S. João Baptista

Missa da Vigília

23 de Junho de 2013

 

Solenidade

 

Esta Missa diz-se na tarde do dia 23 de Junho, antes ou depois das Vésperas I da solenidade.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Subirei alegre, M. Carneiro, NRMS 87

Lc 1, 15.14

Antífona de entrada: Será grande aos olhos do Senhor e cheio do Espírito Santo desde o seio materno. Muitos se hão-de alegrar pelo seu nascimento.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Nesta Eucaristia da Vigília do Nascimento de São João Baptista nós comemoramos e celebramos na realidade a vinda de Cristo, como cumprimento de todas as promessas anunciadas pelos Profetas ao longo da História da Salvação.

João recomenda a mudança de vida e a confissão dos próprios pecados, para os seus conterrâneos O receberem como Filho de Deus e Redentor do homem. O seu testemunho da verdade não admite transigências; denuncia as transgressões dos mandamentos de Deus e paga com a vida o seu anúncio da vinda do Messias.

Aproveitemos para interiormente reconhecermos as nossas infidelidades e prometermos com sinceridade mudar de vida, a fim de melhor testemunharmos e anunciarmos a Cristo Nosso Senhor.

 

Oração colecta: Conduzi, Senhor, a vossa família pelo caminho da salvação, para que, fiel aos ensinamentos do Precursor, São João Baptista, possa ir confiadamente ao encontro de Cristo, por ele anunciado. Por Nosso Senhor...

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: O profeta Jeremias recebe a missão de anunciar a destruição de toda a estrutura social para assentar os alicerces de uma nova sociedade. Embora a sua missão seja difícil nada deve temer, pois Deus está com ele.

 

Jeremias 1, 4-10

4No tempo de Josias, rei de Judá, o Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: 5«Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei e te constituí profeta entre as nações». 6Então eu disse: «Ah, Senhor Deus, mas eu não sei falar, porque sou uma criança». 7O Senhor respondeu-me: «Não digas: ‘Sou uma criança’, porque irás ao encontro daqueles a quem Eu te enviar e dirás tudo quanto Eu te mandar dizer. 8Não tenhas receio diante deles, porque Eu estou contigo, para te salvar – diz o Senhor». 9Depois o Senhor estendeu a mão, tocou-me na boca e disse-me: «Eu ponho as minhas palavras na tua boca. 10Hoje dou-te poder sobre os povos e os reinos, para arrancar e destruir, para arruinar e demolir, para edificar e plantar».

 

Não é casual a escolha desta leitura que relata a vocação do Profeta Jeremias. Foi escolhida pela alusão que se quer ver à santificação de João no ventre materno: “antes que saísses do seio da tua mãe, Eu te consagrei” (cf. Lc 1, 44).

6 “Mas eu não sei falar”. É a reacção habitual do homem, quando se enfrenta com a vocação divina, a chamada a uma missão que exige a entrega de toda a vida a Deus para O servir numa missão que transcende a nossa limitação e franqueza. Mas a uma primeira reacção de medo segue-se uma certeza, segurança e serenidade que Deus infunde: “Eu estarei contigo!” (v. 8).

 

Salmo Responsorial    Sl 70 (71), 1-2.3-4a.5-6ab.15ab e 17 (R. cf. 6b)

 

Monição: As maravilhas operadas por Deus devem continuamente ser anunciadas. Assim o faremos ao recitar este salmo.

 

Refrão:        Desde o meu nascimento, sois a minha esperança.

 

Em Vós, Senhor, me refugio,

jamais serei confundido.

Pela vossa justiça, defendei-me e salvai-me,

prestai ouvidos e libertai-me.

 

Sede para mim um refúgio seguro,

a fortaleza da minha salvação.

Vós sois a minha defesa e o meu refúgio,

meu Deus, salvai-me do pecador.

 

Sois Vós, Senhor, a minha esperança,

a minha confiança desde a juventude.

Desde o nascimento Vós me sustentais,

desde o seio materno sois o meu protector.

 

A minha boca proclamará a vossa justiça,

dia após dia a vossa infinita salvação.

