TEMAS LITÚRGICOS

CELEBRAR BEM A EUCARISTIA

 

 

 

CONGREGAÇÃO PARA O CLERO

 

 

 

Com data de 11-II-2013, a Congregação para o Clero publicou a nova edição do “Directório para o ministério e a vida dos presbíteros”, com o fim de actualizar a primeira edição de 1994 no actual momento de ampla difusão da secularização, que se manifesta na perda do sentido sobrenatural da missão sacerdotal. 

Pode-se consultar o documento no site do Vaticano/Congregação para o Clero/Presbíteros/Documentos oficiais.

Um dos aspectos focados é o da celebração da Eucaristia (n. 67), que temos o gosto de oferecer aos nossos leitores, para se poder levar à prática oportunamente. 

 

 

O sacerdote é chamado a celebrar o Santo Sacrifício eucarístico, a meditar constantemente sobre o seu significado e a transformar a sua vida numa Eucaristia, o que se manifesta no amor ao sacrifício cotidiano, sobretudo no cumprimento dos próprios deveres de estado. O amor à cruz conduz o sacerdote a tornar-se uma oferta agradável ao Pai por meio de Cristo (cf. Rm 12,1). Amar a cruz, numa sociedade hedonista, é um escândalo, porém, desde uma perspectiva de fé, ela é fonte de vida interior.  O sacerdote deve pregar o valor redentor da cruz com o seu estilo de vida.

É necessário chamar a atenção para o valor insubstituível que tem para o sacerdote a celebração cotidiana da Santa Missa – “fonte e ápice” [1] da vida sacerdotal –, mesmo sem a presença de fiéis [2]. A este respeito, ensina Bento XVI: «Juntamente com os padres do Sínodo, recomendo aos sacerdotes “a celebração diária da Santa Missa, mesmo quando não houver participação de fiéis”. Tal recomendação é ditada, antes de mais nada, pelo valor objetivamente infinito de cada celebração eucarística; e é motivada ainda pela sua singular eficácia espiritual, porque, se vivida com atenção e fé, a Santa Missa é formativa no sentido mais profundo do termo, enquanto promove a configuração com Cristo e reforça o sacerdote na sua vocação» [3].

Ele deve vivê-la como o momento central do dia e do ministério cotidiano, fruto dum desejo sincero e ocasião de encontro profundo e eficaz com Cristo. Na Eucaristia, o sacerdote aprende a doar-se cada dia, não apenas nos momentos de grande dificuldade, mas também nas pequenas contrariedades diárias. Esta aprendizagem reflete-se no amor com que se prepara para a celebração do Santo Sacrifício, para vivê-lo com piedade, sem pressa, cuidando as normas litúrgicas e as rubricas, a fim de que os fiéis assimilem, deste modo, uma verdadeira catequese [4].

Numa civilização cada vez mais sensível à comunicação mediante os sinais e as imagens, o sacerdote deve conceder adequada atenção a tudo o que possa exaltar o decoro e a sacralidade da celebração eucarística. É importante que, em tal celebração, se dê justo relevo à qualidade e à limpeza do lugar, bem como à arquitetura do altar e do tabernáculo [5], à nobreza dos vasos sagrados, dos paramentos [6], do canto [7], da música [8], ao silêncio sagrado [9], ao uso do incenso nas celebrações mais solenes, etc., repetindo aquele gesto amoroso de Maria para com o Senhor, quando «tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, de grande preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com os seus cabelos, e toda a casa se encheu do perfume do bálsamo» (Jo 12,3). Tudo isto são elementos que podem contribuir para uma melhor participação no Sacrifício eucarístico. Com efeito, a escassa atenção aos aspectos simbólicos da liturgia e, mais ainda, o desleixo e a pressa, a superficialidade e a desordem, esvaziam o seu significado e enfraquecem a sua função de incremento da fé [10]. Quem celebra mal manifesta a fraqueza da sua fé e não educa os outros na fé. Pelo contrário, celebrar bem constitui uma primeira e importante catequese sobre o Santo Sacrifício.

