aCONTECIMENTOS eclesiais

DA SANTA SÉ

 

 

SAÚDE NÃO PODE SER MERCADORIA

 

Bento XVI alertou no passado dia 17 de Novembro para os riscos de a saúde se tornar numa “mercadoria”, limitando o acesso aos serviços sanitários por causa da crise económica que “retira recursos” a este sector.

 

“Hospitais e estruturas de assistência devem repensar o seu próprio papel para evitar que  a saúde, para além de ser um bem universal a assegurar e defender, se torne uma simples ‘mercadoria’ sujeita a leis do mercado e, portanto, um bem reservado a poucos”, disse o Papa perante centenas de participantes ao encerrar a 27ª Conferência internacional do Conselho Pontifício da Pastoral da Saúde, que decorreu nos dias 15 a 17.

O discurso papal aludiu à necessidade de uma “atenção particular” que é devida à dignidade das pessoas que sofrem, “aplicando também no âmbito das políticas de saúde o princípio de subsidiariedade e o de solidariedade”.

“Hoje, disse Bento XVI, aumentaram as capacidades no campo técnico-científico, mas estão em quebra as capacidades do cuidar”.

“Parecem ofuscar-se os horizontes éticos da ciência médica, que se arrisca a esquecer que a sua vocação é servir cada homem e todos os homens, nas diversas fases da sua existência”, acrescentou.

O Papa apelou ainda aos participantes para que promovam a “ciência cristã do sofrimento”, na qual se incluem “a compaixão, a solidariedade, a partilha, a abnegação, a gratuidade, o dom de si”.

A Conferência “Hospital como lugar de evangelização” reuniu no Vaticano 600 pessoas de mais de 60 países, incluindo Portugal.

Segundo o jornal do Vaticano, existem 120 mil estruturas de saúde católicas, que oferecem 17% das camas disponíveis para os doentes de todo o mundo.

No programa incluiu-se uma intervenção de Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas, sobre o tema “A missão das Misericórdias junto dos que sofrem”.

 

 

BENTO XVI APELA À REABILITAÇÃO DOS PRESOS

 

O Papa recebeu no Vaticano no passado dia 22 de Novembro os participantes na 17.ª conferência dos directores das administrações prisionais do Conselho da Europa, tendo-lhes pedido que promovam a reabilitação dos detidos e protejam os seus direitos.

 

O sistema penitenciário deve “comprometer-se na prática, e não só como declaração de princípios, na reabilitação efectiva da pessoa”, com vista à sua “reinserção social”, frisou Bento XVI no seu discurso.

“Para que a justiça humana, neste campo, se inspire e oriente segundo a justiça divina, é preciso que a função reabilitadora da pena não se considere como um aspecto acessório e secundário do sistema penal, mas, pelo contrário, a sua razão culminante e qualificativa”, vincou.

Bento XVI apelou aos responsáveis para evitarem que a detenção se converta “num castigo não educativo”, que acentuaria a tendência para o delito e aumentaria a “perigosidade social da pessoa”, sobretudo numa época em que as “diferenças económicas e sociais e o individualismo crescente alimentam as raízes da delinquência”.

As penas de prisão, observou, devem também ser acompanhadas pelo “respeito da dignidade e dos direitos humanos”, critério que “em muitos países, infelizmente, está longe de ser uma realidade”.

Os agentes prisionais são chamados a cuidar das pessoas que, enquanto estão presas, “podem perder facilmente o sentido da vida e o valor da dignidade pessoal, cedendo ao desalento e ao desespero”, referiu.

“O profundo respeito pelo indivíduo, a tarefa de reabilitação dos presos e a criação de uma verdadeira comunidade educativa, torna-se ainda mais urgente tendo em conta a presença crescente de detidos estrangeiros, com frequência em circunstâncias difíceis e de fragilidade”, acrescentou.

O discurso sublinhou a importância da promoção de “actividades de evangelização e assistência espiritual, capazes de suscitar nos detidos as suas dimensões mais nobres e profundas, despertando neles o entusiasmo pela vida e o desejo de beleza que caracterizam quem tem gravado em si, de forma indelével, a imagem de Deus”.

 

 

PAPA ELOGIA TRADIÇÃO DO CIRCO

 

Bento XVI encontrou-se no passado dia 1 de Dezembro com cerca de 10 mil artistas de rua e do circo, num Encontro mundial que assinalou o Ano da Fé, elogiando os valores tradicionais do espectáculo itinerante.

 

“O vosso ofício requer renúncia e sacrifício, responsabilidade e perseverança, coragem e generosidade, virtudes que a sociedade moderna nem sempre aprecia, mas que contribuíram para formar gerações inteiras na vossa grande família”, declarou o Papa.

