5º Domingo da Quaresma

17 de Março de 2013

 

Onde se fizerem os escrutínios preparatórios do Baptismo dos adultos, neste Domingo, podem utilizar-se as orações rituais e as intercessões próprias: p. 1063 do Missal Romano.

 

RITOS INICIAIS

 

Cântico de entrada: Defendei-me Senhor, J. Santos, NRMS 105

Salmo 42, 1-2

Antífona de entrada: Fazei-me justiça, meu Deus, defendei a minha causa contra a gente sem piedade, livrai-me do homem desleal e perverso. Vós sois o meu refúgio.

 

Não se diz o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Neste 5º domingo da Quaresma somos confrontados com os sentimentos de bondade de Cristo e com as surpresas que Deus reserva para todos aqueles que n’Ele confiam.

Esta confiança reveste-se para todos nós de condição indispensável para podermos celebrar frutuosamente todo o Mistério Pascal.

Somos também convidados a fazer um exame de consciência mais sério pensando no modo como julgamos e muitas vezes condenamos as atitudes daqueles que nos rodeiam, ao contrário da atitude bondosa de Jesus no confronto com a agressividade e a violência com que os mais frágeis são muitas vezes castigados.

Pensando nos julgamentos por vezes precipitados e condenatórios que fazemos, peçamos humildemente perdão ao Senhor.

 

Oração colecta: Senhor nosso Deus, concedei-nos a graça de viver com alegria o mesmo espírito de caridade que levou o vosso Filho a entregar-Se à morte pela salvação dos homens. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

Primeira Leitura

 

Monição: Hoje, como em muitos outras épocas, há pessoas que vivem atormentadas pelo sofrimento físico ou moral. Ao ouvirmos esta primeira leitura deparamo-nos com uma mensagem de optimismo que nos interpela a pensar naquilo que poderemos fazer para transformar a condição de vida dos nossos irmãos mais deprimidos.

 

Isaías 43, 16-21

16O Senhor abriu outrora caminhos através do mar, veredas por entre as torrentes das águas. 17Pôs em campanha carros e cavalos, um exército de valentes guerreiros; e todos caíram para não mais se levantarem, extinguiram-se como um pavio que se apaga. 18Eis o que diz o Senhor: «Não vos lembreis mais dos acontecimentos passados, não presteis atenção às coisas antigas. 19Olhai: vou realizar uma coisa nova, que já começa a aparecer; não a vedes? Vou abrir um caminho no deserto, fazer brotar rios na terra árida. 20Os animais selvagens – chacais e avestruzes – proclamarão a minha glória, porque farei brotar água no deserto, rios na terra árida, para matar a sede ao meu povo escolhido, 21o povo que formei para Mim e que proclamará os meus louvores».

 

A leitura é tirada do II Isaías, que tem por centro o regresso dos judeus deportados na Babilónia, após a queda desta cidade em 539, com a invasão de Ciro, rei persa, que decretou a libertação dos judeus. Era urgente animar este povo a regressar, pois ao cabo de mais de 60 anos, já aclimatados àquela situação de degredo e escravidão, não estariam motivados para a aventura do regresso – haveria mesmo gente instalada numa situação sofrível. O Profeta apresenta o regresso de Babilónia como um novo Êxodo, em que os antigos prodígios não só se renovarão, mas os deixarão a perder de vista: «Não vos lembreis mais dos acontecimentos passados» (v. 18). Vale a pena tomar parte em tão maravilhosa aventura! É também um apelo válido para a conversão quaresmal, que a Igreja espera dos seus filhos.

 

Salmo Responsorial    Sl 125 (126), 1-6 (R. 3)

 

Monição: O salmo que iremos recitar tornar-se-á verdadeira realidade na nossa boca se tivermos sabido viver generosamente todos os momentos difíceis da nossa vida.

 

Refrão:        Grandes maravilhas fez por nós o Senhor.

Ou:               O Senhor fez maravilhas em favor do seu povo.

 

Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião,

parecia-nos viver um sonho.

Da nossa boca brotavam expressões de alegria

e de nossos lábios cânticos de júbilo.