Desde a juventude Vós me ensinais

e até hoje anunciei sempre os vossos prodígios.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A fé é um compromisso permanente com Cristo, até à morte. Como Ele, o cristão segue o mesmo caminho mediante o seu testemunho de vida.

 

1 São Pedro 1, 8-12

Caríssimos: 8Vós amais Cristo Jesus sem O terdes visto, acreditais n’Ele sem O verdes ainda. Isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa, 9porque conseguis o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas. 10Esta salvação foi objecto das investigações e meditações dos Profetas que predisseram a graça a vós destinada. 11Procuraram descobrir a que tempos e circunstâncias se referia o Espírito de Cristo que estava neles, quando predizia os sofrimentos de Cristo e as glórias que se lhes haviam de seguir. 12Foi-lhes revelado que não era para eles, mas para vós, que no seu ministério transmitiam essa mensagem. É essa mensagem que agora vos anunciam aqueles que, movidos pelo Espírito Santo enviado do Céu, vos pregam o Evangelho, a qual os próprios Anjos desejam contemplar.

 

8-9 “Vós amais Cristo Jesus... acreditais nele...” Estes cristãos da Ásia Menor a quem S. Pedro se dirige, como também nós, já não conheceram Jesus na sua vida mortal, mas exactamente como nós hoje e os cristãos de todos os tempos acreditavam em Jesus Cristo e amavam apaixonadamente a sua pessoa adorável como alguém que está vivo e actuante, enchendo-nos daquela alegria inefável que procede de sabermos que a nossa fé vai desembocar na visão da glória, o fim da nossa fé, a salvação das nossas almas.

10 “Os profetas”, mais provavelmente os do Antigo Testamento.

12 Os Anjos, ao tomarem conhecimento do plano de salvação da humanidade, extasiam-se a contemplá-lo com atenção na vida da igreja (cf. Ef 3, 10).

 

Aclamação ao Evangelho        cf. Jo 1, 7; Lc 1, 17

 

Monição: Jesus, Palavra do Pai, é a luz que ilumina a consciência de todo o homem e o torna capaz de participar na vida e felicidade de Deus.

 

Aleluia

 

Cântico: S. Marques, NRMS 73-74

 

Ele veio para dar testemunho da luz

e preparar o povo para a vinda do Senhor.

 

 

Evangelho

 

São Lucas 1, 5-17

5Nos dias de Herodes, rei da Judeia, vivia um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias, cuja esposa era descendente de Aarão e se chamava Isabel. 6Eram ambos justos aos olhos de Deus e cumpriam irrepreensivelmente todos os mandamentos e leis do Senhor. 7Não tinham filhos, porque Isabel era estéril e os dois eram de idade avançada. 8Quando Zacarias exercia as funções sacerdotais diante de Deus, no turno da sua classe, 9coube-lhe em sorte, segundo o costume sacerdotal, entrar no Santuário do Senhor para oferecer o incenso. 10Toda a assembleia do povo, durante a oblação do incenso, estava cá fora em oração. 11Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. 12Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e encheu-se de temor. 13Mas o Anjo disse-lhe: «Não temas, Zacarias, porque a tua súplica foi atendida. Isabel, tua esposa, dar-te-á um filho, ao qual porás o nome de João. 14Será para ti motivo de grande alegria e muitos hão-de alegrar-se com o seu nascimento, 15porque será grande aos olhos do Senhor. Não beberá vinho nem bebida alcoólica será cheio do Espírito Santo desde o seio materno 16e reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. 17Irá à frente do Senhor, com o espírito e o poder de Elias, para fazer voltar os corações dos pais a seus filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, a fim de preparar um povo para o Senhor».

 

5 “Zacarias”, nome corrente entre judeus e que significa “Yahwéh recordou-se ”. Isabel, Elixabet, era o nome da mulher de Aarão (Êx 6, 23) e significa “Deus é a plenitude”, ou “Deus jurou”. Zacarias pertencia à turma de Abias, isto é, ao oitavo turno semanal ao serviço do Templo (cf. 1 Par 24, 10). Segundo conta o historiador Flávio José, os 24 turnos semanais estavam em pleno funcionamento nesta data.