Bento XVI disse ter consciência dos numerosos problemas ligados à condição de itinerante, pedindo que as autoridades reconheçam a “função social e cultural” destes espectáculos e que a sociedade deixe de lado os preconceitos sobre estes artistas.

O discurso foi antecedido por actuações e testemunhos de artistas de rua e do circo, feirantes, bandas musicais e ilusionistas.

Segundo Bento XVI, esta “família” de artistas distingue-se pela capacidade de usar uma “linguagem particular e específica”, “a alegria dos espectáculos, a alegria recreativa do jogo, a graciosidade das coreografias, o ritmo da música”.

“Sois chamados a testemunhar os valores que fazem parte da vossa tradição: o amor pela família, a ternura pelos mais pequenos, a atenção aos deficientes, o cuidado com os doentes, a valorização dos idosos e do seu património de experiências”, acrescentou.

O encontro na principal sala de audiências do Vaticano durou mais de duas horas e meia, com a presença do Papa nos últimos 60 minutos, e foi organizado pelo Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes.

“A Igreja, que é peregrina como vós neste mundo, convida-vos a participar na sua missão divina através do vosso trabalho quotidiano”, observou Bento XVI.

Neste contexto, o Papa espera que as comunidades católicas tenham “pessoas acolhedoras e disponíveis” para esta população, com necessidades específicas de “nova evangelização”.

 

 

SECRETÁRIO DO PAPA NOMEADO PREFEITO DA CASA PONTIFÍCIA

 

No passado dia 7 de Dezembro foi tornado público que Bento XVI nomeou o seu secretário particular, monsenhor Georg Gänswein, Prefeito da Casa Pontifícia.

 

Para ocupar o cargo de Prefeito da Casa Pontifícia o sacerdote alemão de 56 anos foi elevado à dignidade de arcebispo, recebendo mais tarde a ordenação episcopal em 6 de Janeiro deste ano.

Após a ordenação presbiteral, a 31 de Maio de 1984, Mons. Georg Gänswein ficou ao serviço da arquidiocese de Freiburg im Breisgau, tendo sido escolhido pelo arcebispo para seu colaborador pessoal.

Doutorado em Direito Canónico, foi juiz do Tribunal Diocesano e em 1995 entrou para a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, no Vaticano.

No ano seguinte foi transferido para a Congregação para a Doutrina da Fé, assumindo o cargo de secretário pessoal do responsável do Dicastério, o cardeal Joseph Ratzinger.

Mons. Georg Gänswein, que conhece o italiano, francês, inglês, espanhol e latim, tornou-se secretário particular de Bento XVI depois da sua eleição ao pontificado, em 2005.

A Prefeitura da Casa Pontifícia é responsável por organizar as audiências solenes concedidas pelo Papa a chefes de estado e de governo, ministros e embaixadores.

O organismo também prepara as audiências privadas, especiais e gerais, bem como a visita das personalidades que se encontram com o Papa.

As cerimónias pontifícias, excepto a parte estritamente litúrgica, e os exercícios espirituais do Papa, do Colégio de Cardeais e da Cúria Romana também estão dentro das competências da prefeitura.

A instituição assume igualmente os preparativos das deslocações do Papa a Roma e a outras localidades da Itália.

 

 

BENTO XVI CHEGOU AO TWITTER

 

Bento XVI inaugurou no passado dia 12 de Dezembro de 2012 a sua conta na rede social Twitter com uma mensagem de agradecimento e três respostas a questões sobre fé, chegando num dia a mais de 1,3 milhões de seguidores.

 

“Queridos amigos, é com alegria que entro em contacto convosco via twitter. Obrigado pela resposta generosa. De coração vos abençoo a todos”, escreveu Bento XVI, no texto publicado em @pontifex, a partir do Vaticano.

O ‘tweet’ foi enviado pelo próprio Papa, na sala Paulo VI, após o final da audiência geral, perante os aplausos dos milhares de pessoas presentes e rodeado por jovens representantes dos cinco continentes.

A mensagem foi repetida por mais de 42 mil seguidores em língua inglesa e outros 2500 em português, sendo classificada como “favorita” por mais de 14 mil pessoas nesses dois idiomas.

Pouco depois das 12h00 em Roma, Bento XVI abordou a primeira pergunta que lhe foi endereçada.

 “Dialoga com Jesus na oração, escuta Jesus que te fala no Evangelho, encontra Jesus que está presente nas pessoas que passam necessidade”, respondeu o Papa à questão “Como podemos viver melhor o Ano da Fé no nosso dia a dia?”.

Cerca de três horas depois, um novo ‘tweet’: “A pessoa crente nunca está sozinha. Deus é a rocha segura sobre a qual construir a vida, e o seu amor é sempre fiel”, escreveu o Papa, em resposta à questão “Como viver a fé em Jesus Cristo num mundo sem esperança?”.