 

Diziam então os pagãos:

«O Senhor fez por eles grandes coisas».

Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor,

estamos exultantes de alegria.

 

Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos,

como as torrentes do deserto.

Os que semeiam em lágrimas

recolhem com alegria.

 

À ida, vão a chorar,

levando as sementes;

à volta, vêm a cantar,

trazendo os molhos de espigas.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Ao ouvirmos a confissão de Paulo sobre o significado de Jesus na sua vida, somos levados a pensar qual o sentido e o valor que Cristo representa para nós no confronto com as nossas contrariedades e dificuldades.

 

Filipenses 3, 8-14

Irmãos: 8Considero todas as coisas como prejuízo, comparando-as com o bem supremo, que é conhecer Jesus Cristo, meu Senhor. Por Ele renunciei a todas as coisas e considerei tudo como lixo, para ganhar a Cristo 9e n’Ele me encontrar, não com a minha justiça que vem da Lei, mas com a que se recebe pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus e se funda na fé. 10Assim poderei conhecer Cristo, o poder da sua ressurreição e a participação nos seus sofrimentos, configurando-me à sua morte, 11para ver se posso chegar à ressurreição dos mortos. 12Não que eu tenha já chegado à meta, ou já tenha atingido a perfeição. Mas continuo a correr, para ver se a alcanço, uma vez que também fui alcançado por Cristo Jesus. 13Não penso, irmãos, que já o tenha conseguido. Só penso numa coisa: esquecendo o que fica para trás, lançar-me para a frente, 14continuar a correr para a meta, em vista do prémio a que Deus, lá do alto, me chama em Cristo Jesus.

 

O texto desta leitura constitui uma das mais belas jóias dos escritos paulinos. Há mesmo exegetas pensam que esta carta é um conjunto de dois ou três pequenos escritos de S. Paulo. O contexto da passagem é a parte polémica desta carta do cativeiro (3, 1b – 4, 1), em que o Apóstolo põe os seus fiéis de sobreaviso contra os cristãos judaizantes, que queriam impor aos cristãos vindos dos gentios as práticas da lei de judaica, nomeadamente a circuncisão, vendo nelas uma forma de alcançar a justiça, a conformidade com Deus e com a sua vontade de modo a ser-Lhe agradável e a alcançar a salvação. A reacção de Paulo é extremamente enérgica e dura; confidencia que também ele tinha posto a sua confiança na carne (v. 4), sendo «irrepreensível quanto à justiça que deriva da observância da Lei» (v. 6); mas tinha-se dado nele uma viragem completa: em face do valor absoluto, o bem supremo, que é conhecer Cristo, tudo tinha mudado: «tudo quanto para mim era um ganho, isso mesmo considerei uma perda» (v. 7).

8 «Conhecer Jesus Cristo» não é um mero conhecimento teórico, mas experimental, vivencial, de Cristo; por Ele, insiste o Apóstolo, eu deixei perder todas estas coisas: os pergaminhos judaicos – vv. 4-6 – em suma, a justiça que vem da Lei (v. 9); tudo isso é lixo, uma porcaria (v. 8: o termo grego – skybala – é mesmo muito duro, «excrementos»), em face da justiça que vem de Deus e da condição de estar em Cristo.

9 «A justiça que vem da Lei» não vai muito além da simples observância de prescrições, em que, de modo mais ou menos oculto, se aninha a afirmação do eu e das próprias capacidades para cumprir, e em que se reclama o mérito próprio perante Deus (como se o homem fosse o credor e Deus o devedor: lembre-se a parábola do fariseu e do publicano). «A justiça que vem de Deus» é um dom gratuito que eleva o ser humano, tirando-o da sua radical incapaci­da­de para se identificar com o projecto salvador de Deus; funda-se na fé, isto é, no acolhimento e aceitação de Cristo como dom de Deus, nomeadamente do valor salvador do que Ele padeceu por nós.

10 «A participação nos seu sofrimentos» é um dos aspectos essenciais de quem faz a experiência da fé em Cristo (o referido conhecimento de Cristo); mas esta experiência de morte não desemboca no vazio, pois tem como força motriz (dynamis) a Ressurreição de Cristo, e tem como meta a participação neste mistério, que não deixa de aparecer também como prémio para quem corre para a meta (v. 14).