De modo especial, na celebração eucarística, as normas litúrgicas devem ser observadas com generosa fidelidade. «Elas constituem uma expressão concreta da autêntica eclesialidade da Eucaristia; este é o seu sentido mais profundo. A liturgia nunca é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados os santos mistérios. [...] Também nossos tempos, deveria ser redescoberta e valorizada a obediência às normas litúrgicas como reflexo e testemunho da Igreja, una e universal, que se torna presente em cada celebração da Eucaristia. O sacerdote que celebra fielmente a Missa segundo as normas litúrgicas e a comunidade que se conforma a elas demonstram de modo silencioso, mas expressivo, o seu amor à Igreja» [11].

Por isso, o sacerdote, embora coloque ao serviço da celebração eucarística todos os seus talentos para torná-la viva na participação dos fiéis, deve ater-se ao rito estabelecido nos livros litúrgicos aprovados pela autoridade competente, sem acrescentar, tirar ou mudar nada [12]. Assim, a sua celebração torna-se realmente uma celebração da Igreja e com a Igreja: não faz “algo seu”, mas está, com a Igreja, em colóquio com Deus. Isto favorece também uma adequada participação ativa dos fiéis na sagrada liturgia: «A ars celebrandi é a melhor condição para a actuosa participatio. Aquela resulta da fiel obediência às normas litúrgicas na sua integridade, pois é precisamente este modo de celebrar que, há dois mil anos, garante a vida de fé de todos os crentes, chamados a viver a celebração enquanto povo de Deus, sacerdócio real, nação santa (cf. 1Pd 2,4-5.9)» [13].

Os Ordinários, os Superiores religiosos, os Diretores das sociedades de vida apostólica e os outros Prelados, têm o dever grave, para além de dar o exemplo, de vigiar a fim de que as normas litúrgicas concernentes à celebração da Eucaristia sejam fielmente observadas por todos, sempre e em todos os lugares.

Os sacerdotes que celebram ou que concelebram são obrigados a usar as vestes sagradas prescritas pelas rubricas [14].

 

 

 



[1] Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, 11; cf. também, Decr. Presbyterorum Ordinis, 18.

[2] Cf. C.I.C., can. 904.

[3] Bento XVI, Exort. ap. pós-sinodal Sacramentum caritatis (22 de fevereiro de 2007), 80.

[4] Cf. ibid., 64.

[5] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. Sacrosanctum Concilium, 128; João Paulo II, Carta enc. Ecclesia de Eucharistia (17 de abril de 2003), 49-50; Bento XVI, Exort. ap. pós-sinodal Sacramentum caritatis (22 de fevereiro de 2007), 80.

[6] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. Sacrosanctum Concilium, 122-124; Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Instrução Redemptionis Sacramentum (25 de março de 2004), 121-128: l.c., 583-585.

[7] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. Sacrosanctum Concilium, 112, 114 e 116; João Paulo II, Carta enc. Ecclesia de Eucharistia (17 de abril de 2003), 49; Bento XVI, Exort. ap. pós-sinodal Sacramentum caritatis (22 de fevereiro de 2007), 42.

[8] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. Sacrosanctum Concilium, 120.

[9] Cf. ibid., 30; Bento XVI, Exort. ap. pós-sinodal Sacramentum caritatis (22 de fevereiro de 2007), 55.

[10]                 Cf. C.I.C., can. 899, § 3.

[11]                 João Paulo II, Carta enc. Ecclesia de Eucharistia (17 de abril de 2003), 52. Cf. Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Instrução Redemptionis Sacramentum (25 de março de 2004): l.c., 549-601.

[12]                 Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. Sacrosanctum Concilium, 22; C.I.C., can. 846, § 1; Bento XVI, Exort. ap. pós-sinodal Sacramentum caritatis (22 de fevereiro de 2007), 40.

[13]                 Bento XVI, Exort. ap. pós-sinodal Sacramentum caritatis (22 de fevereiro de 2007), 38.

[14]                 Cf. C.I.C., can. 929; Institutio Generalis Missalis Romani (2002), 81; 298; Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Instrução Liturgicae instaurationes (5 de setembro de 1970), 8: AAS 62 (1970), 701; Instrução Redemptionis Sacramentum (25 de março de 2004), 121-128: l.c., 583-585.


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