aCONTECIMENTOS eclesiais

DO MUNDO

 

 

PAQUISTÃO

 

FALSAS ACUSAÇÕES

DE BLASFÉMIA

 

O Supremo Tribunal de Islamabad retirou no passado dia 20 de Novembro as acusações de blasfémia contra a menina Rimsha Masih, adolescente cristã com síndrome de Down detida a 16 de Agosto, mas ela enfrenta agora ameaças de morte de radicais islâmicos.

 

A sentença foi justificada pelo facto de ninguém ter visto a criança “queimar páginas do Alcorão”, como referia a acusação.

Depois da libertação, Rimsha e a sua família foram transferidas para um local secreto, por se recearem eventuais agressões.

O imã – autoridade religiosa muçulmana – que denunciara Rimsha Masih acabou por ser detido, por falsificação de provas.

A menina cristã paquistanesa saíra da prisão a 7 de Setembro, sob caução, estando agora livre de um crime passível de prisão perpétua no Paquistão.

 

 

ANGOLA

 

ALERTA CONTRA

FEITIÇARIA

 

No termo da recente assembleia plenária de 14 a 21 de Novembro passado, em Luanda, a Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) anunciou a decisão de punir os fiéis católicos que recorram e fomentem a prática da feitiçaria.

 

Segundo o comunicado final, os Bispos “constataram com alguma tristeza e apreensão a manifestação de alguns sinais de regionalismos e o incremento da crença na feitiçaria, atitudes que em nada abonam à consolidação da paz social e à vivência da fé autêntica, incorrendo em penas de interdição e suspensão temporárias todos aqueles fiéis leigos, religiosos e religiosas e sacerdotes que recorrem e fomentam a prática da feitiçaria”.

Neste sentido, a Nota Pastoral sobre a problemática da Feitiçaria e as suas implicações na vida eclesial afirma que “a feitiçaria recorre aos adivinhos; estes constituem uma fonte inesgotável de crimes de vária espécie; têm como ponto central a mentira e a calúnia, os quais conduzem à destruição moral e física de inocentes, mesmo de crianças e até dos próprios filhos”. E mais adiante:

“Radicados na fé e na caridade que vem do coração de Deus, proclamamos solenemente: a feitiçaria é incompatível com o nosso baptismo, é contrária à vocação da vida consagrada mediante o sacerdócio ou a profissão dos votos evangélicos. Toda a pessoa que vai consultar o feiticeiro ou o adivinho comete um pecado grave contra o Primeiro Mandamento, e não pode ir à comunhão sem antes se confessar, com arrependimento e propósito firme de emenda”.

Estes documentos encontram-se publicados no jornal online da CEAST, O Apostolado.

 

 

 ÁUSTRIA

 

CRIADO CENTRO EM VIENA PARA

DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO

 

O presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, cardeal Jean-Louis Tauran, participou em Viena no passado dia 26 de Novembro na inauguração de um novo centro dedicado a esta área, saudando a sua importância para a realização plena das pessoas.

 

Numa mensagem transmitida durante a cerimónia de inauguração do “Centro para o diálogo inter-religioso rei Abdullah Bin Abdulaziz”, organismo com sede em Viena e que a Santa Sé apoia como membro “observador fundador”, o cardeal referiu que esta estrutura “abre novas perspectivas” à preservação dos “direitos humanos fundamentais”.

“Este centro representa mais uma oportunidade de diálogo, particularmente ao nível de todos os aspectos que envolvem a liberdade religiosa, de cada pessoa, de cada comunidade, em todo o mundo”, salientou o prelado francês.

O novo projecto, promovido pelo rei Abdullah, da Arábia Saudita, apresenta-se como uma instituição independente, reconhecida pela Organização das Nações Unidas, com a finalidade de “promover o diálogo entre as culturas e religiões mundiais”, e tem como “Estados fundadores” – para além da nação árabe e do Vaticano – a Áustria e a Espanha.