12 «Uma vez que também fui alcançado». Paulo recorre com frequência às imagens das competições desportivas (cf. 2, 16; 1 Cor 9, 24-27; Gal 2, 2; 2 Tim 4, 6-8) para falar da vida cristã como uma luta. Apanhado por Cristo a caminho de Damasco (cf. Act 9, 3 ss), não deixa de correr, apenas muda o sentido da sua corrida.

 

Aclamação ao Evangelho        Jl 2, 12-13

 

Monição: Jesus, porque é benigno e misericordioso, convida-nos a convertermo-nos de todo o coração à Sua maneira de agir.

 

Cântico: J. Santos, NRMS 40

 

Convertei-vos a Mim de todo o coração, diz o Senhor;

porque sou benigno e misericordioso.

 

 

Evangelho

 

São João 8, 1-11

Naquele tempo, 1Jesus foi para o Monte das Oliveiras. 2Mas de manhã cedo, apareceu outra vez no templo e todo o povo se aproximou d’Ele. Então sentou-Se e começou a ensinar. 3Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, colocaram-na no meio dos presentes 4e disseram a Jesus: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. 5Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?». 6Falavam assim para Lhe armarem uma cilada e terem pretexto para O acusar. Mas Jesus inclinou-Se e começou a escrever com o dedo no chão. 7Como persistiam em interrogá-lo, ergueu-Se e disse-lhes: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». 8Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão. 9Eles, porém, quando ouviram tais palavras, foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio. 10Jesus ergueu-Se e disse-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?». 11Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Disse então Jesus: «Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar».

 

Esta passagem de sabor lucano é omitida nos manuscritos mais antigos do IV Evangelho, por isso é uma das passagens deutrocanónicas do Novo Testamento; também há manuscritos que colocam este relato no final deste Evangelho, ou então em Lc 21, 38. De qualquer modo, está fora de dúvida o seu valor canónico.

5-6 «Tu que dizes?» Tratava-se duma cilada à pessoa de Jesus. Se Ele dissesse que se devia apedrejar a adúltera, os seus inimigos conseguiriam denegrir a sua misericórdia para com os pecadores, que chegava a ser motivo de duras críticas (cf. Lc 5, 30; 15, 2; 19, 7), e poderiam denunciá-lo à autoridade romana por mandar executar uma pena capital, que lhe estava reservada. Se dissesse que se lhe devia perdoar, podia vir a ser acusado ao Sinédrio como advogado da desobediência à Lei (cf. Lv 20, 10; Dt 17, 5-7; 22, 20-24). Mas Jesus põe a questão noutros termos: não se trata de escolher entre a observância da Lei e a misericórdia, entre a justiça e a caridade, mas sim entre a mentira e a verdade, entre a hipocrisia dos acusadores e a sinceridade de quem se reconhece pecador e chora o seu pecado. A Lei não determinava o género de morte, a não ser para a virgem que depois dos esponsais aguardava o início da vida conjugal (Dt 22, 23-24). Talvez se tivesse vindo a generalizar a lapidação, ou então tratava-se duma noiva após os esponsais e antes das bodas. Note-se que os rabinos da época cristã, por razão de benignidade, comutaram o apedrejamento pelo estrangulamento, pena menos selvagem.

6 «Começou a escrever com o dedo no chão». S. Jerónimo, baseado em Jer 17, 13, comenta curiosamente que se pôs a escrever os pecados dos acusadores.

7-9 «Atire a primeira pedra»: isto pertencia pela Lei (Dt 13, 10; 17, 7) à principal testemunha de acusação. Com esta sentença, Jesus pretende confundir a malícia de falso zelo pela Lei, da parte dos seus inimigos, hipocritamente arvorados em defensores duma Lei que não observavam. A sentença de Jesus transforma os acusadores em acusados; e o receio de virem a ser desmascarados por Cristo fá-los debandar. 