Às 18h00 de Roma, Bento XVI respondia a outra questão: "Algumas sugestões para conseguir orar mais quando estamos tão ocupados com as solicitações de trabalho, da família e da sociedade?”.

“Oferece tudo o que fazes ao Senhor, pede a sua ajuda em todas as circunstâncias da vida e lembra-te de que Ele está sempre ao teu lado”, escreveu.

Os pequenos textos são publicados com autorização do Papa em oito idiomas: inglês, espanhol, italiano, português, alemão, polaco, árabe e francês.

Numa primeira fase, os ‘tweets’ são lançados às quartas-feiras, dia da audiência pública semanal.

O twitter é a ferramenta de micro-blogging mais difundida no mundo das comunicações virtuais, com mais de 500 milhões de utilizadores, permitindo a distribuição de pequenos textos contendo no máximo 140 caracteres.

 

 

TRANSPARÊNCIA NA GESTÃO DOS BENS DA IGREJA

 

O Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcísio Bertone, apelou no passado dia 18 de Dezembro à “transparência” na gestão dos bens da Igreja, durante a apresentação do novo regulamento da Prefeitura para os Assuntos Económicos da Santa Sé.

 

O cardeal destacou a importância de um “compromisso cada vez mais incisivo” neste campo, sobretudo num momento em que os serviços do governo central da Igreja Católica se estão a adequar às “normas internacionais de controlo financeiro”.

A referida Prefeitura tem a seu cargo a vigilância e o controlo sobre todas as administrações que dependem da Santa Sé ou lhe estejam subordinadas e vai agora ver reforçadas as suas competências de “programação e coordenação económica geral”, em ligação à Secretaria de Estado.

“A necessária transparência das actividades económicas e financeiras da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano exige um compromisso cada vez mais incisivo e concertado de correcção por parte de todas as administrações”, disse o Secretário de Estado.

Por outro lado, admitiu que a Santa Sé tem de “proceder a uma redução gradual, mas efectiva” de custos, num momento de crise.

Para o cardeal, é preciso que “cresça em todos a consciência da necessidade de apoiar não só a missão da Igreja e da Santa Sé mas também a sua credibilidade”.

 

 

PAPA PALO VI DECLARADO VENERÁVEL

 

Bento XVI autorizou no passado dia 20 de Dezembro a Congregação das Causas dos Santos a promulgar os Decretos relativos a numerosos novos Santos, entre os quais, Antonio Primaldo e companheiros (mais de 800), assassinados por ódio à fé durante o cerco turco de Otranto (Sul da Itália), em 1480; a 40 novos Beatos, entre os quais muitos mártires durante a guerra civil espanhola; e também a 10 novos Veneráveis, entre os quais o Papa Paulo VI, de quem foram reconhecidas as virtudes heróicas.

 

A Rádio Vaticano entrevistou o Postulador da Causa de Beatificação de Paulo VI, Pe. Antonio Marrazzo, que disse como recebeu a notícia:

"Foi uma grande alegria, com grande serenidade... Há uma devoção por parte de tantos fiéis praticamente no mundo inteiro, e verificamos isso com a documentação na «positio». Além disso, o Papa Giovanni Battista Montini representa um período da Igreja de grande importância e nos fez redescobrir a parte fundamental do nosso ser cristão: um retorno a um Cristo mais autêntico, e também à humanidade de Cristo. Foi um homem de fé verdadeira: vimos isso em seus gestos. Hoje podemos falar e entender de paz, de dignidade humana, de respeito pela pessoa, de respeito pela vida, pela família, e em grande parte devemos a ele."

 

 

INDULTO DO PAPA A PAOLO GABRIELE

 

O Santo Padre concedeu o indulto ao seu antigo mordomo, Paolo Gabriele, que se encontrava detido no Vaticano.

 

Segundo o comunicado da Secretaria de Estado, de 22 de Dezembro passado, “esta manhã o Santo Padre Bento XVI fez uma visita, na prisão, a Paolo Gabriele, para lhe confirmar o seu perdão e para lhe comunicar pessoalmente ter acedido ao seu pedido de benevolência, com remissão da pena que lhe tinha sido infligida. Tratou-se de um gesto paterno para com uma pessoa com a qual o Papa partilhou durante alguns anos uma familiaridade quotidiana.

“Seguidamente, Paolo Gabriele deixou a prisão, regressando a casa. Embora não possa retomar o trabalho anterior, nem continuar a residir no Vaticano, a Santa Sé, confiando na sinceridade do arrependimento que manifestou, tenciona oferecer-lhe a possibilidade de retomar com serenidade a vida juntamente com a sua família”.

Paolo Gabriele tinha sido detido em Maio de 2012. Após o processo a que foi submetido em fins de Setembro, fora condenado, em 6 de Outubro, a 3 anos de reclusão, pena reduzida para ano e meio, por fruto agravado de documentos reservados.

 

 

 


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