No conselho de administração do centro vão estar incluídos representantes católicos, judaicos, islâmicos, hindus e budistas, sendo que a Santa Sé estará presente através do padre Miguel Angel Ayuso Guixot, actual secretário do Conselho Pontifício, que vai acumular esse cargo com o de observador no novo centro.

O cardeal Jean-Louis Tauran assegurou que “a Santa Sé está particularmente atenta ao destino das comunidades cristãs em países onde a liberdade não é devidamente salvaguardada”.

Independentemente da sua religião, “os crentes devem trabalhar em conjunto para garantir tudo aquilo que serve de suporte às aspirações materiais, morais e religiosas da pessoa humana”, sustentou o presidente do Conselho Pontifício, colocando a tónica no contributo que a fé tem para a felicidade do Homem.

O sucesso no diálogo inter-religioso, acrescentou, implica “respeito pelo outro na sua especificidade, conhecimento recíproco das tradições religiosas de cada um, especialmente através da educação, e colaboração para que a peregrinação humana em direcção à Verdade se realize na liberdade e na serenidade”

 

 

BRASIL

 

PREVISTO LOCAL DE ENCERRAMENTO

DA JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE

 

A missa final da próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ), a 28 de Julho de 2013, com presidência do Papa, vai decorrer na localidade de Guaratiba, na zona oeste do Rio de Janeiro, anunciou a organização no passado dia 28 de Novembro.

 

A cerimónia e a vigília de preparação, no dia anterior, devem reunir milhões de pessoas e vão decorrer a mais de 40 km da praia de Copacabana, na cidade brasileira, onde estão previstos outros actos centrais daquela que é considerada a maior iniciativa da Igreja Católica no âmbito juvenil.

A organização da JMJ revelou que vai “trabalhar com a estrutura de lotes e ruas, que contarão com ilhas de serviço para apoiar os peregrinos”.

Estes locais contarão com “casas de banho, postos médicos, espaços de alimentação, tendas de adoração, torre de segurança, ecrãs gigantes e bebedouros”.

Ainda de acordo com a organização, o planeamento para o acesso ao terreno estuda duas possibilidades: “A chegada a pé, a partir de pontos de desembarque, por três trajectos, de cerca de 13 quilómetros cada; e a saída por meio de um sistema de ‘shuttle’ [vaivém], que é um serviço de transporte especial”.

A JMJ vai decorrer entre os dias 23 a 28 de Julho de 2013, com a presença prevista de Bento XVI no encerramento.

O lema da JMJ 2013 é “Ide e fazei discípulos de todos os povos”, expressão baseada no evangelho segundo São Mateus.

Esta será a segunda vez que uma cidade sul-americana acolhe a edição internacional da JMJ, depois de Buenos Aires (Argentina), em 1987, na primeira ocasião em que a iniciativa criada pelo Papa João Paulo II saiu de Roma.

 

 

EUROPA

 

NOBEL DA PAZ

À UNIÃO EUROPEIA

 

Os responsáveis dos episcopados católicos na União Europeia (UE) elogiaram a atribuição do Nobel da Paz ao projecto comunitário, entregue no passado dia 10 de Dezembro, destacando a importância de preservar a unidade em tempos de crise.

 

“Vejo nesta atribuição do Nobel da Paz um reconhecimento do valor do projecto da União Europeia e do seu sentido para a construção da paz entre os povos da Europa”, disse D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima e representante da Conferência Episcopal Portuguesa na comissão dos episcopados católicos da Comunidade Europeia (COMECE).

Já o cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e presidente da COMECE, saudou a decisão do Comité do Prémio Nobel, anunciada a 12 de Outubro, mostrando-se particularmente satisfeito pela mesma ocorrer num “tempo de crise”.

“É um claro sinal de que a Europa pode contribuir para um mundo melhor”, destaca o cardeal alemão.

Segundo o cardeal, apesar dos problemas com que a Europa se vê confrontada, o Nobel da Paz deve lembrar aos cidadãos da UE “o grande contributo que o projecto de integração europeia ofereceu ao desenvolvimento pacífico do continente”.

O prémio foi entregue em Oslo, ao presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, em conjunto com os presidentes da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e do Parlamento Europeu, Martin Schulz.