11 «Nem Eu não te condeno. Vai e não tornes a pecar». O Senhor mostra-se tolerante e compassivo para com a pessoa que peca e ao mesmo tempo intransigente para com o pecado, ofensa a Deus, e, neste caso, um absoluto moral, que em nenhuma circunstância se poderia justificar.

 

Sugestões para a homilia

 

A confiança nas tribulações

A coragem para enfrentar as dificuldades

As nossas atitudes perante o próximo

 

A confiança nas tribulações

Perante as dificuldades por que por vezes passamos, somos tentados a desistir e a ceder, deixando de lutar ao pensarmos que já não vale a pena, que é melhor abandonar tudo e todos.

Assim pensavam os israelitas no seu desterro na Babilónia perante o trabalho duro a que estavam submetidos. À noite, quando regressavam a casa, extenuados e desiludidos, choravam e lastimavam-se recordando os anos distantes em que Deus auxiliara os seus antepassados na fuga do Egipto e nas maravilhas que por eles realizara no deserto.

Isaías apresenta, na primeira leitura de hoje, a resposta de Deus a esta ansiedade angustiante. Perante as suas dificuldades, o profeta promete-lhes em nome de Deus a libertação e o regresso à sua terra e anima-os a não perderem a confiança no Senhor.

As imagens de que o profeta se serve: a estrada no deserto para que o seu regresso não se tornasse tão difícil; a promessa de águas vivas, para fertilizarem a aridez do deserto, indica que Deus nunca os esquecera; que tudo aquilo que realizara no passado continuaria a ser possível no presente através da execução de maravilhas mais espantosas.

Esta segurança nas tribulações aplica-se a nós mesmos que devemos ter sempre confiança em Deus e na Sua ajuda em todas as circunstâncias.

As palavras do profeta apontam já para a sua realização em Cristo: pois com Ele chegam os novos tempos e a coragem para enfrentar todas as dificuldades.

 

A coragem para enfrentar as dificuldades

Também Paulo, quando encontrou Cristo, renunciou a tudo aquilo que representava para ele o passado e por isso se sentiu disposto a privar-se de tudo, para não perder Cristo, porque n’Ele encontrara a Vida.

A fim de acolher e viver a novidade do Evangelho, tão em contraste com a mentalidade actual dos tempos em que estamos inseridos, talvez sintamos dificuldade em romper com aquilo que é normal hoje em dia. Numa sociedade que se rege pelo comodismo, pelo poder, pela competição e pelo lucro, as propostas evangélicas podem parecer-nos ilógicas e despropositadas. Então, teremos seriamente de nos interrogar: que significado tem Jesus para nós? Seremos capazes de renunciar a algo para não perder a Cristo? Teremos coragem para enfrentar contrariedades e dificuldades para não sermos infiéis à fé que dizemos professar?

E as nossas atitudes para com o próximo não estarão em contraste com aquilo que o Senhor nos propõe?

 

As nossas atitudes perante o próximo

Os mais fortes são sempre capazes de escapar às agressividades e violências, porém os mais fracos sentem dificuldade em se desembaraçar dos ataques que lhes são lançados e das armadilhas que os acorrentam.

Ouvimos o que aconteceu com a mulher adúltera de que nos fala o evangelho. O adultério não pode ser cometido por uma só pessoa. Então, por que razão apenas a mulher apanhada em flagrante é arrastada, talvez espancada, arremessada ao chão e apresentada a Jesus?

Jesus não queria abandonar aquela mulher à crueza da lei em vigor, mas também queria dar uma lição aos que se apresentavam como os defensores da moralidade social. Não seriam eles também passíveis de ser apedrejados?

Jesus parece não reagir, pois limitava-se a escrever no chão. Perante a insistência dos que queriam supliciar a mulher levanta-se e diz-lhes: «Quem de vós estiver sem pecado que seja o primeiro a lançar-lhe uma pedra!». Ele era o único que poderia proferir a decisão, mas não o fez. Jesus não condena.

