OPINIÃO

O SABER MORAL

 

 

 

 

Rodrigo Lynce de Faria

 

 

Se observarmos com calma veremos que, nos nossos dias, muitos pais estão preocupados com a educação dos seus filhos. Eles falam inglês – melhor que os pais – navegam pela internet e até ouvem música no MP3 –“geringonça” que os pais nem se atrevem a tentar perceber como é que funciona. No entanto, parece que lhes falta alguma coisa.

 

Os filhos têm uma visão da vida e um modo de actuar que parecem pôr em risco o seu futuro. Os pais tentam repetidamente chamar-lhes a atenção para isso, mas tudo fica em águas de bacalhau. De onde é que vêm essas atitudes, se nunca lhes faltou nada na vida? Porque é que parecem faltar pontos de referência no seu modo de actuar?

 

Demasiadamente tarde, muitos pais apercebem-se de que essa ausência de pontos de referência está directamente relacionada com uma defeituosa formação moral dos filhos. Parecia –a muitos que agora são pais –que a formação moral era uma imposição de valores desnecessária e até contraproducente. Parecia a história da carochinha. No entanto, essa “história” parece ter deixado alguns pontos de referência à geração anterior –pontos que agora se lamenta que a geração actual não possua.

 

Qual é a mentalidade actual mais difundida sobre a formação moral? Diria, sem carregar demasiadamente as tintas, que para muitos jovens a “moral” se reduz aos mandamentos da Igreja – sobretudo em matéria sexual –que mantêm as pessoas “reprimidas” –gente masoquista –à espera de chegar à felicidade na outra vida. Claro que com uma visão tão “maravilhosa” e “motivante” como esta, só os tolos desejam uma formação deste tipo.

 

É preciso que os primeiros e os principais educadores – se alguém se esqueceu, são os pais! – não tenham nenhum tipo de receios em explicar aos seus rebentos desde a mais tenra idade –primeiro com o exemplo e depois com a palavra –que a moral não é um conjunto de regras que nos reprimem e nos impedem de sermos felizes. Nada mais longe da realidade! A formação moral ajuda-nos a encontrar o caminho para sermos felizes nesta vida – e também na outra.

 

É muito oportuno explicar que um animal pode viver bem deixando-se arrastar pelos seus instintos – mas o homem não. O homem é um ser especial porque é um ser livre. Precisa de ser educado para viver de acordo com aquilo que é. Nem tudo o que ele pode fazer – roubar, mentir, drogar-se – ele deve fazê-lo. Não porque não seja livre, mas porque não lhe convém. Não se pode confundir – e muitas vezes confunde-se –a liberdade com a espontaneidade. O homem, para agir bem, deve pensar antes de actuar – coisa que os animais não fazem.

 

Por isso, a educação moral não tira nem diminui a liberdade do homem – muito pelo contrário! Dá-lhe luz para que – se ele quiser – possa viver de acordo com aquilo que é. É verdade que o saber moral é difícil e delicado. Mas também é verdade que vale a pena esforçar-se por obtê-lo. Porquê? Porque é o saber mais valioso para o homem. É o saber que o ensina a usar bem a sua liberdade.

 

 

 


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