O Comité do Prémio Nobel justifica a atribuição do galardão à UE pelo seu “contributo, há mais de seis décadas, para o avanço da paz e da reconciliação, da democracia e dos direitos humanos na Europa”.

Concebida a seguir à II Guerra Mundial, para evitar o surgimento de novos conflitos na região, a Comunidade Europeia veio dar a estabilidade necessária para a construção de uma nova era, salienta o júri da Academia.

Os prémios Nobel foram criados em 1895 pelo químico e engenheiro sueco Alfred Nobel, começaram a ser atribuídos seis anos depois e envolvem hoje áreas como a medicina, economia, literatura e física, para além da paz.

 

 

PALESTINA

 

PRESIDENTE

ENCONTRA-SE COM O PAPA

 

Bento XVI encontrou-se no passado dia 17 de Dezembro no Vaticano com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, ao qual deixou votos de que o reconhecimento como Estado-observador, na ONU, promova uma “solução justa e duradoura” do conflito israelo-palestino.

 

As duas partes abordaram a situação na região, marcada por vários conflitos, desejando “a coragem da reconciliação e da paz”.

A Palestina tornou-se “Estado observador não-membro" das Nações Unidas, a 29 de Novembro, com 138 votos favoráveis, 9 contra e 41 abstenções da assembleia geral da ONU, no que é visto como um reconhecimento tácito do Estado palestino.

Mahmoud Abbas e Bento XVI fizeram referência a esta resolução e encorajaram a comunidade internacional a assumir um “compromisso” pela solução dos conflitos na região, que “apenas poderá obter-se retomando de boa fé as negociações entre as partes, no respeito pelo direito de todos”.

O presidente da Autoridade Palestina encontrou-se ainda com o Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, acompanhado pelo arcebispo Dominique Mamberti, secretário para as Relações com os Estados.

Nas conversas, “não faltou uma referência ao contributo que as comunidades cristãs oferecem ao bem comum da sociedade nos Territórios Palestinos e em todo o Médio Oriente”.

Bento XVI e Abbas já se tinham encontrado no Vaticano em 2007 e 2009, ano em que o Papa se deslocou à Terra Santa, com passagem pelo palácio do presidente da Autoridade Palestina, em Belém.

 

 

ROMA

 

ENCONTRO EUROPEU DE JOVENS

DA COMUNIDADE DE TAIZÉ

 

No passado dia 2 de Janeiro, encerrou em Roma o 35.º Encontro Europeu de jovens, organizado pela Comunidade de Taizé em colaboração com a diocese de Roma.

 

Desde 28 de Dezembro, milhares de jovens provenientes de todo o continente, e não só, participaram em mais uma etapa da chamada “Peregrinação de confiança através da Terra”, iniciada pelo fundador, Irmão Roger, há mais de trinta anos.

O tema do encontro foi centralizado na vida interior e na solidariedade na família humana, e desenvolveu-se através de um programa intenso, constituído pela oração comum, pela partilha em pequenos grupos internacionais, por encontros de reflexão e por pequenas peregrinações nas pegadas dos primeiros cristãos. Pela manhã, os peregrinos reuniam-se nas paróquias romanas; à tarde, no centro da cidade.

O ápice do evento foi o encontro com o Papa Bento XVI na Praça de São Pedro, no sábado 29 de Dezembro. Mais de quarenta mil pessoas, sobretudo jovens, participaram de um momento de oração comovente. Católicos, protestantes e ortodoxos deixaram transparecer, principalmente, a vivacidade do ecumenismo.

Bento XVI encorajou os jovens a serem “portadores da comunhão” e chamou-lhes “pequenas luzes” para a sociedade, que merece “uma distribuição mais equitativa dos bens da terra” e “uma nova solidariedade humana”.

Desses milhares de participantes, mais de 700 eram oriundos de Portugal.

O Prior da Comunidade, Irmão Alois, anunciou que a próxima etapa da “Peregrinação de confiança através da Terra” será em 2014 na cidade de Estrasburgo (França), sede do Parlamento europeu, do Conselho da Europa e da Corte europeia dos Direitos Humanos.