Por que razão, então, somos nós tão céleres em defender os bons costumes e a condenar por palavras e julgamentos às vezes precipitados ou infundados os nossos semelhantes? Mesmo que haja motivo para tal, porquê a nossa pressa em tal condenação? Se o pecado é na realidade um mal grave não conterá ele em si suficiente razão de infelicidade e destruição interior e pessoal para a pessoa que o praticou? A única coisa que Jesus quer é precisamente a salvação de quem errou, que saia da sua condição. Por tal motivo penso que Jesus não deve tolerar todo aquele que “atira pedras” contra quem já está tão castigado em si mesmo pelo erro cometido.

Pensemos um pouco nisto e saibamos abrir o nosso coração às surpresas com que Deus sempre nos maravilha.

 

Fala o Santo Padre

 

“Aprendamos do Senhor Jesus a não julgar e a não condenar o próximo;

a ser intransigentes com o pecado e indulgentes com as pessoas.”

 

Queridos irmãos e irmãs!

Chegamos ao Quinto Domingo da Quaresma, no qual a liturgia nos propõe, este ano, o episódio evangélico de Jesus que salva uma mulher adúltera da condenação à morte (Jo 8, 1-11).

Enquanto está a ensinar no Templo, os escribas e os fariseus conduzem a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, para a qual a lei mosaica previa a lapidação. Aqueles homens pedem a Jesus que julguem a pecadora com a finalidade de "o pôr à prova" e de o levar a dar um passo falso.

A cena é cheia de dramaticidade: das palavras de Jesus depende a vida daquela pessoa, mas também a sua própria vida. De facto, os acusadores hipócritas fingem confiar-lhe o julgamento, enquanto na realidade é precisamente Ele quem querem acusar e julgar. Ao contrário, Jesus está "cheio de graça e de verdade" (Jo 1, 14): Ele sabe o que está no coração de cada homem, deseja condenar o pecado, mas salvar o pecador, e desmascarar a hipocrisia. O evangelista São João dá realce a um pormenor: enquanto os acusadores o interrogam com insistência, Jesus inclina-se e põe-se a escrever com o dedo no chão. Observa Santo Agostinho que aquele gesto mostra Cristo como o legislador divino: de facto, Deus escreveu a lei com o seu dedo nas tábuas de pedra (cf.Comentário ao Evangelho de João, 33, 5). Portanto Jesus é o Legislador, é a Justiça em pessoa. E qual é a sua sentença? "Quem de vós estiver sem pecado seja o primeiro a lançar-lhe uma pedra". Estas palavras estão cheias da força desarmante da verdade, que abate o muro da hipocrisia e abre as consciências a uma justiça maior, a do amor, no qual consiste o pleno cumprimento de cada preceito (cf. Rm 13, 8-10). Foi a justiça que salvou também Saulo de Tarso, transformando-o em São Paulo (cf. Fl 3, 8-14).

Quando os acusadores "foram saindo um por um, a começar pelos mais velhos", Jesus, absolvendo a mulher do seu pecado, introduziu-a numa vida nova, orientada para o bem: "Nem Eu te condeno; vai e doravante não tornes a pecar". É a mesma graça que fará dizer ao Apóstolo: "Uma coisa faço: esquecendo-me do que fica para trás e avançando para o que está adiante, prossigo em direcção à meta, para obter o prémio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" (Fl 3, 14). Deus deseja para nós apenas o bem e a vida; Ele provê à saúde da nossa alma por meio dos seus ministros, libertando-nos do mal com o Sacramento da Reconciliação, para que ninguém se perca, mas todos tenham a ocasião de se converter. […]

Queridos amigos, aprendamos do Senhor Jesus a não julgar e a não condenar o próximo. Aprendamos a ser intransigentes com o pecado  a partir do nosso!  e indulgentes com as pessoas. Ajude-nos nisto a santa Mãe de Deus que, preservada de qualquer culpa, é mediadora de graça para cada pecador arrependido.

 

Bento XVI, Angelus na Praça de São Pedro a 21 de Março de 2010

 

Oração Universal

 

Oremos ao Senhor que operou maravilhas,

a fim de que realize no mundo

aquilo que anunciou pelos profetas,

rezando cheios de confiança:

 

Senhor, tende piedade de nós.

