar para o palácio apostólico.

“Encontra-se muito bem. De momento, não parece querer mudar de aposentos, embora não se trate de uma decisão definitiva”, precisou o padre Lombardi.

O sacerdote jesuíta observou ainda que é “provável” uma visita a Assis, cidade italiana localizada cerca de 150 km a norte do Vaticano e ligada à figura de  São Francisco (c. 1181-1226), que inspirou o Papa na escolha do nome para o pontificado.

Segundo o porta-voz do Vaticano, é também possível que ainda este ano seja publicada a primeira encíclica do novo Papa.

 

 


Imprimir | Voltar atrás | Página Inicial