 

 

FRANÇA

 

MANIFESTAÇÃO EM

DEFESA DO MATRIMÓNIO

 

Centenas de milhares de pessoas reuniram-se em Paris, no passado domingo 13 de Janeiro, para uma manifestação contra a equiparação ao matrimónio das uniões entre pessoas do mesmo sexo, protesto que mereceu o apoio do Vaticano.

 

A chamada “Manifestação para todos”, promovida por comunidades religiosas e movimentos da sociedade civil, surgiu como forma de oposição ao projecto de lei apresentado pelo governo socialista de François Hollande, chamado “Casamento para todos”, que pretende legalizar o casamento e a adopção por homossexuais e deve começar a ser analisado pelo Parlamento francês a partir do dia 29 de Janeiro.

Sob o lema «Nascemos de um homem e de uma mulher», a manifestação na capital gaulesa é apresentada pelo portal de notícias do Vaticano como uma “batalha civilizacional em defesa da célula fundamental da sociedade”.

O presidente do Conselho Pontifício para a Família, Mons. Vincenzo Paglia, elogiou o empenho do episcopado francês nesta causa para “fazer entender que o matrimónio e a família não são uma realidade de alguém, mas da humanidade”.

“A igualdade é uma coisa, o respeito pela diversidade é outra, porque para se chegar a uma igualdade robusta é necessário respeitar a diferença”, alertou, com críticas à ideologia de género.

O porta-voz da Conferência Episcopal Francesa, Mons. Bernard Podvin, disse estar “confiante no bom senso” da opinião pública, nestas matérias e apela ao testemunho dos católicos.

“Os tempos são difíceis, temos de testemunhar uma esperança e recordar à nossa sociedade que, no futuro, será muito mais frágil e terá de estar muito atenta aos seus valores fundamentais”, acrescentou.

 

 

EUROPA

 

RESTRIÇÕES À

LIBERDADE RELIGIOSA

 

O secretário do Vaticano para as relações com os Estados, Mons. Dominique Mamberti, manifestou no passado dia 16 de Janeiro preocupações sobre restrições à liberdade religiosa, após o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH) ter julgado quatro casos apresentados por cristãos do Reino Unido.

 

“Há um risco real de que o relativismo moral, que se está a converter numa nova norma social, possa minar os alicerces da liberdade individual de consciência e de religião”, alertou D. Domique Mamberti, numa entrevista à Rádio Vaticano.

O TEDH publicou no dia 15 as sentenças dos quatros casos relativos a liberdade de consciência e religiosa: duas situações diziam respeito à possibilidade de trazer ao peito uma pequena cruz, nos locais de trabalho; as outras eram relativas ao direito de objecção de consciência perante a celebração de uma união civil ou o aconselhamento matrimonial para pessoas do mesmo sexo.

Os juízes apenas deram razão à queixa de Nadia Eweida, antiga empregada da British Airways que fora despedida por se ter recusado a tirar um crucifixo que usava.

Como princípio para resolver os quatro casos – só um positivamente –, o TEDH sublinha que “a liberdade religiosa engloba a liberdade de manifestar a própria religião, inclusive no local de trabalho”, mas admite que “a prática religiosa pode ser restringida quando invade os direitos de outros”.

Para o arcebispo Mamberti, estes casos mostram que “as questões relativas à liberdade de consciência e de religião são complexas, em particular numa sociedade europeia marcada pelo aumento da diversidade religiosa e o endurecimento correspondente do laicismo”.

O responsável da diplomacia da Santa Sé chama a atenção sobre a necessidade de preservar a liberdade religiosa na sua dimensão colectiva e social, acrescentando que “a Igreja sempre teve de defender-se para preservar a sua autonomia perante a autoridade civil”.

“Hoje, um problema importante nos países ocidentais é saber como é que a cultura dominante, fortemente marcada pelo individualismo materialista e o relativismo, pode compreender e respeitar a natureza inerente da Igreja, que é uma comunidade baseada na fé e na razão”, disse.

 

 


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