 

1.     Pelo Santo Padre, bispos. Presbíteros e Diáconos,

para que, perante as dificuldades e tribulações,

dêem exemplo de verdadeira confiança no Senhor,

oremos, irmãos.

 

2.     Pelos catecúmenos e fiéis da nossa comunidade,

para que saibam enfrentar com coragem

a inexistência de critérios credíveis na nossa sociedade

e se apresentem como verdadeiras testemunhas

dos valores evangélicos,

oremos, irmãos.

 

3.     Para que consigamos ter confiança

em Deus e na Sua ajuda amorosa

em todas as dificuldades da nossa vida,

oremos, irmãos.

 

4.     Por todos nós, os cristãos,

para que saibamos ser fiéis à nossa fé

e a manifestemos em todas as circunstâncias,

oremos, irmãos.

 

5.     Pelos esposos,

para que sejam fiéis às promessas feitas

no dia do seu matrimónio

e sejam cumulados de todas as bênçãos do Senhor,

oremos, irmãos.

 

6.     Por todos nós

que hoje aqui nos encontramos a celebrar a nossa fé,

para que nunca sejamos tentados a comentar

ou tornar públicos os erros dos outros,

oremos ao Senhor.

     

Senhor, nosso Deus,

dai-nos um coração atento e solícito

para que à semelhança de Jesus

saibamos ser tolerantes com os outros

e exigentes connosco mesmos.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,

que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia Eucarística

 

Cântico do ofertório: Escutai a minha prece, A. Cartageno, NRMS 105

 

Oração sobre as oblatas: Ouvi-nos, Senhor Deus omnipotente, e, pela virtude deste sacrifício, purificai os vossos servos que iluminastes com os ensinamentos da fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Santo: F. da Silva, NRMS 38

 

Monição da Comunhão

 

Apesar de termos consciência das nossas faltas, que a comunhão do Corpo e Sangue do Senhor Jesus Cristo nos ajude a reflectir sobre as nossas atitudes para com o próximo e nos fortifique para não julgarmos ou condenarmos os erros dos outros, mas que tenhamos capacidade para os ajudar a refazer o possível erro cometido.

 

Cântico da Comunhão: Já não sou eu que vivo, Az. Oliveira, NRMS 48

Jo 8, 10-11

Antífona da comunhão: Mulher, ninguém te condenou? Ninguém, Senhor. Nem Eu te condeno. Vai em paz e não tornes a pecar.

 

Cântico de acção de graças: O Senhor salvou-me, Az. Oliveira, NRMS 60

 

Oração depois da comunhão: Deus omnipotente, concedei-nos a graça de sermos sempre contados entre os membros de Cristo, nós que comungámos o seu Corpo e Sangue. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ritos Finais

 

Monição final

 

Que neste Ano da Fé, saibamos reagir perante as dificuldades e problemas que todos os dias se nos apresentam, com coragem e total confiança nas promessas do Senhor; que resistamos à tentação de julgar ou condenar os outros, como condição indispensável para podermos celebrar frutuosamente todo o Mistério Pascal.

 

Cântico final: Ficai connosco, Senhor, M. Borda, NRMS 43

 

 

Homilia FeriaL

 

5ª SEMANA

 

2ª Feira, 18-III: Perdão de Deus e conversão.

Dan 13, 41-62 / Jo 8, 1-11

Ninguém te condenou? Ela respondeu. Ninguém, Senhor. Também eu não te condeno. Vai, e doravante não tornes a pecar.

Susana foi acusada injustamente de um pecado de adultério, e salva de morte certa pela intervenção do profeta Daniel (Leit.). O mesmo aconteceu à mulher adúltera, que foi salva por Jesus (Ev.). «Só Deus perdoa os pecados. Jesus, porque é Filho de Deus, diz de si próprio, 'O Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados' e exerce este poder divino:'os teus pecados te são perdoados'» (CIC, 1441).

Ao recebermos este sacramento, procuremos viver a contrição no coração e manifestemos o nosso arrependimento, tentando não ofender mais a Deus.

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         António E. Portela

Nota Exegética:                    Geraldo Morujão

Homilia Ferial:                      Nuno Romão

Sugestão Musical:                Duarte Nuno Rocha

 


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