6 “Ambos justos aos olhos de Deus”. A sua santidade não era meramente externa e legal. Justo equivale a fiel cumpridor de toda a vontade de Deus, pessoa que ajusta todo o seu pensar e actuar à lei do Senhor. Então, como hoje, é de pais justos e santos que procedem os grandes homens, os grandes santos.

9-10 “Para oferecer o incenso”. Um sacrifício que se repetia duas vezes ao dia e às 3 horas da tarde. O sacerdote eleito desta vez foi Zacarias, talvez a única vez na vida que lhe coube tamanha honra, segundo as instruções de Mixná. Então pôde penetrar no Santuário, na primeira câmara chamada “o Santo”, onde se encontravam os 12 pães da proposição que representavam as 12 tribos de Israel na presença do Senhor, bem como o candelabro de 7 braços, a menoráh. Zacarias, totalmente só e no máximo recolhimento, ao sinal da trombeta, tinha de deitar incenso sobre as brasas que estavam sobre o pequeno altar de oiro, enquanto o povo espalhado pelos átrios, o dos israelitas e o das mulheres, fazia subir as suas preces até Deus: a nuvem do fumo do incenso que se erguia do altar dos perfumes era a imagem bem expressiva da oração, segundo as palavras do Salmo 141(140), 2. A afluência dos fiéis costumava ser grande, a fim de rezar neste preciso momento, sobretudo na oferenda da tarde.

14-17 “Terás alegria…” Logo a seguir são apontados os motivos de tamanha alegria: a grandeza e santidade excepcionais do filho (v. 15), cheio de Espírito Santo (santificado no ventre materno, segundo a exegese habitual, ou dotado do carisma profético): será instrumento para a salvação de muitos (v. 16): preparará a vinda do Messias (v. 17). É interessante notar como o Evangelista, apesar de saber que João preparou a vinda de Jesus, o Messias, não instrumentaliza um relato que se move num ambiente e perspectiva “pré-cristâ” e numa linguagem vétero-testamentária; é mais um indício da fidelidade de Lucas às suas fontes (aqui talvez um relato de família, conservado em círculos afectos ao Baptista). É por isso que não diz: “irá à frente do Messias”, mas “irá à frente de Yahwéh”.

 

Sugestões para a homilia

 

Deus define a missão de cada homem

Que deve acolher e anunciar o Messias

Por um fiel testemunho de vida

 

Deus define a missão de cada homem

«Antes de te formar no ventre materno Eu te escolhi, te consagrei e instituí profeta entre as nações», lemos na primeira leitura desta Vigília.

Jeremias, João Baptista e cada um de nós, baptizados em água, na luz e no fogo do Espírito, tem como missão anunciar e denunciar com desassombro e sem transigências todas as injustiças e infidelidades aos mandamentos de Deus, indo ao encontro de todos aqueles a quem Deus nos enviar.

Para isso, a nossa vida terá de ser como a do precursor na escuta atenciosa da Palavra, na sua contemplação e reflexão interior.

 

Que deve acolher e anunciar o Messias

Zacarias atemorizou-se quando lhe apareceu o Anjo do Senhor. Todavia, o texto refere: que “muitos se alegrarão com o seu nascimento”. Então, não haveria razão para ele se atormentar ou atemorizar com o que lhe acontecera. De facto, seu filho João Baptista viria a manifestar-se essencialmente como o precursor da vinda do Messias, para alegria de toda a humanidade.

Do mesmo modo, a cada um de nós, baptizado, é confiada por Deus uma missão. Não tem, pois, razão para andar atormentado, atarefado e inquieto com a sucessão dos acontecimentos diários. Eles são uma oportunidade de, à semelhança de João, os colocarmos nas mãos e no coração de Jesus ressuscitado que tudo acolhe, transforma, purifica, satisfaz e pacifica.

Mais que falar, teremos de testemunhar vivencialmente esta certeza da presença do Mestre no meio de nós.

 

Por um fiel testemunho de vida

Com esta atitude de serenidade interior e exterior seremos testemunhas vivas que contrariarão o “espírito do mundo” e promoverão o “espírito de Cristo” vivendo e transmitindo a Sua mensagem.

Por isso S. Pedro, na sua primeira epístola, nos diz ainda hoje que “amamos Cristo sem o termos visto, e acreditamos n’Ele sem O vermos ainda”, porque com o exemplo alegre da nossa fé O mostraremos vivo no meio de nós. Assim, promoveremos em nós e nos outros a compreensão das maravilhas que Ele vai operando nas pequenas coisas do nosso dia-a-dia.

Este espírito de missão levar-nos-á a amar verdadeiramente, pois amar é comunicar, colaborar e comungar numa relação de proximidade que gera a obediência na observância dos desejos e ânsias do próximo, sabendo «dar tempo ao tempo» numa espera paciente que leva ao conhecimento da Palavra Incarnada, à colaboração eficaz e à comunhão afectiva e efectiva.

Que seja esse o nosso propósito como recordação e veneração de São João Baptista e cumprimento da nossa missão neste mundo.

 

 

Oração Universal

 

Conscientes da nossa missão no mundo,

peçamos a Deus nosso Pai,

por intercessão de São João Baptista,

que nos ajude a realizá-la sem temor ou inquietação,

 rezando:

 

Senhor, escutai a nossa oração.

 

1.     Pela Santa Igreja de Deus,

para que o Senhor a ajude a ser dócil

à missão que o Senhor lhe confiou,

oremos, irmãos.

 

2.     Pelo Santo Padre, Bispos, Presbíteros e Diáconos,

  para que fiéis aos dons recebidos

  os ponham a render ao serviço da evangelização,

  oremos, irmãos.

 

3.     Por todos os cristãos,

para que a sua vivência se oriente

segundo o “espírito de Cristo”

e não pelos critérios do mundo,

oremos, irmãos.

 

4.     Para que a celebração desta Vigília

nos anime e entusiasme na missão

que o Senhor nos confiou,

oremos, irmãos.

 

5.     Pelos jovens,

para que tornem a presença de Cristo

efectiva nas suas vidas

na completa abertura do coração

à Sua Palavra,

oremos, irmãos.

 

Senhor, ouvi a nossa oração

e permiti que sejamos activos colaboradores

no testemunho das maravilhas operadas pelo Senhor

no dia-a-dia de nossas vidas.

Por Nosso Senhor ...

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Em redor do teu altar, M. Carneiro, NRMS 42

 

Oração sobre as oblatas: Olhai com bondade, Senhor, para as ofertas que o vosso povo Vos apresenta na solenidade de São João Baptista e fazei que a nossa vida dê testemunho dos santos mistérios que celebramos. Por Nosso Senhor ...

 

Prefácio próprio, como na Missa seguinte

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Que Jesus nos ajude, através da recepção do seu Corpo realmente presente sobre este altar, a fortificar a humildade e o espírito de serviço, à semelhança do que foi comprovado por São João Baptista no anúncio da vinda do Messias.

 

Cântico da Comunhão: Bendito seja Deus que nos escolheu, Az. Oliveira, NRMS 63

Lc 1, 16

Antífona da comunhão: Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, que visitou e redimiu o seu povo.

 

Oração depois da comunhão: Senhor, que nos alimentastes neste banquete sagrado, fazei que a poderosa intercessão de São João Baptista, que anunciou o Cordeiro que vinha tirar o pecado do mundo, nos alcance do vosso Filho o perdão e a paz. Por Nosso Senhor ...

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

S. João Baptista fortaleceu a fidelidade ao espírito de missão pelo seu isolamento no deserto, vivendo em contemplação. Que o seu exemplo nos fortifique na escuta da Palavra, nos impulsione a contemplá-la e a vivê-la como continuação da Paixão e ressurreição de Cristo, perante os obstáculos, dificuldades, anseios, problemas e dores do dia-a-dia, numa vivência de missão coerente com a vontade de Deus a nosso respeito.

 

Cântico final: Exultai de alegria no Senhor, F. da Silva, NRMS 87

 

 

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António E. Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha


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